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31.3.16

Lições de guerra: as escolas em Damasco

In "Sic Notícias"

A guerra na Síria já fez mais de 270 mil mortos, dos quais mais de 13 mil eram crianças e, gerou a maior crise migratória após a 2ª Guerra Mundial. Num cenário de destruição que é a cidade de Damasco, erguem-se escolas para as crianças sírias que ficaram. Esta é uma galeria de fotos da Agência Reuters.

O conflito na síria começou em 2011 com a Primavera Árabe e a contestação a Bashar al-Assad.

Desde então o país é controlado por diversas forças, como o Daesh, a Frente al-Nusra ligada à al-Qaeda e pelos curdos.

Damasco está sob o controlo do Governo sírio.

A capital é testemunha da violência contínua gerada no país e dos ataques terroristas que pesam na vida diária daqueles que ficaram.

3.9.15

Plataforma vai “organizar a generosidade da sociedade portuguesa” 1959 2

Catarina Gomes, in Público on-line

Director do Serviço Jesuíta aos Refugiados alerta que “rapidamente estaremos no Inverno. Era importante que não se demorasse muito tempo, porque as pessoas estão em situação muito precária".

Cerca de cem famílias portuguesas manifestaram vontade de receberem refugiados enviando emails nesse sentido para o Conselho Português dos Refugiados (CPR), há câmaras municipais a oferecer ajuda, empresas a dizerem que têm trabalho para dar a quem chegue. “As manifestações de generosidade da sociedade portuguesa são um bom sinal, agora é preciso organizar a generosidade, torná-la eficaz”, diz Rui Marques, um dos mentores da criação da chamada Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) que juntará, a partir de sexta-feira, várias organizações da sociedade civil para tentar começar a pôr no terreno condições para a vinda de refugiados para Portugal.

Há famílias portuguesas, algumas com filhos e vida estabilizada, que se disponibilizam a acolher famílias com crianças. Há empresas a oferecer trabalhos na agricultura e serviços, refere Teresa Tito de Morais, a presidente da organização não-governamental CPR. Há câmaras, como as de Olhão, Vila Velha do Ródão e Penela e Lisboa, e até juntas de freguesias, como a de Alvalade, na capital, que se mostram abertas a ajudar. “Tem havido mobilização em termos nacionais com provas de generosidade e grande abertura para participar no acolhimento de refugiados em fuga”, constata Teresa Tito de Morais.

“Um desafio de emergência humanitária exige uma resposta dos Estados e da sociedade civil. Saudamos a generosidade da sociedade portuguesa, mas agora a generosidade precisa de ser organizada e articulada. Temos de responder a essa generosidade de impulso imediato para a tornar eficaz, em complementariedade com o Estado”, refere Rui Marques, um dos mentores desta plataforma que juntará o CPR, mas também a Cáritas Portuguesa, a Confederação Nacional de Instituições de Solidariedade, Comissão Nacional justiça e Paz, o Instituto de Apoio à Criança, Comité Português da Unicef, o Instituto Padre António Vieira, a Obra Católica Portuguesa das Migrações, o Serviço Jesuíta aos Refugiados, representantes do sector empresarial, entre outros, refere.

Teresa Tito de Morais diz que tem de se verificar “o que tem pernas para andar, tentando perceber que ofertas podem ser concretizadas. Tem de se planificar e as respostas dadas pelas autarquias e a sociedade civil têm de ser articuladas com o Governo”.

No caso das famílias que se prontificaram a acolher, “é necessário haver trabalho de confirmação da boa vontade, perceber se são consistentes”; no caso das empresas é preciso perceber que idades terão os refugiados que Portugal irá acolher, as regiões para onde poderão ir. “Tem de se fazer um estudo”; no caso das autarquias é preciso perceber que apoios financeiros receberão as que se disponibilizam a receber cidadãos refugiados, enumera a responsável do CPR.

Teresa Tito de Morais nota que as famílias serão muitas vezes adequadas “numa segunda fase do acolhimento, quando está em causa uma integração mais duradoura”, sendo o primeiro acolhimento mais adequado em instalações de grande superfície. O CPR começou por receber 20 emails de pessoas a oferecer acolhimento nas suas famílias, mas todos os dias têm chegado mais, diz. A responsável lembra que no Canadá funciona a figura do apadrinhamento de família e que na Islândia, um país de 350 mil habitantes, houve 11 mil pessoas a oferecerem-se para acolher refugiados.

