in SicNotícias
A ONU reconheceu esta terça-feira, no apelo humanitário global para 2019, que quase toda a população do Iémen precisa de ajuda e proteção, estando à beira da fome,De acordo com estimativas da ONU, quase 80% da população (agora cifrada em cerca de 25 milhões de pessoas) precisa de alguma forma de proteção e de assistência humanitária.
Mark Lowcock, sub-secretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, afirmou esta terça-feira, numa conferência de imprensa em Genebra, para apresentação do plano humanitário global para 2019, que “O país com maiores problemas em 2019 será o Iémen".
A Fome em todo o país
A ONU considera que "o Iémen nunca esteve tão perto da fome", depositando esperança nas negociações de paz marcadas para esta semana na Suécia, que procurarão uma solução para um conflito que já tem quatro anos e que matou milhares de pessoas.
Em todo o país, 18 milhões de pessoas estão em situação de "insegurança alimentar", dos quais 8,4 milhões sofrem de "fome extrema", segundo um relatório da ONU.
Se as negociações de paz em Estocolmo tiverem sucesso, "é possível que no segundo semestre do próximo ano" os iemenitas possam ver o seu sofrimento reduzido, afirmou Mark Lowcock.
A ONU diz que precisa de quatro mil milhões de dólares (cerca de 3,5 mil milhões de euros), para ajudar 15 milhões de pessoas no Iémen, ao longo do próximo ano.
O Conflito militar
O confito no Iémen opõe os Houthis, alinhados com o Irão, contra as outras forças iemenitas apoiadas por uma coligação leal ao Presidente Abd-Rabbu Hadi, liderada pela Arábia Saudita e pelos Estados Unidos.
Desde a intervenção da coligação militar sob comando saudita, os combates já mataram cerca de dez mil pessoas e feriram mais de 56 mil, segundo a Organização Mundial de Saúde.
Mas as organizações não-governamentais acreditam que o número real de vítimas diretas e indiretas será muito maior.
A insegurança na região de Hodeida, por onde passa 70% da ajuda do Programa Alimentar Mundial, tem deteriorado a situação humanitária no Iémen.
Mostrar mensagens com a etiqueta Guerra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Guerra. Mostrar todas as mensagens
4.12.18
24.8.18
Depois de o Daesh lhe ter matado os filhos, uma avó resiste pelos 22 netos
Reuters, in Público on-line
“Quando os militantes do Daesh [Estado Islâmico] reivindicaram as nossas terras, destruíram-nos. Por Deus, os militantes humilharam-nos. Mataram os nossos filhos e não ficou nada”, disse al-Taee.
Num apartamento apertado e contando com pouca ajuda estatalUma avó iraquiana, Sana Ibrahim al-Taee, tem como trabalho a tempo inteiro alimentar e vestir 22 netos, depois de o grupo jihadista Daesh ter matado os pais — os seus filhos.
Uma mulher marcou um encontro com cem homens para mostrar quão “mesquinhos” somos no Tinder
Al-Taee e o marido, que tem Alzheimer, partilham o apartamento de quatro assoalhadas a Este de Mossul com as crianças, com idades entre os dois anos e os 16, a filha e duas noras viúvas. Renda, comida, roupas e despesas com educação dependem de doações e apoio de associações de ajuda humanitária.
Al-Taee espera a decisão do Governo, que irá dar pensões de 500 mil dinares (361 euros) por mês por todos os filhos de militares e polícias. “Espero que as autoridades dêem pensões e casa para estes órfãos, porque eu não vou viver 100 anos”, disse a mulher, 60 anos, à Reuters.
Al-Taee, que está doente e tem as cordas vocais paralisadas, conseguiu certificados de óbitos para os três filhos, mas diz que os outros dois foram enterrados em valas comuns, não identificadas, e que por isso não conseguiu encontrar os seus corpos.
Isso quer dizer que estão a ser classificados como desaparecidos em vez de mortos. Por isso, não tem certidões de óbito para eles e não se pode candidatar a pensões — um problema comum às famílias do Norte e Oeste do país, onde o Daesh controlou grandes porções do território em 2014.
Os jihadistas foram expulsos em Dezembro por tropas iraquianas, apoiadas pelos Estados Unidos, mas o Governo admitiu que ia precisar de mais de 100 mil milhões de dólares (quase 87 mil milhões de euros) para reconstruir as cidades como Mossul, com mesquitas, igrejas, mercados e outros pontos fulcrais deixados na ruína.
Ler mais
O que é o Estado Islâmico?
A vida no Estado Islâmico
“Quando os militantes do Daesh reivindicaram as nossas terras, destruíram-nos. Os combatentes humilharam-nos. Mataram os nossos filhos e não ficou nada”, disse al-Taee.
As duas viúvas que vivem na casa apertada têm estado a trabalhar com organizações civis, mas abandonaram por não terem sido pagas. Agora estão à procura de trabalho.
“Quando os militantes do Daesh [Estado Islâmico] reivindicaram as nossas terras, destruíram-nos. Por Deus, os militantes humilharam-nos. Mataram os nossos filhos e não ficou nada”, disse al-Taee.
Num apartamento apertado e contando com pouca ajuda estatalUma avó iraquiana, Sana Ibrahim al-Taee, tem como trabalho a tempo inteiro alimentar e vestir 22 netos, depois de o grupo jihadista Daesh ter matado os pais — os seus filhos.
Uma mulher marcou um encontro com cem homens para mostrar quão “mesquinhos” somos no Tinder
Al-Taee e o marido, que tem Alzheimer, partilham o apartamento de quatro assoalhadas a Este de Mossul com as crianças, com idades entre os dois anos e os 16, a filha e duas noras viúvas. Renda, comida, roupas e despesas com educação dependem de doações e apoio de associações de ajuda humanitária.
Al-Taee espera a decisão do Governo, que irá dar pensões de 500 mil dinares (361 euros) por mês por todos os filhos de militares e polícias. “Espero que as autoridades dêem pensões e casa para estes órfãos, porque eu não vou viver 100 anos”, disse a mulher, 60 anos, à Reuters.
Al-Taee, que está doente e tem as cordas vocais paralisadas, conseguiu certificados de óbitos para os três filhos, mas diz que os outros dois foram enterrados em valas comuns, não identificadas, e que por isso não conseguiu encontrar os seus corpos.
Isso quer dizer que estão a ser classificados como desaparecidos em vez de mortos. Por isso, não tem certidões de óbito para eles e não se pode candidatar a pensões — um problema comum às famílias do Norte e Oeste do país, onde o Daesh controlou grandes porções do território em 2014.
Os jihadistas foram expulsos em Dezembro por tropas iraquianas, apoiadas pelos Estados Unidos, mas o Governo admitiu que ia precisar de mais de 100 mil milhões de dólares (quase 87 mil milhões de euros) para reconstruir as cidades como Mossul, com mesquitas, igrejas, mercados e outros pontos fulcrais deixados na ruína.
Ler mais
O que é o Estado Islâmico?
A vida no Estado Islâmico
“Quando os militantes do Daesh reivindicaram as nossas terras, destruíram-nos. Os combatentes humilharam-nos. Mataram os nossos filhos e não ficou nada”, disse al-Taee.
As duas viúvas que vivem na casa apertada têm estado a trabalhar com organizações civis, mas abandonaram por não terem sido pagas. Agora estão à procura de trabalho.
8.8.18
Mediterrâneo é escolha de quem não tem outra escolha
in Dnotícias
Milhares de pessoas arriscam a vida na travessia do Mediterrâneo para chegar à Europa e Sium Yimeaghen foi uma delas, preferindo trocar o seu país, a Eritreia, pela incerteza de quem não tem nada a perder.
Foi aos 29 anos que decidiu tentar a sua sorte e sair da Eritreia. O professor, natural de Adi Keih (região sul), fartou-se da “repressão do governo” e conseguiu escapar da prisão, onde esteve cerca de um ano, iniciando uma viagem que o levou até Malta, onde se encontra ainda, cinco anos depois.
“Vim à procura de protecção e segurança. Não saí do meu país para ter melhores oportunidades económicas, saí porque fui obrigado a sair, devido ao tratamento a que os cidadãos são sujeitos, a quem é negada liberdade de movimento, de expressão ou de religião. Estas coisas estão ausentes na Eritreia. As pessoas sentem-se reprimidas”, contou à agência Lusa.
A Eritreia, governada com mão de ferro pelo Presidente Isaias Afwerki, declarou a independência da vizinha Etiópia em 1993 e é descrita pela Amnistia Internacional como um dos regimes mais repressivos do continente africano.
Sium Yimeaghen, que foi preso “por suspeitas” de que estaria a tentar deixar ilegalmente a Eritreia quando foi encontrado pelos militares na fronteira com a Etiópia, conseguiu fugir para o Sudão, em 2013.
Daí prosseguiu viagem para a Líbia, onde chegou um mês depois. Saiu da capital líbia, Tripoli, em 01 de julho de 2013, numa embarcação precária, com mais 299 pessoas.
Durante o percurso, o controlo sobre a sua vida foi entregue aos contrabandistas.
“Sendo imigrantes ilegais estamos nas mãos dos contrabandistas. Não escolhemos o quabdi trazer, o que comprar, o que podemos levar. Tudo é preparado por eles. Tínhamos muito pouca água para beber e muito pouco que comer, não o suficiente para sobreviver nesta viagem tão perigosa”, onde seguiam quatro crianças, descreve o antigo professor.
Sium Yimeaghen admite que a rede de contrabandistas que o ajudou a passar do Sudão para a Líbia possa estar ligado à guarda costeira líbia porque nessa altura “era muito difícil chegar até à praia” e passar pela segurança apertada dos postos de controlo.
Os perigos da viagem afastam-se do pensamento de quem aposta tudo numa vida melhor.
“Sabíamos as circunstâncias, sabíamos que as coisas são más nas mãos dos contrabandistas, [os riscos da] viagem e sobretudo o mar, mas não tínhamos outra opção senão tentar a nossa sorte. Quando fugimos de um país e decidimos fazer isto [atravessar o Mediterrâneo] pensamos que só temos uma vida, mas acreditamos que não temos outra opção a não ser chegar a um sítio melhor em vez de ficar a sofrer o que estávamos a sofrer”, resume, em tom pausado.
A partir daqui a história foi igual a tantas outras.
Navegaram três dias até que o barco ficou à deriva porque o motor deixou de funcionar, mas não foram informados sobre o que estava a acontecer “para evitar o pânico”.
Acabaram por ser socorridos por patrulhas italiana e maltesa, depois de contactarem activistas através do telefone satélite que alguém levava a bordo.
Mas as dificuldades não acabaram ao chegar a Malta. Passou por dois centros de detenção e esteve oito meses num centro aberto até ter documentos e licença para trabalhar. Entretanto iniciou um lento processo de pedido de asilo, ao abrigo do qual lhe foi atribuída protecção subsidiária (estatuto que concede protecção a cidadãos que não possam ser considerados refugiados, mas em relação aos quais existem motivos significativos para acreditar que, caso voltem para o seu país de origem, correm risco de sofrer ofensa grave).
“Estou muito grato ao governo de Malta por nos resgatarem e darem uma segunda oportunidade na vida, mas se pudesse escolher queria um país que me desse oportunidades melhores do que estou a ter aqui”, diz, explicando que lhe falta o sentimento de pertença.
“Sinto que não pertenço aqui. Esta protecção mantém-me num limbo (...) mesmo se trabalhar e pagar impostos não vou beneficiar de pensão se entrar na reforma vivendo em Malta. Este estatuto é estático e infrutífero, não sentimos que somos parte do país anfitrião onde vivemos, não importa quantos anos vivemos aqui. Não posso planear o meu futuro porque tenho limitações básicas”, lamenta.
Já passou por vários empregos e desde finais de 2016 trabalha como profissional de saúde num hospital.
Considera que a Europa devia ter “uma abordagem mais compreensiva” do fenómeno das migrações e lembra que os refugiados “pagam muito dinheiro” por uma viagem que não lhes dá quaisquer garantias e que os obriga a deixar para trás a família.
“Se pudéssemos encontrar uma forma de as pessoas que precisam de protecção viajarem legalmente para a Europa isso seria muito melhor. Os migrantes estavam mais seguros e não iam gastar dinheiro com os contrabandistas, não precisavam de embarcar numa viagem perigosa e alimentar o negócio do tráfico” de pessoas, sugere
Sium Yimeaghen gastou 3.600 dólares: pagou 1.200 dólares para viajar desde o Sudão num camião com 180 pessoas. Em Benghazi, na Líbia, foram-lhe cobrados mais 200 dólares e daí para Tripoli mais 600. Pela viagem de barco pediram mais 1.600 dólares.
Um negócio muito lucrativo para os contrabandistas que não vai ter fim se as regras não mudarem, pois “o problema da imigração nunca vai acabar”, antecipa.
O ex-professor da Eritreia garante que, se pudesse, voltaria ao seu país.
“A emigração não foi uma escolha, nunca seria nem nos meus sonhos mais loucos. Deixei o meu país porque fui obrigado e enquanto o actual governo se mantiver no poder não posso voltar”, diz, entristecido.
Milhares de pessoas arriscam a vida na travessia do Mediterrâneo para chegar à Europa e Sium Yimeaghen foi uma delas, preferindo trocar o seu país, a Eritreia, pela incerteza de quem não tem nada a perder.
Foi aos 29 anos que decidiu tentar a sua sorte e sair da Eritreia. O professor, natural de Adi Keih (região sul), fartou-se da “repressão do governo” e conseguiu escapar da prisão, onde esteve cerca de um ano, iniciando uma viagem que o levou até Malta, onde se encontra ainda, cinco anos depois.
“Vim à procura de protecção e segurança. Não saí do meu país para ter melhores oportunidades económicas, saí porque fui obrigado a sair, devido ao tratamento a que os cidadãos são sujeitos, a quem é negada liberdade de movimento, de expressão ou de religião. Estas coisas estão ausentes na Eritreia. As pessoas sentem-se reprimidas”, contou à agência Lusa.
A Eritreia, governada com mão de ferro pelo Presidente Isaias Afwerki, declarou a independência da vizinha Etiópia em 1993 e é descrita pela Amnistia Internacional como um dos regimes mais repressivos do continente africano.
Sium Yimeaghen, que foi preso “por suspeitas” de que estaria a tentar deixar ilegalmente a Eritreia quando foi encontrado pelos militares na fronteira com a Etiópia, conseguiu fugir para o Sudão, em 2013.
Daí prosseguiu viagem para a Líbia, onde chegou um mês depois. Saiu da capital líbia, Tripoli, em 01 de julho de 2013, numa embarcação precária, com mais 299 pessoas.
