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4.12.18

Quase toda a população do Iémen precisa de ajuda

in SicNotícias

A ONU reconheceu esta terça-feira, no apelo humanitário global para 2019, que quase toda a população do Iémen precisa de ajuda e proteção, estando à beira da fome,De acordo com estimativas da ONU, quase 80% da população (agora cifrada em cerca de 25 milhões de pessoas) precisa de alguma forma de proteção e de assistência humanitária.

Mark Lowcock, sub-secretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, afirmou esta terça-feira, numa conferência de imprensa em Genebra, para apresentação do plano humanitário global para 2019, que “O país com maiores problemas em 2019 será o Iémen".
A Fome em todo o país

A ONU considera que "o Iémen nunca esteve tão perto da fome", depositando esperança nas negociações de paz marcadas para esta semana na Suécia, que procurarão uma solução para um conflito que já tem quatro anos e que matou milhares de pessoas.
Em todo o país, 18 milhões de pessoas estão em situação de "insegurança alimentar", dos quais 8,4 milhões sofrem de "fome extrema", segundo um relatório da ONU.

Se as negociações de paz em Estocolmo tiverem sucesso, "é possível que no segundo semestre do próximo ano" os iemenitas possam ver o seu sofrimento reduzido, afirmou Mark Lowcock.

A ONU diz que precisa de quatro mil milhões de dólares (cerca de 3,5 mil milhões de euros), para ajudar 15 milhões de pessoas no Iémen, ao longo do próximo ano.

O Conflito militar

O confito no Iémen opõe os Houthis, alinhados com o Irão, contra as outras forças iemenitas apoiadas por uma coligação leal ao Presidente Abd-Rabbu Hadi, liderada pela Arábia Saudita e pelos Estados Unidos.
Desde a intervenção da coligação militar sob comando saudita, os combates já mataram cerca de dez mil pessoas e feriram mais de 56 mil, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Mas as organizações não-governamentais acreditam que o número real de vítimas diretas e indiretas será muito maior.

A insegurança na região de Hodeida, por onde passa 70% da ajuda do Programa Alimentar Mundial, tem deteriorado a situação humanitária no Iémen.

15.11.18

Secretário-geral da ONU diz que existe consenso para o fim da guerra no Iémen

in o Observador

António Guterres disse que existe um consenso entre as potências mundiais de que é preciso terminar a guerra no Iémen e a questão é agora convencer as partes de que ninguém pode ganhar neste conflito.

O secretário-geral da ONU disse esta segunda-feira que existe um consenso entre as potências mundiais de que é preciso terminar a guerra no Iémen e a questão é agora convencer as partes de que ninguém pode ganhar neste conflito.
“Hoje, todos os poderes estão de acordo que é preciso detê-la (a guerra)”, disse António Guterres numa entrevista à emissora de rádio “France Inter”, sublinhando que esta é uma posição compartilhada pela Rússia, pelos Estados Unidos, pela Europa e por “algumas potências da região”.

Por isso, considerou que “há uma oportunidade para fazer compreender aos atores diretos desse conflito (…) que finalmente é uma guerra que ninguém ganhará (…) e deve haver uma solução política”.
O problema é que, “por enquanto, a coligação (liderada pela Arábia Saudita) parece determinada a conquistar Hodeida”, um porto fundamental para o fornecimento de ajuda humanitária e cuja destruição criaria “uma situação absolutamente catastrófica”.

As palavras de Guterres ocorrem um dia depois de esta crise ser o tema das reuniões realizadas, no domingo, entre alguns dos líderes das grandes potências em Paris, por ocasião das cerimónias do centenário do armistício da Primeira Guerra Mundial.

O secretário-geral da ONU disse que a situação humanitária no Iémen é “absolutamente desastrosa”.

Guterres observou que a ONU oferece ajuda humanitária a oito milhões de pessoas naquele país, um número que pode aumentar para 14 milhões em 2019, mas que há o risco de ocorrer “a maior fome dos últimos anos”.
“Sem essa ajuda humanitária, teríamos uma fome de uma dimensão desconhecida neste século”, alertou.

