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6.7.22

Francisco Ferreira lembra que "os oceanos são o meio do planeta que tem mais sofrido à custa das alterações climáticas".

Melissa Lopes com Manuel Acácio, in TSF

Com Lisboa como pano de fundo, os oceanos estão esta semana em destaque ao mais alto nível na cimeira das Nações Unidas, mas, ao longo do tempo, o assunto tem sido negligenciado pelos líderes políticos, critica o presidente da Associação Zero.

"À escala das Nações Unidas, nas cimeiras do clima mas também da biodiversidade e outras, os oceanos não têm tido o protagonismo devido", afirma Francisco Ferreira no Fórum TSF, que olha para esta Conferência dos Oceanos como um "momento de alerta" e uma oportunidade para fazer um "ponto de situação".

O líder da organização não-governamental concorda com Marcelo Rebelo de Sousa e considera que ainda há esperança no que vai resultar da conferência: "Este é o local certo e a hora certa para se discutir os oceanos. Não nos esqueçamos que os oceanos são o meio do planeta que tem mais sofrido à custa das alterações climáticas", lembra Francisco Ferreira.

Mais de sete mil pessoas, entre elas representantes de 140 países, alguns ao mais alto nível, participam em Lisboa na segunda Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, o maior evento de sempre dedicado ao tema.

Depois de há cinco anos ter decorrido em Nova Iorque a primeira conferência, Portugal, em conjunto com o Quénia, organiza o segundo encontro, sob o lema "Salvar os Oceanos, Proteger o Futuro".

Mais de sete mil pessoas, entre elas representantes de 140 países, alguns ao mais alto nível, participam em Lisboa na segunda Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, o maior evento de sempre dedicado ao tema.

Depois de há cinco anos ter decorrido em Nova Iorque a primeira conferência, Portugal, em conjunto com o Quénia, organiza o segundo encontro, sob o lema "Salvar os Oceanos, Proteger o Futuro".

Discursando no arranque da Conferência dos Oceanos, o Presidente da República pelou à cooperação global e defendeu que a pandemia de Covid-19 e a guerra não podem ser desculpa para esquecer os desafios estruturais. Marcelo Rebelo de Sousa considerou que esta cimeira acontece "no lugar certo, na hora certa, com a abordagem certa e com o secretário-geral das Nações Unidas certo" para promover este encontro.

Numa intervenção feita em inglês, o Presidente da República pediu "cooperação global em prioridades comuns" e afirmou que "os regimes, os poderes institucionais, os políticos passam", enquanto "os oceanos ficam".

3.5.22

Não vão faltar alimentos na Europa - pelo menos por causa da guerra

Tiago Luís, opinião, in Expresso

Áreas anteriormente vedadas à prática agrícola e que têm sido importantes para a natureza e biodiversidade já receberam autorizações para a produção agrícola. Tiago Luís, técnico de Ciências do Ambiente e especialista em Alimentação na Associação Natureza Portugal/World Wild Fund, analisa a questão alimentar neste artigo de opinião

Ao longo das últimas semanas, um pouco por toda a Europa e inclusive em Portugal, algumas confederações e organizações do setor agrícola, a par com algumas personalidades, têm vindo a manifestar publicamente as suas preocupações quanto ao desafio que paira sobre a segurança alimentar da UE, defendendo medidas urgentes a curto e médio prazo. Os argumentos usados para justificar incumprimentos ambientais não são novos, apresentando os compromissos ambientais como um entrave, não ao desenvolvimento económico, mas à mitigação da crise económica e social que já enfrentamos.

Ao longo das últimas semanas, um pouco por toda a Europa e inclusive em Portugal, algumas confederações e organizações do setor agrícola, a par com algumas personalidades, têm vindo a manifestar publicamente as suas preocupações quanto ao desafio que paira sobre a segurança alimentar da UE, defendendo medidas urgentes a curto e médio prazo. Os argumentos usados para justificar incumprimentos ambientais não são novos, apresentando os compromissos ambientais como um entrave, não ao desenvolvimento económico, mas à mitigação da crise económica e social que já enfrentamos.

Acima de tudo, estas preocupações têm-se manifestado através de pressões sobre os governos europeus para diluir as respetivas metas ambientais e climáticas assumidas em vários instrumentos comunitários (como a Estratégia Do Prado Ao Prato e a Estratégia de Biodiversidade da UE para 2030, resultantes do Pacto Ecológico Europeu) e nacionais (Planos Estratégicos da Política Agrícola Comum) no que diz respeito ao setor agro-alimentar - servindo os interesses de parte do setor e falhando aos consumidores e aos pequenos agricultores.