Durante o percurso, o controlo sobre a sua vida foi entregue aos contrabandistas.
“Sendo imigrantes ilegais estamos nas mãos dos contrabandistas. Não escolhemos o quabdi trazer, o que comprar, o que podemos levar. Tudo é preparado por eles. Tínhamos muito pouca água para beber e muito pouco que comer, não o suficiente para sobreviver nesta viagem tão perigosa”, onde seguiam quatro crianças, descreve o antigo professor.
Sium Yimeaghen admite que a rede de contrabandistas que o ajudou a passar do Sudão para a Líbia possa estar ligado à guarda costeira líbia porque nessa altura “era muito difícil chegar até à praia” e passar pela segurança apertada dos postos de controlo.
Os perigos da viagem afastam-se do pensamento de quem aposta tudo numa vida melhor.
“Sabíamos as circunstâncias, sabíamos que as coisas são más nas mãos dos contrabandistas, [os riscos da] viagem e sobretudo o mar, mas não tínhamos outra opção senão tentar a nossa sorte. Quando fugimos de um país e decidimos fazer isto [atravessar o Mediterrâneo] pensamos que só temos uma vida, mas acreditamos que não temos outra opção a não ser chegar a um sítio melhor em vez de ficar a sofrer o que estávamos a sofrer”, resume, em tom pausado.
A partir daqui a história foi igual a tantas outras.
Navegaram três dias até que o barco ficou à deriva porque o motor deixou de funcionar, mas não foram informados sobre o que estava a acontecer “para evitar o pânico”.
Acabaram por ser socorridos por patrulhas italiana e maltesa, depois de contactarem activistas através do telefone satélite que alguém levava a bordo.
Mas as dificuldades não acabaram ao chegar a Malta. Passou por dois centros de detenção e esteve oito meses num centro aberto até ter documentos e licença para trabalhar. Entretanto iniciou um lento processo de pedido de asilo, ao abrigo do qual lhe foi atribuída protecção subsidiária (estatuto que concede protecção a cidadãos que não possam ser considerados refugiados, mas em relação aos quais existem motivos significativos para acreditar que, caso voltem para o seu país de origem, correm risco de sofrer ofensa grave).
“Estou muito grato ao governo de Malta por nos resgatarem e darem uma segunda oportunidade na vida, mas se pudesse escolher queria um país que me desse oportunidades melhores do que estou a ter aqui”, diz, explicando que lhe falta o sentimento de pertença.
“Sinto que não pertenço aqui. Esta protecção mantém-me num limbo (...) mesmo se trabalhar e pagar impostos não vou beneficiar de pensão se entrar na reforma vivendo em Malta. Este estatuto é estático e infrutífero, não sentimos que somos parte do país anfitrião onde vivemos, não importa quantos anos vivemos aqui. Não posso planear o meu futuro porque tenho limitações básicas”, lamenta.
Já passou por vários empregos e desde finais de 2016 trabalha como profissional de saúde num hospital.
Considera que a Europa devia ter “uma abordagem mais compreensiva” do fenómeno das migrações e lembra que os refugiados “pagam muito dinheiro” por uma viagem que não lhes dá quaisquer garantias e que os obriga a deixar para trás a família.
“Se pudéssemos encontrar uma forma de as pessoas que precisam de protecção viajarem legalmente para a Europa isso seria muito melhor. Os migrantes estavam mais seguros e não iam gastar dinheiro com os contrabandistas, não precisavam de embarcar numa viagem perigosa e alimentar o negócio do tráfico” de pessoas, sugere
Sium Yimeaghen gastou 3.600 dólares: pagou 1.200 dólares para viajar desde o Sudão num camião com 180 pessoas. Em Benghazi, na Líbia, foram-lhe cobrados mais 200 dólares e daí para Tripoli mais 600. Pela viagem de barco pediram mais 1.600 dólares.
Um negócio muito lucrativo para os contrabandistas que não vai ter fim se as regras não mudarem, pois “o problema da imigração nunca vai acabar”, antecipa.
O ex-professor da Eritreia garante que, se pudesse, voltaria ao seu país.
“A emigração não foi uma escolha, nunca seria nem nos meus sonhos mais loucos. Deixei o meu país porque fui obrigado e enquanto o actual governo se mantiver no poder não posso voltar”, diz, entristecido.
20.2.18
Os piores países do mundo para ser criança
in TSF
Perto de 360 milhões de crianças em todo o mundo, ou seja, uma em seis, vivem em zonas afetadas por conflitos, segundo um relatório da Save the Children.
Seis nações africanas estão entre as 10 piores do mundo para se ser uma criança numa zona de guerra, indica um relatório da organização Save the Children divulgado esta quinta-feira.
A Síria encabeça a lista, seguida do Afeganistão, Somália, Iémen, Nigéria, Sudão do Sul, Iraque, República Democrática do Congo, Sudão e República Centro Africana.
O relatório, baseado em dados do Instituto Internacional para a Investigação da Paz de Estocolmo, analisa fatores como ataques contra escolas, o recrutamento de crianças soldados, violações, assassínios e falta de acesso humanitário.
Perto de 360 milhões de crianças em todo o mundo, ou seja, uma em seis, vivem em zonas afetadas por conflitos, segundo o relatório divulgado na véspera da Conferência de Segurança de Munique, no âmbito da qual líderes globais vão discutir políticas de segurança até domingo.
A Save the Children apela aos dirigentes mundiais para fazerem mais no sentido de responsabilizar os autores dos crimes contra as crianças.
"Crimes como estes contra crianças são o pior tipo de abuso imaginável e são uma violação flagrante do direito internacional", disse Carolyn Miles, presidente da Save the Children.
Perto de 360 milhões de crianças em todo o mundo, ou seja, uma em seis, vivem em zonas afetadas por conflitos, segundo um relatório da Save the Children.
Seis nações africanas estão entre as 10 piores do mundo para se ser uma criança numa zona de guerra, indica um relatório da organização Save the Children divulgado esta quinta-feira.
A Síria encabeça a lista, seguida do Afeganistão, Somália, Iémen, Nigéria, Sudão do Sul, Iraque, República Democrática do Congo, Sudão e República Centro Africana.
O relatório, baseado em dados do Instituto Internacional para a Investigação da Paz de Estocolmo, analisa fatores como ataques contra escolas, o recrutamento de crianças soldados, violações, assassínios e falta de acesso humanitário.
Perto de 360 milhões de crianças em todo o mundo, ou seja, uma em seis, vivem em zonas afetadas por conflitos, segundo o relatório divulgado na véspera da Conferência de Segurança de Munique, no âmbito da qual líderes globais vão discutir políticas de segurança até domingo.
A Save the Children apela aos dirigentes mundiais para fazerem mais no sentido de responsabilizar os autores dos crimes contra as crianças.
"Crimes como estes contra crianças são o pior tipo de abuso imaginável e são uma violação flagrante do direito internacional", disse Carolyn Miles, presidente da Save the Children.
16.8.17
Sobreviver à Guerra da Coreia para criar família no Caramulo
in Diário de Notícias
Sul-coreano Won Chong-song vive em Portugal desde 1972. Chegou para trabalhar como sexador num aviário, hoje tem uma empresa de compotas de frutas. Casado com uma portuguesa, continua a viver no Caramulo, onde criou três filhos.
Nascido em 1949, Won Chong-song tinha um ano quando começou a Guerra da Coreia. Desses três anos terríveis diz não ter memória, sabendo apenas aquilo que a mãe lhe contou: a fuga da sua Chung Buk natal num comboio para sul assim que se soube da aproximação das tropas norte-coreanas, a paragem súbita da locomotiva porque afinal os invasores comunistas já iam à frente, o leite que secou no peito da mãe e as papas de arroz para alimento, o pai como auxiliar do Exército sul-coreano, que com o apoio dos Estados Unidos conseguiria repor a fronteira mais ou menos no Paralelo 38 como antes da guerra. "Recordo-me da destruição, da pobreza e da festa no dia em que a Cruz Vermelha vinha à escola dar leite. Lembro-me também de brincar num tanque destruído", conta Won, hoje com 68 anos, produtor de compotas de fruta no Caramulo, a terra portuguesa onde se instalou ainda jovem, contratado como sexador.
A conversa decorre no restaurante Montanha, com Won a apreciar um cabrito no forno e a confessar que no início tinha-lhe custado acostumar-se à comida portuguesa. Peço então que me explique o que é um sexador. "É o técnico que faz a separação dos pintos machos dos pintos fêmeas", diz, meio a rir-se, num português em que se percebe tudo apesar de manter um certo sotaque.
Um grande empresário do Caramulo, cuja família estivera ligada aos sanatórios, tinha investido num aviário e descobrira que para potenciar a produção era essencial identificar as galinhas poedeiras o mais cedo possível. Sexadores só havia os japoneses, que tinham criado a técnica, e os coreanos, que tinham aprendido com os japoneses quando estes ocuparam a sua península entre 1910 e 1945. Para o Caramulo acabaram por vir dois sul-coreanos, um deles Won, que chegou em 1972.
O outro sul-coreano um dia foi-se embora, mas Won ficou. E integrou-se bem. Conheceu poucos anos depois Hortense, que era enfermeira em Lisboa e tinha vindo ao Caramulo visitar uma amiga, e hoje têm duas filhas e um filho, além de quatro netas. Conta-me Won, agora já sentados na varanda da sua casa a 840 metros de altitude, que os pais de Hortense estavam emigrados em França e que foi primeiro a um irmão que ela o apresentou. "Ela disse ao irmão que eu era coreano, mas ele pensou na Cúria e que eu era curiano", conta a rir-se. "Depois, ele vê-me e diz "mas ele é chinês" totalmente surpreendido."
De vez em quando vai à Coreia do Sul, dentro de dias receberá a visita de um irmão e uma irmã, e diz-se preocupado sempre com todas estas notícias de tensão entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, por causa das armas nucleares. Orgulha-se da forma como a Coreia do Sul, tão pobre na sua infância, se tornou rica, mas lamenta "a perda de um certo sentido de comunidade". Também é crítico da obsessão das famílias sul-coreanas pela educação, "sempre a pagarem explicações, sempre a quererem escolas privadas caras". E diz que os seus filhos andaram na escola pública em Portugal, primeiro no Caramulo, depois em Tondela e na Universidade de Coimbra, "sempre bons alunos". Filipa, de 40 anos, fez Economia, Sónia, de 38, Matemática de Computação, e Miguel, de 35, estudou Física e é doutorado, explica Won, com evidente orgulho. E se os filhos não falam coreano, uma tradição pelo menos mantiveram, garante Won: "foram criados a comer kimchi", a popular couve branca fermentada.
Quando Won percebeu que a manipulação genética ameaçaria o emprego dos sexadores, criou uma empresa de compotas. "Foi no início dos anos 1980, e comecei com a geleia de milho, baseada numa receita coreana." Hoje, as compotas Won vendem-se em lojas biológicas. "São um produto 100% português", sublinha. E só o Won escrito no frasco de vidro dá uma pista de que por trás daquele doce de framboesa ou ameixa feito no Caramulo está um homem que nasceu a dez mil quilómetros, "entre montanhas parecidas".
Sul-coreano Won Chong-song vive em Portugal desde 1972. Chegou para trabalhar como sexador num aviário, hoje tem uma empresa de compotas de frutas. Casado com uma portuguesa, continua a viver no Caramulo, onde criou três filhos.
Nascido em 1949, Won Chong-song tinha um ano quando começou a Guerra da Coreia. Desses três anos terríveis diz não ter memória, sabendo apenas aquilo que a mãe lhe contou: a fuga da sua Chung Buk natal num comboio para sul assim que se soube da aproximação das tropas norte-coreanas, a paragem súbita da locomotiva porque afinal os invasores comunistas já iam à frente, o leite que secou no peito da mãe e as papas de arroz para alimento, o pai como auxiliar do Exército sul-coreano, que com o apoio dos Estados Unidos conseguiria repor a fronteira mais ou menos no Paralelo 38 como antes da guerra. "Recordo-me da destruição, da pobreza e da festa no dia em que a Cruz Vermelha vinha à escola dar leite. Lembro-me também de brincar num tanque destruído", conta Won, hoje com 68 anos, produtor de compotas de fruta no Caramulo, a terra portuguesa onde se instalou ainda jovem, contratado como sexador.
A conversa decorre no restaurante Montanha, com Won a apreciar um cabrito no forno e a confessar que no início tinha-lhe custado acostumar-se à comida portuguesa. Peço então que me explique o que é um sexador. "É o técnico que faz a separação dos pintos machos dos pintos fêmeas", diz, meio a rir-se, num português em que se percebe tudo apesar de manter um certo sotaque.
Um grande empresário do Caramulo, cuja família estivera ligada aos sanatórios, tinha investido num aviário e descobrira que para potenciar a produção era essencial identificar as galinhas poedeiras o mais cedo possível. Sexadores só havia os japoneses, que tinham criado a técnica, e os coreanos, que tinham aprendido com os japoneses quando estes ocuparam a sua península entre 1910 e 1945. Para o Caramulo acabaram por vir dois sul-coreanos, um deles Won, que chegou em 1972.
O outro sul-coreano um dia foi-se embora, mas Won ficou. E integrou-se bem. Conheceu poucos anos depois Hortense, que era enfermeira em Lisboa e tinha vindo ao Caramulo visitar uma amiga, e hoje têm duas filhas e um filho, além de quatro netas. Conta-me Won, agora já sentados na varanda da sua casa a 840 metros de altitude, que os pais de Hortense estavam emigrados em França e que foi primeiro a um irmão que ela o apresentou. "Ela disse ao irmão que eu era coreano, mas ele pensou na Cúria e que eu era curiano", conta a rir-se. "Depois, ele vê-me e diz "mas ele é chinês" totalmente surpreendido."
De vez em quando vai à Coreia do Sul, dentro de dias receberá a visita de um irmão e uma irmã, e diz-se preocupado sempre com todas estas notícias de tensão entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, por causa das armas nucleares. Orgulha-se da forma como a Coreia do Sul, tão pobre na sua infância, se tornou rica, mas lamenta "a perda de um certo sentido de comunidade". Também é crítico da obsessão das famílias sul-coreanas pela educação, "sempre a pagarem explicações, sempre a quererem escolas privadas caras". E diz que os seus filhos andaram na escola pública em Portugal, primeiro no Caramulo, depois em Tondela e na Universidade de Coimbra, "sempre bons alunos". Filipa, de 40 anos, fez Economia, Sónia, de 38, Matemática de Computação, e Miguel, de 35, estudou Física e é doutorado, explica Won, com evidente orgulho. E se os filhos não falam coreano, uma tradição pelo menos mantiveram, garante Won: "foram criados a comer kimchi", a popular couve branca fermentada.
