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9.2.22

Treze milhões de pessoas passam fome no Corno de África devido à seca

in Público on-line

Após três estações chuvosas consecutivas, mas com menos quantidade de chuva do que o habitual, as colheitas de milhões de agricultores estão destruídas e muitos animais domésticos morreram, obrigando as famílias a abandonarem as suas casas e causando um aumento dos conflitos intercomunitários.

Treze milhões de pessoas estão a passar fome na Etiópia, Quénia e Somália na sequência da seca no Corno de África, a pior desde 1981, alertou nesta terça-feira o Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU.

“Esta situação requer intervenção humanitária imediata e apoio contínuo às comunidades para construir a sua resiliência para o futuro”, disse o director do PAM para aquela região africana, Michael Dunford.

Após três estações chuvosas consecutivas, mas com menos quantidade de chuva do que o habitual, as colheitas de milhões de agricultores estão destruídas e muitos animais domésticos morreram, obrigando as famílias a abandonarem as suas casas e causando um aumento dos conflitos intercomunitários.

“As colheitas estão destruídas, o gado está a morrer e a fome está a aumentar à medida que a seca recorrente atinge o Corno de África”, disse Dunford.

Na sua página oficial do Twitter, o PAM reforça que “se nada for feito hoje, no final do primeiro semestre de 2022 os efeitos serão irreversíveis” para os países mais afectados.

O Programa Alimentar Mundial alertou que este cenário pode piorar nos próximos meses, pois as previsões indicam que continuará a chover abaixo da média.

De acordo com esta organização da ONU, as taxas de desnutrição são altas e continuarão a crescer se medidas urgentes não forem tomadas no Sul e Sudeste da Etiópia, Sudeste e Norte do Quénia e Centro e Sul da Somália.

O PAM teme uma crise humanitária como a que ocorreu em 2011, quando 250.000 pessoas morreram de fome na Somália, por isso insistiu que “é essencial uma assistência imediata” para evitar tal calamidade.

O Governo queniano identificou a seca como uma “emergência nacional” em Setembro de 2021 e a Somália declarou um “estado de emergência humanitária” um mês depois.

14.3.21

Cerca de 2,7 milhões de pessoas na Somália em risco de fome por falta de água

in o Observador

A ONU alerta para a degradação da situação humanitária no país africano. O número de habitantes que poderão sofrer de falta de alimentos representa um aumento de 65% face aos números atuais.

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla inglesa) alertou esta sexta-feira para a degradação da situação humanitária na Somália devido à falta de água, que coloca em risco de fome pelo menos 2,7 milhões de pessoas.

“Um grande número de problemas humanitários, incluindo conflitos, insegurança alimentar e um clima errático afetaram a Somália durante décadas“, disse o porta-voz do OCHA, Jens Laerke, em declarações citadas pela agência de notícias espanhola, a Efe.

A previsão indica que a temporada atual de chuva, entre março e junho, ficará abaixo do esperado, o que contribui para agravar a falta de água, colocando em risco a sobrevivência do gado, pelo que o número de habitantes da Somália que poderão sofrer de falta de alimentos deverá ser de 2,7 milhões, o que representa um aumento de 65% face aos números atuais, segundo a OCHA. Entre os afetados pelos problemas de acesso aos alimentos estão 840 mil crianças com menos de cinco anos, apontou o responsável.

A ONU e todas as organizações que prestam assistência no terreno pediram mil milhões de dólares, cerca de 830 milhões de euros, de financiamento para prestar ajuda humanitária a 4 milhões de pessoas na Somália ao longo do ano, mas até agora só conseguiram angariar 2,5% desse montante, estando em estudo o acesso a um fundo especial para situações críticas, que poderá desbloquear 20 milhões de dólares (16,7 milhões de euros), conclui a Efe.


30.7.19

Um recorde trágico: 12 mil crianças mortas ou feridas em guerras em 2018

in Público on-line

O recrutamento e uso de menores nos combates, a violência sexual, os raptos e os ataques a escolas fazem parte da lista que considera sobretudo as mortes e os ferimentos de crianças. Os países com as situações mais críticas são o Afeganistão, a Palestina, a Síria e o Iémen.

