in Jornal de Notícias
Portugal mantém a 41.ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano de 2013, num total de 187 países, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas, divulgado esta quinta-feira.
O índice é calculado com base em três dimensões do desenvolvimento humano: uma vida longa e saudável, acesso ao conhecimento e um padrão de vida decente. Para isso, são tidos em conta fatores como a esperança média de vida, os anos de escolaridade de cada cidadão e o Produto Interno Bruto (PIB) per capita.
A Noruega lidera o "ranking", seguida da Austrália, Suécia, Holanda e Estados Unidos. Os últimos lugares são ocupados pelo Níger, Congo e República Centro-Africana.
Portugal, que partilha a posição com o Chile, mantém-se no grupo dos países com desenvolvimento humano muito elevado e tem uma pontuação de 0.822. A esperança média de vida é de 79,9 anos, a média de anos de escolaridade de 8,2, os anos de escolaridade esperados 16,3 e o PIB per capita de 24,130.
Apesar de manter a posição, os dados revelam um desaceleramento no crescimento. Nos anos 1980, o índice crescia a 0,97% ao ano, na década seguinte a 0,96 e, desde o início do século, abrandou para 0,41. Em 2009, o país estava no 34.º lugar.
São poucos os países europeus com pontuações inferiores a Portugal e, entre os intervencionados pelo FMI, é o que se qualifica pior (a Irlanda está em 11.º, a Espanha em 27.º e a Grécia em 29.º)
O país tem, no entanto, bons resultados em alguns dos indicadores, como em termos de igualdade de género, em que está em 21.º lugar.
O índice faz parte do relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado em Tóquio, que pede políticas mais fortes de proteção social, um regresso ao objetivo do pleno emprego e universalidade de serviços públicos básicos.
O relatório, com o titulo "Sustentar o Progresso Humano: reduzir as vulnerabilidades e aumentar a resiliência", defende que a vulnerabilidade persistente ameaça o desenvolvimento e que esse problema precisa de ser resolvido para que o crescimento seja equitativo e sustentável.
"As recentes medidas de austeridade aumentaram a pobreza em mais de metade dos países europeus, sendo os grupos mais em risco as crianças, os imigrantes, minorias étnicas e pessoas com deficiência", alerta o relatório, acrescentando: "É tempo de reavaliar a lógica das medidas de austeridade e focar os esforços em impulsionar os investimentos para crescimento a longo-prazo."
Dos países de expressão portuguesa, Cabo Verde desce duas posições, para 123.º, São Tomé e Príncipe desce para 142.º, Angola está em 149.º. No último grupo, encontra-se Moçambique, em 178.º, um lugar a frente da Guiné-Bissau, que mantém a sua posição.
A Guine Equatorial, que se tornou na quarta-feira membro de pleno direito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, desce três posições, para 144.º.
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24.2.14
CPLP pode valer 10% da riqueza mundial dentro de dez anos
Por Isabel Tavares, in iOnline
A entrada da Guiné Equatorial na organização está a gerar desconforto. Aqui, o Banco de Portugal ainda não aceitou a compra de 11% do Banif
A CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa poderá representar 10% da riqueza produzida no mundo dentro de dez ou quinze anos. É nisto que acredita o presidente da Confederação Empresarial da organização, Salimo Abdula.
"Fomos abençoados, temos recursos naturais de grande dimensão, temos mão-de-obra jovem e, se nos posicionarmos como deve ser, levando a tecnologia necessária para dar mais--valias às nossas riquezas naturais onde elas existem, podemos transformar a CPLP numa estrela a nível mundial, fazendo o nosso PIB passar de 4% para 10% do total mundial daqui a dez ou quinze anos", afirmou ontem o responsável em entrevista à Agência Lusa.
Salimo Abdula diz que a Confederação Empresarial se quer expandir além dos países da CPLP e apostar em mercados regionais. "A estratégia comercial da CE-CPLP é usar a comunidade para chegar a outras plataformas da lusofonia". Por isso, participou na primeira reunião dos empresários lusófonos, em Janeiro, em Goa, local que pode ser usado como hub para a Índia e para a Ásia, tal como Macau é usado como "plataforma de negócios com a China".
O objectivo é gerar economias de escala criando a marca CPLP, avança o responsável, reconhecendo que estes são "projectos a médio prazo, mas que só precisam do apoio da classe política para se tornarem realidade".
O presidente da CE-CPLP apelou aos governantes para terem "coragem política para ultrapassar os tabus que são as barreiras administrativas à livre circulação de bens e pessoas e que não fazem sentido" entre estes países. Para Abdula, "há pouco trabalho de sensibilização junto da classe política" e as reuniões entre governantes da CPLP não têm resultados práticos.
Desde que tomou posse como presidente da CE-CPLP, em Julho de 2013, Salimo Abdula tem-se preocupado em montar estruturas em diversos países da CPLP e em visitar estes mercados. "Já estive no Brasil, em Portugal e em Moçambique e o objectivo é passar a mensagem de que os empresários querem implementar as suas actividades e ultrapassar as barreiras aduaneiras" para crescer.
A directora-geral da CPLP, Georgina Mello, considera que há falta de comunicação entre os países que falam a mesma língua e defende a existência de mecanismos para suportar as intenções expressas pelos Estados. "A comunicação entre a procura de um país e a oferta do outro é fundamental, porque há necessidades gritantes nuns sítios e excedentes noutros", disse à Lusa.
