in RR
Adriano Moreira falava na abertura da conferência que assinala os cinco anos de pontificado, que decorre na Universidade Católica, em Lisboa.
Francisco reconheceu a intolerável situação de um mundo de desigualdades e onde permanecem diversas formas de escravatura, afirmou esta segunda-feira Adriano Moreira na abertura da conferência que assinala os cinco anos de pontificado, que decorre na Universidade Católica, em Lisboa.
O professor jubilado referiu ainda os desafios que a Igreja Católica e o Papa enfrentam nos dias de hoje.
“Visto o ataque que a Igreja sofre, infelizmente por condutas de seguidores desviados e erradamente protegidos, concordo com Anselmo Borges quando, no seu livro ‘Francisco – Desafios à Igreja e ao Mundo’, enumerando os desafios para o século XXI, diz que o desafio essencial é a conversão de todos os membros ao Evangelho, começando pelos que estão mais alto: Papa, bispos, cardeais, padres, acreditar em Jesus e tentar segui-lo. É isto que ele prega”, sublinha Adriano Moreira.
O catedrático referiu ainda a lição do atual bispo de Roma vivida ainda quando era bispo de Buenos Aires.
“Num sábado apareceu-lhe uma mãe com uma criança ao colo, pedindo-lhe ajuda porque o filho estava a morrer de fome. Ele respondeu que era sábado, mas que na segunda-feira lhe resolveria o sério problema. A mulher respondeu-lhe: ‘senhor bispo, o meu filho está a morrer de fome no sábado, não é na segunda-feira’. Ele resolveu imediatamente o problema. Pela conduta ensinou a nós todos que em nenhum sábado se pode ficar à espera de segunda-feira”, defendeu Adriano Moreira.
A conferência “Cinco Anos com o Papa Francisco” é organizada pela Renascença, agência Ecclesia e Universidade Católica Portuguesa.
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19.3.18
12.9.14
Adriano Moreira: O que é uniria os portugueses? “Pão na mesa e trabalho”
in Página 1
Ex-líder do CDS-PP diz que há muito foi atingida a "fadiga fiscal" e que as estatísticas não revelam uma verdadeira melhoria das condições de vida.
O antigo presidente do CDS-PP Adriano Moreira defendeu, na noite de quinta-feira, que aquilo que impede o consenso são os incitamentos à separação entre portugueses, sobretudo entre ricos e pobres, argumentando que estes precisam de "pão na mesa e trabalho".
Numa intervenção sobre a democracia cristã na "escola de quadros" do CDS-PP, que decorre em Peniche, Adriano Moreira, reiterou a ideia de que a “fadiga fiscal”, expressão de que se arroga criador, já foi atingida há muito tempo. Para resolver o problema, a solução: “É preciso reanimar de as instituições da União Europeia que estão em pousio e das Nações Unidas que estão paradas. A crise não é europeia, é mundial”.
O vice-primeiro-ministro e presidente do CDS-PP, Paulo Portas, fez um "desvio lúcido" para passar por Peniche e abraçar Adriano Moreira, a quem ofereceu uma "aguardente antiga e bem portuguesa" como presente do aniversário que o antigo líder democrata-cristão celebrou recentemente.
O professor universitário, que assinou o chamado manifesto dos 70 pela reestruturação da dívida, criticou, na sua intervenção, os "incitamentos à separação entre velhos e novos, entre funcionários públicos e trabalhadores privados, sobretudo, entre ricos e pobres".
Segundo o antigo presidente do CDS, é isso que "impede muito aquilo que hoje se chama de uma maneira muito eloquente o consenso".
"É tão fácil descobrir qual é o problema essencial hoje dos portugueses, para os unir: é pão na mesa e trabalho, esta coisa simples", disse.
Reestruturar não, Maria Luís não gosta
O ex-líder diz que é necessário reerguer o país, não reestruturar . “Essa palavra incomoda a ministra das Finanças”, disse, tendo soltado alguns risos entre a plateia. Para o especialista em relações internacionais a educação é fundamental para a soberania de um povo. “Tivemos uma desatenção no plano educativo que é hoje uma chaga difícil de tratar”, acrescenta.
E desafiou ainda os jovens centristas a fazerem um manifesto à ministra das Finanças a lembrar que o fundador da nacionalidade, D. Afonso Henriques, não pagou ao Papa as onças em ouro que lhe prometeu.
