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12.9.23

BCE prepara reunião decisiva, com alguns falcões a roçar a recessão: conheça os dilemas para subir ou travar os juros

Jorge Nascimento Rodrigues Jornalista, in Expresso


O conselho do Banco Central Europeu está numa encruzilhada: subir juros uma vez mais ou fazer uma pausa a 14 de setembro. Os ‘falcões’ têm larga maioria, mas há divergências entre eles. Mário Centeno, governador do Banco de Portugal, recupera direito de voto até final do ano. Já Joachim Nagel, presidente do Bundesbank alemão, não vota esta quinta-feira


O Banco Central Europeu (BCE) volta a reunir o seu conselho para decidir sobre política monetária a 14 de setembro. Na próxima quinta-feira tem em cima da mesa, pela primeira vez, duas opções: subir pela décima vez os juros ou fazer uma pausa, pela primeira vez desde que iniciou o ciclo de aperto monetário em julho do ano passado.

Os analistas falam de uma encruzilhada, com o conselho do BCE pressionado, por um lado, pela continuação da inflação acima de 5%, e, por outro, pelos sinais cada vez mais fortes do risco de estagnação na zona euro. Nos mercados, os futuros apontam para uma probabilidade de 60% no sentido de uma maioria a favor da paragem no aumento dos juros na próxima quinta-feira.


Apesar das atas da última reunião em julho revelarem que foi aconselhado a que a estratégia comunicacional não atribuísse “demasiada importância” à reunião de 14 de setembro, o que é certo é que, mos mercados, é tida como decisiva este ano. Aliás, um dos ‘falcões’ do conselho do BCE, Klaas Knot, governador do Banco Central dos Países Baixos (Nederlandsche Bank), dizia na semana passada que “em certo sentido é uma reunião crucial” e que a decisão “vai ser muito renhida”.

Nas primeiras decisões tomadas por bancos centrais em setembro, o Banco da Reserva da Austrália e o Banco do Canadá optaram por manter a pausa na subida dos juros.

ENCRUZILHADA DE OPÇÕES

As três últimas reuniões do ano do BCE enfrentam uma encruzilhada: continuar a subir os juros ou, em alguma delas, optar por uma pausa, temporária ou mais prolongada. O conselho do BCE sofre duas pressões de sinal contrário. Por um lado, a inflação na zona euro continua elevada, tendo estabilizado em 5,3% em julho e agosto, integrando nove economias com os níveis acima dessa média. Mas, por outro, acumulam-se os sinais de que uma aterragem suave na zona euro é cada vez menos provável.

Nas previsões avançadas pelo Fundo Monetário Internacional e pelo BCE em julho, o crescimento este ano na zona euro abrandaria para 0,9% e a Alemanha, a principal economia da área da moeda única, registaria uma recessão ligeira de 0,3%.

Esta segunda-feira, a Comissão Europeia avançou com um crescimento de 0,8%, nas suas previsões intercalares de verão, cortando em três décimas a previsão avançada em maio. Bruxelas aponta para uma recessão de 0,4% na Alemanha e um crescimento muito fraco de 0,5% nos Países Baixos.

A expectativa centra-se, agora, nas novas previsões macroeconómicas que Philip Lane, o economista-chefe do BCE, vai apresentar na próxima quinta-feira.

A pressão de uma inflação mais alta que exige ainda mais aperto monetário domina seis economias do euro com taxas acima de 6% em agosto, entre elas, a Alemanha e a Áustria, com chefes dos bancos centrais que são tidos como parte do núcleo duro de ‘falcões’ mais intransigentes.

Por outro lado, oito economias do euro registam uma situação anómala na sua curva de juros da dívida pública, com as yields a 2 anos superiores às verificadas a 10 anos no mercado secundário, o que é tido como um sinal antecipado de recessão. Sete dessas economias com a ‘curva invertida’ (como é designada tecnicamente) têm bancos centrais chefiados por ‘falcões’ intransigentes, nomeadamente Alemanha, Áustria, Bélgica e Países Baixos. O que revela que a opção de voto a tomar por muitos ‘falcões’ não é fácil.

‘FALCÕES’ COM LARGA MAIORIA

No entanto, os ‘falcões’ estão em larga maioria no conselho do BCE. Só contando governadores e presidentes dos bancos centrais nacionais, a correlação de forças é de 14 ‘falcões’ para seis ‘pombas’ (nas quais se inclui Mário Centeno, governador do Banco de Portugal), segundo o levantamento regular feito pelo portal InTouch Capital Markets. Na reunião de 14 de setembro, contando apenas quem vota no grupo dos bancos centrais nacionais, a relação é de 11 ‘falcões’ para 4 ‘pombas’ (os governadores dos bancos centrais de Espanha, Chipre, Itália e Portugal).

No mercado, as probabilidades apontam para uma pausa em setembro (60%), seguida de um regresso a subidas nas duas reuniões seguintes, que colhem 55% de probabilidade para a reunião de 26 de outubro e 58% para a de 14 de dezembro.


Na reunião de 14 de setembro, contando apenas quem vota no grupo dos bancos centrais nacionais, a relação é de 11 ‘falcões’ para 4 ‘pombas’ (os governadores dos bancos centrais de Espanha, Chipre, Itália e Portugal).

Nas declarações proferidas durante o verão pelos que votam em setembro, o holandês Knot avançou que “uma nova subida é uma possibilidade, mas não uma certeza”. Robert Holzmann, do Banco central da Áustria (Oesterreichische Nationalbank), um dos ‘falcões’ mais duros, adiantou que “ainda não tomei uma decisão, porque ainda não tenho todos os dados”. Mas logo adiantou que “não excluo que me decida por uma subida”, ou mesmo “por mais uma ou duas”.

O letão Martins Kazaks e o eslovaco Peter Kazimir inclinam-se para uma subida modesta (de 25 pontos-base) em setembro e depois fazer uma pausa. Entre os ‘falcões’ mais moderados, o governador do Banco de França, François Villeroy de Galhau, expressou a posição mais conciliadora: “Acredito que estamos perto ou muito perto do pico das taxas de juro. Manter as taxas por tempo suficiente conta mais do que as subir significativamente de novo”.

Nas posições mais vocais entre as ‘pombas’, destacaram-se Yannis Stournaras, do banco central helénico, e Mário Centeno, do Banco de Portugal. O grego repetiu que “não devemos continuar a subir as taxas”, admitindo “um período longo de pausa”. Contudo, Stournaras não vota a 14 de setembro. Entre os que votam, sobressaíram as declarações recentes de Centeno, onde em uma análise publicada pelo próprio Banco de Portugal, afirmou que “na dimensão monetária, o risco de fazer de mais começa a ser material”. Em português corrente: aumentar mais os juros começa a ser claramente um risco.

Com direito de voto permanente estão os seis membros da comissão executiva. Dois são tidos como ‘falcões’ (a alemã Isabel Schnabel e o holandês Frank Helderson) e outros dois como ‘pombas’ (o irlandês Philip Lane e o italiano Fabio Panetta). Na charneira, a autointitulada ‘coruja’ Christine Lagarde, a presidente do BCE, e o vice-presidente, o espanhol Luis de Guindos. A decisão final vai depender da capacidade de Lane, o economista-chefe, para sustentar tecnicamente as medidas que obtenham um apoio maioritário ou mesmo um consenso, e da gestão do risco e dos consensos políticos por Lagarde.






NÃO FALTAM ARGUMENTOS A FAVOR DE UMA SUBIDA DOS JUROS

Na balança de argumentos, as razões para manter o ciclo de aumento dos juros dominam largamente, explica o economista francês Eric Dor, diretor de estudos económicos do IESEG School of Management de Paris. Há ainda muitos factores inflacionistas em curso.

O nível ainda elevado da inflação e, em particular da inflação subjacente (excluindo as componentes mais voláteis da alimentação, energia, álcool e tabaco), acima de 5% é um argumento forte. A subida de preços na alimentação ainda está perto de 10%. A que acresce que nove economias do euro registam níveis de inflação acima da média da zona euro, entre elas a Alemanha, França e Itália.

Nas previsões avançadas esta segunda-feira pela Comissão Europeia, a inflação média anual este ano será de 5,6% e no final do próximo ano ainda estará em 2,9%, acima da meta de estabilidade de preços (2%) do BCE.

