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8.10.15

Migrações vão desafiar economia global nas próximas décadas

in Notícias ao Minuto

A migração em grande escala dos países pobres para as regiões mais ricas será uma característica permanente da economia global nas próximas décadas, resultante de importantes mudanças populacionais nos países, diz um relatório do Banco Mundial/FMI.

Segundo o Relatório de Monitorização Global 2015/2016: Objetivos de Desenvolvimento numa Era de Mudança Demográfica, lançado no Peru no início dos Encontros Anuais do Banco Mundial e do FMI, o mundo está a passar por uma grande mudança da população, que vai remodelar o desenvolvimento económico por décadas e, ao mesmo tempo que levanta desafios, oferece um caminho para o fim da pobreza extrema e para a prosperidade partilhada - isto se as políticas adequadas forem postas em prática nacional e internacionalmente.

O documento revela que a população mundial em idade ativa atingiu um pico de 66% e está agora em declínio, enquanto o crescimento da população mundial deve abrandar para 1%, quando era superior a 2% na década de 1960. Quanto ao número de idosos, deverá atingir os 16% em 2050, com a contagem global de crianças a estabilizar nos 2 mil milhões.

O Relatório de Monitorização Global 2015/2016 assinala igualmente que a direção e o ritmo da transição demográfica mundial varia drasticamente de país para país, tendo implicações diferentes em função da posição que cada nação ocupa no espectro do envelhecimento populacional e do desenvolvimento económico.

Independentemente dessa diversidade, países em todos os estágios de desenvolvimento podem aproveitar a transição demográfica como uma enorme oportunidade, consideram os autores do relatório, que surge num momento em que os migrantes e refugiados de África e do Médio Oriente continuam a chegar à Europa em vagas sem precedentes.

"Com o conjunto correto de políticas, esta época de mudança demográfica pode ser um motor de crescimento económico", declarou o presidente do Grupo do Banco Mundial, Jim Yong Kim, para quem "se os países com envelhecimento populacional conseguirem criar uma forma de os refugiados e migrantes participarem nas suas economias, todos beneficiarão, pois tudo leva a crer que eles vão trabalhar arduamente, contribuindo mais em impostos do que aquilo que vão consumir em serviços sociais".

Mais de 90% da pobreza mundial concentra-se em países de baixo rendimento, com populações jovens e de crescimento rápido que esperam ver as pessoas em idade ativa aumentar significativamente, mas mais de três quartos do crescimento global é gerado nos países de rendimento mais elevado, com taxas de fertilidade muito inferiores, menos pessoas em idade ativa e um número crescente de idosos.

"O desenvolvimento demográfico analisado no relatório coloca desafios fundamentais aos decisores políticos em todo o mundo para os próximos anos", segundo a diretora do FMI.

Para Christine Lagarde, "quer se trate das implicações do envelhecimento da população, das ações necessárias para beneficiar de um dividendo demográfico ou da manipulação dos fluxos migratórios - estas questões estarão no centro dos debates políticos nacionais e do diálogo internacional sobre a melhor forma de cooperar para lidar com estas pressões".

7.8.14

Portugal vai entrar para o grupo dos países “super-idosos” em 2020

João Cândido da Silva, in O Observador

Aumento do número de países em que mais de um em cada cinco habitantes tem idade superior a 65 anos vai criar problemas graves ao crescimento económico. Portugal não vai escapar.

Em 2020, haverá 13 países com uma população “super-idosa”, grupo em que se incluirá Portugal. A previsão consta de um estudo realizado pela Moody’s, citado pelo Financial Times (FT), e representa a soma de dez nações a uma lista que atualmente integra apenas Alemanha, Itália e Japão.

A agência de rating alerta para os entraves que a tendência de aumento do número de países em que mais de um em cada cinco habitantes tem idade superior a 65 anos vai criar ao crescimento económico. Aos 13 que existirão daqui a seis anos, vão juntar-se mais 21 em 2030, de acordo com as projeções efetuadas pela Moody’s.

A maioria dos países que integrará a lista dos “super-idosos” em 2020 localiza-se na Europa. Além de Portugal, o grupo vai ser ampliado com as presenças de parceiros da União como a Holanda, França, Suécia, Eslovénia e Croácia. Dez anos depois, a diversidade geográfica será maior com a entrada de Hong Kong, Coreia do Sul, Estados Unidos, Reino Unido e Nova Zelândia.

