por Inês Moreira Santos, in RTP
A enfrentar a crise climática, a pandemia da Covid-19 e a falta de vacinas e medicamentos, as guerras e os ataques a escolas, a pobreza e a fome e até a dificuldade de acesso ao ensino e ao mundo digital, um quarto dos países do mundo tem os sistemas escolares em risco. De acordo com um relatório publicado esta segunda-feira, em mais de 40 nações, a Educação de centenas de milhões de crianças e jovens pode estar à beira do colapso.
"A educação de centenas de milhões de crianças em um quarto dos países do mundo está em risco extremo ou alto de colapsar", alertou, esta segunda-feira, a Save The Children, que destaca "as alterações climáticas, a falta de vacinas contra a Covid-19, o deslocamento, os ataques a escolas e a falta de conectividade digital" como alguns dos fatores que estão a prejudicar o acesso ao ensino.
Este mês, a maioria das escolas e instituições de ensino de grande parte do mundo vão reabrir e os alunos vão regressar às aulas. Mas um quarto dos países - a maioria na África Subsaariana - têm sistemas escolares que correm risco extremo ou alto de colapso.
As Nações Unidas estimam que, pela primeira vez na história, cerca de 1,6 mil milhões de crianças não foram à escola durante a pandemia, havendo pelo menos um terço sem acesso ao ensino à distância. Além disso, antes da Covid-19 ainda havia cerca de 260 milhões de crianças fora dos sistemas de ensino, o que corresponde a quase um quinto da população global dessas faixas etárias.
Agora, como grande parte dos países menos desenvolvos enfrentam pobreza extrema, a pandemia da Covid-19, a crise climática e violência, começa a recear-se que haja uma "geração perdida de alunos".
"Já sabemos que são as crianças mais pobres as que mais sofreram com o encerramento das escolas devido à Covid-19", recordou Inger Ashing, CEO da Save the Children Internacional.
"Mas, infelizmente, a Covid-19 é apenas um dos fatores que está a ameçar a Educação e a vida das crianças hoje e amanhã. Cerca de metade dos 75 milhões de crianças que têm a Educação suspensa todos os anos, fazem-no devido a ameaças climáticas e ambientais, como ciclones, inundações e secas. As catástrofes climáticas já contribuíram para que mais de 50 milhões de crianças fossem obrigadas a deixar as suas casas. E os ataques abomináveis às escolas continuam em países como a Nigéria e o Iémen".
Dezenas de países não conseguem assegurar Educação
Segundo o relatório da organização, há pelo menos 48 países em que a Educação está em risco, havendo "milhões de crianças ainda incapazes de entrar na sala de aula devido às medidas de segurança da Covid-19, os impactos económicos da pandemia e os ataques contínuos às escolas". A isso soma-se ainda, destaca o documento, as 258 milhões de crianças em todo o mundo que já estavam fora da escola antes da pandemia.
"Os líderes têm de aprender com a crise da Covid-19, que interrompeu a escolaridade de mais de 90 por cento dos alunos do mundo, e sistemas de educação à prova de choque para garantir que as crianças de um quarto dos países do mundo não tenham o seu futuro comprometido", alertou a organização de direitos das crianças.
De acordo com o novo relatório da Save the Children, "Build Forward Better", a República Democrática do Congo, a Nigéria, a Somália, o Afeganistão, o Sudão, o Mali e a Líbia têm sistemas de Educação que estão em 'risco extremo'. Já a Educação na Síria e no Iémen, na Índia, nas Filipinas e no Bangladesh, por exemplo, estão em "risco alto" de colapsar.
"Quando as escolas não são fixas, e não tem aulas, não tem professores, nós não temos como aprender. Não nos sentimos seguros quando as escolas não estão reabilitadas", afirmou à ONG o jovem de 13, Salem.
Estima-se que entre 10 a 16 milhões de crianças não regressem à escola devido apenas aos impactos económicos da pandemia, sendo muitas vezes forçadas a trabalhar ou a casar cedo.
Mas a crise climática vem aumentar esta ameça à Educação, visto que as escolas são danificadas ou destruídas por catástrofes climáticas extremas e, assim, cada vez mais crianças serão obrigadas a abandonar a sua casa e a deixar de ir à escola.
