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18.1.23

Baixos salários dos portugueses impedem saída da pobreza

 Por JN/Agências, in JN

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) alertou, esta segunda-feira, que "o salário de muitos trabalhadores portugueses não lhes permite superar a pobreza".

Para a CNJP, órgão dependente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), "alterar esta situação deverá ser um verdadeiro desígnio nacional que mobilize a sociedade civil e as autoridades políticas".

"De empresários e trabalhadores são exigidos esforços no sentido da melhoria da produtividade e da formação profissional. Mas a valorização dos salários também depende de uma mais justa repartição de rendimentos, da atribuição de uma maior parcela desses rendimentos aos do trabalho", defendeu a Comissão presidida por Pedro Vaz Patto, numa nota a propósito da conferência a realizar em Lisboa no dia 21 de janeiro, subordinada ao tema "Salários Justos Contra a Pobreza -- Trabalhadores e Empresários Cristãos em Diálogo".

Para a CNJP, importa "destacar a importância deste diálogo entre trabalhadores e empresários cristãos", no pressuposto de que "a comum inspiração nos princípios da doutrina social da Igreja não pode deixar de traduzir-se nalgumas formas de consenso".

"São da maior relevância os princípios da doutrina social da Igreja que devem inspirar a temática do salário justo como forma de superar a pobreza. Esses princípios partem do primado da pessoa. A economia, a empresa e o trabalho devem servir as pessoas, e não o contrário. A justiça do salário não decorre necessariamente do consentimento das partes e das regras do mercado", acrescenta o comunicado hoje divulgado.

Segundo a Comissão Nacional Justiça e Paz, "a criação e manutenção de postos de trabalho é uma forma de concretizar a função social da propriedade privada e o destino universal dos bens. No combate à pobreza, é fundamental a criação de empregos justamente remunerados, mais do que a atribuição de subsídios estatais".

A Conferência Anual da CNJP é realizada a partir das 09:30 de sábado, no Centro Cultural Franciscano, em parceria com a Cáritas Portuguesa, Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC-MTC), Juventude Operária Católica (JOC), Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), Ação Católica Rural (ACR) e o Movimento Católico de Profissionais (Metanoia).

"Rendimento Condigno em Portugal" e "Salários Justos Contra a Pobreza" serão dois dos temas em debate nos trabalhos abertos pelo bispo de Santarém e presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, José Traquina.

14.7.21

PRR. Comissão Justiça e Paz apresenta combate à pobreza como "desígnio nacional prioritário"

in RR

A nota da CNJP sobre o “desafio do combate à pobreza” destaca a crise social gerada em Portugal pela pandemia da Covid-19, que deu origem a cerca de 400 mil novos pobres e aumentou as desigualdades.

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), organismo da Igreja Católica, sustenta numa nota divulgada esta terça-feira que o combate à pobreza deve ser um desígnio “prioritário” na aplicação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

“A urgência da reconstrução do tecido económico e social com que somos hoje confrontados, aliada às oportunidades trazidas pelos Plano de Recuperação e Resiliência, são uma ocasião de combater a pobreza, a antiga e a nova, que não pode ser desperdiçada. Trata-se de um verdadeiro desígnio nacional prioritário a que todos somos chamados”, refere o documento.

A nota sobre o “desafio do combate à pobreza” destaca a crise social gerada em Portugal pela pandemia da Covid-19, que deu origem a cerca de 400 mil novos pobres e aumentou as desigualdades.

“Na verdade, esta crise não atinge todos por igual e atinge sobretudo grupos sociais mais pobres e vulneráveis”, indica a CNJP.

O organismo laical ligado à Conferência Episcopal Portuguesa deixa um alerta para toda a sociedade, no dia em que o Conselho Ecofin aprovou os primeiros 12 PRR, entre os quais o de Portugal, advertindo que “nem sempre a distribuição desse tipo de fundos se traduziu em autêntico desenvolvimento”.

“Não podemos (nem o Estado, nem a sociedade civil, nem as comunidades cristãs) confiar em que para o combate à pobreza será suficiente a simples distribuição de fundos europeus, sem exigências da sua boa aplicação e sem esforços partilhados por todos”, assinala a CNJP.

O organismo católico pede atenção às causas da pobreza e defende um crescimento económico que promova a igualdade de oportunidades e “políticas de redistribuição dos rendimentos para além do mercado”.

A CNJP convida a avaliar de uma nova maneira resultados dos programas, medindo não apenas o número de pessoas apoiadas, “mas antes o número de pessoas que com eles melhoraram as suas condições de vida”.

Portugal, cujo PRR ascende a 16,6 mil milhões de euros – dos quais 13,9 mil milhões de euros em subvenções a fundo perdido –, vai receber em breve cerca de 2,1 mil milhões de euros, a executar até 2026.

11.11.19

Solidariedade: «Combate deve ser à pobreza, não aos pobres» – Eugénio Fonseca

in Agência Ecclesia

Conferência da Comissão Nacional Justiça e Paz acontece hoje em Lisboa e quer sublinhar «dignidade humana» de todos

Lisboa, 09 nov 2015 (Ecclesia) – O presidente da Cáritas Portuguesa disse hoje que os pobres podem estar “privados de meios terceiros” mas não perdem as suas qualidades, havendo uma “norteadora de todas as outras: a dignidade humana”.

