Mostrar mensagens com a etiqueta Presidência da União Europeia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Presidência da União Europeia. Mostrar todas as mensagens

2.7.21

Presidência eslovena arranca com críticas, Von der Leyen pouco sorriu, Timmermans não quis ficar na fotografia

Susana Frexes, em Liubliana (a jornalista viajou a convite da presidência eslovena), in Expresso

Eslovénia recebe de Portugal a presidência do Conselho da União Europeia. Nos próximos seis meses, o país promete ajudar a facilitar a retoma e a reforçar o Estado de Direito, mas é neste ponto que mais dúvidas levanta. O dia de inauguração não ficou isento de polémicas com vários avisos da Comissão para a liberdade de imprensa e a independência do sistema judicial

A conferência de imprensa arrancou com um longo atraso, num clima de tensão nada habitual para um arranque de presidência. E foi o sinal de que a reunião, momentos antes, entre a Comissão Europeia de Ursula von der Leyen e o primeiro-ministro da Eslovénia não tinha corrido bem. Perante uma sala cheia de jornalistas vindos de Bruxelas - na habitual viagem de imprensa de arranque da presidência -, Janez Janša tentava manter a pompa do momento e não poupava nos elogios ao trabalho do executivo comunitário na gestão da pandemia, mas Ursula von der Leyen mal esboçava um sorriso.

A razão do incómodo: "os assuntos difíceis" (segundo o próprio Janša) que tinham discutido antes - a pressão sobre a imprensa e também sobre o sistema judicial, com o impasse na nomeação dos dois procuradores-delegados eslovenos para Procuradoria Europeia. Mas foi uma fotografia que fez o mal-estar subir de tom.

No decorrer da reunião, quando se discutia o Estado de Direito, Janez Janša argumentou que era alvo de campanha política e para confirmar a tese mostrou aos restantes uma fotografia na qual dois juízes eslovenos surgiam ao lado de vários membros dos Socialistas Europeus, incluindo eurodeputados. Janša é da família do Partido Popular Europeu. A acusação não caiu bem no colégio de comissários - e não só naqueles que são socialistas -, foi considerada inapropriada e enfureceu o vice-presidente da Comissão Frans Timmermans. O holandês recusou-se a ficar na foto de família de arranque da presidência.

Numa nota enviada a vários jornalistas, incluindo ao Expresso, Timmermans justificou a decisão. "Simplesmente não pude estar no mesmo pódio com o primeiro-ministro depois do inaceitável ataque e difamação a dois juízes e dois eurodeputados do S&D. Pôs em causa a sua integridade porque estavam na mesma fotografia. A independência judicial e o respeito pelo papel dos eurodeputados eleitos são pedras angulares do Estado de Direito sem as quais a UE não pode funcionar."

No encontro à porta fechada, e ao que o Expresso apurou, Von der Leyen também terá sido dura ao deixar claro que não tinha ido a Liubliana para discutir aquela fotografia. Na conferência de imprensa foi mais subtil, mas não abdicou dos recados. A certa altura, no meio de uma resposta, afirmou que os juízes têm uma vida e "podem ser membros de partidos políticos, um facto em qualquer democracia". A afirmação pareceu deslocada de contexto até ser conhecido o episódio polémico da reunião da tarde.

O reforço do Estado de Direito está entre as prioridades da presidência eslovena e, segundo Janša, está também no centro da civilização europeia. O primeiro-ministro saiu em defesa do Estado de Direito para defender em seguida que em caso de disputa é nos tribunais que se resolve. Só que para o chefe do Governo esloveno há "problemas com a independência do poder judicial" no país.

Argumenta que as recomendações sobre Estado de Direito que foram feitas à Eslovénia quando aderiu à UE nunca foram inteiramente aplicadas nesta área, mas espera que "com a ajuda da Comissão" venham a sê-lo agora. E se Janša quer ajuda, Von der Leyen pareceu disposta a explicar-lhe por mais do que uma vez que uma "imprensa livre" e com espaço para a crítica é essencial em qualquer sociedade democrática.

Ao longo dos meses tem crescido a sombra da pressão e dos ataque que o Governo esloveno estará a exercer sobre jornalistas e meios de comunicação. Esta quinta-feira voltou a ser questionado sobre quando é que finalmente desbloqueia o financiamento da Agência de Notícias Eslovena, que está em risco de ter de fechar. "Precisamos de um documento para poder pagar-lhes", argumenta. "Felizmente encontrámos uma solução e este assunto vai desaparecer."