"Temos um diamante na mão e ainda não o conseguimos lapidar, mas quando o fizermos vai ser brilhante e uma coisa belíssima", afirmou. O segredo para o sucesso, explica a directora- -geral da CPLP, é criar uma "comunidade paralela" àquela em que cada país está inserido regionalmente, seja Portugal na União Europeia, seja o Brasil no Mercosul.
Guiné Equatorial O Banco de Portugal ainda não se pronunciou sobre a entrada da Guiné Equatorial no capital do Banif, onde, por 133,5 milhões de euros, poderá adquirir cerca de 11%, uma situação que está a gerar desconforto nalguns meios.
O vice-presidente da associação portuguesa Transparência e Integridade, Paulo Morais, acredita que este investimento é "a jóia de entrada" do país na CPLP e lamenta a recomendação da adesão feita pelos ministros dos Negócios Estrangeiros na cimeira extraordinária realizada a semana passada em Maputo.
"Uma organização como a CPLP, que nasceu sem meios, (...) genuinamente juntando um antigo colonizador com países que foram ganhando a sua liberdade", venha a acolher "um regime ditatorial onde o desrespeito pelos direitos humanos é permanente e onde se cometem atrocidades". "Dá ideia que não é a Guiné Equatorial que adere à CPLP, é mais a CPLP que adere aos métodos da Guiné Equatorial e isso é lamentável", disse.
A entrada da Guiné Equatorial na organização está a gerar desconforto. Aqui, o Banco de Portugal ainda não aceitou a compra de 11% do Banif
A CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa poderá representar 10% da riqueza produzida no mundo dentro de dez ou quinze anos. É nisto que acredita o presidente da Confederação Empresarial da organização, Salimo Abdula.
"Fomos abençoados, temos recursos naturais de grande dimensão, temos mão-de-obra jovem e, se nos posicionarmos como deve ser, levando a tecnologia necessária para dar mais--valias às nossas riquezas naturais onde elas existem, podemos transformar a CPLP numa estrela a nível mundial, fazendo o nosso PIB passar de 4% para 10% do total mundial daqui a dez ou quinze anos", afirmou ontem o responsável em entrevista à Agência Lusa.
Salimo Abdula diz que a Confederação Empresarial se quer expandir além dos países da CPLP e apostar em mercados regionais. "A estratégia comercial da CE-CPLP é usar a comunidade para chegar a outras plataformas da lusofonia". Por isso, participou na primeira reunião dos empresários lusófonos, em Janeiro, em Goa, local que pode ser usado como hub para a Índia e para a Ásia, tal como Macau é usado como "plataforma de negócios com a China".
O objectivo é gerar economias de escala criando a marca CPLP, avança o responsável, reconhecendo que estes são "projectos a médio prazo, mas que só precisam do apoio da classe política para se tornarem realidade".
O presidente da CE-CPLP apelou aos governantes para terem "coragem política para ultrapassar os tabus que são as barreiras administrativas à livre circulação de bens e pessoas e que não fazem sentido" entre estes países. Para Abdula, "há pouco trabalho de sensibilização junto da classe política" e as reuniões entre governantes da CPLP não têm resultados práticos.
Desde que tomou posse como presidente da CE-CPLP, em Julho de 2013, Salimo Abdula tem-se preocupado em montar estruturas em diversos países da CPLP e em visitar estes mercados. "Já estive no Brasil, em Portugal e em Moçambique e o objectivo é passar a mensagem de que os empresários querem implementar as suas actividades e ultrapassar as barreiras aduaneiras" para crescer.
A directora-geral da CPLP, Georgina Mello, considera que há falta de comunicação entre os países que falam a mesma língua e defende a existência de mecanismos para suportar as intenções expressas pelos Estados. "A comunicação entre a procura de um país e a oferta do outro é fundamental, porque há necessidades gritantes nuns sítios e excedentes noutros", disse à Lusa.
"Temos um diamante na mão e ainda não o conseguimos lapidar, mas quando o fizermos vai ser brilhante e uma coisa belíssima", afirmou. O segredo para o sucesso, explica a directora- -geral da CPLP, é criar uma "comunidade paralela" àquela em que cada país está inserido regionalmente, seja Portugal na União Europeia, seja o Brasil no Mercosul.
Guiné Equatorial O Banco de Portugal ainda não se pronunciou sobre a entrada da Guiné Equatorial no capital do Banif, onde, por 133,5 milhões de euros, poderá adquirir cerca de 11%, uma situação que está a gerar desconforto nalguns meios.
O vice-presidente da associação portuguesa Transparência e Integridade, Paulo Morais, acredita que este investimento é "a jóia de entrada" do país na CPLP e lamenta a recomendação da adesão feita pelos ministros dos Negócios Estrangeiros na cimeira extraordinária realizada a semana passada em Maputo.
"Uma organização como a CPLP, que nasceu sem meios, (...) genuinamente juntando um antigo colonizador com países que foram ganhando a sua liberdade", venha a acolher "um regime ditatorial onde o desrespeito pelos direitos humanos é permanente e onde se cometem atrocidades". "Dá ideia que não é a Guiné Equatorial que adere à CPLP, é mais a CPLP que adere aos métodos da Guiné Equatorial e isso é lamentável", disse.
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