In "Diário de Notícias"
Medida está ainda em fase de análise e será "rendimento extra" para as pessoas em condições mais vulneráveis
A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, afirmou hoje em Fátima, distrito de Santarém, que o Governo espera incluir a prestação social única para a deficiência no Orçamento do Estado para 2017.
A prestação única para a deficiência está ainda em fase "de análise e de estudo de vários modelos", mas Ana Sofia Antunes tem a "expectativa" de que esta medida seja já incluída no Orçamento do Estado para 2017.
Apesar de já terem sido incluídas "um conjunto de iniciativas já neste orçamento", estas não são suficientes, sendo que a prestação social única para a deficiência poderá "reforçar um pouco os rendimentos das pessoas com deficiência", disse à agência Lusa a secretária de Estado.
De acordo com a governante, esta medida visa responder, "acima de tudo", às pessoas "com uma situação de maior debilidade, em razão do desemprego, discriminação e pobreza".
"É importante dar aqui um rendimento extra", sublinhou, recordando que "muitas pessoas com deficiência viviam exclusivamente da pensão social de invalidez, que tinha um valor exclusivo de 200 euros. 200 euros não tiram ninguém de uma situação de pobreza e muito menos permitem fazer face a despesas específicas que advêm somente da situação de deficiência".
A secretária de Estado falava à agência Lusa à margem da cerimónia de inauguração do centro de atividades ocupacionais (CAO) do Centro de Apoio a Deficientes Profundos João Paulo II, em Fátima, concelho de Ourém.
Ana Sofia Antunes realçou que o país já tem uma "resposta bastante completa" a nível de CAO - espaços destinados a pessoas com graus de funcionalidade "inferiores a 30%".
Para a governante, o problema que se enfrenta prende-se com "situações concretas de pessoas com deficiência encaminhadas para os CAO e que, provavelmente, não precisavam de estar neste tipo de resposta".
Nesse sentido, o Governo vai começar no 2.º semestre "uma reavaliação de situações que estão enquadradas em CAO e que poderão ser estimuladas para outro tipo de atividade", avançou.
Face à possibilidade de encaminhar alguns desses utentes para "candidaturas a atividades socialmente úteis" ou para o mercado de trabalho, através dos incentivos à contratação de pessoas com deficiência, será possível "flexibilizar algumas vagas" nos centros de ocupação para casos mais profundos "que eventualmente possam ainda estar sem resposta", notou.
O CAO do Centro de Apoio a Deficientes Profundos João Paulo II custou cerca de "650 mil euros", sendo "fundamental para algumas das pessoas com deficiência" que estão naquele espaço, sublinhou o presidente da União das Misericórdias de Portugal (UMP), Manuel de Lemos.
O centro de atividades ocupacionais conta com 60 vagas, num espaço com salas de relaxamento, ludoteca, fisioterapia, ginásio e outros espaços para terapia ocupacional.
Mostrar mensagens com a etiqueta Inclusão Pessoas com Deficiência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Inclusão Pessoas com Deficiência. Mostrar todas as mensagens
31.3.16
Governo vai criar balcões de atendimento específicos para deficientes
In "Renascença"
A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, que chefiou a delegação portuguesa, anunciou que "Portugal está fortemente empenhado em garantir a mais elevada protecção de todos os direitos humanos".
A criação de balcões de atendimento especializados em questões de deficiência, contratação de intérpretes de língua gestual no Serviço Nacional de Saúde ou medidas fiscais mais vantajosas são algumas das propostas que o Governo quer implementar nos próximos anos.
As medidas surgem na sequência da primeira avaliação de Portugal pelo Comité das Nações Unidas dos Direitos das Pessoas com Deficiência à implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
Portugal está sob avaliação e na terça-feira e hoje teve lugar, em Genebra, na Suíça, a primeira sessão de avaliação, já que esta é a primeira vez, desde a ratificação da convenção em 2009, que Portugal é submetido a este processo de monitorização.
A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, que chefiou a delegação portuguesa, anunciou que "Portugal está fortemente empenhado em garantir a mais elevada protecção de todos os direitos humanos".
Nesse sentido, sublinhou que é intenção do Governo lançar para os próximos anos uma série de medidas, sendo uma dessas medidas os Balcões da Inclusão, ou seja, postos de atendimento especializados em questões da deficiência que estarão disponíveis em todos os serviços da Segurança Social.
Por outro lado, pretende contratar intérpretes da língua gestual para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), bem como criar medidas fiscais mais vantajosas para as pessoas com deficiência, além do lançamento do sistema de apoio à vida independente.
De acordo com a secretária de Estado outra das prioridades "para os próximos meses" é a regulamentação do Código do Trabalho, com vista a uma promoção da justiça no trabalho para as pessoas com deficiência.
Ana Sofia Antunes frisou que a inclusão de quotas para pessoas com deficiência na administração pública está regulamentada por lei desde 2001, faltando, no entanto, que seja uma realidade.
Defendeu, nesta matéria, que a administração pública seja um exemplo para que o regime de quotas possa ser alargado ao sector privado.
De acordo com a governante, a protecção das pessoas com deficiência é uma preocupação central do sistema de segurança social, frisando que existem várias prestações pecuniárias com vista a proteger crianças, jovens e adultos com deficiência, quer de carácter contributivo, quer não contributivo, que são complementadas por uma rede de estabelecimentos e serviços com respostas sociais dirigidas especificamente a estas pessoas.
Ana Sofia Antunes reafirmou que é intenção do Governo lançar várias medidas "verdadeiramente promotoras de inclusão", mas que para esse objectivo ser concretizado é preciso conhecer a realidade das pessoas com deficiência, saber onde estão e "o que é necessário para melhorar a sua situação".
Revelou que o Governo está a preparar um Livro Branco que faça um retrato da situação actual e do qual irá resultar a Agenda Nacional para as Pessoas com Deficiência, medida a implementar durante a actual legislatura.
