Mostrar mensagens com a etiqueta Mundo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mundo. Mostrar todas as mensagens

15.9.23

Mais de 330 milhões de crianças vivem em pobreza extrema

in SIC


Passada a pandemia, neste momento, as guerras e as alterações climáticas são os fatores que mais contribuem para o agravar da situação. Globalmente, apesar de serem apenas um terço da população mundial, as crianças são metade dos que vivem em pobreza extrema.


A UNICEF diz que há mais de 330 milhões de crianças a viverem em pobreza extrema, em todo o mundo. Mais de 90% destas residem na África subsariana ou no sul da Ásia.

Segundo a UNICEF, uma em cada seis crianças, sobrevive com menos de dois euros por dia. Dois euros, nos países mais ricos do mundo, na Europa e na América do Norte, por exemplo, não chegam sequer para comprar uma sanduíche simples e um copo de leite. Mas, para os mais de 330 milhões de menores que vivem em pobreza extrema, são tudo o que têm para se alimentarem durante um dia inteiro.

Apesar de ter havido uma melhoria na última década, as consequências económicas da pandemia de covid-19, levaram a que muitas famílias deixassem de ter rendimentos e os mais novos são os mais vulneráveis, sempre que há uma diminuição do dinheiro que entra em casa.

Passada a pandemia, neste momento, as guerras e as alterações climáticas são os fatores que mais contribuem para o agravar da situação. Globalmente, apesar de serem apenas um terço da população mundial, as crianças são metade dos que vivem em pobreza extrema.

As crianças que vivem nos meios rurais, ou em famílias onde o pai ou a mãe não foram à escola, são as mais pobres de todos os pobres. A continuar assim, a ONU diz que a falha em erradicar a pobreza infantil é um terrível erro coletivo em termos de direitos humanos.

13.9.23

Crianças sofrem o impacto da estagnação na redução da pobreza extrema em todo o mundo

in UNICEF


Globalmente, 333 milhões de crianças sobrevivem com menos de US$ 2,15 por dia. Uma nova análise revela três anos perdidos na redução da pobreza devido à covid-19


Nova Iorque/Washington, 13 de setembro de 2023 – Estima-se que 333 milhões de crianças em todo o mundo – ou uma em cada seis – vivam em pobreza extrema, de acordo com a nova análise do UNICEF e do Banco Mundial divulgada hoje.

Global Trends in Child Monetary Poverty According to International Poverty Lines (Tendências Globais da Pobreza Monetária Infantil segundo as Linhas Internacionais de Pobreza – disponível somente em inglês) – que pela primeira vez analisa as tendências da pobreza infantil extrema – constata que, embora o número de crianças que vivem com menos de US$ 2,15 por dia tenha diminuído de 383 milhões para 333 milhões (ou 13%) entre 2013 e 2022, o impacto econômico da covid-19 levou a três anos perdidos de progresso, ou seja, menos 30 milhões de crianças do que o previsto, na ausência de perturbações relacionadas com a covid-19.

A análise – divulgada antes da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas (18 a 22 de setembro), quando os líderes globais se reunirão, entre outras coisas, para discutir o ponto médio dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – alerta que, com as atuais taxas de redução, a meta dos ODS de acabar com a pobreza infantil extrema até 2030 não será alcançada.

“Há sete anos, o mundo prometeu acabar com a pobreza infantil extrema até 2030. Fizemos progressos, mostrando que, com os investimentos e a vontade certos, existe uma forma de tirar milhões de crianças daquilo que é muitas vezes um círculo vicioso de pobreza”, afirmou a diretora executiva do UNICEF, Catherine Russell. “Mas crises agravadas, resultantes dos impactos da covid-19, dos conflitos, das mudanças climáticas e dos choques econômicos, paralisaram o progresso e deixaram milhões de crianças na pobreza extrema. Não podemos falhar com essas crianças agora. Acabar com a pobreza infantil é uma escolha política. Os esforços devem ser redobrados para garantir que todas as crianças tenham acesso a serviços essenciais, incluindo educação, nutrição, cuidados de saúde e proteção social, abordando simultaneamente as causas profundas da pobreza extrema”.

De acordo com o relatório, a África ao sul do Saara carrega o maior fardo de crianças (40%) vivendo em pobreza extrema, e é responsável pelo maior aumento percentual na última década, saltando de 54,8% em 2013 para 71,1% em 2022. O crescimento populacional rápido, as medidas limitadas de proteção social e as tendências globais desafiadoras, incluindo a covid-19, os conflitos e as catástrofes relacionadas com o clima, resultaram num aumento acentuado. Entretanto, todas as outras regiões do mundo registraram um declínio constante nas taxas de pobreza extrema, com exceção do Oriente Médio e do Norte de África.

Globalmente, as crianças representam mais de 50% da população extremamente pobre, apesar de representarem apenas um terço da população mundial. As crianças têm duas vezes mais probabilidades do que os adultos – 15,8% versus 6,6% – de viver em domicílios extremamente pobres, sem alimentação, saneamento, abrigo, cuidados de saúde e educação de que necessitam para sobreviver e prosperar.

“Um mundo onde 333 milhões de crianças vivem em extrema pobreza – privadas não só de necessidades básicas, mas também de dignidade, oportunidade ou esperança – é simplesmente intolerável”, disse o diretor global para Pobreza e Equidade do Banco Mundial, Luis-Felipe Lopez-Calva. “É mais importante do que nunca que todas as crianças tenham um caminho claro para sair da pobreza – por meio do acesso equitativo a educação, nutrição, saúde e proteção social de qualidade, bem como segurança e proteção. Este relatório deve ser um lembrete claro de que não temos tempo a perder na luta contra a pobreza e a desigualdade e que as crianças devem estar em primeiro lugar nos nossos esforços”.

As crianças mais vulneráveis – como as que vivem em ambientes rurais e as crianças que vivem em domicílios onde o principal responsável tem pouca ou nenhuma educação – são significativamente mais afetadas pela pobreza extrema. De acordo com o relatório, estima-se que uma em cada três crianças em países afetados por conflitos e fragilidades viva em domicílios extremamente pobres, em comparação com uma em cada dez crianças em países sem fragilidades.

Para acabar com a pobreza extrema e compensar o retrocesso pandêmico, o UNICEF e o Banco Mundial pedem aos governos e parceiros para:Garantir uma atenção contínua às crianças que vivem em situação de pobreza extrema em países de renda média-baixa e baixa e em contextos frágeis.
Priorizar agendas destinadas a combater a pobreza infantil, incluindo a expansão da cobertura de proteção social para as crianças, para chegar às pessoas que vivem em domicílios extremamente pobres.
Conceber portfólios de políticas públicas para abranger famílias numerosas, aquelas com crianças pequenas e nas zonas rurais. Investir na primeira infância revelou-se uma das formas mais eficazes de acabar com a persistência intergeracional da pobreza, trazendo retornos positivos para os indivíduos, as famílias e as sociedades.Aumentar o acesso a benefícios universais para crianças como uma medida comprovadamente eficaz na redução da pobreza infantil.
Conceber programas de proteção social inclusivos, tendo em conta as necessidades específicas de deficiências e de gênero.


###

Notas para editores

A análise das Tendências Globais da Pobreza Monetária Infantil segundo as Linhas Internacionais de Pobreza baseia-se num exercício semelhante realizado em 2020 para examinar a pobreza infantil. A análise contém registros de 10,4 milhões de indivíduos de 147 países, retirados da do segundo bimestre da Base de Dados de Monitoramento Global (GMD), tendo 2019 como ano base. A GMD é uma coleção de dados de pesquisas domiciliares globalmente harmonizados, compilados pelo grupo de Dados para Objetivos da Prática Global de Pobreza e Equidade do Banco Mundial.

As estimativas de pobreza para 2020, 2021 e 2022 foram “previstas agora” – ou seja, as taxas de crescimento do produto interno bruto (PIB) foram utilizadas para prever os rendimentos domiciliares, assumindo que todos os domicílios registram um crescimento igual do consumo em termos percentuais.

As linhas de pobreza internacionais foram atualizadas em 2022. As três linhas de pobreza são: US$ 2,15 (pobreza extrema), US$ 3,65 (renda média baixa) e US$ 6,85 (renda média alta).

Aproximadamente 333 milhões de crianças em todo o mundo sobrevivem com menos de US$ 2,15 por dia, 829 milhões de crianças subsistem abaixo do limiar de pobreza de US$ 3,65 e 1,43 bilhão de crianças vivem com menos de US$ 6,85 por dia.

###

Conteúdo multimídia disponível para download aqui.

8.9.23

Preços mundiais do arroz atingiram valor máximo dos últimos 15 anos

in RTP

Os custos aumentaram após a Índia ter imposto restrições à exportação. A FAO, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, revela que os preços de todos os tipos de arroz subiram quase 10 por cento em relação a julho, o mês anterior.

Os preços estão a aumentar em todo o mundo e refletem as perturbações no comércio causadas por essa proibição das exportações pela Índia mas também pela suspensão do acordo para exportação de cereais do Mar Negro.

Mundo abandona meninas e mulheres, denuncia a ONU

in GZH 


Desde a luta contra a pobreza, passando pelo acesso à educação, à representação política ou às oportunidades econômicas, o mundo "abandona meninas e mulheres", lamenta a ONU em um relatório sobre as desigualdades entre homens e mulheres, publicado nesta quinta-feira (7).


O relatório da ONU Mulheres analisa os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) adotados pelos Estados-membros da ONU em 2015, com o objetivo de construir um futuro melhor para todos até 2030.

"Quando olhamos para os dados, parece que o mundo não consegue progredir e alcançar a igualdade de gênero. E está se tornando, eu diria, um objetivo cada vez mais distante", disse à AFP Sarah Hendriks, vice-diretora-executiva da agência da ONU.


Um dos ODS prevê o fim, até o final da década, da discriminação, da violência contra as mulheres, dos casamentos forçados e da mutilação genital. Que o trabalho doméstico seja compartilhado, que o acesso à saúde sexual e a participação efetiva na vida política e econômica sejam garantidos.


