in Jornal de Notícias
O Governo vai aprovar em breve uma medida que permite aos pais que terminarem a licença de parentalidade trabalhar a tempo parcial sem perderem a totalidade do seu rendimento.
"A nossa preocupação é garantir que os jovens pais e, acima de tudo, as jovens mães possam, durante mais algum tempo, quando acaba o seu período de licença de maternidade [e paternidade] poderem acompanhar os seus filhos sem perderem a totalidade do seu rendimento e isso implica uma partilha, isto é, passarem a trabalhar a tempo parcial podendo encontrar um financiamento através de fundos nacionais e comunitários de forma a que as pessoas não percam a totalidade do seu rendimento", afirmou o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social.
Falando aos jornalistas à margem de um almoço-debate subordinado ao tema "Novo Ciclo: Crescimento Económico e seus Reflexos no Tecido Social", que decorreu em Lisboa, o ministro escusou-se a avançar mais detalhes sobre esta medida, mas disse estar "muito empenhado para que, a muito breve trecho, possam abrir candidaturas [a esta medida]".
Em simultâneo, o executivo pretende criar uma segunda medida, mas destinada às empresas, que estimule a contratação de desempregados que possam substituir os trabalhadores que optarem por prolongar a licença de maternidade e prefiram trabalhar a tempo parcial.
"Ao mesmo tempo, queremos ter uma segunda medida que ajude também as próprias empresas a poderem contratar também nesse tempo parcial alguma pessoa, um desempregado, para que a própria empresa não se ressinta do ponto de vista da sua produtividade, da sua competitividade", explicou Mota Soares.
E sintetizou: "Temos duas medidas, uma de apoio à empresa criando essa oportunidade de trabalho que é libertada por um trabalhador ou por uma trabalhadora e, ao mesmo tempo, conseguir ter um apoio à própria trabalhadora para não perder a totalidade do seu rendimento".
Quanto ao montante que será disponibilizado pela tutela no âmbito destas medidas, Mota Soares remeteu para breve, sublinhando que o financiamento será "nacional e comunitário", e está inscrito no Programa Operacional Emprego e Inserção.
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26.3.15
1.4.14
Portugal pode perder 1,9 milhões de pessoas, metade no Norte
Leonor Paiva Watson, in Jornal de Notícias
Em menos de 50 anos Portugal pode perder um quinto da sua atual população e cerca de metade será no Norte do país. Além do declínio demográfico, o índice de envelhecimento mais do que duplica.
Portugal pode passar de 10,5 milhões de pessoas para 8,6 milhões em 2060. Basicamente, perde 1,9 milhões de indivíduos. Destes, 878 mil estão no Norte do país. Quem o revela é um estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicado ontem, que mostra uma série de projeções da população residente, sempre com três cenários: um central (o que aqui apresentamos), um otimista e outro mais pessimista. Em todos, a população residente diminuirá e segundo o mais pessimista poderá descer até seis milhões.
A par deste declínio demográfico haverá um enorme aumento do índice de envelhecimento. Concretamente, entre 2012 e 2060 passaremos de 131 idosos por cada 100 jovens para 307 idosos. Esta realidade é transversal a todas as regiões do país, sendo as ilhas as zonas mais fustigadas: os Açores passam de 74 idosos para 279, por cada 100 jovens; e a Madeira passa de 91 para 338, por cada 100 jovens. Também o Norte apresenta grande envelhecimento, passando de 119 para 366 idosos por cada 100 jovens.
Em menos de 50 anos Portugal pode perder um quinto da sua atual população e cerca de metade será no Norte do país. Além do declínio demográfico, o índice de envelhecimento mais do que duplica.
Portugal pode passar de 10,5 milhões de pessoas para 8,6 milhões em 2060. Basicamente, perde 1,9 milhões de indivíduos. Destes, 878 mil estão no Norte do país. Quem o revela é um estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicado ontem, que mostra uma série de projeções da população residente, sempre com três cenários: um central (o que aqui apresentamos), um otimista e outro mais pessimista. Em todos, a população residente diminuirá e segundo o mais pessimista poderá descer até seis milhões.
A par deste declínio demográfico haverá um enorme aumento do índice de envelhecimento. Concretamente, entre 2012 e 2060 passaremos de 131 idosos por cada 100 jovens para 307 idosos. Esta realidade é transversal a todas as regiões do país, sendo as ilhas as zonas mais fustigadas: os Açores passam de 74 idosos para 279, por cada 100 jovens; e a Madeira passa de 91 para 338, por cada 100 jovens. Também o Norte apresenta grande envelhecimento, passando de 119 para 366 idosos por cada 100 jovens.