Apesar das várias medidas anunciadas, a secretária de Estado admitiu que é necessário melhorar o regime de protecção, adiantando que este está em fase de revisão e tem três objectivos essenciais: melhorar a protecção social, retirar as pessoas com deficiência da situação de pobreza e promover a empregabilidade.
A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, que chefiou a delegação portuguesa, anunciou que "Portugal está fortemente empenhado em garantir a mais elevada protecção de todos os direitos humanos".
A criação de balcões de atendimento especializados em questões de deficiência, contratação de intérpretes de língua gestual no Serviço Nacional de Saúde ou medidas fiscais mais vantajosas são algumas das propostas que o Governo quer implementar nos próximos anos.
As medidas surgem na sequência da primeira avaliação de Portugal pelo Comité das Nações Unidas dos Direitos das Pessoas com Deficiência à implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
Portugal está sob avaliação e na terça-feira e hoje teve lugar, em Genebra, na Suíça, a primeira sessão de avaliação, já que esta é a primeira vez, desde a ratificação da convenção em 2009, que Portugal é submetido a este processo de monitorização.
A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, que chefiou a delegação portuguesa, anunciou que "Portugal está fortemente empenhado em garantir a mais elevada protecção de todos os direitos humanos".
Nesse sentido, sublinhou que é intenção do Governo lançar para os próximos anos uma série de medidas, sendo uma dessas medidas os Balcões da Inclusão, ou seja, postos de atendimento especializados em questões da deficiência que estarão disponíveis em todos os serviços da Segurança Social.
Por outro lado, pretende contratar intérpretes da língua gestual para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), bem como criar medidas fiscais mais vantajosas para as pessoas com deficiência, além do lançamento do sistema de apoio à vida independente.
De acordo com a secretária de Estado outra das prioridades "para os próximos meses" é a regulamentação do Código do Trabalho, com vista a uma promoção da justiça no trabalho para as pessoas com deficiência.
Ana Sofia Antunes frisou que a inclusão de quotas para pessoas com deficiência na administração pública está regulamentada por lei desde 2001, faltando, no entanto, que seja uma realidade.
Defendeu, nesta matéria, que a administração pública seja um exemplo para que o regime de quotas possa ser alargado ao sector privado.
De acordo com a governante, a protecção das pessoas com deficiência é uma preocupação central do sistema de segurança social, frisando que existem várias prestações pecuniárias com vista a proteger crianças, jovens e adultos com deficiência, quer de carácter contributivo, quer não contributivo, que são complementadas por uma rede de estabelecimentos e serviços com respostas sociais dirigidas especificamente a estas pessoas.
Ana Sofia Antunes reafirmou que é intenção do Governo lançar várias medidas "verdadeiramente promotoras de inclusão", mas que para esse objectivo ser concretizado é preciso conhecer a realidade das pessoas com deficiência, saber onde estão e "o que é necessário para melhorar a sua situação".
Revelou que o Governo está a preparar um Livro Branco que faça um retrato da situação actual e do qual irá resultar a Agenda Nacional para as Pessoas com Deficiência, medida a implementar durante a actual legislatura.
Apesar das várias medidas anunciadas, a secretária de Estado admitiu que é necessário melhorar o regime de protecção, adiantando que este está em fase de revisão e tem três objectivos essenciais: melhorar a protecção social, retirar as pessoas com deficiência da situação de pobreza e promover a empregabilidade.
22.3.16
Mãos à Obra
In "Renascença"
Raquel Correia - Um exemplo de inserção para Pessoas com Deficiências e Incapacidades
Raquel Correia - Um exemplo de inserção para Pessoas com Deficiências e Incapacidades
18.3.16
Os objetivos de desenvolvimento sustentável e as pessoas com deficiência
In "Plural & Singular"
Os objetivos de desenvolvimento sustentável e as pessoas com deficiência th« Em Setembro de 2015, a cimeira das Nações Unidas fixou 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que vêm substituir os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, aprovados em 2000. Embora, segundo as Nações Unidas, tenha havido progressos com a aplicação dos ODM, sobretudo ao nível da redução da pobreza, esta organização reconhece que a situação está longe de ser satisfatória.
Entretanto, um estudo da ONG britânica Oxfam de 2015 revela que, pela primeira vez, a riqueza dos 1% mais ricos do planeta ultrapassou a riqueza dos 99% restantes. O relatório conclui que as 62 pessoas mais ricas do mundo detêm mais riqueza que 50% da restante população mundial. São dados sinistros, sobretudo porque demonstram que a tendência é para que se acentue cada vez mais o fosso entre ricos e pobres.
Por isso é fundamental que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável sejam assumidos como um desiderato por todos os governos, pela sociedade em geral e por cada um de nós, mas exigindo que a sua execução não seja suportada pelos mais pobres.
Segundo a ONU, os ODS vieram introduzir melhoramentos aos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio.
Um destes melhoramentos é a referência à situação das pessoas com deficiência, que os ODM ignoravam. São estes os objetivos que os países se propuseram alcançar até 2030: Objetivo 1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares Objetivo 2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável Objetivo 3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades Objetivo 4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos Objetivo 5. Alcançar a igualdade de género e empoderar Fonte: https://nacoesunidas.org/pos2015/ todas as mulheres e meninas.
Objetivo 6. Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos Objetivo 7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos Objetivo 8. Promover o crescimento económico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos Objetivo 9. Construir infraestruturas robustas, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação Objetivo 10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles Objetivo 11. Tornar as cidades e as comunidades inclusivas, seguras, resistentes e sustentáveis Objetivo 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis Objetivo 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e os seus impactos Objetivo 14. Conservar e usar sustentavelmente os oceanos, os mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável Objetivo 15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade Objetivo 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis Objetivo 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável As pessoas com deficiência são especialmente citadas na educação (objetivo 4), no emprego (objetivo 8), na redução das desigualdades (objetivo 10), na construção de cidades e comunidades sustentáveis (objetivo 11).