Quando Won percebeu que a manipulação genética ameaçaria o emprego dos sexadores, criou uma empresa de compotas. "Foi no início dos anos 1980, e comecei com a geleia de milho, baseada numa receita coreana." Hoje, as compotas Won vendem-se em lojas biológicas. "São um produto 100% português", sublinha. E só o Won escrito no frasco de vidro dá uma pista de que por trás daquele doce de framboesa ou ameixa feito no Caramulo está um homem que nasceu a dez mil quilómetros, "entre montanhas parecidas".
Seis ONG pedem a Guterres para agir de imediato face a crise na República Centro Africana
in Diário de Notícias
Seis organizações humanitárias pediram ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para tomar "medidas imediatas" face à crise de segurança e humanitária na República Centro Africana, numa carta aberta à qual a agência France Presse teve hoje acesso. "Pelo menos 821 civis foram mortos desde o início do ano", segundo as seis organizações não governamentais (ONG), que consideram que o conflito atingiu "o mesmo nível" de violência que em dezembro de 2013, no auge dos assassínios em massa entre as milícias Séléka, maioritariamente muçulmanas, e as anti-Balaka, constituídas sobretudo por cristãos. "Naquela altura, as Nações Unidas declararam um nível de urgência 3 (...) Imploramos-vos para que seja prestada a mesma atenção à crise vivida por milhões de pessoas que sofrem neste país", escrevem os signatários, entre os quais a Ação contra a Fome e Première Urgence.
As ONG consideram que o mandato da missão das Nações Unidas no país "para proteger os civis, não está a ser cumprido devido à falta de recursos humanos e financeiros".
Assim, pedem a Guterres para permitir que a MINUSCA (com cerca de 12.500 homens) tenha os meios de que necessita e apoie "os cidadãos da República Centro Africana e os seus representantes na aplicação da resolução política do conflito". A carta foi enviada ao chefe das operações de manutenção da paz das Nações Unidas, Jean-Pierre Lacroix, e ao responsável dos Assuntos Humanitários da ONU, Stephen O'Brien. Elas próprias vítimas da violência, as ONG lamentam o subfinanciamento da ajuda humanitária, da qual depende metade dos 4,5 milhões de habitantes da República Centro Africana.
Seis organizações humanitárias pediram ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para tomar "medidas imediatas" face à crise de segurança e humanitária na República Centro Africana, numa carta aberta à qual a agência France Presse teve hoje acesso. "Pelo menos 821 civis foram mortos desde o início do ano", segundo as seis organizações não governamentais (ONG), que consideram que o conflito atingiu "o mesmo nível" de violência que em dezembro de 2013, no auge dos assassínios em massa entre as milícias Séléka, maioritariamente muçulmanas, e as anti-Balaka, constituídas sobretudo por cristãos. "Naquela altura, as Nações Unidas declararam um nível de urgência 3 (...) Imploramos-vos para que seja prestada a mesma atenção à crise vivida por milhões de pessoas que sofrem neste país", escrevem os signatários, entre os quais a Ação contra a Fome e Première Urgence.
As ONG consideram que o mandato da missão das Nações Unidas no país "para proteger os civis, não está a ser cumprido devido à falta de recursos humanos e financeiros".
Assim, pedem a Guterres para permitir que a MINUSCA (com cerca de 12.500 homens) tenha os meios de que necessita e apoie "os cidadãos da República Centro Africana e os seus representantes na aplicação da resolução política do conflito". A carta foi enviada ao chefe das operações de manutenção da paz das Nações Unidas, Jean-Pierre Lacroix, e ao responsável dos Assuntos Humanitários da ONU, Stephen O'Brien. Elas próprias vítimas da violência, as ONG lamentam o subfinanciamento da ajuda humanitária, da qual depende metade dos 4,5 milhões de habitantes da República Centro Africana.
Ex-menino soldado trocou armas pela capoeira na RD Congo
in Diário de Notícias
A capoeira é a forma de jovens congoleses fugirem à violência não através da luta mas através dos valores da arte marcial afro-brasileira.
"A capoeira me faz esquecer do que passei no grupo armado", disse o adolescente de 16 anos, um ex-menino soldado de uma pequena vila em Bashali ao norte na província de Kivu do Norte, área conflagrada por grupos armados.
Há três meses, desde que chegou ao centro de transição para ex-meninos soldado na cidade de Goma, F. R. aprendeu a praticar a arte marcial de origem afro-brasileira. Desde então, esta é uma das atividades em que o rapaz é mais assíduo.
As aulas de capoeira acontecem duas vezes por semana no centro de ação para crianças desfavorecidas (CAJED, por sua sigla em francês), no subúrbio de Goma.
Em 2014, a capoeira foi reconhecida pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como Património Cultural Imaterial da Humanidade. A partir deste mesmo ano, esta manifestação cultural brasileira de descendentes de africanos escravizados no período colonial tem sido utilizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na República Democrática (RD) do Congo como uma estratégia para ajudar a crianças vítimas de violência.
"A capoeira faz com que eu me sinta capaz de poder fazer alguma coisa. Esqueço de todo o passado. Aqui vejo que a vida é melhor porque não sofremos mais, dormimos e alimentamo-nos bem. Não somos obrigados a nada", comentou F. R. que esteve na escola primária apenas três anos.
As suas memórias recentes são mais duras. Foi raptado e lutou por um grupo de milicianos de origem hutu congolesa.
Os dados são escassos. Estima-se que existam entre 20 a 30 mil soldados dos grupos ativos de milícias de autodefesa em Kivu do Sul e do Norte, segundo dados das Nações Unidas em 2011.
Junto com outros meninos, F. R. conseguiu escapar. "Para chegar aqui foi muito difícil. Tive que mostrar evidências que eu fazia parte de um grupo armado, então levei comigo algumas cápsulas de balas", contou.
No início do ano, o rapaz apresentou-se numa das bases da Missão de Paz da ONU em RD Congo (MONUSCO) na cidade de Kitchanga, uma localidade remota a 70 quilómetros de Goma. Depois de ter passado pelo programa de desmobilização, desarmamento e reintegração da ONU, ficou sob os cuidados da UNICEF e de ONG locais por ser menor de 18 anos.
"Fiz vários amigos quando comecei a jogar capoeira. Nós nos juntamos, mesmo tendo lutado em grupos rivais", disse.
Segundo Marie Diop, especialista em proteção à criança da UNICEF em Goma, a capoeira foi incluída como ferramenta de trabalho psicossocial com crianças nos centros de acolhimento.
"Começou como um projeto piloto, pois queríamos ver se teria aceitação por parte das crianças. Discutimos se a capoeira poderia ser utilizada para a paz e ser integrada no programa infantil", disse Diop.
Sob o nome de "Capoeira pela Paz", a iniciativa foi impulsionada pelo governo brasileiro com fundos do Canadá e da ONG AMADE-Mondiale e já beneficiou cerca de quatro mil crianças em Kivu do Norte.
"Vimos que a capoeira tem ajudado a afastar o estigma das crianças que estiveram associadas a grupos armados. Tentamos entender a história e o contexto dessas crianças para transferi-las a famílias de acolhimento e a centros de transição antes que possam ser reintegrados de vez às suas famílias e às suas comunidades de origem", explicou.
A capoeira é a forma de jovens congoleses fugirem à violência não através da luta mas através dos valores da arte marcial afro-brasileira.
"A capoeira me faz esquecer do que passei no grupo armado", disse o adolescente de 16 anos, um ex-menino soldado de uma pequena vila em Bashali ao norte na província de Kivu do Norte, área conflagrada por grupos armados.
Há três meses, desde que chegou ao centro de transição para ex-meninos soldado na cidade de Goma, F. R. aprendeu a praticar a arte marcial de origem afro-brasileira. Desde então, esta é uma das atividades em que o rapaz é mais assíduo.
As aulas de capoeira acontecem duas vezes por semana no centro de ação para crianças desfavorecidas (CAJED, por sua sigla em francês), no subúrbio de Goma.
Em 2014, a capoeira foi reconhecida pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como Património Cultural Imaterial da Humanidade. A partir deste mesmo ano, esta manifestação cultural brasileira de descendentes de africanos escravizados no período colonial tem sido utilizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na República Democrática (RD) do Congo como uma estratégia para ajudar a crianças vítimas de violência.
"A capoeira faz com que eu me sinta capaz de poder fazer alguma coisa. Esqueço de todo o passado. Aqui vejo que a vida é melhor porque não sofremos mais, dormimos e alimentamo-nos bem. Não somos obrigados a nada", comentou F. R. que esteve na escola primária apenas três anos.
As suas memórias recentes são mais duras. Foi raptado e lutou por um grupo de milicianos de origem hutu congolesa.
Os dados são escassos. Estima-se que existam entre 20 a 30 mil soldados dos grupos ativos de milícias de autodefesa em Kivu do Sul e do Norte, segundo dados das Nações Unidas em 2011.
Junto com outros meninos, F. R. conseguiu escapar. "Para chegar aqui foi muito difícil. Tive que mostrar evidências que eu fazia parte de um grupo armado, então levei comigo algumas cápsulas de balas", contou.
No início do ano, o rapaz apresentou-se numa das bases da Missão de Paz da ONU em RD Congo (MONUSCO) na cidade de Kitchanga, uma localidade remota a 70 quilómetros de Goma. Depois de ter passado pelo programa de desmobilização, desarmamento e reintegração da ONU, ficou sob os cuidados da UNICEF e de ONG locais por ser menor de 18 anos.
"Fiz vários amigos quando comecei a jogar capoeira. Nós nos juntamos, mesmo tendo lutado em grupos rivais", disse.
Segundo Marie Diop, especialista em proteção à criança da UNICEF em Goma, a capoeira foi incluída como ferramenta de trabalho psicossocial com crianças nos centros de acolhimento.
"Começou como um projeto piloto, pois queríamos ver se teria aceitação por parte das crianças. Discutimos se a capoeira poderia ser utilizada para a paz e ser integrada no programa infantil", disse Diop.
Sob o nome de "Capoeira pela Paz", a iniciativa foi impulsionada pelo governo brasileiro com fundos do Canadá e da ONG AMADE-Mondiale e já beneficiou cerca de quatro mil crianças em Kivu do Norte.
"Vimos que a capoeira tem ajudado a afastar o estigma das crianças que estiveram associadas a grupos armados. Tentamos entender a história e o contexto dessas crianças para transferi-las a famílias de acolhimento e a centros de transição antes que possam ser reintegrados de vez às suas famílias e às suas comunidades de origem", explicou.
12.7.17
Gaia. Violência, guerra e fome numa bienal de arte e "de causas"
in RR
A 2ª Bienal Internacional de Gaia, que é inaugruada no sábado, no espaço do Centro Empresarial Fercopor, anuncia-se como uma "bienal de causas".
A iniciativa, que conta com 31 exposições e mais de 1.500 obras de artistas, lança aos 500 autores participantes o desafio de abordarem temas que inquietem e provoquem a sociedade, diz à Renascença um dos organizadores, Agostinho Santos.
"Queremos que esta seja uma bienal de causas, que provoque. Uma bienal que se preocupa com os outros, que está inquieta. Lançámos o desafio aos artistas de 11 países de abordarem questões que nos preocupam todos os dias: a violência, a guerra, a fome, a questão dos refugiados, os atentados terroristas, os sem-abrigo."
O coração da bienal está situado na antiga fábrica de linhas "Coats & Clark", o actual Centro Empresarial Fercopor. O pavilhão, com mais de sei mil metros quadrados recebe 18 exposições, mas a arte vai chegar a outros espaços da cidade - Biblioteca Municipal, Convento Corpus Christi e Mosteiro de Grijó - e da região norte, com exposições em Barcelos, Porto, Gondomar, Cerveira, Viana do Castelo, Monção, Figueira da Foz e Seia.
"Uma das vertentes da nossa bienal é levar a arte ao encontro das pessoas. Não nos vamos limitar apenas ao nosso município. Temos, por exemplo, um acordo com a bienal mais antiga do país, que é a de Vila Nova de Cerveira. Vamos ter uma exposição da Bienal de Gaia - a mais jovem do país - integrada na Bienal de Cerveira e vice-versa. Este tipo de parcerias entre bienais não é muito comum, mas nós queremos lançar este repto", diz Agostinho Santos.
Prémios, homenagens e medalhas
Na sessão de abertura da Bienal, a pintora Graça Morais vai receber a Medalha de Mérito Cultural e Científico, Grau Ouro, da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e expor pela primeira vez no município. O Centro Empresarial Fercopor vai receber uma mostra de 42 obras da colecção privada da artista.
"É uma honra. A Graça Morais é uma das maiores artistas contemporâneas. Temos todo o respeito e admiração por ela e vamos ter a sorte de organizar uma exposição antológica onde o público vai perceber o percurso fantástico da nossa artista. É a primeira vez que a Graça Morais expõe em Vila Nova de Gaia, no terceiro maior concelho do país", diz Agostinho Santos.
Os artistas vencedores dos três prémios da Bienal foram escolhidos entre 292 inscritos, 130 pré-selecionados e 88 selecionados e vão receber um prémio monetário no valor de cinco mil euros.
Marta Soutinho Alves venceu o Grande Prémio da Bienal atribuído pela Câmara Municipal de Gaia. João Macedo conquistou o Prémio de Escultura Zulmiro de Carvalho atribuído pela Câmara Municipal de Gondomar e Mariana Poppovic arrecadou o Prémio Águas de Gaia.
O evento vai ainda homenagear o artista Guilherme Camarinha com uma exposição com as obras do pintor, falecido em 1994, na Fundação Escultor José Santos, no Porto.
Expectativas ultrapassadas
O evento ainda não arrancou, mas a organização garante que as expectativas já foram largamente ultrapassadas e a curiosidade do público é notória.
“Estamos muito confiantes, porque a informação que tem chegado do público é muito interessante. As pessoas contactam-nos por e-mail, por carta, por facebook a perguntar informações. Estamos agora na fase final da montagem e já têm vindo cá várias pessoas espreitar. Quer a nível de artistas quer a nível de exposições, quer a nível de obras expostas ultrapassámos todas as nossas expectativas”, refere.
Agostinho Santos garante que a população de Gaia tem vindo a despertar para a arte, mas reafirma que a Bienal não tem barreiras e vai para lá do município: “O público de Vila Nova de Gaia e da Área Metropolitana do Porto e até da região norte começa a estar entusiasmado, porque uma das características desta bienal é a pretender ser uma bienal da Área Metropolitana do Porto e do norte do país."
A 2ª Bienal Internacional de Gaia, que é inaugruada no sábado, no espaço do Centro Empresarial Fercopor, anuncia-se como uma "bienal de causas".