Mais de 12 mil crianças foram mortas e feridas em conflitos armados no ano passado, denuncia nesta terça-feira a ONU, sublinhando tratar-se de um recorde e apontando Afeganistão, Palestina, Síria e Iémen como os piores países da lista. Num relatório anual publicado nesta terça-feira, as Nações Unidas referem que as mortes e os ferimentos estão entre as mais de 24 mil “violações graves” dos direitos das crianças verificados pela organização no ano passado.

Entre as violações registadas contam-se ainda o recrutamento e uso de menores nos combates, a violência sexual, os raptos e os ataques a escolas e hospitais, avança o relatório.

Sete casas em Guimarães, lado a lado
De acordo com o documento, entregue pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, ao Conselho de Segurança das Crianças e Conflitos Armados, e citado pela agência AP, o número destas violações feitas por grupos armados manteve-se estável relativamente a 2017, mas houve um “aumento alarmante” do número de violações realizadas por forças governamentais e internacionais.

O relatório refere que o número de mortos e feridos em 2018 foi o mais alto desde que o Conselho de Segurança autorizou a monitorização e realização destas análises, em 2005.
O Afeganistão lidera a lista dos países com mais casos, com 3062 baixas em 2018, sendo que “28% de todas as vítimas civis são crianças”.
Na Síria, os ataques aéreos e as bombas mataram e feriram 1854 menores e, “no Iémen, 1689 crianças sofreram as consequências dos conflitos”, adianta o documento.

No conflito israelo-palestiniano, a ONU verificou ter-se registado em 2018 o maior número de crianças palestinianas mortas — 59 — e feridas — 2756 — desde 2014. A análise apurou terem também ficado feridas seis crianças israelitas.

Guterres pede que se acabe com “uso excessivo da força”
Guterres admitiu estar “extremamente preocupado com o aumento significativo” de feridos nesta área do mundo, incluindo por inalação de gás lacrimogéneo, e pediu ao enviado da ONU Nikolay Mladenov para fazer uma análise mais fina aos episódios causados por forças israelitas. Além disso, António Guterres “exortou Israel a implementar imediatamente medidas preventivas e de protecção para acabar com o uso excessivo da força”.

Crianças em zonas de conflito têm mais hipóteses de morrer por falta de acesso a água do que de violência
De acordo com o relatório, as partes em conflito na Somália recrutaram e utilizaram 2300 crianças, algumas com apenas oito anos, tendo-se verificado um aumento significativo do recrutamento feito pelos extremistas al-Shabab, que terão usado 1865 menores para combater. A Nigéria ficou em segundo lugar, com 1947 crianças recrutadas, incluindo algumas usadas como bombistas suicidas.

A Somália teve o maior número de casos de violência sexual contra crianças, com 331 casos em 2018, seguida pelo Congo, com 277 casos, embora o secretário-geral tenha alertado haver muitos casos que não são notificados, particularmente contra meninos, devido ao estigma. A Somália teve também o maior número de raptos de crianças no ano passado: 1609.

António Guterres sublinhou ainda os milhares de crianças afectadas por 1023 ataques verificados em escolas e hospitais no ano passado.

Na Síria, foram registados, no ano passado, 225 ataques a escolas e instalações médicas, o maior número desde o início do conflito em 2011, referiu o secretário-geral da ONU, acrescentando que o Afeganistão também apresentou um aumento desta violação dos direitos da criança, com 254 escolas e hospitais a sofrerem ataques.

“Um maior número de ataques também foi verificado na República Centro-Africana, na Colômbia, na Líbia, no Mali, na Nigéria, na Somália, no Sudão e no Iémen”, disse Guterres.

O secretário-geral também expressou preocupação com a crescente detenção de crianças, reiterando que “essa medida só deve ser usada como último recurso e pelo menor período possível” e defendendo que “as alternativas à detenção devem ter sempre prioridade”.
Segundo o secretário-geral da ONU, em Dezembro do ano passado estavam 1248 crianças, sobretudo com idades abaixo dos cinco anos, “privadas da sua liberdade”.