Os objetivos de desenvolvimento sustentável e as pessoas com deficiência th« Em Setembro de 2015, a cimeira das Nações Unidas fixou 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que vêm substituir os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, aprovados em 2000. Embora, segundo as Nações Unidas, tenha havido progressos com a aplicação dos ODM, sobretudo ao nível da redução da pobreza, esta organização reconhece que a situação está longe de ser satisfatória.
Entretanto, um estudo da ONG britânica Oxfam de 2015 revela que, pela primeira vez, a riqueza dos 1% mais ricos do planeta ultrapassou a riqueza dos 99% restantes. O relatório conclui que as 62 pessoas mais ricas do mundo detêm mais riqueza que 50% da restante população mundial. São dados sinistros, sobretudo porque demonstram que a tendência é para que se acentue cada vez mais o fosso entre ricos e pobres.
Por isso é fundamental que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável sejam assumidos como um desiderato por todos os governos, pela sociedade em geral e por cada um de nós, mas exigindo que a sua execução não seja suportada pelos mais pobres.
Segundo a ONU, os ODS vieram introduzir melhoramentos aos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio.
Um destes melhoramentos é a referência à situação das pessoas com deficiência, que os ODM ignoravam. São estes os objetivos que os países se propuseram alcançar até 2030: Objetivo 1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares Objetivo 2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável Objetivo 3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades Objetivo 4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos Objetivo 5. Alcançar a igualdade de género e empoderar Fonte: https://nacoesunidas.org/pos2015/ todas as mulheres e meninas.
Objetivo 6. Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos Objetivo 7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos Objetivo 8. Promover o crescimento económico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos Objetivo 9. Construir infraestruturas robustas, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação Objetivo 10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles Objetivo 11. Tornar as cidades e as comunidades inclusivas, seguras, resistentes e sustentáveis Objetivo 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis Objetivo 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e os seus impactos Objetivo 14. Conservar e usar sustentavelmente os oceanos, os mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável Objetivo 15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade Objetivo 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis Objetivo 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável As pessoas com deficiência são especialmente citadas na educação (objetivo 4), no emprego (objetivo 8), na redução das desigualdades (objetivo 10), na construção de cidades e comunidades sustentáveis (objetivo 11).
17.3.16
Câmara de Sintra apoia integração de jovens com necessidades especiais
In "Jornal de Sintra"
A Câmara Municipal de Sintra celebrou no dia 1 de Março, a assinatura do protocolo de colaboração entre o município de Sintra e a Associação de Pais em Rede, no valor de 55 mil euros, âmbito do Projeto Inclusão Socioprofissional das Pessoas com Deficiência a decorrer desde o ano passado.
Para o presidente da Câmara Municipal de Sintra, Basílio Horta, “apoiar este projeto é apoiar um instrumento essencial de apoio às pessoas que mais precisam”, salientando ainda que “este momento significa praticar a cidadania com o coração”.
A presidente da Associação Pais em Rede, Maria Luisa Beltrão Oliveira, evidenciou Câmara de Sintra apoia integração de jovens com necessidades especiais foto: cms Assinatura do protocolo da CMS com a Associação Pais em Rede “o apoio da Câmara a este ato de cidadania exemplar”, referindo que “ quando se trabalha em rede conseguem-se fazer mais coisas” e, neste caso, “estamos a trabalhar em conjunto para que estas pessoas sejam mais felizes e realizadas”, notou.
O projeto Sintra Inclui surgiu da vontade da autarquia de Sintra e da Associação “Pais em Rede” de contyruir uma resposta dirigida aos jovens e pessoas com deficiência no apoio à transição da vida pós escolar para a vida ativa, tendo sido celebrado o primeiro protocolo de colaboração no dia 3 de fevereiro de 2015.
Esta iniciativa destina-se a jovens com deficiência, incapacidades intelectuais ou em situação términus da escolaridade obrigatória, integrados em famílias cooperantes, e que revelem motivação para a autonomia.
A Pais em Rede é uma Instituição Particular de Solidariedade Social com o estatuto de “Organização Não Governamental para Pessoas com Deficiência” (ONGDP nacional), tendo como missão a promoção da inclusão social das pessoas com deficiência e suas famílias.
A Câmara Municipal de Sintra celebrou no dia 1 de Março, a assinatura do protocolo de colaboração entre o município de Sintra e a Associação de Pais em Rede, no valor de 55 mil euros, âmbito do Projeto Inclusão Socioprofissional das Pessoas com Deficiência a decorrer desde o ano passado.
Para o presidente da Câmara Municipal de Sintra, Basílio Horta, “apoiar este projeto é apoiar um instrumento essencial de apoio às pessoas que mais precisam”, salientando ainda que “este momento significa praticar a cidadania com o coração”.
A presidente da Associação Pais em Rede, Maria Luisa Beltrão Oliveira, evidenciou Câmara de Sintra apoia integração de jovens com necessidades especiais foto: cms Assinatura do protocolo da CMS com a Associação Pais em Rede “o apoio da Câmara a este ato de cidadania exemplar”, referindo que “ quando se trabalha em rede conseguem-se fazer mais coisas” e, neste caso, “estamos a trabalhar em conjunto para que estas pessoas sejam mais felizes e realizadas”, notou.
O projeto Sintra Inclui surgiu da vontade da autarquia de Sintra e da Associação “Pais em Rede” de contyruir uma resposta dirigida aos jovens e pessoas com deficiência no apoio à transição da vida pós escolar para a vida ativa, tendo sido celebrado o primeiro protocolo de colaboração no dia 3 de fevereiro de 2015.
Esta iniciativa destina-se a jovens com deficiência, incapacidades intelectuais ou em situação términus da escolaridade obrigatória, integrados em famílias cooperantes, e que revelem motivação para a autonomia.
A Pais em Rede é uma Instituição Particular de Solidariedade Social com o estatuto de “Organização Não Governamental para Pessoas com Deficiência” (ONGDP nacional), tendo como missão a promoção da inclusão social das pessoas com deficiência e suas famílias.
