Texto Juliana Batista, in Fátima Missionária
Os cortes na Ajuda ao Desenvolvimento por parte da União Europeia estão a comprometer a luta contra a pobreza mundial, indica um relatório da Confederação Europeia de Organizações Não Governamentais
A ajuda dos países da União Europeia (UE) para combater a pobreza mundial decresceu quatro por cento no último ano, indica o relatório da Confederação Europeia de Organizações Não Governamentais de Ajuda Humanitária e Desenvolvimento. Em 2012, os Estados da UE disponibilizaram 50,6 mil milhões de euros, o que corresponde a apenas 0,39 por cento do rendimento nacional bruto (RNB).
«A ajuda externa da UE regrediu assim para os níveis mais baixos desde 2007, com as projeções Aid Watch a preverem que o total da ajuda permaneça estagnado em cerca de 0,43 por cento do RNB da UE durante os anos de 2013 e 2014», refere um comunicado da Plataforma Portuguesa das Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD). «Os cortes na Ajuda Pública ao Desenvolvimento por parte da União Europeia colocam em causa a luta contra a pobreza mundial», sublinham. Portugal, com um plano de resgaste financeiro, é um dos estados-membros da UE que diminuiu a ajuda acentuadamente, registando 13,1 por cento.
«Não é apenas importante honrar os compromissos assumidos quanto à quantidade de fundos afetos à cooperação. É também, e sobretudo, importante aplicar de forma transparente e eficaz os fundos disponibilizados para o cumprimento dos objetivos de erradicação da pobreza», sublinha o Pedro Krupenski, presidente da Direção da Plataforma Portuguesa das ONGD. Letónia (17 por cento), Luxemburgo (14 por cento), Polónia (14 por cento), Áustria (8 por cento), Lituânia (8 por cento) e Reino Unido (7 por cento) são alguns dos países europeus onde a ajuda tem vindo a «aumentar substancialmente».
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22.10.13
30.9.13
UE: África terá prioridade na ajuda ao desenvolvimento até 2020
in Dinheiro Digital
Em declarações à Rádio ONU, em Nova Iorque, Durão Barroso falou hoje da necessidade da vontade política a nível global para erradicar a pobreza extrema. O responsável participa numa reunião de alto nível à margem da Assembleia Geral.
«Em termos relativos, África vai ter uma prioridade em relação a outras regiões do mundo que já atingiram o nível de rendimento médio. (Com a crise) as coisas estão difíceis acho que, se formos justos, verificamos que houve progressos na luta pelos Objectivos do Milénio. Há mais crianças, mais rapazes e raparigas que vão à escola, mais água potável, mais partos assistidos e menos mortes de mães durante o nascimento. Portanto, houve progressos, mas ainda podemos evitar qualquer sentimento de auto-satisfação», explicou.
Barroso disse crer na possibilidade de erradicar a pobreza global, tal como sucedeu com fenómenos como a escravatura, e fez alusão a soluções técnicas e tecnológicas para que sucessos sejam alcançados numa geração.
«Fiz aqui um grande apelo no sentido de responsabilidade e solidariedade globais. Aliás, citei um provérbio africano que diz que uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas. Acho, pois que há aqui um imperativo moral. Para além disso, é também de interesse económico promover o crescimento sustentável. Fiz uma ligação muito clara entre a luta contra a pobreza e a luta pela sustentabilidade, nomeadamente, pelas políticas de ambiente e a luta contra as mudanças climáticas, são duas faces da mesma moeda», disse.
O comissário Europeu apelou para que seja feito «ainda mais para reduzir a pobreza extrema», durante o pronunciamento feito no evento «Em direcção ao alcance dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio».
Segundo destacou, em termos gerais foram mantidos os níveis de compromisso para a ajuda ao desenvolvimento para os próximos sete anos.
Em declarações à Rádio ONU, em Nova Iorque, Durão Barroso falou hoje da necessidade da vontade política a nível global para erradicar a pobreza extrema. O responsável participa numa reunião de alto nível à margem da Assembleia Geral.
