Victor Ferreira, in Público online
Andrés Rodríguez-Pose, líder da comissão que prepara o futuro dos fundos de coesão, vê o país preso na “armadilha do desenvolvimento” e nas suas opções de ter posto os ovos todos no mesmo cesto.
Andrés Rodríguez-Pose é um geógrafo com diplomas também em Direito, em Ciência Social e Política, mas toda a gente pensa que ele é um economista. “Sou um cientista social e um geógrafo económico”, resume, a partir de Madrid, numa entrevista que se fez por vídeo, nas vésperas de uma passagem por Lisboa, para falar de convergência regional e políticas de coesão. Professor na London School of Economics, onde dá aulas de Geografia Económica, é uma referência mundial na sua área e tem quase duas dezenas de livros publicados enquanto autor ou co-autor. Doutorou-se em Madrid e em Florença, e chefia a comissão encarregada de repensar precisamente a política de coesão pós-2027.
Teorias dominantes nos últimos 30 anos recomendam que se invista nas grandes cidades e nas mais densas. Mas tal como sucedeu noutros casos europeus, essa aposta em Portugal não deu devidos frutos porque Lisboa e a sua envolvente, enquanto maior aglomeração, “não tem funcionado como motor”. Mesmo que funcionasse, não era garantido que isso ajudasse o resto do país porque o spillover (que em teoria difunde os resultados por outras regiões) é “uma ilusão”. Apesar das provas empíricas, continua-se a concentrar o investimento em grandes cidades. O que conduz a Europa a uma crescente polarização, com mais “lugares que não importam” a tornarem-se regiões que são terreno fértil para o populismo.
O que distingue as regiões bem-sucedidas das que falham?
Não há uma receita. Regiões com sucesso no passado podem falhar no futuro e depois voltarem a ter sucesso. A questão importante é outra: o que se faz para que uma região seja bem-sucedida na maior parte do tempo? Ter sucesso não significa necessariamente crescer muito. É antes ter um crescimento sustentável, que permita resistir a choques e, além disso, que não prejudique o bem-estar das gerações futuras.
Se não há uma varinha mágica…
É uma combinação de inúmeras coisas. As teorias tradicionais dizem-nos que é fundamental ter a infra-estrutura e acessibilidade certas, infra-estrutura física e conectividade. Chega? Não. É claramente insuficiente. Além disso, precisamos muitas vezes de bom capital humano e capacidade de inovação, por um lado, o tipo certo de formação, tanto básico, prático e de investigação, mas também empresas que se adaptam e inovem. E precisamos do tipo certo de instituições, de normas e regras que funcionem e que permitam que a economia funcione.
Como é que esses quatro factores se combinam?
Os territórios mais bem-sucedidos são aqueles que combinam a quantidade certa de cada um desses factores. Quando há uma infra-estrutura muito forte, mas todos os restantes factores são fracos, a região não cresce. Se só houver capital humano forte, ele vai-se embora. Importa obter um equilíbrio dentro do território porque todo o investimento depende disso, do ecossistema certo.
Vou citar um relatório de 2018: “A coesão interna de Portugal tem sido divergente e os estrangulamentos estruturais dificultaram a resposta em situações de crise.” Diz-se que Portugal caiu na armadilha do rendimento médio — o que fizeram outras regiões e países para sair dela?
É preciso ter cuidado. O tema é a armadilha do desenvolvimento, que não é necessariamente a armadilha do rendimento médio. Como definimos a primeira: é quando uma região é incapaz de manter o seu dinamismo económico passado, em termos de PIB per capita, produtividade e emprego, e é incapaz de acompanhar o ritmo dos seus pares tanto no país como, no caso europeu, com o resto da União Europeia.
Tem havido, em muitos lugares, uma tendência para tentar reinventar a roda, tentar ser apenas um novo Silicon Valley. Na maioria das vezes, isso não funciona. Andrés Rodríguez-Pose
Portugal tem estado relativamente estagnado nas últimas duas décadas, tal como a maioria das economias do Sul. O que é interessante é ver que, especialmente desde a crise, o nível de estagnação em Portugal tem-se concentrado fundamentalmente em Lisboa e na sua envolvente, que deveria ser considerada o principal motor do país. A realidade mostra que essa região tem estado mais presa nessa armadilha do que outras zonas do país.
Como é que outros resolveram o problema?
Isso é o que estamos a estudar de momento. De novo, é uma combinação de muitos factores. Por um lado, é preciso ter as condições estruturais certas. Foi o que referi antes. Ter as instituições certas, o capital humano certo, a infra-estrutura certa e a capacidade para inovar em empresas que sejam competitivas. Parece que Portugal, como por exemplo Espanha no passado, colocou toda a ênfase nas infra-estruturas, usando os fundos estruturais, enquanto outros pilares foram um pouco negligenciados.
Isso foi depois corrigido, mas as soluções não dão resultado da noite para o dia. A segunda parte da resposta é mais sobre os sectores. Quais são os que nos tornam competitivos? Tem havido, em muitos lugares, uma tendência para tentar reinventar a roda, tentar ser apenas um novo Silicon Valley. Na maioria das vezes, isso não funciona. É preciso construir uma nova realidade a partir da base que existe. Houve áreas em que Portugal se saiu bem, outras em que nem por isso. Mas é preciso garantir que se investe nos sectores existentes, não apenas para ficar no mesmo nível, mas para aumentar a complexidade e atingir um novo patamar tecnológico, que leve a uma reinvenção. Começa-se com o que se tem, tendo em vista tornarmo-nos em algo diferente, e isso é, mais ou menos, o que as regiões mais bem-sucedidas da Europa fizeram. Usaram uma combinação de bons factores estruturais com políticas sólidas, investiram sabiamente para reinventar a partir do que havia para gerar ecossistemas sólidos de inovação e crescimento.