“No trabalho com os pobres é esta qualidade que deve nortear as nossas ações: o respeito pela dignidade humana”, assumiu Eugénio Fonseca na abertura da Conferência da Comissão Nacional Justiça e Paz «Com os pobres».
O responsável aludiu ao “perfil” das pessoas que hoje estão em situação de pobreza e lamentou o esforço de tantos para “trabalhar pela pobreza” esquecendo que as ações devem estar em conformidade com a “dignidade das pessoas”: “Devemos lutar contra a pobreza, não contra os pobres”.

“Estamos mais habituados a trabalhar pela pobreza como se estes fossem destituídos dos talentos que o Criador lhes deu, lamentou.

Eugénio Fonseca sublinhou que a “erradicação da pobreza” está ao alcance da humanidade.

“A pobreza não é uma fatalidade. É uma frase feita mas que precisamos repetir. Para a erradicação da pobreza mão basta agirmos nas consequências geradas pela pobreza, temos de agir sistematicamente e estruturalmente nas causas da pobreza”, enfatizou o presidente da Cáritas Portuguesa.

O responsável saudou “novas mentalidades ao serviço do combate à pobreza” recordando a atribuição do Nobel da Economia deste ano, que reconheceu o trabalho do indiano Abhijit Banerjee, da francesa Esther Duflo e do norte-americano Michael Kremer.

A Conferência da CNJP trouxe a Portugal o cardeal D. Juan José Omella, cardeal-arcebispo de Barcelona para falar sobre a opção preferencial pelos pobres da Igreja católica.

«A pobreza: Uma perspetiva económica» vai ser refletida por Joana Duarte Silva (Universidade Católica Portuguesa) e o tema «Migrações, Pobreza e Desenvolvimento» vai ser tratado por Pedro Góis (Universidade de Coimbra).
A atividade da Comissão Nacional Justiça e Paz conta também com testemunhos dos Leigos Para o Desenvolvimento e da Cáritas da Diocese de Beja.

O presidente da CNJP quis recordar alguns apontamentos do Papa Francisco na mensagem para o Dia Mundial dos Pobres, que se assinala no próximo dia 17 de novembro.

“Não podemos esquecer a pobreza na sociedade portuguesa, e a própria Assembleia da República já definiu que a pobreza conduz a violação dos direitos humanos”, afirmou Pedro Vaz Patto.
Para o responsável pela CNJP o combate a pobreza “deve ser desígnio nacional”.
LS

14.6.16

Comissão Justiça e Paz alerta. Aumenta desigualdade entre salários nas empresas

In "Rádio Renascença"

Em Maio, o INE revelou que o fosso entre as famílias portuguesas com maiores rendimentos e as de mais baixos recursos aumentou entre 2004 e 2014.

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) denunciou a “desigualdade” na repartição de sacrifícios em Portugal e alertou para o fosso crescente entre os salários mais baixos e os mais altos, nas grandes empresas.
“Eu recordo-me de ter ouvido dizer uma vez que nos anos 50 um conhecido industrial italiano, Olivetti, fazia questão de na sua empresa a proporção não ser superior 1 a 10, entre os mais baixos e os mais altos. Agora já se vai aos 20, 30… E estes salários mais altos têm subido mais do que os salários mais baixos”, diz à Renascença o presidente da CNJP, Pedro Vaz Patto.

Numa nota intitulada “Atenção aos mais pobres”, a Comissão sublinha que “níveis excessivos e crescentes de desigualdade” prejudicam a coesão social e o “sentido de pertença à empresa e à comunidade global”.

“Uma desigualdade na repartição de sacrifícios necessários que prejudique os mais pobres ofende elementares sentimentos de justiça e o princípio da solicitude preferencial pelos mais pobres que deve orientar a acção do Estado”, refere o organismo laical ligado à Conferência Episcopal Portuguesa.

Em Maio, o Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que o fosso entre as famílias portuguesas com maiores rendimentos e as de mais baixos recursos aumentou entre 2004 e 2014, sendo que a quebra do rendimento médio da população em geral atingiu 16,5% entre 2010 e 2013,

A CNJP considera que, apesar de a redução de salários e pensões ter sido “proporcionalmente mais acentuada nos mais elevados”, a redução de apoios sociais, “precisamente quando eles eram mais necessários, provocou tal efeito”.

O comunicado cita outro estudo relativo à desproporção entre salários dos gestores e trabalhadores, que se acentuou nos últimos anos.

“A pobreza constitui uma ofensa à dignidade humana e, por isso, uma violação dos direitos humanos”, refere a CNJP.

Para o organismo católico, é urgente alertar para a necessidade de “outra atenção aos mais pobres”, também os “desprovidos de projecção mediática e força política e eleitoral”.

“Para tal, não basta a reposição de salários e pensões que continua a beneficiar mais, proporcionalmente, a classe média, nem acreditar ilusoriamente que terminou a necessidade de sacrifícios imposta pela exigência de redução das dívidas pública e privada”, conclui o documento.

11.9.15

Apoio aos Refugiados

In Jornal da Lixa

Plataforma de Apoio aos Refugiados.

Esta plataforma inclui duas áreas de actuação:

uma focada no acolhimento e integração de crianças refugiadas e das suas famílias cm Portugal, e outra focada no apoio aos refugiados no seu país de origem.

Algumas das organizações envolvidas são a Cáritas Portuguesa, o Conselho Português dos Refugiados, a Confederação Nacional de Instituições de Solidariedade (CNIS), Comissão Nacional justiça e Paz, Instituto de Apoio à Criança, UNICEF Portugal, Instituto P. António Vieira, Obra Católica Portuguesa das Migrações, Serviço Jesuíta aos Reftigiados, entre outras.