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30.7.19

Um recorde trágico: 12 mil crianças mortas ou feridas em guerras em 2018

in Público on-line

O recrutamento e uso de menores nos combates, a violência sexual, os raptos e os ataques a escolas fazem parte da lista que considera sobretudo as mortes e os ferimentos de crianças. Os países com as situações mais críticas são o Afeganistão, a Palestina, a Síria e o Iémen.

Mais de 12 mil crianças foram mortas e feridas em conflitos armados no ano passado, denuncia nesta terça-feira a ONU, sublinhando tratar-se de um recorde e apontando Afeganistão, Palestina, Síria e Iémen como os piores países da lista. Num relatório anual publicado nesta terça-feira, as Nações Unidas referem que as mortes e os ferimentos estão entre as mais de 24 mil “violações graves” dos direitos das crianças verificados pela organização no ano passado.

Entre as violações registadas contam-se ainda o recrutamento e uso de menores nos combates, a violência sexual, os raptos e os ataques a escolas e hospitais, avança o relatório.

Sete casas em Guimarães, lado a lado
De acordo com o documento, entregue pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, ao Conselho de Segurança das Crianças e Conflitos Armados, e citado pela agência AP, o número destas violações feitas por grupos armados manteve-se estável relativamente a 2017, mas houve um “aumento alarmante” do número de violações realizadas por forças governamentais e internacionais.

O relatório refere que o número de mortos e feridos em 2018 foi o mais alto desde que o Conselho de Segurança autorizou a monitorização e realização destas análises, em 2005.
O Afeganistão lidera a lista dos países com mais casos, com 3062 baixas em 2018, sendo que “28% de todas as vítimas civis são crianças”.
Na Síria, os ataques aéreos e as bombas mataram e feriram 1854 menores e, “no Iémen, 1689 crianças sofreram as consequências dos conflitos”, adianta o documento.

No conflito israelo-palestiniano, a ONU verificou ter-se registado em 2018 o maior número de crianças palestinianas mortas — 59 — e feridas — 2756 — desde 2014. A análise apurou terem também ficado feridas seis crianças israelitas.

Guterres pede que se acabe com “uso excessivo da força”
Guterres admitiu estar “extremamente preocupado com o aumento significativo” de feridos nesta área do mundo, incluindo por inalação de gás lacrimogéneo, e pediu ao enviado da ONU Nikolay Mladenov para fazer uma análise mais fina aos episódios causados por forças israelitas. Além disso, António Guterres “exortou Israel a implementar imediatamente medidas preventivas e de protecção para acabar com o uso excessivo da força”.

Crianças em zonas de conflito têm mais hipóteses de morrer por falta de acesso a água do que de violência
De acordo com o relatório, as partes em conflito na Somália recrutaram e utilizaram 2300 crianças, algumas com apenas oito anos, tendo-se verificado um aumento significativo do recrutamento feito pelos extremistas al-Shabab, que terão usado 1865 menores para combater. A Nigéria ficou em segundo lugar, com 1947 crianças recrutadas, incluindo algumas usadas como bombistas suicidas.

A Somália teve o maior número de casos de violência sexual contra crianças, com 331 casos em 2018, seguida pelo Congo, com 277 casos, embora o secretário-geral tenha alertado haver muitos casos que não são notificados, particularmente contra meninos, devido ao estigma. A Somália teve também o maior número de raptos de crianças no ano passado: 1609.

António Guterres sublinhou ainda os milhares de crianças afectadas por 1023 ataques verificados em escolas e hospitais no ano passado.

Na Síria, foram registados, no ano passado, 225 ataques a escolas e instalações médicas, o maior número desde o início do conflito em 2011, referiu o secretário-geral da ONU, acrescentando que o Afeganistão também apresentou um aumento desta violação dos direitos da criança, com 254 escolas e hospitais a sofrerem ataques.

“Um maior número de ataques também foi verificado na República Centro-Africana, na Colômbia, na Líbia, no Mali, na Nigéria, na Somália, no Sudão e no Iémen”, disse Guterres.

O secretário-geral também expressou preocupação com a crescente detenção de crianças, reiterando que “essa medida só deve ser usada como último recurso e pelo menor período possível” e defendendo que “as alternativas à detenção devem ter sempre prioridade”.
Segundo o secretário-geral da ONU, em Dezembro do ano passado estavam 1248 crianças, sobretudo com idades abaixo dos cinco anos, “privadas da sua liberdade”.

Estas crianças, provenientes de 46 nacionalidades de áreas anteriormente controladas por extremistas do Estado Islâmico, estavam detidas em campos no Nordeste da Síria.

No Iraque, 902 crianças permaneciam detidas por acusações de “ameaça à segurança nacional”, incluindo associação ao auroproclamado Estado Islâmico.
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Na mesma altura, Israel tinha detidas 203 crianças palestinianas por “crimes contra a segurança”, incluindo 114 que aguardavam julgamento ou que foram julgadas, e 87 que já estavam a cumprir uma sentença.
A ONU recebeu, segundo Guterres, depoimentos de 127 meninos palestinianos que “relataram às Nações Unidas maus tratos e violações do direito a um julgamento justo durante sua prisão, transferência e detenção”.

6.4.16

10% da despesa militar mundial chegaria para acabar com a fome e a pobreza

In "Renascença"

Despesa militar subiu para quase 1.7 biliões de dólares no ano passado, com os Estados Unidos a liderarem nos gastos.