Teresa Tito de Morais continua a acreditar que os cerca de 1500 refugiados que o primeiro-ministro Passos Coelho disse que Portugal estaria disposto a acolher, em dois anos, é um número “que, neste contexto de aumento da pressão migratória cada vez mais intensa, podia ser mais ambicioso”.

Idêntica opinião foi manifestada esta quarta-feira pelo provedor da Misericórdia de Lisboa, Pedro Santana Lopes. "Nós somos capazes de mais", declarou à TSF, ressalvando que respeitava as negociações em curso na União Europeia que acusou de estar a fazer "uma figura triste" por não se mostrar mais solidária. "Quero acreditar nos bons sentimentos da Europa, mas os exemplos até aqui dos dirigentes políticos europeus são lamentáveis”, afirmou

O provedor da Santa Casa comentava as palavras do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, que na véspera anunciou que o município tinha condições para constituir um fundo de auxílio de dois milhões de euros e para acolher 750 refugiados - metade da quota prevista para Portugal.

Para Rui Marques, que é presidente Instituto Padre António Vieira, mais do que o número de pessoas a ajudar, o importante “é começar a concretizar, é começar a trabalhar no concreto para as coisas acontecerem. A generosidade desorganizada não funciona.”

Várias organizações não governamentais anunciam esta sexta-feira em Lisboa a criação da Plataforma de Apoio aos Refugiados, que terá duas áreas de actuação: uma focada no acolhimento e integração de crianças refugiadas e das suas famílias em Portugal; e outra focada no apoio aos refugiados no seu país de origem, explica-se no comunicado de imprensa.

O director do Serviço Jesuíta aos Refugiados, André Costa Jorge, sublinha que, “desde que foi anunciado o acolhimento de refugiados, até à data, que na Europa se discute de forma táctica, em termos práticos ainda não está montado o acolhimento”, admitindo que, no caso de Portugal, a proximidade das eleições legislativas poderá ser um factor susceptível de atrasar a vinda de pessoas.

“Estamos em Setembro e rapidamente estaremos no Inverno. Era importante que não se demorasse muito tempo, porque as pessoas estão em situação muito precária. No Inverno as pessoas passarão pior, sem condições de habitação. Preocupam-nos as famílias com crianças a cargo", diz.

"As pessoas não podem estar na rua, em tendas, em comboios lotados, depois do calvário que passaram até chegarem às fronteiras da Europa”, sublinha. Nesta fase, diz, é também necessário identificar os refugiados “em situação de maior vulnerabilidade” e também distinguir as situações dos refugiados dos imigrantes económicos.

Um imigrante económico sai do seu país em busca de melhores condições de vida, um refugiado corre perigo de vida se permanecer no seu país de origem, quer pela existência de conflitos armados ou porque é alvo de perseguição. Desde 2008 que Portugal tem uma lei que dá protecção a este tipo de situações. Nos centros de acolhimento e alojamentos do CPR em Portugal estão alojadas cerca de 300 pessoas.

8.4.15

O pesadelo de Yarmouk caiu para os “níveis mais baixos da desumanidade”

Félix Ribeiro, in Público on-line

A ONU exige a entrada de missões humanitárias em Yarmouk, que caiu na semana passada para o controlo do autoproclamado Estado Islâmico. Sem comida ou água potável, o campo de refugiados palestinianos está cada vez mais isolado.

Desde que, há uma semana, o autoproclamado Estado Islâmico invadiu Yarmouk e se colocou a apenas seis quilómetros do centro de Damasco que a situação da população palestiniana no campo de refugiados se tornou “mais desesperada do que nunca”. A ONU não sabe ao certo qual é a área do território actualmente sob o controlo dos jihadistas, nem quantos grupos armados combatem nas ruas, mas sabe que há milhares de palestinianos presos em suas casas a morrerem à fome e sem acesso a água potável ou medicamentos.