A incerteza sobre os preços da energia regressou, salienta Dor. A cotação do barril de Brent (de referência na Europa) subiu 21% entre 1 de junho e 11 de setembro. As decisões do novo cartel OPEP+ liderado pela Arábia Saudita e pela Rússia em cortar na produção estão, de novo, a pressionar os preços do petróleo em alta. “O que, depois de um certo atraso, provocará uma subida nos preços do óleo de aquecimento e dos combustíveis na bomba”, refere o economista francês.

Continua a acelerar-se a queda da produtividade na zona euro. No primeiro trimestre, medida em termos reais por hora trabalhada, caiu 0,9% em termos homólogos (em relação ao mesmo trimestre do ano passado), segundo o Eurostat. “Isto é inflacionista, pois uma descida do crescimento da produtividade implica que, para a mesma taxa de crescimento dos salários nominais, a subida do custos unitário do trabalho é superior”, explica Eric Dor.

A desvalorização do euro face ao dólar a que estamos a assistir no segundo semestre também não ajuda. O euro depreciou-se em 1,7% desde o final de junho. “Isto também é inflacionista, pois aumenta o preço em euros das importações cuja cotação é determinada em dólares”, adianta o economista.

Finalmente, a subida dos salários na zona euro no primeiro semestre deste ano está a ter um efeito de aceleração do aumento dos custos unitários de trabalho: o aumento trimestral saltou de 5% entre outubro a dezembro do ano passado para 6,83% entre abril e junho deste ano. No caso de Portugal, o aumento é superior à média da zona euro.

No outro prato da balança, podem elencar-se: o horizonte de franco abrandamento da economia da zona euro (reforçado pela previsão avançada esta segunda-feira por Bruxelas), o aperto monetário acumulado de 425 pontos-base com efeitos já visíveis no recuo do crédito à economia (empresas e famílias), a turbulência bolsista nos últimos três meses (com o índice para a zona euro a cair 5%), particularmente acentuada na Alemanha e nos Países Baixos, e os níveis altos de prémios de risco para a dívida pública de nove economias do euro com spreads acima de 100 pontos-base (1 ponto percentual em relação ao custo de financiar a dívida alemã).
COMO SE VOTA NO CONSELHO DO BCE

O sistema de votações no conselho do BCE é complexo. Há uma regra de rotatividade para o voto mensal para os governadores e presidente dos bancos centrais nacionais. As cinco maiores economias - Alemanha, França, Itália, Espanha e Países Baixos - têm quatro direitos de voto por mês e as restantes 15 - onde se inclui Portugal - podem usar 11 votos por mês. Os membros da comissão executiva votam sempre.

No entanto, as reuniões de política monetária - onde se decidem as taxas de juro e as medidas de aquisição ou venda da carteira de títulos - não são mensais, realizam-se oito vezes por ano, pelo que há uma matriz de votações.

Por exemplo, na reunião de 14 de setembro vota Mário Centeno, do Banco de Portugal, que não votou nas duas reuniões anteriores de junho e julho, mas não vota Joachim Nagel, do banco central alemão. Centeno vota também nas duas últimas reuniões do ano em outubro e dezembro.

9.5.22

Recessão na Alemanha? Produção fabril sofre com a guerra para além do esperado

Bárbara Barbosa, in JE

A invasão russa à Ucrânia teve um impacto muito superior no setor fabril ao que era esperado em março, mesmo antes de a União Europeia propor embargo total à energia russa até ao fim do ano.A Alemanha pode estar a entrar em recessão depois de a produção industrial ter caído 3,9% em março, uma queda três vezes maior do que os economistas estimavam já tendo em conta o efeito da guerra na Ucrânia. O PIB da maior economia europeia está 7,6 pontos percentuais (p.p) abaixo do nível pré-pandemia, avança o “The Telegraph”.

Os valores que estão a alertar os analistas ainda nem têm os efeitos do anúncio do embargo total da União Europeia (UE) à energia russa até ao fim do ano, que só aconteceu recentemente.

“Este é provavelmente o início de uma profunda desaceleração da manufatura que achamos que arrastará toda a economia alemã para a recessão”, disse Andrew Kenningham, da Capital Economics.

Um forte efeito de contágio sentiu-se no setor automotivo, com a produção de veículos a cair 14% em março para 63% do seu nível pré-pandemia. Dados sugerem que a desaceleração piorou em abril. A confiança no setor é a mais baixa desde maio de 2020 enquanto se avizinham problemas crescentes na cadeia de abastecimento. Neste ponto, Carsten Brzeski, do ING Group, prevê uma contração durante o segundo trimestre.

“Os três pilares do bem-sucedido modelo de negócios económicos da Alemanha, exportações, indústria e energia, tornaram-se o calcanhar de Aquiles do país”, acrescentou.

7.7.20

Comissão antecipa recessão mais profunda na UE. Só há quatro países com quebra do PIB maior do que Portugal

Mónica Silvares, in Ecoonline

Comissão Europeia prevê que a zona euro vai sofrer este ano uma contração de 8,7%, para depois crescer 6,1%, em 2021. Já a economia dos 27 terá uma quebra de 8,3% este ano, e crescerá 5,8%, em 2021.

Comissão antecipa recessão mais profunda na UE. Só há quatro países com quebra do PIB maior do que Portugal

Comissão Europeia prevê que a zona euro vai sofrer este ano uma contração de 8,7%, para depois crescer 6,1%, em 2021. Já a economia dos 27 terá uma quebra de 8,3% este ano, e crescerá 5,8%, em 2021.

Uma recessão ainda mais profunda e com divergências ainda maiores entre os Estados membros. Esta é a principal conclusão das previsões de verão da Comissão Europeia, onde é feita a atualização do impacto da pandemia nas economias. Portugal é o quinto país, no conjunto dos 27, com uma quebra mais acentuada do PIB. Pior só mesmo Itália (-11,2%, Espanha (-10,9%), Croácia (-10,8%) e França (-10,6%).

Nas previsões divulgadas esta terça-feira, a Comissão Europeia estima que a zona euro vai sofrer este ano uma contração de 8,7%, para depois crescer 6,1%, em 2021. Já a economia dos 27 terá uma quebra de 8,3% este ano, passando para um crescimento de 5,8% em 2021. Nesta atualização, a Comissão reconhece o seu maior pessimismo face à da primavera já que, “um conjunto de indicadores sugerem que a zona euro funcionou entre 25% a 30% abaixo das suas capacidades durante o período de confinamento“.

Ora foi esse confinamento, essencial para travar a evolução da pandemia de Covid-19, que fez com que a economia europeia tivesse entrado, subitamente em recessão na primeira metade do ano, com “a maior contração registada desde a Segunda Guerra Mundial”. Paolo Gentiloni na apresentação das Previsões de Verão da Comissão Europeia.7 Julho, 2020

Mas os efeitos não foram iguais em todas as economias. Os dados do primeiro trimestre “confirmaram as estimativas iniciais de um impacto económico considerável apesar de as medidas de confinamento terem sido introduzidas apenas em meados de março”. “Os efeitos foram assimétricos nas economias e nas indústrias”, pode ler-se no relatório, que aponta para o acentuar da contração no segundo trimestre, porque o confinamento foi ainda mais severo, com mais países em estado de alerta à medida que a doença se propagava. Em maio as medidas restritivas começaram a ser aliviadas e, em junho os indicadores já apontam para uma recuperação “oferecendo um ponto de partida favorável para uma retoma no terceiro trimestre”.

Mas, a Comissão alerta que os riscos em torno em torna dos previsões de crescimento são muito grandes e estão interligados. A começar com a possibilidade de uma segunda vaga, que poria em causa uma das assunções chave destas Previsões de Verão, passando por uma destruição e postos de trabalho mais intensa e um aumento das falências, são muitos os riscos de uma retoma mais lenta. Sem esquecer a possibilidade de, em 2021, ainda não haver um acordo entre o Reino Unido e a União Europeia.

A Comissão explica ainda que as projeções assentam no pressuposto que os Estados vão continuar a levantar gradualmente as restrições, mas o necessário distanciamento social vai continuar a ter impacto nos setores onde é necessário contacto interpessoal. Por isso, setores como o turismo e o lazer e cultura. No caso específico de Portugal, a Comissão prevê que a aviação e hotéis são exemplos de atividades que vão “permanecer em níveis muito inferiores aos níveis pré-pandemia durante um período mais longo de tempo”. Bruxelas lembra que o número crescente de infeções nos Estados Unidos e nos mercados emergentes acabou por deteriorar as perspetivas de retoma.