5.11.18

Iémen é “um inferno na terra” para as crianças, diz UNICEF

in o Observador

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) disse que o Iémen se tornou "um inferno na terra" para as crianças e exortou as partes em conflito a cessarem as hostilidades.

“O Iémen é hoje um inferno na terra, não para 50% ou 60% das crianças, mas para cada menino e menina do Iémen”, declarou o diretor da UNICEF para o Médio Oriente e Norte de África, Geert Cappelaere, numa conferência de imprensa em Amã este domingo. “Os números, na verdade, não dizem muito, mas são importantes porque nos mostram até que ponto a situação se tornou desastrosa”, acrescentou.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância considerou assim que o Iémen se tornou “um inferno na terra” para as crianças, atingidas pela fome, e desafiou as partes envolvidas no conflito a cessarem as hostilidades.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também apelou na sexta-feira ao fim da “violência” para evitar que o país caia num “precipício”.

A guerra no Iémen opõe as forças pró-governamentais e uma coligação liderada pela Arábia Saudita aos rebeldes Huti, apoiados pelo Irão, que em 2014 e 2015 tomaram vastas áreas do país, incluindo a capital, Sanaa.
O conflito já provocou a morte de quase 10 mil pessoas, a maioria civis, causando a pior crise humanitária do mundo. Além dos casos de fome, a população sofre de doenças como a cólera.
“A cada 10 minutos, uma criança morre por causa de doenças que podem ser prevenidas”, adiantou Cappelaere.

O mesmo responsável disse à agência noticiosa AFP na quinta-feira que 1,8 milhões de crianças com menos de cinco anos sofrem de “desnutrição aguda”.

O conflito exacerbou “uma situação que já era má devido a anos de subdesenvolvimento” neste país pobre da região, referiu Cappelaere.

“Apelamos a todas as partes para que se encontrem no final deste mês sob os auspícios do enviado especial da ONU para um acordo de cessar-fogo”, declarou hoje o responsável da UNICEF.

Cappelaere sublinhou que a situação é particularmente preocupante em Hodeida, uma cidade portuária controlada pelos rebeldes no oeste do país, que as forças pró-governamentais estão a tentar recuperar.
“O porto de Hodeida é um ponto vital para 70 a 80% da população iemenita (…), porque é apenas através de Hodeida que são feitas as entregas comerciais e humanitárias que nos permitem fornecer ajuda ao norte do país”, explicou.

“Com o assalto de Hodeida, não nos preocupa apenas a vida de centenas de milhares de crianças (na região), mas também o impacto que isso terá sobre as crianças no norte do país”, acrescentou.

29.10.18

Metade da população do Iêmen enfrenta risco de fome, alerta chefe humanitário da ONU

in ONUBR

Cerca de 14 milhões de pessoas no Iêmen – metade da população do país – enfrentam “condições pré-epidemia de fome”, disse o chefe humanitário da ONU ao Conselho de Segurança na terça-feira (23).

Embora seja difícil confirmar quantas pessoas estão morrendo de fome, ou doenças relacionadas à fome, Mark Lowcock disse que agentes de saúde apontam para um número crescente de mortes ligadas a fatores relacionados à alimentação, com uma agência de ajuda estimando no final de 2017 que 130 pessoas estavam morrendo todos os dias de fome extrema e doenças – quase 50 mil durante um ano.

Cerca de 14 milhões de pessoas no Iêmen – metade da população do país – enfrentam “condições pré-epidemia de fome”, disse o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, durante reunião no Conselho de Segurança na terça-feira (23).

Mark Lowcock, chefe humanitário da organização, disse que a avaliação da ONU, que revisa a estimativa de setembro de 11 milhões de pessoas em risco, tem base em pesquisas e análises recentes e categoriza “condições de pré-epidemia de fome”, no que diz respeito àqueles que são inteiramente dependentes de auxilio externo para sobrevivência.

A fome, disse Lowcock, é uma raridade no mundo moderno e, embora seja um sinal positivo de progresso, também deixa a situação no Iêmen tão revoltante.

Embora seja difícil confirmar quantas pessoas estão morrendo de fome, ou doenças relacionadas à fome, o chefe humanitário disse que agentes de saúde apontam para um número crescente de mortes ligadas a fatores relacionados à alimentação.