Porém, "no caminho para 2030, o mundo está abandonando as meninas e mulheres" e a maioria das metas deste objetivo específico não estão na direção certa, afirma o relatório.


Todos os anos, 245 milhões de mulheres com mais de 15 anos são vítimas de violência física por parte dos seus parceiros; uma em cada cinco mulheres casa antes dos 18 anos; as mulheres realizam 2,8 horas a mais de trabalho doméstico do que os homens e representam apenas 26,7% dos parlamentares.


Para mudar a situação, seriam necessários 360 bilhões de dólares (1,7 trilhão de reais) de investimentos adicionais por ano em cinquenta países em desenvolvimento que têm 70% da população mundial, estima a agência.


Segundo a ONU, ao ritmo atual, 575 milhões de pessoas viverão em pobreza extrema até 2030, longe da erradicação esperada. E 342 milhões são mulheres, 8% das mulheres do mundo, recorda o relatório.


* AFP

29.8.23

Poluição atmosférica é primeira ameaça mundial para saúde humana

Por Lusa, in Expresso


Estudo conclui que o risco é maior do que o tabagismo ou o consumo de álcool, e exacerbado em regiões como Ásia e África


Um estudo hoje publicado indica que a poluição atmosférica representa um risco maior para a saúde global do que o tabagismo ou o consumo de álcool, perigo exacerbado em regiões como Ásia e África.

De acordo com este relatório do Instituto de Política Energética da Universidade de Chicago (EPIC) sobre a qualidade do ar a nível mundial, a poluição por partículas finas, emitidas pelos veículos a motor, pela indústria e pelos incêndios, representa "a maior ameaça externa à saúde pública" a nível mundial.

Mas, apesar disso, os fundos para a luta contra a poluição atmosférica representam apenas uma fração ínfima dos fundos consagrados às doenças infecciosas, por exemplo, sublinhou o relatório.

A poluição por partículas finas aumenta o risco de doenças pulmonares e cardíacas, de acidentes vasculares cerebrais e de cancro.

O EPIC estimou que, se o limiar da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a exposição a partículas finas fosse respeitado em todas as circunstâncias, a esperança de vida global aumentaria 2,3 anos, com base nos dados recolhidos em 2021.

Em comparação, o consumo de tabaco reduz a esperança de vida global numa média de 2,2 anos e a subnutrição infantil e materna em 1,6 anos.

No Sul da Ásia, a região do mundo mais afetada pela poluição atmosférica, os efeitos na saúde pública são muito pronunciados.

De acordo com os modelos criados pelo EPIC, os habitantes do Bangladesh poderiam ganhar 6,8 anos de esperança de vida se o limiar de poluição fosse reduzido para o nível recomendado pela OMS.

A capital da Índia, Nova Deli, é a "megalópole mais poluída do mundo", enquanto a China "fez progressos notáveis na luta contra a poluição atmosférica" iniciada em 2014, disse a diretora dos programas de qualidade do ar do EPIC, Christa Hasenkopf.

A poluição média do ar no país diminuiu 42,3% entre 2013 e 2021, mas continua a ser seis vezes superior ao limiar recomendado pela OMS. Se este progresso se mantiver ao longo do tempo, a população chinesa deverá ganhar uma média de 2,2 anos de esperança de vida, referiu o estudo.

Mas, de um modo geral, as regiões do mundo mais expostas à poluição atmosférica são as que recebem menos recursos para combater este risco, observou o relatório.

"Existe uma profunda discrepância entre os locais onde o ar é mais poluído e aqueles onde são mobilizados mais recursos coletivos e globais para resolver este problema", explicou Hasenkopf.

Embora existam mecanismos internacionais de luta contra o VIH, a malária e a tuberculose, não há equivalente para a poluição atmosférica.

"E, no entanto, a poluição atmosférica reduz a esperança média de vida de uma pessoa na República Democrática do Congo e nos Camarões mais do que o VIH, a malária e outras doenças", salientou o relatório.

Nos Estados Unidos, o programa federal "Clean Air Act" contribuiu para reduzir a poluição atmosférica em 64,9% desde 1970, aumentando a esperança média de vida dos norte-americanos em 1,4 anos.

Na Europa, a melhoria da qualidade do ar ao longo das últimas décadas seguiu a mesma tendência que nos EUA, mas continuam a existir grandes disparidades entre o leste e o oeste do continente.

Todos estes esforços estão ameaçados, entre outros fatores, pelo aumento do número de incêndios florestais em todo o mundo, causado pelo aumento das temperaturas e por secas mais frequentes, associadas às alterações climáticas, provocando picos de poluição atmosférica.

25.8.23

Primeiras regras do mundo para plataformas digitais entram em vigor na UE

Por Lusa, in SIC


Após alguns meses de adaptação, plataformas de grande dimensão têm de começar agora a cumprir as obrigações impostas pela nova Lei dos Serviços Digitais da União Europeia.


A União Europeia (UE) torna-se desde esta sexta-feira, após um período de adaptação, a primeira jurisdição do mundo com regras para plataformas digitais como X (anterior Twitter) e Facebook, que passarão a ser obrigadas a remover conteúdos ilegais.

Após alguns meses de adaptação, plataformas de grande dimensão como X (anteriormente designada Twitter) e Facebook (do grupo Meta) têm de começar agora a cumprir as obrigações impostas pela nova Lei dos Serviços Digitais da UE.

Estas obrigações devem-se à entrada hoje em vigor da Lei dos Serviços Digitais na UE, no âmbito da qual a Comissão definiu 19 plataformas em linha de muito grande dimensão, com 45 milhões de utilizadores ativos mensais, que terão de cumprir as novas regras, entre as quais:AliExpress;
Amazon;
Apple AppStore;
Booking.com;
Facebook;
Google Play;
Google Maps;
Google Shopping;
Instagram;
LinkedIn;
Pinterest;
Snapchat;
TikTok;
Twitter;
Wikipedia;
YouTube;
Zalando.

Acrescem dois motores de pesquisa de muito grande dimensão, como Bing e a ferramenta de busca da Google.

Em novembro passado, foi oficialmente adotada a nova Lei dos Serviços Digitais, criada para proteger os direitos fundamentais dos utilizadores online e tornando-se numa legislação inédita para o espaço digital que responsabiliza plataformas por conteúdos ilegais e prejudiciais.

8.8.23

Poluição atmosférica pode aumentar resistência aos antibióticos, uma das maiores ameaças à saúde global

Rúben Matos com Cláudia Alves Mendes, in TSF 

Um estudo que analisou dados de mais de cem países ao longo de quase duas décadas sugere que a ligação entre os dois fatores tem sido reforçada ao longo do tempo, com o aumento dos níveis de poluição atmosférica a coincidir com aumentos maiores da resistência aos antibióticos.


Os níveis cada vez mais altos de poluição atmosférica estão a contribuir para o aumento da resistência aos antibióticos, que já é considerada uma das maiores ameaças para a saúde global, segundo um estudo publicado esta terça-feira pela revista médica Lancet.


Sublinhando que a resistência aos antibióticos mata um milhão e trezentas mil pessoas por ano - afetando as várias faixas etárias -, os investigadores da China e do Reino Unido destacam que esta é a primeira análise a mostrar como é que a poluição do ar pode afetar de forma global a resistência aos antibióticos.


A investigação, que analisou dados de mais de cem países ao longo de quase duas décadas, sugere que a ligação entre os dois fatores tem sido reforçada ao longo do tempo, com o aumento dos níveis de poluição atmosférica a coincidir com aumentos maiores da resistência aos antibióticos.


Hospitais, áreas agrícolas e estações de tratamento de esgoto estão entre as rotas mais comuns de transmissão de bactérias resistentes a antibióticos, que são disseminadas principalmente pelo ar, através de partículas que são liberadas por pessoas ou animais infetados e, depois, inaladas por outros.
Acredita-se que estas partículas muito finas desempenham um papel fundamental na disseminação de bactérias resistentes a antibióticos. Como são minúsculas, entram facilmente nas vias respiratórias e causam doenças potencialmente graves.


Uma vez no sistema humano, as bactérias tornam-se resistentes aos antibióticos ao desenvolverem mutações genéticas que lhes dão uma vantagem de sobrevivência em relação ao medicamento. Essas mutações fazem com que os antibióticos percam a eficácia e, consequentemente, certas doenças deixam de ser tratáveis com esse método. Como os mecanismos de resistência podem evoluir e adaptar-se constantemente, o desenvolvimento de novos antibióticos é cientificamente desafiador e caro.

A poluição atmosférica é já o maior risco ambiental para a saúde pública, sendo que, a exposição a longo prazo a este fator está associada a doenças crónicas como as doenças cardíacas, asma e o cancro do pulmão, reduzindo a esperança média de vida.

2.8.23

Planeta entra em sobrecarga e começa a consumir recursos do próximo ano

Por Lusa,  in SIC

Nos últimos anos tem havido uma tendência de estabilização do dia em que o planeta começa a viver a crédito.

O planeta começa a partir de quarta-feira a consumir recursos naturais que só deviam ser usados no próximo ano, entrando em sobrecarga, indicam os cálculos da organização internacional "Global Footprint Network".

Analisando as contas da pegada ecológica e a capacidade biológica (de gerar recursos) de mais de 180 países, a organização assinala este dia como o Dia da Sobrecarga do Planeta (Overshoot Day), em que a necessidade de recursos ambientais por parte da humanidade excede a capacidade do planeta em os produzir.

Nos últimos anos tem havido uma tendência de estabilização do dia em que o planeta começa a viver a crédito. A organização nota que há um aparente ganho (avanço na data) de cinco dias em relação ao ano passado mas acrescenta que na verdade do ano passado para este ano só se melhorou um dia. Os outros quatro dias devem-se a melhorias na edição das contas sobre a pegada do planeta.