Mas também há boas notícias, a proposta da Comissão para o fundo de recuperação “poderá dar um impulso considerável” à economia europeia, em especial em 2021, mas para já, o seu efeito potencial, ainda não foi incorporado nas previsões.

Num relatório que não tem previsões sobre défice ou dívida pública, Bruxelas apenas refere que as medidas de política orçamental e monetária credíveis deverão ajudar a sustentar a retoma e impedir falências e despedimentos mais significativos.

(Notícia atualizada)

27.3.20

Banco de Portugal avisa: País a caminho da pior recessão anual de que há registo

in DN

Destruição de emprego pode ser a mais cavada de que há registo, investimento ficará de rastos, hecatombe nas exportações assumirá proporções nunca vistas, ampliadas pelo colapso no turismo.

economia portuguesa pode mergulhar, neste ano, na pior recessão alguma vez registada, sinalizou ontem o Banco de Portugal (BdP), a primeira instituição oficial a fazer projeções económicas já incorporando a dimensão de crise do coronavírus. É o "cenário adverso", mas que não pode ser de todo excluído, uma vez que a destruição provocada pela pandemia pode ser muito mais ampla no tempo e no espaço e trazer consigo uma eventual tempestade financeira, considera o BdP.

O colapso previsto de 5,7% na atividade económica real (cenário mais grave para 2020) traz consigo más notícias em toda a linha. A destruição de emprego vai ser a mais cavada de que há registo, o investimento ficará de rastos, a hecatombe nas exportações será também a mais aguda das séries. O banco central avisa que o turismo será das atividades mais afetadas; no tecido empresarial, os pequenos negócios serão os mais penalizados, como é costume sempre que há crises e recessões.

O Banco de Portugal fez dois cenários: um de "base", menos destrutivo porque a crise dura menos tempo e as metástases são mais curtas; e outro dito "adverso", como referido.

Resumindo: a economia portuguesa arrisca uma grave recessão neste ano que pode ir de uma quebra de 3,7% a um colapso de 5,7%, projeta o Banco de Portugal, no novo boletim económico de março, divulgado nesta quinta-feira. O nível de desemprego deve regressar para valores claramente acima dos 10% em ambos os cenários traçados.

"A pandemia corresponde a um choque económico adverso com efeitos muito significativos e potencialmente prolongados no tempo em termos do bem-estar dos cidadãos e da atividade das empresas."

Assim, os economistas do banco governado por Carlos Costa avisam que mesmo os dois cenários obtidos não estão garantidos por causa da total incerteza que ensombra os próximos meses. "A incerteza exacerbada e a complexidade que caracterizam este exercício de projeção implicam que não seja possível apresentar um cenário mais provável para a evolução da economia portuguesa." O pior pode muito bem acontecer, avisa.

A economia portuguesa arrisca uma grave recessão neste ano que pode ir de uma quebra de 3,7% a um colapso de 5,7%.

As projeções (as piores e as menos más) até já integram os efeitos de algumas medidas públicas de suporte e de defesa da economia, "procuram ter em consideração o potencial impacto das políticas adotadas pelas autoridades nacionais e europeias em face do choque".

Vai ser sempre mau
No cenário-base, menos agreste, em que as ajudas e os apoios públicos têm um efeito quase imediato no tecido económico e no mercado laboral, a economia afunda 3,7% em termos reais, neste ano. Antes deste boletim e desta crise o BdP projetava um crescimento de 1,7% em 2020.

Aqui, o BdP assume que "o impacto económico da pandemia é relativamente limitado, o que decorre, em parte, da hipótese de que as medidas adotadas pelas autoridades económicas são bem-sucedidas na contenção dos danos sobre a economia".

O emprego recua 3,5% e a taxa de desemprego sobe para 10,1% da população ativa em 2020. "Refira-se que a evolução projetada para o desemprego depende crucialmente da configuração e da magnitude das medidas de política que possam ser implementadas de imediato", acrescenta o banco central.

O consumo das famílias afundará 2,8%, o investimento colapsa 10,8% e as exportações afundam mais de 12%. As importações também devem cair quase 12%.

Cenário adverso, o pior até agora
No cenário mais adverso, a paralisação da atividade é "mais prolongada" em vários países, Portugal incluído, o que levará "a maior destruição de capital e perda de emprego".

O banco aqui também conta com "níveis de turbulência mais significativos nos mercados financeiros". Uma tempestade que pode estar a formar-se agora e rebentar mais tarde.


A recessão "mais profunda" traduz-se numa contração de 5,7% em 2020. Será o maior colapso da economia portuguesa num ano, tendo em conta as séries históricas do Instituto Nacional de Estatística e da Comissão Europeia, que remontam a 1960.

"A taxa de desemprego aumenta mais marcadamente em 2020, para 11,7%." Se assim for estamos a falar do pior registo desde 2015, ainda o desemprego estava a descer do pico, atingido em 2012 (ajustamento da troika).

Se o emprego cair 5,2%, como projeta o BdP no cenário adverso, significa que teremos a maior destruição laboral de que há registos, desde 1960.

O Banco de Portugal expõe as vulnerabilidades concretas do país por causa do perfil da economia.

O consumo privado pode diminuir 4,8% em 2020, até porque a queda do emprego é maior, o desemprego muito superior e as condições financeiras "mais desfavoráveis".


Neste cenário adverso, o investimento colapsa 14,9% em 2020 em relação ao ano passado e assume-se que o mundo entra em recessão. Pior do que isto só em 2012, quando o investimento (fixo) afundou 16,7% (o segundo ano do ajustamento do governo PSD-CDS e da troika).

Neste quadro "de colapso do comércio mundial, a procura externa dirigida à economia portuguesa reduz-se mais significativamente e determina uma queda de cerca de 19,1% das exportações de bens e serviços em 2020". Uma vez mais, esta será a maior quebra das séries longas analisadas. As importações afundam 18,7%.

O Banco de Portugal expõe as vulnerabilidades concretas do país por causa do perfil da economia, muito apoiada no turismo. "A importância do setor do turismo na atividade económica implica uma elevada exposição à redução esperada da procura global deste tipo de serviços, que será muito significativa."

Além disso, um choque desta dimensão "coloca também dificuldades acrescidas ao tecido empresarial, dominado por empresas de pequena dimensão e com situação financeira relativamente frágil".

"Finalmente, a elevada percentagem de famílias perto ou abaixo do limiar de pobreza em Portugal implica uma reduzida margem de absorção do choque perspetivado sobre o rendimento", conclui o banco central, no novo boletim económico.

13.11.13

Descida dos preços é sempre boa? Não

Por Ana Suspiro, in iOnline

Preços em queda dificultam a saída da recessão

A estagnação ou mesmo a queda dos preços é uma boa notícia para os consumidores a curto prazo. No entanto, a manutenção desta tendência preocupa os economistas, porque a economia corre o risco de entrar em deflação. Este quadro, vivido no Japão no final do século passado, leva os agentes económicos, particulares ou empresas, a adiarem decisões de compra ou de investimento, comportamento que agrava o círculo recessivo e é difícil de quebrar.

A tendência é ainda mais grave por se viver em vários países europeus, em particular nos mais afectados por programas de ajustamento e recessão. Dados de Setembro mostram que a inflação homóloga estava abaixo de 1% em nove países da zona euro. Na Grécia, os preços já estão a cair há vários meses. A vizinha Espanha estava nesta situação em Outubro, tal como Portugal.

"Deve notar-se que o comportamento da inflação em Portugal não é dissonante do que acontece no resto da zona euro. Aliás, esse contexto levou o BCE a cortar taxas a semana passada, dados os receios de deflação no futuro", refere a consultora IMF num comentário aos mais recentes dados da inflação. A inflação média deverá continuar a recuar, pelo menos até ao final do ano, reflectindo a estabilidade dos preços internacionais, como o caso do petróleo, e uma fraca dinâmica da procura interna.

Dívida fica maior Por outro lado, a inflação baixa ou negativa prejudica os países mais endividados como Portugal, uma vez que o aumento dos preços reforça a competitividade e permite baixar em termos reais o valor da dívida pública. Outro factor que preocupa o BCE é a perda de um instrumento importante de intervenção na economia como são as taxas directoras.

22.7.13

"Portugal só está ligeiramente melhor que a Grécia"

por Dinheiro Vivo

A publicação The Economist escreve hoje que Portugal e Grécia estão cada vez mais próximos e a provar que a austeridade não funciona.

Num texto em que comparam os dois países, os britânicos traçam um cenário negro em que "o desenho é só um pouco melhor em Portugal" que na Grécia. O título não deixa dúvidas, os dois países estão "nas lonas" juntos.


