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2.6.23

Desigualdade salarial entre homens e mulheres ajuda a afundar a natalidade em Portugal

Natália Faria, in Público


O facto de as mulheres ganharem menos do que os homens é um dos entraves à natalidade, diz estudo. A precariedade dos jovens também ajuda a explicar porque têm os portugueses cada vez menos filhos.


A presença maciça das mulheres no mercado de trabalho não resultou numa diminuição da fecundidade, mas a desigualdade salarial entre homens e mulheres sim. Estas investem mais tempo do que os homens na sua qualificação profissional. Contudo, continuam a ganhar menos e a estar menos representadas nos cargos de topo. E esta “desigualdade salarial resulta em menos recursos financeiros para que a mulher possa planear as suas decisões de parentalidade”, conclui a análise divulgada esta sexta-feira pelo Centro de Competências de Planeamento, de Políticas e de Prospectiva da Administração Pública (PlanAPP), que aponta assim a desigualdade salarial como uma das principais “barreiras e constrangimentos que, se mitigados, poderiam favorecer uma maior aproximação da fecundidade realizada à fecundidade desejada”.

Num país com uma alta taxa de divorcialidade e em que, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o nascimento do primeiro filho acarreta um aumento de 20% na despesa mensal das famílias, será lícito concluir-se que cada vez mais mulheres resistem ao projecto de terem um ou mais filhos quando não tenham salários capazes de assegurar a subsistência do agregado num eventual cenário de monoparentalidade.

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16.1.18

Natalidade (outra vez) em queda. Nasceram menos sete bebés por dia em 2017

in RR

Demógrafa, ouvida pela Renascença, considera que estes números indicam que os portugueses “estão ainda a adaptar-se a um novo ciclo económico”.

A natalidade voltou a descer em 2017, após a subida nos dois anos anteriores. Segundo o Ministério da Justiça, no ano passado nasceram pouco mais de 88 mil bebés, menos 2.700, face ao ano anterior.

Os números, avançados na edição desta quarta-feira do jornal “Diário de Notícias”, apontam para uma média de menos sete nascimento por dia, depois de dois anos em que a taxa de natalidade chegou a aumentar.

Ouvida pela Renascença, a professora de demografia da Universidade de Évora, Maria Filomena Mendes, considera que estes números indicam que os portugueses “estão ainda a adaptar-se a um novo ciclo económico”.

Esta especialista diz ainda que o país tem de se adaptar “a uma realidade nova em que as pessoas querem ter, pelo menos, um filho mas não querem ter muitos filhos”.

Maria Filomena Mendes lembra ainda a importância de serem criadas condições para que os casais possam ter filhos. “Enquanto o desemprego jovem for muito elevado, enquanto tivermos uma grande precariedade em termos das relações laborais, enquanto tivermos dificuldades de habitação, será difícil para os jovens casais decidirem ter um filho mais cedo ou decidirem ter mais do que um ou dois filhos”, acrescenta.

Para a demógrafa é necessário também levar em conta que, apesar de algumas melhorias económicas, há “menos mulheres do que há umas gerações atrás” e, como tal, o número de nascimentos tende a ser menor.

16.4.15

Portugal deverá ser o país da UE com menos crianças em 2050

in iOnline

Portugal deverá ser, em 2050, o Estado-membro da União Europeia com menor proporção de crianças, que deverão representar somente 11,5% da população total dentro de 35 anos, segundo projeções demográficas divulgadas esta quinta-feira pelo Eurostat.

A publicação do gabinete oficial de estatísticas da União Europeia sobre “jovens e crianças na UE” revela que, em 2014, as crianças com menos de 15 anos representavam 14,6% da população portuguesa, valor ligeiramente abaixo da média europeia (15,6%), mas Portugal deverá registar até 2050 a segunda maior descida da percentagem de crianças na população total (-3,1 pontos percentuais), caindo para o valor mais baixo entre os 28 Estados-membros.

Actualmente, Portugal encontra-se na segunda metade da tabela, ao lado de Eslovénia e Lituânia, e à frente de Malta, Hungria, Áustria, Itália, Bulgária e Alemanha (que registou em 2014 a proporção mais baixa, com 13,1% de crianças enquanto parte da população total), mas a projecção de uma queda de 3,1 por cento ao longo dos próximos anos (apenas superada por aquela prevista para a Eslováquia, de -3,5%, dos 15,3 para os 11,8%) colocarão Portugal na cauda da lista.

Em termos gerais, a proporção de crianças na população total da UE deverá diminuir nos próximos anos, mas de forma muito mais ligeira que em Portugal, ao recuar dos 15,3% em 2014 para os 15,0% em 2050.

O país com uma maior proporção de jovens na sua população em 2014 era a Irlanda (22,0%), seguida de França (18,6%) e Reino Unido (17,6%).

1.4.14

Portugal pode perder 1,9 milhões de pessoas, metade no Norte

Leonor Paiva Watson, in Jornal de Notícias

Em menos de 50 anos Portugal pode perder um quinto da sua atual população e cerca de metade será no Norte do país. Além do declínio demográfico, o índice de envelhecimento mais do que duplica.

Portugal pode passar de 10,5 milhões de pessoas para 8,6 milhões em 2060. Basicamente, perde 1,9 milhões de indivíduos. Destes, 878 mil estão no Norte do país. Quem o revela é um estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicado ontem, que mostra uma série de projeções da população residente, sempre com três cenários: um central (o que aqui apresentamos), um otimista e outro mais pessimista. Em todos, a população residente diminuirá e segundo o mais pessimista poderá descer até seis milhões.

A par deste declínio demográfico haverá um enorme aumento do índice de envelhecimento. Concretamente, entre 2012 e 2060 passaremos de 131 idosos por cada 100 jovens para 307 idosos. Esta realidade é transversal a todas as regiões do país, sendo as ilhas as zonas mais fustigadas: os Açores passam de 74 idosos para 279, por cada 100 jovens; e a Madeira passa de 91 para 338, por cada 100 jovens. Também o Norte apresenta grande envelhecimento, passando de 119 para 366 idosos por cada 100 jovens.