25.3.14
Especialista diz que “maioria das empresas não é amiga da natalidade”
Sofia Rodrigues, in Público on-line
Joaquim Azevedo, coordenador do grupo de trabalho sobre natalidade indicado por Passos Coelho, considera que “a maioria das empresas não é amiga da natalidade” e que é necessário intervir na economia e na educação, sobretudo até aos três anos, para inverter a tendência descendente da natalidade, sob pena do país não ser sustentável.
O professor universitário intervinha nas jornadas parlamentares do PSD, que terminam esta terça-feira em Viseu, num painel sobre demografia e natalidade. Alertando para a quebra da natalidade nos últimos anos, simbolizada na expressão “o barulho das sirenes é incómoda”, Joaquim Azevedo fez um diagnóstico da situação, avançando com princípios gerais de intervenção, mas sem qualquer proposta concreta.
“A descida está a ser abrupta, alerta super vermelho, primeiro temos de estabilizar”, começou por dizer Joaquim Azevedo, que foi anunciado no mês passado por Passos Coelho, para chefiar um grupo multidisciplinar sobre esta matéria e apresentar um plano de acção em três meses.
Defendendo a economia como uma das áreas de intervenção, o especialista não poupou as empresas. “A maioria das empresas não é amiga da natalidade; prejudica as mulheres, sobretudo em idade fértil, com mecanismos que chegam a raiar o inimaginável. Por isso as mulheres temem ter um filho, porque isso conduz a uma penalização no trabalho”, afirmou.
Outra das áreas que elegeu como alvo de intervenção foi o da educação dos zero aos três anos, nos custos e políticas nas creches e infantários. “Portugal tem de colocar em cima da mesa este objectivo: as crianças primeiro. Sem as crianças primeiro não há política de natalidade que seja consistente”, sustentou.
Lembrando o envelhecimento da população portuguesa, Joaquim Azevedo defendeu que se nada for feito “o país não é sustentável”.
Antes de Joaquim Azevedo, o especialista em pensões Jorge Bravo fez um diagnóstico sobre o sistema de Segurança Social e avançou com algumas propostas para tornar o sistema sustentável. Uma delas passa pela diversificação das fontes de financiamento, reflectindo uma complementaridade entre pensão pública e pensão privada.
PS perplexo
Entretanto, o PS manifestou perplexidade face às declarações do líder parlamentar do PSD a propor um compromisso para a natalidade que passaria por mudanças no sistema fiscal, segurança social, educação e apoio à economia, e do primeiro-ministro a defender o combate às desigualdades, questionando se o Governo mantém a ideia de mais austeridade.
Em conferência de imprensa na sede do PS, a deputada e dirigente socialista Sónia Fertuzinhos referiu não acreditar que o Governo e a maioria PSD/CDS-PP "não soubessem" as consequências económicas e sociais das políticas da "austeridade expansionista" dos últimos três anos na quebra da natalidade e no aumento da pobreza, registado pelo INE.
A deputada sublinhou que nos dois últimos anos se registaram "pouco mais de 80 mil nascimentos por ano" e que nos últimos três anos foram registados "menos 18 mil nascimentos" que a média dos anos anteriores, cem mil, à excepção do ano de 2009, em que o número de nascimentos também ficou abaixo dos cem mil. "É neste cenário que o deputado Luís Montenegro vem falar de políticas de natalidade. (...) Estará o Governo a falar em parar com as políticas dos últimos três anos que criaram instabilidade e incerteza na vida das pessoas?", questionou.
Joaquim Azevedo, coordenador do grupo de trabalho sobre natalidade indicado por Passos Coelho, considera que “a maioria das empresas não é amiga da natalidade” e que é necessário intervir na economia e na educação, sobretudo até aos três anos, para inverter a tendência descendente da natalidade, sob pena do país não ser sustentável.
O professor universitário intervinha nas jornadas parlamentares do PSD, que terminam esta terça-feira em Viseu, num painel sobre demografia e natalidade. Alertando para a quebra da natalidade nos últimos anos, simbolizada na expressão “o barulho das sirenes é incómoda”, Joaquim Azevedo fez um diagnóstico da situação, avançando com princípios gerais de intervenção, mas sem qualquer proposta concreta.
“A descida está a ser abrupta, alerta super vermelho, primeiro temos de estabilizar”, começou por dizer Joaquim Azevedo, que foi anunciado no mês passado por Passos Coelho, para chefiar um grupo multidisciplinar sobre esta matéria e apresentar um plano de acção em três meses.