De acordo com a investigação da Save the Children, em média, as crianças de países pobres perderam mais 66 por cento de aulas durante a pandemia, comparativamente aos alunos de outros países.
É preciso "agir já"
"Precisamos de aprender com esta experiência terrível e agir já - mas não é suficiente 'voltar' à realidade como era. Precisamos de construir 'para a frente' e de forma diferente, usando isso como uma oportunidade de esperança e mudança positiva", afirmou ao Guardian a CEO da Save The Children no Reino Unido.
Somando-se ao desemprego jovem, a pouca educação primária e a exclusão digital no acesso ao ensino à distância, está a ameaçar a próxima geração, frisou a ONG no relatório.
Segundo o documento, para salvar a educação das crianças e prepará-las para o futuro, "os Ministérios da Educação e os parceiros devem trabalhar para enfrentar estas ameaças à escolaridade". Os países mais afetados, continua, "precisam de muito mais investimento nos seus sistemas educacionais de parceiros internacionais".
"O direito de uma criança à educação não termina com uma crise", alertou ainda Inger Ashing.
Também Rob Jenkins, diretor global de educação da Unicef, recordou que mesmo antes da pandemia, grande parte do mundo já enfrentava uma crise global de Educação.
"Agora corremos o risco de perder uma geração de alunos", alertou. "Isto pode ter implicações para toda a vida, a menos que avancemos para programas de recuperação que ofereçam apoio total e abrangente às crianças - não apenas para a sua aprendizagem, mas também para a sua saúde mental, suporte nutricional e uma sensação de proteção".
"Consequências catastróficas" com encerramento das escolas na Índia
Um estudo recente, baseado na análise de quase 1.400 crianças em idade escolar de famílias carentes na Índia, relevou haver "consequências catastróficas" com encerramento prolongado das escolas no último ano e meio, devido à pandemia.
Segundo este relatório, nas áreas rurais do país, apenas oito por cento das crianças da amostra têm acesso a dispositivos digitais para estudar online regularmente, 37 por cento não estudam e "cerca de metade não consegue ler mais do que algumas palavras". Contudo, a maioria dos pais deseja que as escolas sejam reabertas o "mais rápido possível".
As escolas primárias e básicas na Índia estão fechadas há 17 meses para combater a disseminação do coronavírus, sendo a Índia um dos países onde as escolas ainda não reabriram. E as conclusões desta investigação são "absolutamente sombrias, especialmente nas áreas rurais".
Das poucas crianças da amostra que tinham acesso a dispostivos digitais, 24 por cento viviam em cidades e apenas oito por cento em aldeias. Um dos motivos para esta percentagem tão pequena de alunos a poder estudar à distância deve-se, esclarece o estudo, ao facto de um grande número dessas famílias não ter dispostivos como computador, por exemplo - apenas cerca de metade das famílias nas aldeias tinha um smartphone.
Mesmo entre aqueles que possuíam um smartphone, apenas um terço das crianças estudava online nas cidades e cerca de 15 por cento nas aldeias. Apenas nove por cento das crianças da amostra tinham os próprios telemóveis.
Outro grande obstáculo, especialmente nas zonas rurais, é que as escolas não estarem a enviar materiais de estudo.
"A maioria dos pais sente que as capacidades de leitura e escrita dos filhos diminuíram durante o confinamento", lê-se no documento.
"Uma reabertura total pode não ser aconselhável por agora, mas pedir às crianças que frequentem as escolas em grupos uma ou duas vezes por semana seria um bom começo", afirmou à BBC a economista Reetika Khera, uma das principais autoras da investigação.
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29.7.20
Mais de meio milhão de crianças lutam pela sobrevivência em Beirute
in Público on-line
Pandemia do novo coronavírus amplificou a pior crise económica e financeira de sempre na história do país.
Mais de meio milhão de crianças em Beirute lutam pela sobrevivência quando o Líbano está em pleno naufrágio económico, lamentou esta quarta-feira a organização não-governamental (ONG) Salvem as Crianças (Save the Children).
O país está a atravessar a sua pior crise económica e financeira, amplificada pela pandemia do novo coronavírus e marcada pela desvalorização acentuada da moeda nacional, subida do desemprego e hiperinflação.