"Acentuou-se a circunstância que há desde o começo da nacionalidade de que o país precisa de um apoio externo. Precisou logo da Santa Sé, D. Afonso Henriques. Prometeu ao Papa, de quem era súbdito, de que pagaria seis onças de ouro, quatro onças de ouro por ano, e o cronista diz que nunca pagou, por muito bem lembrado. Não sei se podem escrever algum manifesto à ministra das finanças sobre D. Afonso Henriques", afirmou.
"Miséria está a expulsar a pobreza"
Adriano Moreira considerou ainda que a melhoria de indicadores não mostra uma verdadeira melhoria das condições de vida.
"Quando falam das estatísticas que melhoram, há um aspecto que eu acho que não melhora, parece que melhora. Porque a miséria está a expulsar a pobreza, emigra a pobreza, vai ficando a maior das incapacidades", afirmou.
O antigo presidente do CDS criticou a União Europeia que, considerou, "substituiu as diferenças ideológicas por um unificador ‘novo-riquismo'", e está actualmente dividida entre "Europa dos pobres" e "Europa dos ricos".
Adriano Moreira defendeu ainda que a crise europeia já devia ter levado à convocação do Conselho Económico e Social das Nações Unidas e referiu-se à situação de "protectorado", expressão usada por Paulo Portas para designar a intervenção externa. "Eu dispensava na minha vida ter visto ministros portugueses a ter que discutir com empregados de organizações internacionais", lamentou, sublinhando que "o lugar dos ministros é no Conselho Europeu", acreditando que "o poder da voz é muitas vezes capaz de vencer a voz do poder".
A "escola de quadros" do CDS-PP, um novo modelo de "rentrée" política centrista, começou na quinta-feira em Peniche, onde até domingo se reunirão cerca de 150 jovens com idades entre os 16 e os 30 anos.
Ex-líder do CDS-PP diz que há muito foi atingida a "fadiga fiscal" e que as estatísticas não revelam uma verdadeira melhoria das condições de vida.
O antigo presidente do CDS-PP Adriano Moreira defendeu, na noite de quinta-feira, que aquilo que impede o consenso são os incitamentos à separação entre portugueses, sobretudo entre ricos e pobres, argumentando que estes precisam de "pão na mesa e trabalho".
Numa intervenção sobre a democracia cristã na "escola de quadros" do CDS-PP, que decorre em Peniche, Adriano Moreira, reiterou a ideia de que a “fadiga fiscal”, expressão de que se arroga criador, já foi atingida há muito tempo. Para resolver o problema, a solução: “É preciso reanimar de as instituições da União Europeia que estão em pousio e das Nações Unidas que estão paradas. A crise não é europeia, é mundial”.
O vice-primeiro-ministro e presidente do CDS-PP, Paulo Portas, fez um "desvio lúcido" para passar por Peniche e abraçar Adriano Moreira, a quem ofereceu uma "aguardente antiga e bem portuguesa" como presente do aniversário que o antigo líder democrata-cristão celebrou recentemente.
O professor universitário, que assinou o chamado manifesto dos 70 pela reestruturação da dívida, criticou, na sua intervenção, os "incitamentos à separação entre velhos e novos, entre funcionários públicos e trabalhadores privados, sobretudo, entre ricos e pobres".
Segundo o antigo presidente do CDS, é isso que "impede muito aquilo que hoje se chama de uma maneira muito eloquente o consenso".
"É tão fácil descobrir qual é o problema essencial hoje dos portugueses, para os unir: é pão na mesa e trabalho, esta coisa simples", disse.
Reestruturar não, Maria Luís não gosta
O ex-líder diz que é necessário reerguer o país, não reestruturar . “Essa palavra incomoda a ministra das Finanças”, disse, tendo soltado alguns risos entre a plateia. Para o especialista em relações internacionais a educação é fundamental para a soberania de um povo. “Tivemos uma desatenção no plano educativo que é hoje uma chaga difícil de tratar”, acrescenta.
E desafiou ainda os jovens centristas a fazerem um manifesto à ministra das Finanças a lembrar que o fundador da nacionalidade, D. Afonso Henriques, não pagou ao Papa as onças em ouro que lhe prometeu.
"Acentuou-se a circunstância que há desde o começo da nacionalidade de que o país precisa de um apoio externo. Precisou logo da Santa Sé, D. Afonso Henriques. Prometeu ao Papa, de quem era súbdito, de que pagaria seis onças de ouro, quatro onças de ouro por ano, e o cronista diz que nunca pagou, por muito bem lembrado. Não sei se podem escrever algum manifesto à ministra das finanças sobre D. Afonso Henriques", afirmou.