Os responsáveis pelos cálculos admitem não poder dizer se a estabilidade dos últimos cinco anos se deve a um abrandamento económico ou a esforços deliberados de descarbonização. Mas alertam que mesmo assim a redução do excesso de emissões de gases com efeito de estufa (GEE) é demasiado lenta, e que para atingir os objetivos preconizados por organizações da ONU era preciso reduzir no calendário o Dia da Superação da Terra em 19 dias por ano nos próximos sete anos.

Este ano, o Dia é assinalado em conjunto com a Eslovénia. Citado num comunicado o diretor executivo da "Global Footprint Network", Steven Tebbe, alerta para o facto de que manter de forma persistente o uso do "cartão de crédito" leva a situações cada vez mais notórias de ondas de calor, incêndios florestais, secas e inundações.

Aumentar as fontes globais de eletricidade de baixo teor de carbono, de 39% para 75%, faria com que o dia passasse a ser assinalado 26 dias depois, e reduzir para metade o desperdício de alimentos faria avançar mais 13 dias.

Num comentário ao Dia da Sobrecarga do Planeta a organização ambientalista Zero apela a uma aceleração das mudanças para se inverter a destruição do planeta. E salienta ainda outras formas de "empurrar" para mais tarde a data do cartão de crédito: a redução para metade da pegada de carbono faria com o dia da sobrecarga apenas acontecesse no início de novembro.

Depois, salienta ainda a Zero, se as pessoas reduzissem a pegada ligada à mobilidade em 50% o cartão de crédito ambiental ia para a segunda semana deste mês. E só seria acionado no dia 19 se o consumo de carne fosse reduzido para metade.

31.7.23

A guerra da fome

Andreia Sanchez ,opinião, in Público

Mais de 345 milhões de pessoas enfrentam altos níveis de insegurança alimentar, um número sem precedentes. O fim do acordo dos cereais é um desafio. Mas há outros.


Apesar de o mundo estar a viver a “maior crise alimentar da história”, o Programa Alimentar Mundial (PAM) enfrenta uma falta de financiamento “paralisante”. Pelo menos 38 países já viram, ou verão em breve, os seus programas de assistência alimentar reduzidos. A ideia é esta: para tentar salvar quem está literalmente a morrer de fome, é preciso cortar no apoio a comunidades onde a situação não é ainda de “fome catastrófica”. Para lá caminharão, mas não há outra forma.

[...]

Mais de 345 milhões de pessoas enfrentam altos níveis de insegurança alimentar, o que representa um aumento de quase 200 milhões desde o início de 2020. A suspensão, há dias, por parte da Rússia, do acordo para a exportação através do mar Negro de cereais da Ucrânia, o “celeiro do mundo”, representa o colapso de um mecanismo fundamental para mitigar o impacto da escalada dos preços dos alimentos.


Mesmo com a guerra, a Ucrânia continuou a ser, graças a esse acordo, o maior fornecedor de trigo da ONU em 2022. Ainda assim, o PAM viu os custos de aquisição dos alimentos que distribui aumentarem 39% face a 2019.
[...]

[...]

Sejamos claros: é uma obrigação moral travar o ciclo da fome. É também uma questão estratégica, à escala global: a fome agrava a instabilidade e os conflitos, provoca migrações em larga escala, compromete o futuro de gerações inteiras, com ondas de choque que vão muito além dos países onde grassa.

Há um problema para resolver agora, já: o que fazer sem acordo de cereais. Há outro, de fundo: reconhecer que uma forte mobilização financeira vai ter de se manter, ou aumentar. Porque, ao contrário da guerra na Europa, que há-de ter um fim, a crise climática não terá. As alterações climáticas são há muito responsáveis pela escassez de alimentos em várias regiões do planeta, da Somália a Madagáscar, que pouco contribuíram para elas. A guerra agravou a situação. Mas os extremos climáticos deste Verão mostram que pode ser ainda pior.

[artigo disponível na íntegra só para assinantes aqui]


25.7.23

FMI está mais otimista e reviu em alta o crescimento mundial para 3%

Jorge Nascimento Rodrigues Jornalista e  Carlos Esteve Jornalista infográfico, in Expresso


O FMI reviu esta terça-feira em alta as previsões para a economia mundial e antecipa que a China cumprirá a meta de crescer mais de 5% este ano. Revela também que, apesar da guerra, a economia russa está a recuperar. Zona euro terá um dos crescimentos mais fracos, com a Alemanha em recessão

O Fundo Monetário Internacional (FMI), dirigido por Kristalina Georgieva, dá esta terça-feira boas e más notícias ao divulgar as novas previsões macroeconómicas para 2023 e 2024 em relação às grandes economias.

A mais importante boa notícia que vem de Washington é que a economia mundial vai crescer este ano mais do que previsto no World Economic Outlook publicado em abril. O FMI está agora mais otimista. Em vez de 2,8%, a economia global deverá crescer 3% este ano, devido à resolução rápida da crise financeira de março, ao acordo em Washington para evitar um default pelo Tesouro dos Estados Unidos da América (EUA) e à dinâmica do sector dos serviços.

A pior notícia é que a Alemanha, o motor da zona euro, registará em 2023 uma recessão, sendo o único caso de contração entre as grandes economias. O Reino Unido escapa à recessão que o FMI previa em abril. O desempenho do conjunto dos 20 países da moeda única europeia vai ser metade do dos EUA.

ECONOMIA MUNDIAL NO “CAMINHO CERTO”, MAS “É CEDO PARA CELEBRAR”

A revisão do crescimento global para 3% em 2023 veio dar uma lufada de otimismo na apresentação das previsões do FMI. “A economia global está no caminho certo”, disse esta terça-feira Pierre-Olivier Gourinchas, economista-chefe do Fundo e responsável pela equipa de previsões e por esta atualização intercalar do World Economic Outlook (WEO). O anterior WEO, apresentado em abril, apontava para um crescimento mundial de 2,8%. Mesmo 3% fica muito abaixo da média anual para o período de 2000 a 2019, que inclui uma recessão global em 2009.

As novas previsões antecipam que a China vai cumprir a meta política de Pequim de crescer em 2023 acima de 5% e que a Índia vai ser a grande economia que mais cresce (quase mais um ponto percentual que a China). Os economistas do Fundo fizeram revisões em alta em 16 casos, com destaque para o Brasil (revisão em alta de 1,2 pontos percentuais) e Espanha (subida de um ponto).

Uma das revisões que tiveram um impacto decisivo foi a melhoria da previsão para o Reino Unido, uma economia que, em abril, era considerada como suscetível de entrar em recessão, e para a qual, agora, se aponta para crescimento, ainda que muito fraco, menos de metade do previsto para a zona euro.

Fruto das revisões em alta, a Rússia afasta-se do horizonte de recessão, em que mergulhou em 2022 (queda de 2,1%), no ano do início da invasão da Ucrânia, e deverá crescer 1,5% em 2023, em vez da previsão inicial de 0,7%. O ritmo de crescimento deverá continuar no próximo ano, ainda que mais moderadamente.

“No entanto, [a economia global] ainda não está fora de perigo" e "é cedo para celebrar”, acrescentou o economista-chefe. O FMI antecipa que em 2024 a economia global não acelera (o crescimento será igual ao do ano anterior) e que cinco das grandes economias vão mesmo desacelerar significativamente no próximo ano: China (que desce do patamar dos 5%), México e Brasil (que deixam de crescer acima de 2%), e EUA e Japão (que baixam para 1%).

O FMI cortou as previsões para 2023 nos casos da Alemanha (que registará recessão) e da Arábia Saudita (a economia líder do petróleo).

ZONA EURO MARCADA POR RECESSÃO NA ALEMANHA

Entre as grandes economias, o espaço da moeda única europeia regista dos crescimentos mais baixos globalmente em 2023. A previsão foi melhorada ligeiramente em relação a abril, mas o PIB crescerá apenas 0,9%. Mesmo assim a desaceleração em relação ao ano passado é “acentuada”: de 3,5% para quase um quarto da dinâmica. Reino Unido (que escapa a uma recessão) e África do Sul crescem menos do que a zona euro e também desaceleram significativamente.

A situação da zona euro fica marcada, este ano, pela recessão na Alemanha, a sua maior economia, e por uma diversidade de ritmos de crescimento bem diferentes, que vão de 2,5% em Espanha (que registou uma das maiores revisões em alta) a 0,8% em França.

Esta atualização intercalar de previsões só abrangeu as quatro maiores economias do euro e não incluiu, por isso, Portugal. A previsão para o crescimento da economia portuguesa avançada em junho (na análise anual feita pelo FMI) é otimista: 2,6%, apenas uma décima abaixo da do Banco de Portugal.

As previsões divulgadas esta terça-feira antecipam, no entanto, que o ritmo de crescimento da zona euro vai acelerar para 1,5% em 2024, com a Alemanha a sair da recessão e a crescer 1,3%. A confirmar-se esta projeção, a zona euro vai crescer no próximo ano mais do que os EUA, Japão, Reino Unido e Canadá. No quadro do euro, entre as grandes economias, Espanha continuará a liderar o crescimento, projetando-se 2%.



OS RISCOS QUE ENSOMBRAM A ECONOMIA MUNDIAL

Gourinchas chamou a atenção esta terça-feira que a economia mundial “ainda não está fora de perigo”. Os riscos são diversos.

O processo de desinflaçao (de redução do aumento dos preços no consumidor) continua a não dar mostras de ser sustentado, o que se aborda noutro artigo. Essa persistência do surto inflacionista está a implicar um aperto monetário prolongado por parte dos bancos centrais que o FMI já considera “ter trazido os juros para território contracionista”. O que, sendo necessário, no entender do Fundo, implica uma fatura: começam a ver-se “sinais crescentes de que a atividade económica global está a perder impulso”.

A China enfrenta vários desafios que poderão levar a uma maior desaceleração em 2024 e que podem envolver uma contração do muito sensível sector imobiliário. A fragmentação geopolítica do mundo alimenta uma crescente “fragmentação geoeconómica” com o risco de que a economia mundial se divida em “blocos separados”. Essa fragmentação pode ser intensificada por um agravamento da guerra de agressão russa em curso (com implicações económicas, militares e geopolíticas mais extensas) e por “outras tensões geopolíticas”, que o FMI não especifica. O que se pode esperar, caso se concretize esse agravamento, é mais protecionismo, mais restrições ao comércio internacional sobretudo em exportações consideradas estratégicas (como na tecnologia e nos minérios críticos) e aos fluxos de investimento. E mais volatilidade nos preços das matérias-primas.