O Conselho de Segurança da ONU exigiu nesta terça-feira que fosse concedida a entrada de missões humanitárias em Yarmouk “para a protecção de civis” e que se conceda “passagem segura para a retirada [dos habitantes]”. Foi a resposta à reunião de emergência de segunda-feira com Pierre Krähenbühl, o comissário-geral da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos (UNRWA), que afirma que se vive em Yarmouk “uma situação completamente catastrófica em termos humanos”.

Yarmouk está severamente cercado há quase dois anos pelo exército de Bashar al-Assad. Desde então que a única entrada de alimentos e água tem sido feita através das missões da ONU na localidade, intermitentes e sem capacidade para responder às necessidades dos cerca de 18 mil palestinianos, entre os quais 3500 crianças. Agora, com a entrada em cena do Estado Islâmico e a escalada nos combates e bombardeamentos, tornou-se impossível levar ajuda à população no campo. “É simplesmente demasiado perigoso entrar em Yarmouk”, disse na segunda-feira Krähenbühl numa conferência de imprensa.

Antes da guerra, Yarmouk era uma das zonas mais populosas de Damasco, onde chegaram a viver cerca de 170 mil refugiados palestinianos. Dezenas de milhares fugiram à medida que o conflito evoluiu e que a zona se tornou numa das mais importantes frentes de combate entre o regime sírio e os grupos de oposição, onde se incluem os islamistas da Frente al-Nusra, a filial síria da Al-Qaeda e, agora, o autoproclamado Estado Islâmico.

Não se conhece ao certo o número de palestinianos que neste momento ainda se encontram em Yarmouk. De acordo com a agência de notícias síria, 2000 pessoas conseguiram fugir do campo desde que o EI entrou pelo flanco sul. A ONU não confirma este número e limita-se a dizer que poucas centenas conseguiram sair do campo ao longo dos últimos dias, estando o número oficial de residentes ainda perto dos 18 mil.

A população de Yarmouk tem sobrevivido com uma média de 400 calorias por dia, menos de um quarto do que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde, afirmou Pierre Krähenbühl. Desde que se iniciou o cerco a Yarmouk que já morreram pelo menos 200 palestinianos à fome. E esta é uma situação que vai piorar, agora que o autoproclamado Estado Islâmico se apoderou de grande parte do terreno – 90%, de acordo com os relatos que surgem do campo – e que a assistência humanitária está impedida de entrar no campo.

Al-Nusra e Estado Islâmico
Nunca o EI esteve tão perto de Damasco. De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com sede em Londres, o Governo sírio respondeu à entrada dos jihadistas com dezenas de bombas-barris, que explodem com estilhaços e munições no interior. Até ao momento, diz o Observatório, já caíram 25 destas bombas no campo de Yarmouk. Por causa da escalada nos conflitos, os refugiados palestinianos estão praticamente isolados em casa, como explicou na segunda-feira Christopher Gunness, da UNRWA. “A situação em Yarmouk desceu aos mais baixos níveis da desumanidade”, disse ao New York Times.

A surpreendente chegada do EI aos arredores de Damasco obrigou Bashar al-Assad a fortificar as suas posições militares em torno da capital e deixou ao Governo sírio um novo cenário a equacionar: a possível aliança da Frente al-Nusra, aliados da Al-Qaeda, e dos jihadistas do autoproclamado Estado Islâmico. Os dois grupos islamistas sempre se opuseram desde o início do conflito sírio.

Os relatos que surgem do terreno avançam que os dois grupos têm combatido em conjunto contra os rebeldes em Yarmouk. O Governo sírio diz que foi a filial da Al-Qaeda quem facilitou a entrada do Estado Islâmico em Yarmouk, na tentativa de sabotar um eventual processo de cessar-fogo com algumas milícias armadas em troca do levantamento parcial do cerco ao campo. Mas a al-Nusra nega uma aliança com o EI e afirma que mantém a sua postura de "neutralidade" face aos confrontos no campo de refugiados palestinianos. Algo que as imagens publicadas pelo grupo armado nas redes sociais parecem desmentir, como avança o jornal The Guardian.