"Miséria está a expulsar a pobreza"
Adriano Moreira considerou ainda que a melhoria de indicadores não mostra uma verdadeira melhoria das condições de vida.
"Quando falam das estatísticas que melhoram, há um aspecto que eu acho que não melhora, parece que melhora. Porque a miséria está a expulsar a pobreza, emigra a pobreza, vai ficando a maior das incapacidades", afirmou.
O antigo presidente do CDS criticou a União Europeia que, considerou, "substituiu as diferenças ideológicas por um unificador ‘novo-riquismo'", e está actualmente dividida entre "Europa dos pobres" e "Europa dos ricos".
Adriano Moreira defendeu ainda que a crise europeia já devia ter levado à convocação do Conselho Económico e Social das Nações Unidas e referiu-se à situação de "protectorado", expressão usada por Paulo Portas para designar a intervenção externa. "Eu dispensava na minha vida ter visto ministros portugueses a ter que discutir com empregados de organizações internacionais", lamentou, sublinhando que "o lugar dos ministros é no Conselho Europeu", acreditando que "o poder da voz é muitas vezes capaz de vencer a voz do poder".
A "escola de quadros" do CDS-PP, um novo modelo de "rentrée" política centrista, começou na quinta-feira em Peniche, onde até domingo se reunirão cerca de 150 jovens com idades entre os 16 e os 30 anos.
11.3.14
Adriano Moreira. Saída de Portugal de jovens qualificados é “um perigo para o país”
iOnline
“Não podemos olhar com indiferença para o facto de que fizemos um esforço enorme na investigação e no ensino e que os resultados desse esforço são a favor dos países para onde essa gente nova emigra, que é o que está a acontecer”, lamenta
A saída de Portugal de jovens qualificados é “um perigo para o país”, alerta o professor e politólogo Adriano Moreira, confessando uma “grande inquietação” face ao “empobrecimento terrível” que tal representa para a nação.
“Não podemos olhar com indiferença para o facto de que fizemos um esforço enorme na investigação e no ensino e que os resultados desse esforço são a favor dos países para onde essa gente nova emigra, que é o que está a acontecer”, lamenta o ex-líder do CDS, ex-ministro e ex-deputado, recordando que os países estrangeiros costumam elogiar as “excelentes qualidades” dos portugueses.
“Se aquilo que acontece, e está a acontecer no nosso país, é que aqueles que têm mais avanço científico e conhecimento emigram, em regime de globalização, fica-se mais exposto aos efeitos negativos”, alerta o professor, especialista em relações internacionais.
Perante “a circunstância de estarmos a perder o avanço científico e técnico que já tínhamos conseguido e que está a traduzir-se na crise das universidades”, o professor considera a situação “grave”, admitindo “grande inquietação” face ao “empobrecimento terrível do país”.
Criticando os “reformadores da economia” por se orientarem pelo conceito de “destruição construtiva”, Adriano Moreira ironiza: “A primeira parte vai muito bem, agora a segunda é aquela que falta...”
Para o professor, a “destruição construtiva” faz sentido quando faz a comunidade avançar, como aconteceu com a invenção do caminho de ferro, exemplificou. “É uma coisa completamente diferente” ver partir “os melhores”, contrapôs.
“Os que não são melhores vão-se ver no futuro nos sítios onde ainda a sua dedicação e capacidade é aproveitável, alguns em situações deploráveis (…), outros muito bem acolhidos”, repara, sublinhando que “é preciso cuidar da redefinição da utilização das pessoas dispensadas pelo avanço técnico e científico”, criando “um novo futuro para essa gente”.
Ele próprio pai de um filho recentemente regressado de três anos em Moçambique, confessa: “Não há nenhum pai que veja partir os filhos… sem saber o que vai acontecer, ou se alguma vez os volta a ver, porque vão à aventura, saber do futuro que aqui não encontram.”
“Não podemos olhar com indiferença para o facto de que fizemos um esforço enorme na investigação e no ensino e que os resultados desse esforço são a favor dos países para onde essa gente nova emigra, que é o que está a acontecer”, lamenta
A saída de Portugal de jovens qualificados é “um perigo para o país”, alerta o professor e politólogo Adriano Moreira, confessando uma “grande inquietação” face ao “empobrecimento terrível” que tal representa para a nação.
“Não podemos olhar com indiferença para o facto de que fizemos um esforço enorme na investigação e no ensino e que os resultados desse esforço são a favor dos países para onde essa gente nova emigra, que é o que está a acontecer”, lamenta o ex-líder do CDS, ex-ministro e ex-deputado, recordando que os países estrangeiros costumam elogiar as “excelentes qualidades” dos portugueses.