Acrescem os impactos da mudança climática, agravando fenómenos extremos, exacerbando a seca e a fome e pressionando os preços das matérias-primas, refere o FMI. “Um progresso insuficiente na transição climática deixará os países pobres ainda mais expostos a choques climáticos cada vez mais severos e a temperaturas cada vez mais altas, apesar [desse grupo de países] representar uma pequena fração das emissões globais”, acentua o documento do Fundo.

Há que somar ainda o risco de uma crise de dívidas nas economias pobres e mesmo em mercados emergentes. “A parcela de economias emergentes e em desenvolvimento com spreads de dívida acima de 1000 pontos-base (10 pontos percentuais) mantém-se em 25%, comparando com 6,8% há dois anos [2022]”, refere-se no documento divulgado pelo FMI. Um estudo do Fundo indica que há 18 economias sobreendividadas que requerem uma solução global, que, ainda, não viu a luz do dia na recente reunião de ministros das Finanças e banqueiros centrais na Índia.

Apesar dos riscos para a estabilidade financeira mundial terem sido apaziguados depois da crise de março, o FMI continua a sinalizar a possibilidade de pressão sobre os bancos e o sector financeiro não bancário, em particular os mais expostos ao imobiliário. O FMI não coloca de lado a possibilidade de contágio.

Teletrabalho: Está na altura de os trabalhadores regressarem ao escritório?

Giulia Carbonaro, in Euronews Português


Mais de três anos depois de o trabalho à distância se ter tornado a regra durante a pandemia de COVID-19, o trabalho a partir de casa está a enfrentar uma reação negativa, com várias empresas a pedirem aos seus empregados que regressem ao escritório e titãs da indústria tecnológica a condenarem abertamente a prática.

Em maio, o diretor executivo da OpenAI, Sam Altman, declarou que o trabalho à distância era uma "experiência falhada", classificando-o como um dos "piores erros da indústria tecnológica desde há muito tempo" e afirmando que a prática prejudica a criatividade, especialmente das empresas em fase de arranque.

Em março, Elon Musk disse aos empregados do Twitter que o escritório "não é opcional".

Em junho, a Google informou os seus empregados de que teriam de passar pelo menos três dias por semana no escritório e que a presença no escritório seria considerada positivamente na sua avaliação de desempenho, conforme noticiado em primeiro lugar pelo Wall Street Journal.

Alguns dos maiores jornais do mundo, como o New York Times, publicaram este ano artigos de opinião que afirmam que o trabalho remoto está a falhar com os jovens empregados e a privar os trabalhadores da experiência comum de um local de trabalho partilhado.

Mas será que o trabalho à distância está realmente a falhar, como as empresas acreditam?

"Não, de forma alguma", afirma Mansoor Soomro, entusiasta do futuro do trabalho e professor sénior de Sustentabilidade e Negócios Internacionais na Universidade de Teesside, no Reino Unido, à Euronews.

"Com base nos inquéritos, nas reuniões e nas entrevistas que estamos a realizar, não falhou. O trabalho à distância não vai desaparecer", disse.

O que é que se passa realmente? Os especialistas dizem que a situação é mais complicada do que dizer se o trabalho remoto falhou ou teve sucesso.


Trabalho na Europa: quais são os países com semanas laborais mais longas e mais curtas?

Renegociar o trabalho à distância

"O que aconteceu durante a pandemia de COVID-19 levou a uma perceção inicial de que as coisas iriam mudar significativamente após a pandemia, que haveria esta mudança para o aumento do trabalho remoto e que não havia maneira de a maré mudar", disse Mark Stuart, professor da Leeds University Business School, à Euronews.

Embora os empregadores se sintam "bastante confortáveis" com a ideia de os trabalhadores ficarem em casa, Stuart afirma que, nos últimos 12 meses, as empresas têm vindo a pedir cada vez mais aos seus empregados para regressarem ao escritório.

"O que está a acontecer agora é um processo de renegociação entre os empregadores e a sua força de trabalho em termos de como será o trabalho remoto no futuro", afirmou Stuart.

Embora haja trabalhadores que nunca puderam trabalhar à distância, nem mesmo durante a pandemia, há muitos que ainda têm acordos flexíveis com os seus empregados e trabalham a tempo inteiro ou a tempo parcial a partir de casa.

Os que trabalham à distância apreciam o facto de não terem de se deslocar para o trabalho, de reduzirem os custos de deslocação para o escritório e até de terem um melhor equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal, afirma Stuart, enquanto os que preferem trabalhar no escritório apreciam a sociabilidade, o trabalho em equipa e a espontaneidade.
Estes são os postos de trabalho que poderão ser mais afetados pela Inteligência Artificial

Trabalho à distância versus regresso ao escritório

Stuart considera que a renegociação do trabalho à distância vai dar origem a "várias tensões" entre empregados e empregadores, resultando na atual tensão sentida pelos trabalhadores de vários setores, que protestam contra a estagnação dos salários, que não acompanharam a inflação.

"Mas muito do que está em causa são os acordos locais e o apoio dos gestores de linha", afirma. "Os gestores de linha têm de se habituar a ter equipas e pessoal que não estão sempre no escritório e que trabalham à distância, mas tem de haver uma espécie de aceitação mútua".

Stuart pensa que é mais provável que a renegociação do trabalho à distância conduza a um compromisso entre o que os trabalhadores podem querer - mais dias a trabalhar a partir de casa - e o que os empregadores podem exigir - mais dias no escritório.

Soomro acredita firmemente que o teletrabalho veio para ficar.

"As pessoas mudaram-se e não querem deslocar-se", afirmou. "As pessoas adaptaram-se à flexibilidade recém-descoberta e não querem abdicar dela".

Para tornar o escritório mais atrativo para os trabalhadores, as empresas terão de oferecer regalias e "tornar o local mais acolhedor", disse Soomro, mas um regresso em massa de todos os trabalhadores parece improvável por agora.

24.7.23

“És feliz? Tens um propósito? O teu trabalho é relevante para o mundo?”: dicas para mudar de carreira com sucesso por quem já o fez

Cláudia Monarca Almeida, in Expresso


Duas décadas depois de começar a trabalhar, Ivette Gonzalez decidiu mudar “drasticamente” de área. Hoje continua a fazer trabalho humanitário, mas é também consultora e técnica de fatos espaciais. Em entrevista ao Expresso deixa dicas sobre mudar de vida e seguir carreiras científicas


Tinha o sonho de ser astronauta e ir ao espaço, mas não queria ser militar. Em vez disso, tornou-se trabalhadora humanitária.


Durante 20 anos, Ivette Gonzalez viajou pelo mundo, de país em país. Trabalhou em locais afetados por surtos de doenças, desastres naturais e guerras. O objetivo: ajudar a reconstruir vidas.

“Muitas pessoas pensam que é o melhor trabalho do mundo, mas apercebi-me que para mim ainda havia mais para fazer. Um trabalhador humanitário é alguém que faz um trabalho incrível em zonas desoladoras. Mas há sempre algo que podemos fazer a um nível mais macro”, comenta em entrevista ao Expresso durante uma passagem pelos Açores para a Glex Summit [cimeira que reuniu dezenas de cientistas e exploradores na ilha Terceira em junho].

Por isso, decidiu mudar de vida. Como? “É interessante, porque essa é a pergunta que mais me fazem. Acho que isso diz alguma coisa sobre a nossa condição enquanto humanos.”

“ÉS FELIZ? SENTES QUE TENS UM PROPÓSITO? O TEU TRABALHO É RELEVANTE PARA O MUNDO?”

Tomada a decisão, Ivette Gonzalez lançou-se numa longa pesquisa.

“Comecei a procurar o que mais podia fazer com as minhas competências”, recorda. Durante seis meses, entrevistou amigos, familiares e estranhos que encontrou no LinkedIn com títulos profissionais que achou interessantes.

“Começaram a falar-me das profissões deles, do trabalho, das suas experiências. Fazia as mesmas perguntas a todos. És feliz? Sentes que tens um propósito e que o que fazer importa? O teu trabalho é relevante para o mundo?”

O resultado surpreendeu-a. “Fiquei chocada que no fim foram os meus amigos que trabalhavam [na área ligada ao] espaço que me entusiasmaram mais. Eles convenceram-me que existem muitas oportunidades com toda esta experiência em resiliência humana no setor espacial. E por isso decidi tentar.”

Era 2018, ainda antes dos primeiros voos comerciais ao espaço. Durante o primeiro ano participou em 13 conferências do setor para “conhecer toda a gente” e “perceber em que estavam a trabalhar”.

“VIVEMOS NUM TEMPO EM QUE NÃO TEMOS DE ESCOLHER UM TÍTULO PROFISSIONAL EM EXCLUSIVO”

O riso de Ivette Gonzalez quando lhe perguntamos qual é o seu título profissional atual é contagiante. A verdade é que a sua atividade não cabe numa caixinha só.

“Antes e mais que tudo, continuo a ser uma trabalhadora humanitária. Ainda vou ajudar nas áreas em que me pedem ajuda e contribuo o que posso com o meu conhecimento”, começa por descrever.

Depois “sou uma técnica de fatos especiais, o que é muito entusiasmante porque ajudo estudantes e pessoas que se estão mesmo a preparar para ir ao espaço como vestir, mexer e trabalhar dentro do fato espacial.”

No fundo, o seu trabalho prende-se com a componente humana destas ferramentas tecnológicas, o que implica testar os fatos em vários ambientes (como em voos parabólicos, debaixo de água e nos diferentes campos de treino Apollo). “Testamos quão bem trabalham e quão bem as pessoas trabalham com eles", explica.

