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7.8.17

Contas de serviços mínimos bancários cresceram 12% no primeiro semestre

Rosa Soares, in Público on-line

Custo zero ou muito reduzido justificam crescimento na base da maior procura.

Com custos muito reduzidos ou mesmo sem custo, as contas de serviços mínimos bancários estão a registar maior procura. No primeiro trimestre, e face ao final do ano passado, a abertura deste tipo de contas cresceu 12%, elevando o total para 39.146.

O crescimento face ao primeiro semestre de 2016 é ainda maior: 27%.

Numa altura em que os bancos têm vindo a aumentar significativamente as comissões cobradas nas contas à ordem e noutros serviços, o crescimento verificado nas contas de serviço mínimo é explicado, pelo menos em grande parte, pelo facto de os bancos estarem impedidos de cobrar um valor superior a 1% do salário mínimo nacional, o que corresponde actualmente a 5,57 euros anuais. Um número significativo de instituições não cobram nada e outras cobram um valor inferior ao máximo permitido.

Nos primeiros seis meses de 2017 foram abertas 5121 contas de serviços mínimos bancários, revelam dados do Banco de Portugal divulgados esta segunda-feira. Deste universo, cerca de 43% das contas constituídas resultaram da conversão de uma conta de depósitos à ordem existente na instituição.

No primeiro semestre de 2017, as instituições reportaram o encerramento de 928 contas de serviços mínimos bancários, das quais 84% foram encerradas por iniciativa do cliente.

Os serviços mínimos bancários são um conjunto de serviços bancários considerados essenciais que os cidadãos têm direito a adquirir a um custo reduzido., que em alguns bancos é mesmo gratuito.

Esses serviços incluem a abertura e manutenção de uma conta de depósito à ordem – a conta de serviços mínimos bancários – e a disponibilização do respectivo cartão de débito, bem como a possibilidade de realizar levantamentos ao balcão, débitos directos e transferências intrabancárias nacionais.

Este tipo de conta pode ser requerido por clientes que não sejam titulares de outra conta de depósito à ordem. Quem tiver uma única conta de depósito à ordem pode converte-la numa conta de serviços mínimos bancários.

O Banco de Portugal recorda que as pessoas com mais de 65 anos ou com grau de invalidez permanente igual ou superior a 60% podem ter como co-titulares de uma conta de serviços mínimos bancários pessoas singulares que detenham outras contas de depósito à ordem.

A disponibilização de serviços mínimos bancários é obrigatória para todas as instituições de crédito que prestem ao público os serviços incluídos nos serviços mínimos bancários, ou seja, bancos, caixas económicas, caixa central e caixas de crédito agrícola mútuo.

3.4.13

Contas com saldo negativo deixam de pagar comissões

in RR

Medida aplica-se a contratos celebrados apenas a partir de 1 de Julho. Quem tiver a conta a zeros fica isento do pagamento de qualquer encargo, com excepção para os juros.

Os depositantes com contas bancárias que apresentem saldo negativo deixam de pagar comissões a partir de 1 de Julho. Com esta medida, publicada em “Diário da República”, as pessoas que se encontram nessa circunstância ficam isentas do pagamento de qualquer encargo, com excepção dos juros.

João Calado, o coordenador do Gabinete de Orientação ao Endividamento do Consumidor, do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), aplaude a decisão, sobretudo, porque defende as famílias com rendimentos mais escassos.

“Todas as medidas que sejam no sentido de regular as comissões que os bancos cobram são sempre importantes, nomeadamente no sentido de defenderem as famílias que têm rendimentos mais escassos”, sublinha.

O coordenador do Gabinete de Orientação ao Endividamento do Consumidor conta à Renascença que “antes desta legislação houve casos em que as pessoas tinham contas com saldos muito baixos ou negativos e, depois, as comissões trimestrais iam acumulando e como era conta ordenado chegou ao ridículo de aquilo funcionar como crédito”. Quer isto dizer que “os bancos concediam crédito às pessoas para pagar comissões de contas que estavam a zero”.

Já a Deco lamenta que apenas deixem de pagar comissões bancárias os depositantes com saldo bancário negativo que celebrem contrato após 1 de Julho.

João Fernandes considera que “não faz muito sentido que este tipo de decisões seja aplicado apenas aos novos contratos, deixando de fora a generalidade das pessoas”.

25.2.13

Crise faz crescer contestação ao sistema bancário

por Lusa, publicado por Luís Manuel Cabral, in Diário de Notícias

Desconfiança e contestação em torno ao sistema bancário e financeiro estão a mobilizar formas alternativas de banca e de ativismo financeiro, com campanhas que incluem retirar dinheiro dos bancos tradicionais e uma aposta na sustentabilidade.