Esta narrativa começa a ter efeitos práticos: foram já concedidas a vários países, entre os quais Portugal, autorizações para utilização de áreas importantes para a natureza e biodiversidade para produção agrícola (anteriormente vedadas à prática agrícola). Simultaneamente, o apelo que tem sido feito para a não integração das metas do Pacto Ecológico Europeu (PEE) no âmbito dos Planos Estratégicos da PAC (PEPAC), se bem-sucedido, significará, por exemplo, o recuo do compromisso do setor agro-alimentar para aumentar a produção biológica de alimentos em 25% ou a redução do uso de pesticidas até 50%. O adiamento da Lei do Restauro da Natureza da UE e da Diretiva Quadro do Uso Sustentável dos Pesticidas são também já consequência das pressões que se fazem sentir.

Importa então desmistificar 4 ideias que vamos ouvir ser repetidas à exaustão, mas que não serão mais verdadeiras por isso:

1. “A guerra coloca em causa a nossa segurança alimentar”.

Ao contrário do que esta ideia parece sugerir, os cereais que importamos dos países envolvidos no conflito servem em boa parte para produção de rações animais ou biocombustíveis - ⅔ dos cereais importados têm como destino a alimentação de gado. Precisamente uma das potenciais causas de insegurança alimentar dos europeus é o excesso de consumo de alimentos de origem animal - além dos problemas de saúde e ambientais sobejamente conhecidos.

Ao longo das últimas semanas, um pouco por toda a Europa e inclusive em Portugal, algumas confederações e organizações do setor agrícola, a par com algumas personalidades, têm vindo a manifestar publicamente as suas preocupações quanto ao desafio que paira sobre a segurança alimentar da UE, defendendo medidas urgentes a curto e médio prazo. Os argumentos usados para justificar incumprimentos ambientais não são novos, apresentando os compromissos ambientais como um entrave, não ao desenvolvimento económico, mas à mitigação da crise económica e social que já enfrentamos.

Acima de tudo, estas preocupações têm-se manifestado através de pressões sobre os governos europeus para diluir as respetivas metas ambientais e climáticas assumidas em vários instrumentos comunitários (como a Estratégia Do Prado Ao Prato e a Estratégia de Biodiversidade da UE para 2030, resultantes do Pacto Ecológico Europeu) e nacionais (Planos Estratégicos da Política Agrícola Comum) no que diz respeito ao setor agro-alimentar - servindo os interesses de parte do setor e falhando aos consumidores e aos pequenos agricultores.

Esta narrativa começa a ter efeitos práticos: foram já concedidas a vários países, entre os quais Portugal, autorizações para utilização de áreas importantes para a natureza e biodiversidade para produção agrícola (anteriormente vedadas à prática agrícola). Simultaneamente, o apelo que tem sido feito para a não integração das metas do Pacto Ecológico Europeu (PEE) no âmbito dos Planos Estratégicos da PAC (PEPAC), se bem-sucedido, significará, por exemplo, o recuo do compromisso do setor agro-alimentar para aumentar a produção biológica de alimentos em 25% ou a redução do uso de pesticidas até 50%. O adiamento da Lei do Restauro da Natureza da UE e da Diretiva Quadro do Uso Sustentável dos Pesticidas são também já consequência das pressões que se fazem sentir.

Importa então desmistificar 4 ideias que vamos ouvir ser repetidas à exaustão, mas que não serão mais verdadeiras por isso:

1. “A guerra coloca em causa a nossa segurança alimentar”.

Ao contrário do que esta ideia parece sugerir, os cereais que importamos dos países envolvidos no conflito servem em boa parte para produção de rações animais ou biocombustíveis - ⅔ dos cereais importados têm como destino a alimentação de gado. Precisamente uma das potenciais causas de insegurança alimentar dos europeus é o excesso de consumo de alimentos de origem animal - além dos problemas de saúde e ambientais sobejamente conhecidos.

Na verdade, uma das formas de tornar o nosso sistema alimentar mais autónomo, resiliente e sustentável, salvaguardando também a saúde dos europeus, seria através da redução do consumo de alimentos de origem animal e do incentivo a formas de produção animal menos dependentes de rações e fertilizantes.

2. “As alterações climáticas não podem ser uma prioridade.”

