por Lusa, in Público
No Sul de França, a proibição de piscinas, rega e lavagem de carros entrou em vigor a 10 de Maio. Por cá, o ministro Duarte Cordeiro diz que ainda não é necessário impor “uma cultura de proibição”.
O ministro do Ambiente e da Acção Climática, Duarte Cordeiro, descartou, para já, a adopção de medidas proibitivas relativamente ao consumo de água, como por exemplo para piscinas, face à situação de seca que se vive sobretudo no sul do país.
"Não vale a pena estarmos a introduzir uma cultura de proibição quando ela, neste momento, ainda não é necessária. Quando ela é necessária, nós não hesitamos, como aconteceu quando limitámos, por exemplo, em determinadas barragens da zona Monte da Rocha, ou a decisão que foi tomada pela ministra da Agricultura, de limitar novas culturas na zona do [rio] Mira", disse aos jornalistas, no Porto, Duarte Cordeiro, à margem do lançamento do concurso público para a construção da Linha Rubi do metro.
O ministro tinha sido questionado acerca de eventuais proibições, por exemplo, em piscinas privadas e, anteriormente, sobre medidas excepcionais tomadas na sequência da situação de seca sobretudo no sul do país, cuja declaração foi feita na segunda-feira.
A venda de piscinas de jardim vai ser proibida numa região do sul de França devido ao agravamento da escassez de água. Em declarações à rádio RTL, o ministro francês da Transição Ecológica, Christophe Béchu, disse que os Pirenéus Orientais, que fazem fronteira com a Catalunha espanhola, serão oficialmente declarados em situação de "crise" de seca a partir de 10 de Maio. "A proibição de lavar os carros, regar os jardins e encher as piscinas será igualmente aplicada a partir da mesma data", acrescentou.
"Já foram tomadas algumas medidas excepcionais", disse, após ter sido convocada uma comissão interministerial de seca "no final do mês de Abril" referiu Duarte Cordeiro aos jornalistas. Segundo o ministro, nessa reunião foram identificadas as zonas mais críticas: a do Barlavento algarvio e a zona do litoral alentejano, "nomeadamente a zona do [rio] Mira, associada à barragem de Santa Clara".
"Há restrições que nós aplicámos relativamente a um conjunto de barragens, quer no Alentejo quer na zona do Barlavento, e há restrições de novas culturas para a zona do Mira, porque neste momento temos que captar a água a uma cota abaixo daquilo que é a cota a que habitualmente vamos buscar água", explicou, referindo-se à medida tomada pela ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes.
Duarte Cordeiro relembrou ainda que actualmente, "na generalidade do país, neste momento, o país tem mais água disponível do que tinha no ano passado", com um nível médio de 80% de água nas albufeiras.
"Neste momento temos uma situação assimétrica, nalgumas zonas do país não antecipamos que tenhamos, neste momento, um problema de abastecimento de água. Temos duas zonas do país, litoral alentejano e a zona do Barlavento, em que tivemos que aplicar medidas para gerir de forma racional os recursos que temos disponíveis", explicou.
A situação de seca meteorológica agravou-se em Portugal continental no mês de Abril, estando 89% do território continental em seca, 34% da qual em seca severa e extrema, segundo o IPMA.
Na segunda-feira, a ministra da Agricultura e Alimentação, Maria do Céu Antunes, informou ter assinado o despacho que reconhece a situação de seca em 40% do território nacional, no sul do país.
Lusa/Fim
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29.11.12
Portugueses estão a consumir menos água da torneira
in Público on-line
Quatro em cada cinco empresas de abastecimento registou quedas de vendas em 2011. A explicação pode estar na crise.
Os portugueses estão a consumir menos água comprada às empresas ou serviços de abastecimento. Quatro em cada cinco destas empresas (81%) registaram quebras na facturação da água que chega às torneiras dos consumidores em 2011, em relação à média dos últimos três anos, segundo um estudo apresentado esta quarta-feira pela Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas (APDA).