Uma agência de ajuda humanitária calculou no final de 2017 que 130 pessoas estavam morrendo todos os dias de fome extrema e doenças: quase 50 mil durante um ano.
No entanto, muitas mortes são encobertas: “Somente metade das instalações de saúde está funcionando e muitos iemenitas são pobres demais para acessar as que estão abertas. Incapazes de receber ajuda, pessoas frequentemente morrem em casa. Poucas famílias relatam estas mortes; suas histórias não são registradas”.
Lowcock disse que a situação no Iêmen está bem mais séria do que em 2017, quando alertas de fome levaram a uma ampliação acentuada dos esforços de alívio coordenados pela ONU por conta do grande número de pessoas em risco.

Além das pessoas que estão em risco de fome, a assistência alimentar de emergência, da qual milhões dependem há anos, é o suficiente apenas para sobrevivência, disse Lowcock.
Ele acrescentou que seus sistemas imunológicos estão literalmente em colapso, tornando-os – especialmente crianças e idosos – mais prováveis de sucumbirem à desnutrição, cólera e outras doenças.

O enviado especial relatou poucos progressos em duas questões essenciais exacerbando a crise: confrontos em torno da cidade de Hodeida – a quarta maior cidade do país, também grafada como “Al Hudaydah” –, que está sufocando operações comerciais e de ajuda, e o colapso da economia.

No primeiro ponto, confrontos intensos, tiroteios e ataques aéreos continuavam atingindo Hodeida nos dias recentes, fazendo com que mais de meio milhão de pessoas tivessem que deixar suas casas. Mais de 5 mil violações distintas de leis humanitárias internacionais por todas as partes do conflito foram registradas desde maio, incluindo mortes em massa de civis.

A ajuda humanitária tem sido severamente enfraquecida por atrasos na emissão de vistos, restrições em importações de equipamentos e cargas e outras obstruções. Lowcock alertou que esforços de alívio serão simplesmente soterrados se confrontos não cessarem.

A situação econômica é tensa, com o Produto Interno Bruto (PIB) cortado pela metade desde 2015, mais de 600 mil empregos perdidos e mais de 80% da população vivendo abaixo da linha da pobreza.
Lowcock pediu uma entrada urgente e substancial de moeda estrangeira, e que pagamentos para pensionistas e funcionários públicos essenciais sejam retomados.

O representante das Nações Unidas pediu ação urgente em cinco áreas: uma cessação de hostilidades dentro e nos arredores de infraestruturas e instalações das quais operações de ajuda e importações comerciais dependem; proteção de suprimentos de alimentos e bens essenciais em todo o país; uma injeção maior e mais rápida de moeda estrangeira na economia; aumento em financiamentos em apoio para a operação humanitária; e, finalmente, para todas as partes se engajarem plenamente com a ONU para encerrar o conflito.

13.3.17

20 milhões de pessoas à beira da fome extrema

in TVI24

Nações Unidas alertam para a possibilidade de o mundo estar a viver a maior crise humanitária desde 1945

Cuidados intensivos dos hospitais do Iémen estão lotados com crianças desnutridas, que médicos e enfermeiros tentam salvar a todo o custo

O Secretário de Assuntos Humanitários das Nações Unidas alertou, esta sexta-feira, para a situação vivida por 20 milhões de pessoas em quatro países do mundo. Estes seres humanos, diz Stephen O'Brien, estão à beira de uma situação extrema de fome. O mundo está a atravessar a maior crise humanitária desde 1945, o que está a agudizar a situação extrema que atravessam estes 20 milhões de pessoas.
Estamos num momento crítico da história. Já desde o início do ano que enfrentamos a maior crise humanitária desde a criação das Nações Unidas", disse Stephen O'Brien ao Conselho de Segurança da ONU.

Os quatro países que atravessam um problema grave de fome são o Sudão do Sul, a Somália, o Iémen e o nordeste da Nigéria. O aviso não é novo. Já em fevereiro, as Nações Unidas tinham alertado para a situação crítica que estes 20 milhões de seres humanos atravessam ou correm risco de atravessar nos próximos seis meses.

