por DN.pt
De 342 empregos analisados, em apenas nove as mulheres ganham mais do que os homens nos EUA. Há ainda outra área onde os ordenados delas tendem a ser superiores: a pornografia.
Os dados dos Census divulgados nos EUA, relativos a 2013, demonstram o que já não é uma novidade: na maioria dos empregos, os homens ganham mais do que as mulheres. O que os novos números revelam são quais os empregos em que as mulheres até conseguem superar o sexo masculino a nível salarial: num universo de 342, apenas em nove isso se verifica.
Entre produtores e diretores, as mulheres ganham uma média de 66 226 dólares por ano (cerca de 61 mil euros), enquanto os homens ficam-se pelos 62 368 (cerca de 58 mil euros), segundo os dados dos Census, publicados pelo Washington Post. A maior diferença é mesmo nestas profissões, sendo também as que as mulheres ganham mais, entre as que superam os homens.
Seguem-se as responsáveis pela limpeza de veículos e equipamentos: 24 793 dólares por ano (cerca de 22 mil euros ) e os homens 23 605 dólares, uma ligeira diferença, que vai diminuindo nas próximas profissões da lista.As grossistas e retalhistas ganham 42 990 dólares (cerca de 40 mil euros) e os homens 41 619 dólares (cerca de 39 mil euros). Os agentes de segurança responsáveis pela revista dos passageiros nos transportes, as mulheres recebem 41 751 dólares (cerca de 39 mil euros) e os homens 40 732 dólares (cerca de 38 mil euros).
As assistentes sociais recebem um salário anual de 35 766 dólares (cerca de 33 mil euros) e os homens 34 967 euros (32 mil euros). Os professores de ensino especial ganham 46 932 euros (cerca de 44 mil euros) e as mulheres 47 378 euros por ano. As gestoras de transporte, armazenamento e distribuição recebem um salário médio anual de 52 259 dólares (cerca de 49 mil euros) e os homens 52 017 dólares (cerca de 48 mil euros).
Nos salários mais baixos desta lista específica, as responsáveis pela lavagem da loiça ganham 17 322 dólares por ano (cerca de 16 mil euros) e os homens 17 302 dólares. São os profissionais de aconselhamento que têm uma diferença menor no vencimento: os homens recebem 42 299 dólares/ano (cerca de 39,2 mil euros) e as mulheres apenas levam mais 70 dólares para casa.
A título de curiosidade e fora dos números do Census, há uma outra profissão em que as mulheres ganham mais do que os homens: as atrizes pornográficas. Segundo o Hollywood Reporter, as mulheres podem ganhar 200 mil dólares (cerca de 184 mil euros) ou mais. No entanto, lê-se que os homens têm normalmente carreiras mais longas.
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24.4.15
9.3.15
Disparidades salariais agravam-se para trabalhadoras com filhos
por Erika Nunes, in Dinheiro Vivo
Além de pouca evolução nas diferenças de ordenado entre homens e mulheres nos últimos 20 anos, aumentou o intervalo entre as trabalhadoras conforme o número de filhos, revela OIT
A disparidade de salários das mulheres após a maternidade aumentou nas últimas duas décadas, enquanto que pouco evoluiu no que respeita à comparação com os salários dos homens. Segundo o estudo que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou nas vésperas do Dia Internacional da Mulher, ao ritmo verificado nos últimos 20 anos, a diferença de salários conforme o género não irá desaparecer nos próximos 70 anos. Em média, as mulheres ainda ganham menos 23% do que os homens.
"A evidência de que as mães sofrem penalizações no salário, além da penalização por serem mulheres, é motivo de preocupação", conclui o estudo. Além do problema da igualdade de salários, está em causa, "a capacidade de as sociedades gerirem um equilíbrio sustentável entre os objetivos económicos de participação feminina no trabalho remunerado e os objetivos de providenciar uma justa distribuição do rendimento que suporte o nascimento e o sustento de crianças".