Defendendo a economia como uma das áreas de intervenção, o especialista não poupou as empresas. “A maioria das empresas não é amiga da natalidade; prejudica as mulheres, sobretudo em idade fértil, com mecanismos que chegam a raiar o inimaginável. Por isso as mulheres temem ter um filho, porque isso conduz a uma penalização no trabalho”, afirmou.
Outra das áreas que elegeu como alvo de intervenção foi o da educação dos zero aos três anos, nos custos e políticas nas creches e infantários. “Portugal tem de colocar em cima da mesa este objectivo: as crianças primeiro. Sem as crianças primeiro não há política de natalidade que seja consistente”, sustentou.
Lembrando o envelhecimento da população portuguesa, Joaquim Azevedo defendeu que se nada for feito “o país não é sustentável”.
Antes de Joaquim Azevedo, o especialista em pensões Jorge Bravo fez um diagnóstico sobre o sistema de Segurança Social e avançou com algumas propostas para tornar o sistema sustentável. Uma delas passa pela diversificação das fontes de financiamento, reflectindo uma complementaridade entre pensão pública e pensão privada.
PS perplexo
Entretanto, o PS manifestou perplexidade face às declarações do líder parlamentar do PSD a propor um compromisso para a natalidade que passaria por mudanças no sistema fiscal, segurança social, educação e apoio à economia, e do primeiro-ministro a defender o combate às desigualdades, questionando se o Governo mantém a ideia de mais austeridade.
Em conferência de imprensa na sede do PS, a deputada e dirigente socialista Sónia Fertuzinhos referiu não acreditar que o Governo e a maioria PSD/CDS-PP "não soubessem" as consequências económicas e sociais das políticas da "austeridade expansionista" dos últimos três anos na quebra da natalidade e no aumento da pobreza, registado pelo INE.
A deputada sublinhou que nos dois últimos anos se registaram "pouco mais de 80 mil nascimentos por ano" e que nos últimos três anos foram registados "menos 18 mil nascimentos" que a média dos anos anteriores, cem mil, à excepção do ano de 2009, em que o número de nascimentos também ficou abaixo dos cem mil. "É neste cenário que o deputado Luís Montenegro vem falar de políticas de natalidade. (...) Estará o Governo a falar em parar com as políticas dos últimos três anos que criaram instabilidade e incerteza na vida das pessoas?", questionou.
"Somos uma espécie em vias de extinção"
por Octávio Lousada Oliveira, in Diário de Notícias
Professor universitário que coordena o grupo de trabalho sobre questões de natalidade defende que o País, com a atual quebra demográfica, não tem "qualquer hipótese de subsistência".
Joaquim Azevedo, coordenador do grupo de trabalho designado pelo Governo para estudar questões demográficas - em particular a natalidade -, afirmou esta terça-feira, nas jornadas parlamentares do PSD, em Viseu, que Portugal "é completamente insustentável", assinalando que "antes do fim do século, o País terá sete milhões" de habitantes, maioritariamente idosos.
"O País não tem qualquer hipótese de subsistência. Não podemos olhar para isto com indiferença, é a cultura portuguesa que está em jogo. Somos quase uma espécie em vias de extinção", alertou o professor universitário, para quem "a sirene da insustentabilidade demográfica" tem estado "constantemente a tocar", isto é, desde que a média de filhos por casal desceu a fasquia de 1,5.
Joaquim Azevedo assinalou, por isso, a "perda de 150 portugueses por dia", pelo que defendeu na conferência desta manhã que terá de se intervir no domínio do emprego, com apoios aos pais, às empresas e incentivos ao trabalho parcial e ainda no sector da educação, mais concretamente através da revisão dos custos para crianças dos zero aos três anos.
Preponderante é também, no entender do académico, salvaguardar o papel da mulher neste capítulo. E justifica: "A maioria das empresas não é amiga da natalidade e até prejudica as mulheres com mecanismos que chegam a raiar o inimaginável. Por isso, as mulheres temem imenso ter filhos."
Professor universitário que coordena o grupo de trabalho sobre questões de natalidade defende que o País, com a atual quebra demográfica, não tem "qualquer hipótese de subsistência".
Joaquim Azevedo, coordenador do grupo de trabalho designado pelo Governo para estudar questões demográficas - em particular a natalidade -, afirmou esta terça-feira, nas jornadas parlamentares do PSD, em Viseu, que Portugal "é completamente insustentável", assinalando que "antes do fim do século, o País terá sete milhões" de habitantes, maioritariamente idosos.
"O País não tem qualquer hipótese de subsistência. Não podemos olhar para isto com indiferença, é a cultura portuguesa que está em jogo. Somos quase uma espécie em vias de extinção", alertou o professor universitário, para quem "a sirene da insustentabilidade demográfica" tem estado "constantemente a tocar", isto é, desde que a média de filhos por casal desceu a fasquia de 1,5.