Atualmente, mais de 20 milhões de pessoas de quatro países enfrentam fome ou escassez alimentar. Sem um esforço global coletivo e coordenado, as pessoas simplesmente morrerão de fome", sublinhou O'Brien, relatando ao Conselho de Segurança as recentes visitas que fez ao Iémen, ao Sudão do Sul e à Somália para avaliar a situação humanitária.

O enviado das Nações Unidas sublinha que é necessária uma "injeção imediata de fundos": "Para ser exato, precisamos de 4,4 mil milhões de dólares para julho e esse é um custo detalhado, não um número para negociar".

27.1.17

ONU alerta que Iémen arrisca cenário de fome em 2017 se nenhuma ação for tomada

in Jornal de Notícias

Enviados das Nações Unidas advertiram na quinta-feira que a escalada do conflito no Iémen deixou grande parte da população a precisar de ajuda humanitária e que, caso nada seja feito, o país arrisca um cenário de fome este ano.

O enviado especial da ONU para o Iémen, Ismail Ould Cheikh Ahmed, alertou o Conselho de Segurança na quinta-feira que o "perigoso" recrudescimento dos ataques aéreos e dos combates no terreno está a ter "trágicas consequências para o povo iemenita", com milhões de pessoas a carecerem de ajuda alimentar urgente.

"O conflito no Iémen é agora o principal motor da maior emergência de segurança alimentar no mundo", afirmou, por seu lado, o secretário-geral adjunto da ONU para os Assuntos Humanitários, Stephen O`Brien, advertindo: "Se não houver uma ação imediata, a fome é um cenário possível para 2017".

Cerca de 14 milhões de pessoas -- quase 80% da população do Iémen -- carecem de ajuda alimentar, das quais metade vive numa situação de grave insegurança alimentar, disse O`Brien, indicando que pelo menos dois milhões precisam de assistência alimentar urgente para poderem sobreviver.

O secretário-geral adjunto da ONU para os Assuntos Humanitários alertou que a situação é "especialmente grave" no caso das crianças, com cerca de 2,2 milhões a sofrerem de desnutrição aguda -- um aumento de 53% face ao final de 2015.
"Em termos globais, a situação das crianças continua sombria: uma criança com menos de 10 anos morre a cada dez minutos por causas evitáveis", afirmou O`Brien.

O conflito no Iémen, a nação mais pobre do mundo árabe, opõe os rebeldes xiitas `huthis` e forças aliadas a uma coligação internacional liderada por sauditas.

A coligação iniciou uma campanha aérea em março de 2015 para restabelecer o governo reconhecido internacional e que abandonou o país depois de os `huthis` terem ocupado a capital, Sanaa.

As Nações Unidas têm apelado a um cessar-fogo para permitir a entrega urgente de suprimentos humanitários e à retoma das conversações políticas para acabar com a guerra.

O número de civis mortos em quase dois anos de conflito no país atingiu os 10.000, a que se somam 40.000 outros feridos, segundo dados revelados recentemente pela ONU.

8.5.15

Já há 20 milhões de iemenitas a passar fome

Sofia Lorena, in Público on-line (P3)

John Kerry está a tentar negociar uma “pausa humanitária” no conflito. Não chega, dizem 22 ONG que tentam manter as suas missões no Iémen.

Farah Abdallah, de sete anos, foi atingida por um atirador furtivo em Áden. A mãe conseguiu fugir e levá-la de barco até ao Djibuti Carl

Antes de as bombas sauditas começarem a cair, a 26 de Março, introduzindo um novo elemento na guerra civil que se alastrara a grande parte do país, já dez dos 25 milhões de habitantes do Iémen, o mais pobre dos países árabes, não tinham comida suficiente e precisavam de ajuda para sobreviver, nove não tinham acesso a cuidados médicos básicos e a 13 milhões faltava água potável. Agora, a situação é insustentável e o país está à beira de uma “crise de fome” generalizada, avisam ONG internacionais.