Como se pode ler, em Portugal "os juros dispararam e as últimas previsões do banco central mostram que a economia vai recuperar timidamente em 2014 depois de três anos de recessão profunda", valores distantes do "revés prometido" pelo Executivo.

Dizem ainda que a "incessante austeridade afastou a coligação de Pedro Passos Coelho, criando uma crise política" em que o Presidente apelou a um pacto de 'salvação nacional'. Mas, como se pode ler, "o fosso entre os partidos da coligação e os Socialistas é tão grande que as possibilidade de alcançarem um acordo na data imposta para 21 de julho é pequena".

Assim, e com uma Grécia que continua a adiar a discussão das reformas exigidas no Parlamento apesar da promessa de rever a posição de 40 mil funcionários públicos, a publicação conclui que "nada contribui para justificar as esperanças de Bruxelas de que Portugal estava a afastar-se com segurança da Grécia e a seguir a Irlanda para terminar o seu programa de ajustamento". O que é cada vez mais certo é que "nenhum dos países parece pronto para dar o salto".

FMI quer «estratégias orçamentais equilibradas» contra a recessão e o desemprego

in Dinheiro Digital

A diretora geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou hoje, no final da reunião do G20, que "a economia global continua demasiado frágil e o desemprego demasiado alto em muitos países", defendendo "estratégias orçamentais equilibradas e credíveis".

"Tivemos discussões construtivas sobre estes temas, incluindo, principalmente, o efeito de contágio das políticas monetárias, as implicações da recente volatilidade dos mercados e a necessidade de estratégias orçamentais equilibradas e credíveis", disse Christine Lagarde no final da reunião que juntou desde quinta-feira as dezanove principais economias e a União Europeia, em Moscovo, sob a presidência rotativa da Rússia.

"Embora haja sinais de fortalecimento da atividade [económica] nos Estados Unidos e no Japão, a recessão na zona euro continua, e muitos mercados emergentes estão a crescer a um ritmo mais lento", acrescentou a responsável.

Christine Lagarde defendeu que a reunião conjunta entre os ministros destes países com as pastas das Finanças e do Emprego, que discutiu os esforços para promover o emprego e a criação de postos de trabalho, "deve ser combinada com políticas laborais e macroeconómicas apropriadas para fomentar a inovação, promover o crescimento e os postos de trabalho de alta qualidade".

Os ministros das Finanças e os governadores dos bancos centrais do G20 decidiram hoje que o crescimento económico e o emprego vão ser os temas prioritários na cimeira que o grupo vai realizar em setembro, na Rússia, em São Petersburgo.

Reunidos hoje em Moscovo, os líderes do G20 decidiram aderir apoiar a retoma de "um crescimento dinâmico”, assim como a criação de “um grande número de postos de trabalho”, refere-se no comunicado final.

Os ministros disseram ainda que vão apoiar o Plano de Ação Internacional direcionado a consolidar o crescimento global, “equilibrado e robusto”, o qual deverá ser aprovado na próxima reunião de São Petersburgo.

Os representantes dos países do G20, reunidos em Moscovo entre quinta-feira e hoje, querem também que as alterações à política monetária, sobretudo norte-americana, sejam cuidadosas e cristalinas, para que não haja perturbações no crescimento dos países emergentes.

Esta posição reflete as preocupações existentes no grupo, perante a reação dos Estados Unidos da América (EUA) a um cenário de recuperação económica, com uma eventual alteração da política monetária que poderá afetar as economias emergentes.

Dinheiro Digital/Lusa

26.6.13

Bruxelas preocupada com "riscos políticos e legais" da austeridade

Daniel do Rosário, em Bruxelas e João Silvestre, in Expresso

Relatório da sétima avaliação da Comissão Europeia alerta governo para a necessidade de uma revisão legal prévia das medidas apresentas para compensar chumbo do Tribunal Constitucional. O objetivo é evitar novas surpresas


A Comissão Europeia avisa para os riscos "políticos e legais" associados às medidas apresentadas pelo governo para compensar o chumbo do Tribunal do Constitucional e aconselha mesmo o executivo a proceder a uma "revisão legal prévia".

Os avisos dos técnicos de Bruxelas estão contidos no relatório da Comissão sobre a sétima missão da troika de avaliação do programa de ajustamento português, divulgado hoje."A implementação atempada e integral das medidas compensatórias (...) será crucial e requere resolução rápida dos potenciais riscos políticos e legais do processo", escreve a direcção-geral da economia e finanças da Comissão.

Mais à frente os especialistas comunitários são mais afirmativos em relação aos "riscos de natureza política e legal" que o pacote apresentado pelo governo enfrenta, nomeadamente "a consistência com a Constituição portuguesa". Por isso, e tendo presente o tempo perdido em ocasiões anteriores, fica a recomendação: "seria importante limitar estes riscos submetendo as propostas susceptíveis de serem contestadas de um ponto de vista constitucional a uma revisão legal prévia".

O défice orçamental de 5,5% do PIB previsto para este ano, depois da revisão da sétima avaliação, depende da completa aplicação das medidas de austeridade, refere a Comissão, e por isso qualquer perturbação complicará o objetivo. Recorde-se que, ontem no Parlamento, Vítor Gaspar revelou que o défice no primeiro trimestre que será revelado sexta-feira pelo INE poderá ter ficado acima de 10% devido à inclusão da injeção de capital público no Banif.

Para atingir as metas orçamentais em 2013 e 2014, o governo terá que avançar com medidas no valor de 4700 milhões de euros (2,8% do PIB), das quais cerca de 1200 milhões já este ano. É nesta parcela que estão algumas das medidas em relação às quais Bruxelas pretende que haja alguma certeza jurídica para evitar novas decisões desfavoráveis do Tribunal Constitucional que chumbou artigos dos Orçamentos do Estado de 2012 e 2013.
Estão em causa, entre outras coisas, diplomas relacionados com a mobilidade especial dos funcionários públicos ou cortes nas pensões através da convergência entre o regime geral com a CGA ou a chamada TSU dos pensionistas.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/bruxelas-preocupada-com-riscos-politicos-e-legais-da-austeridade=f816475#ixzz2XKpuNg25

25.6.13

Recessão e desemprego na Zona Euro vão agravar-se

por Marina Pimentel, in RR

Analistas consideram que a austeridade tem sido mais prejudicial para a economias do que as estimativas iniciais sugeriam. Segundo o relatório de Verão da consultora Ernst & Young, a quebra nas exportações explicam a quebra no crescimento.

A recessão na Zona Euro vai ser este ano maior do que o previsto, revela um estudo da Ernst & Young. A consultora diz que o desemprego vai agravar-se na Europa e conclui que a austeridade foi mais prejudicial para a economia do que o previsto.

É o efeito da quebra nas exportações, resultante em boa parte do arrefecimento dos mercados emergentes, como a China e o Brasil. Estes dois países são mercados-chave para as exportações da Zona Euro e são motores do crescimento global.

Na origem do agravamento da situação económica na Zona Euro, segundo o relatório de Verão, há um segundo factor: o desemprego. Neste momento o número de trabalhadores sem emprego já é de 20 milhões e meio de pessoas. No primeiro trimestre de 2014, a percentagem de desemprego no conjunto dos países do euro será de 12,7%.

Segundo os analistas autores do estudo, este agravamento do desemprego reflecte a fragilidade do ambiente económico externo e o facto de a austeridade ter sido mais prejudicial para a economias do que as estimativas iniciais sugeriam.

A fraqueza do mercado laboral irá reduzir o rendimento familiar e em consequência o consumo ao longo dos próximos três anos.

O consumo privado deve sofrer este ano uma nova contracção, no próximo ano um ligeiro crescimento de 0,5% e em 2015 um modesto 1%.

Ainda assim, este cenário podia mudar. Segundo os autores do estudo, o PIB da Zona Euro poderia crescer 0,7% se as medidas de austeridade fossem reduzidas para metade.

11.6.13

CES: Medidas de consolidação ambiciosas agravam recessão e desemprego

in TSF

O CES diz que «medidas de consolidação orçamental demasiado ambiciosas», como o aumento de impostos em 2013, podem agravar a recessão e o desemprego.

«Medidas de consolidação orçamental demasiado ambiciosas como foi o aumento de impostos para 2013 podem afinal ser relativamente menos eficazes nos resultados que produzem sobre as finanças públicas, para além de agravarem a recessão económica e o desemprego», diz o Conselho Económico e Social (CES) num projeto de parecer sobre o Orçamento Retificativo para 2013, a que a agência Lusa teve acesso.

