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Promoveu sessão sobre potencialidades e constrangimentos do voluntariado local
O Instituto Politécnico de Setúbal, em conjunto com o Instituto Português da Juventude e as Associações de Estudantes das Escolas Superiores do IPS, realizou uma sessão intitulada “Voluntariado Local: potencialidades e constrangimentos”, no âmbito das comemorações do início do Ano Europeu do Voluntariado.
Boguslawa Sardinha, na conferência de abertura, explicou que a “fraca tradição” em voluntariado verificada em Portugal em comparação, por exemplo, com a Suécia em que cerca de 60% da população é voluntária, se deve a factores como o “regime autoritário” vivido em algumas famílias, o baixo nível de cultura cívica, um mercado de trabalho não inclusivo e exigente, uma recente prática de voluntariado em algumas empresas, entre outros.
O Instituto Politécnico de Setúbal, em conjunto com o Instituto Português da Juventude e as Associações de Estudantes das Escolas Superiores do IPS, realizou no passado dia 2 de Março, no Auditório da Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal (ESCE/IPS), uma sessão intitulada “Voluntariado Local: potencialidades e constrangimentos”, no âmbito das comemorações do início do Ano Europeu do Voluntariado.
Esta iniciativa contou com a presença de vários docentes do IPS, bem como responsáveis do Instituto Português da Juventude (IPJ), da Caritas Portuguesa e Associação Entrajuda e teve como objectivo estimular o incremento da actividade voluntária junto da comunidade do IPS, apelando a valores de solidariedade e de serviço pelos outros.
Armando Pires, Presidente do IPS, realçou a importância deste evento pela interacção que se conseguiu juntamente com o IPJ e o papel das Associações de Estudantes na organização do mesmo. Armando Pires referiu a importância de se criar um movimento organizado de voluntariado no Politécnico de Setúbal, considerando que para além da atitude das pessoas «a existência de estímulos, por parte da instituição a que pertencemos, irá potenciar mais acções de voluntariado junto da comunidade do IPS».
No ano em que se comemora o Ano Europeu do Voluntariado e o Ano Internacional da Juventude, Heliana Vilela, Directora Regional de Lisboa e Vale do Tejo do Instituto Português da Juventude, lembrou o caminho que o Instituto Português da Juventude tem feito no sentido de estimular os jovens, que são «proactivos, energéticos e disponíveis, para o voluntariado», considerando-o «um importante contributo para a qualificação dos jovens naquilo a que chamamos de educação não formal». Durante a sua intervenção, a responsável explicou ainda que «ser voluntário é não ser indiferente ao que nos rodeia» e da necessidade de pensar «o voluntariado como uma atitude e não como uma fuga».
A conferência de abertura ficou a cargo de Boguslawa Sardinha, Docente da Escola Superior de Ciências Empresariais do IPS, que referiu que apesar da existência de alguns estudos em Portugal sobre a matéria, ainda existe muita desinformação e dificuldade em perceber o que é o voluntariado.
De acordo com a docente, o voluntário português é tipicamente homem (55%), havendo um aumento da percentagem quando se trata de voluntariado regular (62,5%). No entanto, no voluntariado ocasional, as mulheres são mais activas (56,3%).
Relativamente a faixas etárias, os mais solidários (55,5%) têm entre 25 e 64 anos, seguidos dos menores de 25 anos (30,4%) e, por último, os maiores de 64 anos (12,1%). O tempo médio despendido em voluntariado é de 210 horas por ano, sendo que, no caso dos escuteiros, esse valor aumenta para as 233 horas por ano. Quanto ao voluntariado ocasional é, em média, de 17,6 horas por ano. As pessoas com maiores níveis de escolaridade/educação são as que se voluntariam mais.
Boguslawa Sardinha explicou que a “fraca tradição” em voluntariado verificada em Portugal em comparação, por exemplo, com a Suécia em que cerca de 60% da população é voluntária, se deve a factores como o “regime autoritário” vivido em algumas famílias, o baixo nível de cultura cívica, um mercado de trabalho não inclusivo e exigente, uma recente prática de voluntariado em algumas empresas, entre outros. Sendo que, os maiores níveis de voluntariado ocorrem nas áreas do lazer e desporto, em organizações culturais e de jovens e organizações religiosas.
«Existem dois tipos de motivações que levam a pessoa a ser voluntária. As motivações intrínsecas que passam pelo gosto em ajudar, a compaixão, identificação com pessoas que sofrem ou motivações religiosas, e as motivações extrínsecas que assentam no tempo disponível, na possibilidade de aprender coisas novas, no convívio, conhecer pessoas, impossibilidade de negar, sentir-se útil, entre outras», concluiu.
Durante o evento, Eugénio Fonseca, Presidente da Caritas Portuguesa, abordou o tema do voluntariado local, onde falou dos problemas existentes em Setúbal e dos desafios para os estudantes do IPS.
O professor salientou que 18% da população portuguesa vive no limiar da pobreza, valor que estaria na ordem dos 37 a 43 % se o Governo não tivesse criado um subsídio de complemento solidário para idosos.
Sobre a questão dos “pobres geracionais ou pobres de longa duração”, Eugénio Fonseca lembrou que Setúbal é desde a década de 80 uma zona muito vulnerável à pobreza, período em que a cidade entrou num declínio económico muito grave, que derivou do encerramento de centenas de fábricas e de trabalhadores com idades que rondavam os 40 anos e não conseguirem arranjar um novo emprego.
Eugénio Fonseca acredita que a actual crise vai passar, mas alertou para o facto dos desempregados não conseguirem voltar a ter um emprego, o que leva à necessidade de terem de investir na sua formação ou criarem os seus próprios postos de trabalho. «Actualmente, as características são as mesmas que se viviam em Setúbal nos anos 80, mas com a diferença de que Setúbal não estava munida do conjunto de serviços de que hoje dispõe e que fazem de “almofada” à pobreza», acrescentou.
«Este não é apenas um problema do Governo, é também de todos nós. As pessoas, muitas vezes, quando precisam de ajuda já estão num estado tal que as Instituições não conseguem ajudá-las. Isto porque têm receio de pedir ajuda na altura certa. É a chamada pobreza envergonhada. Há pessoas que neste momento só têm dinheiro para fazer uma refeição por dia, há crianças que já levam o resto do almoço para poderem jantar. E as pessoas que não arranjam trabalho podem tornar-se depressivas e violentas para a sociedade, o que pode gerar comportamentos anti-sociais», alertou o Presidente da instituição, apelando aos jovens presentes para estudarem com seriedade, «vivam este tempo como aquilo que poderão dar à sociedade para não serem inclinos, mas sim para ajudarem a sociedade a evoluir e a tornar-se melhor».
Por último, Pedro Ferraz da Associação Entrajuda, apresentou o Projecto Volunteerbook que nasceu da vontade de colocar a bolsa de voluntariado no facebook, encontrando assim novas formas de divulgar o voluntariado.
O objectivo desta plataforma visa promover uma cultura de voluntariado e criar uma maior consciência para o exercício do voluntariado. Permite também às empresas divulgarem as suas acções no âmbito do voluntariado.