9.3.16
Governo cria ainda este semestre a prestação social única para a deficiência
In "TVI 24"
Secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, diz que a prestação visa combater a "pobreza e exclusão social"
A secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, disse esta quinta-feira que o Governo pretende criar durante o primeiro semestre do ano a prestação social única na área da deficiência.
"Estamos empenhadamente a trabalhar para a criação, ainda durante o primeiro semestre de 2016, de uma prestação social única na área da deficiência, que possa combater a pobreza e combater a exclusão social nesta área ", disse.
Ana Sofia Nunes falava na inauguração das novas instalações da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) da Covilhã, no distrito de Castelo Branco, um empreendimento que implicou um investimento global de 2,5 milhões de euros.
Durante a cerimónia, a secretária de Estado lembrou que, no que concerne a apoios e prestações sociais, a resposta às pessoas com deficiência "ficou para trás", pelo que assumiu o compromisso de trabalhar para resolver essa questão.
"Conseguimos criar apoios sociais em diversas áreas que combateram outras dificuldades e outros males da nossa sociedade, mas esta ficou por resolver. Portanto, por ela [criação da prestação social única], também trabalharemos", sublinhou.
Ana Sofia Antunes vincou ainda o trabalho que está a ser feito para que em termos de candidaturas comunitárias se possam dinamizar o mais possível "soluções que privilegiem a autonomização e a vida nas melhores condições de independência do cidadão com deficiência".
Entre os objetivos do Governo para esta área está também o da diminuição da taxa de desemprego que, no que às pessoas com deficiência diz respeito, é duas vezes e meia superior à média global do país.
"Daí que tenhamos como principal prioridade encontrar formas de abrir a comunidade empresarial, e também dando o exemplo por parte das entidades públicas, para que se possa acolher, o mais possível, pessoas com deficiência no seio do mercado de trabalho", referiu.
Nos casos em que a inclusão no mercado de trabalho não seja o mais viável, o Governo defende "soluções no sentido de que estas pessoas possam desenvolver atividades socialmente úteis e em que lhe possam dar alguma compensação monetária", apontou, referindo ainda a educação como outra das linhas estratégicas a seguir.
Secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, diz que a prestação visa combater a "pobreza e exclusão social"
A secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, disse esta quinta-feira que o Governo pretende criar durante o primeiro semestre do ano a prestação social única na área da deficiência.
"Estamos empenhadamente a trabalhar para a criação, ainda durante o primeiro semestre de 2016, de uma prestação social única na área da deficiência, que possa combater a pobreza e combater a exclusão social nesta área ", disse.
Ana Sofia Nunes falava na inauguração das novas instalações da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) da Covilhã, no distrito de Castelo Branco, um empreendimento que implicou um investimento global de 2,5 milhões de euros.
Durante a cerimónia, a secretária de Estado lembrou que, no que concerne a apoios e prestações sociais, a resposta às pessoas com deficiência "ficou para trás", pelo que assumiu o compromisso de trabalhar para resolver essa questão.
"Conseguimos criar apoios sociais em diversas áreas que combateram outras dificuldades e outros males da nossa sociedade, mas esta ficou por resolver. Portanto, por ela [criação da prestação social única], também trabalharemos", sublinhou.
Ana Sofia Antunes vincou ainda o trabalho que está a ser feito para que em termos de candidaturas comunitárias se possam dinamizar o mais possível "soluções que privilegiem a autonomização e a vida nas melhores condições de independência do cidadão com deficiência".
Entre os objetivos do Governo para esta área está também o da diminuição da taxa de desemprego que, no que às pessoas com deficiência diz respeito, é duas vezes e meia superior à média global do país.
"Daí que tenhamos como principal prioridade encontrar formas de abrir a comunidade empresarial, e também dando o exemplo por parte das entidades públicas, para que se possa acolher, o mais possível, pessoas com deficiência no seio do mercado de trabalho", referiu.
Nos casos em que a inclusão no mercado de trabalho não seja o mais viável, o Governo defende "soluções no sentido de que estas pessoas possam desenvolver atividades socialmente úteis e em que lhe possam dar alguma compensação monetária", apontou, referindo ainda a educação como outra das linhas estratégicas a seguir.
8.3.16
A vida não é uma cadeira de rodas
Catarina Carvalho, in "Notícias Magazine"
Marta Guimarães Canário ficou paraplégica aos 15 anos, mas nunca deixou que essa condição fosse o centro da sua vida.
Marta Guimarães Canário ficou paraplégica aos 15 anos, mas nunca deixou que essa condição fosse o centro da sua vida. Persegue a normalidade enfrentando com força os desafios. E agora lançou um livro para ajudar os outros. Chama-se Ser Feliz É Uma Escolha. E, no caso dela, foi mesmo.
A vida da Marta Guimarães Canário dava um filme. Isto seria um cliché não fosse esse filme não ser como 99 por cento dos leitores estão a imaginar: a superação da menina da cadeira de rodas. Não. Se a Marta fosse protagonista do filme… precisamente, ela seria a protagonista e não a sua cadeira. Ela viveu sempre tentando que o acidente que teve aos 15 anos, que a tornou paraplégica, não determinasse mais na sua vida do que já determinava no seu quotidiano.
Agora escreveu um livro a contar isso tudo. Como se irrita, por exemplo, que Marta se irrita quando os guiões das novelas debicam no tema: «Percebo o caminho dos guionistas, põem uma miúda de cadeira de rodas mas que vai ser forte. Para eles é fantástico, para mim não serve. Eu não quero que a questão da cadeira de rodas seja um tema da novela. Há uma executiva que se embrulha com dois amantes, dá para estar numa cadeira de rodas? Ou uma mãe de família. É sempre a menina bonita que fica de cadeira de rodas e até é aceite pelo namorado. E são felizes para sempre.» Marta faz um esgar de desprezo.