A iniciativa, que conta com 31 exposições e mais de 1.500 obras de artistas, lança aos 500 autores participantes o desafio de abordarem temas que inquietem e provoquem a sociedade, diz à Renascença um dos organizadores, Agostinho Santos.
"Queremos que esta seja uma bienal de causas, que provoque. Uma bienal que se preocupa com os outros, que está inquieta. Lançámos o desafio aos artistas de 11 países de abordarem questões que nos preocupam todos os dias: a violência, a guerra, a fome, a questão dos refugiados, os atentados terroristas, os sem-abrigo."
O coração da bienal está situado na antiga fábrica de linhas "Coats & Clark", o actual Centro Empresarial Fercopor. O pavilhão, com mais de sei mil metros quadrados recebe 18 exposições, mas a arte vai chegar a outros espaços da cidade - Biblioteca Municipal, Convento Corpus Christi e Mosteiro de Grijó - e da região norte, com exposições em Barcelos, Porto, Gondomar, Cerveira, Viana do Castelo, Monção, Figueira da Foz e Seia.
"Uma das vertentes da nossa bienal é levar a arte ao encontro das pessoas. Não nos vamos limitar apenas ao nosso município. Temos, por exemplo, um acordo com a bienal mais antiga do país, que é a de Vila Nova de Cerveira. Vamos ter uma exposição da Bienal de Gaia - a mais jovem do país - integrada na Bienal de Cerveira e vice-versa. Este tipo de parcerias entre bienais não é muito comum, mas nós queremos lançar este repto", diz Agostinho Santos.
Prémios, homenagens e medalhas
Na sessão de abertura da Bienal, a pintora Graça Morais vai receber a Medalha de Mérito Cultural e Científico, Grau Ouro, da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e expor pela primeira vez no município. O Centro Empresarial Fercopor vai receber uma mostra de 42 obras da colecção privada da artista.
"É uma honra. A Graça Morais é uma das maiores artistas contemporâneas. Temos todo o respeito e admiração por ela e vamos ter a sorte de organizar uma exposição antológica onde o público vai perceber o percurso fantástico da nossa artista. É a primeira vez que a Graça Morais expõe em Vila Nova de Gaia, no terceiro maior concelho do país", diz Agostinho Santos.
Os artistas vencedores dos três prémios da Bienal foram escolhidos entre 292 inscritos, 130 pré-selecionados e 88 selecionados e vão receber um prémio monetário no valor de cinco mil euros.
Marta Soutinho Alves venceu o Grande Prémio da Bienal atribuído pela Câmara Municipal de Gaia. João Macedo conquistou o Prémio de Escultura Zulmiro de Carvalho atribuído pela Câmara Municipal de Gondomar e Mariana Poppovic arrecadou o Prémio Águas de Gaia.
O evento vai ainda homenagear o artista Guilherme Camarinha com uma exposição com as obras do pintor, falecido em 1994, na Fundação Escultor José Santos, no Porto.
Expectativas ultrapassadas
O evento ainda não arrancou, mas a organização garante que as expectativas já foram largamente ultrapassadas e a curiosidade do público é notória.
“Estamos muito confiantes, porque a informação que tem chegado do público é muito interessante. As pessoas contactam-nos por e-mail, por carta, por facebook a perguntar informações. Estamos agora na fase final da montagem e já têm vindo cá várias pessoas espreitar. Quer a nível de artistas quer a nível de exposições, quer a nível de obras expostas ultrapassámos todas as nossas expectativas”, refere.
Agostinho Santos garante que a população de Gaia tem vindo a despertar para a arte, mas reafirma que a Bienal não tem barreiras e vai para lá do município: “O público de Vila Nova de Gaia e da Área Metropolitana do Porto e até da região norte começa a estar entusiasmado, porque uma das características desta bienal é a pretender ser uma bienal da Área Metropolitana do Porto e do norte do país."
29.6.17
Seis milhões de sul-sudaneses passam fome extrema, alertam agências da ONU
in ONUBR
O Sudão do Sul enfrenta a maior crise de segurança alimentar de sua história, segundo as Nações Unidas. De fevereiro para cá, o número de pessoas que lutam para encontrar comida no país aumentou de 4,9 milhões para 6 milhões.
O Sudão do Sul enfrenta a maior crise de segurança alimentar de sua história, segundo as Nações Unidas. De fevereiro para cá, o número de pessoas que lutam para encontrar comida no país aumentou de 4,9 milhões para 6 milhões.
“O crescimento da insegurança alimentar foi impulsionado por conflitos armados, baixas colheitas e aumento dos preços dos alimentos, bem como os efeitos da estação anual da seca”, afirmaram três agências da ONU – a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) – em uma declaração conjunta na semana passada (21).
De acordo com a atualização do Quadro Integrado de Classificação da Segurança Alimentar (IPC) – uma análise da ONU, do governo e de outros parceiros – nos condados de Leer e Mayandit, no estado de Unity, já não se aplicam mais a definição técnica de fome, que tinha sido declarada em fevereiro deste ano.
É provável que a assistência humanitária imediata e contínua tenha desempenhado um papel importante para prevenir que os condados de Koch e Panyijiar chegassem a níveis mais alarmantes.
Entretanto, a fome se agravou na região nordeste do país – na margem ocidental do rio Nilo – enquanto as populações no sudoeste enfrentam níveis de necessidade sem precedentes.
“A única maneira de acabar com essa situação desesperadora é cessar o conflito, garantir acesso sem obstáculos e permitir que as pessoas retomem seus meios de subsistência”, disse o diretor de emergências da FAO, Dominique Burgeon.
As três agências da ONU advertiram que as melhorias nos locais onde há maior fome não devem ser perdidas. A capacidade das pessoas de se alimentar foi severamente reduzida e a entrega de alimentos de emergência, bem como o apoio aos meios de subsistência, devem continuar para evitar que o cenário se agrave.
“As conquistas nos condados afetados pela fome mostram o que pode ser alcançado quando a assistência contínua chega às famílias. Mas o trabalho está longe de terminar”, disse a representante do PMA no Sudão do Sul, Joyce Luma. “Essa é uma crise que continua a piorar, com milhões de pessoas enfrentando a perspectiva de fome se a ajuda humanitária acabar. O fim deste conflito é imperativo.”
Cada uma das agências intensificou sua resposta. O PMA alcançou 3,4 milhões de pessoas no Sudão do Sul desde o início do ano, incluindo assistência para 2,6 milhões em deslocamento ou ou afetadas por conflitos.
O UNICEF e seus parceiros trataram cerca de 76 mil crianças em estado grave de desnutrição e forneceram água potável a 500 mil pessoas e acesso a instalações sanitárias a outras 200 mil.
Já a FAO forneceu kits de pesca e agricultura a mais de 2,8 milhões de sul-sudaneses, incluindo 200 mil nas áreas mais afetadas pela fome, e vacinou mais de 6 milhões de animais.
“Quando as agências humanitárias têm acesso e recursos, somos capazes de promover uma resposta rápida e forte para salvar vidas”, disse Mahimbo Mdoe, representante do UNICEF no Sudão do Sul. “No entanto, estima-se ainda que mais de um milhão de crianças no Sudão do Sul estão desnutridas”, alertou.
A insegurança alimentar é uma questão fundamental, assim como a falta de cuidados de saúde, falta de água e saneamento e, sobretudo, o acesso a tratamento. Atualmente, várias partes do país permanecem sem ajuda, deixando milhares de crianças à beira de uma catástrofe.
O Sudão do Sul enfrenta a maior crise de segurança alimentar de sua história, segundo as Nações Unidas. De fevereiro para cá, o número de pessoas que lutam para encontrar comida no país aumentou de 4,9 milhões para 6 milhões.
O Sudão do Sul enfrenta a maior crise de segurança alimentar de sua história, segundo as Nações Unidas. De fevereiro para cá, o número de pessoas que lutam para encontrar comida no país aumentou de 4,9 milhões para 6 milhões.
“O crescimento da insegurança alimentar foi impulsionado por conflitos armados, baixas colheitas e aumento dos preços dos alimentos, bem como os efeitos da estação anual da seca”, afirmaram três agências da ONU – a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) – em uma declaração conjunta na semana passada (21).
De acordo com a atualização do Quadro Integrado de Classificação da Segurança Alimentar (IPC) – uma análise da ONU, do governo e de outros parceiros – nos condados de Leer e Mayandit, no estado de Unity, já não se aplicam mais a definição técnica de fome, que tinha sido declarada em fevereiro deste ano.
É provável que a assistência humanitária imediata e contínua tenha desempenhado um papel importante para prevenir que os condados de Koch e Panyijiar chegassem a níveis mais alarmantes.
Entretanto, a fome se agravou na região nordeste do país – na margem ocidental do rio Nilo – enquanto as populações no sudoeste enfrentam níveis de necessidade sem precedentes.
“A única maneira de acabar com essa situação desesperadora é cessar o conflito, garantir acesso sem obstáculos e permitir que as pessoas retomem seus meios de subsistência”, disse o diretor de emergências da FAO, Dominique Burgeon.
As três agências da ONU advertiram que as melhorias nos locais onde há maior fome não devem ser perdidas. A capacidade das pessoas de se alimentar foi severamente reduzida e a entrega de alimentos de emergência, bem como o apoio aos meios de subsistência, devem continuar para evitar que o cenário se agrave.
“As conquistas nos condados afetados pela fome mostram o que pode ser alcançado quando a assistência contínua chega às famílias. Mas o trabalho está longe de terminar”, disse a representante do PMA no Sudão do Sul, Joyce Luma. “Essa é uma crise que continua a piorar, com milhões de pessoas enfrentando a perspectiva de fome se a ajuda humanitária acabar. O fim deste conflito é imperativo.”
Cada uma das agências intensificou sua resposta. O PMA alcançou 3,4 milhões de pessoas no Sudão do Sul desde o início do ano, incluindo assistência para 2,6 milhões em deslocamento ou ou afetadas por conflitos.
O UNICEF e seus parceiros trataram cerca de 76 mil crianças em estado grave de desnutrição e forneceram água potável a 500 mil pessoas e acesso a instalações sanitárias a outras 200 mil.
Já a FAO forneceu kits de pesca e agricultura a mais de 2,8 milhões de sul-sudaneses, incluindo 200 mil nas áreas mais afetadas pela fome, e vacinou mais de 6 milhões de animais.
“Quando as agências humanitárias têm acesso e recursos, somos capazes de promover uma resposta rápida e forte para salvar vidas”, disse Mahimbo Mdoe, representante do UNICEF no Sudão do Sul. “No entanto, estima-se ainda que mais de um milhão de crianças no Sudão do Sul estão desnutridas”, alertou.
A insegurança alimentar é uma questão fundamental, assim como a falta de cuidados de saúde, falta de água e saneamento e, sobretudo, o acesso a tratamento. Atualmente, várias partes do país permanecem sem ajuda, deixando milhares de crianças à beira de uma catástrofe.
30.3.17
"Nada nesta marcha se compara às dificuldades que os refugiados têm"
Entrevista de Barbara Baldaia a Sebastian Olényi, da Marcha Civil por Aleppo, in TSF
A Marcha por Aleppo saiu há dias de Sarajevo, está agora na Bósnia e depois segue para a Macedónia e para a Grécia, antes de chegar ao destino, lá para o final de setembro.
Já fizeram 1200 quilómetros. Têm pela frente mais 2500. O grupo que está a fazer esta ligação a partir de Berlim desde 26 de dezembro conta com cerca de 30 pessoas, de várias nacionalidades, num cordão que vai sendo engrossado nos momentos de passagem pelas grandes cidades.
Sebastian Olényi é o responsável pelas relações com a imprensa da Marcha Civil por Aleppo. Ao telefone, ele explicou à TSF que o objetivo é trilhar o mesmo percurso que é feito pelos refugiados, mas em sentido contrário.
Como tem corrido esta Marcha que iniciaram em dezembro?
Estamos a fazer o percurso dos refugiados no sentido contrário e estamos a encontrar muitos campos de refugiados ao longo do caminho.
Temos essa semelhança com os refugiados, mas por outro lado não passamos pelo mesmo sofrimento que eles. Não queremos sequer comparar isso.
Não fomos até agora barrados por cercas, temos passaportes europeus, temos bons sapatos, sítios onde pernoitar, normalmente em gimnodesportivos ou igrejas. Muito raramente tivemos que dormir ao ar livre. Temos tido muita sorte. Já enfrentámos nevões e alguns problemas. Algumas pessoas tentaram tornar a nossa viagem desconfortável, mas não creio que nada se compare às dificuldades que os refugiados têm que ultrapassar para chegar à Europa.
Disse que há pessoas que tentaram tornar a vossa viagem desconfortável?
Sim, tivemos alguns problemas ao longo do caminho. Pessoas que não aparentemente não concordam com a ideia de haver paz na Síria, pessoas que querem forçar as suas ideias, que querem que nós fiquemos com a ideia de que alguns grupos rebeldes são melhores que outros. Outras pessoas que nos perguntam porque é que nos incomodamos por causa de outras pessoas que nem sequer são do mesmo país que nós, que dizem que isto é uma ideia louca.
Algumas pessoas tentaram assustar-nos, a dizer que iam pegar fogo ao sítio onde estávamos a dormir, ao nosso carro. Há uns dias, assaltaram-nos o carro, roubaram equipamentos.
Enfim, não houve um grande problema, mas tem havido percalços pelo caminho, com comportamentos hostis. As pessoas organizam contra-manifestações, cospem para o chão.
Mas, na verdade, a maioria das pessoas recebe-nos com grande hospitalidade, abrem os corações e as portas de casa para nós, preparam-nos chá, fazem-nos bolachas, convidam-nos para jantar.
Tem havido uma enorme hospitalidade. Por vezes, não estamos seguros se teríamos recebido a mesma hospitalidade se fossemos refugiados, se não fossemos ocidentais, por assim dizer. Mas na maior parte dos casos, fomos recebidos com grande hospitalidade.
E essas pessoas dão-vos força para continuar?
Sim, claro. Por um lado, estamos a alertar consciências para o problema dos refugiados. Já conseguimos pôr em contacto alguns refugiados com a população local. Já conseguimos juntar algum dinheiro para outras organizações que estão a atuar no terreno com refugiados. Já conseguimos doar 5 mil euros a uma organização que estava a prestar apoio no pico do inverno, na Sérvia.
No início de fevereiro, houve temperaturas negativas e estas ONG's estiveram no terreno a dar comida quente e chocolate aos refugiados que, de outra forma, teriam morrido. Nós já conseguimos ter algum impacto e estamos a lutar para continuar a fazê-lo, a alertar consciências para a situação na Síria e para os sírios que estão nestas cidades por onde temos passado.
