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14.2.13

Economia portuguesa com segundo pior desempenho da UE

in Jornal de Notícias

A economia portuguesa teve o segundo pior desempenho no quarto trimestre do ano passado, face a igual período de 2011, com uma retração do Produto Interno Bruto de 3,8%, só superado pela Grécia, indicou, esta quinta-feira, o Eurostat.

Entre os 20 países que disponibilizaram dados ao gabinete de estatísticas da União Europeia sobre a evolução da economia, só a Grécia tem um pior desempenho no final do ano passado, com uma contração de 6% no PIB face ao último trimestre de 2011.

A Grécia vinha já de uma contração homóloga de 6,7% no terceiro trimestre, de 6,4% no segundo trimestre e novamente de 6,7% no primeiro trimestre do ano.

Portugal surge com o segundo pior desempenho entre os 20 países que apresentaram resultados ao Eurostat, com uma contração homóloga do seu PIB de 3,8% no quarto trimestre, 3,5% no terceiro trimestre, 3,1% no segundo trimestre e 2,5% no primeiro trimestre do ano.

Logo a seguir a Portugal nos piores desempenhos surge a Hungria, com uma retração de 2,8% no último trimestre do ano, e a Itália que vinha a apresentar já contrações muito significativas ao longo do ano e fecha o ano com a pior queda homóloga, nos 2,7%.

Também Espanha e França apresentam quedas no produto em termos homólogos.

Neste capítulo, o Eurostat não dispõem de dados para a evolução do PIB na Dinamarca, Irlanda, Luxemburgo, Malta, Polónia, Eslovénia e Suécia.

Quando a comparação é feita trimestre a trimestre (quarto trimestre compara com o terceiro trimestre) Portugal surge com o pior desempenho da União Europeia já que a Grécia, a que deveria apresentar um resultado mais negativo considerando os restantes resultados, não apresenta dados trimestrais.

Nas comparações feitas entre estes dois períodos também a Alemanha já surge com uma contração no seu PIB no quarto trimestre, na ordem dos 0,6%.

Entre os 19 países da União Europeia que apresentam dados para comparações em cadeia, 13 já têm contrações no seu PIB, algo que acaba por se refletir na evolução do PIB na União Europeia que entrou em contração no último trimestre do ano com uma queda de 0,5%.

Na zona euro são já três os trimestres consecutivos de queda, que aprofundou no último trimestre do ano com uma contração de 0,6%.

6.12.12

"A austeridade está a asfixiar Portugal"

por Luís Reis Ribeiro, in Dinheiro Vivo

"A austeridade só não é suficiente para resolver a crise. A austeridade asfixia as economias e em Portugal isto já está a acontecer", alertou hoje o antigo chanceler alemão, Gerhard Schröder.

O ex-chefe de Estado, do SPD (centro-esquerda), foi o orador principal da 15ª conferência da consultora Cunha Vaz, em Lisboa. Na intervenção fez eco das palavras do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, que defendeu a primazia das políticas voltadas para o crescimento e uma menor ênfase na austeridade.

Schröder lembrou que a pressão sobre as contas públicas também se deve aos erros passados do sector financeiro.

"É preciso lançar programas para o crescimento. As receitas com a taxa sobre as transações financeiras, que eu apoio, deve servir para financiar essa estratégia. Parece-me razoável que os que causaram a atual crise contribuam agora para a recuperação", disse o advogado a uma plateia com banqueiros e muitos profissionais do sector financeiro.

O ex-chanceler insistiu que os Orçamentos dos Estado ficaram "sobrecarregados com o impacto da crise financeira" e enumerou que são necessárias mais reformas em países como Portugal, como aquelas que a Alemanha fez no período de 2000 a 2005 (agenda 2010), sob o governo do próprio Schröder.

"Essas reformas lançaram as fundações do atual crescimento económico da Alemanha". "A inovação, a modernização produtiva, a orientação da Alemanha para a indústria e para as pequenas e média empresas é algo de crucial nesta agenda", disse.

"A existência de acordos salariais flexíveis e de moderação salarial" e "a capacidade de manter trabalhadores qualificados nas empresas mesmo em tempo de recessão" foram outros aspetos realçados pelo alemão.

Schröder falou ainda do "impacto do envelhecimento demográfico nos sistemas de Segurança Social". "É preciso um reajustamento dos sistemas. Na Alemanha subiu-se a idade legal de reforma para os 67 anos", exemplificou.

9.11.12

A austeridade é "uma asfixia da economia", acusam líderes da esquerda europeia em Lisboa

Por Clara Barata, in Público on-line

"Vencer a troika” é o mote do comício internacional que abre esta sexta-feira, às 21h30, a VIII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, em Lisboa. Líderes da Izquierda Unida espanhola e do Die Linke alemão trazem a Lisboa as suas ideias – e a defesa da necessidade de alternativas “à asfixia da economia pela austeridade”, como disse ao PÚBLICO o francês Jean-Luc Mélenchon, da Frente de Esquerda.