Desta vez Marta não disse a palavra – e as suas declinações – que pontua o seu discurso. «Normal.» A busca da normalidade numa situação excecional é o mote da sua vida e o que dá o tom ao livro que agora editou: Ser Feliz É Uma Escolha. Mais um cliché, não fora o facto de, neste caso, ser uma grande verdade. Aos 15 anos, miúda divertida, boa estudante, ficou intoxicada com monóxido de carbono que se libertou de um esquentador enquanto tomava banho para ir para a escola. Estava sozinha e foi depois encontrada inanimada pela irmã. Esteve em coma e quando acordou, já no Hospital de Santa Maria, descobriu que não sentia as pernas.
Nos primeiros tempos ninguém sabia se aquilo era para sempre ou ia passar. «Por isso nunca houve aquele momento whoaaa, nunca houve um momento de chorar.» O que lhe permitiu continuar a encarar as coisas com esperança. «Uma médica disse à minha mãe: “Eu acho que o monóxido de carbono lhe afetou o cérebro, ela está tão bem psicologicamente que tem de ter havido uma descompensação.” Eu não me lembro de parar e dizer: “Marta, estás de cadeira de rodas, vais ter de reagir, vais ter de escolher ser feliz com isto.” Foi uma aceitação gradual.»
Marta andou em médicos e tratamentos. Mas acabou por tomar aquela que foi a melhor decisão da sua vida, que terá marcado «inconscientemente» a escolha da felicidade: «Continuei a estudar.» Estava no segundo período, o acidente deu-se no início de março. «Os meus pais perguntaram-me se eu queria parar um ano para me dedicar à recuperação, porque era uma questão de recuperação, fase temporária. Eu disse que queria também continuar a minha vida. Fui percebendo que sentada conseguia ter uma vida normal. Namorava há dois meses, namorei mais sete anos. Estava no 10º ano, os professores passaram-me para o 11º porque tinha notas razoáveis. Fui para a faculdade. E tudo foi normal.» E regressa a palavra. A normalidade era um bocado extraordinária: morava na Av. Da Igreja, em Lisboa, no segundo andar de um prédio sem elevador. Andava no Liceu Rainha Dona Leonor. Mas a rotina instalou-se, como acontece sempre. «Os meus amigos habituaram-se a ir buscar a Marta a casa. A cadeira não entrava, ficava no hall. Vivi ali dez anos, que foram os mais normais do mundo, porque levar e trazer a Marta às cavalitas era como trazer um saco de compras. Chegava, estacionava com quem estivesse, punha as pernas para fora, abria as pernas e a pessoa sentava-se, cavalitas, pega no blusão, pega na mochila sobe, sobe, sobe, sobe, maple, despe-se. Era isto. Agora tudo isto me faz imensa confusão, como é que conseguimos gerir isto tudo? A minha vida não foi passada em casa, portanto andava sempre de um lado para o outro. Ia às discotecas… Na altura não nos fazia confusão nenhuma.»
Marta contou com a ajuda da irmã, que nem chega a ser dois anos mais velha, Patrícia, e da mãe, que ainda vive com ela. Uma família unida, de «mulheres guerreironas», como ela diz. Que deve ter pesado tanto nos genes como na forma como encarou tudo. Claro que apesar da normalidade, «ser independente sempre foi melhor». A família mudou-se para a Costa de Caparica, onde havia o mar e a praia – em que Marta era viciada – e também uma casa adaptada. «Mas foi tudo muito normal», repete ela.
E isto podia resumir tudo, até hoje. Marta entretanto tinha feito a Faculdade – Ciências da Comunicação, na Nova de Lisboa –, arranjado emprego na Novabase, nas relações com a imprensa, uma empresa que sempre a tratou com a normalidade que ela queria e a atenção de que precisava mudando, por exemplo, alguns pormenores dos edifícios onde se encontrava.
Mas algo aconteceu para pôr mais um obstáculo na vida desta mulher forte. Horas e horas passadas sentada acabaram por fazer pagar o seu preço: uma escara que se transformou em infeção, uma infeção que deu em septicemia, uma septicemia que a pôs em risco de vida. Aí sim, a estrutura de Marta vacilou. «Foi brutal. Conheci o meu limite. A septicemia fez-me conhecer-me a mim própria. Eu melhorava e piorava, quando melhorava ia para casa, quando piorava voltava. À quarta ou à quinta vez disse se é para eu ir, levem-me rápido. Não quero. Disse à minha mãe: estou farta disto, é o meu limite. Resposta da minha mãe: “Vai-te vestir e vamos para o hospital.” O primeiro internamento foram logo dois meses. A minha sobrinha Carlota tinha 1 ano e eu tinha uma ligação, como tenho hoje, muito grande com ela. Mesmo aquilo que te irrita, aquelas discussões de família, tudo isso me fazia falta. Estar esparramada no maple a ver televisão, a dormir para um lado e a minha mãe para o outro… E tudo isso me fazia imensa falta. Trabalhei no hospital no início, sempre agarrada ao computador e ao telemóvel. Mas queria a minha vida normal.»
No rescaldo dessa situação, e do ultrapassar dela, há mais ou menos dez anos, chegou o livro que Marta decidiu agora publicar. Um livro a meio caminho entre a biografia e a autoajuda. Porque não é apenas a história dos factos que interessa, mas a forma como ela lidou com eles, os superou. Um livro que vem na senda do Blogue da Canária que ela foi escrevendo e que começou a perceber que tinha impacto. «As pessoas achavam que era uma escrita muito simples, muito crua. Reviam-se em algumas situações. Até nas minhas histórias de infância. Senti que ajudava as pessoas. Incrível, não é? Eu, com todo o meu mau feitio, até ajudava algumas pessoas, até o meu mau feitio ajudava algumas pessoas. Comecei a tentar pôr tudo de uma forma mais estruturada. Eu sempre adorei escrever. Sempre escrevi em caderninhos. Sempre quis ser jornalista.»