No documento, o CES considera que o Orçamento Retificativo «demonstra de forma evidente as dificuldades de se avançar na redução do défice das finanças públicas em situação de recessão da atividade económica».

O projeto de parecer, elaborado pelo conselheiro João Ferreira do Amaral, refere que no final de 2012 as expectativas sobre a evolução económica para 2013 eram de «manutenção de uma evolução recessiva da atividade económica conjugada com um significativo aumento do desemprego».

«Estas expectativas confirmaram-se durante o primeiro semestre do corrente ano, o que leva a que algumas das medidas de redução do défice orçamental previstas no Orçamento de Estado para 2013 (OE 2013), em particular o aumento dos impostos, venham a perder eficácia e a induzirem um maior agravamento da situação económica», considera.

De acordo com a primeira versão do parecer, que vai ser discutido na sexta-feira pelos parceiros sociais, é possível atribuir ao efeito recessivo adicional um impacto negativo sobre as finanças públicas de 1.865 milhões de euros (cerca de 1,1% do Produto Interno Bruto).

«Os efeitos decorrentes do agravamento da recessão relativamente à prevista no OE 2013 são, assim, largamente superiores ao valor da reposição do subsídio de férias ao pessoal do setor público e aos pensionistas decorrente da decisão do Tribunal Constitucional, valor que atinge 1.274 milhões de euros», refere o documento.

O CES considera ainda que se pode estar perante uma situação em que as medidas de redução do défice previstas no OE 2013, do lado das receitas, produzem um efeito muito aquém do previsto e, devido ao corte no poder de compra que causam, agravam a recessão económica, tornando mais difícil a consolidação orçamental.

Por isso, o CES «assinala com preocupação que as cada vez maiores dificuldades em se obter resultados de consolidação orçamental, acompanhadas pelos efeitos recessivos que as respetivas medidas provocam, levam a um aumento continuado do peso da dívida pública no PIB [Produto Interno Bruto]».

Desta vez os elementos do CES vão ter apenas uma reunião, na sexta-feira, para discutir o projeto de parecer que vão emitir.

O parecer será votado em plenário no dia 12.

15.5.13

Economia portuguesa recua 3,9% no 1.º trimestre face a 2012

in Jornal de Notícias

A economia portuguesa registou uma queda de 3,9% no primeiro trimestre de 2013 em relação a igual período do ano passado, segundo a primeira estimativa das contas nacionais trimestrais divulgadas, esta quarta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística. É a terceira maior queda entre os Estados-membros da União Europeia.

Esta queda do Produto Interno Bruto (PIB) revela uma aceleração da degradação da economia já que no último trimestre de 2012 a economia tinha registado uma queda de 3,8% face aos últimos três meses de 2011.

Em termos de variação em cadeia, os dados mostram que a economia portuguesa recuou 0,3% face ao último trimestre do ano passado, quando no último trimestre do ano passado tinha recuado 1,8% face ao trimestre imediatamente anterior.

Nas previsões da primavera da Comissão Europeia, divulgadas a 3 de maio, era esperado que a economia portuguesa recuasse 0,1% no primeiro trimestre de 2013 face ao quarto timestre de 2012 e 3,7% face a igual trimestre de 2012. Em ambos os casos, os dados revelados na estimativa rápida do INE revelaram-se ligeiramente piores do que as previsões da Comissão Europeia.

Os dados divulgados pelo INE permitem ainda verificar que a última vez que a economia teve um desempenho tão negativo ocorreu no primeiro trimestre de 2009, com uma queda homóloga de 4,1%, sendo que no conjunto desse ano, a economia nacional recuou 2,9%.

Para 2013, as previsões do Governo e da troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) apontam para um recuo do PIB de 2,3%.

"De acordo com a estimativa rápida das Contas Nacionais Trimestrais, o PIB registou, em termos homólogos, uma diminuição de 3,9% em volume no 1.º trimestre de 2013 (variação de -3,8% no trimestre anterior)", lê-se no destaque divulgado pelo INE.

Segundo o mesmo documento, a justificar esta evolução da economia esteve o contributo "mais negativo" da procura interna "em resultado da diminuição mais acentuada do investimento", com destaque para o comportamento do investimento em construção. Em sentido oposto, sublinha o INE, esteve a procura externa, cujo "contributo positivo (...) aumentou, refletindo principalmente a redução mais intensa das importações de Bens e Serviços".

A confirmarem-se os resultados, o primeiro trimestre de 2013 será o nono trimestre consecutivo de queda do PIB em termos homólogos. O primeiro ocorreu nos três primeiros meses de 2011, com a economia a recuar 0,4%.

Economia da Zona Euro recua

A divulgação dos dados para a economia ocorreram no mesmo dia em que o Eurostat, o órgão estatístico da União Europeia (UE), divulgou as mesmas estimativas para os países da UE e da zona euro.

Segundo o documento divulgado em Bruxelas, a economia da zona euro voltou a encolher no primeiro trimestre deste ano, com o PIB a cair 0,2% em relação aos três meses anteriores.

De acordo com esta estimativa rápida, o PIB do conjunto dos 27 Estados-membros recuou 0,1% no mesmo período.

No quarto trimestre de 2012, o PIB da zona euro havia recuado 0,6% e o da UE 0,5%.

A queda do PIB registada em Portugal em termos homólogos foi apenas superada pelas verificadas na Grécia (-5,3%) e por Chipre (-4,1%).

6.5.13

Recessão económica e desemprego em Portugal mais graves do que o previsto

Isabel Arriaga e Cunha (Bruxelas), in Público on-line

Desemprego a atingir 18,5% em 2014 e contracção nos destinos de exportação contribuem para nuvens mais negras.

A Comissão Europeia voltou esta sexta-feira a rever em baixa as previsões para a economia portuguesa, antevendo agora uma contracção do PIB de 2,3% em vez dos 1,9% esperados em Fevereiro.

Este maior pessimismo nas previsões resulta da deterioração do mercado de trabalho – com o desemprego a subir para 18,2% da população activa este ano e 18,5% em 2014 – e dos desenvolvimentos negativos nos mercados destinatários das exportações portuguesas.

Para 2014, Bruxelas antevê um crescimento positivo de 0,6%, em resultado da "retoma gradual" da actividade económica que é esperada por volta do fim do ano, sob o impulso das exportações, do investimento e da inversão da tendência do consumo privado. A confirmar-se esta previsão, 2014 será o primeiro ano de crescimento positivo da economia, depois de três anos seguidos de recessão.

Segundo a Comissão, a transição para um crescimento económico mais assente nas exportações está a fazer-se a bom ritmo, de tal forma que a balança corrente deverá ser positiva em 2013 e pela primeira vez em "mais de 40 anos". Bruxelas salienta, no entanto, que as suas previsões voltam a ser marcadas por riscos negativos, como sucedeu, aliás, nos anos anteriores, em que a contracção do PIB foi muito além do esperado.

Os riscos agora resultam nomeadamente das economias que o país terá de efectuar para compensar o chumbo pelo Tribunal Constitucional, no início de Abril, de várias normas do Orçamento do Estado para este ano, no valor de 1326 milhões de euros (0,8% do PIB). A retoma está igualmente dependente dos "desenvolvimentos" que "permanecem frágeis" na frente comercial e dos mercados financeiros. A reforçar os riscos que pesam sobre as previsões, Bruxelas reconhece que eventuais "tensões na zona euro têm o potencial de afectar Portugal" pela via comercial, dos mercados financeiros e da confiança.

A nota positiva, afirma a Comissão, é que o facto de Portugal ter vindo a recuperar gradualmente o acesso ao mercado para se financiar poderá melhorar as condições do crédito para o sector privado.

O défice orçamental em Portugal será de 5,5% do PIB este ano e de 4% em 2014, tal como o previsto no programa de ajustamento revisto que acompanha o pacote de assistência financeira da zona euro e FMI. Estas previsões poderão, no entanto, agravar-se em caso de "inesperada deterioração do ambiente macroeconómico" ou de eventual inadequação de algumas medidas de corte das despesas à luz do último acórdão do Tribunal Constitucional.

Para a zona euro, Bruxelas prevê um crescimento negativo de 0,4%, que se segue a uma contracção do PIB de 0,6% no ano passado. Para o conjunto da União Europeia (UE) a recessão será mais suave, de 0,1% este ano, depois de menos 0,3% em 2012.