Surpreendentemente, as duas atividades acabam por estar bastante interligadas. Se o conhecimento sobre resiliência humana lhe permite perceber melhor o comportamento humano nos testes aos fatos espaciais, também descobriu que as tecnologias do espaço podem fazer uma diferença tremenda no trabalho humanitário.


Em 2019, Ivette Gonzalez fez parte da equipa de emergência mobilizada quando o furacão Dorian devastou as Bahamas. Através da ativação da Carta Internacional Espaço e Grandes Desastres, autoridades e trabalhadores humanitários conseguiram ter acesso gratuito a informações de satélite vitais às operações de resgate.

“Quanto trabalhava na ajuda humanitária, não sabia quão acessível a informação era. Em 2019, foi a primeira vez que usei dados do espaço. A ilha tinha encolhido porque estava inundada. Depois do furacão, não conseguíamos localizar as casas, as pessoas, as terras ou estradas. Os barcos das missões de busca e resgate estavam constantemente a colidir e a ficar encalhados porque não conseguíamos ver os destroços por baixo. Por isso, naquela primeira semana ajudou imensamente termos os dados de satélite para navegar. Encontrámos pessoas que tinham ficado encurraladas em pequenas partes da ilha, conseguimos.”

Os mesmos dados têm sido úteis, nos últimos anos, para redesenhar a linha costeira onde esta costumava estar e reconstruir os corais e manguezais que ficaram destruídos.

A estes dois trabalhos, Ivette Gonzalez ainda soma um terceiro, como consultora. “E este é importante porque todos precisamos de pagar as contas. Aconselho agências espaciais e grupos tecnológicos emergentes para os ajudar a desenvolver uma economia relevante, viável e até crescente em torno da indústria espacial.”

“Uma coisa que acho que é importante, especialmente para esta geração, é que vivemos num tempo em que não temos de escolher um único título profissional ou fazer apenas uma coisa bem. Podemos ter multitudes e isso significa que existem muitas camadas naquilo que nos apaixona e pelo qual nos interessamos. E podemos fazer todas”, defende.

“VIVEMOS NUM TEMPO EM QUE É ACEITÁVEL MUDAR DE EMPREGO”

Especificamente no caso das das carreiras científicas, argumenta, “há espaço para todas as paixões”. “No caminho para as STEM [abreviatura inglesa para "ciência, tecnologia, engenharia e matemática”] - quer seja pelo espaço, oceanos, Terra, clima, atmosfera - pode-se perseguir o que quer que nos entusiasme. Desde que sejas feliz e saibas que podes ser relevante.”

“A parte de ser relevante é que é mesmo crítica”, acrescenta. “Tornarmo-nos indispensáveis a algo maior” é o que permite assegurar o emprego a longo prazo.

Para quem procura uma mudança, Ivette Gonzalez também deixa um conselho. “Vivemos num tempo em que é aceitável mudar de emprego. É aceitável desenvolver competências em diferentes disciplinas. Por isso, não tenhas medo de fazer a mudança.”

“Começa por procurar um novo emprego que queiras ou algo que te entusiasme. É possível fazer duas coisas ao mesmo tempo durante muito tempo, para fazer uma transição mais suave.”

Ivette Gonzalez também recomenda o método de fazer entrevistas aos profissionais que já estão no cargo ambicionado. “As pessoas estavam muito felizes por falar e partilhar o seu trabalho. No fim tornaram-se bons amigos e colegas, porque ficaram surpreendidos por saber que alguém queria fazer a mesma coisa e partilhava a sua paixão por algo.”

Para a humanitária e técnica, importa também “construir comunidade”. Isto é, “encontrar as pessoas com quem gostaria de aprender e trabalhar, porque isso é muito raro.”

“POR CADA MULHER QUE TEVE ACESSO A EDUCAÇÃO COMO EU, HÁ DEZ QUE NÃO TIVERAM”

Com o trabalho que realiza, Ivette Gonzalez é considerada uma ativista pela diversidade e inclusividade das comunidades marginalizadas na exploração espacial e nas STEM. Entre outros projetos, lidera um projeto de mentoria que faz a ponte entre várias mulheres da indústria espacial comercial e raparigas adolescentes para as incentivar a seguirem carreiras científicas.

“Uma coisa que notei é que quando as coisas evoluem rapidamente [como tem acontecido com o setor espacial], é difícil respirar, dar um passo atrás e perceber o que está a cair no esquecimento. Sendo de origem mexicana e nativa americana, cresci na pobreza, na fronteira numa época em que havia gangues. Vivi dentro desta estrutura comunitária e sei que as pessoas podem ser esquecidas. E eu quero garantir que ninguém é esquecido.”


19.7.23

Suspensão do acordo do Mar Negro faz preço do trigo subir 4,5%

Jorge Nascimento Rodrigues
Jornalista
, in Expresso


O preço do trigo foi o mais afetado pela suspensão do acordo sobre a exportação de cereais no Mar Negro. Em dois dias subiu 4,5%. No milho, a cotação subiu 6%, mas a semana continua no vermelho


O preço dos futuros do trigo para setembro na bolsa de cereais norte-americana de Chicago subiu 4,5% nas duas primeiras sessões desta semana depois da suspensão do acordo de exportação de cereais pelo Mar Negro entre a Rússia e a Ucrânia.

Moscovo deu por findo o acordo, mas os mercados ainda estão na expetativa dos eventuais resultados da cimeira na Turquia em agosto entre os presidentes Putin e Erdogan.

O preço dos futuros do milho para dezembro em Chicago subiu 6% na terça-feira, mas ainda não recuperou da quebra brutal de 17% na segunda-feira. Na cevada, na bolsa indiana de referência, o preço subiu ligeiramente 0,2% no conjunto das duas primeiras sessões desta semana.

O trigo e o milho representam 19% das exportações ucranianas e a cevada perto de 2%.

Os futuros específicos para o trigo do Mar Negro apontam para uma subida de 5,3% até final do ano e para o milho da mesma região para um aumento de 4,4%, segundo dados da plataforma Platts para o fecho de 18 de julho.

Nas matérias-primas agrícolas, o disparo de preços esta semana registou-se na aveia, cuja cotação subiu 14,6% nas duas primeiras sessões.

O índice Rogers para as matérias-primas agrícolas subiu 0,6% esta semana e o índice global CRB para as principais commodities avançou apenas 0,4% no mesmo período.

18.7.23

Jovens “vão ter de viver com um nível de vida abaixo do nosso”

João Carlos Malta (texto) e Salomé Esteves (infografia), in RR

Os jovens portugueses são cada vez menos, ganham (maioritariamente) abaixo de mil euros e saem cada vez mais tarde de casa. Mais de metade não está feliz com o trabalho que tem e têm problemas com a aparência. E o mais preocupante, um em cada quatro já pensou ou já tentou suicidar-se. Tudo isto numa geração em que desigualdade entre homens e mulheres vai permanecer.


Um dos principais mantras em relação aos jovens portugueses é a de que "esta geração viverá pior do que anterior”. A ideia tem por base o critério material, ou seja, o rendimento.

A investigadora Helena Lopes, do ISCTE, acredita que é mesmo inevitabilidade viver com menos, mas as razões não serão primeiramente económicas. A Terra, simplesmente, não aguenta o nível de consumo que agora existe.

“Já ultrapassámos praticamente todos os limites do planeta. Isso significa que os jovens não vão poder ter o mesmo modo de vida do que nós. Vão ter de viver com um nível de vida abaixo do nosso. Vão ter de viver com outro tipo de mobilidade, com menos objetos, com menos”, resume a investigadora do ISCTE, especialista em mudanças sociais.


Helena Lopes diz que os jovens terão de passar a dar valor a outras coisas que não o rendimento, porque "o consumo dos ricos bloqueia a transição ecológica”. Em resumo, a professora acredita que os sistemas educativos “têm de se adaptar e tentar que os jovens não aspirem a ser ricos. Eles vão ter de contentar-se e serem felizes com uma vida com menos, com menos coisas materiais”.

Mas um país em que 72% dos jovens até aos 34 anos ganha menos de 950 euros, segundo os dados do estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), “Os jovens em Portugal, hoje”, está no ponto em que as questões de cariz material não têm um peso fundamental? A investigadora reconhece o problema e sem arriscar números diz que o rendimento disponível para os jovens devia ser suficiente para o “acesso à habitação e necessidades básicas”.
Rendimento "será sempre determinante"

Outra leitura tem Lídia Pereira, deputada europeia do PSD e líder da juventude do Partido Popular Europeu (PPE). Até entende que o contexto ambiental leve a que as preocupações sejam redobradas, mas pensa que o rendimento será sempre determinante.

“Nunca podemos negligenciar ou desconsiderar a questão material. É o que permite ser financeiramente livre, ou seja que se consiga poder fazer escolhas da maneira que se entender”, argumenta, reforçando, no entanto, a necessidade de aumentar a vida útil dos bens que compramos.

A mesma deputada diz que nas conversas com pessoas da sua idade, os temas relacionados com a habitação e condições de vida continuam a ser dominantes. Por isso, “não estamos em condições de descartar a questão económica”.

A investigadora do ISCTE Helena Lopes afirma estar, nos últimos anos atenta, aos dados do emprego, e considera que “as expectativas dos jovens relativamente ao trabalho são muito diferentes dos das anteriores”.

A mesma acredita que “os jovens estão dispostos a ganhar menos para ter mais qualidade de vida e para ter mais tempo livre”.

Helena Lopes diz que há uma maior vontade em que o trabalho se concilie com a vida familiar e que, por isso, “uma parte delas já sabe que vai viver de maneira diferente e aceita isso perfeitamente”.

Mas pensa que é fundamental que o sistema educativo contribua para esta mudança de ambição. Dá o exemplo da Finlândia, em que às crianças se fomenta o gosto pela natureza. “A ideia é encontrar outros prazeres e motivos de satisfação que não sejam mudar de carro todos os anos ou ter uma casa de 250 metros quadrados”, identifica.