O livro é pontuado por várias máximas como «Não tenhas medo nem sofras por antecipação» ou «Sente os cheiros e as texturas». Frases que indiciam uma dose de reflexão. «A ideia não foi minha», explica Marta. Foi uma sugestão da ghost writer que com ela escreveu o livro. «Mas foi muito fácil chegar às dicas. Habituei-me a pensar nestas coisas. O que é que me faz seguir em frente…» Desde sempre? «Toda a minha vida, a partir dos 15 anos. Habituei-me a pensar um bocadinho mais do que uma miúda normal.»
O livro apareceu por insistência de Inês Queiroz, da Editoria Matéria Prima, que foi colega de faculdade. Marta não queria, mas depois acedeu. «Passei por situações duras e aprendi imenso, cresci imenso, evolui. Hoje sou muito melhor do que há dez anos, como pessoa. E não temos o direito de adquirir tanto conhecimento e de não o partilhar. Não me serve de nada se for só para mim.»
E a exposição? «A exposição já não me irrita tanto como dantes. As pessoas olham para mim porque lidam mal com a diferença. » É apenas mais um obstáculo que tem de ultrapassar, como tantos, de que foi tomando consciência ao longo da vida. «Eu comecei a perceber que tinha de ter uma postura mais distante quando comecei a trabalhar. Não ia chegar à beira de um jornalista e dizer faz aí um cavalinho. Comecei a ganhar uma maturidade e com ela alguns filtros.»
A planear qualquer saída, até ao cinema. «Agora já não vou com o logo se vê, vamos levar a Marta ao colo a uma casa de banho. Não, não levam. Há coisas que com a idade vamos perdendo a vontade de fazer. Eu sempre planeei, sempre tive consciência de que a minha cadeira não entrava em qualquer lado. Quando é que eu não me preocupo? Se vou jantar com as minhas amigas, elas quando escolhem o restaurante já sabem que tem de ter acesso e casa de banho.» E isso é uma luta? «Há coisas em que não me meto, não faço manifestações não me vão apanhar a fazer uma manifestação. Respeito muito quem faça e quem se dedica à causa, mas eu prefiro fazer de outra maneira. Não deixo de sentir as coisas e chamar a atenção doutras formas. Os meus amigos dizem que o facto de eu ir mesmo quando há degraus, ir bem arranjada e bem-disposta já é um exemplo.»
A verdade é que os obstáculos são muitos. Das pedras da calçada à mentalidade de quem a olha. «Acho que as pessoas ainda têm um grande caminho a percorrer, há muito egoísmo, há pouca empatia com os outros», diz Marta, sem dramatizar. «A mobilidade reduzida é como eu digo no meu livro para sete biliões. Porque toda a gente passa por um episódio, nós não estamos nem aqui nem em nenhum pais do mundo que esteja preparado para isso. Há uns países mais evoluídos… mas era preciso deitar o mundo todo abaixo e construí-lo todo de raiz.» Mesmo que não seja esse o caso, Marta espera que o seu livro ajude, pelo menos, a mudar umas pedras de sítio.
Foi na rua, com os sem-abrigo com quem faz voluntariado, que Marta Guimarães Canário aprendeu mais uma lição de vida. «Eu era um bocadinho arrogante, não tinha empatia com as pessoas, não calçava os sapatos delas. Hoje tento pôr-me nos sapatinhos deles, estou mais disponível.» A primeira experiência foi há 15 anos, pontual. Há cerca de dois anos, através de um amigo, conheceu a associação Casa. «Um dia disse-lhe: levas-me, não sei como é que vou reagir, mas levas-me. E o que senti quando cheguei a casa depois daquele dia foi uma loucura.» Todas as semanas distribuem comida à noite, na Gare do Oriente. «Depois é normal acabarmos por ficar amigos deles, por sabermos os problemas deles, às vezes encaminhamo-los. Estou sempre a tentar brincar com eles. A minha presença acho que os acalma um pouco. E é giro porque eles respeitam.»
Marta Guimarães Canário ficou paraplégica aos 15 anos, mas nunca deixou que essa condição fosse o centro da sua vida.
Marta Guimarães Canário ficou paraplégica aos 15 anos, mas nunca deixou que essa condição fosse o centro da sua vida. Persegue a normalidade enfrentando com força os desafios. E agora lançou um livro para ajudar os outros. Chama-se Ser Feliz É Uma Escolha. E, no caso dela, foi mesmo.
A vida da Marta Guimarães Canário dava um filme. Isto seria um cliché não fosse esse filme não ser como 99 por cento dos leitores estão a imaginar: a superação da menina da cadeira de rodas. Não. Se a Marta fosse protagonista do filme… precisamente, ela seria a protagonista e não a sua cadeira. Ela viveu sempre tentando que o acidente que teve aos 15 anos, que a tornou paraplégica, não determinasse mais na sua vida do que já determinava no seu quotidiano.
Agora escreveu um livro a contar isso tudo. Como se irrita, por exemplo, que Marta se irrita quando os guiões das novelas debicam no tema: «Percebo o caminho dos guionistas, põem uma miúda de cadeira de rodas mas que vai ser forte. Para eles é fantástico, para mim não serve. Eu não quero que a questão da cadeira de rodas seja um tema da novela. Há uma executiva que se embrulha com dois amantes, dá para estar numa cadeira de rodas? Ou uma mãe de família. É sempre a menina bonita que fica de cadeira de rodas e até é aceite pelo namorado. E são felizes para sempre.» Marta faz um esgar de desprezo.
Desta vez Marta não disse a palavra – e as suas declinações – que pontua o seu discurso. «Normal.» A busca da normalidade numa situação excecional é o mote da sua vida e o que dá o tom ao livro que agora editou: Ser Feliz É Uma Escolha. Mais um cliché, não fora o facto de, neste caso, ser uma grande verdade. Aos 15 anos, miúda divertida, boa estudante, ficou intoxicada com monóxido de carbono que se libertou de um esquentador enquanto tomava banho para ir para a escola. Estava sozinha e foi depois encontrada inanimada pela irmã. Esteve em coma e quando acordou, já no Hospital de Santa Maria, descobriu que não sentia as pernas.