A taxa de desemprego continuará a subir para 12,2% da população activa na zona euro (contra 11,4% em 2012) e para 11,1% na UE (10,5% em 2012).

27.3.13

Corte na despesa deixa Portugal em estagnação no próximo ano

João Silvestre, in Expresso

O Banco de Portugal conclui que o crescimento será de apenas 0,3%. Basta que as exportações abrandem para cair na recessão.

Tiago Miranda O resultado do Banco de Portugal, liderado por Carlos Costa, deve ser lido com algumas cautelas já que foi obtido com base em hipóteses

Um corte na despesa de 2500 milhões de euros, repartidos em partes iguais entre salários e prestações sociais, reduz a previsão de crescimento em 2014 de 1,1% para 0,3%.

Os cálculos são do Banco de Portugal (BdP) que, embora não incorpore medidas que não estão suficientemente detalhadas e aprovadas nas suas previsões, decidiu agora avaliar o impacto dos cortes na despesa.

Este corte de 1,5% do PIB deixa a economia praticamente estagnada e pode facilmente cair novamente na recessão caso as exportações cresçam menos. O BdP calcula que cada ponto percentual a menos de crescimento das exportações - que o banco espera que seja de 4,3% - reduza o crescimento em 0,2 pontos percentuais.

Estes resultados devem ser lidos com algumas cautelas já que foi obtido com base em hipóteses e não com base em medidas concretas. Basta que repartição dos cortes seja diferente ou que iguais cortes sejam obtidos de forma diferente (com diferentes alterações em termos nominais e reais), para que os efeitos sejam diferentes.

26.3.13

Governo admite desemprego acima dos 18% durante 3 anos

por Luís Reis Ribeiro, in Dinheiro Vivo

Vítor Gaspar e Pedro Passos Coelho, ministro das Finanças e primeiro-ministro de PortugalO desemprego recorde veio para ficar, anda a dizer o Governo aos investidores internacionais a quem está a tentar vender dívida pública. A respetiva taxa ficará acima de 18% da população ativa até 2015, inclusive. Ou seja, o país terá cerca de um milhão de desempregados durante este período, pelo menos.

O cenário macroeconómico completo que saiu da sétima avaliação da troika a Portugal, disponível na nova apresentação do IGCP (Agência da Dívida Pública) a investidores, mostra que a economia vai marcar passo nos próximos anos. Depois de três anos consecutivos de recessão, a retoma virá muito fraca: 0,6% de aumento do produto interno bruto (PIB) em 2014 e 1,5% em 2015.

O desemprego, que Vítor Gaspar descreve como sendo “um flagelo pessoal, familiar e social” e “uma das experiências mais traumáticas que alguém pode ter”, não vai aliviar para níveis pré-ajustamento da troika.

Segundo o novo cenário, o peso das pessoas sem trabalho no total de ativos chegará a 18,2% este ano, a 18,5% no próximo e a 18,1% em 2015, num contexto de fraca recuperação da variável que mais podia ajudar a aliviar a crise do mercado de trabalho: o investimento, que em termos reais acumulados irá cair 45% de 2008 a 2013, apenas vai subir 2,5% em 2014 e 5,4% no ano seguinte.

As exportações, o “motor da economia portuguesa”, vão estagnar este ano. Em 2014, o Governo conta com mais 4,4% de vendas ao exterior e com mais 4,7% em 2015.

Do lado do Estado, o contributo para a dinâmica da economia será sempre negativo: o consumo público (os gastos correntes do sector público, como remunerações, despesas com consumíveis e prestações de serviços) continuará a ter um impacto prejudicial na retoma: este ano cai 2,6%, no próximo 2% e em 2015 recuará 1,9%.

Finalmente, o consumo das famílias. A inversão da tendência negativa acontece em 2014, mas com significado mínimo. Neste ano sobe 0,1%; em 2015 apenas 0,9% em termos reais.

Na nova apresentação a investidores (86 páginas, em pdf), o IGCP também passa em revista alguns dos “sucessos” do programa de ajustamento. “As reformas dos mercados de trabalho e de produto combinadas podem ter um impacto positivo no PIB per capita de 6% no médio prazo”, lê-se no documento. Se em cinco anos pode existir esta retoma, dentro de dez o efeito deverá ser ainda maior: “14%” de subida na riqueza por habitante.

A apresentação não se debruça sobre as elevadas incertezas que envolvem os atuais exercícios de projeção, que tanto surpreenderam FMI, Comissão Europeia e Governo (no caso da explosão do desemprego, segundo referiram estas autoridades).

A única menção ao risco que paira sobre o ajustamento do sector público tem a ver com a dívida das empresas públicas que ainda falta assumir no rácio oficial que já vai em 123% do PIB.

Para a agência do governo, apesar de existirem ainda 9,6% do PIB (cerca de 16 mil milhões de euros) em dívida fora do menu, o risco é “reduzido” já que “um número significativo de empresas públicas fora do perímetro orçamental vão ser vendidas no âmbito do programa de privatizações”. É o caso da Parpública, do grupo CP e do grupo Águas de Portugal, só para citar os casos mais relevantes.

O presidente do IGCP, João Moreira Rato, e a secretária de estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, viajam esta semana pela Europa para vender o lado bom da economia e dívida pública a investidores estrangeiros. O ministro das Finanças está a fazer o mesmo, mas nos Estados Unidos.

12.3.13

A pobreza pode acordar os demónios

in Jornal de Notícias

Portugal é uma das peças de um dominó europeu cada vez mais desconjuntado. A postura ao tipo "orgulhosamente sós" não faz nenhum sentido e, por isso, não obstante a economia e as finanças nacionais estarem de pantanas e redundarem em mais e mais empobrecimento e flagelo social dos portugueses, manda o bom senso proceder a uma análise interdependente.

Bem acentuada nos números ontem divulgados pelo INE e de acordo com os quais o PIB retrocedeu 3,6%, qualquer coisa como 5 mil milhões de euros, valor superior aos cortes estruturais a marinar, a desgraça portuguesa é preocupante - mas não é única. Sob o jugo de uns eurocratas bem mandados pela capataz alemã, toda a Europa do Sul regride e ao reforço do contingente de mais pobres e mais desempregados só a teimosia e a ignorância não são capazes de perceber: como uma metástase, a crise e a convulsão social tende a espalhar-se e a afetar a (ir)racionalidade dos chamados países ricos.

Tão correto como considerar que pior do que um cego é aquele que não quer ver é também admitir mudanças seguindo o prisma segundo o qual só os burros não mudam de ideias....

Os perigos de implosão da atual Europa avolumam-se - e não se ficam, sequer, pelas sucessivas derrotas dos tecnocratas impostos à Democracia e dos quais o afamado Mario Monti é o mais recente espécimen.

Por se tratar de um especialista em flic-flac, será imprudente valorizar demasiado a carta enviada pelo presidente da Comissão Europeia aos líderes europeus em vésperas de mais uma cimeira. Registe-se, porém, a sua tese de solicitação de mais "reformas estruturais", pedindo atenção às "consequências sociais" da atual crise. Os níveis recordes de desemprego em vários países levam Durão Barroso a enfatizar, entre outras políticas, a necessidade de reforço de decisões que levem à competitividade da economia para que se combata sobretudo a falta de trabalho para os jovens (23,6% na UE, 38,6% em Portugal).

Assim como assim, dispondo os jovens de mais sangue na guelra, terá sido por medo deles que Jean-Claude Junker, em entrevista à revista alemã "Der Spiegel, deixou um alerta para uma eventual guerra no velho continente? Para o ex-líder do Eurogrupo "quem acredita que a eterna questão da guerra e paz na Europa não pode voltar a ocorrer está completamente errado. Os demónios não desapareceram, estão apenas adormecidos".

É avisada a posição de Juncker. Se os líderes europeus persistirem em tratar as pessoas como meros números os tais demónios podem acordar. Será uma chatice. Mas Juncker, uma nódoa de influência nos eurocratas, bem pode juntar-se a outras personalidades, como Cavaco Silva, e clamar por entre uns tiritos: "Eu bem avisei". Já ninguém os ouvirá mas, enfim...

25.2.13

Mais recessão, mais desemprego e mais défice marcam sétima avaliação da troika

in Jornal de Notícias

As equipas da troika começam, esta segunda-feira, a discutir com o Governo a sétima avaliação do programa sob a perspetiva de uma recessão mais profunda, mais desemprego e um défice mais elevado que o acordado.

