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9.12.20

Modar-te: Catarina quer um “núcleo criativo” do têxtil em Amarante

Marta Sousa Coutinho, in Público on-line

Para pôr Amarante a olhar para a arte e o design do têxtil de outra forma, Catarina Noronha quer abrir um núcleo criativo na cidade onde nasceu. O Modar-te tem uma campanha de crowdfunding até 22 de Dezembro.

Catarina Noronha quer mudar o olhar sobre a moda e criar memórias colectivas. Para isso, a jovem pensou o Modar-te, um núcleo criativo que visa contribuir para uma cidade com um olhar mais aberto para a arte e o design. O projecto pretende criar em Amarante, de onde Catarina é natural, um estúdio de coworking, eventos e oficinas e workshops para todas as idades. O “conceito de estúdio para o mundo digital” através do canal de YouTube vai ser outra das inovações do projecto. Em Fevereiro de 2021 serão lançadas entrevistas e um diário gráfico de quem utiliza o espaço de coworking, que será disponibilizado a partir de Janeiro, e onde haverá oficinas e workshops relacionados com o têxtil. Para tal, a jovem lançou uma campanha de crowdfunding.

Sem esquecer as artes mais antigas, o Modar-te pretende ainda “pegar em técnicas ancestrais de artesanato e revitalizá-las através de um design mais contemporâneo, no qual as gerações mais novas se identifiquem”. Há já vários workshops programados por pessoas mais velhas com conhecimentos em artesanato e direccionados aos mais jovens, ainda que sem limite de idade.

A educação é um dos quatro conceitos pelo qual o projecto se rege. Catarina, de 28 anos, inspirou-se numa experiência do Serviço de Voluntariado Europeu na República Checa, onde trabalhou com crianças na criação de uma colecção de moda conceptual, tendo depois originado um desfile. A promoção do têxtil “enquanto forma de expressão artística” é outro dos conceitos que o projecto pretende abordar, através da venda das peças criadas, do canal no YouTube e de eventos e exposições. A ilustração, o design e respectivo re-design e o up-cycling - a reutilização de objectos que parecem inúteis e a sua transformação criativa - são, também, pilares do projecto.

Catarina Noronha estudou Ciências no ensino secundário e começou a estudar Genética e Biotecnologia na faculdade, mas cedo se apercebeu de que aquilo que queria mesmo fazer a nível profissional era trabalhar na área das artes. Acabou a estudar Design e Marketing de Moda na Universidade do Minho e no fim da licenciatura promoveu desfiles e um evento criativo de moda em Amarante, que durou 12 horas e, mais tarde, se tornou o projecto com o mesmo nome para o qual lançou uma campanha de crowfunding.

Apaixonada pela sua cidade, Catarina quer continuar a viver pelas margens do Tâmega. Não tendo muita oferta de trabalho na área de moda e design, decidiu abrir o próprio espaço. Para tal, tem a decorrer uma campanha de crowdfunding na plataforma PPL: as contribuições podem começar nos cinco euros e ir até aos 1000, recompensados com um busto de gesso. A campanha está online até 22 de Dezembro.


24.11.15

#torresnovaslesbos quer uma cozinha social para refugiados

Texto de Gonçalo Isento, in Público on-line (P3)

A iniciativa partiu de dois jovens portugueses e faz parte de uma campanha de crowdfunding para apoio a uma cozinha social que ajuda refugiados na ilha de Lesbos, na Grécia

#TorresNovasLesbos é uma iniciativa de crowdfunding a decorrer no “PPL Causas” até ao dia 15 de Dezembro de 2015. O objectivo é angariar dinheiro para ajudar refugiados em Lesbos, na Grécia.

A ilha de Lesbos na Grécia é há muito tempo um dos principais focos de destino dos refugiados da crise que o mundo atravessa. Lesbos recebe desde 2008 refugiados que fogem da instabilidade dos seus países, chegando a registar mais de cinco mil entradas de refugiados por dia.

Em 2015, Jorge Simões, estudante de Geografia na universidade de Coimbra, e Margarida Trindade, estudante de Política Cultural Autárquica, estiveram em Lesbos no âmbito de um projecto europeu, onde estabeleceram contacto com a realidade da ilha.

