Filomena Barros, in RR
O Governo aprovou as medidas e metas estratégicas de combate à pobreza sem consultar entidades “no terreno”, acusa a Rede Europeia Anti-Pobreza.
Até final de Abril, Portugal tem de apresentar à Comissão Europeia os objectivos de redução da pobreza. O conjunto de medidas integra-se na estratégia dos 27 Estados-membros da UE até 2020 e implica, no total, uma redução de 20 milhões de pobres.
A meta portuguesa é de 200 mil, definida pelo Governo sem ouvir mais ninguém, ao que diz a Rede Europeia Anti-Pobreza.
O padre Jardim Moreira não tem dúvidas. Neste cenário de crise, quando se fala em reduzir a pobreza, o Governo tem de ouvir as entidades que estão no terreno. “Acho que tínhamos o dever e acho que o Governo tinha a obrigação, nesta altura, de ouvir os parceiros nacionais mais conhecedores da matéria e mais participantes nas propostas nacionais”.
O padre considera que esta situação, em que “não se dão ao cuidado de ouvir ninguém”, nem mesmo quanto ao objectivo global da estratégia europeia, “não é admissível numa situação tão crítica do país, com problemas tão agravados”.
A Renascença contactou o Ministério do Trabalho para mais esclarecimentos, mas até agora sem respostas do gabinete de Helena André. O Ministério já tem delineado um plano provisório enviado a Bruxelas, no qual perspectiva, por exemplo, uma taxa de empregabilidade de 75% em 2020.
O Estado português reafirma ainda que dá prioridade à inclusão, à redução da pobreza e ao combate às desigualdades sociais. No entanto, devido à crise, está a cortar nos apoios sociais. A medida anunciada e prevista para o ano passado, de um novo apoio financeiro para as famílias trabalhadoras com filhos, foi adiada e pode nem sequer sair do plano das intenções.