Na região metropolitana de Beirute, que inclui a capital libanesa e os seis arredores, 910 mil pessoas, entre as quais 564 mil crianças, sofrem na procura da satisfação das suas necessidades mais elementares, incluindo alimentação, segundo a ONG.
Desde Setembro, os preços dos produtos de base subiram 169%, o desemprego 35% no sector formal e o poder de compra das famílias 85%.
O Líbano acolhe cerca de 1,5 milhões de refugiados sírios, dos quais menos de um milhão inscritos na ONU, e cerca de 174 mil refugiados palestinianos.
Pandemia do novo coronavírus amplificou a pior crise económica e financeira de sempre na história do país.
Mais de meio milhão de crianças em Beirute lutam pela sobrevivência quando o Líbano está em pleno naufrágio económico, lamentou esta quarta-feira a organização não-governamental (ONG) Salvem as Crianças (Save the Children).
O país está a atravessar a sua pior crise económica e financeira, amplificada pela pandemia do novo coronavírus e marcada pela desvalorização acentuada da moeda nacional, subida do desemprego e hiperinflação.
Na região metropolitana de Beirute, que inclui a capital libanesa e os seis arredores, 910 mil pessoas, entre as quais 564 mil crianças, sofrem na procura da satisfação das suas necessidades mais elementares, incluindo alimentação, segundo a ONG.
Desde Setembro, os preços dos produtos de base subiram 169%, o desemprego 35% no sector formal e o poder de compra das famílias 85%.
O Líbano acolhe cerca de 1,5 milhões de refugiados sírios, dos quais menos de um milhão inscritos na ONU, e cerca de 174 mil refugiados palestinianos.
17.2.17
Falta de alimentos provoca «crise como nunca vimos»
Texto J.B., in Fátima Missionária
Pessoas de quatro países estão em sofrimento devido à escassez de alimentos a um nível sem precedentes
Dez milhões de pessoas estão a passar fome no Iémen, Sudão do Sul, Nigéria e Somália devido a conflitos nestes Estados. Apesar do total de doações ser atualmente seis vezes superior ao de há 20 anos, tendo alcançado um valor recorde em 2016, as carências ultrapassam as ofertas e o financiamento chega apenas a cerca de metade dos necessitados, aponta Stephen O`Brien, coordenador de Assuntos Humanitários da ONU.
A organização humanitária «Save the Children» é um dos organismos que se encontra a estender ao máximo os seus recursos. «Estamos num momento crítico», referiu Gareth Owen, diretor da organização, adiantando que existem «quatro países onde a fome é eminente, o que é uma ideia verdadeiramente assustadora».
Para além da falta de alimentos nestes quatro países, existem ainda milhões de pessoas na Etiópia e no Quénia em situação de insegurança alimentar. «Isto está a criar uma preocupação real de que estejamos a enfrentar uma crise grave como nunca vimos», demonstrou o responsável que trabalha há 25 anos na região do Corno de África, em declarações do jornal «The Guardian».
Pessoas de quatro países estão em sofrimento devido à escassez de alimentos a um nível sem precedentes
Dez milhões de pessoas estão a passar fome no Iémen, Sudão do Sul, Nigéria e Somália devido a conflitos nestes Estados. Apesar do total de doações ser atualmente seis vezes superior ao de há 20 anos, tendo alcançado um valor recorde em 2016, as carências ultrapassam as ofertas e o financiamento chega apenas a cerca de metade dos necessitados, aponta Stephen O`Brien, coordenador de Assuntos Humanitários da ONU.
A organização humanitária «Save the Children» é um dos organismos que se encontra a estender ao máximo os seus recursos. «Estamos num momento crítico», referiu Gareth Owen, diretor da organização, adiantando que existem «quatro países onde a fome é eminente, o que é uma ideia verdadeiramente assustadora».
Para além da falta de alimentos nestes quatro países, existem ainda milhões de pessoas na Etiópia e no Quénia em situação de insegurança alimentar. «Isto está a criar uma preocupação real de que estejamos a enfrentar uma crise grave como nunca vimos», demonstrou o responsável que trabalha há 25 anos na região do Corno de África, em declarações do jornal «The Guardian».
28.7.14
Morre uma criança por hora em Gaza, denuncia a ONG Save The Children
in Portal Forum
Por Esquerda.net. Artigo publicado no Clarín.