Quando a visitaram tiveram conhecimento de um movimento de cozinha social chamado “The Other Human” que se destina ao apoio e confecção diária de alimentos destinados a todos aqueles que tenham carências alimentares, uma forma que a organização encontrou para apoiar os mais carenciados, equilibrando assim a falta de apoio insttucional que deveria ser prestado áqueles que realmente necessitam.

Este “movimento” nasceu por Kostas Polychronopoulos e é um movimento em que os voluntários cozinham na rua para ajudar aqueles que mais precisam. O movimento “The Other Human” surgiu em 2009 numa altura de crise, em que Kostas Polychronopoulos, o mentor da organização ficou sem trabalho, tendo sido obrigado a vender todos os seus bens para conseguir sobreviver, acabando por ficar sem nada. Com o choque da dura realidade que a crise impôs no país, Kosta Polychronopoulos decidiu ajudar pessoas que estão na mesma situação que a sua.

O objectivo da campanha de crowdfunding #TorresNovasLesbos é ajudar a angariai mil euros até ao dia 15 de Dezembro deste ano, valor que será utilizado para ajudar o movimento “The Other Human” em Lesbos, a fim de ajudar a combater um problema mundial: a fome e a crise que muitos atravessam.

2.7.15

E se um “crowdfunding” ajudasse a pagar a dívida da Grécia?

Texto de Amanda Ribeiro, in Público on-line(P3)

Britânico lançou uma popular campanha de "crowdfunding" para conseguir os cerca de 1600 milhões de euros que o país deve ao FMI. Há quem questione a sua credibilidade

Pode uma campanha de "crowdfunding" angariar os quase 1600 milhões de euros que, esta terça-feira, a Grécia deveria deveria reembolsar ao Fundo Monetário Internacional (FMI)? Thom Feeney acredita que sim — e não está sozinho.

O britânico de 29 anos é o impulsionador da campanha "Greek Bailout Fund", lançada esta segunda-feira na plataforma Indiegogo, que apela a todos os europeus que colaborem num fundo de resgate grego. A premissa é simples: se cada uma das 503 milhões de pessoas que vivem na União Europeia contribuir com três euros, facilmente se resolve esta situação e a Grécia "pode voltar ao bom caminho".

Até agora, à hora de publicação deste artigo, mais de 9 mil pessoas doaram mais de 153 mil euros. É uma gota no oceano — o contador ainda não saiu dos 0% — mas os números não param de crescer. E, tal como em todas as campanhas de "crowdfunding", também há recompensas. Quem der três euros, recebe um postal enviado da Grécia (com Alex Tsipras, o primeiro-ministro grego); seis equivalem a uma salada de queijo feta e azeite; dez a uma pequena garrafa de Ouzo; 25 a uma garrafa de vinho grego.


"Todos os produtos serão provenientes da Grécia, feitos na Grécia e enviados da Grécia", garante o criador do projecto. Até porque, diz, os europeus podem ajudar os seus "primos gregos" ao comprar "maravilhosos produtos gregos como feta, azeitonas, vinho e muito mais". "Ou considerando a Grécia como destino de férias. Essa é parte da ideia por detrás de cada uma das recompensas da campanha. O comércio vai ajudar a Grécia e o povo grego na situação actual."

Uma "tentativa real de fazer alguma coisa"

Não é um "statement", é uma "tentativa real de fazer alguma coisa", garante o britânico na página do projecto, onde, atendendo à popularidade crescente da campanha, acrescentou uma lista de perguntas e respostas sobre o projecto e as suas intenções. "Pelo menos, é importante levantar a questão da situação difícil que o povo grego atravessa."

Muitos têm questionado a credibilidade da campanha, não só pelo conceito em si mas também por um certo tom leve e jocoso, mas o jovem assegura que não é uma piada e que "todos os lucros irão para o povo grego", seja através do governo ou por outros meios (ainda que não se saiba bem como é que o governo grego poderá aceitar o montante). Está prometido que se o objectivo não for atingido, todo o dinheiro será devolvido.

Thom Feeney sublinha na página que nunca se envolveu na política grega, nem falou com nenhum dirigente europeu. No entanto, já há um boato a correr: um jornalista contou-lhe que Tsipras queria entrar em contacto com ele. A campanha termina domingo, 5 de Julho, data do referendo na Grécia.