Especialistas ouvidos pela agência Lusa indicam que a crise levou muitos consumidores a procurarem modelos de banca que favorecem projetos socialmente mais conscientes, mais transparentes sobre as iniciativas em que investem e que são mais sustentáveis a longo prazo.

Uma tendência evidente em projetos como os bancos Triodos ou Cooperative Bank - que registam taxas elevadas de crescimento, em termos de clientes e de recursos geridos - ou em campanhas como "move your money" (move o teu dinheiro) que insta consumidores a escolherem melhor com que banco trabalhar.

Em Barcelona, à margem da conferência Doing Good Doing Well, organizada pela escola de negócios IESE, especialistas mostram-se, no entanto, divididos sobre o verdadeiro impacto do movimento que ainda é minoritário.

Reconhecem que, dada a sua importância e influência no atual sistema económico, a banca tradicional permanecerá prevalente, pelo menos a médio prazo, mas destacam a crescente preocupação de consumidores em "escolher a sua banca".

"Há formas alternativas de fazer banca. Devemos olhar para esses bancos, que são pequenos, que estão nesta crise financeira a registar crescimentos, têm rácios de solvabilidade de 12% ou 13%, tem lucros e os clientes estão a crescer. Bancos que estão a emprestar dinheiro à economia real", disse à Lusa a economista Sofia Santos, diretora de Sustentabilidade na GCI Portugal e responsável do Sustainability Knowledge Lab no ISCTE.

"Temos que saber que existem alternativas ao sistema atual. Que há bancos que cumprem todas as regras dos outros bancos, mas que, ao mesmo tempo, têm uma forma diferente, um conjunto de valores morais, associados à forma como o dinheiro flui na economia", insiste.

E há quem pense da mesma forma e esteja a ganhar dinheiro com isso.

O Triodos, um banco com origem na Holanda em 1980 e que teve na sua base uma fundação, é um dos exemplos dos modelos 'alternativos' de banca, promovendo-se como um banco sustentável - especializado em oferecer oportunidades de investimento e de empréstimos para o setor da sustentabilidade em vários países.

"Apenas emprestamos ou investimos em organizações que beneficiam as pessoas ou o ambiente", refere o lema da organização que na primeira metade do ano passado registou um aumento de 9% em empréstimos e adicionou 40 mil clientes à sua base, para 395 mil.

Os lucros da Triodos cresceram 31% (para 9,9 milhões) e os fundos geridos aumentaram 8% para 7,3 mil milhões na primeira metade de 2012.

"Vivemos numa altura de incerteza e oportunidade. Apesar de um agravamento da crise económica em algumas partes do mundo, há uma oportunidade sem precedentes para reinventar sistemas que estão a falhar e para construir um movimento de iniciativas sustentáveis", argumenta Peter Blom, presidente executivo da instituição.

Os responsáveis do Cooperative Banking Group, do Reino Unido, também pensam da mesma forma, considerando que "uma organização que atua empresarialmente de uma forma social e ambientalmente responsável também pode ser lucrativa".

Projetos a que se somam a campanha "move your money", do Reino Unido, ou a organização Bank Track, com sede na Holanda, mas ação em todo o mundo e que denuncia projetos apoiados pela grande banca que considera não serem socialmente responsáveis.

Mas há quem defenda que não se deve penalizar excessivamente a banca tradicional ou, pelo menos, se deve reconhecer que "há bancos e bancos, e várias formas de fazer banca" como disse à Lusa Olga Durich, que lidera a unidade de Responsabilidade Corporativa no catalão CaixaBank, entidade que controla mais de 40% do BPI.

"Obviamente que, como qualquer grande organização, a La Caixa pode ter errado em algumas ocasiões, mas demonstrou que a sua atuação foi bastante responsável, em termos gerais. Tanto na sua ação bancária como na forma como faz as coisas", disse.

"Cada um tem que olhar para o seu funcionamento interno. Nós também fizemos isso, mudámos processos internos e isso é o que devem fazer todos. Avaliar se houve falhanços ou erros em alguma coisa, reconhece-lo e procurar remediar a situação", disse.

E ao mesmo tempo, recorda, a dimensão do La Caixa permite manter, nos últimos cinco anos, o amplo programa de Obra Social - com um orçamento anual de 500 milhões de euros, avaliado permanentemente e agora cada vez centrado em responder aos problemas mais prementes.

"O que se tem feito é reconduzir os programas para as zonas onde há mais necessidades. Nos últimos cinco anos houve uma clara mudança de prioridades. Está a dar-se grande prioridade aos programas sociais e estamos, em cada momento, a procurar responder aos problemas mais prementes", referiu.

"Um exemplo disto é o nosso programa de procurar fornecer habitação acessível a famílias com grandes dificuldades financeiras. Temos um pacote habitacional que alugamos a famílias em maiores dificuldades por rendas mensais de entre 50 e 130 euros", recordou.