«Em termos relativos, África vai ter uma prioridade em relação a outras regiões do mundo que já atingiram o nível de rendimento médio. (Com a crise) as coisas estão difíceis acho que, se formos justos, verificamos que houve progressos na luta pelos Objectivos do Milénio. Há mais crianças, mais rapazes e raparigas que vão à escola, mais água potável, mais partos assistidos e menos mortes de mães durante o nascimento. Portanto, houve progressos, mas ainda podemos evitar qualquer sentimento de auto-satisfação», explicou.
Barroso disse crer na possibilidade de erradicar a pobreza global, tal como sucedeu com fenómenos como a escravatura, e fez alusão a soluções técnicas e tecnológicas para que sucessos sejam alcançados numa geração.
«Fiz aqui um grande apelo no sentido de responsabilidade e solidariedade globais. Aliás, citei um provérbio africano que diz que uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas. Acho, pois que há aqui um imperativo moral. Para além disso, é também de interesse económico promover o crescimento sustentável. Fiz uma ligação muito clara entre a luta contra a pobreza e a luta pela sustentabilidade, nomeadamente, pelas políticas de ambiente e a luta contra as mudanças climáticas, são duas faces da mesma moeda», disse.
O comissário Europeu apelou para que seja feito «ainda mais para reduzir a pobreza extrema», durante o pronunciamento feito no evento «Em direcção ao alcance dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio».
Segundo destacou, em termos gerais foram mantidos os níveis de compromisso para a ajuda ao desenvolvimento para os próximos sete anos.
24.11.12
OCDE considera que força da União Europeia reside em ajudar países menos fortes
in Jornal de Notícias
O presidente do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento da OCDE manifestou-se, esta sexta-feira, em Lisboa contra os cortes nos fundos de coesão previstos no orçamento europeu, considerando que a força da Europa reside em ajudar os países mais fracos.
"É extremamente importante manter esse aspeto do orçamento europeu. Há outros sítios onde cortar. A força da União Europeia sempre esteve em ajudar os países menos fortes. Esta filosofia é mais importante agora que nunca. Se a União Europeia quer continuar a fortalecer-se (...), não pode cortar nos fundos de coesão", disse Brian Atwood.
Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) estão reunidos em Bruxelas para negociar o orçamento comunitário plurianual 2014-2020, com base numa proposta do Conselho Europeu que prevê cortes na ordem dos 80 mil milhões de euros, comparativamente à proposta inicial da Comissão Europeia para o envelope financeiro global, e reduções na ordem dos 17 por cento nos fundos comunitários.
Tal redução poderá representar cortes de 500 milhões de euros nos fundos estruturais destinados a Portugal, que já considerou a proposta inaceitável.
O presidente do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico], que falava aos jornalistas à margem da conferência "Papel do setor privado no apoio ao desenvolvimento", defendeu também a necessidade de a União Europeia manter as verbas previstas para o apoio aos países pobres.
"Continua a pressão para atingir o objetivo de [destinar] 0,5 por cento [do orçamento da UE à ajuda ao desenvolvimento] até 2015. Há alguns países como a Finlândia e o Reino Unido que aumentaram essa contribuição no último ano. Não espero que países como Portugal aumentem a contribuição, mas que pelo menos mantenham o orçamento", disse.
O presidente do CAD admitiu que atualmente é "politicamente muito difícil" defender o aumento de verbas para a ajuda aos países pobres, sustentado que é preciso pensar no apoio aos países pobres "como um investimento" que contribui para a segurança, para os interesses económicos e para os valores humanitários.
Brian Atwood lembrou a necessidade de encorajar através do apoio público aos países em desenvolvimento o setor privado a investir nesta área.