A organização não governamental Save the Children Fund alertou que, nos últimos dois dias, uma criança palestina morre por hora em Gaza. Em comunicado, a ONG pediu à comunidade internacional uma “resposta inequívoca para deter este derramamento de sangue”
Duas semanas depois do começo da ofensiva militar israelense, pelo menos 70 mil crianças da Faixa de Gaza viram-se obrigadas a abandonar as suas habitações com as famílias, assegurou a ONG, citada pela Europa Press.
Além disso, a Save de Children Fund indicou que 116 mil é o número de crianças que necessita de “apoio psicossocial especializado imediato” na Faixa de Gaza. Em Israel, as crianças também sofrem com as consequências desta situação “enfrentando, no dia a dia, o terror do lançamento de torpedos”.
A equipe da Save the Children em Gaza está trabalhando nas zonas mais castigadas pelos ataques com o objetivo de proporcionar ajuda médica e auxiliar as famílias deslocadas com colchões, materiais para proteção, kits de higiene e materiais para o cuidado dos bebés, advertindo que “o nível de necessidades é assustador”.
Os médicos alertaram que os partos prematuros estão duplicando, assinalou a ONG. “Vimos muitos partos prematuros como resultado do medo e dos problemas psicológicos causados pela ofensiva militar” (israelita), explicou Yousif Al Swaiti, diretor do hospital Al Awda com o qual trabalha a Save the Children.
A ONG informou que os recém-nascidos são um setor muito vulnerável e assegura que a comida para os bebês é “extremamente escassa”, o que coloca as mães numa situação de enorme estresse.
São já 121 as crianças mortas, em Gaza, pela ofensiva israelense. ”O número de partos prematuros duplicou, comparado com os que havia antes da escalada de violência”, esclareceu o médico. “Perdem-se anos de trabalho com cada explosão”, assegurou um dos ativistas da Save the Children, David Hassell. “Nunca existirá justificativa para o ataque a escolas e hospitais, quando muitos civis não têm para onde ir. Nenhuma das partes deveria usar estas instalações para fins militares”, disse.
A ONG pediu à comunidade internacional que “responda a esta guerra contra as crianças exercendo toda a sua influência diplomática para pôr fim imediato ao derramamento de sangue”. “Se a comunidade internacional não atua já, a guerra contra as crianças, em Gaza, pesará sobre as nossas consciências para sempre”, concluiu.
Por Esquerda.net. Artigo publicado no Clarín.
A organização não governamental Save the Children Fund alertou que, nos últimos dois dias, uma criança palestina morre por hora em Gaza. Em comunicado, a ONG pediu à comunidade internacional uma “resposta inequívoca para deter este derramamento de sangue”
Duas semanas depois do começo da ofensiva militar israelense, pelo menos 70 mil crianças da Faixa de Gaza viram-se obrigadas a abandonar as suas habitações com as famílias, assegurou a ONG, citada pela Europa Press.
Além disso, a Save de Children Fund indicou que 116 mil é o número de crianças que necessita de “apoio psicossocial especializado imediato” na Faixa de Gaza. Em Israel, as crianças também sofrem com as consequências desta situação “enfrentando, no dia a dia, o terror do lançamento de torpedos”.
A equipe da Save the Children em Gaza está trabalhando nas zonas mais castigadas pelos ataques com o objetivo de proporcionar ajuda médica e auxiliar as famílias deslocadas com colchões, materiais para proteção, kits de higiene e materiais para o cuidado dos bebés, advertindo que “o nível de necessidades é assustador”.
Os médicos alertaram que os partos prematuros estão duplicando, assinalou a ONG. “Vimos muitos partos prematuros como resultado do medo e dos problemas psicológicos causados pela ofensiva militar” (israelita), explicou Yousif Al Swaiti, diretor do hospital Al Awda com o qual trabalha a Save the Children.
A ONG informou que os recém-nascidos são um setor muito vulnerável e assegura que a comida para os bebês é “extremamente escassa”, o que coloca as mães numa situação de enorme estresse.
São já 121 as crianças mortas, em Gaza, pela ofensiva israelense. ”O número de partos prematuros duplicou, comparado com os que havia antes da escalada de violência”, esclareceu o médico. “Perdem-se anos de trabalho com cada explosão”, assegurou um dos ativistas da Save the Children, David Hassell. “Nunca existirá justificativa para o ataque a escolas e hospitais, quando muitos civis não têm para onde ir. Nenhuma das partes deveria usar estas instalações para fins militares”, disse.