É também isso que espera von der Leyen, que diz ficar atenta "ao desbloqueio dos fundos" e às garantias de pluralismo.

A outra grande polémica que ensombra a presidência eslovena diz respeito à Procuradoria Europeia. O país continua sem nomear os dois procuradores-delegados que, a partir da Eslovénia, vão trabalhar para o novo organismo de investigação de fraudes com fundos europeus.

O governo vetou os dois nomes que estavam escolhidos e relançou todo o processo, o que tem merecido várias críticas da procuradora-geral europeia. Laura Kovesi acusa o executivo de Janša de "falta de cooperação sincera" e de pôr em risco o funcionamento da Procuradoria.

"É crucial para proteger o dinheiro dos contribuintes", diz von der Leyen. "É tempo de a Eslovénia nomear os procuradores-delegados, conto com o primeiro-ministro para apresentar nomes urgentemente." Ao lado de von der Leyen, Janša desdramatizou a polémica e lembra que, ao contrário da Suécia, a Eslovénia decidiu participar na Procuradoria Europeia. Argumenta ainda que o país que dirige é um Estado soberano e que há que respeitar a repetição dos processo de seleção de procuradores. Até "ao outono" deverá estar concluído.

Pela frente, o Governo esloveno tem também seis meses aos comandos da presidência rotativa do Conselho. É a oportunidade para brilhar na política externa e interna, mas é também um período em que mais olhos estarão postos no que diz e decide Liubliana.

Esta quinta-feira, a Comissão deu também luz verde ao plano de recuperação e resiliência esloveno, no valor de 2,5 mil milhões de euros. Mas no meio de tanta tensão e mal-estar não houve troca de sorrisos e elogios como tem vindo a acontecer noutras visitas da presidente às capitais.

26.4.21

Plano propõe metas de emprego, competências e proteção social até 2030

Por Notícias ao Minuto

As três metas propostas no plano baseiam-se nos 20 princípios do Pilar, proclamados pelos líderes europeus na Cimeira Social de Gotemburgo, em 17 de novembro de 2017, e estão em conformidade com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Aquele conjunto de princípios não vinculativos, divididos em três categorias -- igualdade de oportunidades e acesso ao mercado de trabalho, condições de trabalho equitativas e proteção social e inclusão social --, norteia as metas que visam orientar os esforços dos 27 Estados-membros da UE para "construir uma Europa social forte e alcançar um impacto sustentável".

Tendo em conta que a pandemia de covid-19 pôs termo a seis anos de progressos ao nível do emprego, a primeira meta estabelece que pelo menos 78% da população entre os 20 e os 64 anos esteja empregada até ao fim da década.

O plano de ação aponta para a redução para pelo menos metade das disparidades entre homens e mulheres no emprego, em comparação com 2019, o aumento da oferta formal de educação e acolhimento na primeira infância -- o que promoverá uma melhor conciliação entre a vida profissional e a vida privada e uma maior participação das mulheres no mercado de trabalho -- e a redução de 12,6% (2019) para 9% da taxa de jovens entre os 15 e os 29 anos que não trabalham, não estudam nem seguem qualquer formação.

As propostas visam ainda garantir a participação no mercado de trabalho de grupos sub-representados, como pessoas com deficiência, LGBTIQ ou de minorias étnicas, a fim de contribuir para um crescimento do emprego mais inclusivo.

A segunda meta, que pressupõe a participação anual em ações de formação por pelo menos 60% dos adultos, tenciona melhorar a empregabilidade, impulsionar a inovação, assegurar a justiça social e colmatar o défice de competências digitais.

Os objetivos da Comissão nessa matéria visam, por um lado, a contínua redução do abandono escolar precoce e o aumento da participação no ensino secundário superior e, por outro, que pelo menos 80% das pessoas entre os 16 e os 74 anos possuam competências digitais básicas.

A redução do número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social em, pelo menos, 15 milhões até 2030 é a terceira meta do plano de ação.

Apesar da diminuição da pobreza e da exclusão social na UE na última década, com os dados de 2019 a apontarem para cerca de 91 milhões de pessoas nessa situação, a meta da Estratégia Europa 2020 de uma redução de 20 milhões não foi atingida e, devido à pandemia de covid-19, prevê-se um agravamento da situação.