Já Lídia lamenta que esta seja uma geração com a “ambição coartada”. “Há hoje em dia dificuldade de conseguirmos vislumbrar para a frente essa mesma perspetiva de crescimento e de melhoria contínua das condições de vida”, argumenta.

A ideia que ouve mais repetida em forma de desejo é de “pelo menos poder providenciar aquilo que recebi dos meus pais à minha filha.”
Cada vez menos

Uma verdade inequívoca, qualquer que seja a idade em que se entende que acaba a juventude, é de que o número de jovens é cada vez menor. Esta a reduzir-se de década para década em Portugal.

Segundo o estudo da FFMS “Os jovens em Portugal, hoje”, de 2021, entre 15 e 34 anos, conforme dados do INE/ Pordata, 21,5 % da população residente em Portugal situa-se nesta faixa etária, isto é, pouco mais de 2,2 milhões de jovens.

A redução do peso na sociedade leva, na opinião de Lídia Pereira, a que o poder político tenha menos respostas para este grupo e que os jovens sejam normalmente “tratados de forma paternalista”, como algo de que se tem de falar em época de eleições, altura em que se criam “livros brancos para a juventude”.

Lídia considera que o que preocupa os jovens é o que aflige a sociedade de forma quase transversal, ou seja, o acesso à habitação e à saúde, por exemplo.

A mesma investigação olha para as questões da habitação. Quase seis em cada 10 jovens (56%) vive em casa dos pais até aos 34 anos. Deste grupo, a grande maioria apresenta como motivo para a situação a instabilidade económica.

"Aquilo que os jovens vão ter de dar valor não é ao rendimento, nem à quantidade de dinheiro que vão ganhar", Helena Lopes, professora do ISCTE.


A média de idade de saída em Portugal da casa da família está há vários anos nos 30 anos.
Descontentes com o que veem ao espelho

Um dos dados mais impressivos, segundo uma das coordenadoras do estudo Laura Sagnier é a da forma como os jovens olham para a aparência.

“O estudo não dá uma resposta, mas após falar com muita gente posso dizer que a exposição nas redes sociais e a comparação com situações ideais, que não representam a realidade, estão a fazer muitos danos quer às mulheres, quer aos homens”, explica.

Como consequência quase um quarto dos jovens (23%) já tentaram ou pensaram em suicidar-se. Ainda na área da saúde mental também 26% diz sofrer de ansiedade e depressão, e 12% já autoinfligiu lesões corporais.

Em relação ao nível de escolaridade, segundo Laura Sagnier, a conclusão óbvia é de que quem tem mais estudos, tem mais vantagens quer no acesso ao mercado de trabalho, quer em termos remuneratórios.

Mas o estudo da FFMS de 2021, deixa também claro que não é só nas questões financeiras que estudar é decisivo para ser beneficiado. Nas relações pessoais e afetivas, e também no bem-estar pessoal, este é um critério determinante. “Influencia até o grau de felicidade. Investir na formação dá vantagem em tudo”, resume Sagnier.
Licenciatura vale menos dinheiro

Ainda assim, recentemente um trabalho da Fundação José Neves revelou que o prémio de ter uma licenciatura diminuiu em Portugal. A diferença salarial entre jovens com o ensino superior e com o ensino secundário atingiu “mínimos históricos”, passando de 50% em 2011 para 27% em 2022.

A professora Helena Lopes do ISCTE considera que estes números são mais do expectáveis. São consequência de um maior número de pessoas que concluíram os estudos superiores. “É a lei da oferta e da procura. Quantos mais tiverem a licenciatura, menos essa diferença existirá”, resume.

Uma opinião bem diferente tem a deputada do PSD Lídia Pereira. Para esta jovem, o fenómeno “não é uma situação normal”. Revela a “dificuldade que tem existido no aumento do salário médio”. “O normal seria haver um crescimento contínuo, mas o problema em Portugal é cada vez mais a estagnação do salarial”, acrescenta.

Se em relação ao vencimento o cenário não é animador, também não o é em relação a satisfação com o trabalho. Mais de metade, 52%, não está contente com o trabalho que tem e um em cada três pensa em emigrar.

A fé dos jovens

Numa altura que faltam pouco mais de duas semanas para as Jornada Mundial da Juventude (JMJ) com a vinda do Papa Francisco a Portugal, um estudo recente da Universidade Católica revelou que cerca de metade dos jovens portugueses (49%) entre os 14 e os 30 anos de idade são católicos.

De acordo com o estudo “Jovens, Fé e Futuro”, do Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa (CEPCEP), 56% dos jovens portugueses são religiosos. A esmagadora maioria dos crentes – 88% – são católicos, 6% dos jovens são protestantes e 1% é Testemunha de Jeová.

Cerca de um terço dos jovens é religioso e praticante – rezando regularmente, participando em celebrações religiosas ou estando integrado em grupos na sua comunidade religiosa.

Os não praticantes apontam vários motivos para a sua opção: enquanto 44% dos jovens dos 14 aos 17 anos assinalam a falta de compromisso e empenho e 33% apontam a falta de tempo, os jovens mais velhos afastam-se da prática religiosa pelo “desacordo com algumas das normas da prática religiosa”, sentimento partilhado por 44% dos jovens entre os 18 e os 30 anos.
Mulheres continuam a ser prejudicadas

Um dos traços mais fortes do estudo que Laura Sagnier coordenou é o da desigualdade de género e que se reflete nas mais diversas dimensões de vida dos jovens.

E essa, diz a investigadora, é uma realidade “muitíssimo preocupante”. Há uma diferença objetiva na forma como a sociedade olha para o homem e para a mulher.

As mulheres estão numa posição muito mais vulnerável que se verifica em várias áreas: em termos da qualidade do sono e a frequência com que tomam medicamentos, ou na quantidade de situações em que se sentiram discriminadas. Mas também há uma desproporção clara na vivência de situações de assédio ou violência.

“Relativamente a passar por situações de violência psicológica, em alguma fase da vida, há 43% das mulheres que dizem isso aconteceu com elas, e nos homens 29%. É quase o dobro”, afirma.

"Entre os jovens que vivem em casal, as tarefas domésticas e a responsabilidade com os filhos é muito mais da mulher do que do homem", Laura Sagnier, coordenora do estido, "Os jovens em Portugal, hoje"

Se a pergunta for sobre se já estiveram numa situação de violência sexual, a diferença entre homens e mulheres é de quatro vezes mais.

A conclusão é que dificilmente será nesta geração que se entrará numa situação de paridade entre homem e mulher. Uma das dimensões mais gritantes é o desequilíbrio que existe nas tarefas domésticas e nas responsabilidades parentais. Isso, defende Laura Sagnier, continua a ter reflexos muito negativos na capacidade das mulheres se realizarem profissionalmente e pessoalmente.

“Entre os jovens que vivem em casal, as tarefas domésticas continuam a ser mais uma responsabilidade da mulher. O problema é que quando a mulher faz o dobro do parceiro, porque além do trabalho tem de em casa ser responsável pela lida doméstica, ela tem menos tempo livre para cuidar dela”, sublinha.

Por fim, quando chega a altura da parentalidade, “a mulher acaba por pedir redução da jornada de trabalho, enquanto o companheiro continua com a vida normal”.

“Isso acaba por afetar as mulheres no âmbito profissional e económico. É o que se chama de uma pescadinha de rabo na boca”, resume a investigadora.

O que é que aconteceu com o acordo de cereais do mar Negro?

João Ruela Ribeiro e João Pedro Pincha, in Público


Ao fim de quase um ano em que foram exportados 32 milhões de toneladas de cereais e outros produtos, o acordo entre a Rússia e a Ucrânia mediado pela Turquia e a ONU expirou por vontade de Moscovo.

O cargueiro de bandeira turca TQ Samsun partiu de Odessa no domingo com 23.500 toneladas de milho e 15.300 toneladas de colza com destino aos Países Baixos. Foi o último a zarpar de um porto ucraniano antes de a Rússia anunciar, esta segunda-feira, que se vai retirar do acordo para a exportação de cereais.


Em que é que consistia o acordo?


O acordo regula o transporte marítimo de cereais através dos portos de Odessa, Chornomorsk e Pivdenni, localizados em regiões do mar Negro sob controlo ucraniano. Foi estabelecido um corredor humanitário acordado entre as partes que subscreveram o acordo que permitiu que os navios pudessem sair em segurança dos portos ucranianos até Istambul. Todas as embarcações são sujeitas a inspecções num porto turco por uma equipa composta por elementos ucranianos, russos, turcos e designados pela ONU.

Qual é o ponto de situação do acordo até agora?

Desde que a Iniciativa de Cereais do mar Negro foi posta em marcha, a 1 de Agosto do ano passado, por acordo entre a Ucrânia, a Rússia, a Turquia e a ONU, mais de 32 milhões de toneladas de cereais e outros produtos agrícolas foram exportadas a partir de quatro portos ucranianos.


O milho e o trigo foram os principais bens despachados, mas a bordo das centenas de navios também seguiram derivados de girassol, cevada e grãos de soja, entre outros. O mês com mais exportações foi Outubro de 2022 – mais de quatro milhões de toneladas – e Julho de 2023 destaca-se por ser o mês com menor volume de carga – não chega às 300 mil toneladas. Isto acontece porque a produção agrícola ucraniana tem sido fortemente afectada nos últimos meses pelos combates em grande parte das regiões mais férteis.


Kiev também diz que a queda recente nas exportações se deve à grande morosidade das operações de inspecção dos navios que chegam aos portos ucranianos por parte das autoridades russas, que geralmente suspeitam de que possam também estar a transportar armas clandestinamente. O jornal especializado em comércio marítimo, Lloyds List, descrevia recentemente a acumulação de filas de mais de cem navios à entrada do mar Negro à espera das inspecções.


Que países mais receberam cereais?

A China, a Espanha e a Turquia destacam-se como os três principais destinos das exportações feitas até agora, mas isso não quer dizer que sejam o destino final dos cereais. Na lista global de países, o primeiro que o Banco Mundial classifica como de “médio-baixos rendimentos” é o Egipto, que foi o destino para cerca de 1,5 milhões de toneladas de cereais.