Os enormes desafios ambientais que enfrentamos não começaram com este conflito, e os seus efeitos não só são duradouros como não ficarão suspensos a aguardar a resolução dos desafios que, entretanto, surgem. Antes pelo contrário: quanto mais tempo demorarmos a agir para reduzir as emissões de gases de efeito de estufa, mais depressa se agravarão estes efeitos, colocando em risco as oportunidades para os resolver. O último relatório do IPCC é um alerta para o facto de os riscos serem superiores ao que estava inicialmente previsto, com alguns efeitos negativos a ocorrerem a níveis de aquecimento global mais baixos do que se previa. Uma das conclusões preocupantes do relatório é que com as alterações climáticas se torna cada vez mais difícil satisfazermos as necessidades humanas de calorias e proteínas, estando previstas perdas não só de produtividade mas também dos nutrientes presentes num vasto grupo de plantas .

Assim, é importante (e urgente) repensar o PEPAC para que este possa contribuir positivamente para a promoção da biodiversidade, a mitigação e adaptação às alterações climáticas e para o bom estado dos recursos água e solo, assim como o desenvolvimento das comunidades rurais de forma inclusiva.

3. “São necessárias medidas excepcionais, devido às circunstâncias”.

Todos os argumentos parecem ser bons para não cumprir os compromissos ambientais firmados pela Comissão Europeia. Durante o período de negociações do PEPAC, à semelhança do que aconteceu anteriormente noutras reformas da Política Agrícola Comum, muitas foram as pressões e cedências às tentativas de enfraquecimento dos objetivos e metas ambientais e climáticas deste plano. De referir que as ONGAs, a sociedade civil, e as autoridades ambientais nacionais foram completamente ignoradas no processo de construção deste PEPAC - e tememos que este registo persista no futuro. Uma parte importante do financiamento da Rede Natura 2000 provém da PAC, e se as medidas para aplicar este dinheiro forem desenhadas sem o envolvimento do ICNF (responsável pela Rede Natura 2000), dificilmente irão cumprir a sua função.

Ao longo das últimas semanas, um pouco por toda a Europa e inclusive em Portugal, algumas confederações e organizações do setor agrícola, a par com algumas personalidades, têm vindo a manifestar publicamente as suas preocupações quanto ao desafio que paira sobre a segurança alimentar da UE, defendendo medidas urgentes a curto e médio prazo. Os argumentos usados para justificar incumprimentos ambientais não são novos, apresentando os compromissos ambientais como um entrave, não ao desenvolvimento económico, mas à mitigação da crise económica e social que já enfrentamos.

Acima de tudo, estas preocupações têm-se manifestado através de pressões sobre os governos europeus para diluir as respetivas metas ambientais e climáticas assumidas em vários instrumentos comunitários (como a Estratégia Do Prado Ao Prato e a Estratégia de Biodiversidade da UE para 2030, resultantes do Pacto Ecológico Europeu) e nacionais (Planos Estratégicos da Política Agrícola Comum) no que diz respeito ao setor agro-alimentar - servindo os interesses de parte do setor e falhando aos consumidores e aos pequenos agricultores.

Esta narrativa começa a ter efeitos práticos: foram já concedidas a vários países, entre os quais Portugal, autorizações para utilização de áreas importantes para a natureza e biodiversidade para produção agrícola (anteriormente vedadas à prática agrícola). Simultaneamente, o apelo que tem sido feito para a não integração das metas do Pacto Ecológico Europeu (PEE) no âmbito dos Planos Estratégicos da PAC (PEPAC), se bem-sucedido, significará, por exemplo, o recuo do compromisso do setor agro-alimentar para aumentar a produção biológica de alimentos em 25% ou a redução do uso de pesticidas até 50%. O adiamento da Lei do Restauro da Natureza da UE e da Diretiva Quadro do Uso Sustentável dos Pesticidas são também já consequência das pressões que se fazem sentir.

Importa então desmistificar 4 ideias que vamos ouvir ser repetidas à exaustão, mas que não serão mais verdadeiras por isso:

1. “A guerra coloca em causa a nossa segurança alimentar”.

Ao contrário do que esta ideia parece sugerir, os cereais que importamos dos países envolvidos no conflito servem em boa parte para produção de rações animais ou biocombustíveis - ⅔ dos cereais importados têm como destino a alimentação de gado. Precisamente uma das potenciais causas de insegurança alimentar dos europeus é o excesso de consumo de alimentos de origem animal - além dos problemas de saúde e ambientais sobejamente conhecidos.