A ONG pediu à comunidade internacional que “responda a esta guerra contra as crianças exercendo toda a sua influência diplomática para pôr fim imediato ao derramamento de sangue”. “Se a comunidade internacional não atua já, a guerra contra as crianças, em Gaza, pesará sobre as nossas consciências para sempre”, concluiu.
24.9.13
Síria: Dois milhões de crianças em risco de desnutrição
in Sol
Mais de dois milhões de crianças sírias estão em risco de desnutrição em resultado do conflito no país, alertou na segunda-feira a organização humanitária britânica "Save the Children" (Salvem as Crianças).
Esta organização não-governamental (ONG) assinalou, em comunicado, que os afectados pelos confrontos bélicos na síria não têm podido comprar alimentação em quantidade suficiente, além de que os preços alimentares têm subido e há dificuldades para a produção de alimentos.
Nas zonas rurais de Damasco, um em cada 20 menores já está subnutrido, quantificou a ONG, que reuniu testemunhos de pessoas refugiadas nos países vizinhos, que denunciaram as dificuldades das famílias para alimentar os filhos.
A ONG assinala que muitas crianças têm vivido de plantas e pão durante dias e cita ainda o caso de uma família que se alimentou apenas de pão durante quatro dias, depois de se ter refugiado no sótão de uma casa, no seguimento de explosões.
A falta de alimentos disparou os despectivos preços para níveis que chegaram a duplicar os valores iniciais, segundo a organização.
"A comunidade internacional fez muito pouco e muito tarde. Os meninos da Síria têm sido alvejados e bombardeados e vão ficar traumatizados pelo horror da guerra. O conflito deixou milhares de crianças mortas e agora há uma ameaça de escassez de meios para sobreviver", disse o director da organização, Justin Forsyth.
Este dirigente acrescentou que as crianças sírias estão "sós e traumatizadas" pela guerra.
"Mesmo que o mundo não consiga colocar-se de acordo sobre como acabar com o conflito, de certeza que pode colocar-se de acordo em que a ajuda deve chegar a cada criança que dela necessite na Síria. Não há espaço para adiamentos ou argumentos. Não se devia deixar que as crianças da Síria passassem fome", insistiu.
Lusa/SOL
Mais de dois milhões de crianças sírias estão em risco de desnutrição em resultado do conflito no país, alertou na segunda-feira a organização humanitária britânica "Save the Children" (Salvem as Crianças).
Esta organização não-governamental (ONG) assinalou, em comunicado, que os afectados pelos confrontos bélicos na síria não têm podido comprar alimentação em quantidade suficiente, além de que os preços alimentares têm subido e há dificuldades para a produção de alimentos.
Nas zonas rurais de Damasco, um em cada 20 menores já está subnutrido, quantificou a ONG, que reuniu testemunhos de pessoas refugiadas nos países vizinhos, que denunciaram as dificuldades das famílias para alimentar os filhos.
A ONG assinala que muitas crianças têm vivido de plantas e pão durante dias e cita ainda o caso de uma família que se alimentou apenas de pão durante quatro dias, depois de se ter refugiado no sótão de uma casa, no seguimento de explosões.
A falta de alimentos disparou os despectivos preços para níveis que chegaram a duplicar os valores iniciais, segundo a organização.
"A comunidade internacional fez muito pouco e muito tarde. Os meninos da Síria têm sido alvejados e bombardeados e vão ficar traumatizados pelo horror da guerra. O conflito deixou milhares de crianças mortas e agora há uma ameaça de escassez de meios para sobreviver", disse o director da organização, Justin Forsyth.
Este dirigente acrescentou que as crianças sírias estão "sós e traumatizadas" pela guerra.
"Mesmo que o mundo não consiga colocar-se de acordo sobre como acabar com o conflito, de certeza que pode colocar-se de acordo em que a ajuda deve chegar a cada criança que dela necessite na Síria. Não há espaço para adiamentos ou argumentos. Não se devia deixar que as crianças da Síria passassem fome", insistiu.
Lusa/SOL
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