Estas crianças, provenientes de 46 nacionalidades de áreas anteriormente controladas por extremistas do Estado Islâmico, estavam detidas em campos no Nordeste da Síria.

No Iraque, 902 crianças permaneciam detidas por acusações de “ameaça à segurança nacional”, incluindo associação ao auroproclamado Estado Islâmico.
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Portugal convida Guterres para Conferência da Juventude em Lisboa
Na mesma altura, Israel tinha detidas 203 crianças palestinianas por “crimes contra a segurança”, incluindo 114 que aguardavam julgamento ou que foram julgadas, e 87 que já estavam a cumprir uma sentença.
A ONU recebeu, segundo Guterres, depoimentos de 127 meninos palestinianos que “relataram às Nações Unidas maus tratos e violações do direito a um julgamento justo durante sua prisão, transferência e detenção”.

30.3.17

UNICEF alerta para 1,4 milhões de crianças em risco de morrer de fome Situações dramáticas na Nigéria, Somália, Sudão do Sul e Iémen.

in Correio da Manhã

Cerca de 1,4 milhões de crianças estão em risco de morte por desnutrição na Nigéria, Somália, Sudão do Sul e Iémen, alertou hoje o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). A agência da ONU indicou ainda que estas crianças fazem parte dos 22 milhões de menores deslocados que sofrem de fome, doenças e tiveram de abandonar a escola. "As crianças não podem esperar outra declaração de fome para que tomemos medidas", disse o diretor de Emergências da UNICEF, Manuel Fontaine, num comunicado que pediu ajuda para responder às necessidades imediatas destes quatro países afetados pela fome, a seca e os conflitos armados.

"Aprendemos com a [seca na] Somália de 2011 que, quando se declarou a fome, um número incalculável de crianças já tinha morrido. Isto pode voltar a acontecer", afirmou Fontaine. A UNICEF necessita de cerca de 255 milhões de dólares para proporcionar a estas crianças serviços de alimentação, água, saúde, educação, proteção durante os próximos meses, segundo uma atualização do financiamento da organização. A agência da ONU planeou destinar mais de 81 milhões de dólares (74,5 milhões de euros) a programas de nutrição e fornecimento de alimentos terapêuticos, 53 milhões de dólares (48,7 milhões de euros) a serviços de saúde, incluídas as vacinas, e 47 milhões de dólares (43,2 milhões de euros) para programas de água, saneamento e higiene para prevenir doenças mortais.

"À medida que a violência, a fome e a sede forçam as pessoas a deslocarem-se dentro e fora das fronteiras, as taxas de desnutrição continuarão a aumentar, não só nestes quatro países, mas também na bacia do lago Chade e no Corno de África", disse, destacando a situação dos países vizinhos. O Iémen vive a maior emergência alimentar do mundo, com 7,3 milhões de pessoas que necessitam de ajuda neste momento, segundo a ONU. No Iémen, a UNICEF apoia as crianças com desnutrição grave com assistência económica às suas famílias e serviços de água, saneamento, incluindo o fornecimento de água potável e a promoção da higiene. A UNICEF estima que no Iémen, a cada dez minutos uma criança morre de doenças evitáveis e o número de crianças que sofrem de desnutrição grave aguda aumentou em 200% desde o início da guerra civil no país há dois anos.

Atualmente, no Iémen, estima-se que existam 462.000 crianças que sofrem de desnutrição aguda severa, enquanto em 2014 eram 160.000 crianças. No nordeste da Nigéria, a organização pretende chegar neste ano a 3,9 milhões de pessoas com serviços de atenção primária de saúde e tratar 220 mil crianças menores de cinco anos com desnutrição, também proporcionar acesso à água potável a mais de um milhão de pessoas. A UNICEF atendeu 1,7 milhões de crianças menores de cinco anos na Somália, onde tratou 277.00 casos de desnutrição aguda através dos serviços de saúde e postos de nutrição móveis.