Quando Portugal pediu ajuda financeira ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Bruxelas, em abril de 2011, as condições de financiamento da República tinham-se tornado insustentáveis e os indicadores económicos apontavam já para uma deterioração generalizada da economia, mas nem as previsões mais pessimistas da 'troika' na altura anteviam o que veio a acontecer.

PIB

- Portugal fechou o ano de 2010 com um crescimento económico de 1,9% do Produto Interno Bruto, um valor influenciado por gastos excessivos da parte do setor público que acabaram por pesar no défice orçamental e no nível de dívida pública.

- Em 2012 a recessão atingiu os 3,2% de acordo com os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística, o segundo pior resultado na história da economia portuguesa desde que existem dados. Pior só em 1975.

Desemprego

- Em 2010 os dados do INE apontavam para uma taxa de desemprego nos 10,8%, em média anual, e 11,1% no último trimestre do ano. Entre os jovens (dos 15 aos 24 anos) a taxa de desemprego era já de 22,4%.

- Os mais recentes dados furam todas as previsões, até as mais recentes. Segundo o INE, a taxa de desemprego em média anual ficou nos 15,7% em 2012, no quarto trimestre o desemprego bateu novos máximos históricos chegando aos 16,9% e o desemprego jovem atingiu os 37,7%. A previsão feita no início do programa esperava que o desemprego fosse no máximo até aos 13%.

Défice externo

- Em 2010 o défice externo atingiu os 8,4% do PIB, o que é já uma redução face aos valores superiores a 10% que se registaram em 2009. As exportações terão crescido 8,8%.

- Em 2012 a expectativa é que se atinja um défice externo de 1,1%, naquela que tem sido a parte do ajustamento que melhor tem corrido às autoridades portuguesas, devido sobretudo a uma queda nas importações, numa altura em que o aumento esperado das exportações começa a dar sinais de fraqueza. A previsão ainda é de 4,3% mas já se notou um abrandamento no ritmo de saídas no final do ano.

Défice orçamental

- Em 2010 o défice orçamental terminou o ano nos 8,8% do PIB, um dos valores mais altos de sempre, mas que também se tratava de uma redução face aos mais de 10% registados no ano anterior.

- Em 2012 o resultado só deverá ser confirmado com a primeira notificação do ano enviada a Bruxelas ao abrigo do Procedimento dos Défices Excessivos. A maior incerteza deve-se à classificação que o Eurostat irá dar à operação de concessão da gestora dos aeroportos portugueses, a ANA, mas existem outras dúvidas. A meta é 5%, revista de 4,5% no final do ano passado com a 'troika'.

Dívida Pública

- Em 2010, depois de alguns anos a subir de forma acentuada, o rácio de dívida pública de acordo com os critérios de Maastricht terá fechado o ano nos 93,5%.

- Em 2012, se as contas anteriores do Governo e da 'troika' estiverem certas a dívida pública deverá atingir os 120% do PIB, mais 26,5% pontos percentuais do PIB em apenas dois anos, fruto também do valor do PIB usado para calcular esta taxa ser mais baixo depois de dois anos de forte recessão.

Crédito às famílias e empresas

- As imposições da 'troika' de os bancos reduzirem o seu endividamento e aumentarem os capitais próprios, a que se juntou o fecho dos mercados de financiamento, levou a uma forte queda do financiamento à economia desde o pedido de ajuda externa.

- As empresas foram quem mais sentiu constrangimentos. Entre abril de 2011 e dezembro de 2012, os empréstimos caíram 11.582 milhões de euros ou 9,89%, tendo o crédito às empresas fechado o ano passado nos 105.479 milhões de euros.

- Já o crédito aos particulares reduziu-se em quase 8.000 milhões de euros ou 5,615%, tendo-se fixado em dezembro nos 134.020 milhões de euros, depois de 10 meses consecutivos de queda. A maior redução em termos absolutos foi no crédito à habitação, que caiu cerca de 4.800 milhões de euros. No entanto, a variação percentual negativa de 4,19% fica abaixo da queda de 9,06% do crédito a outros fins (10.975 milhões de euros em dezembro de 2012, menos 1.093 milhões de euros do que em abril de 2011) e 13,45% nos empréstimos ao consumo (13.372 milhões de euros em dezembro, menos 2.078 milhões de euros).

24.1.13

Portugal arrastado pela recessão na zona euro

por Luís Reis Ribeiro, in Dinheiro Vivo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) acaba da lançar um alerta laranja relativamente à economia da zona euro e, indiretamente, um aviso sério a Portugal este ano, quando já se perfila um agravamento da recessão. O Banco de Portugal diz que vai ter o dobro da violência prevista até agora pelo Governo.

A atualização do World Economic Outlook (relatório das perspetivas económicas mundiais), que acaba de ser divulgada, indica que a região da moeda única vai ter uma recessão de 0,2% este ano, o que coloca uma pressão negativa enorme sobre a recessão desde já prevista para Portugal este ano.

Espanha, o principal parceiro comercial e de investimento de Portugal, também sai pior no retrato: o FMI projeta uma recessão de 1,5%, menos uma décima face a outubro. A Alemanha, a maior economia do euro, está à beira da estagnação: deve crescer apenas 0,6% quando antes se apontava para 0,9%. França, o segundo maior mercado, deverá crescer só 0,3%.

O crescimento mundial continua a perder gás (cerca de 3,5%, menos uma décima do que há três meses). A zona euro é a economia avançada mais penalizada nesta revisão; os Estados Unidos também foram beliscados: crescerão 2%, menos uma décima face à previsão anterior.

A nota do FMI traz vários avisos específicos à Europa. "Na área do euro, o regresso da recuperação depois de uma contração prolongada está adiada". "Os riscos negativos continuam a ser significativos, incluindo retrocessos renovados na zona euro e riscos de uma consolidação orçamental de curto prazo excessiva nos Estados Unidos".

E insiste: "A zona euro continua a colocar riscos negativos grandes para as perspetivas globais. Em particular, os riscos de estagnação prolongada na zona euro irão aumentar no conjunto da zona euro se o ritmo das reformas não for mantido".

E avisa que os mais ricos devem ajudar os mais pobres, apesar de pugnar por um aprofundamento do ajustamento. "Os esforços de ajustamento dos países da periferia [Portugal, Grécia, Irlanda, Espanha] precisam de ser sustentados e têm de ser suportados pelos países do centro, incluindo através do desenvolvimento completo dos mecanismos de proteção europeus, a utilização da flexibilidade oferecida pelo Compacto Orçamental [Fiscal Compact] e novos passos na direção de uma união bancária completa e de uma maior integração orçamental".

No passado dia 15, o Banco de Portugal apresentou uma previsão de recessão de 1,9% para Portugal este ano (Governo, Bruxelas e FMI esperam -1%), que justificou com o facto de a procura interna dever evoluir pior do que esperado por causa do processo de ajustamento e com a forte revisão em baixa do ritmo de atividade da zona euro feita pelo BCE em dezembro.

O BCE previu uma contração em redor dos 0,3% na zona euro quando antes acreditava num ligeiro aumento da atividade. O BdP fez a ligação que faltava, integrando nas suas contas o novo cenário externo.

No boletim de inverno, reparou que "as atuais hipóteses traduzem uma revisão em baixa muito significativa do crescimento da procura externa em 2013 (cerca de 2 pontos percentuais) face ao considerado no boletim económico do outono". E que "a desaceleração em 2013 traduz um forte abrandamento da atividade nas economias da área do euro, que representam cerca de 2/3 dos mercados de destino das exportações portuguesas, não obstante a manutenção de um crescimento robusto nas economias de mercado emergentes", observou o banco governado por Carlos Costa.

17.1.13

ONU alerta para nova recessão mundial se crise do emprego não for resolvida

in Jornal de Notícias

A ONU alertou, esta quinta-feira, para o "grave risco de uma nova recessão" se não forem adotadas medidas de combate ao aumento do desemprego no mundo e manteve a sua revisão em baixa das previsões de crescimento económico.

O diretor do relatório da ONU sobre a "Situação e Perspetivas da Economia Mundial 2013", Rob Vos, afirmou que o "agravamento da crise na zona euro, o abismo orçamental nos Estados Unidos e um abrandamento brusco da economia chinesa poderão causar uma nova recessão global" e salientou que "cada um desses riscos poderá causar perdas produtivas globais entre 1 e 3 %".

A ONU considera que as atuais políticas económicas baseadas na austeridade fiscal e nos cortes orçamentais "não conseguem oferecer o que é necessário para incentivar a recuperação económica e conter a crise do emprego".