Entre os países de “baixos rendimentos”, que receberam cereais, sobretudo graças ao fretamento de navios pelo Programa Alimentar Mundial (PAM), contam-se a Etiópia, o Iémen e o Afeganistão. Juntos receberam 545 mil toneladas de alimentos. No ano passado, metade do trigo adquirido pelo PAM veio da Ucrânia.

Que efeito teve o acordo no mercado alimentar global?

Não é só a exportação directa de cereais que ajuda os países mais pobres, tem dito o secretário-geral da ONU, mas também o efeito que o acordo teve no mercado alimentar global, fazendo baixar os preços de vários bens. Em Maio do ano passado, os preços dos cereais nos mercados internacionais atingiram um valor recorde e, apesar de permanecerem acima do preço praticado antes do início da invasão, o acordo de exportação através do mar Negro permitiu que não voltassem a disparar.

Por que é que a Rússia decidiu suspender?

Esta não foi a primeira vez que a Rússia suspendeu a sua participação no acordo. Em Outubro, na sequência de um ataque contra a frota naval no mar Negro, Moscovo abandonou o acordo, mas após negociações organizadas pela Turquia e pela ONU, o entendimento foi retomado. Desta vez, a natureza do impasse é diferente.

[...]

[...]

Até ao fim da semana passada, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alimentava a expectativa de que a Rússia pudesse vir a aceitar uma proposta alternativa da União Europeia em permitir que uma instituição subsidiária do Rosselkhozbank pudesse servir como ponto de contacto com o SWIFT. Mas o regime de Vladimir Putin manteve as suas exigências.

E agora?

Para muitos analistas, o acordo já estava morto na prática, ainda antes de ter expirado o prazo para a sua renovação. Por isso, tanto a Rússia como a Ucrânia têm estado em conversações separadas com a Turquia para encontrar uma alternativa para escoar os cereais e os outros produtos agrícolas pelo mar Negro. Uma possibilidade, embora remota, é de que seja a Marinha turca a escoltar os navios comerciais entre os portos ucranianos e turcos.
[...]


Também tem sido levantada a hipótese de que os cereais possam ser canalizados por Constanta, um porto romeno que é o mais próximo da Ucrânia, e depois utilizar o rio Danúbio. No entanto, as autoridades romenas alertam para a reduzida capacidade do seu porto face à quantidade de produtos que a Ucrânia costuma escoar.

No final da semana passada, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, disse ter estado em conversações com o Governo turco para procurar uma alternativa para que os cereais russos possam chegar aos seus compradores sem necessidade de um novo acordo.

[artigo disponível na íntegra só para assinantes aqui]

17.7.23

165 milhões de pessoas entraram na pobreza em três anos de crises

AFP, in DN

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento defende uma "pausa" no pagamento das dívidas dos países em desenvolvimento, de forma a inverter a tendência.


As crises registadas desde 2020, como a pandemia de covid-19, a inflação ou a guerra na Ucrânia, levaram 165 milhões de pessoas à pobreza, revelou ontem a ONU, que pediu uma pausa no pagamento da dívida dos países em desenvolvimento para inverter a tendência.
O impacto acumulado das crises levou, entre 2020 e o fim de 2023, 75 milhões de pessoas a uma situação de extrema pobreza - com menos de 2,15 dólares (1,91 euros) por dia - e mais 90 milhões a viver abaixo do limite da pobreza, com 3,65 dólares (3,25 euros) por dia. As projeções são do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).


"Os países que conseguiram investir em medidas de proteção nos últimos anos evitaram que muitas pessoas caíssem na pobreza", afirmou o diretor do PNUD, Achim Steiner, num comunicado. "Mas nos países muito endividados há uma correlação entre elevados níveis de dívida, gastos sociais insuficientes e um aumento alarmante dos níveis de pobreza", alertou.

O PNUD pede por isso uma "pausa" nos pagamentos das dívidas nestes países, que neste momento têm que optar entre pagar a dívida ou ajudar a população. De acordo com outro relatório da ONU, publicado na quarta-feira, 3,3 mil milhões de pessoas, quase metade da população mundial, vivem em países que gastam mais para pagar os juros da dívida do que em áreas como educação e saúde.

Os países em desenvolvimento, apesar do nível de dívida menor - mas que aumenta rapidamente - , pagam mais juros devido ao aumento das taxas.

Diante deste cenário, o PNUD pede uma "pausa" para destinar o pagamento das dívidas ao financiamento de medidas sociais destinadas a amortecer os efeitos dos choques económicos. A ONU acredita que "a solução não está fora do alcance do sistema multilateral".

De acordo com cálculos do PNUD, retirar estas 165 milhões de pessoas da pobreza custaria 14 mil milhões de dólares (12,5 mil milhões de euros) por ano, o equivalente 0,009% do PIB mundial em 2022, e menos de 4% do serviço da dívida dos países em desenvolvimento.

Ao considerar também as perdas de rendimento das pessoas que já estavam abaixo da linha da pobreza antes das crises recentes, o custo do alívio seria de 107 mil milhões de dólares (95,3 mil milhões de euros), equivalente a 0,065% do PIB, quase 25% do serviço da dívida.


"Há um custo humano para a inação a respeito da reestruturação da dívida soberana dos países em desenvolvimento", recorda Achim Steiner. "Precisamos de novos mecanismos para antecipar e absorver os impactos e para que a arquitetura financeira funcione para os mais vulneráveis".

O secretário-geral da ONU, António Guterres, que pede uma reforma das instituições financeiras internacionais, criticou mais uma vez esta semana um sistema "obsoleto que reflete as dinâmicas coloniais da época em que foi criado".

12.7.23

ONU estima que 735 milhões de pessoas no mundo são vítimas do flagelo da fome

Por Lusa,  in Expresso


Número de vítimas de fome aumentou significativamente em relação aos valores de 2019, 613 milhões. Segundo a ONU, as principais causas foram as crises climáticas, a pandemia de covid-19 e, mais recentemente, a guerra na Ucrânia

Cerca de 735 milhões de pessoas passam fome no mundo, mais 122 milhões face a 2019, revelaram hoje as Nações Unidas (ONU) num novo relatório, que aponta múltiplas crises, incluindo a guerra na Ucrânia, como motivo para o aumento.

As conclusões constam na edição de 2023 do relatório "O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo" (conhecido pela designação SOFI), publicado hoje em conjunto por cinco agências do sistema das Nações Unidas, que estimam que entre 691 milhões e 783 milhões de pessoas foram vítimas do flagelo da fome no ano passado, numa média de 735 milhões de pessoas a viver em tal situação.

Se a tendência se mantiver, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de acabar com a fome até 2030 não será alcançado, advertiram a Organização de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Programa Alimentar Mundial (PAM) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), as agências que assinam o relatório.

De acordo com a ONU, a pandemia de covid-19 e repetidos choques climáticos e conflitos, como a guerra em curso na Ucrânia, contribuíram para que mais 122 milhões de pessoas fossem empurradas para a fome desde 2019 - ano em que esse número se fixou em 613 milhões de pessoas.

"A recuperação da pandemia global foi desigual e a guerra na Ucrânia afetou os alimentos nutritivos e as dietas saudáveis. Este é o 'novo normal' em que as mudanças climáticas, os conflitos e a instabilidade económica estão a empurrar os que estão à margem para mais longe da segurança", disse o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, citado no comunicado.

No ano passado, o progresso na redução da fome foi observado na Ásia e na América Latina, mas este flagelo ainda estava a aumentar na Ásia Ocidental, nas Caraíbas e em todas as sub-regiões de África. O continente africano continua a ser o mais afetado, com uma em cada cinco pessoas a passar fome, mais do dobro da média global.

"Há sinais de esperança, algumas regiões estão a caminho de atingir algumas metas nutricionais para 2030. Mas, no geral, precisamos de um esforço global intenso e imediato para resgatar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Devemos construir resiliência contra as crises e choques que levam à insegurança alimentar -- dos conflitos ao clima", disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, numa mensagem de vídeo durante o lançamento do relatório na sede da ONU, em Nova Iorque.

De acordo com as cinco agências da ONU que elaboraram o relatório, quase 600 milhões de pessoas ainda passarão fome em 2030.

Ainda em relação a 2022, o relatório constata que aproximadamente 29,6% da população global, equivalente a 2,4 mil milhões de pessoas, não tinha um acesso constante a alimentos.

Entre estas, cerca de 900 milhões enfrentavam insegurança alimentar severa.

Enquanto isso, a capacidade das pessoas de ter acesso a dietas saudáveis deteriorou-se em todo o mundo: mais de 3,1 mil milhões de pessoas no mundo -- cerca de 42% da população global -- não conseguiram ter acesso a refeições adequadas e equilibradas no período em análise.

Isso representa um aumento geral de 134 milhões de pessoas em comparação com 2019.

De acordo com as conclusões do documento, a insegurança alimentar é mais sentida em áreas rurais.

Também milhões de crianças com menos de cinco anos continuam a sofrer de desnutrição: em 2022, 148 milhões de crianças com idades inferiores a cinco anos (22,3%) tiveram um crescimento atrofiado e 45 milhões (6,8%) estavam abaixo do peso recomendado.

Ainda na mesma faixa etária, 37 milhões de crianças (5,6%) apresentavam excesso de peso.

7.6.23

Perto de 675 milhões de pessoas em todo o mundo vivem sem eletricidade

Cláudia Páscoa, in Lusa



Perto de 675 milhões de pessoas em todo o mundo vivem sem eletricidade, a grande maioria das quais na África subsariana, de acordo com um relatório publicado terça-feira por várias organizações, incluindo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Banco Mundial (BM).

De acordo com o relatório, o mundo não está no bom caminho para cumprir o objetivo de desenvolvimento sustentável, adotado pelos Estados membros da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015, de garantir energia limpa e acessível para todos até 2030.

O mundo está a enfrentar "um recente abrandamento do ritmo global de eletrificação", afirmou o vice-presidente do Banco Mundial, Guangzhe Chen, em comunicado.