Lisboa pode ser pequena, mas isso não é problema para o crescimento em Munique. Lisboa é do tamanho de Munique, talvez até um pouco maior. Lisboa é do tamanho de Zurique, e estas são cidades mais dinâmicas. Lisboa é do tamanho de Copenhaga que é muito mais dinâmica e resiliente. Andrés Rodríguez-Pose
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Diz-se que Portugal tem empresas que são “campeões desconhecidos” em sectores tradicionais e outros. Mas ao mesmo tempo há este discurso sobre reinventar Portugal como o Silicon Valley europeu ou a Florida europeia.
Vamos ser cautelosos. Certamente há campeões ocultos em Portugal, mas Portugal não é um líder. A Alemanha sim, é. Ou a Dinamarca. É lá que encontramos os verdadeiros campeões ocultos, que são na definição tradicional de Hermann Simon de empresas líderes nas suas áreas, não necessariamente as maiores, mas de pequena ou média dimensão. Temos visto Portugal a investir, em anos recentes, na investigação. E o país saiu do nada, em termos de publicações, para um portefólio decente de investigadores a fazerem muito bom trabalho. Para se ter uma ideia, Portugal veio do percentil 50 em termos mundiais, no que diz respeito a publicações, para o primeiro decil do mundo, em proporção do seu PIB. Mas um dos principais problemas destes investigadores é que, apesar disso, não conseguiram encontrar interlocutores na economia local.
Portanto, temos de ser cautelosos. Nenhum país do Sul da Europa pode dizer que está na direcção certa, com campeões ocultos. Na verdade, temos economias frágeis e é por isso que estamos nesta situação. Tem, no entanto, razão na sua pergunta. O que tem sido o discurso público? Que vamos mudar toda a economia. Isso é dito por causa de ciclos políticos de curto prazo, muitas vezes impulsionados pela opinião pública de curto prazo. Diz-se que o que temos é chato e queremos tornar-nos uma das economias líderes. Isso não acontece da noite para o dia. Quer dizer, são poucos os que conseguiram. A Coreia do Sul conseguiu. No caso da Europa, a Irlanda fê-lo, mas começou a estabelecer as bases para o que é agora na década de 1950, com políticas que, se perguntassem à maioria dos irlandeses na década de 1980, eles diriam que falharam porque investiram de mais em capital humano, em infra-estrutura e em atrair certos sectores.
No entanto, quando tudo isso se juntou, num determinado momento, todos esses factores tornaram a economia irlandesa não só a mais dinâmica da Europa, mas também uma das mais resilientes, aquela que recuperou melhor, com a Polónia, da crise financeira de 2008.
Como está o mapa da coesão na Europa? Há convergência dos atrasados?
É um mapa bastante complexo neste momento. Temos países a convergir e isso inclui a maioria dos países da Europa central e oriental. Do Báltico à Polónia, que tem sido a estrela na região, para lugares como Roménia e Eslováquia, que se saíram relativamente bem e convergiram significativamente, reduzindo a diferença para a média europeia.
Mas também temos muitas partes da Europa que estão estagnadas e isso inclui a maioria dos países do Sul, de Portugal a Espanha, que, aliás, não se saíram particularmente mal nessa perspectiva, e países como a Itália e Grécia, que tiveram o pior desempenho, especialmente a Grécia, em termos gerais. O que notamos em muitas partes da Europa foi a polarização interna, a concentração da actividade económica nas maiores cidades, muitas vezes com muito menos dinamismo noutras áreas do país. Não tem sido o caso de Portugal, sobretudo desde a crise. Foi-o na década de 1990 e na maior parte dos anos 2000 e da década de 2010. Mas não tem sido assim depois da crise e ficou na armadilha do desenvolvimento.
No geral, ficar preso na armadilha de desenvolvimento é provavelmente um indicador muito melhor sobre a ascensão do populismo do que outros factores destacados no passado, como baixos níveis de educação Andrés Rodríguez-Pose
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Se olharmos para toda a Europa nas últimas duas décadas, a maior parte do crescimento concentrou-se na Irlanda, no Leste. Há um crescimento moderado, muito moderado em lugares como a Península Ibérica ou os países nórdicos ou mesmo na Alemanha e nenhum crescimento na maior parte da Grécia, na maior parte da Itália e em muitas partes do Norte, Nordeste, Leste e Sudeste da França. Não são necessariamente as regiões mais pobres da Europa. Basta ver que, nos últimos 20 anos, não houve crescimento algum na maior parte de Itália.
Porquê este retrato? A política seguida não corrige a desigualdade e a polarização da riqueza em Portugal e na Europa?
Depende de que políticas estamos a falar. O impacto da política de coesão tem melhorado ao longo do tempo, de acordo com a maioria das análises. Regiões que recebem mais financiamento tendem a sair-se melhor se as políticas forem adequadas. A política aprendeu com os erros e melhorou a forma como intervém. No entanto, a política de coesão é muito limitada. Representa um terço do orçamento da União Europeia (UE) e este é apenas 1% do PIB da UE. A maior parte do desenvolvimento vem de políticas que são fundamentalmente nacionais, que englobam as políticas de educação, de infra-estrutura, de inovação, de promoção do empreendedorismo. Esses são os factores-chave. E, claro, as políticas das instituições. Assim, a pergunta é quais são as barreiras que impedem muitas regiões de atingirem o seu potencial? Bem, depende da combinação de políticas. Quando as instituições são relativamente fracas, como por exemplo no Sul de Itália, Grécia, Bulgária ou Croácia, isso é uma barreira muito importante. Outro factor são os níveis de formação e educação e competências.
