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7.7.22

CHAVES: Câmara associa-se à Campanha “O discurso do Ódio não é Argumento”

in Alto Tâmega em Revista

O Município de Chaves associa-se à EAPN - European Anti Poverty Network (Rede Europeia Anti-Pobreza) Portugal na sensibilização da sociedade em geral para a prevenção e combate ao discurso do ódio, sob o lema “O Discurso de Ódio não é Argumento. #Daravoltaaotexto #EAPN”.

Segundo a autarquia, o discurso de ódio tem vindo a ganhar cada vez mais espaço dentro da Europa e em Portugal não é exceção, sendo encontrado em conversas e comentários espontâneos, mas também de forma explícita através das redes sociais, de caixas de comentários de notícias, nas paredes das cidades ou mesmo em ações de ruas.

Esta campanha visa “uma reflexão crítica sobre preconceitos, alertar para distintos tipos de discriminação, e de forma simples e eficaz, defender também um discurso humano, digno e dotado de humor, de forma a desarmar a futilidade com que muitas dessas ofensas são proferidas”.

15.3.16

Grupo de Chaves da Amnistia Internacional: “Luta pelos direitos da mulher deve ser uma luta sistemática”

Cátia Portela, in "Diário Atual"

O Grupo de Chaves da Amnistia Internacional organizou na terça-feira, dia 8, uma exposição de rua sobre as “Mulheres Ativistas” como forma de assinalar o Dia Internacional da Mulher.

IMG_3413Em frente à Câmara de Chaves foram colocados vários painéis com a fotografia de 34 mulheres, entre quais cinco portuguesas, que dedicaram grande parte da sua vida à luta pela igualdade de género. São mulheres que em diferentes períodos de tempo e um pouco por todo o mundo reivindicaram direitos iguais dentro da sociedade em que estavam inseridas.

Em 1910 a ONU instituiu o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher como forma de assinalar os grupos de mulheres operárias que no final do século XIX saíram à rua em protesto contra as 15h laborais e os salários baixos.

Desde então, outras mulheres se celebrizaram e inclusive receberam o prémio Nobel, como é o caso recente da paquistanesa Malala Yousafzai, de 18 anos, que ficou conhecida principalmente pela defesa do acesso à educação pelas mulheres na sua região natal, onde os talibãs locais impedem as jovens de frequentar a escola. O ativismo de Malala ficou conhecido pelo mundo inteiro tornando-se num movimento internacional.
O Grupo de Chaves da Amnistia Internacional procurou “assinalar mulheres portuguesas, americanas, de diferentes países africanos e asiáticos, de diferentes idades, de diferentes extratos sociais, no sentido de mostrar que esta não é uma luta só do ocidente, ou só da Europa, ou só das mais ricas, ou só das mais instruídas. É uma luta em diferentes países, de diferentes épocas históricas e com diferentes domínios”, explicou a vice-coordenadora do grupo flaviense.

“É óbvio que a luta das ativistas pela igualdade de género num país como Portugal, ou num país como o Afeganistão e a Arábia Saudita, por exemplo, são diferentes. São diferentes porque os direitos e as conquistas vão-se alterando de país para país consoante o período político e histórico que está a viver”, acrescentou Brigite Gonçalves dando como exemplos alguns casos ocorridos no nosso país e lembrando que a luta pelos direitos da mulher deve ser uma luta sistemática.

Para a vice-coordenadora do Grupo de Chaves da Amnistia Internacional, Portugal tem evoluído e as mulheres já tiveram muitas conquistas, no entanto há domínios que ainda é preciso intervir, nomeadamente a nível laboral onde os salários continuam a ser diferentes entre homens e mulheres com a mesma função e categoria profissional, sendo que o do homem é superior ao da mulher. Também ao nível da política, a advogada defendeu que as mulheres deveriam ter maior representatividade uma vez que na sociedade há mais mulheres do que homens. Porém, tal não acontece porque “tem a ver com o modus operandi e com a forma como historicamente e tradicionalmente estas coisas sempre foram decididas. Normalmente é em pequenos núcleos de homens que se decide quem vai ocupar determinados lugares”, rematou.

“Há muitos outros exemplos”, continuou, “há imensas mulheres licenciadas e doutoradas em economia e em gestão mas ainda não as vemos por exemplo na banca ou no setor financeiro. Também na área financeira, as empresas mais cotadas em Portugal nenhuma delas é presidida no seu conselho de administração por uma mulher. O poder, seja nas academias, seja no setor empresarial ou na política, continua a estar concentrado nas mãos dos homens. Portanto, ainda faz sentido continuar a lutar pelos direitos da mulher porque a luta está inacabada, ou seja, já se conquistou muita coisa mas há uma série de domínios onde é preciso continuar a intervir”, concluiu.

Grupo de Chaves da Amnistia Internacional presente na cidade há três anos.

A exposição dedicada aos direitos da mulher foi mais uma das atividades organizadas pelo Grupo de Chaves da Amnistia Internacional.
“Quase todos os meses temos uma ação. O facto de ser uma cidade pequena e do interior leva a que não consigamos fazer marchas nem vigílias com grande visibilidade. Mesmo assim, optamos por estratégias diferentes, ou seja, fazemos coisas mais simbólicas mas que se notam. Por exemplo, somos o grupo que recolhe mais assinaturas a nível nacional, conseguimos recolher mais de seis mil assinaturas há dois anos e o ano passado quatro mil”, disse a coordenadora do grupo.

“Acho que todos nós podemos ajudar, e esta exposição foi um bocadinho para demonstrar isso. Nesta exposição estão mulheres que, de uma maneira ou de outra, lutaram por uma causa: algumas delas pelos direitos ambientais, outras pela igualdade, outras lutaram contra discriminação, pelos direitos LGBTI, de liberdade de imprensa…todas elas lutaram de uma maneira diferente. Elas não eram ninguém e mudaram o mundo. Nós também podemos mudar o mundo, com as nossas ações, com a nossa tenacidade, não desistindo, não ficando calada, porque o silêncio é morte”.
Paula Dias define-se como uma defensora de causas, tanto ambientais como animais, e por isso mesmo é que decidiu criar um grupo da Amnistia Internacional na cidade.

As principais causas defendidas pelo Grupo de Chaves são o desaparecimento forçado de Juan Almonte Herrera, na República Dominicana, e o caso de Laísa Santos Sampaio, uma ativista dos direitos ambientais no Brasil. No caso de Juan Almonte Herrera o Grupo de Chaves está a desenvolver, em parceria com o Grupo de Lugo e o Grupo de Sintra, várias ações. No outro caso, este ano o grupo teve uma proposta para a realização de uma ação conjunta com o Grupo alemão na abertura dos Jogos Olímpicos, sendo que “a ideia é fazermos uma atividade nos dois países em simultâneo”.
O Grupo de Chaves da Amnistia Internacional é um dos grupos mais ativos do país, juntamente com o Grupo de Coimbra, num universo que ultrapassa os 40.

“Sou suspeita para dizê-lo mas a prova é que sou contactada muitas vezes por outros grupos portugueses, espanhóis, franceses, inclusive do Togo, na África, do Brasil, e dá-me uma satisfação imensa partilhar a minha experiência com eles e ao mesmo tempo aprender coisas novas”, afirmou.
A partilha é a filosofia do grupo que existe na cidade há três anos e que conta já com cerca de 90 elementos, 13 que pagam quotas à secção portuguesa da Amnistia Internacional e os restantes que ajudam das mais variadas formas.