Joaquim Azevedo assinalou, por isso, a "perda de 150 portugueses por dia", pelo que defendeu na conferência desta manhã que terá de se intervir no domínio do emprego, com apoios aos pais, às empresas e incentivos ao trabalho parcial e ainda no sector da educação, mais concretamente através da revisão dos custos para crianças dos zero aos três anos.
Preponderante é também, no entender do académico, salvaguardar o papel da mulher neste capítulo. E justifica: "A maioria das empresas não é amiga da natalidade e até prejudica as mulheres com mecanismos que chegam a raiar o inimaginável. Por isso, as mulheres temem imenso ter filhos."
2.1.14
Natalidade volta a cair para mínimos históricos
Inês Schreck, in Jornal de Notícias
Em 2013 nasceram apenas 82 mil bebés. Recuperar das sucessivas quebras será difícil e as consequências são dramáticas
A natalidade em Portugal voltou a bater mínimos históricos. É o terceiro ano consecutivo a registar uma queda significativa. Em 2013, nasceram cerca de 82 mil bebés, menos 8,5% do que em 2012.
Em 2011, a quebra da natalidade foi notícia porque, pela primeira vez, ficámos muito aquém dos 100 mil nascimentos. Em 2013, nem aos 83 mil chegámos. Quando é que a curva vai parar de descer? Que consequências para o futuro? O cenário é tudo menos cor-de-rosa.
Em 2013 nasceram apenas 82 mil bebés. Recuperar das sucessivas quebras será difícil e as consequências são dramáticas
A natalidade em Portugal voltou a bater mínimos históricos. É o terceiro ano consecutivo a registar uma queda significativa. Em 2013, nasceram cerca de 82 mil bebés, menos 8,5% do que em 2012.
Em 2011, a quebra da natalidade foi notícia porque, pela primeira vez, ficámos muito aquém dos 100 mil nascimentos. Em 2013, nem aos 83 mil chegámos. Quando é que a curva vai parar de descer? Que consequências para o futuro? O cenário é tudo menos cor-de-rosa.
26.3.13
Taxa de natalidade em Portugal é a quarta mais baixa da UE
in Jornal de Notícias
A taxa de natalidade em Portugal era, em 2011, a quarta mais baixa da União Europeia, com 1,35 nados-vivos por mulher, segundo um relatório divulgado, esta terça-feira, em Bruxelas, pela Comissão Europeia.
Os dados divulgados, esta terça-feira, indicam que a média de nados-vivos por mulher em 2011 na União Europeia (UE) foi de 1,57.
O relatório mostra que, em 2002, Portugal tinha uma taxa de natalidade ligeiramente acima da UE: 1,47 contra 1,46, tendência que se inverteu em quatro anos, uma vez que em 2006 já era de 1,36 contra 1,54 nados-vivos por mulher.
Em 2009, nasceram em média em Portugal 1,32 bebés por mulher e 1,59 na UE, em 2010 os números foram, respetivamente de 1,36 contra 1,6 e, no ano seguinte, 1,35 em Portugal e 1,57 na UE.
Em 2011, as mais baixas taxas de natalidade foram registadas na Hungria (1,23 nados-vivos por mulher) Roménia (1,25) e Polónia (1,3), seguindo-se Portugal e Chipre.
As mais altas verificaram-se na Irlanda (2,5) e França (2).
A taxa de natalidade em Portugal era, em 2011, a quarta mais baixa da União Europeia, com 1,35 nados-vivos por mulher, segundo um relatório divulgado, esta terça-feira, em Bruxelas, pela Comissão Europeia.
Os dados divulgados, esta terça-feira, indicam que a média de nados-vivos por mulher em 2011 na União Europeia (UE) foi de 1,57.
O relatório mostra que, em 2002, Portugal tinha uma taxa de natalidade ligeiramente acima da UE: 1,47 contra 1,46, tendência que se inverteu em quatro anos, uma vez que em 2006 já era de 1,36 contra 1,54 nados-vivos por mulher.
Em 2009, nasceram em média em Portugal 1,32 bebés por mulher e 1,59 na UE, em 2010 os números foram, respetivamente de 1,36 contra 1,6 e, no ano seguinte, 1,35 em Portugal e 1,57 na UE.
Em 2011, as mais baixas taxas de natalidade foram registadas na Hungria (1,23 nados-vivos por mulher) Roménia (1,25) e Polónia (1,3), seguindo-se Portugal e Chipre.
As mais altas verificaram-se na Irlanda (2,5) e França (2).
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