A qualidade institucional em Portugal não é assim tão má, fica um pouco abaixo da média em geral, dependendo das regiões, mas está mais ou menos ao mesmo nível do que encontramos em Espanha. Mas a situação em Portugal e Espanha é muito semelhante, tornaram-se líderes mundiais em infra-estruturas de transporte, fundamentalmente por causa do apoio da política de coesão, mas durante muito tempo continuaram a ser dois países com o maior nível de abandono escolar no ensino secundário, em toda a Europa. Assim é muito difícil, quando se perde um terço do talento que nem acaba o secundário. É um problema sério, porque tivemos estratégias de desenvolvimento desequilibradas, com ênfase num pilar ou dois. O desenvolvimento é como uma mesa. Se só tens uma perna ou duas, é provável que não se aguente.
Quais são as pernas que fraquejam?
Não estudei o caso de Portugal. É preciso um tampo sólido e quatro pernas fortes. E essas pernas podem ser construídas com o que existe. Podemos apostar no talento e nas empresas ou nos empreendedores, e na infra-estrutura, seja de transporte, de comunicação, e na infra-estrutura básica, que não é mais um problema na maior parte da Europa.
Também se pode apostar noutra perna, que é o que as regiões não têm. Nuns casos será investimentos, noutros será talentos. São estas quatro pernas que importam, é preciso fazer um diagnóstico e perceber quais são as mais fracas e fortalecê-las. Se temos de melhorar as quatro, vamos crescer devagar, mas temos de garantir que todas são reforçadas ao mesmo tempo. O problema é que isso é um processo de desenvolvimento relativamente lento e parte da sociedade, dos decisores, acabarão por exigir crescimento mais rápido. O que se faz? Aposta-se então numa ou duas pernas da mesa. Que normalmente são as do investimento estrangeiro e construção de infra-estruturas. Se essas eram as pernas mais fracas no início, tudo bem. Caso contrário, acaba-se por concentrar o crescimento em certas partes do país ou acaba-se numa situação em que a economia se torna dependente de subsídios constantes, para atrair investimento directo estrangeiro ou talento.
Porque é que o efeito dos fundos de coesão se desvanece depois de um surto inicial de convergência? Será porque os governos substituem investimento nacional regular por esses fundos?
Os efeitos não diminuem necessariamente. Isso acontece quando a política é inadequada. Se construirmos muita infra-estrutura, o crescimento vem da construção. Claro que se constrói infra-estrutura não para que se cresça enquanto se constrói, mas porque se espera que ela facilite o acesso de produtos e empresas ao mercado. Mas, para produzir esses produtos, é preciso o talento certo, as empresas certas e inovadoras. Se não cuidarmos disso e tudo isso for fraco, então vai haver essa desaceleração de que fala na sua pergunta.
A ideia que tem sido vendida nas últimas três décadas, tal como em Portugal, é a de que descentralizar resolve constrangimentos e permite melhores políticas. Na realidade, não é assim. Andrés Rodríguez-Pose
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Se, além disso, adicionarmos problemas institucionais significativos, como temos em certas partes da Europa, então, as instituições tornam-se uma das principais barreiras. Se os apoios à inovação e à indústria se decidem com base no clientelismo, quando os mesmos grupos obtêm mais financiamento o tempo todo e não se aposta no mérito, cresce-se menos e isso é um problema institucional que parte da Europa ainda tem. São problemas de eficiência do governo, de transparência e prestação de contas. No caso de Portugal ou Espanha, não são problemas tão graves. A corrupção é infelizmente muito prevalente noutras partes da Europa. Principalmente para o leste e sudeste.
Fala-se da descentralização como remédio. Os dados empíricos apoiam essa ideia?
Essa é uma das minhas principais áreas de pesquisa. A descentralização, como ferramenta, é neutra. Assume-se que, ao transferir poderes e recursos para outros níveis de governo, se vai ter melhores serviços. Principalmente quando há uma heterogeneidade. Em Trás-os-Montes podem dizer que querem mais saúde, no Alentejo podem querer mais educação. Mas a primeira questão é se as pessoas em diferentes partes querem mesmo coisas diferentes? Todos nós queremos uma boa educação, saúde, segurança. Ou uma boa infra-estrutura. Queremos tudo.
A ideia que tem sido vendida nas últimas três décadas, tal como em Portugal, é a de que descentralizar resolve constrangimentos e permite melhores políticas. Na realidade, não é assim. Na maioria dos casos, a descentralização foi um desastre absoluto em termos económicos, sobretudo em países em desenvolvimento. Em países mais desenvolvidos como Portugal, as provas dizem-nos que o impacto foi neutro ou negativo.
Para evitar problemas, os governos centrais transferem poder, mas não transferem os recursos correspondentes. E mesmo quando transfere recursos, muitas vezes são transferências condicionais, o que significa que não há verdadeira autonomia. Andrés Rodríguez-Pose
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Porquê? Porque essa descentralização é má?
Não. Pode ser uma ferramenta muito boa, mas o principal problema é a forma como ela é conduzida. A maioria dos países descentraliza em períodos de crise económica ou crise política. E é dirigida de cima para baixo. Para evitar problemas, os governos centrais transferem poder, mas não transferem os recursos correspondentes. E mesmo quando transfere recursos, muitas vezes são transferências condicionais, o que significa que não há verdadeira autonomia. Ficamos então com camadas subnacionais de governo mal preparadas, especialmente em países menos desenvolvidos. País Basco ou Catalunha queriam a descentralização, mas o que é habitual é que conseguem financiamento ou conseguem poderes sem que os tenham exigido, quando não estão preparados. E têm de lidar com o mesmo tipo de questões que o governo nacional tinha de resolver, mas com menos recursos.
Mas a descentralização pode funcionar?