Na verdade, uma das formas de tornar o nosso sistema alimentar mais autónomo, resiliente e sustentável, salvaguardando também a saúde dos europeus, seria através da redução do consumo de alimentos de origem animal e do incentivo a formas de produção animal menos dependentes de rações e fertilizantes.

2. “As alterações climáticas não podem ser uma prioridade.”

Os enormes desafios ambientais que enfrentamos não começaram com este conflito, e os seus efeitos não só são duradouros como não ficarão suspensos a aguardar a resolução dos desafios que, entretanto, surgem. Antes pelo contrário: quanto mais tempo demorarmos a agir para reduzir as emissões de gases de efeito de estufa, mais depressa se agravarão estes efeitos, colocando em risco as oportunidades para os resolver. O último relatório do IPCC é um alerta para o facto de os riscos serem superiores ao que estava inicialmente previsto, com alguns efeitos negativos a ocorrerem a níveis de aquecimento global mais baixos do que se previa. Uma das conclusões preocupantes do relatório é que com as alterações climáticas se torna cada vez mais difícil satisfazermos as necessidades humanas de calorias e proteínas, estando previstas perdas não só de produtividade mas também dos nutrientes presentes num vasto grupo de plantas .

Assim, é importante (e urgente) repensar o PEPAC para que este possa contribuir positivamente para a promoção da biodiversidade, a mitigação e adaptação às alterações climáticas e para o bom estado dos recursos água e solo, assim como o desenvolvimento das comunidades rurais de forma inclusiva.

3. “São necessárias medidas excepcionais, devido às circunstâncias”.

Todos os argumentos parecem ser bons para não cumprir os compromissos ambientais firmados pela Comissão Europeia. Durante o período de negociações do PEPAC, à semelhança do que aconteceu anteriormente noutras reformas da Política Agrícola Comum, muitas foram as pressões e cedências às tentativas de enfraquecimento dos objetivos e metas ambientais e climáticas deste plano. De referir que as ONGAs, a sociedade civil, e as autoridades ambientais nacionais foram completamente ignoradas no processo de construção deste PEPAC - e tememos que este registo persista no futuro. Uma parte importante do financiamento da Rede Natura 2000 provém da PAC, e se as medidas para aplicar este dinheiro forem desenhadas sem o envolvimento do ICNF (responsável pela Rede Natura 2000), dificilmente irão cumprir a sua função.


4. “O adiamento das metas do Pacto Ecológico Europeu é absolutamente necessário”.

Maria do Céu Antunes, então Ministra da Agricultura, defendeu em março no Conselho de Agricultura e Pescas o adiamento do cumprimento das metas do PEE para um futuro incerto mas decidiu, no mesmo dia, apoiar a proposta da Áustria de incentivar o potencial das proteínas vegetais em linha com os objetivos do mesmo PEE. Contudo, esta proposta não se refere explicitamente ao consumo humano destas proteínas, o que poderá significar que esta visa apenas o incentivo da utilização para produção de rações e não para contribuir para uma dieta mais saudável e sustentável dos europeus e consequentemente, contribuir para uma maior resiliência a choques futuros. O cumprimento do PEE é absolutamente necessário, nomeadamente da sua Estratégia Do Prado Ao Prato, começando pela promoção do aumento da disponibilidade de alternativas proteicas vegetais para consumo humano.

A produção agroalimentar tem contribuído para a crise ambiental que vivemos: globalmente, a forma como nos alimentamos é responsável por 80% da desflorestação, 70% do uso de água doce, cerca de 30% de emissão de Gases de Efeito Estufa, degradação de 52% das terras agrícolas e 70% da perda de biodiversidade terrestre. Negá-lo é recusar a realidade e tem um efeito pouco útil na medida em que não resolve nenhum destes problemas e não reconhece o enorme potencial que a produção agroalimentar tem para impactar positivamente a nossa saúde e a do nosso planeta desde que se opere uma transformação do sistema de produção virada para as pessoas e para o planeta. Sobre este ponto, a comunidade científica tem sido clara sobre a necessidade de assegurar alimentos suficientes para a população mundial, e simultaneamente transformar a forma como produzimos e consumimos estes alimentos - a degradação da natureza e do clima afetam diretamente a nossa capacidade de produção alimentar já que os efeitos combinados da perda de biodiversidade e do aquecimento global reduzam o rendimento das culturas e a densidade nutricional.