Nos primeiros tempos ninguém sabia se aquilo era para sempre ou ia passar. «Por isso nunca houve aquele momento whoaaa, nunca houve um momento de chorar.» O que lhe permitiu continuar a encarar as coisas com esperança. «Uma médica disse à minha mãe: “Eu acho que o monóxido de carbono lhe afetou o cérebro, ela está tão bem psicologicamente que tem de ter havido uma descompensação.” Eu não me lembro de parar e dizer: “Marta, estás de cadeira de rodas, vais ter de reagir, vais ter de escolher ser feliz com isto.” Foi uma aceitação gradual.»
Marta andou em médicos e tratamentos. Mas acabou por tomar aquela que foi a melhor decisão da sua vida, que terá marcado «inconscientemente» a escolha da felicidade: «Continuei a estudar.» Estava no segundo período, o acidente deu-se no início de março. «Os meus pais perguntaram-me se eu queria parar um ano para me dedicar à recuperação, porque era uma questão de recuperação, fase temporária. Eu disse que queria também continuar a minha vida. Fui percebendo que sentada conseguia ter uma vida normal. Namorava há dois meses, namorei mais sete anos. Estava no 10º ano, os professores passaram-me para o 11º porque tinha notas razoáveis. Fui para a faculdade. E tudo foi normal.» E regressa a palavra. A normalidade era um bocado extraordinária: morava na Av. Da Igreja, em Lisboa, no segundo andar de um prédio sem elevador. Andava no Liceu Rainha Dona Leonor. Mas a rotina instalou-se, como acontece sempre. «Os meus amigos habituaram-se a ir buscar a Marta a casa. A cadeira não entrava, ficava no hall. Vivi ali dez anos, que foram os mais normais do mundo, porque levar e trazer a Marta às cavalitas era como trazer um saco de compras. Chegava, estacionava com quem estivesse, punha as pernas para fora, abria as pernas e a pessoa sentava-se, cavalitas, pega no blusão, pega na mochila sobe, sobe, sobe, sobe, maple, despe-se. Era isto. Agora tudo isto me faz imensa confusão, como é que conseguimos gerir isto tudo? A minha vida não foi passada em casa, portanto andava sempre de um lado para o outro. Ia às discotecas… Na altura não nos fazia confusão nenhuma.»
Marta contou com a ajuda da irmã, que nem chega a ser dois anos mais velha, Patrícia, e da mãe, que ainda vive com ela. Uma família unida, de «mulheres guerreironas», como ela diz. Que deve ter pesado tanto nos genes como na forma como encarou tudo. Claro que apesar da normalidade, «ser independente sempre foi melhor». A família mudou-se para a Costa de Caparica, onde havia o mar e a praia – em que Marta era viciada – e também uma casa adaptada. «Mas foi tudo muito normal», repete ela.
E isto podia resumir tudo, até hoje. Marta entretanto tinha feito a Faculdade – Ciências da Comunicação, na Nova de Lisboa –, arranjado emprego na Novabase, nas relações com a imprensa, uma empresa que sempre a tratou com a normalidade que ela queria e a atenção de que precisava mudando, por exemplo, alguns pormenores dos edifícios onde se encontrava.
Mas algo aconteceu para pôr mais um obstáculo na vida desta mulher forte. Horas e horas passadas sentada acabaram por fazer pagar o seu preço: uma escara que se transformou em infeção, uma infeção que deu em septicemia, uma septicemia que a pôs em risco de vida. Aí sim, a estrutura de Marta vacilou. «Foi brutal. Conheci o meu limite. A septicemia fez-me conhecer-me a mim própria. Eu melhorava e piorava, quando melhorava ia para casa, quando piorava voltava. À quarta ou à quinta vez disse se é para eu ir, levem-me rápido. Não quero. Disse à minha mãe: estou farta disto, é o meu limite. Resposta da minha mãe: “Vai-te vestir e vamos para o hospital.” O primeiro internamento foram logo dois meses. A minha sobrinha Carlota tinha 1 ano e eu tinha uma ligação, como tenho hoje, muito grande com ela. Mesmo aquilo que te irrita, aquelas discussões de família, tudo isso me fazia falta. Estar esparramada no maple a ver televisão, a dormir para um lado e a minha mãe para o outro… E tudo isso me fazia imensa falta. Trabalhei no hospital no início, sempre agarrada ao computador e ao telemóvel. Mas queria a minha vida normal.»
No rescaldo dessa situação, e do ultrapassar dela, há mais ou menos dez anos, chegou o livro que Marta decidiu agora publicar. Um livro a meio caminho entre a biografia e a autoajuda. Porque não é apenas a história dos factos que interessa, mas a forma como ela lidou com eles, os superou. Um livro que vem na senda do Blogue da Canária que ela foi escrevendo e que começou a perceber que tinha impacto. «As pessoas achavam que era uma escrita muito simples, muito crua. Reviam-se em algumas situações. Até nas minhas histórias de infância. Senti que ajudava as pessoas. Incrível, não é? Eu, com todo o meu mau feitio, até ajudava algumas pessoas, até o meu mau feitio ajudava algumas pessoas. Comecei a tentar pôr tudo de uma forma mais estruturada. Eu sempre adorei escrever. Sempre escrevi em caderninhos. Sempre quis ser jornalista.»
O livro é pontuado por várias máximas como «Não tenhas medo nem sofras por antecipação» ou «Sente os cheiros e as texturas». Frases que indiciam uma dose de reflexão. «A ideia não foi minha», explica Marta. Foi uma sugestão da ghost writer que com ela escreveu o livro. «Mas foi muito fácil chegar às dicas. Habituei-me a pensar nestas coisas. O que é que me faz seguir em frente…» Desde sempre? «Toda a minha vida, a partir dos 15 anos. Habituei-me a pensar um bocadinho mais do que uma miúda normal.»