Sim, pode e muito bem, se for bem feita, mas vou ter de estudar como está proposta em Portugal.
Falou de Trás-os-Montes e do Alentejo, poderíamos falar de Soria (Espanha), do movimento España Vacíada, todos estes sítios sobre os quais escreve e a que chama...
... os lugares que não importam.
Estamos a reduzir o número de lugares que não importam?
Não, não.
O que deveríamos fazer e quais são os riscos se não o fizermos?
Nas últimas décadas, a nova geografia económica e a economia urbana colocaram a ênfase em dois factores fundamentais do desenvolvimento económico — que são diferentes dos factores que mencionei. Por um lado, temos a aglomeração, isto é, o tamanho importa. Quando temos grandes cidades, elas atraem talentos, têm a massa crítica. Por outro lado, a ideia da economia urbana era a densidade.
Temos muitas pessoas com talento em Londres, Paris, Nova Iorque ou Xangai. Isso cria a fertilização cruzada e conduz a novas ideias e à inovação. Portanto, esses lugares tornam-se motores da economia. Tradicionalmente, as políticas de desenvolvimento regional colocam o dinheiro nos lugares mais remotos e menos desenvolvidos. Mas com base naquelas teorias dominantes dizem: “Se Portugal vai ter futuro, não pode apostar em todo o lado, os recursos são limitados, por isso tem de apostar no seu melhor cavalo, que é Lisboa, e talvez Porto, mas sobretudo Lisboa.”
As grandes cidades têm um "efeito de sucção" que, no caso da Europa, podem ser sentidos a 1000 quilómetros de distância. Isso significa que o desenvolvimento de Portugal pode ser sugado por Madrid. O de Madrid pode ser sugado por Paris Andrés Rodríguez-Pose
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Esta é a política que nos têm tentado vender. E muitas das que foram concretizadas, incluindo as nacionais que, em teoria, são espacialmente cegas, acabam por ser políticas direccionadas. Para onde vai o dinheiro para inovação? Para os melhores centros de inovação, que estão principalmente nas capitais. E assim acabamos nessa situação, sobre a qual falava no início, de uma polarização maior. Em França, o crescimento está concentrado em Paris e o resto do país perdeu o comboio...
Apostou-se em efeitos colaterais, o chamado spillover effect...
Esperamos que, se Paris ou Londres crescerem, o resto do país vai crescer, porque isso vai aumentar o “bolo” e esse “bolo” vai ser distribuído. O problema é que isso é uma ilusão. As grandes cidades podem crescer ou não. Muitas cidades grandes têm-se saído bem. Mas nem sempre é o caso. Londres tem estado muito bem em relação ao resto do Reino Unido desde 1995, porque houve mercado único a partir de 1993. Passou a haver um grande fluxo de talentos e isso muda tudo.
Mas, entre 1937 e 1995, Londres esteve pior do que o resto do país. Portanto, não importa o tamanho ou a densidade. Caso contrário, as cidades latino-americanas seriam as mais dinâmicas do mundo. O que importa é o que se coloca dentro da cidade. Quais são as competências? Quais são as empresas? Qual é a acessibilidade? Quais são as instituições? Lagos [na Nigéria] cresce, mas a cidade é um desastre absoluto e é um desastre para o resto do país.
É isto que importa destacar. A política tem favorecido especialmente as políticas não territoriais, a concentração da actividade económica, com a hipótese de que haverá efeitos que se difundirão. Mas quando se analisa a realidade, o que vemos é que as grandes cidades têm um “efeito de sucção” que, no caso da Europa, pode se sentido a 1000 quilómetros de distância. Isso significa que o desenvolvimento de Portugal pode ser sugado por Madrid. O de Madrid pode ser sugado por Paris. Já o efeito de difusão não chega aos 200 quilómetros. Nos Estados Unidos, não ultrapassa as 50 milhas [80 quilómetros].
Temos ainda mais concentração a minar o crescimento económico e isso tem uma consequência política. Não se explora o potencial dessas áreas. Lisboa não tem estado especialmente bem e por isso é preciso garantir que todos os outros motores funcionem também. Mas os outros motores não estão a funcionar. E é por isso que o país não tem sido tão dinâmico como poderia ter sido.
Também é um problema social, como estamos a ver no Reino Unido, por exemplo. O crescimento acumulou-se em Londres e na região sudeste. O resto do país tem estado muito pior. Isso gerou descontentamento, que levou à votação do “Brexit” e o “Brexit” significa agora que o país tem o pior desempenho entre as maiores economias do mundo. Os lugares que já antes não importavam estão a piorar ainda mais. Vemos o mesmo em França.
Temos o exemplo oposto na Alemanha. Há diferenças entre a parte ocidental e oriental, mas temos a actividade económica mais difundida, mais espalhada pelo território. Munique tem-se saído bem, tal como Estugarda. Já Frankfurt, não tanto, o Ruhr, que é a maior aglomeração, também não, mas há muitas cidades médias que se saíram bem: Mannheim, Ingolstadt, Augsburg, Freiburg, Mainz [Mogúncia]. Isto mostra muito dinamismo em cidades pequenas e médias. Actividade económica mais difundida, mais crescimento e muito menos contestação.
A maior inovação e a maior história de sucesso é a vacina da BioNTech. Está em Mainz, foi criada por investigadores da Universidade de Mainz, que é uma boa universidade, mas não é de forma alguma a melhor da Alemanha. E foram eles que produziram em tempo recorde a maior e mais necessária inovação que tivemos em períodos de crise. Como não sabemos onde a inovação vai acontecer, talvez precisemos de apostar em mais do que um cavalo. Andrés Rodríguez-Pose
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É nos lugares que não importam que o populismo se torna fértil?