A meta para 2030 pretende que, dos 15 milhões de pessoas que devem ser tiradas de situação de pobreza ou exclusão social, pelo menos 5 milhões sejam crianças, o que permitirá o acesso a novas oportunidades e a quebra do ciclo intergeracional da pobreza, evitando que se tornem adultos em risco de pobreza ou exclusão social e produzindo efeitos sistémicos a longo prazo.

Nesse sentido, a Comissão já propôs uma estratégia da UE sobre os direitos da criança e uma Garantia Europeia para a Infância, para assegurar que as crianças em risco de pobreza e exclusão social tenham acesso efetivo a serviços essenciais, desde os cuidados de saúde à educação.

Em junho, a presidência portuguesa do Conselho da UE vai lançar uma plataforma europeia sobre pessoas em situação de sem-abrigo que, segundo a ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, tem como objetivo detetar os instrumentos a nível europeu que "permitam mobilizar recursos e encontrar soluções para as pessoas que estão em situação mais vulnerável".

Durante o segundo trimestre de 2021, também será lançada uma iniciativa de habitação a preços acessíveis, que conta com 100 projetos-piloto de renovação de zonas urbanas, e, em 2022, a Comissão irá propor uma recomendação do Conselho sobre o rendimento mínimo, a fim de apoiar e complementar eficazmente as políticas dos 27.

Quanto à definição de um salário mínimo europeu, sobre o qual o executivo comunitário apresentou uma proposta legislativa em outubro passado, as negociações ao nível do Conselho enfrentam dificuldades, apesar de a Comissão assegurar que não querer impor valores, mas antes indicadores para garantir uma qualidade de vida decente aos trabalhadores.

Atualmente, 21 Estados-membros têm um salário mínimo definido por lei, enquanto nos restantes seis - Áustria, Chipre, Dinamarca, Finlândia, Itália e Suécia -- tal só existe através de negociação coletiva.

São sobretudo estes seis países que se opõem ao conceito, estando também contra a proposta associações patronais, que argumentam que a diretiva pode vir a pôr em causa a viabilidade das empresas europeias, já fortemente afetadas pela crise da covid-19.

Para que a Comissão possa acompanhar os progressos de cada Estado-membro na aplicação destes direitos sociais, o plano de ação prevê ainda uma revisão do painel de indicadores sociais.

Com a agenda social no centro das suas prioridades, cabe agora à presidência portuguesa conduzir o debate e negociar um compromisso entre os 27 que permita 'fechar' um acordo sobre o plano de ação na cimeira social do Porto, nos dias 07 e 08 de maio.


14.4.21

CES pede discussão "rigorosa" sobre trabalhadores em risco de pobreza

in DN

O presidente do Conselho Económico e Social (CES) português, Francisco Assis, pediu esta terça-feira uma discussão "rigorosa" e "sem preconceitos" ideológicos sobre os trabalhadores em risco de pobreza, uma situação que vai "valorizar muito" nos próximos meses.

Intervindo numa sessão interparlamentar por videoconferência sobre a implementação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais e o reforço dos sistemas de saúde, Francisco Assis definiu a situação dos trabalhadores em risco de pobreza como uma questão na qual Portugal é "particularmente sensível".

Nesse sentido, o presidente do CES sublinhou a necessidade de "uma discussão rigorosa sobre o assunto, sem grandes preconceitos de ordem ideológica, com dimensão naturalmente programática, percebendo o que está em causa e procurando também algum consenso".

Esta situação, ainda que seja "por vezes esquecida", é também "das mais dramáticas, pelo menos num país como Portugal", e, por isso, Francisco Assis garante que o CES vai "valorizar muito" a questão no decorrer dos próximos meses.

QUASE 60% DOS POBRES COM MAIS DE 18 ANOS EM PORTUGAL TRABALHAM

"Porque nós falamos muito de precariedade, e falamos bem, falamos muito de pessoas que estão desempregadas, e falamos bem. São seríssimos problemas e sabemos que o desemprego é um dos problemas mais terríveis do ponto de vista psicológico e social. Mas há um problema também gravíssimo nalguns países europeus, que é o problema daquelas pessoas que estão a trabalhar, que têm emprego, que cumprem escrupulosamente as suas obrigações de trabalho e que têm rendimentos muitíssimo baixos", assinalou.

