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7.6.23

Do Canadá a Macau: governantes pelos mundo para assinalar o 10 de Junho

in JN

Centenas de atividades previstas em todo o mundo, com duas dezenas de membros do Governo em contacto direto com as comunidades lusófonas, assinalam este ano o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.


Em território nacional, o 10 de Junho celebra-se no Peso da Régua, onde o presidente da República, o primeiro-ministro e o ministro dos Negócios Estrangeiros estarão no sábado.

As celebrações deste dia arrancaram oficialmente na segunda-feira, com a visita de Estado do presidente da República África do Sul, onde se estima que residam mais de 300 mil portugueses e lusodescendentes.

O primeiro-ministro, António Costa, o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, e a ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, assinalam igualmente o Dia de Portugal na África do Sul.

Já o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Paulo Cafôfo, celebra o 10 de Junho com a comunidade portuguesa na Namíbia.

Também em África estarão mais quatro governantes: os ministros da Cultura, Pedro Adão e Silva, e do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, e as ministras da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, e da Agricultura e Alimentação, Maria do Céu Antunes, que se juntam aos portugueses e lusodescendentes em Moçambique, Cabo Verde, Angola e São Tomé e Príncipe, respetivamente.


Já em Macau, onde o português também é língua oficial, estará o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, André Moz Caldas, enquanto na Oceânia, mais concretamente na Austrália, estará o secretário de Estado da Segurança Social, Gabriel Bastos.

No continente americano estarão sete membros do Governo. A ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, vai assinalar o Dia de Portugal junto dos portugueses e lusodescendentes residentes no Canadá, enquanto nos Estados Unidos da América, junto das comunidades portuguesas de São Francisco e Newark, estarão, respetivamente, o secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Tiago Antunes, e a secretária de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes.

Pela América Latina passarão o ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, a celebrar junto da comunidade portuguesa na Venezuela, e a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, que assinala o 10 de Junho na Argentina.

Já o secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, António Mendonça Mendes, e o secretário de Estado da Mobilidade Urbana, Jorge Delgado, estarão, respetivamente, no Brasil e na Colômbia.

Na Europa, em Espanha, vai estar o ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva.

Em França estará a ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, na Bélgica vai estar o secretário de Estado da Digitalização e da Modernização Administrativa, Mário Campolargo, no Luxemburgo o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Nuno Santos Félix, e na Suíça o secretário de Estado da Educação, António Leite.

Cumprindo a tradição, a rede diplomática e consular portuguesa vai assinalar o Dia de Portugal com centenas de atividades distintas, combinando iniciativas próprias com as do movimento associativo local, " um esforço empreendido pelas associações lusófonas locais que conta, em inúmeros casos, com o apoio das embaixadas e consulados", sublinha do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Concertos, exposições, peças de teatro, evidenciando o trabalho de artistas portugueses, cinema ou documentários, seminários, feiras tradicionais e momentos de leitura são algumas das iniciativas agendadas para assinalar a data.

13.6.22

Brexit e aumento de custo de vida deixa portugueses no limbo

in Notícias ao Minuto

O Brexit, a pandemia e a crise económica deixaram a comunidade portuguesa no limbo entre ficar no Reino Unido e regressar a Portugal, dizem dirigentes associativos e empresários na véspera da visita do Presidente da República a Londres.

Marcelo Rebelo de Sousa estará na capital britânica de 10 a 12 de junho por ocasião das celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, numa altura em que muitos questionam a permanência no país de acolhimento.

"Nunca me senti imigrante, achei que era tratado como igual. Mas depois do Brexit já me sinto estrangeiro", confessou à agência Lusa o empresário e Conselheiro das Comunidades Madeirenses José Silva.

No Reino Unido há 40 anos, subiu a pulso e construiu um grupo económico com restaurantes e a importação de produtos alimentares portugueses.

Durante este tempo, viu o tipo de emigração portuguesa mudar, de pessoas menos qualificadas e com poucos conhecimentos da língua inglesa que se ficavam pelas limpezas, construção civil e restauração, para profissionais como médicos, engenheiros e arquitetos.

Depois do referendo de 2016, quando os britânicos votaram a saída da União Europeia (UE), o ambiente mudou.

"Não me tratam de maneira diferente, dizem 'tu és um bom estrangeiro'. Mas no fim do dia somos todos imigrantes", lamentou, desiludido.

Em Cardiff, o empresário Nuno Silva diz que milhares de portugueses deixaram nos últimos seis anos o País de Gales, país onde tinham chegado recrutados em grupo por agências para trabalhar em fábricas.

Alguns, explica, regressaram a Portugal porque não conseguiram o estatuto de residente, outros nem tentaram, desiludidos.

"Eu também quero ir daqui a uns dois anos. Desde o Brexit que nunca mais me senti à vontade", revelou à Lusa.

Ana Silva, presidente da Associação Portuguesa de Watford, nos arredores de Londres, relata que muitas famílias continuam a regressar a Portugal, não só por causa do Brexit, mas também, mais recentemente, devido ao impacto da pandemia e da crise económica.


"Em 2016 ninguém pensava voltar a Portugal", recordou, "mas depois as pessoas começaram a pensar", acrescentando à lista de queixas as dificuldades de viajar causadas pela pandemia e o aumento de custo de vida.

Numa altura em que o aumento da inflação já está a ter impacto nos orçamentos familiares, a solução para reduzir as despesas tem sido a separação de famílias.

"Algumas esposas estão a voltar a Portugal com os filhos para ver se se adaptam, e, se gostarem, ficam. Os maridos, ou ficam cá e passam a ir lá mais de férias, ou vão de vez", revela a organizadora de eventos.

Segundo José Manuel Sousa, dirigente do Grupo Desportivo Cultural, muitos emigrantes optam por ficar porque não querem deixar para trás filhos ou netos, a casa e uma vida construída ao longo de décadas.

Este cozinheiro de profissão vê algumas semelhanças entre a época em que chegou, em 1989, e o pós-Brexit: muita oferta de emprego, comprovada pela taxa de desemprego de 3,7%, o nível mais baixo desde 1974.

"Temos muitos trabalhos, mas não há pessoal. Tenho muitas pessoas da Madeira a pedirem-me para vir, mas com o Brexit é mais difícil contratar estrangeiros", exclama.

Domingos Cabeças, gerente da agência de recrutamento Netos em Londres, também nota a redução de portugueses à procura de emprego numa altura em que mais precisa.

"Antes do Brexit tinha 60-80 pessoas por dia, agora a média é de 10-15. Tenho empregadores que telefonam todos os dias a saber se há gente. Aumentaram salários e mesmo assim não há gente", conta.

No Reino Unido há 31 anos, Cabeças explica que os salários elevados, em alguns casos quatro vezes superiores aos praticados em Portugal, atraíram muitos emigrantes, que chegavam a acumular vários empregos para juntar economias.

Porém, além de despesas mais altas com alojamento e transportes, agravadas pelo aumento do custo de vida, a mentalidade da comunidade portuguesa mudou, para pessoas que querem aproveitar melhor a vida, acabando por voltar a Portugal.

"As pessoas já não querem ser escravas do dinheiro, vão comer fora, passear ao fim de semana. Chega a um ponto em já não vale a pena cá estarem, não conseguem juntar dinheiro. Em Portugal não ganham o mesmo, mas ao menos estão no país deles", resume.