Há uma ligação muito muito forte. Lugares que estagnaram, que não conseguiram crescer como no passado ou acompanhar o ritmo do país, em termos de PIB per capita, produtividade e emprego, são os que recorrem aos partidos que se apresentam como anti-sistema, mais eurocépticos, que são contra a imigração (no caso dos partidos de extrema-direita) e que são, numa palavra, “populistas”. E isso é um risco sério.
Portugal preenche parte dessa descrição, estagnação do PIB per capita e da produtividade. A Espanha também, pelo lado do desemprego, e o Reino Unido, como acabou de descrever. Mas vimos a Finlândia a mudar de Governo. É outro exemplo?
A Finlândia tinha o Partido dos Verdadeiros Finlandeses, agora chamado Partido dos Finlandeses, que é o partido populista de direita. Foi o segundo partido mais votado e isso por causa de áreas em declínio industrial em torno de Helsínquia e no Oeste do país. Não são necessariamente as mais rurais e as mais remotas. São as áreas de maior declínio, no cinturão industrial circundante da capital, e especialmente nas áreas industrializadas mais tradicionais do Sudoeste. No geral, ficar preso na armadilha de desenvolvimento é provavelmente um indicador muito melhor sobre a ascensão do populismo do que outros factores destacados no passado, como baixos níveis de educação. Estas pessoas não têm necessariamente pouca educação formal, nem são estúpidas ou velhas. Com muita frequência, são habitantes de regiões presas nessa armadilha, de lugares que cada vez menos importam. São regiões que se estão a afundar e não se querem afundar sozinhas.
Dizia que Lisboa não está a funcionar como motor. Porquê?
Lisboa tem estado aquém e não tem servido de motor, sobretudo desde a crise financeira de 2008. Portugal não se saiu particularmente bem. Recuperou um pouco nos últimos anos, mas passou por uma crise muito forte e já não estava bem antes. Se eu fosse apenas um geógrafo económico puro ou economista urbano, talvez dissesse que uma das razões é que Lisboa não tem o tamanho certo. É muito pequena e Portugal é um país muito pequeno para realmente competir num mundo mais integrado e globalizado. Uma área metropolitana com dois milhões de pessoas é demasiado pequena para competir com uma área metropolitana com a de Madrid, que tem 6,5 milhões de pessoas. E até Madrid é pequena num mundo liderado por cidades que cada vez mais se aproximam do dobro ou do triplo do tamanho de Madrid. Isso significa que são cidades seis ou 12 vezes maiores que a aglomeração de Lisboa. Essa seria então uma explicação.
Em segundo lugar, e que considero a mais importante, é que falta a Lisboa e a muitas partes de Portugal os dotes certos para criar um ecossistema mais dinâmico. Lisboa pode ser pequena, mas isso não é problema para o crescimento em Munique. Lisboa é do tamanho de Munique, talvez até um pouco maior. Lisboa é do tamanho de Zurique e estas são cidades mais dinâmicas. Lisboa é do tamanho de Copenhaga, que é muito mais dinâmica e resiliente.
A pergunta é o que está Lisboa, e Portugal, a fazer para criar as bases adequadas, mas também para promover os sectores certos, para garantir que sejam competitivos e para garantir que não fiquem estagnados mas continuem a evoluir?
O terceiro factor é que não se pode pôr os ovos todos no mesmo cesto. Lisboa é a maior aglomeração, mas são dois milhões num país de dez milhões. Há mais a viver noutras regiões e são talentos significativos. É preciso apostar em Lisboa, mas também no Porto e em Braga e no Algarve, em todo o interior, na fronteira com Espanha.
É preciso perceber e acreditar que existe potencial em muitas partes de Portugal. Espanha não se resume a Madrid, Catalunha e País Basco. Qual é a empresa mais dinâmica em Espanha? A Inditex, que apareceu num subúrbio de uma cidade de tamanho médio como Corunha, que não tem sido particularmente dinâmica. A maior empresa sueca, embora agora tenha sede na Holanda, é a Ikea. Vem de um lugar chamado Älmhult, que na época em que Ingvar Kamprad fundou a Ikea tinha 2500 habitantes. Agora tem 8000. O potencial está em qualquer lugar. A maior inovação e a maior história de sucesso é a vacina da BioNTech. Está em Mainz, foi criada por investigadores da Universidade de Mainz, que é uma boa universidade, mas não é de forma alguma a melhor da Alemanha. E foram eles que produziram em tempo recorde a maior e mais necessária inovação que tivemos em períodos de crise. Como não sabemos onde a inovação vai acontecer, talvez precisemos de apostar em mais do que um cavalo. Porque se apostamos num só, e esse cavalo partir uma perna, estamos em sérias dificuldades.
E como será o futuro da política de coesão?
Não posso falar muito sobre isso porque presido a uma comissão que tem de apresentar uma proposta... Diria que a política precisa ser muito mais sensível às realidades locais. Tem de responder aos desafios que as diferentes regiões têm. E diria também que tem de ter um foco mais multidimensional. Por um lado, continuar focada nos lugares que ficaram para trás, os lugares mais pobres da Europa, que merecem apoio. Por outro, concentrar-se nesses lugares que estão a atrasar-se, a tornar-se lugares que não importam, que são apanhadas na armadilha de desenvolvimento, que estão a estagnar. Sem esquecer os locais mais dinâmicos, normalmente as grandes cidades, onde os problemas sociais são abundantes, onde os níveis de desigualdade são muito superiores. Isso pode ser traduzido em tipos mais específicos de propostas, mas ainda estamos no início, tivemos duas de nove reuniões e depois haverá discussões com a Comissão Europeia. Haverá um relatório em algum momento no início do próximo ano.