Assim, mais importante do que disseminar ideias nem sempre rigorosas sobre a eventual escassez de alimentos, é urgente repensarmos as nossas prioridades - será que queremos (mais uma vez) colocar em causa a resiliência dos nossos sistemas alimentares a médio-longo prazo e contribuir para a destruição da natureza? Não estaremos a ignorar o facto de, pelo menos em parte, estas perturbações do mercado serem consequência da falta dessa mesma resiliência? A construção e defesa de um sistema alimentar resiliente e que respeita os limites do nosso planeta deve ser a prioridade de todos, agora e no futuro.

20.7.21

Quais são os países mais sustentáveis do mundo?

André Veríssimo, in EcoOnline

É uma pergunta com várias respostas. Depende dos critérios e dos estudos, mas há países que sobressaem em várias análises. Saiba quais são.

O Relatório de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas atribui o primeiro lugar do pódio à Finlândia. Com uma pontuação de 85,9 em 100, é o país mais perto de alcançar todos os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) aprovados pela Assembleia Geral da ONU em 2015.

E o que faz da Finlândia a líder? Ter acabado com a pobreza, assegurar uma educação de qualidade inclusiva e equitativa a toda a população ou o acesso a fontes de energia fiáveis e sustentáveis a custos acessíveis.

Suécia e Dinamarca completam o pódio. Seguem-se a Alemanha, Bélgica, Áustria, Noruega, França, Eslovénia e Estónia. Portugal está em 27º lugar, atrás de Espanha ou de Itália, cumprindo integralmente o objetivo relativo ao acesso a fontes de energia. Dos 17 ODS, o país apresenta grandes ou significativos desafios em oito.

O Environmental Performance Index, uma iniciativa das universidades de Yale e Columbia, duas das mais prestigiadas nos EUA, dá o primeiro lugar à Dinamarca. Também aqui a Europa domina os 10 primeiros lugares, o que atesta a liderança do continente no que toca à sustentabilidade ambiental e às alterações climáticas.

O país nórdico consegue 82,5 pontos no índice de 2020, graças ao bom desempenho em quase todos os critérios. E quais são eles? O estudo avalia 32 indicadores em 11 categorias: qualidade do ar, água potável e saneamento, exposição a metais pesados, gestão de resíduos, biodiversidade, preservação de ecossistemas, pesca, alterações climáticas, emissões poluentes, agricultura e recursos hídricos.

A Dinamarca sobressai como o primeiro classificado em vários indicadores, como a proteção de áreas marinhas e de espécies, a redução de emissões poluentes (é o único a conseguir a nota máxima) ou o tratamento de águas residuais. Luxemburgo, Suíça, Reino Unido e França completam o “top” 5 do Environnmental Performance Index.

Portugal está em 27.º lugar entre 180 países, com 67 pontos. É 15.º na qualidade do ar e 20.º na gestão de resíduos e consegue até um primeiro lugar na redução de emissões de dióxido sulfúrico e na proteção dos biomas terrestres, embora não consiga mais do que um 40.º lugar na categoria da vitalidade dos ecossistemas, devido à má pontuação na biodiversidade. É ainda o 167.º no desaparecimento de área florestal e o 120.º na perda de zonas húmidas.

"A boa governança, mais do que qualquer outro fator, separa as nações que se estão a mover em direção a um futuro sustentável daquelas que não o estão.”
Alex de Sherbinin

Columbia’s Earth Institute

No fim da lista estão a Costa do Marfim, a Serra Leoa, o Afeganistão, Myanmar e a Libéria. Alex de Sherbinin, do Columbia’s Earth Institute, afirma que “a boa governança, mais do que qualquer outro fator, separa as nações que se estão a mover em direção a um futuro sustentável daquelas que não o estão”. Os países mais bem colocados têm em comum a adoção de compromissos a longo prazo e programas cuidadosamente elaborados para proteger a saúde pública, conservar os recursos naturais e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
Suécia é a que mais contribui para a humanidade

O Good Country Index tem uma abordagem um pouco diferente: procura medir o que cada país contribui para o bem comum da humanidade e o que tira, em relação à sua dimensão. Usando dados das Nações Unidas e de outras organizações, constrói um balanço que permite avaliar se um país é credor ou um fardo para o planeta.

A última edição, de 2019, dá o pódio à Suécia, seguida da Dinamarca, Alemanha, Canadá e Holanda. Finlândia, França, Reino Unido, Espanha e Noruega completam a lista dos dez primeiros. Portugal é 35º, destacando-se na contribuição para o planeta e clima, onde é nono.