De visita a Riad, onde falou com os líderes sauditas, mas também com os membros do Governo iemenita reconhecido internacionalmente, ali exilado, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, pediu à Arábia Saudita uma “pausa humanitária” que permita às organizações levar comida, combustível e medicamentos aos milhões de iemenitas apanhados pelos combates e pelas bombas. Sabe-se que Kerry também está a falar com Teerão.

“A situação está a ficar cada vez mais desesperada a cada dia que passa e estamos profundamente preocupados”, afirmou Kerry antes de voar para Riad, ainda no Djibuti, país de um milhão de habitantes no Corno de África que já acolhe, tal como a Somália, milhares de refugiados iemenitas. Muitos tentam sair, por onde podem (pelo mar, para o Corno; por terra para Omã ou Arábia Saudita), milhões já são deslocados internos e tudo pode ainda piorar.

No terreno, a guerra que opõe os militares e as milícias leais ao Presidente Abd Mansour Hadi aos grupos que combatem em nome dos rebeldes xiitas huthis (e que Riad e Hadi acusam de ser financiados pelo Irão) não dá sinais de abrandar. Perdem os iemenitas e ganha a Al-Qaeda na Península Arábica, que já controlava algumas zonas no Leste do país e aproveitou o caos das últimas semanas para registar importantes conquistas, como a cidade de Mukalla, a quinta maior do Iémen, no golfo de Áden.

Kerry também anunciou que os EUA, que apoiam a coligação de países árabes sunitas formada pelos sauditas, vão dar 68 milhões de dólares (60 milhões de euros) a grupos de ajuda internacional para apoiar refugiados e deslocados. O problema é que o dinheiro não chega – aliás, muitos iemenitas vivem da ajuda enviada mensalmente por familiares que trabalham em países do Golfo e que agora, com as viagens aéreas interrompidas, não têm como fazer chegar dinheiro até quem desespera dentro do país.

Num comunicado conjunto, 22 organizações presentes no Iémen avisaram que poderão ter de pôr fim às suas operações, se as vias terrestres, marítimas e aéreas não forem imediatamente reabertas. A primeira urgência é combustível, sem o qual nada se transporta, e ONG como a Action Contre la Faim e a Save the Childrean vão esgotar as suas reservas dentro de dias.

Vidas em risco
A falta de combustível já paralisou muitos hospitais e impediu a distribuição de alimentos nas últimas semanas. O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas diz que passou a precisar de um milhão de litros de gasolina por mês, quando antes lhe bastavam 40 mil litros. Sem acesso ao combustível necessário, “milhões de vidas estão em risco, em particular crianças, e em breve [a Save the Children não poderá]responder” às necessidades, diz o director nacional desta ONG, Edward Santiago.

O “anúncio de uma potencial ‘pausa humanitária’ nas operações militares não vai reduzir o impacto do conflito”, afirma este fórum de 22 ONG Internacionais do Iémen. “Neste momento, precisamos de uma cessação imediata e permanente do conflito”, diz Grace Ommer, da Oxfam no Iémen.

O país já importava 90% dos alimentos consumidos, enquanto Sanaa, afirma a ONU há muito, caminha a largos passos para se tornar na primeira capital do mundo sem água. O conflito parou as importações e impede as ONG de fazerem o seu trabalho. O resultado é que 80% da população – uns 20 milhões de pessoas – está a passar fome, dizem as Nações Unidas e o fórum das ONG.

A Human Rights Watch acusou todas as partes envolvidas de crimes de guerra, denunciando o uso de bombas de fragmentação (que contêm centenas de submunições que se espalham por uma área idêntica à de um campo de futebol e vão explodindo – muitas vezes, as crianças confundem-nas com bolas e 40% das vítimas destas munições proibidas são crianças) e um ataque a um armazém da Oxfam por parte dos sauditas. Os huthis, por seu turno, são acusados de dispararem contra civis e de raptarem dez membros de ONG locais, que libertaram depois do pagamento de um resgate.

Segundo os últimos dados da ONU, divulgados na terça-feira, só os bombardeamentos que começaram a 26 de Março mataram pelo menos 646 civis, incluindo 131 crianças. É provável que sejam mais. No início do mês, a Organização Mundial da Saúde contabilizava 1200 mortos e mais de cinco mil feridos em consequência do conflito desde meados de Março.