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18.7.22
Portugal com crescimento de 6,5% em 2022, o maior na Europa
in Euronews
Em 2022, a economia portuguesa é a que mais vai crescer na Europa, com o setor do turismo como um dos grandes motores do avanço.Bruxelas divulgou, esta quinta-feira, as previsões económicas de verão, estimando um crescimento de 5,8% para 6,5% em 2002, antes do abrandamento de 2,7% para 1,9% no ano seguinte.
Para 2022, as previsões de crescimento da economia da União Europeia (UE) são de 2,7%, caindo para 1,5% em 2023.
No caso da zona euro baixam de 2,7% para 2,6%, em 2022, e de 2,3% para 1,4% no ano que vem.
Em 2022, a inflação para a média da UE também deverá atingir níveis históricos de 8,3% e 7,6% no caso da zona euro. No ano seguinte deverá abrandar para 4,6% e 4,0%, respetivamente.
A ensombrar o clima económico, com menos crescimento e "inflação histórica", está a invasão russa da Ucrânia que continua a pesar, e muito, sobre a economia europeia, com pressões adicionais sobre o preço da energia e produtos alimentares.
Não se exclui a recessão, caso a Rússia corte o gás no próximo inverno, como explicou, em entrevista à Euronews, o comissário europeu com a pasta da Economia, Paolo Gentiloni.
"Mesmo que digamos que não estamos em recessão, que não estamos num cenário de estagflação, e esta é a realidade neste momento, quando fazemos um retrato da nossa economia temos de contemplar a possibilidade de um cenário pior. Claro que se tivermos um corte total no abastecimento de gás da Rússia, entraremos numa realidade mais adversa."
Gentiloni ressalvou, no entanto, que o terreno ainda é positivo.
"Penso que devemos ser claros e dizer que ainda estamos a viver um nível muito moderado de crescimento. Por isso, não participarei de uma espécie de apelo à catástrofe ou profecia da catástrofe", referiu o comissário europeu.
O executivo comunitário também reviu em alta a previsão de inflação para a zona euro e para a média da União Europeia, esperando máximos históricos em 2022, em 7,6% na zona euro e 8,3% na União Europeia, antes de diminuir em 2023 para 4% e 4,6%, respetivamente.
Para Portugal prevê-se, em 2022, uma inflação de 6,8% e de 3,6% em 2023, o que representa subidas consideráveis em comparação com os 4,4% e 1,9% avançados nos últimos dados.
17.5.22
Portugal será o país que mais crescerá na UE em 2022 (e inflação acelera)
Bruxelas está mais otimista relativamente ao PIB português. A previsão para a taxa de inflação também foi revista em alta face às anteriores projeções.
Comissão Europeia está mais otimista e vê o produto interno bruto (PIB) português a crescer 5,8% este ano, o que significa uma revisão em alta face às anteriores projeções. A taxa de inflação, também revista em alta, deverá fixar-se nos 4,4% em 2022, segundo as previsões económicas de primavera, divulgadas esta segunda-feira.
Na anterior previsão, divulgada a 10 de fevereiro, a Comissão Europeia estimava que o PIB português registasse um acréscimo de 5,5% este ano. A perspetiva para a taxa de inflação era de 2,3%.
O relatório da Comissão Europeia assinala que "as perspetivas de crescimento permanecem favoráveis, apesar dos desafios relacionados com os preços das 'commodities', das cadeias de abastecimento globais e maior incerteza na procura externa".
Com a taxa estimada para este ano, Portugal será o país que mais vai crescer em 2022, de acordo com as previsões da Comissão Europeia:
Relativamente ao próximo ano, Bruxelas vê o PIB português a crescer 2,7%, ao passo que a taxa de inflação deverá cifrar-se nos 1,9%.
A Comissão Europeia também melhorou em 1,5 pontos percentuais (p.p.) as previsões para o défice português, esperando um saldo negativo das contas públicas de 1,9% este ano, em linha com o previsto pelo Governo.
Nas previsões macroeconómicas de primavera, Bruxelas prevê um défice de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, abaixo dos 3,4% estimados no outono, revelando-se também mais otimista sobre o desempenho orçamental em 2023, ao esperar um défice de 1%, quando anteriormente previa um saldo negativo de 2,8%.
A previsão do défice dos técnicos da Comissão Europeia está, assim, em linha com a do Ministério das Finanças para este ano, subjacente à proposta do Orçamento do Estado.
Comissão Europeia está mais otimista e vê o produto interno bruto (PIB) português a crescer 5,8% este ano, o que significa uma revisão em alta face às anteriores projeções. A taxa de inflação, também revista em alta, deverá fixar-se nos 4,4% em 2022, segundo as previsões económicas de primavera, divulgadas esta segunda-feira.
Na anterior previsão, divulgada a 10 de fevereiro, a Comissão Europeia estimava que o PIB português registasse um acréscimo de 5,5% este ano. A perspetiva para a taxa de inflação era de 2,3%.
O relatório da Comissão Europeia assinala que "as perspetivas de crescimento permanecem favoráveis, apesar dos desafios relacionados com os preços das 'commodities', das cadeias de abastecimento globais e maior incerteza na procura externa".
Com a taxa estimada para este ano, Portugal será o país que mais vai crescer em 2022, de acordo com as previsões da Comissão Europeia:
Relativamente ao próximo ano, Bruxelas vê o PIB português a crescer 2,7%, ao passo que a taxa de inflação deverá cifrar-se nos 1,9%.
A Comissão Europeia também melhorou em 1,5 pontos percentuais (p.p.) as previsões para o défice português, esperando um saldo negativo das contas públicas de 1,9% este ano, em linha com o previsto pelo Governo.