O estudo Água e Saneamento em Portugal: o Mercado e os Preços traça um quadro de todas as entidades gestoras do país e conclui que 63% tiveram quebras nas vendas – de 1% a 6,2%. Aí estão misturadas, porém, entidades que vendem a água “em alta” (da captação até aos reservatórios) e “em baixa” (dos reservatórios às torneiras). Considerando-se apenas o abastecimento “em baixa”, houve quebras em 81% das empresas gestoras.
As famílias e as empresas estão a consumir menos “por bons e por maus motivos”, afirma Sérgio Hora Lopes, da comissão de peritos da APDA responsável pela elaboração do estudo. “Muitos começam a ir buscar água aos poços, água não- controlada. Tenho conhecimento de um infantário que juntou água do poço com água da companhia e isto é um problema, pode gerar uma situação muito complexa e até de saúde pública”, completa Hora Lopes, citado pela agência Lusa.
Também há mais portugueses em dívida com as facturas da água. De todas as entidades gestoras consultadas no estudo, 59% declararam que as dívidas aumentaram em Dezembro de 2011, em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Por outro lado, a factura sofreu um aumento significativo nos últimos anos. Entre 2003 e 2011 houve, em média, um aumento de 3,3% para o abastecimento de água e 9,6% para o serviço de saneamento.
O preço da água continua a apresentar uma grande disparidade em diferentes pontos do país. A média mais baixa é da Madeira (0,85 euros por metro cúbico) e a mais alta de Lisboa (1,71 euros), calculada para um consumo de 120 metros cúbicos por ano.
Para este nível de consumo, as famílias pagam um preço médio de 113 euros por ano pela água e 73 euros pelo saneamento, segundo o estudo da APDA. Os números estão muito próximos de outra avaliação recente, feita pela Entidade Reguladora para os Serviços de Águas e Resíduos, segundo a qual a factura anual média é de 118 euros para a água e 68 euros para o saneamento.
Quatro em cada cinco empresas de abastecimento registou quedas de vendas em 2011. A explicação pode estar na crise.
Os portugueses estão a consumir menos água comprada às empresas ou serviços de abastecimento. Quatro em cada cinco destas empresas (81%) registaram quebras na facturação da água que chega às torneiras dos consumidores em 2011, em relação à média dos últimos três anos, segundo um estudo apresentado esta quarta-feira pela Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas (APDA).
O estudo Água e Saneamento em Portugal: o Mercado e os Preços traça um quadro de todas as entidades gestoras do país e conclui que 63% tiveram quebras nas vendas – de 1% a 6,2%. Aí estão misturadas, porém, entidades que vendem a água “em alta” (da captação até aos reservatórios) e “em baixa” (dos reservatórios às torneiras). Considerando-se apenas o abastecimento “em baixa”, houve quebras em 81% das empresas gestoras.
As famílias e as empresas estão a consumir menos “por bons e por maus motivos”, afirma Sérgio Hora Lopes, da comissão de peritos da APDA responsável pela elaboração do estudo. “Muitos começam a ir buscar água aos poços, água não- controlada. Tenho conhecimento de um infantário que juntou água do poço com água da companhia e isto é um problema, pode gerar uma situação muito complexa e até de saúde pública”, completa Hora Lopes, citado pela agência Lusa.
Também há mais portugueses em dívida com as facturas da água. De todas as entidades gestoras consultadas no estudo, 59% declararam que as dívidas aumentaram em Dezembro de 2011, em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Por outro lado, a factura sofreu um aumento significativo nos últimos anos. Entre 2003 e 2011 houve, em média, um aumento de 3,3% para o abastecimento de água e 9,6% para o serviço de saneamento.
O preço da água continua a apresentar uma grande disparidade em diferentes pontos do país. A média mais baixa é da Madeira (0,85 euros por metro cúbico) e a mais alta de Lisboa (1,71 euros), calculada para um consumo de 120 metros cúbicos por ano.
Para este nível de consumo, as famílias pagam um preço médio de 113 euros por ano pela água e 73 euros pelo saneamento, segundo o estudo da APDA. Os números estão muito próximos de outra avaliação recente, feita pela Entidade Reguladora para os Serviços de Águas e Resíduos, segundo a qual a factura anual média é de 118 euros para a água e 68 euros para o saneamento.
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