30.3.15

Síria. ONG pedem mais fundos para vítimas de guerra

in iOnline

A guerra na Síria já fez, pelas contas da ONU, 220 mil mortos e 11,5 milhões de deslocados e refugiados

Organizações humanitárias e de solidariedade de todo o mundo tentam esta segunda-feira fazer com que os países doadores que se reúnem na terça-feira na capital do Kuwait se comprometam a aumentar as suas contribuições e a torná-las efectivas.

As organizações internacionais denunciam que em 2014 não receberam 47% do financiamento prometido, embora esperem que a reunião que tem início na terça-feira na capital do Kuwait permita satisfazer, pelo menos parcialmente, as necessidades dos dois milhões de deslocados e refugiados afetados pelo conflito.

A cidade do Kuwait acolhe hoje as 38 organizações humanitárias internacionais presentes na região, as quais expõem os objetivos e os meios com que esperam contar para aliviar o sofrimento de milhões de refugiados e deslocados.

Na terça-feira serão os 67 países participantes que tornarão público o volume individual das contribuições que se comprometem a satisfazer, numa altura em que algumas das agências das Nações Unidas advertem que a falta de recursos obriga a reduzir significativamente as ajudas, económicas e materiais.

Pelo menos três milhões de sírios recebem ajudas alimentares e 200 mil tratamento médico, segundo dados divulgados em conferência de imprensa pelo ministro de Estado do Kuwait para Assuntos do Gabinete, Mohamed Abdula al Sabah.

Até uma centena de fundos, organizações de solidariedade e outras associações locais e nacionais participam na reunião convocada pela organização Caridade Islâmica Internacional, sediada no Kuwait, para estimular a generosidade dos doadores públicos e privados.

A ONU quantifica o número de mortos na guerra em 220 mil e o dos que precisam de assistência humanitária em 12,2 milhões de pessoas. Cerca de 7,6 milhões estão deslocados no interior do país e mais de 3,9 milhões refugiados nos países vizinhos e no Magrebe.

Lusa

22.4.14

Agência da ONU alerta para risco de fome extrema em campo de refugiados

in TSF

A UNRWA, que tentou entrar no campo de refugiados de Yarmouk, na Síria, na sexta-feira, explicou que cada distribuição de alimentos é suficiente para dez dias e que no domingo passarão dez dias sobre a última distribuição.

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos alertou, este sábado, para o risco de fome extrema no campo de refugiados de Yarmouk, na Síria.

Em comunicado, o porta-voz da UNRWA em Jerusalém explicou que no domingo passam dez dias sobre a última distribuição de alimentos, o que condena milhares de pessoas à fome extrema.

Chris Gunness explicou que as remessas dos mantimentos da ONU duram para dez dias e que a distribuição de alimentos feita neste campo afeta mais de 20 mil pessoas «que necessitam desesperadamente de ajuda».

«Dados que os mantimentos da UNRWA permitem que se coma durante dez dias, a partir de domingo não haverá comida no campo de refugiados», acrescentou.

Gunness acrescentou ainda que a violência em março fez com que a UNRWA só conseguisse aceder ao campo de refugiados dez dias entre 11 de março e 10 de abril e distribuiu 3390 rações de alimentos.

7.3.14

Síria: a guerra virou do avesso a vida destas crianças

Save the Children, in Público on-line (P3)

"Pode não estar a acontecer aqui mas na Síria o horror retratado neste vídeo é demasiado real". O vídeo publicado no dia 5 de Março pela organização Save the Children, que luta pelos direitos das crianças em 120 países, já conta com mais de quatro milhões de visualizações. Em pouco mais de um minuto, e num vídeo ao estilo um-segundo-por-dia, a vida de uma criança fica virada do avesso. "Poderia isto acontecer em Inglaterra? Isto é o que a guerra faz às crianças", resume a Save for Children, também responsável por um vídeo "First Day" em que a mensagem principal era "Para um milhão de recém-nascidos por ano, o seu primeiro dia é também o último". Desta vez, o alvo são os conflitos na Síria. "Três anos de guerra civil devastou a vida de uma geração de crianças. Custou a vida a mais de 11 mil crianças e transformou mais de um milhão em refugiadas. Sujeitou-as a traumas, bombardeamentos indiscriminados e até torturas". Recorde-se, a propósito uma outra inciativa recente com o mesmo fim solidário, a campanha viral "Darias o teu casaco a uma criança com frio?".