Nas previsões macroeconómicas de primavera, Bruxelas prevê um défice de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, abaixo dos 3,4% estimados no outono, revelando-se também mais otimista sobre o desempenho orçamental em 2023, ao esperar um défice de 1%, quando anteriormente previa um saldo negativo de 2,8%.
A previsão do défice dos técnicos da Comissão Europeia está, assim, em linha com a do Ministério das Finanças para este ano, subjacente à proposta do Orçamento do Estado.
13.3.17
Turistas aumentam vendas nas lojas de moda do Porto
in Jornal de Notícias
O crescimento do setor turístico no Porto está a repercutir-se no setor têxtil e design de moda, assumem vários estilistas com lojas na cidade que nos últimos anos registaram aumentos na ordem dos 20% no volume de negócios.
A explosão de turistas no Porto é um facto registado nos últimos anos e o crescimento de dormidas em 2016 no Porto e Norte de Portugal fechou com um crescimento de 12,31%, atingindo quase 6,9 milhões de dormidas, um valor próximo dos sete milhões previstos na Estratégia 2020, segundo dados oficiais do Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP).
Chineses, brasileiros, russos, australianos, mexicanos, suecos e norte-americanos são alguns dos turistas que chegam ao Porto e que trilham a rota turística da moda na cidade, provocando aumentos de vendas nas lojas na ordem dos 20%, ou mesmo taxas de crescimento na ordem dos 100%.
"O volume de vendas aumentou mais ou menos 20%, devido à faixa de clientes internacionais", contou à Lusa o designer Luís Buchinho, com loja na Baixa do Porto, enumerando que quem a procura cada vez mais são os turistas asiáticos, mas também espanhóis, muitos franceses, clientes do Canadá, Austrália e Holanda.
Buchinho confirma que o cliente internacional é maioritariamente europeu, mas há uma tendência para haver um mercado cada vez "mais alargado".
Para o 'designer', o "paradigma" no Porto mudou e se antigamente a clientela consumia o Porto de uma maneira mais jovem e para a "vida boémia", atualmente "começa a haver um cliente que é sensível a uma marca que nunca esteve disponível no seu país ou que lhe suscita interesse por ser uma marca local".
Já a criadora Katty Xiomara, com ateliê montado na Rua da Boavista, junto à Casa da Música, e que recentemente apresentou em Nova Iorque a sua coleção outono/inverno 2017/2018, conta que recebe turistas oriundos dos Emirados Árabes, China, passando pelo Brasil, Canadá, EUA ou Bélgica.
Os turistas que visitam aquela loja "compram sempre alguma coisa (...) e isso naturalmente faz aumentar as vendas", confessa Katty Xiomara.
Devido ao aumento do turismo na cidade, a designer Inês Torcato, 26 anos, abriu loja com o seu pai, Júlio Torcato, em janeiro deste ano junto à igreja de Cedofeita, bem perto da zona do Porto conhecida como 'Bairro das Artes'.
Apesar de não ter termo de comparação, porque não tinha loja antes do "boom" de turismo no Porto, as vendas "para já têm corrido bem" e estão a "corresponder às expectativas" que a marca Júlio e Inês Torcato delineou.
Na loja Daily Day, na Avenida dos Aliados, detentora da marca portuguesa LaGofra, o proprietário, Filipe Prata assume à Lusa que notou um "óbvio" aumento de vendas, desde que abriu há 15 meses o seu ponto de venda.
Filipe Prata fala mesmo em "mega vendas", em especial no verão e no pós Natal, altura em que registou taxas de crescimento de "100% nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro".
"O verão e o pós Natal trazem turistas longínquos, da China, México, Austrália, Brasil e Rússia. É um turismo muito especial, com critérios e poder de compra" e que quer "saber da origem das peças e dos tecidos", conta Filipe Prata, 41 anos, que colocou de lado o seu curso de Engenharia Civil para se dedicar ao setor têxtil.
Já o criador Pedro Pedro tem dois pontos de venda no Porto e, à Lusa, destaca que o alargado número de turistas na cidade também se reflete na procura das suas peças, havendo mesmo uma "filosofia engraçada" de vendas, porque como os turistas muitas vezes são de países nórdicos, onde está frio, gostam de comprar peças de inverno quando no Porto é verão.
As vendas estão a "correr muito bem", principalmente com turistas franceses, suecos e noruegueses, disse Pedro Pedro, conhecido no mercado interno pelos seus casacos, peça que coincidentemente também é a que mais vende junto dos turistas.
O Instituto de Turismo, em parceria com o TPNP e o Aeroporto do Porto, traçou o perfil do turista que visitou o Porto e Norte de Portugal durante outubro de 2015 a março de 2016 e as conclusões mostravam que o valor do consumo médio por estada fixava-se nos 745 euros, ou seja um aumento de 13 euros comparativamente ao gasto apurado em igual período de 2014/15.
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Leia mais: Turistas aumentam vendas nas lojas de moda do Porto http://www.jn.pt/local/noticias/porto/porto/interior/turistas-aumentam-vendas-nas-lojas-de-modado-porto-5720830.html#ixzz4bDyfncKp
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O crescimento do setor turístico no Porto está a repercutir-se no setor têxtil e design de moda, assumem vários estilistas com lojas na cidade que nos últimos anos registaram aumentos na ordem dos 20% no volume de negócios.
A explosão de turistas no Porto é um facto registado nos últimos anos e o crescimento de dormidas em 2016 no Porto e Norte de Portugal fechou com um crescimento de 12,31%, atingindo quase 6,9 milhões de dormidas, um valor próximo dos sete milhões previstos na Estratégia 2020, segundo dados oficiais do Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP).