Ainda continua a decorrer a vossa campanha de crowdfunding?
Sim. Para ser honesto, já não precisamos para a marcha. Agora estamos a juntar dinheiro para dar a organizações que têm apoiado os refugiados nos campos que temos encontrado ao longo do caminho. O nosso objetivo continua a ser alertar consciências para a situação na Síria e, se conseguirmos ajudar os refugiados ao longo do caminho, melhor ainda.
O que respondem às pessoas que vos dizem que estão a fazer algo que é muito perigoso?
Bem... pensamos que é mais estúpido não fazermos nada. Os líderes europeus não estão a fazer o suficiente pela paz na Síria, não estão a esforçar-se devidamente para negociar com as diferentes partes.
Este é um conflito internacional que já dura há muito tempo, com muitas partes no terreno, e tem que ser resolvido a um nível internacional.
A UE não está a fazer o suficiente. Nós tentamos forçar os políticos a terem uma posição mais forte nas negociações de paz para a Síria.
O que é o perigo, no fundo, comparando com o perigo que estas pessoas passam nos campos de refugiados e até mesmo na Síria? Isto que estamos a fazer é muito fácil comparado com isso.
Claro que há algumas dificuldades. E queremos que se junte cada vez mais gente à nossa marcha. Podem entrar e sair. Nas grandes cidades, temos sempre mais gente.
Queremos alertar consciências por toda a Europa e nas cidades por onde temos passado. Temos encontrado muita gente e queremos que se juntem cada vez mais pessoas a nós.
A Marcha por Aleppo saiu há dias de Sarajevo, está agora na Bósnia e depois segue para a Macedónia e para a Grécia, antes de chegar ao destino, lá para o final de setembro.
Já fizeram 1200 quilómetros. Têm pela frente mais 2500. O grupo que está a fazer esta ligação a partir de Berlim desde 26 de dezembro conta com cerca de 30 pessoas, de várias nacionalidades, num cordão que vai sendo engrossado nos momentos de passagem pelas grandes cidades.
Sebastian Olényi é o responsável pelas relações com a imprensa da Marcha Civil por Aleppo. Ao telefone, ele explicou à TSF que o objetivo é trilhar o mesmo percurso que é feito pelos refugiados, mas em sentido contrário.
Como tem corrido esta Marcha que iniciaram em dezembro?
Estamos a fazer o percurso dos refugiados no sentido contrário e estamos a encontrar muitos campos de refugiados ao longo do caminho.
Temos essa semelhança com os refugiados, mas por outro lado não passamos pelo mesmo sofrimento que eles. Não queremos sequer comparar isso.
Não fomos até agora barrados por cercas, temos passaportes europeus, temos bons sapatos, sítios onde pernoitar, normalmente em gimnodesportivos ou igrejas. Muito raramente tivemos que dormir ao ar livre. Temos tido muita sorte. Já enfrentámos nevões e alguns problemas. Algumas pessoas tentaram tornar a nossa viagem desconfortável, mas não creio que nada se compare às dificuldades que os refugiados têm que ultrapassar para chegar à Europa.
Disse que há pessoas que tentaram tornar a vossa viagem desconfortável?
Sim, tivemos alguns problemas ao longo do caminho. Pessoas que não aparentemente não concordam com a ideia de haver paz na Síria, pessoas que querem forçar as suas ideias, que querem que nós fiquemos com a ideia de que alguns grupos rebeldes são melhores que outros. Outras pessoas que nos perguntam porque é que nos incomodamos por causa de outras pessoas que nem sequer são do mesmo país que nós, que dizem que isto é uma ideia louca.
Algumas pessoas tentaram assustar-nos, a dizer que iam pegar fogo ao sítio onde estávamos a dormir, ao nosso carro. Há uns dias, assaltaram-nos o carro, roubaram equipamentos.
Enfim, não houve um grande problema, mas tem havido percalços pelo caminho, com comportamentos hostis. As pessoas organizam contra-manifestações, cospem para o chão.
Mas, na verdade, a maioria das pessoas recebe-nos com grande hospitalidade, abrem os corações e as portas de casa para nós, preparam-nos chá, fazem-nos bolachas, convidam-nos para jantar.
Tem havido uma enorme hospitalidade. Por vezes, não estamos seguros se teríamos recebido a mesma hospitalidade se fossemos refugiados, se não fossemos ocidentais, por assim dizer. Mas na maior parte dos casos, fomos recebidos com grande hospitalidade.
E essas pessoas dão-vos força para continuar?
Sim, claro. Por um lado, estamos a alertar consciências para o problema dos refugiados. Já conseguimos pôr em contacto alguns refugiados com a população local. Já conseguimos juntar algum dinheiro para outras organizações que estão a atuar no terreno com refugiados. Já conseguimos doar 5 mil euros a uma organização que estava a prestar apoio no pico do inverno, na Sérvia.
No início de fevereiro, houve temperaturas negativas e estas ONG's estiveram no terreno a dar comida quente e chocolate aos refugiados que, de outra forma, teriam morrido. Nós já conseguimos ter algum impacto e estamos a lutar para continuar a fazê-lo, a alertar consciências para a situação na Síria e para os sírios que estão nestas cidades por onde temos passado.
Ainda continua a decorrer a vossa campanha de crowdfunding?
Sim. Para ser honesto, já não precisamos para a marcha. Agora estamos a juntar dinheiro para dar a organizações que têm apoiado os refugiados nos campos que temos encontrado ao longo do caminho. O nosso objetivo continua a ser alertar consciências para a situação na Síria e, se conseguirmos ajudar os refugiados ao longo do caminho, melhor ainda.
O que respondem às pessoas que vos dizem que estão a fazer algo que é muito perigoso?
Bem... pensamos que é mais estúpido não fazermos nada. Os líderes europeus não estão a fazer o suficiente pela paz na Síria, não estão a esforçar-se devidamente para negociar com as diferentes partes.
Este é um conflito internacional que já dura há muito tempo, com muitas partes no terreno, e tem que ser resolvido a um nível internacional.
A UE não está a fazer o suficiente. Nós tentamos forçar os políticos a terem uma posição mais forte nas negociações de paz para a Síria.
O que é o perigo, no fundo, comparando com o perigo que estas pessoas passam nos campos de refugiados e até mesmo na Síria? Isto que estamos a fazer é muito fácil comparado com isso.
Claro que há algumas dificuldades. E queremos que se junte cada vez mais gente à nossa marcha. Podem entrar e sair. Nas grandes cidades, temos sempre mais gente.
Queremos alertar consciências por toda a Europa e nas cidades por onde temos passado. Temos encontrado muita gente e queremos que se juntem cada vez mais pessoas a nós.
Mulheres que fogem do seu país com um filho no ventre
in Público on-line
"Ninguém quer deixar a sua casa", disse Sanwara Begum, uma mulher de 20 anos, com a filha de 25 dias nos braços. "Viemos para o Bangladesh apenas para salvar as nossas vidas. A Birmânia é a nossa casa e assim que as coisas estiverem mais calmas vamos voltar"
Na Birmânia, são milhares os membros da minoria étnica rohingya que para fugir à insegurança e pobreza que dominam o seu quotidiano fazem travessias perigosas a pé e de barco para chegar à fronteira com o Bangladesh. Há três meses, a aldeia onde Rehana Begum vivia foi atacada de surpresa. A mulher de 25 anos estava em casa quando começou a ouvir tiros. “Caminhámos durante quatro horas sem comida nem água para chegar à fronteira", contou Rehana à agência Reuters. "Os guardas da fronteira do Bangladesh queriam mandar-nos de volta, mas depois ouvimos tiros do lado da Birmânia e eles libertaram-nos. Disseram-nos: 'fiquem no Bangladesh e salvem as vossas vidas'". Passados poucos meses, Rehana deu à luz uma menina no campo de refugiados em Cox's Bazar, no Bangladesh. Mas não foi a única.
Membros de uma minoria muçulmana num país de maioria budista, os rohingya são uma das etnias mais perseguidas no planeta. Em Outubro do ano passado, as forças armadas da Birmânia iniciaram uma "operação de limpeza" após vários rebeldes rohingya terem atacado militares na cidade de Rakhine. De acordo com as Nações Unidas, foram cometidos assassinatos em massa, violações e aldeias foram incendiadas – tudo fruto de uma campanha extremista que viola os direitos humanos. "Os militares capturaram o meu marido e incendiaram a nossa casa", explicou Ramida Begum, uma mulher de 35 anos, com a filha de 10 dias de vida ao colo. "Desde então, não sei se ele está vivo ou morto".
São várias as mulheres que chegam da Birmânia grávidas e encontram no acampamento improvisado um lar para a sua família, embora provisório. "Ninguém quer deixar a sua casa", disse Sanwara Begum, uma mulher de 20 anos, dentro de uma tenda com a filha de 25 dias nos braços. "Viemos para o Bangladesh apenas para salvar as nossas vidas. A Birmânia é a nossa casa e assim que as coisas estiverem mais calmas vamos voltar". Estas mulheres vivem amontoadas no campo de refugiados e dependem de rações alimentares e do apoio dos outros refugiados. Contudo, apesar de carregarem histórias de terror e morte, trazem algo mais consigo: a esperança trazida por um recém-nascido.
Mas a vida no campo não é fácil, muito menos para seres humanos tão frágeis. Debaixo de um sol escaldante, em abrigos feitos de varas de bambu e folhas de plástico preto, as mães enfrentam um grande desafio em manter os seus recém-nascidos vivos. Muitas vezes, os acampamentos não dispõem de instalações médicas nem de água corrente, sendo os surtos de doenças transmitidas pela água, como a cólera, uma preocupação constante. Muitas mulheres, ao terem perdido familiares do sexo masculino, lutam para conseguir sobreviver e sustentar a família. Alinhadas ao longo da estrada, pedem dinheiro aos carros que passam, nas horas de menos calor. Segundo um funcionário da Federação Internacional da Cruz Vermelha em Bangladesh Azmat Ulla, a maioria dos refugiados não recebe comida suficiente e não tem acesso a serviços de saúde regulares. As clínicas administradas por órgãos não governamentais e pelas Nações Unidas estão sobrelotadas e com dificuldades em tratar os milhares de pacientes que recebem por mês.
"O meu filho não bebe leite materno suficiente, porque também não como alimentos nutritivos suficientes", disse Minara Begum, com 22 anos, mãe de um menino de um mês de idade. "Tenho de comprar leite em pó no mercado local, embora não seja muito bom para ele". Minara Begum é um dos cerca de 75 mil refugiados que conseguiram atravessar os campos com percursos perigosos para chegar ao Bangladesh. Nessa travessia, há quem passe fome durante semanas ou dê tudo aquilo que possui como forma de pagamento aos contrabandistas. Mas, para muitos, essa viagem não chega ao fim: afogam-se no mar ou são mortos pelas forças de segurança da Birmânia durante a travessia.
Os militares da Birmânia assumem a repressão contra a minoria muçulmana como uma operação legal para defender o país e negam as acusações de que são alvo. A Birmânia iniciou várias investigações sobre o alegado abuso, mas segundo responsáveis dos direitos humanos, não existe credibilidade e independência no processo de investigação.
"Ninguém quer deixar a sua casa", disse Sanwara Begum, uma mulher de 20 anos, com a filha de 25 dias nos braços. "Viemos para o Bangladesh apenas para salvar as nossas vidas. A Birmânia é a nossa casa e assim que as coisas estiverem mais calmas vamos voltar"
Na Birmânia, são milhares os membros da minoria étnica rohingya que para fugir à insegurança e pobreza que dominam o seu quotidiano fazem travessias perigosas a pé e de barco para chegar à fronteira com o Bangladesh. Há três meses, a aldeia onde Rehana Begum vivia foi atacada de surpresa. A mulher de 25 anos estava em casa quando começou a ouvir tiros. “Caminhámos durante quatro horas sem comida nem água para chegar à fronteira", contou Rehana à agência Reuters. "Os guardas da fronteira do Bangladesh queriam mandar-nos de volta, mas depois ouvimos tiros do lado da Birmânia e eles libertaram-nos. Disseram-nos: 'fiquem no Bangladesh e salvem as vossas vidas'". Passados poucos meses, Rehana deu à luz uma menina no campo de refugiados em Cox's Bazar, no Bangladesh. Mas não foi a única.
Membros de uma minoria muçulmana num país de maioria budista, os rohingya são uma das etnias mais perseguidas no planeta. Em Outubro do ano passado, as forças armadas da Birmânia iniciaram uma "operação de limpeza" após vários rebeldes rohingya terem atacado militares na cidade de Rakhine. De acordo com as Nações Unidas, foram cometidos assassinatos em massa, violações e aldeias foram incendiadas – tudo fruto de uma campanha extremista que viola os direitos humanos. "Os militares capturaram o meu marido e incendiaram a nossa casa", explicou Ramida Begum, uma mulher de 35 anos, com a filha de 10 dias de vida ao colo. "Desde então, não sei se ele está vivo ou morto".
São várias as mulheres que chegam da Birmânia grávidas e encontram no acampamento improvisado um lar para a sua família, embora provisório. "Ninguém quer deixar a sua casa", disse Sanwara Begum, uma mulher de 20 anos, dentro de uma tenda com a filha de 25 dias nos braços. "Viemos para o Bangladesh apenas para salvar as nossas vidas. A Birmânia é a nossa casa e assim que as coisas estiverem mais calmas vamos voltar". Estas mulheres vivem amontoadas no campo de refugiados e dependem de rações alimentares e do apoio dos outros refugiados. Contudo, apesar de carregarem histórias de terror e morte, trazem algo mais consigo: a esperança trazida por um recém-nascido.
Mas a vida no campo não é fácil, muito menos para seres humanos tão frágeis. Debaixo de um sol escaldante, em abrigos feitos de varas de bambu e folhas de plástico preto, as mães enfrentam um grande desafio em manter os seus recém-nascidos vivos. Muitas vezes, os acampamentos não dispõem de instalações médicas nem de água corrente, sendo os surtos de doenças transmitidas pela água, como a cólera, uma preocupação constante. Muitas mulheres, ao terem perdido familiares do sexo masculino, lutam para conseguir sobreviver e sustentar a família. Alinhadas ao longo da estrada, pedem dinheiro aos carros que passam, nas horas de menos calor. Segundo um funcionário da Federação Internacional da Cruz Vermelha em Bangladesh Azmat Ulla, a maioria dos refugiados não recebe comida suficiente e não tem acesso a serviços de saúde regulares. As clínicas administradas por órgãos não governamentais e pelas Nações Unidas estão sobrelotadas e com dificuldades em tratar os milhares de pacientes que recebem por mês.