“Se aquilo que acontece, e está a acontecer no nosso país, é que aqueles que têm mais avanço científico e conhecimento emigram, em regime de globalização, fica-se mais exposto aos efeitos negativos”, alerta o professor, especialista em relações internacionais.
Perante “a circunstância de estarmos a perder o avanço científico e técnico que já tínhamos conseguido e que está a traduzir-se na crise das universidades”, o professor considera a situação “grave”, admitindo “grande inquietação” face ao “empobrecimento terrível do país”.
Criticando os “reformadores da economia” por se orientarem pelo conceito de “destruição construtiva”, Adriano Moreira ironiza: “A primeira parte vai muito bem, agora a segunda é aquela que falta...”
Para o professor, a “destruição construtiva” faz sentido quando faz a comunidade avançar, como aconteceu com a invenção do caminho de ferro, exemplificou. “É uma coisa completamente diferente” ver partir “os melhores”, contrapôs.
“Os que não são melhores vão-se ver no futuro nos sítios onde ainda a sua dedicação e capacidade é aproveitável, alguns em situações deploráveis (…), outros muito bem acolhidos”, repara, sublinhando que “é preciso cuidar da redefinição da utilização das pessoas dispensadas pelo avanço técnico e científico”, criando “um novo futuro para essa gente”.
Ele próprio pai de um filho recentemente regressado de três anos em Moçambique, confessa: “Não há nenhum pai que veja partir os filhos… sem saber o que vai acontecer, ou se alguma vez os volta a ver, porque vão à aventura, saber do futuro que aqui não encontram.”
2.1.13
Confiança, confiança, dignidade
in Público on-line
PÚBLICO inicia nesta quarta-feira uma série sobre os valores que queremos para 2013. Adriano Moreira é o primeiro de 13 pensadores a apresentar a sua reflexão.
Adriano Moreira é actualmente presidente da Academia das Ciências de Lisboa e presidente do Conselho Geral da Universidade Técnica de Lisboa Carlos Manuel Martins .
O globalismo vive uma “realidade nublosa”, com os centros de poder legais superados por outros “sem cobertura legal”, diz Adriano Moreira, em resposta a uma pergunta que o PÚBLICO fez a 13 pensadores a partir de uma janela de valores éticos, políticos e religiosos.
A pergunta: Que será a sociedade portuguesa e europeia em 2013?
Os valores: bem, bondade, lealdade, altruísmo, honestidade, solidariedade, liberdade, verdade, justiça, felicidade, sagrado (Deus), sabedoria, coragem e dignidade.
Adriano Moreira foi o primeiro a responder. Seguem-se Alfredo Bruto da Costa, Ana Luísa Amaral, António Pinho Vargas, Eduardo Lourenço, Gonçalo M. Tavares, Helena Marujo, Isabel Allegro de Magalhães, João Magueijo, Manuel Maria Carrilho, Miguel Real, Teresa Pizarro Beleza e Yvette Centeno. Os textos são publicados em 13 dias seguidos.
O escritor Gonçalo M. Tavares responde amanhã.
PÚBLICO inicia nesta quarta-feira uma série sobre os valores que queremos para 2013. Adriano Moreira é o primeiro de 13 pensadores a apresentar a sua reflexão.
Adriano Moreira é actualmente presidente da Academia das Ciências de Lisboa e presidente do Conselho Geral da Universidade Técnica de Lisboa Carlos Manuel Martins .
O globalismo vive uma “realidade nublosa”, com os centros de poder legais superados por outros “sem cobertura legal”, diz Adriano Moreira, em resposta a uma pergunta que o PÚBLICO fez a 13 pensadores a partir de uma janela de valores éticos, políticos e religiosos.
A pergunta: Que será a sociedade portuguesa e europeia em 2013?
Os valores: bem, bondade, lealdade, altruísmo, honestidade, solidariedade, liberdade, verdade, justiça, felicidade, sagrado (Deus), sabedoria, coragem e dignidade.
Adriano Moreira foi o primeiro a responder. Seguem-se Alfredo Bruto da Costa, Ana Luísa Amaral, António Pinho Vargas, Eduardo Lourenço, Gonçalo M. Tavares, Helena Marujo, Isabel Allegro de Magalhães, João Magueijo, Manuel Maria Carrilho, Miguel Real, Teresa Pizarro Beleza e Yvette Centeno. Os textos são publicados em 13 dias seguidos.
O escritor Gonçalo M. Tavares responde amanhã.
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