A penalização no salário de mulheres que têm filhos é, ainda, maior consoante a idade em que tiveram a primeira criança, sendo mais agravada nas jovens mães com filhos antes dos 25 anos. "A mais severa penalização associada com a maternidade jovem foi registada em Portugal, onde as jovens mães sofrem uma penalização não ajustada de 33% nos salários em comparação com mães aos 25-30 anos", salienta o estudo.
Apesar disso, em 2005, uma análise realizada em 11 países não deixou Portugal entre os piores colocados neste assunto: os salários de mulheres com dois filhos podem ser menos de 10% inferiores aos das mulheres sem filhos, mas a diferença é maior no Reino Unido, por exemplo, onde a penalização pode chegar a 25%. Só em França, na Itália e na Dinamarca as mães de dois filhos poderiam ganhar mais do que as trabalhadoras sem filhos.
Também em Portugal, o estudo descobriu que a flexibilidade de horários acaba por não ser problemática, visto que em países "onde o trabalho a tempo inteiro é a norma, as horas de trabalho normais acabam por ser o equivalente funcional a horários amigos das mães". Recentemente, um estudo europeu revelou que o sistema de benefícios fiscais de alguns países da UE, incluindo Portugal, penaliza os casais em que ambos trabalham e não encoraja o membro que ganha menos a trabalhar mais.
As mães sofrem ainda mais penalizações consoante o estado civil e a constituição do agregado familiar. Nos EUA, o casamento mais do que duplica a penalização imposta pelo nascimento de filhos em relação à penalização das que são mães e nunca casaram. O resultado das divorciadas é semelhante ao das casadas.
"Promover empregos decentes para as mulheres é imperativo, agora e na próxima geração. O futuro do trabalho passa também pelo futuro das mulheres no trabalho. É uma questão de direitos e do que é acertado para as mulheres e para o desenvolvimento sustentável", defendeu Guy Ryder, diretor geral da OIT, no discurso do Dia Internacional da Mulher. "Não podemos aceitar que, às atuais taxas de variação, possa demorar mais de 70 anos para as mulheres conseguirem pagamento equitativo em relação aos homens. Nem podemos aceitar que, hoje, uma em cada três mulheres sofra alguma forma de violência física ou sexual que a impeça de trabalhar", rematou.
Nos últimos 20 anos, aumentou a percentagem de mulheres em cargos de topo e em posições de liderança política, mas as mulheres só estão à frente de 5% das empresas da Fortune 500 e de um em cada 12 governos do Mundo. Diminuiu a percentagem de mulheres que trabalham por conta própria ou sem remuneração, mas continua a haver mais representação feminina nos empregos de salários baixos.
A OIT recomenda que se adotem mais medidas de proteção da maternidade e políticas que apoiem o trabalho e a família, a promoção de serviços e instituições que cuidem das crianças ou dos idosos para que as mulheres possam trabalhar, o apoio à entrada das mulheres no mercado de trabalho (medidas de trabalho ativas e culturas de trabalho que diminuam a segregação, valorizem os postos ocupados por mulheres e apoie empregos de qualidade para homens e mulheres) e também que se comece a "atuar em tenra idade para acabar com a disparidade, que começa na infância e se intensifica ao longo da vida, assegurando educação de qualidade, formação e desenvolvimento de capacidades igual para raparigas e rapazes, homens e mulheres, bem como medidas efetivas para o emprego jovem".
Além de pouca evolução nas diferenças de ordenado entre homens e mulheres nos últimos 20 anos, aumentou o intervalo entre as trabalhadoras conforme o número de filhos, revela OIT
A disparidade de salários das mulheres após a maternidade aumentou nas últimas duas décadas, enquanto que pouco evoluiu no que respeita à comparação com os salários dos homens. Segundo o estudo que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou nas vésperas do Dia Internacional da Mulher, ao ritmo verificado nos últimos 20 anos, a diferença de salários conforme o género não irá desaparecer nos próximos 70 anos. Em média, as mulheres ainda ganham menos 23% do que os homens.