O presidente do CES evocou o estudo apresentado na segunda-feira pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que mostrou que "um terço dos pobres em Portugal são trabalhadores", sendo que a maioria dos trabalhadores nessa condição tem vínculos laborais sem termo.

O documento, intitulado "Pobreza em Portugal - Trajetos e Quotidianos", identificou "quatro perfis de pobreza em Portugal: os reformados (27,5%), os precários (26,6%), os desempregados (13%) e os trabalhadores (32,9%)".

Francisco Assis participou esta terça-feira numa conferência virtual sobre o impacto na saúde e os efeitos sociais da covid-19, organizada pela Assembleia da República, que contou com a participação da ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, e do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Sales, bem como dos comissários europeus da Saúde e Segurança Alimentar, Stella Kyriakides, e do Emprego e Direitos Sociais, Nicolas Schmit.

21.12.20

Presidência da União Europeia. ONG pede a Portugal medidas de integração de migrantes na Europa

in o Observador

A ONG vincou que o "respeito e promoção dos direitos humanos são imprescindíveis e a política de migrações da UE são o seu espelho". Portugal começa a presidência no dia 1 de janeiro do próximo ano.

O coletivo Humans Before Borders (HuBB) pediu esta sexta-feira medidas de integração de migrantes na União Europeia numa carta enviada ao ministro da Administração Interna português, a dias de Portugal assumir a presidência da UE, em 1 de janeiro.

No documento, enviado também à representação permanente de Portugal na UE e a que a Lusa teve acesso, a organização não-governamental (ONG) vincou que o “respeito e promoção dos direitos humanos são imprescindíveis e a política de migrações da UE são o seu espelho”, criticando a forma “impávida” como os 27 assistem a uma “crise humanitária” nas suas “fronteiras”.

A “substituição dos atuais campos de refugiados por estruturas dignas” e o “reforço de capacidade de ação e de recursos humanos do Gabinete Europeu de Apoio em matéria de Asilo” são algumas das medidas propostas na nota, enviada esta sexta-feira, quando se assinala o Dia Internacional dos Migrantes.

Criação de um mecanismo de monitorização europeu, autónomo e independente que investigue e reporte a violência nas fronteiras internas e externas e a recusa de operações de salvamento nos mares Egeu e Mediterrâneo – em particular, que os direitos fundamentais da Lei Marítima governada pelas várias convenções sejam respeitados, nomeadamente o princípio de não-repulsão – bem como os retornos ilegais de requerentes de asilo a países vizinhos – nomeadamente à Turquia, Líbia e Marrocos”, prossegue o documento.

A HuBB pede ainda a suspensão “o quanto antes” do financiamento e apoio “da chamada Guarda Costeira Líbia” e que seja garantida a assistência a náufragos por parte de Estados-membros da UE e missões no Mediterrâneo, sugerindo também “equipar a missão da Força Naval Europeia de Operação no Mediterrâneo IRINI com a missão de reforçar o embargo de armas à Líbia e o mandato para o resgate” de migrantes.

“Desenvolvimento da capacidade de monitorização e reporte sobre o discurso de ódio no contexto migratório da Agência de Direitos Fundamentais, redistribuição equitativa e proporcional de requerentes de asilo e refugiados pelos diferentes Estados membros, criação de uma força de trabalho que estude soluções nos diferentes países de origem dos requerentes de asilo”, são outras das sugestões.

A HuBB apelou ainda à cooperação dos Estados membros com diferentes ONG e coletivos que trabalham com requerentes de asilo, refugiados e migrantes e a “promoção da integração dos mesmos através do envolvimento no processo de decisão, de forma a garantir o melhor acesso à saúde, ensino e emprego”.

A presidência portuguesa da UE arranca no primeiro semestre de 2021, sucedendo à Alemanha e antecedendo a Eslovénia.

A presidência portuguesa da UE tem como prioridades a Europa Resiliente, capaz de resistir a crises não apenas economicamente como ao nível dos valores europeus, a Europa Social, com o modelo social como fator de crescimento económico, a Europa Verde, líder mundial no combate às alterações climáticas, a Europa Digital, pronta para enfrentar a transição tecnológica a nível económico e de proteção dos direitos dos cidadãos, e a Europa Global, assente na aposta no multilateralismo.