A Suécia também lidera o ranking de sustentabilidade da Robeco, uma das maiores gestoras de ativos europeias, com 188 mil milhões de euros a seu cargo. A análise da empresa holandesa usa critérios ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), que nos últimos anos têm-se tornado cada vez mais populares entre os investidores e saíram reforçados com a pandemia. Segundo a Bloomberg, só na Europa o montante investido em ativos ESG atingiu os 1,4 biliões de dólares no final de 2020. Há estimativas que apontam para 53 biliões até 2025, em todo mundo.

Além da Suécia, figuram no top 10 publicado em abril, a Finlândia, a Noruega, a Dinamarca, a Islândia, a Suíça, a Nova Zelândia, o Luxemburgo, o Canadá e a Holanda. Além de critérios ambientais, o ranking da Robeco inclui fatores como o envelhecimento da população, o risco de conflitos sociais, o nível de corrupção, a qualidade das instituições e o risco político.

Quais são os hotéis mais caros do país? Quem são as personalidades mais influentes no TikTok? E os gestores mais bem pagos da nossa bolsa? De segunda a sexta-feira, todos os dias há um ranking para ver aqui no ECO.



15.7.21

O impacto social da transição verde europeia

in EuroNews

A Comissão Europeia apresentou, esta quarta-feira, o aguardado pacote legislativo "Fit for 55" para garantir que a União Europeia (UE) cumpre a meta de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 55% até 2030, relativamente aos níveis de 1990.

A pedra angular do plano é conseguir que quase todos os setores paguem para poluir.

O setor energético já o faz e vai pagar gradualmente mais, mas Bruxelas quer agora aplicar o mesmo às indústrias dos transportes e da construção.

Na prática, significa que os cidadãos - principalmente os mais pobres - serão mais pressionados com os custos.

"Definitivamente, há algo a fazer sobre os 75% de energia gerados por combustíveis fósseis, que continuam a ser consumidos para o aquecimento ou edifícios residenciais. Mas estamos a perceber que, de fato, a resposta passa pelo preço do carbono. E o problema com o preço do carbono é que terá um impacto desproporcional em diferentes pessoas. Caberá ao consumidor pagar a fatura final. Serão os consumidores vulneráveis", sublinhou, em entrevista à Euronews, Alix Bolle, da Energy Cities, associação europeia de autoridades locais e outras entidades de âmbito local que promove soluções inovadoras para o futuro energético.

Países como França já se manifestaram sobre a matéria. Há receios de que o movimento dos coletes amarelos volte às ruas, como aconteceu em 2018, por causa do aumento do preço dos combustíveis.

"Nos próximos meses vamos enfrentar muito mais do que o movimento dos coletes amarelos. As pessoas vão-se vestir integralmente de amarelo quando virem qual é o preço. Não será apenas o colete. Acredita que estão a pensar introduzir um imposto sobre o CO2 para o aquecimento das casas? Há muitas pessoas com escassez de combustível na Europa que não podem pagar o aquecimento da casa e agora querem introduzir mais impostos", ressalvou Samuel Furfari, professor de Política Energética na Universidade Livre de Bruxelas.

Mas, de acordo com Thomas Pellerin-Carlin, diretor do Jacques Delors Energy Centre, algumas das propostas da Comissão poderão ajudar a reduzir o impacto que a transição verde terá sobre as pessoas: "Algumas medidas propostas pela Comissão apresentam o risco de aumentar a pobreza energética. Outras medidas têm potencial para atenuar a pobreza energética. Isso significa renovar edifícios, ajudar as pessoas a comprar veículos elétricos."

É por esse motivo que a Comissão Europeia quer criar o que chama de "Fundo Social de Ação Climática", para ajudar as pessoas mais afetadas. A maior parte dos fundos virá de 20% do valor arrecadado com poluidores dos setores de transporte e construção.

O aumento do custo do combustível e da fatura energética preocupa muitas pessoas.

"Reconhecemos que atualmente já é difícil para algumas pessoas pagar as contas de energia ou de mobilidade, por exemplo, para conduzir. Antes de mais nada damos uma resposta a essa questão em aberto criando, em primeiro lugar, o Fundo Social de Ação Climática", referiu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O "Fundo Social de Ação Climática" deverá ajudar as pessoas a adquirir veículos elétricos.

Quando os tiverem, muitos cidadãos europeus poderão, em teoria, sair da situação de pobreza energética devido ao baixo custo de carregar um elétrico.