Mélenchon acabou por cancelar a sua presença à última hora, por motivos de saúde, mas o PÚBLICO falou com ele por e-mail, tal com outros convidados do Bloco de Esquerda (BE). E todos os líderes dos partidos congéneres do BE,criticam a atitude dos partidos representantes da social-democracia nos seus respectivos países, que participam no jogo da austeridade. “A austeridade não vai ajudar país nenhum. Só conduz a mais depressão”, afirmou Gabriele Zimmer, do Die Linke (A Esquerda) alemão.

“Mas há cada vez mais pessoas a começar a compreender que a austeridade não está a funcionar. O problema é que Angela Merkel não fala de como a Alemanha beneficia de ser membro da União Europeia. Apresenta-se como a defensora dos contribuintes alemães, usa este assunto como tema na campanha eleitoral [tem eleições no próximo ano, e espera ser reeleita chanceler pela terceira vez].”

A chanceler Angela Merkel, diz a política alemã, quer ganhar tempo. Por isso o pedido de mais cinco anos de austeridade na Europa não surpreendeu Zimmer: “Ela quer ter mais tempo para impor o modelo alemão e a nossa desastrosa reforma do mercado de trabalho ao nível europeu”, afirma. “Se ela não alterar esta obsessão com a austeridade, a crise vai continuar – sob condições de austeridade, países como Portugal e a Grécia, bem como alguns países da Leste da Europa, não serão capazes de resolver os problemas de dívida.”

Povos uns contra os outros

As consequências de prosseguir esse caminho como se fora uma fé podem crescer como uma bola de neve, avisa Jean-Luc Mélenchon, o ex-candidato à presidência da República, quando o PÚBLICO lhe pediu para imaginar o que poderia acontecer na Europa se a austeridade se prolongasse por mais cinco anos, como Merkel pediu: “O abrandamento da actividade [económica] e a subida do desemprego vão fazer crescer as tensões sociais em cada país e entre as nações. A contracção geral dos rendimentos e o recuo da protecção social virarão os povos uns contra os outros”, previu.

“As medidas de ajustamento e os cortes demonstraram ser um rotundo fracasso”, diz Cayo Lara, dirigente da Izquierda Unida, de Espanha, um país que formalmente ainda não pediu um resgate financeiro, mas onde estão em vigor políticas idênticas às que seriam necessárias em caso de ajuda de emergência da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Na prática, a Espanha já está tutelada, já foi intervencionada. As políticas que aplicaram os governos do Partido Popular (PP) e o Partido Socialista (PSOE) eram ditadas a partir do estrangeiro. Mais do que um resgate, poderíamos falar de um sequestro, porque são políticas que estão a fazer estragos tremendos e cujas consequências podem ser desastrosas para o presente e futuro do nosso país”, disse, por e-mail.

E as alternativas que esta esquerda à esquerda social-democrata que consegue chegar ao poder na Europa, existem realmente? “Sim, existe uma política alternativa”, garante Jean-Luc Mélenchon, que fala na necessidade de um novo fôlego, um relançamento para dar novo fôlego à economia. “Esta política é defendida por vários prémios Nobel da Economia (Joseph Stiglitz, Paul Krugman) e por economistas keynesianos em toda a Europa”.

“As políticas neoliberais estão a ser inúteis e estão a destruir o Estado Socail. Precisamos de uma volta de 180 graus e regressar à Europa social, à Europa comprometida com os seus cidadãos e não com os mercados. O contrário conduzir-nos-á a um buraco cada vez maior”, considera o líder da Izquierda Unida espanhola.

Cayo Lara detecta uma falta de vitalidade no sistema político tradicional espanhol, que não destoa deste diagnóstico de Mélenchon. “O bipartidarismo em Espanha, do PP e do PSOE, é um dos principais responsáveis pelo cansaço e desafecto dos cidadãos em relação aos partidos políticos”, afirma.

A recusa social-democrata
O problema, sublinha o político francês, que já foi ministro pelo PS, é que os sociais-democratas e socialistas europeus não se convencem da viabilidade desta alternativa. “É a recusa da social-democracia europeia em discutir uma outra política que cria o impasse, em todo o lado”, acusa. “A Frente de Esquerda está pronta ao diálogo e a aplicar ela própria esta política de relançamento e planificação ecológica em termos de energia e indústria. Mas pôr em prática esta nova política não é algo que se possa fazer por acordos de alto nível entre os partidos”, diz. “A mudança necessária exige um envolvimento popular contra os privilégios do mundo da finança e em defesa do interesse geral, a que nós chamamos Revolução Cidadã”, explica.

Na Izquiera Unida, busca-se também a vitalidade que nasce de movimentos como os indignados, que nasceram fora de conotações políticas e normalmente buscam a distância das forças políticas. “Na Izquierda Unida recebemos o surgimento dos movimentos de Indignados como um sopro de ar fresco e como um impulso para a democracia. Serviram para que a sociedade voltasse a preocupar-se com a política”, declara Lara.

“Muitos dos nossos militantes participaram nestes movimentos desde o início, por isso sempre fomos bem acolhidos”, afirma. Muitas das coisas que exigem são reivindicações nossas de há muito tempo. Não queremos ser protagonistas, mas estamos conscientes do papel que temos e da capacidade que nos dão as instituições: é inquestionável o papel da Izquierda Unida no Parlamento, oferecendo propostas e alternativas para os problemas que esses movimentos denunciam”, afirma o líder político espanhol.