A despesa militar mundial subiu 1% em 2015, na primeira subida anual em quatro anos, disse esta terça-feira um “think tank” sueco, que conclui que 10% deste valor chegaria para cobrir custos das iniciativas globais para a erradicação da fome e da pobreza em 15 anos.

O Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI, na sigla em inglês) afirma que a despesa militar subiu para quase 1,47 mil milhões de euros, com os Estados Unidos a liderarem nos gastos apesar de a despesa norte-americana ter descido 2,4% para os 522,7 mil milhões de euros.

Em segundo lugar na lista dos países com maiores despesas militares aparece a China, com gastos a subir 7,4% para 188,6 mil milhões de euros, seguida da Arábia Saudita, cujos gastos de 76,5 mil milhões representam um aumento de 5,7%.

A Rússia, em quarto lugar, aumentou os seus gastos militares em 7,5%, para os 58,2 mil milhões de euros.

Encerram a lista dos 15 maiores investidores o Reino Unido, Índia, França, Japão, Alemanha, Coreia do Sul, Brasil, Itália, Austrália, Emirados Árabes Unidos e Israel.

Também em África, os gastos militares caíram 5,3% em 2015, depois de 11 anos de aumento crescente, uma inversão que se deveu principalmente à redução das despesas militares em Angola, o maior investidor da região subsariana.

Na América Latina e Caraíbas, as despesas miliares caíram 2,9%, por efeito principalmente de cortes nos gastos por parte do Brasil e Venezuela, que enfrentam crises económicas expressivas em resultado da queda dos preços do petróleo.

Segundo o instituto sueco, a despesa militar mundial chegou a 2,3% do PIB mundial, sendo que 10% deste valor chegaria para financiar os objectivos globais para acabar com a fome e a pobreza estabelecidos pelos 193 Estados-membros da Nações Unidas.

“Isto dá-nos uma certa perspectiva, que permite às pessoas verem qual é o custo de oportunidade dos gastos mundiais em despesa militar”, disse à Thomson Reuters o director do projecto da SIPRI, Sam Perlo-Freeman.

14.1.16

Uma em quatro crianças não pode ir à escola

in Diário de Leiria

Uma em cada quatro crianças (quase 24 milhões) que vivem em 22 países afectados por conflitos não frequenta a escola, de acordo com um estudo realizado pela Agência das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) ontem apresentado. O estudo destaca que quase um em cada quatro dos 109,2 milhões de crianças em idade escolar primária e secundária – entre os 06 e os 15 anos – que vivem em zonas de conflito não recebem educação.

No Sudão do Sul, salienta o estudo, vive a maioria das crianças sem escolarização, já que metade (51%) das crianças com idade para frequentar o ensino primário e secundário não tem acesso à educação.

22.9.15

Hungria autoriza exército a disparar sobre migrantes: “Estão a invadir-nos, a Europa está em perigo”

Marta Gonçalves, in Expresso

Em Budapeste, o Parlamento aprovou uma nova legislação que reforça o poder e presença das Forças Armadas na fronteira. A polícia terá ainda autorização para entrar em casas privadas para procurar pessoas que tenham entrado ilegalmente no país. “As fronteiras da Europa e do país têm de ser defendidas, mas também defendidas dos políticos europeus de vistas curtas”

O Parlamento húngaro aprovou esta segunda-feira uma nova legislação que permite que os militares usem a balas de borracha, gás lacrimogéneo e armas de pressão de ar contra os migrantes que tentem forçar a entrada na fronteira. O primeiro-ministro, Viktor Orban, justifica a decisão dizendo que a Europa está “em perigo”.

“Estão a invadir-nos. Não estão apenas a bater à porta, estão deitar a porta a baixo para cima de nós. As nossas fronteiras estão em perigo, a nossa forma de vida é construída com base no respeito pela lei. A Hungria e toda a Europa estão em perigo”, disse Viktor Orban, citado pela AFP.

A nova legislação foi aprovada com dois terços da maioria parlamentar: 151 votos a favor, 12 contra e 27 abstenções. Os tiros não podem, no entanto, ser “mortais” e só podem ser uma medida de recurso. As autoridades vão ainda poder entrar em habitações privadas para realizar buscas, exigir a identificação das pessoas e deter suspeitos de entrarem ilegalmente na Hungria.

"A Europa não deixou apenas a porta aberta, mas enviou um convite... A Europa é rica, mas fraca”, referiu Orban.

Segundo a AFP, estas regras podem ser aplicadas nos locais onde foi declarado o “estado de crise devido à onda de migração”. Seis cidades nas fronteiras com a Sérvia, Croácia, Eslovénia e Áustria foram declaradas como estando em “crise”.

“Durante mil anos, a Hungria têm sido um membro de respeito da grande família europeia. Quando defendemos a fronteira húngara, estamos a proteger a Europa. A Hungria está a lutar em duas frentes: as fronteiras da Europa e do país têm de ser defendidas, mas também defendidas dos políticos europeus de vistas curtas”, acrescentou.

Há uma semana, a Hungria colocou em vigor uma nova lei anti-imigração que prevê uma pena de mais de cinco anos para quem atravesse ilegalmente a fronteira. Também para controlar a entrada de migrantes, o país construiu uma vedação de arame farpado com 175 quilómetros na fronteira com a Sérvia (o Expresso esteve lá). Entretanto, já foi anunciado que serão erguidas mais duas vedações: na fronteira com a Roménia e em alguns pontos na fonteira com a Croácia.