E embora o número de pessoas que vivem sem eletricidade tenha diminuído quase para metade na última década, 675 milhões de pessoas continuavam sem tê-la em 2021.

Cerca de 80% delas vivem na África subsaariana, onde a falta de acesso à eletricidade se manteve quase idêntica à situação em 2010.


"Embora a transição para as energias limpas esteja a progredir mais rapidamente do que muitos esperam, ainda há muito a fazer para proporcionar um acesso sustentável, seguro e a preços acessíveis a serviços energéticos modernos aos milhares de milhões de pessoas que deles estão privadas", sublinhou o diretor executivo da Agência Internacional da Energia, Fatih Birol, na declaração conjunta.

Foram feitos progressos em certas frentes, como o aumento da utilização de energias renováveis no setor da eletricidade, mas não são suficientes para atingir os objetivos da ONU.

Ao citar dados da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA), o relatório mostra também que os fluxos financeiros públicos internacionais para as energias limpas nos países de baixo e médio rendimento diminuíram desde antes da pandemia de covid-19.

De acordo com o relatório, a dívida crescente e o aumento dos preços da energia diminuem as perspetivas de alcançar o acesso universal a cozinha e eletricidade limpas.

De acordo com as projeções atuais, 1,9 mil milhões de pessoas não terão acesso a métodos de cozinha limpos e 660 milhões não terão acesso à eletricidade em 2030 sem novas medidas.

Segundo a OMS, 3,2 milhões de pessoas morrem todos os anos de doenças causadas pela utilização de combustíveis e tecnologias poluentes.

CP // RBF

Lusa/fim


Do Canadá a Macau: governantes pelos mundo para assinalar o 10 de Junho

in JN

Centenas de atividades previstas em todo o mundo, com duas dezenas de membros do Governo em contacto direto com as comunidades lusófonas, assinalam este ano o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.


Em território nacional, o 10 de Junho celebra-se no Peso da Régua, onde o presidente da República, o primeiro-ministro e o ministro dos Negócios Estrangeiros estarão no sábado.

As celebrações deste dia arrancaram oficialmente na segunda-feira, com a visita de Estado do presidente da República África do Sul, onde se estima que residam mais de 300 mil portugueses e lusodescendentes.

O primeiro-ministro, António Costa, o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, e a ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, assinalam igualmente o Dia de Portugal na África do Sul.

Já o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Paulo Cafôfo, celebra o 10 de Junho com a comunidade portuguesa na Namíbia.

Também em África estarão mais quatro governantes: os ministros da Cultura, Pedro Adão e Silva, e do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, e as ministras da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, e da Agricultura e Alimentação, Maria do Céu Antunes, que se juntam aos portugueses e lusodescendentes em Moçambique, Cabo Verde, Angola e São Tomé e Príncipe, respetivamente.


Já em Macau, onde o português também é língua oficial, estará o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, André Moz Caldas, enquanto na Oceânia, mais concretamente na Austrália, estará o secretário de Estado da Segurança Social, Gabriel Bastos.

No continente americano estarão sete membros do Governo. A ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, vai assinalar o Dia de Portugal junto dos portugueses e lusodescendentes residentes no Canadá, enquanto nos Estados Unidos da América, junto das comunidades portuguesas de São Francisco e Newark, estarão, respetivamente, o secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Tiago Antunes, e a secretária de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes.

Pela América Latina passarão o ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, a celebrar junto da comunidade portuguesa na Venezuela, e a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, que assinala o 10 de Junho na Argentina.

Já o secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, António Mendonça Mendes, e o secretário de Estado da Mobilidade Urbana, Jorge Delgado, estarão, respetivamente, no Brasil e na Colômbia.

Na Europa, em Espanha, vai estar o ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva.

Em França estará a ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, na Bélgica vai estar o secretário de Estado da Digitalização e da Modernização Administrativa, Mário Campolargo, no Luxemburgo o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Nuno Santos Félix, e na Suíça o secretário de Estado da Educação, António Leite.

Cumprindo a tradição, a rede diplomática e consular portuguesa vai assinalar o Dia de Portugal com centenas de atividades distintas, combinando iniciativas próprias com as do movimento associativo local, " um esforço empreendido pelas associações lusófonas locais que conta, em inúmeros casos, com o apoio das embaixadas e consulados", sublinha do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Concertos, exposições, peças de teatro, evidenciando o trabalho de artistas portugueses, cinema ou documentários, seminários, feiras tradicionais e momentos de leitura são algumas das iniciativas agendadas para assinalar a data.

Uma em cada 10 pessoas adoece por consumir alimentos em mau estado

Por Lusa, in SIC

Os alimentos contaminados são ainda responsáveis por mais de 200 doenças. Os dados são da ONU, que lançou um guia por ocasião do Dia Mundial da Segurança Alimentar.


Uma em cada dez pessoas do mundo adoece todos os anos por consumir alimentos contaminados, que são responsáveis por mais de 200 doenças, indicam dados da ONU.

Por ocasião do Dia Mundial da Segurança Alimentar, que se assinala esta quarta-feira, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) lançou um guia sobre segurança alimentar, promovendo boas práticas e alertando que a comida insegura mata.

Promovida, além da FAO, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a efeméride, tem este ano o tema "Normas alimentares salvam vidas" e destina-se a inspirar ações que permitam prevenir, detetar e gerir riscos de origem alimentar, contribuindo para a segurança alimentar, a saúde, o crescimento económico e o desenvolvimento sustentável.

No último dia de maio morreram 15 pessoas de uma mesma família na Namíbia, depois de comerem uma papa de cereais, alimento básico para os pobres do país, havendo suspeita de intoxicação alimentar.

A propósito do dia que se assinala esta quarta-feira, a Lusa falou com duas organizações que contribuem para a segurança alimentar e lutam contra o desperdício, numa altura em que, segundo as Nações Unidas, 870 milhões de pessoas passam fome no mundo, onde um terço dos alimentos que se produzem é desperdiçado. Na Europa desperdiçam-se em cada ano 88 milhões de toneladas de alimentos.
Uma aplicação para salvar alimentos do desperdício

Para salvar alimentos do desperdício a empresa "Too Good To Go" (criada na Dinamarca em 2016 depois de um grupo de amigos ver ser deitada fora toda a comida que não tinha sido consumida num restaurante), faz, através de uma aplicação, a ligação entre consumidores e restaurantes, supermercados, mercearias e hotéis, permitindo aos utilizadores comprar a preços mais baixos produtos que não iam ser usados.

Mariana Banazol, diretora de marketing da empresa para a Península Ibérica, disse à lusa que a empresa está em Portugal desde outubro de 2019, tendo já a adesão de 1,5 milhões de utilizadores e de mais de 3.700 estabelecimentos. A "Too Good To Go" está hoje em 17 países, com mais de 80 milhões de utilizadores e 134.000 parceiros.

Em todos a ideia é a mesma: o estabelecimento ganha porque evita o desperdício alimentar e reduz perdas económicas, o consumidor ganha porque compra mais barato, e o planeta ganha porque se evitam impactos ambientais. Porque, lembra, "o desperdício alimentar é responsável por 10% das emissões de gases com efeito de estufa".

Até hoje, a empresa já evitou, a nível global, que 200 milhões de caixas de produtos fossem parar ao lixo, o equivalente a 500.000 toneladas de dióxido de carbono (CO2). "Tem um impacto ambiental equivalente a 100.000 bilhetes de avião à volta do mundo ou a um duche quente e contínuo durante mais de 2.400 anos", diz a responsável.

Em Portugal, a "Too Good to Go" já recuperou mais de 2,9 milhões de caixas, evitando o desperdício de mais de 2.900 toneladas de alimentos.

Frisando que o objetivo da empresa é "conseguir um planeta sem desperdício alimentar", Maria Banazol diz querer mais lojas e utilizadores a juntar-se à causa. E lembra o projeto da empresa chamado "Observar, Cheirar, Provar", de sensibilização e informação sobre datas de validade, já que a confusão sobre elas é responsável, diz, por 10% do desperdício alimentar na Europa.
Uma aplicação que dá uma última oportunidade aos produtos

Outra aplicação com o mesmo objetivo, esta nascida em França há uma década, é a Phenix. Em Portugal há sete anos, baseia-se também numa aplicação que faz a ligação entre as empresas e os consumidores. Supermercados ou restaurantes, frutarias, padarias ou talhos, floristas ou peixarias, vendem cabazes de produtos em fim de vida a preços mais baixos.


"Dão uma última oportunidade aos produtos mas também estão a divulgar o seu negócio", disse à Lusa Carlos Hipólito, o responsável em Portugal da empresa, explicando que o cliente ao ir buscar o cabaz que comprou acaba por conhecer a loja em questão.

Além de apoiar as grandes empresas de retalho por exemplo com ferramentas para controlar validade dos produtos a Phenix trabalha com essas empresas e com instituições. São atualmente mais de 1.300, segundo o responsável, que recebem produtos gratuitamente, tendo as empresas, com isso, benefícios fiscais.

São instituições de todo o país que usufruem de produtos que depois, por exemplo, distribuem por famílias carenciadas. E quando esses produtos já não podem ser doados para humanos a Phenix também tornou possível, consoante os casos, o aproveitamento para animais.

Esta ligação entre grandes empresas e instituições é hoje o grosso do trabalho da Phenix. Carlos Hipólito lamenta que outros países não permitam, como Portugal, benefícios fiscais nestas doações.

Por eles existirem, afirma, a Phenix e os parceiros apoiaram no ano passado mais de 100 mil famílias (através das instituições) e foram doados bens equivalentes a 30 milhões de euros. ""Falamos de nove mil toneladas de alimentos doados, falamos de mais de 18 milhões de refeições, falamos de 63 mil toneladas de CO2 evitadas", diz.

O Dia Mundial da Segurança Alimentar visa chamar a atenção e inspirar ações para ajudar a prevenir, detetar e gerir os riscos alimentares.

A ONU estima que morram anualmente 600 milhões de pessoas por consumirem alimentos não seguros.