No Sudão do Sul, a agência da ONU presta assistência a 145.000 pessoas nas zonas afetadas ou ameaçadas pela fome, entre as quais 33.000 crianças menores de 5 anos. Quase cinco milhões de pessoas necessitam de alimentos de forma desesperada no Sudão do Sul, enquanto no nordeste da Nigéria 5,1 milhões de pessoas sofrem de carência grave de comida. Na Somália, os preços dos alimentos estão a disparar, quase três milhões de pessoas necessitam de assistência e a ONU calcula que um milhão de crianças menores de cinco anos sofram de desnutrição grave neste ano.

7.3.17

Mais de 100 morreram de fome na Somália nas últimas 48 horas

in Diário de Notícias

Primeiro-ministro fez balanço das mortes registadas devido à seca que afeta milhões de pessoas no país

O primeiro-ministro da Somália, Hassan Ali Khaire, disse hoje que 110 pessoas morreram de fome nas últimas 48 horas numa única região do país, onde uma grave seca afeta milhões de pessoas.

Este é o primeiro balanço de mortes devido à seca anunciado pelo Governo, desde que na terça-feira declarou uma situação de "catástrofe nacional".

Khaire falava durante um encontro com o Comité Nacional da Seca e o balanço é relativo à região de Bay, no sudoeste da Somália.
Segundo as agências humanitárias, cerca de três milhões de pessoas correm risco de fome na Somália devido à seca.

O coordenador do apoio humanitário das Nações Unidas, Stephen O'Brien, deve deslocar-se à Somália nos próximos dias.

Milhares de pessoas têm-se deslocado para a capital da Somália, Mogadíscio, em busca de ajuda alimentar. Recentemente, mais de 7.000 deslocados chegaram a um centro de fornecimento de alimentos.

A seca é a primeira crise que o novo Presidente somali, Mohamed Abdullahi Mohamed, tem de enfrentar no país, muito fragilizado devido a secas anteriores e a 25 anos de conflito, que continua com ataques do grupo extremista Al-Shabab.

A Organização Mundial de Saúde estima que mais de 6,2 milhões de pessoas na Somália, o que corresponde a metade da população do país, precisam de ajuda humanitária urgente.

Segundo a agência da ONU, mais de 363.000 crianças sofrem de desnutrição grave, entre as quais 70.000 estão severamente desnutridas, precisando urgentemente de assistência.

A seca levou à propagação de diarreias agudas, de cólera e sarampo e cerca de 5,5 milhões de pessoas estão em risco de contrair doenças transmitidas pela água.

17.2.17

Falta de alimentos provoca «crise como nunca vimos»

Texto J.B., in Fátima Missionária

Pessoas de quatro países estão em sofrimento devido à escassez de alimentos a um nível sem precedentes

Dez milhões de pessoas estão a passar fome no Iémen, Sudão do Sul, Nigéria e Somália devido a conflitos nestes Estados. Apesar do total de doações ser atualmente seis vezes superior ao de há 20 anos, tendo alcançado um valor recorde em 2016, as carências ultrapassam as ofertas e o financiamento chega apenas a cerca de metade dos necessitados, aponta Stephen O`Brien, coordenador de Assuntos Humanitários da ONU.

A organização humanitária «Save the Children» é um dos organismos que se encontra a estender ao máximo os seus recursos. «Estamos num momento crítico», referiu Gareth Owen, diretor da organização, adiantando que existem «quatro países onde a fome é eminente, o que é uma ideia verdadeiramente assustadora».

Para além da falta de alimentos nestes quatro países, existem ainda milhões de pessoas na Etiópia e no Quénia em situação de insegurança alimentar. «Isto está a criar uma preocupação real de que estejamos a enfrentar uma crise grave como nunca vimos», demonstrou o responsável que trabalha há 25 anos na região do Corno de África, em declarações do jornal «The Guardian».