"O meu filho não bebe leite materno suficiente, porque também não como alimentos nutritivos suficientes", disse Minara Begum, com 22 anos, mãe de um menino de um mês de idade. "Tenho de comprar leite em pó no mercado local, embora não seja muito bom para ele". Minara Begum é um dos cerca de 75 mil refugiados que conseguiram atravessar os campos com percursos perigosos para chegar ao Bangladesh. Nessa travessia, há quem passe fome durante semanas ou dê tudo aquilo que possui como forma de pagamento aos contrabandistas. Mas, para muitos, essa viagem não chega ao fim: afogam-se no mar ou são mortos pelas forças de segurança da Birmânia durante a travessia.
Os militares da Birmânia assumem a repressão contra a minoria muçulmana como uma operação legal para defender o país e negam as acusações de que são alvo. A Birmânia iniciou várias investigações sobre o alegado abuso, mas segundo responsáveis dos direitos humanos, não existe credibilidade e independência no processo de investigação.
13.3.17
Mais de 650 crianças morreram na Síria em 2016
in SicNotícias
No ano passado morreram na Síria 652 crianças. A UNICEF diz que foi o ano pior desde que a guerra começou em 2011.
[veja aqui a reportagem na íntegra]
No ano passado morreram na Síria 652 crianças. A UNICEF diz que foi o ano pior desde que a guerra começou em 2011.
[veja aqui a reportagem na íntegra]
7.3.17
Mais de 100 morreram de fome na Somália nas últimas 48 horas
in Diário de Notícias
Primeiro-ministro fez balanço das mortes registadas devido à seca que afeta milhões de pessoas no país
O primeiro-ministro da Somália, Hassan Ali Khaire, disse hoje que 110 pessoas morreram de fome nas últimas 48 horas numa única região do país, onde uma grave seca afeta milhões de pessoas.
Este é o primeiro balanço de mortes devido à seca anunciado pelo Governo, desde que na terça-feira declarou uma situação de "catástrofe nacional".
Khaire falava durante um encontro com o Comité Nacional da Seca e o balanço é relativo à região de Bay, no sudoeste da Somália.
Segundo as agências humanitárias, cerca de três milhões de pessoas correm risco de fome na Somália devido à seca.
O coordenador do apoio humanitário das Nações Unidas, Stephen O'Brien, deve deslocar-se à Somália nos próximos dias.
Milhares de pessoas têm-se deslocado para a capital da Somália, Mogadíscio, em busca de ajuda alimentar. Recentemente, mais de 7.000 deslocados chegaram a um centro de fornecimento de alimentos.
A seca é a primeira crise que o novo Presidente somali, Mohamed Abdullahi Mohamed, tem de enfrentar no país, muito fragilizado devido a secas anteriores e a 25 anos de conflito, que continua com ataques do grupo extremista Al-Shabab.
A Organização Mundial de Saúde estima que mais de 6,2 milhões de pessoas na Somália, o que corresponde a metade da população do país, precisam de ajuda humanitária urgente.
Segundo a agência da ONU, mais de 363.000 crianças sofrem de desnutrição grave, entre as quais 70.000 estão severamente desnutridas, precisando urgentemente de assistência.
A seca levou à propagação de diarreias agudas, de cólera e sarampo e cerca de 5,5 milhões de pessoas estão em risco de contrair doenças transmitidas pela água.
Primeiro-ministro fez balanço das mortes registadas devido à seca que afeta milhões de pessoas no país
O primeiro-ministro da Somália, Hassan Ali Khaire, disse hoje que 110 pessoas morreram de fome nas últimas 48 horas numa única região do país, onde uma grave seca afeta milhões de pessoas.
Este é o primeiro balanço de mortes devido à seca anunciado pelo Governo, desde que na terça-feira declarou uma situação de "catástrofe nacional".
Khaire falava durante um encontro com o Comité Nacional da Seca e o balanço é relativo à região de Bay, no sudoeste da Somália.
Segundo as agências humanitárias, cerca de três milhões de pessoas correm risco de fome na Somália devido à seca.
O coordenador do apoio humanitário das Nações Unidas, Stephen O'Brien, deve deslocar-se à Somália nos próximos dias.
Milhares de pessoas têm-se deslocado para a capital da Somália, Mogadíscio, em busca de ajuda alimentar. Recentemente, mais de 7.000 deslocados chegaram a um centro de fornecimento de alimentos.
A seca é a primeira crise que o novo Presidente somali, Mohamed Abdullahi Mohamed, tem de enfrentar no país, muito fragilizado devido a secas anteriores e a 25 anos de conflito, que continua com ataques do grupo extremista Al-Shabab.
A Organização Mundial de Saúde estima que mais de 6,2 milhões de pessoas na Somália, o que corresponde a metade da população do país, precisam de ajuda humanitária urgente.
Segundo a agência da ONU, mais de 363.000 crianças sofrem de desnutrição grave, entre as quais 70.000 estão severamente desnutridas, precisando urgentemente de assistência.
A seca levou à propagação de diarreias agudas, de cólera e sarampo e cerca de 5,5 milhões de pessoas estão em risco de contrair doenças transmitidas pela água.
1.3.17
Quaresma. Refugiados e crise humanitária no Sudão do Sul preocupam bispos portugueses
Ângela Roque, in RR
As mensagens dos bispos portugueses para a Quaresma, que se inicia esta quarta-feira, não esquecem o acolhimento aos refugiados e a crise humanitária que se vive no Sudão do Sul. Parte das renúncias quaresmais deste ano serão canalizadas para esse país africano, mas há dioceses onde os donativos terão outros destinos, como o apoio às grávidas em dificuldade ou às crianças que vivem em extrema pobreza.
O bispo de Portalegre e Castelo Branco foi dos primeiros a responder ao apelo do Papa em favor do Sudão do Sul. Metade dos donativos que forem recolhidos durante a Quaresma serão para ajudar a população daquele país africano, “devastado por um conflito fratricida e uma grave crise alimentar, onde milhares de pessoas morrem de fome, mais de um milhão estão em risco e um milhão e meio são refugiados”, lembra D. Antonino Dias na sua mensagem. A outra metade das renúncias quaresmais deste ano será para a Cáritas local apoiar os refugiados acolhidos na diocese.
Também os bispos de Aveiro e de Santarém desafiam os católicos das suas dioceses a ajudarem o povo do Sudão do Sul. D. António Moiteiro recorda os apelos do Papa em favor das “crianças pobres” que ali “passam fome”, D. Manuel Pelino fala na “situação aflitiva" que se vive naquele país “onde falta tudo: tendas, comida, água, medicamentos e outras necessidades urgentes”. Nos dois casos o que for recolhido na Quaresma será entregue aos missionários combonianos que estão a ajudar a população no terreno.
A diocese de Viseu decidiu este ano ajudar os refugiados na Turquia, com os donativos recolhidos durante a Quaresma. É uma resposta ao apelo lançado pela Cáritas Portuguesa, que lançou uma campanha de recolha de fundos para apoiar a sua congénere naquele país. O bispo D. Ilídio Leandro lembra que “a situação social, económica e de segurança no mundo” continua “a pedir respostas de solidariedade, de acolhimento e de justiça social”. A diocese mantém a disponibilidade para receber quem chegue nessas condições.
Os refugiados preocupam também a diocese de Setúbal, que anunciou que vai usar os donativos recolhidos na Quaresma para criar um fundo diocesano destinado a apoiar o seu acolhimento. A chamada renúncia quaresmal vai ainda auxiliar a paróquia da Arrentela.
Já a diocese da Guarda vai ajudar as comunidades cristãs do Iraque e da Síria. D. Manuel Felício afirma que é necessário “encontrar forma de acolher os refugiados” e tentar que “voltem a ter condições de vida nas suas terras”. A recolha que for feita durante a Quaresma será entregue à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, que está a apoiar as populações daqueles dois países.
Na diocese de Beja a renúncia quaresmal deste ano vai ser destinada, em partes iguais, aos cristãos perseguidos da Síria e ao Fundo de Emergência administrado pela Cáritas diocesana. “Faremos chegar a nossa ajuda aos cristãos sírios por meio de uma religiosa portuguesa do mosteiro de S. Tiago Mutilado, de Qâra”, esclarece D. João Marcos na sua mensagem.
Em Leiria-Fátima os donativos das renúncias também vão ser canalizados para a ajuda aos refugiados, na Grécia ou noutros países, “onde vivem em condições de miséria”. O montante recolhido será entregue à Cáritas Portuguesa. Mas a diocese vai também aproveitar este tempo especial de preparação para a Páscoa para promover o apoio a grávidas em dificuldade.
“Vai ser apresentado publicamente o Serviço de Apoio à Maternidade em Dificuldade, no âmbito da Cáritas diocesana. Façamos chegar essa informação às mulheres grávidas que necessitem de ajuda para acolherem e educarem o seu filho”, escreve D. António Marto na sua mensagem.
Aborto, pobreza, meditação
O arcebispo de Braga alerta na sua mensagem de Quaresma para a necessidade de respeitar o direito “fundamental e inviolável” à vida, insurgindo-se contra as práticas do aborto e da eutanásia. D. Jorge Ortiga convida a fazer do tempo de preparação para a Páscoa uma momento para “educar para a vida”.
Fazer desta Quaresma um “tempo de diferença” é o desafio lançado pelo bispo de Lamego. O que for recolhido na diocese até à Páscoa será dividido entre o Fundo Solidário Diocesano, que apoia quem mais precisa na região, e a ajuda que é prestada em Moçambique e na Bolívia pelos missionários do Espírito Santo, que estão a celebrar 150 anos de presença em Portugal.
Nos Açores, o bispo de Angra destinou a renúncia quaresmal deste ano ao Fundo Diocesano para as crianças em extrema pobreza. D. João Lavrador escreve que nesta Quaresma toda a caminhada em direcção a Deus “obriga necessariamente” a ser solidário, e pede aos sacerdotes que dediquem “o tempo necessário” para atender quem precisa.
O bispo do Porto desafia as comunidades diocesanas a aproveitarem o tempo da Quaresma e da Páscoa para prepararem a vinda do Papa Francisco a Portugal e ao Santuário de Fátima, por ocasião do centenário das aparições. No “site” da diocese é possível descarregar os materiais para a caminhada proposta, e que inclui a oração do terço. D. António Francisco dos Santos pede a “meditação de, pelo menos, um mistério do Rosário por semana, de modo a revitalizar a família como Igreja orante”.
O bispo de Bragança-Miranda convida os católicos a fazerem desta Quaresma um “tempo aberto à misericórdia” e atento aos que mais precisam. D. José Cordeiro propôs que a renúncia quaresmal seja este ano destinada à Cáritas Diocesana, que, segundo os dados relativos a 2016, apoia mais de 17 mil pessoas.
O arcebispo de Évora pede aos católicos que tomem os “três remédios” que permitem olhar com mais atenção para quem está à volta – a oração, o jejum e a esmola. Na arquidiocese a renúncia quaresmal destina-se à manutenção do seminário “Redemptoris Mater”, que “não tem receitas próprias” e onde se encontram a estudar “11 jovens que sentiram o chamamento de Deus”.
Já o bispo das Forças Armadas e de Segurança recorda, na sua mensagem para a Quaresma e Páscoa, os militares e polícias que vivem situações “particularmente graves”. D. Manuel Linda determinou, por isso, que no Ordinariato Castrense metade dos donativos recolhidos irá para ajudar estes casos. Os outros 50% vão seguir para Timor-Leste, sendo a sua utilização determinada pelos bispos católicos do país.
As mensagens dos bispos portugueses para a Quaresma, que se inicia esta quarta-feira, não esquecem o acolhimento aos refugiados e a crise humanitária que se vive no Sudão do Sul. Parte das renúncias quaresmais deste ano serão canalizadas para esse país africano, mas há dioceses onde os donativos terão outros destinos, como o apoio às grávidas em dificuldade ou às crianças que vivem em extrema pobreza.
O bispo de Portalegre e Castelo Branco foi dos primeiros a responder ao apelo do Papa em favor do Sudão do Sul. Metade dos donativos que forem recolhidos durante a Quaresma serão para ajudar a população daquele país africano, “devastado por um conflito fratricida e uma grave crise alimentar, onde milhares de pessoas morrem de fome, mais de um milhão estão em risco e um milhão e meio são refugiados”, lembra D. Antonino Dias na sua mensagem. A outra metade das renúncias quaresmais deste ano será para a Cáritas local apoiar os refugiados acolhidos na diocese.
Também os bispos de Aveiro e de Santarém desafiam os católicos das suas dioceses a ajudarem o povo do Sudão do Sul. D. António Moiteiro recorda os apelos do Papa em favor das “crianças pobres” que ali “passam fome”, D. Manuel Pelino fala na “situação aflitiva" que se vive naquele país “onde falta tudo: tendas, comida, água, medicamentos e outras necessidades urgentes”. Nos dois casos o que for recolhido na Quaresma será entregue aos missionários combonianos que estão a ajudar a população no terreno.
A diocese de Viseu decidiu este ano ajudar os refugiados na Turquia, com os donativos recolhidos durante a Quaresma. É uma resposta ao apelo lançado pela Cáritas Portuguesa, que lançou uma campanha de recolha de fundos para apoiar a sua congénere naquele país. O bispo D. Ilídio Leandro lembra que “a situação social, económica e de segurança no mundo” continua “a pedir respostas de solidariedade, de acolhimento e de justiça social”. A diocese mantém a disponibilidade para receber quem chegue nessas condições.
Os refugiados preocupam também a diocese de Setúbal, que anunciou que vai usar os donativos recolhidos na Quaresma para criar um fundo diocesano destinado a apoiar o seu acolhimento. A chamada renúncia quaresmal vai ainda auxiliar a paróquia da Arrentela.
Já a diocese da Guarda vai ajudar as comunidades cristãs do Iraque e da Síria. D. Manuel Felício afirma que é necessário “encontrar forma de acolher os refugiados” e tentar que “voltem a ter condições de vida nas suas terras”. A recolha que for feita durante a Quaresma será entregue à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, que está a apoiar as populações daqueles dois países.
Na diocese de Beja a renúncia quaresmal deste ano vai ser destinada, em partes iguais, aos cristãos perseguidos da Síria e ao Fundo de Emergência administrado pela Cáritas diocesana. “Faremos chegar a nossa ajuda aos cristãos sírios por meio de uma religiosa portuguesa do mosteiro de S. Tiago Mutilado, de Qâra”, esclarece D. João Marcos na sua mensagem.