"Apesar de os esforços terem sido significativos, especialmente na zona euro, a combinação de austeridade orçamental e de políticas monetárias expansivas teve um êxito desigual na hora de acalmar os mercados financeiros e menor êxito teve na hora de fortalecer o crescimento económico e a criação de emprego", refere o relatório.

A ONU defende então a alteração da estratégia em prol de políticas de consolidação orçamental a médio prazo, e não a curto prazo, num "esforço que deve ser coordenado a nível internacional e alinhado com políticas de criação de emprego e de crescimento sustentável".

Os especialistas das Nações Unidas consideram que a "economia mundial debilitou-se consideravelmente em 2012" e que a expetativa é que continue "deprimida nos próximos dois anos", mantendo a previsão de crescimento de 2,4 % para 2013 e de 3,2 % para 2014.

O relatório destaca que estas taxas de crescimento estão muito longe de contrariar a crise laboral que vários países enfrentam e alerta que, com as atuais políticas económicas, a "Europa e os Estados Unidos poderão demorar outros cinco anos a recuperar os empregos perdidos por causa da 'grande recessão' de 2008 e 2009".

A ONU considera que a debilidade das economias dos países desenvolvidos é a principal causa do abrandamento económico, principalmente dos países europeus, que enfrentam um "círculo vicioso de altas taxas de desemprego, fragilidade do setor financeiro, riscos soberanos crescentes, austeridade fiscal e baixo crescimento".

A recessão em várias economias da zona euro, o abrandamento económico dos Estados Unidos e a deflação no Japão "estão a afetar os países em desenvolvimento, através de uma procura mais débil das suas exportações e de uma maior volatilidade nos fluxos de capital e nos preços das matérias-primas", aponta o relatório.

A ONU manifestou a sua preocupação com a situação das principais economias em desenvolvimento, como a China, que "enfrentam um enfraquecimento da procura de investimento por causa das limitações financeiras em alguns setores da economia e de um excesso de capacidade de produção noutros".

A ONU prevê um crescimento na zona euro de 0,3 % em 2013 e de 1,4 % em 2014, nos Estados Unidos de 1,7 % em 2013 e de 2,7 % em 2014, no Japão de 0,6 % este ano e de 0,8 % no próximo e na China de 7,9 % em 2013 e de 8 % em 2014.

2.1.13

"Temos urgentemente de pôr cobro a esta espiral recessiva"

in Jornal de Notícias

O presidente da República, Cavaco Silva, defendeu, este terça-feira, que é preciso "urgentemente pôr cobro" à "espiral recessiva" que Portugal vive e "concentrar esforços" no crescimento económico, senão "de pouco valerá o sacrifício" dos portugueses.

Na habitual mensagem de Ano Novo, Cavaco disse ser necessário "trabalhar para unir os portugueses e não dividi-los", porque "são muitos, e cada vez mais, os que se interrogam sobre a razão dos sacrifícios que lhes são exigidos e se esses sacrifícios serão realmente necessários e úteis".

"Precisamos de recuperar a confiança dos portugueses, não basta recuperar a confiança externa dos nossos credores (...) Os cidadãos anseiam saber se vale a pena o esforço que estão a fazer e se, no final, o país chegará a bom porto", observou o chefe de Estado.

Aníbal Cavaco Silva assinalou que em 2012 "muitas famílias foram obrigadas a reduzir as suas despesas do dia-a-dia, mesmo em bens essenciais a uma vida digna" e que "muitas pequenas e médias empresas encerraram as suas portas" e deixou alertas sobre "o coração das dificuldades" e o "problema fulcral" do país, a falta de crescimento económico.

"Temos urgentemente de pôr cobro a esta espiral recessiva, em que a redução drástica da procura leva ao encerramento de empresas e ao agravamento do desemprego", advertiu o Presidente.

Cavaco considerou "essencial que todos compreendam" que as dificuldades de Portugal "derivam do nível insustentável da dívida do Estado e do país" que é preciso corrigir, através do programa de assistência financeira "negociado pelo Governo anterior" [do PS].

No entanto, sublinhou, não se pode "ignorar que em 2012 ficou claro que um processo de redução do desequilíbrio das contas públicas acompanhado de um crescimento económico negativo tende a tornar-se socialmente insustentável".

"O próprio objetivo de equilíbrio das contas públicas torna-se mais difícil de alcançar, porque a austeridade orçamental conduz à queda da produção e à obtenção de menor receita fiscal, segue-se mais austeridade para alcançar as metas do défice, o que leva a novas quedas da produção e assim sucessivamente. É um círculo vicioso que temos de interromper", afirmou.

Por outro lado, o presidente da República referiu que a economia portuguesa "tem sofrido impactos muito negativos vindos do exterior", que "estão fora do seu controlo e não foram previstos" e defendeu que Portugal deve exigir aos parceiros europeus melhores condições.

"As nossas empresas pagam pelos empréstimos taxas de juro muito superiores às suas congéneres da União Europeia. Temos argumentos, e devemos usá-los com firmeza, para exigir o apoio dos nossos parceiros europeus, de modo a conseguir um equilíbrio mais harmonioso entre o programa de consolidação orçamental e o crescimento económico", declarou.

Neste contexto, o chefe do Estado disse que é do interesse de Portugal, "mas também do interesse da União Europeia, que a coesão e a solidariedade não sejam meras palavras de circunstância".

No discurso de Ano Novo, Cavaco aponta 2013 como "um ano difícil", mas que pode ser também "um ano em que se comece a alterar a tendência negativa que se verifica na produção nacional e no emprego" e "em que o clima de confiança melhore e o investimento das empresas comece a crescer".

"Desejo que, com sentido patriótico, e a pensar acima de tudo nos portugueses, o Governo, as forças políticas e os parceiros sociais trabalhem ativamente para que, já em 2013, se inicie um ciclo de crescimento da economia. Se todos fizerem bem o que lhes compete, é possível que o crescimento seja uma realidade no ano que agora começa", disse.

O presidente da República apontou depois vários exemplos que mostram que Portugal é "um destino com grandes potencialidades" de investimento e com empresários de "espírito inovador" que "exportam aquilo que produzem e que devem ser incentivados pelas entidades públicas e apoiados pelo sistema bancário", deixando elogios à concertação social.

"Os parceiros sociais, com quem tenho dialogado frequentemente, demonstram possuir uma visão realista e moderna das relações empresariais e laborais, e estão preparados para responder às exigências dos tempos que vivemos", afirmou.

6.12.12

"A austeridade está a asfixiar Portugal"

por Luís Reis Ribeiro, in Dinheiro Vivo

"A austeridade só não é suficiente para resolver a crise. A austeridade asfixia as economias e em Portugal isto já está a acontecer", alertou hoje o antigo chanceler alemão, Gerhard Schröder.

O ex-chefe de Estado, do SPD (centro-esquerda), foi o orador principal da 15ª conferência da consultora Cunha Vaz, em Lisboa. Na intervenção fez eco das palavras do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, que defendeu a primazia das políticas voltadas para o crescimento e uma menor ênfase na austeridade.

Schröder lembrou que a pressão sobre as contas públicas também se deve aos erros passados do sector financeiro.

"É preciso lançar programas para o crescimento. As receitas com a taxa sobre as transações financeiras, que eu apoio, deve servir para financiar essa estratégia. Parece-me razoável que os que causaram a atual crise contribuam agora para a recuperação", disse o advogado a uma plateia com banqueiros e muitos profissionais do sector financeiro.

O ex-chanceler insistiu que os Orçamentos dos Estado ficaram "sobrecarregados com o impacto da crise financeira" e enumerou que são necessárias mais reformas em países como Portugal, como aquelas que a Alemanha fez no período de 2000 a 2005 (agenda 2010), sob o governo do próprio Schröder.

"Essas reformas lançaram as fundações do atual crescimento económico da Alemanha". "A inovação, a modernização produtiva, a orientação da Alemanha para a indústria e para as pequenas e média empresas é algo de crucial nesta agenda", disse.

"A existência de acordos salariais flexíveis e de moderação salarial" e "a capacidade de manter trabalhadores qualificados nas empresas mesmo em tempo de recessão" foram outros aspetos realçados pelo alemão.

Schröder falou ainda do "impacto do envelhecimento demográfico nos sistemas de Segurança Social". "É preciso um reajustamento dos sistemas. Na Alemanha subiu-se a idade legal de reforma para os 67 anos", exemplificou.