16.2.16

Somália: Mais de 58 mil crianças poderão morrer de fome se financiamento não for ampliado

in ONU

Relatório da FAO alertou que situação da segurança alimentar e da desnutrição no país é “alarmante”, intensificada pelas secas decorrentes do ‘El Niño’. Coordenador humanitário da ONU disse que parceiros humanitários estão prontos ampliar resposta, mas financiamento ainda não cobre todas as atividades. Plano humanitário pede 885 milhões de dólares para atender as necessidades mais urgentes de 3,5 milhões de pessoas.
Uma mãe cuida de seu bebê desnutrido e desidratado no Hospital de Banadir, na capital somali, Mogadíscio. Foto: ONU/Stuart Price

Uma mãe cuida de seu bebê desnutrido e desidratado no Hospital de Banadir, na capital somali, Mogadíscio. Foto: ONU/Stuart Price

Uma nova avaliação da ONU sobre segurança alimentar e nutrição alertou na última semana que a situação na Somália é “alarmante” e pode piorar, especialmente em partes de Puntlândia e Somalilândia. Estas duas áreas, lembrou a ONU, foram duramente atingidas pelas secas, que pioraram por conta do fenômeno climático ‘El Niño’.

“Estamos profundamente preocupados com o fato de que a proporção de pessoas em situação de insegurança alimentar grave continue a ser alarmante, especialmente as pessoas que são incapazes de satisfazer as suas necessidades alimentares diárias. Cerca de 3,7 milhões de pessoas estarão sofrendo com insegurança alimentar aguda até meados de 2016. Com as condições de seca severa se intensificando em Puntlândia e Somalilândia, muito mais pessoas correm o risco de serem atingidas pela crise”, disse Peter de Clercq, coordenador humanitário da ONU no país, em um comunicado de imprensa.

A análise, produzida em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), confirma os níveis persistentemente altos e alarmantes de insegurança alimentar e desnutrição na Somália, com um número estimado de 4,7 milhões de pessoas – cerca de 40% da população somali – necessitando de assistência humanitária.

Ainda de acordo com a análise, quase 950 mil dessas pessoas têm níveis de insegurança alimentar agudos e lutam todos os dias para satisfazer as suas necessidades alimentares. Pessoas internamente deslocadas constituem mais de dois terços – ou 68% – das pessoas com insegurança alimentar aguda e estão em necessidade urgente de assistência humanitária.

“O nível de desnutrição, especialmente entre as crianças, é de grande preocupação, com cerca de 305 mil crianças menores de cinco anos sofrendo de desnutrição aguda. Estimamos que 58,3 mil crianças poderão morrer se não forem tratadas. A seca poderia piorar esses números nos próximos meses. Temos de agir agora. Parceiros estão prontos para intensificar a resposta, mas o financiamento é urgentemente necessário para garantir que isso seja feito em tempo hábil”, acrescentou Clercq.

O Plano de Resposta Humanitária de 2016 para a Somália chama por um total de 885 milhões de dólares para atender as necessidades mais urgentes de 3,5 milhões de pessoas. O objetivo do Plano (acesse aqui) é reduzir as mortes evitáveis, fornecer serviços básicos e reforçar a proteção das pessoas mais vulneráveis, incluindo deslocados internos.
Modelo eleitoral em debate

No início de fevereiro, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Políticos, Jeffrey Feltman, visitou o país para manter o diálogo com líderes somalis na capital Mogadíscio, em uma demonstração de apoio ao processo de escolha do modelo eleitoral a ser usado ainda este ano. As eleições são um passo importante para tirar a Somália de décadas de guerra entre facções.

Feltman se reuniu com o presidente somali, Hassan Sheikh Mohamud, e com o porta-voz do Parlamento Federal, Mohamed Sheikh Osman Jawari, no dia 3 de fevereiro para entregar uma mensagem do secretário-geral, Ban Ki-moon. No texto, ele reforça o apoio da ONU à população para chegar a acordo sobre um processo eleitoral a ser adotado ainda em 2016.

O representante da ONU reconheceu que ainda há muito trabalho a ser feito para tornar o roteiro do processo eleitoral um sucesso. “O representante especial [do secretário-geral da ONU no país, Michael Keating] e eu conversamos com o presidente sobre uma série de questões de segurança, políticas e econômicas em que a ONU está trabalhando com o povo e os líderes da Somália”, disse.