Em Leiria-Fátima os donativos das renúncias também vão ser canalizados para a ajuda aos refugiados, na Grécia ou noutros países, “onde vivem em condições de miséria”. O montante recolhido será entregue à Cáritas Portuguesa. Mas a diocese vai também aproveitar este tempo especial de preparação para a Páscoa para promover o apoio a grávidas em dificuldade.
“Vai ser apresentado publicamente o Serviço de Apoio à Maternidade em Dificuldade, no âmbito da Cáritas diocesana. Façamos chegar essa informação às mulheres grávidas que necessitem de ajuda para acolherem e educarem o seu filho”, escreve D. António Marto na sua mensagem.
Aborto, pobreza, meditação
O arcebispo de Braga alerta na sua mensagem de Quaresma para a necessidade de respeitar o direito “fundamental e inviolável” à vida, insurgindo-se contra as práticas do aborto e da eutanásia. D. Jorge Ortiga convida a fazer do tempo de preparação para a Páscoa uma momento para “educar para a vida”.
Fazer desta Quaresma um “tempo de diferença” é o desafio lançado pelo bispo de Lamego. O que for recolhido na diocese até à Páscoa será dividido entre o Fundo Solidário Diocesano, que apoia quem mais precisa na região, e a ajuda que é prestada em Moçambique e na Bolívia pelos missionários do Espírito Santo, que estão a celebrar 150 anos de presença em Portugal.
Nos Açores, o bispo de Angra destinou a renúncia quaresmal deste ano ao Fundo Diocesano para as crianças em extrema pobreza. D. João Lavrador escreve que nesta Quaresma toda a caminhada em direcção a Deus “obriga necessariamente” a ser solidário, e pede aos sacerdotes que dediquem “o tempo necessário” para atender quem precisa.
O bispo do Porto desafia as comunidades diocesanas a aproveitarem o tempo da Quaresma e da Páscoa para prepararem a vinda do Papa Francisco a Portugal e ao Santuário de Fátima, por ocasião do centenário das aparições. No “site” da diocese é possível descarregar os materiais para a caminhada proposta, e que inclui a oração do terço. D. António Francisco dos Santos pede a “meditação de, pelo menos, um mistério do Rosário por semana, de modo a revitalizar a família como Igreja orante”.
O bispo de Bragança-Miranda convida os católicos a fazerem desta Quaresma um “tempo aberto à misericórdia” e atento aos que mais precisam. D. José Cordeiro propôs que a renúncia quaresmal seja este ano destinada à Cáritas Diocesana, que, segundo os dados relativos a 2016, apoia mais de 17 mil pessoas.
O arcebispo de Évora pede aos católicos que tomem os “três remédios” que permitem olhar com mais atenção para quem está à volta – a oração, o jejum e a esmola. Na arquidiocese a renúncia quaresmal destina-se à manutenção do seminário “Redemptoris Mater”, que “não tem receitas próprias” e onde se encontram a estudar “11 jovens que sentiram o chamamento de Deus”.
Já o bispo das Forças Armadas e de Segurança recorda, na sua mensagem para a Quaresma e Páscoa, os militares e polícias que vivem situações “particularmente graves”. D. Manuel Linda determinou, por isso, que no Ordinariato Castrense metade dos donativos recolhidos irá para ajudar estes casos. Os outros 50% vão seguir para Timor-Leste, sendo a sua utilização determinada pelos bispos católicos do país.
13.2.17
Cerca de 250 mil crianças em todo o mundo são forçadas a serem soldados
in Diário de Notícias
Mais de 230 milhões de menores vivem em zonas de guerra e, apesar de não haver dados exatos, calcula-se que cerca de 250 mil crianças tenham de ser soldados em 17 países, recordaram ontem várias organizações não-governamentais (ONG).
O alerta foi dado por várias ONG para assinalar o Dia Internacional contra a Utilização de Menores Soldados e, para denunciar esta violação dos direitos humanos, realizaram-se várias ações, incluindo a VI Marcha Solidária 'Corre por uma causa, corre pela educação', organizada pela ONG Entreculturas, na Casa de Campo de Madrid.
Os fundos angariados com a iniciativa vão ser canalizados para a educação de 945 crianças do Sudão do Sul e para a formação de 50 professores da localidade de Maban, onde atualmente vivem 135 mil refugiados sudaneses e 15 mil deslocados internos que fugiram dos conflitos do Sudão e do Sudão do Sul.
De acordo com as Nações Unidas, mais de três milhões de pessoas viram-se forçadas a fugir das suas casas no Sudão do Sul. Além disso, 1,8 milhões de pessoas estão deslocadas no interior do país e 1,4 milhões de pessoas estão refugiadas em países vizinhos.
Também a Entreculturas e o Serviço Jesuíta a Refugiados anunciaram em comunicado que vão juntar-se à Rede Mundial da Oração do Papa para a causa das crianças soldado.
Estas ONG trabalham para promover a educação entre os menores da República Centro-Africana, do Sudão do Sul e da Colômbia para que as crianças recuperem a sua vida normal para que "voltem ao lugar onde deviam estar: na escola".
Mais de 230 milhões de menores vivem em zonas de guerra e, apesar de não haver dados exatos, calcula-se que cerca de 250 mil crianças tenham de ser soldados em 17 países, recordaram ontem várias organizações não-governamentais (ONG).
O alerta foi dado por várias ONG para assinalar o Dia Internacional contra a Utilização de Menores Soldados e, para denunciar esta violação dos direitos humanos, realizaram-se várias ações, incluindo a VI Marcha Solidária 'Corre por uma causa, corre pela educação', organizada pela ONG Entreculturas, na Casa de Campo de Madrid.
Os fundos angariados com a iniciativa vão ser canalizados para a educação de 945 crianças do Sudão do Sul e para a formação de 50 professores da localidade de Maban, onde atualmente vivem 135 mil refugiados sudaneses e 15 mil deslocados internos que fugiram dos conflitos do Sudão e do Sudão do Sul.
De acordo com as Nações Unidas, mais de três milhões de pessoas viram-se forçadas a fugir das suas casas no Sudão do Sul. Além disso, 1,8 milhões de pessoas estão deslocadas no interior do país e 1,4 milhões de pessoas estão refugiadas em países vizinhos.
Também a Entreculturas e o Serviço Jesuíta a Refugiados anunciaram em comunicado que vão juntar-se à Rede Mundial da Oração do Papa para a causa das crianças soldado.
Estas ONG trabalham para promover a educação entre os menores da República Centro-Africana, do Sudão do Sul e da Colômbia para que as crianças recuperem a sua vida normal para que "voltem ao lugar onde deviam estar: na escola".
16.1.17
Frio põe em risco vida de milhares de refugiados
in Sábado
Pelo menos quatro refugiados já morreram de frio na última semana na Europa. A Agência das Nações Unidas para os Refugiados teme pela sobrevivência de mil, só na Grécia 14-01-2017 . Susana Lúcio | FOTO: Marko Djurica/Reuters As baixas temperaturas que se fazem sentir na Europa já provocaram a morte a 69 de pessoas e estão a colocar em risco a vida de milhares de refugiados que vivem em situação precária. Na ilha de Lesbos, na Grécia, a temperatura atingiu os 14 graus Celsius negativos e um manto de neve cobriu as tendas e contentores onde vivem mais de 4.000 pessoas. Para proteger os mais vulneráveis ao frio, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados transferiu para hotéis cerca de 120 homens, mulheres e crianças. O ministro grego para a migração, Yiannis Mouzalas, garantiu que os refugiados estão protegidos. "Não há mais refugiados a viver ao frio", disse segundo a CNN. Mas uma moradora e voluntária, Philippa Kempson revelou um vídeo onde se vê tendas cobertas de neves. "Estou surpreendida por ainda não ter morrido ninguém", disse. A Agência das Nações Unidas para os Refugiados identificou cerca de mil pessoas que nos campos de refugiados das ilhas gregas que vivem em tendas e dormitórios sem aquecimento.
A porta-voz, Cecile Pouilly, pediu para que estas pessoas fossem transferidas com urgência para centros de de acolhimento no continente. A marinha grega enviou um navio para a ilha para servir de abrigo a 500 refugiados. Entretanto, no dia 3 de Janeiro, um homem do Afeganistão, de 20 anos, morreu de frio depois de atravessar um rio que separa a Grécia da Turquia. A ong United Rescues já identificou alguns casos de hipotermia em Lesbos. "As pessoas pensam que a Grécia é o verão eterno. Não é assim", disse a fundadora e presidente, Ella Carlquist. A porta-voz da UNICEF criticou os governos europeus por não resolverem a situação dos refugiados com mais celeridade. "Isto é sobre salvar vidas, não é sobre fitas vermelhas e acordos burocráticos", disse Sarah Crowe. "A situação na Grécia é terrível." A situação dos refugiados no continente não é melhor. No início da semana, a polícia alemã encontrou 19 refugiados, incluindo cinco crianças, com sintomas de hipotermia, numa auto-estrada da Bavaria, dentro de um camião que tinha sido abandonado pelo condutor. Na Bulgária, foram encontrados nas montanhas, junto à fronteira com a Turquia, dois iraquianos e uma mulher da Somália mortos devido ao frio. Em Belgrado, na Sérvia, onde as temperaturas desceram para os 20 graus de Celsius negativos, cerca de 2.000 refugiados que vivem num armazém abandonado têm acendido fogueiras para se manterem quentes. "Não sei como é que as pessoas estão a sobreviver nestas condições", disse Todor Gardos, da Amnistia Internacional. Foram distribuídos cobertores e comida. "A falta de vontade política para dar asilo ou reunificar famílias significa que estes seres humanos, que sobreviveram anos de guerra, violência e viagens perigosas para ficarem em segurança estão agora a morrer de frio às portas da Europa", disse a directora da ong Save the Children, Kirsty McNeill. No ano passado, morreram mais de 7.000 pessoas a tentar chegar à Europa. Só nos primeiros dias de 2017, já morreram afogadas 27 pessoas.
l
Pelo menos quatro refugiados já morreram de frio na última semana na Europa. A Agência das Nações Unidas para os Refugiados teme pela sobrevivência de mil, só na Grécia 14-01-2017 . Susana Lúcio | FOTO: Marko Djurica/Reuters As baixas temperaturas que se fazem sentir na Europa já provocaram a morte a 69 de pessoas e estão a colocar em risco a vida de milhares de refugiados que vivem em situação precária. Na ilha de Lesbos, na Grécia, a temperatura atingiu os 14 graus Celsius negativos e um manto de neve cobriu as tendas e contentores onde vivem mais de 4.000 pessoas. Para proteger os mais vulneráveis ao frio, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados transferiu para hotéis cerca de 120 homens, mulheres e crianças. O ministro grego para a migração, Yiannis Mouzalas, garantiu que os refugiados estão protegidos. "Não há mais refugiados a viver ao frio", disse segundo a CNN. Mas uma moradora e voluntária, Philippa Kempson revelou um vídeo onde se vê tendas cobertas de neves. "Estou surpreendida por ainda não ter morrido ninguém", disse. A Agência das Nações Unidas para os Refugiados identificou cerca de mil pessoas que nos campos de refugiados das ilhas gregas que vivem em tendas e dormitórios sem aquecimento.
A porta-voz, Cecile Pouilly, pediu para que estas pessoas fossem transferidas com urgência para centros de de acolhimento no continente. A marinha grega enviou um navio para a ilha para servir de abrigo a 500 refugiados. Entretanto, no dia 3 de Janeiro, um homem do Afeganistão, de 20 anos, morreu de frio depois de atravessar um rio que separa a Grécia da Turquia. A ong United Rescues já identificou alguns casos de hipotermia em Lesbos. "As pessoas pensam que a Grécia é o verão eterno. Não é assim", disse a fundadora e presidente, Ella Carlquist. A porta-voz da UNICEF criticou os governos europeus por não resolverem a situação dos refugiados com mais celeridade. "Isto é sobre salvar vidas, não é sobre fitas vermelhas e acordos burocráticos", disse Sarah Crowe. "A situação na Grécia é terrível." A situação dos refugiados no continente não é melhor. No início da semana, a polícia alemã encontrou 19 refugiados, incluindo cinco crianças, com sintomas de hipotermia, numa auto-estrada da Bavaria, dentro de um camião que tinha sido abandonado pelo condutor. Na Bulgária, foram encontrados nas montanhas, junto à fronteira com a Turquia, dois iraquianos e uma mulher da Somália mortos devido ao frio. Em Belgrado, na Sérvia, onde as temperaturas desceram para os 20 graus de Celsius negativos, cerca de 2.000 refugiados que vivem num armazém abandonado têm acendido fogueiras para se manterem quentes. "Não sei como é que as pessoas estão a sobreviver nestas condições", disse Todor Gardos, da Amnistia Internacional. Foram distribuídos cobertores e comida. "A falta de vontade política para dar asilo ou reunificar famílias significa que estes seres humanos, que sobreviveram anos de guerra, violência e viagens perigosas para ficarem em segurança estão agora a morrer de frio às portas da Europa", disse a directora da ong Save the Children, Kirsty McNeill. No ano passado, morreram mais de 7.000 pessoas a tentar chegar à Europa. Só nos primeiros dias de 2017, já morreram afogadas 27 pessoas.
l
2.8.16
Fome afeta 56 milhões de pessoas de 17 países com conflitos internos
in o Observdor
Mais de 56 milhões de pessoas de 17 países afetados por conflitos internos, como a Guiné-Bissau, estão numa situação de crise ou emergência alimentar, segundo duas agências das Nações Unidas.
Os conflitos internos destroem campos em cultivo, gado e infraestruturas agrícolas, além de bloquearam mercados e forçarem ao deslocamento da população.
Mais de 56 milhões de pessoas de 17 países afetados por conflitos internos, como a Guiné-Bissau, estão numa situação de crise ou emergência alimentar. A Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa Alimentar Mundial (PAM) entregaram um relatório, na sexta-feira, ao Conselho de Segurança da ONU sobre esses países e os obstáculos aos “esforços globais para erradicar a má nutrição” no mundo.
As duas agências, que têm sede em Roma, dizem que a situação é particularmente preocupante no Iémen, Síria, Sudão do Sul, Burundi e na bacia do lago Chad.
Cerca de metade da população do Iémen, 14 milhões de pessoas, está numa situação de crise ou emergência por causa da fome. Na Síria, 8,7 milhões de pessoas (37% da população anterior ao início da guerra) precisam com urgência de ajuda alimentar, tal como 4,8 milhões no Sudão do Sul (40% da população).
Em países que estão num processo de saída de longas guerras civis, como a Colômbia, há milhões de pessoas que continuam a estar num alto grau de insegurança alimentar. Noutras regiões, as pessoas nessa situação representam uma grande fatia da população, como acontece no Burundi (23%), Haiti (19%) ou República Centro-africana (50%).