A Moody’s refere que estas mudanças na economia global correspondem à transição de um modelo de “dividendo demográfico”, que ajudou a potenciar o crescimento, para uma situação de “imposto demográfico”. Elena Duggar, vice-presidente da agência de rating e uma das autoras do relatório, afirma que “a transição demográfica, frequentemente considerada como um problema de longo prazo, está agora a cair em cima de nós e vai fazer abrandar de forma significativa o crescimento económico”. As previsões apontam para que o ritmo de aumento da população ativa entre 2015 e 2030 represente apenas metade daquele que se verificou durante os 15 anos anteriores, segundo o FT.

O envelhecimento da população vai retirar 0,4% à taxa de crescimento anual da economia global durante os próximos cinco anos e este “travão” subirá para 0,9% de 2020 a 2025.

Com estas perspectivas, a Moody’s acredita que o envelhecimento da população vai retirar 0,4% à taxa de crescimento anual da economia global durante os próximos cinco anos e que este “travão” subirá para 0,9% de 2020 a 2025. Os governos são aconselhados a proceder a reformas de médio prazo que melhorem a participação no mercado de trabalho, bem como os fluxos migratórios e financeiros que poderão, acredita a agência, ajudar a suavizar os impactos do envelhecimento sobre o desempenho das economias. A longo prazo, refere a Moody’s, a inovação e o progresso tecnológico que aumentam a produtividade “terão potencial para reduzir” os efeitos negativos.

Projeções do Instituto Nacional de Estatística (INE), de Março de 2014, revelam que “a população residente em Portugal tenderá a diminuir até 2060″ e, num cenário central, reduzir-se-á “de 10,5 milhões de pessoas, em 2012, para 8,6 milhões de pessoas, em 2060″. O fenómeno será acompanhado de um “continuado e forte envelhecimento demográfico”. Entre 2012 e 2060, “o índice de envelhecimento aumenta de 131 para 307 idosos por cada 100 jovens”.

Uma comissão nomeada pelo Governo liderado por Pedro Passos Coelho apesentou, em meados de julho, um relatório em que são propostas medidas para incentivar o aumento da taxa de natalidade em Portugal. Redução de 1,5% na taxa de IRS para o primeiro filho e de 2% para o segundo e restantes ou alterar a forma de apuramento das deduções à colecta de IRS de forma a que o montante a deduzir em cada agregado familiar seja definido contabilizando cada filho, são duas das propostas que o primeiro-ministro já afirmou que só serão concretizadas se houver disponibilidades no Orçamento do Estado.

27.11.12

Economia global está "a enfraquecer" devido a falta de confiança e paralisia política

in Jornal de Notícias

A economia global está "novamente a enfraquecer", sobretudo devido à falta de confiança e à paralisia dos decisores políticos, alerta a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) num relatório divulgado esta terça-feira.

"Após cinco anos de crise, a economia global está novamente a enfraquecer", escreve Pier Carlo Padoan, economista-chefe da OCDE, no editorial de um documento de previsões para 2013 e 2014.

A OCDE prevê que, para a média dos seus 34 membros (quase todos economias avançadas, entre as quais Portugal), o crescimento do PIB será 1,4% em 2013 e 2,3% em 2014. Esta taxa esconde, contudo, grandes discrepâncias entre os EUA, onde o crescimento estará acima dos 2% anuais, e a zona euro, onde a recessão deverá prolongar-se para o próximo ano, com uma contração de 0,1%, com uma retoma de 1,3% em 2014.

A OCDE prevê também uma "deterioração generalizada" das condições do mercado de trabalho nos seus países membros -- mas sobretudo na zona euro.

Porque é que a economia continua em crise? A OCDE aponta várias causas, a principal das quais é "falta de confiança". Este fator, por sua vez, reflete "respostas políticas insuficientes ou ineficazes".

Pier Carlo Padoan argumenta que o problema nem é o de identificar as soluções para a crise, mas sim de "uma incapacidade de chegar a consensos relativamente às respostas políticas".

Para Portugal, a OCDE prevê que, em 2013, a economia se contraia mais 1,8%, recuperando ligeiramente (0,9%) em 2014. A taxa de desemprego deverá atingir os 16,9% em 2013 e 16,6% em 2014.