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29.6.18

Atacar a obesidade infantil, da genética à prateleira do supermercado

Andrea Cunha Freitas, in Público on-line

Investigadores portugueses participam num estudo que envolve 31 organizações de 16 países europeus e que conta com um financiamento de dez milhões de euros. O objectivo é identificar as melhores estratégias de ataque à obesidade.

Desde o rótulo de um produto e do lugar que ocupa na prateleira do supermercado, ao ambiente em que vivemos, passado pela predisposição genética e por factores biológicos, tudo conta quando se avalia o actual fardo da obesidade na sociedade. Para estudar e atacar o problema de saúde pública, o projecto STOP (Science and Technology in childhood Obesisity Policy) vai apoiar-se nos dados recolhidos por diferentes projectos em vários países sobre as crianças e adolescentes europeus e, com a análise e consolidação desta informação, definir “políticas efectivas e sustentáveis para prevenir e gerir a obesidade infantil”. O Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) é um dos parceiros nesta missão que mereceu um financiamento de dez milhões de euros da União Europeia, através do programa Horizonte 2020.

O foco principal do STOP está nos “impactos cumulativos de exposições múltiplas em crianças vulneráveis e socialmente desfavorecidas e nas suas famílias, que devem ser um alvo prioritário para a luta contra a obesidade infantil na Europa para alcançar um ponto crítico e ter sucesso”, define o programa da acção europeia. E adianta: “O STOP identificará estágios críticos na infância (a partir de exposições pré-natais) nas quais as intervenções podem ser mais eficazes e eficientes”. Em declarações ao PÚBLICO, Henrique Barros, epidemiologista que coordena a equipa do ISPUP envolvida no projecto, explica que o complexo e completo diagnóstico deverá incluir factores genéticos, biológicos, comportamentais, influências sociais, culturais e até comerciais que contribuem para a epidemia da obesidade.

“Há três frentes principais de ataque”, esclarece o investigador. Os investigadores vão, por um lado, dedicar-se à “compreensão de aspectos de natureza biológica” onde será explorado o impacto da genética e da epigenética na predisposição para a obesidade e os efeitos da pressão do ambiente no nosso organismo. “Se o problema da obesidade fosse um problema genético, não subia em 20 anos, porque em 20 anos não muda a genética de ninguém”, argumenta Henrique Barros, acrescentando que o que se deve investigar é a exposição a substâncias conhecidas como disruptores endócrinos que podem “ligar ou desligar” a disponibilidade genética para engordar.

“O ginásio não serve para nada”
Por outro lado, uma outra frente de ataque dos investigadores encontra-se nos factores de natureza socioeconómica que podem ou não favorecer a prevalência de obesidade. Um dos pontos de partida, lembra Henrique Barros, será tentar perceber todas as razões que levam a que “nos países pobres, os ricos são gordos e os pobres são magros, e nos países ricos, os ricos são magros e os pobres são gordos”. Aqui, diz o epidemiologista, será interessante investigar “qual é a relação entre as condições de vida dos indivíduos e os ambientes potencialmente obesigénicos, ou seja, as circunstâncias que limitam ou condicionam a nossa actividade”. Importa o sítio onde vivemos, se é seguro ou não, importa estimular as pessoas a andar menos de carro e mais a pé, importa que mudem os hábitos do dia-a-dia optando, por exemplo, por subir as escadas em vez do elevador.

20.9.17

Mais de um quarto das crianças em Portugal tem excesso de peso

Raquel Martins, in Público on-line

Das 17698 crianças inquiridas pela Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil, 28,5% tinham peso a mais.

Mais de um quarto das crianças portuguesas em idade escolar têm excesso de peso e, entre estas, 12,7% são obesas. Estas são algumas das conclusões do inquérito levado a cabo pela Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) junto de 17698 crianças que frequentavam escolas nos 18 distritos do continente e dos Açores e da Madeira

O estudo sobre o estado nutricional e estilos de vida das crianças portuguesas decorreu ao longo do ano lectivo 2016/2017 e teve por base uma amostra de crianças entre os dois e os dez anos que participaram no projecto “Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável”. As crianças responderam a um primeiro inquérito no início do projecto e 12 semanas depois voltaram a ser ouvidas.

Na fase inicial do projecto, 28,5% das crianças tinham excesso de peso, das quais 12,7% eram consideradas obesas.

E se para a APCOI estes dados são reveladores, “os resultados regionais são ainda mais preocupantes”. As crianças dos Açores, refere a nota à imprensa, foram as que apresentaram a maior percentagem de excesso de peso (36,6%) em comparação com as restantes regiões, seguindo-se a Madeira com 36,4%. No Norte esta percentagem chegou a 31,4%, no Centro a 28,8%, em Lisboa e Vale do Tejo a 25,8% e no Alentejo e no Algarve a prevalência foi de 23,4%.

“De notar ainda que a região da Madeira registou a maior prevalência de crianças obesas com 18,4% e foi a única região a registar maior percentagem de alunos com obesidade comparativamente aos alunos com pré-obesidade”, refere a APCOI.
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Os investigadores voltaram a inquirir as crianças após o projecto e as conclusões são classificadas como “animadoras”. “Comparando os dados iniciais com os recolhidos após as 12 semanas de participação no projecto observou-se que a percentagem de crianças com obesidade reduziu de 12,7% para 11,3%”, refere a APCOI.

Todas as regiões verificaram uma redução da prevalência de obesidade com a participação no projecto, tendo a Madeira registado a maior descida.

O relatório final do inquérito realizado será divulgado nas próximas semanas, adianta a associação presidida por Mário Silva.

15.6.16

Crianças carenciadas vão ter acesso a consultas de nutrição

In "Jornal I"

O novo programa "NutriGames" vai ser hoje apresentado publicamente

A Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) apresenta hoje um novo programa de combate à obesidade infantil.

O "Nutrigames", desenvolvido em parceria com os ginásios Holmes Place, integra uma metodologia testada pela associação nos últimos dois anos em projetos piloto de acompanhamento personalizado de crianças, com o objetivo de controlar o aumento de peso e melhorar o estado nutricional de cada um.

Amadora, Aveiro, Braga, Cascais, Coimbra, Lisboa, Oeiras, Porto e Sintra são alguns dos locais em que o novo programa "NutriGames" vai estar disponível a partir deste mês.

Nos clubes Holmes Place de todo o país, as famílias podem inscrever as crianças neste programa e, se forem sócias da APCOI, têm um desconto de 20% na mensalidade, que inclui uma modalidade desportiva e consultas de nutrição de três em três meses.

Além disso, serão acompanhadas 100 crianças carenciadas por ano. Este grupo será selecionado pela associação através do projeto "Heróis da Fruta - Lanche Escolar Saudável" que abrange mais de 50 mil crianças de todas as regiões.

5.6.14

Portugal recebe 3,3 milhões para distribuir fruta nas escolas

in Jornal de Notícias

Portugal vai receber quase 3,3 milhões de euros de financiamento para o programa de distribuição de fruta e legumes nas escolas no próximo ano letivo.

Bruxelas financia o programa nacional de distribuição de fruta e legumes nas escolas a 85%, num valor de 3 284 967 euros.

No ano letivo 2012/2013, segundo Bruxelas, 8,6 milhões de crianças recebam frutas e legumes nas escolas dos Estados-membros participantes, mais 6% do que no ano letivo anterior.

O programa europeu - que envolve uma verba, por parte da Comissão Europeia, de 150 milhões de euros - tem como objetivo a promoção de hábitos alimentares saudáveis junto da população escolar, combatendo a obesidade infantil.