As agências estimam ainda que 80% dos refugiados sírios que vivem atualmente no Líbano precisem de ajuda alimentar urgente.
Há também uma série de países em que conflitos internos afetaram de forma significativa a segurança alimentar: República Democrática do Congo, Guiné-Bissau, Costa do Marfim, Libéria, Mali, Somália, Sudão, Iraque e Afeganistão.
A FAO e o PAM destacam que os conflitos internos são das principais causas da fome porque destroem campos em cultivo, gado e infraestruturas agrícolas, além de bloquearam mercados e forçarem ao deslocamento da população. Além disso, contribuem para a propagação de doenças e dificultam o acesso dos governos e organizações humanitárias às pessoas afetadas, entre outros impactos.
Mais de 56 milhões de pessoas de 17 países afetados por conflitos internos, como a Guiné-Bissau, estão numa situação de crise ou emergência alimentar, segundo duas agências das Nações Unidas.
Os conflitos internos destroem campos em cultivo, gado e infraestruturas agrícolas, além de bloquearam mercados e forçarem ao deslocamento da população.
Mais de 56 milhões de pessoas de 17 países afetados por conflitos internos, como a Guiné-Bissau, estão numa situação de crise ou emergência alimentar. A Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa Alimentar Mundial (PAM) entregaram um relatório, na sexta-feira, ao Conselho de Segurança da ONU sobre esses países e os obstáculos aos “esforços globais para erradicar a má nutrição” no mundo.
As duas agências, que têm sede em Roma, dizem que a situação é particularmente preocupante no Iémen, Síria, Sudão do Sul, Burundi e na bacia do lago Chad.
Cerca de metade da população do Iémen, 14 milhões de pessoas, está numa situação de crise ou emergência por causa da fome. Na Síria, 8,7 milhões de pessoas (37% da população anterior ao início da guerra) precisam com urgência de ajuda alimentar, tal como 4,8 milhões no Sudão do Sul (40% da população).
Em países que estão num processo de saída de longas guerras civis, como a Colômbia, há milhões de pessoas que continuam a estar num alto grau de insegurança alimentar. Noutras regiões, as pessoas nessa situação representam uma grande fatia da população, como acontece no Burundi (23%), Haiti (19%) ou República Centro-africana (50%).
As agências estimam ainda que 80% dos refugiados sírios que vivem atualmente no Líbano precisem de ajuda alimentar urgente.
Há também uma série de países em que conflitos internos afetaram de forma significativa a segurança alimentar: República Democrática do Congo, Guiné-Bissau, Costa do Marfim, Libéria, Mali, Somália, Sudão, Iraque e Afeganistão.
A FAO e o PAM destacam que os conflitos internos são das principais causas da fome porque destroem campos em cultivo, gado e infraestruturas agrícolas, além de bloquearam mercados e forçarem ao deslocamento da população. Além disso, contribuem para a propagação de doenças e dificultam o acesso dos governos e organizações humanitárias às pessoas afetadas, entre outros impactos.
27.7.16
Papa. O mundo vive uma "guerra", mas não de religiões
Aura Miguel, enviada a Cracóvia, com Ecclesia, in RR
O Papa falou aos jornalista no avião, a caminho de Cracóvia, onde já aterrou.
O Papa Francisco disse esta quarta-feira que mundo vive uma “guerra”, mas rejeitou a ideia de que se trate de uma “guerra de religiões”.
“Alguém poderá pensar que estou a falar de uma guerra de religiões. Não. Todas as religiões querem a paz. A guerra querem-na os outros, entendido?”, disse Francisco aos jornalistas, a bordo do avião que o levou de Roma a Cracóvia, onde participará na Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
Francisco disse que “o mundo está em guerra” ao comentar o assassinato do padre Jacques Hamel, na terça-feira, durante um ataque terrorista à igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, na diocese francesa de Rouen, que acabou também na morte dos dois terroristas que executaram o ataque, ligados ao Daesh.
“É guerra. Este santo sacerdote foi morto precisamente no momento em que oferecia a oração pela paz, é um dos muitos cristãos, tantos inocentes, tantas crianças”, lembrou o Papa.
“Repete-se muito a palavra segurança, mas a verdadeira é guerra. O mundo está em guerra, guerra aos bocados”, alertou Francisco, reforçando a ideia de que se assiste a um terceiro conflito global, depois das Guerras Mundiais do século XX.
Em relação a estes conflitos, o Papa entende que a guerra não é tão “orgânica”, mas é “organizada”, dando como exemplo a situação na Nigéria, refutando a ideia de que é preciso desvalorizar situações como esta no continente africano.
“Não podemos ter medo de dizer esta verdade: o mundo está em guerra porque perdeu a paz”, insistiu.
Após saudar um a um os 70 jornalistas de 15 países, o Papa voltou a pegar no microfone para sublinhar que estava a falar de “uma guerra a sério, não de guerra de religiões”.
“Falo de guerra de interesses, por dinheiro, por causa dos recursos naturais, pelo domínio das populações”, precisou.
JMJ tem marca marcado de "fé e fraternidade"
O Papa viajou até Cracóvia, na Polónia, para participar na 31.ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ), até domingo, e o Papa espera que os jovens sejam sinal de “esperança” neste momento.
Como é tradição, Francisco dirigiu, à partida, uma mensagem ao presidente da Itália, Sergio Mattarella, falando da JMJ como um encontro de “jovens provenientes de todo o mundo para um encontro significativo marcado pela fé e fraternidade”.
À chegada ao aeroporto internacional de Cracóvia, menos de duas horas depois, o Papa foi recebido pelo presidente da Polónia, Andrzej Duda, e pelo arcebispo da diocese, cardeal Stanislaw Dziwisz.
Durante a visita de cinco dias, Francisco vai participar nas cerimónias da JMJ, visitar o santuário mariano de Czestochowa e prestar homenagem às vítimas dos campos de extermínio nazi em Auschwitz-Birkenau.
Esta é a 15.ª viagem internacional do atual pontificado e a primeira do Papa à Polónia, em toda a sua vida.
O Papa falou aos jornalista no avião, a caminho de Cracóvia, onde já aterrou.
O Papa Francisco disse esta quarta-feira que mundo vive uma “guerra”, mas rejeitou a ideia de que se trate de uma “guerra de religiões”.
“Alguém poderá pensar que estou a falar de uma guerra de religiões. Não. Todas as religiões querem a paz. A guerra querem-na os outros, entendido?”, disse Francisco aos jornalistas, a bordo do avião que o levou de Roma a Cracóvia, onde participará na Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
Francisco disse que “o mundo está em guerra” ao comentar o assassinato do padre Jacques Hamel, na terça-feira, durante um ataque terrorista à igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, na diocese francesa de Rouen, que acabou também na morte dos dois terroristas que executaram o ataque, ligados ao Daesh.
“É guerra. Este santo sacerdote foi morto precisamente no momento em que oferecia a oração pela paz, é um dos muitos cristãos, tantos inocentes, tantas crianças”, lembrou o Papa.
“Repete-se muito a palavra segurança, mas a verdadeira é guerra. O mundo está em guerra, guerra aos bocados”, alertou Francisco, reforçando a ideia de que se assiste a um terceiro conflito global, depois das Guerras Mundiais do século XX.
Em relação a estes conflitos, o Papa entende que a guerra não é tão “orgânica”, mas é “organizada”, dando como exemplo a situação na Nigéria, refutando a ideia de que é preciso desvalorizar situações como esta no continente africano.
“Não podemos ter medo de dizer esta verdade: o mundo está em guerra porque perdeu a paz”, insistiu.
Após saudar um a um os 70 jornalistas de 15 países, o Papa voltou a pegar no microfone para sublinhar que estava a falar de “uma guerra a sério, não de guerra de religiões”.
“Falo de guerra de interesses, por dinheiro, por causa dos recursos naturais, pelo domínio das populações”, precisou.
JMJ tem marca marcado de "fé e fraternidade"
O Papa viajou até Cracóvia, na Polónia, para participar na 31.ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ), até domingo, e o Papa espera que os jovens sejam sinal de “esperança” neste momento.
Como é tradição, Francisco dirigiu, à partida, uma mensagem ao presidente da Itália, Sergio Mattarella, falando da JMJ como um encontro de “jovens provenientes de todo o mundo para um encontro significativo marcado pela fé e fraternidade”.
À chegada ao aeroporto internacional de Cracóvia, menos de duas horas depois, o Papa foi recebido pelo presidente da Polónia, Andrzej Duda, e pelo arcebispo da diocese, cardeal Stanislaw Dziwisz.
Durante a visita de cinco dias, Francisco vai participar nas cerimónias da JMJ, visitar o santuário mariano de Czestochowa e prestar homenagem às vítimas dos campos de extermínio nazi em Auschwitz-Birkenau.
Esta é a 15.ª viagem internacional do atual pontificado e a primeira do Papa à Polónia, em toda a sua vida.
12.7.16
36 mil sul sudaneses procuram refúgio junto da ONU
in TSF
As Nações Unidas apelam à liberdade de circulação e proteção dos milhares que fogem à guerra na capital do país.
A porta-voz da ONU lançou esse apelo em Genebra, sublinhando que pelo menos 36 mil pessoas estão a procurar abrigo junto de campos das Nações Unidas e noutros locais na área da cidade de Juba.
Alessandra Vellucci diz que esse acesso é no entanto muito difícil e inseguro por causa dos combates que prosseguem. A entrada nos campos da ONU está a ser bloqueada aos civis que, sem essa alternativa, se refugiaram em escolas e igrejas sem água e condições sanitárias.
Para tentar remediar a situação, a Organização Mundial de Saúde tenta fazer chegar a esses locais kits de apoio básico.
Entretanto, o Alto Comissariado para os refugiados pediu aos países vizinhos do Sudão do Sul que abram as fronteiras às populações que procuram asilo. O ACNUR diz também que se está a preparar para um cenário de grandes vagas de refugiados.
As Nações Unidas apelam à liberdade de circulação e proteção dos milhares que fogem à guerra na capital do país.
A porta-voz da ONU lançou esse apelo em Genebra, sublinhando que pelo menos 36 mil pessoas estão a procurar abrigo junto de campos das Nações Unidas e noutros locais na área da cidade de Juba.
Alessandra Vellucci diz que esse acesso é no entanto muito difícil e inseguro por causa dos combates que prosseguem. A entrada nos campos da ONU está a ser bloqueada aos civis que, sem essa alternativa, se refugiaram em escolas e igrejas sem água e condições sanitárias.
Para tentar remediar a situação, a Organização Mundial de Saúde tenta fazer chegar a esses locais kits de apoio básico.
Entretanto, o Alto Comissariado para os refugiados pediu aos países vizinhos do Sudão do Sul que abram as fronteiras às populações que procuram asilo. O ACNUR diz também que se está a preparar para um cenário de grandes vagas de refugiados.
16.6.16
Papa: Uma sociedade indiferente ao sofrimento é uma sociedade «cega»
in Agência Ecclesia
Dramas como a pobreza e a doença, os refugiados e deslocados, têm de ser mais do que um «incómodo», frisou hoje Francisco
Cidade do Vaticano, 15 jun 2016 (Ecclesia) – O Papa salientou hoje no Vaticano que uma sociedade indiferente ao sofrimento dos outros é uma sociedade “cega”, durante a audiência pública com os peregrinos na Praça de São Pedro.
Na sua reflexão, Francisco lembrou dramas como a pobreza e a doença, também a situação dos refugiados e deslocados, que muitas vezes não provocam mais do que um sentimento de “incómodo”.
“Quantas vezes vemos essas pessoas ao longo do nosso caminho e nos sentimos incomodados? É uma tentação, todos passamos por ela, mesmo eu”, referiu o Papa argentino, lembrando no entanto que Jesus desafia todos a “colocarem no centro da sua vida quem está excluído”.
Baseando-se na passagem bíblica do cego que, à beira da estrada, pede a ajuda de Cristo que passa, Francisco lembrou que todos mais cedo ou mais tarde, também passam por “situações difíceis”.
E tal como Cristo é sinal de “misericórdia” para com aqueles que cruzam o seu caminho, também os cristão devem saber ser sinal exemplo de misericórdia para a sociedade atual.
Para que esta possa aprender o valor daqueles que se perderam nas "margens da estrada”, os saiba "resgatar" e apontar-lhes o caminho da “salvação”.
“A passagem de Jesus é também um convite a aproximarmo-nos dele, a sermos melhores, a sermos verdadeiramente cristãos, a segui-lo. Que todos os dias saibamos dar este passo, da indigência à condição de discípulos”, exortou o Papa.
Na audiência pública com o Papa estiveram peregrinos vindos da Síria, um dos países que mais tem sofrido com a guerra, que provocou já milhares de mortos e atirou milhões para a condição de refugiados e deslocados.
JCP
Dramas como a pobreza e a doença, os refugiados e deslocados, têm de ser mais do que um «incómodo», frisou hoje Francisco
Cidade do Vaticano, 15 jun 2016 (Ecclesia) – O Papa salientou hoje no Vaticano que uma sociedade indiferente ao sofrimento dos outros é uma sociedade “cega”, durante a audiência pública com os peregrinos na Praça de São Pedro.
Na sua reflexão, Francisco lembrou dramas como a pobreza e a doença, também a situação dos refugiados e deslocados, que muitas vezes não provocam mais do que um sentimento de “incómodo”.
“Quantas vezes vemos essas pessoas ao longo do nosso caminho e nos sentimos incomodados? É uma tentação, todos passamos por ela, mesmo eu”, referiu o Papa argentino, lembrando no entanto que Jesus desafia todos a “colocarem no centro da sua vida quem está excluído”.
Baseando-se na passagem bíblica do cego que, à beira da estrada, pede a ajuda de Cristo que passa, Francisco lembrou que todos mais cedo ou mais tarde, também passam por “situações difíceis”.
E tal como Cristo é sinal de “misericórdia” para com aqueles que cruzam o seu caminho, também os cristão devem saber ser sinal exemplo de misericórdia para a sociedade atual.
Para que esta possa aprender o valor daqueles que se perderam nas "margens da estrada”, os saiba "resgatar" e apontar-lhes o caminho da “salvação”.
“A passagem de Jesus é também um convite a aproximarmo-nos dele, a sermos melhores, a sermos verdadeiramente cristãos, a segui-lo. Que todos os dias saibamos dar este passo, da indigência à condição de discípulos”, exortou o Papa.
Na audiência pública com o Papa estiveram peregrinos vindos da Síria, um dos países que mais tem sofrido com a guerra, que provocou já milhares de mortos e atirou milhões para a condição de refugiados e deslocados.
JCP
Subscrever:
Mensagens (Atom)