"A evidência de que as mães sofrem penalizações no salário, além da penalização por serem mulheres, é motivo de preocupação", conclui o estudo. Além do problema da igualdade de salários, está em causa, "a capacidade de as sociedades gerirem um equilíbrio sustentável entre os objetivos económicos de participação feminina no trabalho remunerado e os objetivos de providenciar uma justa distribuição do rendimento que suporte o nascimento e o sustento de crianças".
A penalização no salário de mulheres que têm filhos é, ainda, maior consoante a idade em que tiveram a primeira criança, sendo mais agravada nas jovens mães com filhos antes dos 25 anos. "A mais severa penalização associada com a maternidade jovem foi registada em Portugal, onde as jovens mães sofrem uma penalização não ajustada de 33% nos salários em comparação com mães aos 25-30 anos", salienta o estudo.
Apesar disso, em 2005, uma análise realizada em 11 países não deixou Portugal entre os piores colocados neste assunto: os salários de mulheres com dois filhos podem ser menos de 10% inferiores aos das mulheres sem filhos, mas a diferença é maior no Reino Unido, por exemplo, onde a penalização pode chegar a 25%. Só em França, na Itália e na Dinamarca as mães de dois filhos poderiam ganhar mais do que as trabalhadoras sem filhos.
Também em Portugal, o estudo descobriu que a flexibilidade de horários acaba por não ser problemática, visto que em países "onde o trabalho a tempo inteiro é a norma, as horas de trabalho normais acabam por ser o equivalente funcional a horários amigos das mães". Recentemente, um estudo europeu revelou que o sistema de benefícios fiscais de alguns países da UE, incluindo Portugal, penaliza os casais em que ambos trabalham e não encoraja o membro que ganha menos a trabalhar mais.
As mães sofrem ainda mais penalizações consoante o estado civil e a constituição do agregado familiar. Nos EUA, o casamento mais do que duplica a penalização imposta pelo nascimento de filhos em relação à penalização das que são mães e nunca casaram. O resultado das divorciadas é semelhante ao das casadas.
"Promover empregos decentes para as mulheres é imperativo, agora e na próxima geração. O futuro do trabalho passa também pelo futuro das mulheres no trabalho. É uma questão de direitos e do que é acertado para as mulheres e para o desenvolvimento sustentável", defendeu Guy Ryder, diretor geral da OIT, no discurso do Dia Internacional da Mulher. "Não podemos aceitar que, às atuais taxas de variação, possa demorar mais de 70 anos para as mulheres conseguirem pagamento equitativo em relação aos homens. Nem podemos aceitar que, hoje, uma em cada três mulheres sofra alguma forma de violência física ou sexual que a impeça de trabalhar", rematou.
Nos últimos 20 anos, aumentou a percentagem de mulheres em cargos de topo e em posições de liderança política, mas as mulheres só estão à frente de 5% das empresas da Fortune 500 e de um em cada 12 governos do Mundo. Diminuiu a percentagem de mulheres que trabalham por conta própria ou sem remuneração, mas continua a haver mais representação feminina nos empregos de salários baixos.
A OIT recomenda que se adotem mais medidas de proteção da maternidade e políticas que apoiem o trabalho e a família, a promoção de serviços e instituições que cuidem das crianças ou dos idosos para que as mulheres possam trabalhar, o apoio à entrada das mulheres no mercado de trabalho (medidas de trabalho ativas e culturas de trabalho que diminuam a segregação, valorizem os postos ocupados por mulheres e apoie empregos de qualidade para homens e mulheres) e também que se comece a "atuar em tenra idade para acabar com a disparidade, que começa na infância e se intensifica ao longo da vida, assegurando educação de qualidade, formação e desenvolvimento de capacidades igual para raparigas e rapazes, homens e mulheres, bem como medidas efetivas para o emprego jovem".
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