O livro apareceu por insistência de Inês Queiroz, da Editoria Matéria Prima, que foi colega de faculdade. Marta não queria, mas depois acedeu. «Passei por situações duras e aprendi imenso, cresci imenso, evolui. Hoje sou muito melhor do que há dez anos, como pessoa. E não temos o direito de adquirir tanto conhecimento e de não o partilhar. Não me serve de nada se for só para mim.»
E a exposição? «A exposição já não me irrita tanto como dantes. As pessoas olham para mim porque lidam mal com a diferença. » É apenas mais um obstáculo que tem de ultrapassar, como tantos, de que foi tomando consciência ao longo da vida. «Eu comecei a perceber que tinha de ter uma postura mais distante quando comecei a trabalhar. Não ia chegar à beira de um jornalista e dizer faz aí um cavalinho. Comecei a ganhar uma maturidade e com ela alguns filtros.»
A planear qualquer saída, até ao cinema. «Agora já não vou com o logo se vê, vamos levar a Marta ao colo a uma casa de banho. Não, não levam. Há coisas que com a idade vamos perdendo a vontade de fazer. Eu sempre planeei, sempre tive consciência de que a minha cadeira não entrava em qualquer lado. Quando é que eu não me preocupo? Se vou jantar com as minhas amigas, elas quando escolhem o restaurante já sabem que tem de ter acesso e casa de banho.» E isso é uma luta? «Há coisas em que não me meto, não faço manifestações não me vão apanhar a fazer uma manifestação. Respeito muito quem faça e quem se dedica à causa, mas eu prefiro fazer de outra maneira. Não deixo de sentir as coisas e chamar a atenção doutras formas. Os meus amigos dizem que o facto de eu ir mesmo quando há degraus, ir bem arranjada e bem-disposta já é um exemplo.»
A verdade é que os obstáculos são muitos. Das pedras da calçada à mentalidade de quem a olha. «Acho que as pessoas ainda têm um grande caminho a percorrer, há muito egoísmo, há pouca empatia com os outros», diz Marta, sem dramatizar. «A mobilidade reduzida é como eu digo no meu livro para sete biliões. Porque toda a gente passa por um episódio, nós não estamos nem aqui nem em nenhum pais do mundo que esteja preparado para isso. Há uns países mais evoluídos… mas era preciso deitar o mundo todo abaixo e construí-lo todo de raiz.» Mesmo que não seja esse o caso, Marta espera que o seu livro ajude, pelo menos, a mudar umas pedras de sítio.
Foi na rua, com os sem-abrigo com quem faz voluntariado, que Marta Guimarães Canário aprendeu mais uma lição de vida. «Eu era um bocadinho arrogante, não tinha empatia com as pessoas, não calçava os sapatos delas. Hoje tento pôr-me nos sapatinhos deles, estou mais disponível.» A primeira experiência foi há 15 anos, pontual. Há cerca de dois anos, através de um amigo, conheceu a associação Casa. «Um dia disse-lhe: levas-me, não sei como é que vou reagir, mas levas-me. E o que senti quando cheguei a casa depois daquele dia foi uma loucura.» Todas as semanas distribuem comida à noite, na Gare do Oriente. «Depois é normal acabarmos por ficar amigos deles, por sabermos os problemas deles, às vezes encaminhamo-los. Estou sempre a tentar brincar com eles. A minha presença acho que os acalma um pouco. E é giro porque eles respeitam.»
8.1.16
Governo vai fiscalizar obras para pessoas com mobilidade reduzida
Maria Augusta Caaca, in "TSF"
Ainda há muito por fazer em termos de acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida no país. Mas a secretária de Estado da Inclusão das pessoas com deficiência considera que já passou o tempo da sensibilização. "Agora, é preciso fiscalização", diz Ana Sofia Antunes.
"Há muita coisa que poderia estar a ser bem feita e não está", garante a secretária de Estado. Ana Sofia Antunes considera que "há boa legislação, mas face a incumprimentos reiterados, é preciso avançar para uma parte menos simpática".
Ana Antunes sugere também que "é preciso dar mais formação aos técnicos das câmaras municipais sobre estas questões".
A secretária de Estado percorreu parte dos 5 quilómetros de passeios acessíveis construídos pela câmara municipal de S. Brás de Alportel e exortou os autarcas de todo o país a candidatarem-se ao programa Territórios Inclusivos, no âmbito do Quadro Comunitário de Apoio.
Vítor Guerreiro, autarca de S. Brás de Alportel, considerou que a obra inaugurada não se destina apenas a pessoas com mobilidade reduzida. "É mais agradável andar nestes passeios do que sobre a calçada portuguesa", garantiu.
Também a secretária de Estado defendeu que cada vez mais os municípios têm que pensar em fazer coexistir outras alternativas em simultâneo com a calçada tradicional.
Ainda há muito por fazer em termos de acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida no país. Mas a secretária de Estado da Inclusão das pessoas com deficiência considera que já passou o tempo da sensibilização. "Agora, é preciso fiscalização", diz Ana Sofia Antunes.
"Há muita coisa que poderia estar a ser bem feita e não está", garante a secretária de Estado. Ana Sofia Antunes considera que "há boa legislação, mas face a incumprimentos reiterados, é preciso avançar para uma parte menos simpática".
Ana Antunes sugere também que "é preciso dar mais formação aos técnicos das câmaras municipais sobre estas questões".
A secretária de Estado percorreu parte dos 5 quilómetros de passeios acessíveis construídos pela câmara municipal de S. Brás de Alportel e exortou os autarcas de todo o país a candidatarem-se ao programa Territórios Inclusivos, no âmbito do Quadro Comunitário de Apoio.
Vítor Guerreiro, autarca de S. Brás de Alportel, considerou que a obra inaugurada não se destina apenas a pessoas com mobilidade reduzida. "É mais agradável andar nestes passeios do que sobre a calçada portuguesa", garantiu.
Também a secretária de Estado defendeu que cada vez mais os municípios têm que pensar em fazer coexistir outras alternativas em simultâneo com a calçada tradicional.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