"O setor privado está hoje muito interessado em encontrar novos mercados e esses mercados existem em regiões como África onde se localizam 10 dos países que crescem mais rapidamente. É um verdadeiro investimento no futuro encorajar o setor privado a fazer mais pelo desenvolvimento", sublinhou.
Falando sobre a relação entre o crescimento económico e o desenvolvimento nos países lusófonos, Brian Atwood sublinhou os progressos de Cabo Verde e Moçambique, considerando, em relação a Angola, que o crescimento não tem beneficiado como devia a população.
"Alguns países carregam o fardo de terem petróleo, talvez seja esse o problema de Angola. É muito fácil mostrar que o produto nacional bruto está a crescer porque há dinheiro do petróleo e é muito fácil descobrir várias formas de esconder onde se gasta esse dinheiro e não dar o suficiente à população. Isso tem sido o problema em Angola. É muito difícil perceber para onde tem ido todo aquele dinheiro, mas muito mais devia ter sido investido na população de Angola", considerou.
O presidente do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento da OCDE manifestou-se, esta sexta-feira, em Lisboa contra os cortes nos fundos de coesão previstos no orçamento europeu, considerando que a força da Europa reside em ajudar os países mais fracos.
"É extremamente importante manter esse aspeto do orçamento europeu. Há outros sítios onde cortar. A força da União Europeia sempre esteve em ajudar os países menos fortes. Esta filosofia é mais importante agora que nunca. Se a União Europeia quer continuar a fortalecer-se (...), não pode cortar nos fundos de coesão", disse Brian Atwood.
Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) estão reunidos em Bruxelas para negociar o orçamento comunitário plurianual 2014-2020, com base numa proposta do Conselho Europeu que prevê cortes na ordem dos 80 mil milhões de euros, comparativamente à proposta inicial da Comissão Europeia para o envelope financeiro global, e reduções na ordem dos 17 por cento nos fundos comunitários.
Tal redução poderá representar cortes de 500 milhões de euros nos fundos estruturais destinados a Portugal, que já considerou a proposta inaceitável.
O presidente do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico], que falava aos jornalistas à margem da conferência "Papel do setor privado no apoio ao desenvolvimento", defendeu também a necessidade de a União Europeia manter as verbas previstas para o apoio aos países pobres.
"Continua a pressão para atingir o objetivo de [destinar] 0,5 por cento [do orçamento da UE à ajuda ao desenvolvimento] até 2015. Há alguns países como a Finlândia e o Reino Unido que aumentaram essa contribuição no último ano. Não espero que países como Portugal aumentem a contribuição, mas que pelo menos mantenham o orçamento", disse.
O presidente do CAD admitiu que atualmente é "politicamente muito difícil" defender o aumento de verbas para a ajuda aos países pobres, sustentado que é preciso pensar no apoio aos países pobres "como um investimento" que contribui para a segurança, para os interesses económicos e para os valores humanitários.
Brian Atwood lembrou a necessidade de encorajar através do apoio público aos países em desenvolvimento o setor privado a investir nesta área.
"O setor privado está hoje muito interessado em encontrar novos mercados e esses mercados existem em regiões como África onde se localizam 10 dos países que crescem mais rapidamente. É um verdadeiro investimento no futuro encorajar o setor privado a fazer mais pelo desenvolvimento", sublinhou.
Falando sobre a relação entre o crescimento económico e o desenvolvimento nos países lusófonos, Brian Atwood sublinhou os progressos de Cabo Verde e Moçambique, considerando, em relação a Angola, que o crescimento não tem beneficiado como devia a população.
"Alguns países carregam o fardo de terem petróleo, talvez seja esse o problema de Angola. É muito fácil mostrar que o produto nacional bruto está a crescer porque há dinheiro do petróleo e é muito fácil descobrir várias formas de esconder onde se gasta esse dinheiro e não dar o suficiente à população. Isso tem sido o problema em Angola. É muito difícil perceber para onde tem ido todo aquele dinheiro, mas muito mais devia ter sido investido na população de Angola", considerou.
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