O modelo prevê uma Câmara de 275 membros, com base na manutenção da fórmula de partilha de poder entre os clãs, e um Senado de 54 membros com base na representação igualitária dos Estados-membros federais existentes, futuros e emergentes, bem como a criação de cadeiras adicionais para Puntlândia e Somalilândia.

Feltman elogiou os esforços do governo de garantir que 30% dos membros das duas casas sejam mulheres, saudando também o compromisso de continuar a trabalhar para a realização de uma sistema eleitoral universal – em que cada indivíduo vota – até 2020. Mesmo não sendo o modelo ideal, o subsecretário-geral da ONU reconheceu os avanços no diálogo nacional.

30.1.15

Mais de 38 mil crianças em risco de morrer de fome na Somália

in Jornal de Notícias

Mais de 38 mil crianças somalis estão em risco de morrer de fome, ainda que a situação alimentar tenha melhorado num terço do país, imerso no caos há mais de 20 anos.

Mais de 731 mil pessoas, entre as quais 203 mil crianças, estão subnutridas e enfrentam "uma grave insegurança alimentar", segundo um relatório da Unidade de Análise da Segurança Alimentar e Nutrição (FSNAU) da ONU e da Rede de Alerta Precoce da Fome (Fews Net), financiado pela Agência de Desenvolvimento norte-americana (USAID).

Aquele número representa contudo uma diminuição de 30 por cento nos últimos seis meses, graças a "chuvas relativamente abundantes" no final de 2014.

Das "cerca de 202.600 crianças menores de cinco anos que sofrem de má nutrição aguda, 38.200 estão gravemente subnutridas e apresentam um risco elevado de enfraquecimento e de morte", assinalam os especialistas.

Os três quartos dos somalis que precisam desesperadamente de alimentos são os deslocados que fugiram à violência dos confrontos entre os radicais islâmicos 'shebab' e as tropas governamentais, apoiadas pela força da União Africana (AMISON).

"As taxas de subnutrição continuam obstinadamente altas", disse o responsável da ajuda humanitária da ONU na Somália, Philippe Lazzarini, adiantando que "as perspetivas para 2015 são preocupantes".

Há três anos, uma grave seca no Corno de África, associada à guerra civil, levou a uma fome na Somália que matou mais de 250 mil pessoas.

4.9.14

Mais de um milhão em risco de fome na Somália

por Lusa, publicado por Marina Almeida, in Diário de Notícias

Mais de um milhão de pessoas na Somália estão numa situação de emergência alimentar, alertou hoje a ONU, assinalando que o número representa um aumento de 20 por cento desde janeiro.

A avaliação foi feita conjuntamente pela Unidade de Análise sobre Segurança Alimentar e Nutrição para a Somália (FSNAU, na sigla em inglês), da Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO), e pela Rede de Sistemas de Aviso Prévio contra a Fome, da agência de cooperação para o desenvolvimento norte-americana (USAID).

A pouca chuva, os conflitos e a redução da assistência humanitária levaram a "um agravamento da situação alimentar em toda a Somália", indica um comunicado da FAO, que admite que a situação se continue a deteriorar.

Os especialistas estimam que 1.025.000 pessoas na Somália se encontram numa situação de crise ou emergência alimentar, um nível abaixo da situação de fome.

Os deslocados constituem a maioria (62 por cento) dos que se encontram naquela situação, seguidos das populações rurais (27 por cento) e urbanas (11 por cento).

A FAO refere ainda que inquéritos recentes realizados na Somália sobre nutrição indicam que 218.000 crianças até aos cinco anos (perto de uma em cada sete) registam um nível de subnutrição grave.

"As populações em crise e emergência necessitam de ajuda humanitária urgente", alerta o comunicado.

A Somália está em guerra civil desde 1991, quando foi deposto o ditador Muhammad Siad Barre e o país ficou sem governo e nas mãos de milícias radicais islâmicas e grupos criminosos.