Chineses, brasileiros, russos, australianos, mexicanos, suecos e norte-americanos são alguns dos turistas que chegam ao Porto e que trilham a rota turística da moda na cidade, provocando aumentos de vendas nas lojas na ordem dos 20%, ou mesmo taxas de crescimento na ordem dos 100%.
"O volume de vendas aumentou mais ou menos 20%, devido à faixa de clientes internacionais", contou à Lusa o designer Luís Buchinho, com loja na Baixa do Porto, enumerando que quem a procura cada vez mais são os turistas asiáticos, mas também espanhóis, muitos franceses, clientes do Canadá, Austrália e Holanda.
Buchinho confirma que o cliente internacional é maioritariamente europeu, mas há uma tendência para haver um mercado cada vez "mais alargado".
Para o 'designer', o "paradigma" no Porto mudou e se antigamente a clientela consumia o Porto de uma maneira mais jovem e para a "vida boémia", atualmente "começa a haver um cliente que é sensível a uma marca que nunca esteve disponível no seu país ou que lhe suscita interesse por ser uma marca local".
Já a criadora Katty Xiomara, com ateliê montado na Rua da Boavista, junto à Casa da Música, e que recentemente apresentou em Nova Iorque a sua coleção outono/inverno 2017/2018, conta que recebe turistas oriundos dos Emirados Árabes, China, passando pelo Brasil, Canadá, EUA ou Bélgica.
Os turistas que visitam aquela loja "compram sempre alguma coisa (...) e isso naturalmente faz aumentar as vendas", confessa Katty Xiomara.
Devido ao aumento do turismo na cidade, a designer Inês Torcato, 26 anos, abriu loja com o seu pai, Júlio Torcato, em janeiro deste ano junto à igreja de Cedofeita, bem perto da zona do Porto conhecida como 'Bairro das Artes'.
Apesar de não ter termo de comparação, porque não tinha loja antes do "boom" de turismo no Porto, as vendas "para já têm corrido bem" e estão a "corresponder às expectativas" que a marca Júlio e Inês Torcato delineou.
Na loja Daily Day, na Avenida dos Aliados, detentora da marca portuguesa LaGofra, o proprietário, Filipe Prata assume à Lusa que notou um "óbvio" aumento de vendas, desde que abriu há 15 meses o seu ponto de venda.
Filipe Prata fala mesmo em "mega vendas", em especial no verão e no pós Natal, altura em que registou taxas de crescimento de "100% nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro".
"O verão e o pós Natal trazem turistas longínquos, da China, México, Austrália, Brasil e Rússia. É um turismo muito especial, com critérios e poder de compra" e que quer "saber da origem das peças e dos tecidos", conta Filipe Prata, 41 anos, que colocou de lado o seu curso de Engenharia Civil para se dedicar ao setor têxtil.
Já o criador Pedro Pedro tem dois pontos de venda no Porto e, à Lusa, destaca que o alargado número de turistas na cidade também se reflete na procura das suas peças, havendo mesmo uma "filosofia engraçada" de vendas, porque como os turistas muitas vezes são de países nórdicos, onde está frio, gostam de comprar peças de inverno quando no Porto é verão.
As vendas estão a "correr muito bem", principalmente com turistas franceses, suecos e noruegueses, disse Pedro Pedro, conhecido no mercado interno pelos seus casacos, peça que coincidentemente também é a que mais vende junto dos turistas.
O Instituto de Turismo, em parceria com o TPNP e o Aeroporto do Porto, traçou o perfil do turista que visitou o Porto e Norte de Portugal durante outubro de 2015 a março de 2016 e as conclusões mostravam que o valor do consumo médio por estada fixava-se nos 745 euros, ou seja um aumento de 13 euros comparativamente ao gasto apurado em igual período de 2014/15.
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10.11.15
Instabilidade política pode penalizar crescimento, alerta a OCDE
in Jornal de Notícias
A OCDE deixou, esta segunda-feira, um aviso aos atores políticos de Portugal, alertando que "a instabilidade política pode abrandar as reformas, o que vai pesar nas perspetivas de crescimento de médio prazo".
No "Economic Outlook" divulgado esta segunda-feira, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) refere-se aos riscos que a economia portuguesa enfrenta, além dos políticos.
Para a instituição, "excluindo o declínio da atividade em Angola, os riscos são sobretudo domésticos", destacando, nomeadamente, que "o alto endividamento, privado e público, e a baixa rentabilidade dos bancos continuam a ser uma fonte importante de vulnerabilidades".
A OCDE antecipa, no relatório preparado pelo departamento de Estudos Económicos Nacionais liderado pelo ex-ministro Álvaro Santos Pereira, que "o investimento empresarial não vai ser suficientemente vigoroso para acelerar a criação de emprego e dar uma base mais forte para o crescimento do consumo assim que as empresas concluírem a recuperação do capital perdido".
Para que as exportações cresçam e para garantir uma redução sólida da dívida externa, será preciso realizar "mais reformas estruturais para aumentar a competitividade e o crescimento potencial".
A OCDE reitera também que "é necessária uma ampla avaliação dos efeitos das recentes reformas estruturais, incluindo uma avaliação ao progresso na sua implementação".
Para a OCDE, a redução da alta percentagem de desempregados de longa duração e da proporção de jovens que não estudam e que não trabalham "iria aumentar o produto e reduzir a desigualdade e a pobreza".
No setor energético, sublinhando que "Portugal tem sido líder nas energias renováveis", a OCDE adverte que o legado dos sistemas de remuneração deram "rendas significativas" às empresas energéticas e defende que, "apesar de as medidas já terem gerado uma redução considerável destas rendas, devem ser tomadas medidas adicionais para as reduzir ainda mais e para impulsionar a competitividade no setor".
Além disso, a OCDE destaca ainda que "reforçar a dependência dos impostos verdes, ao mesmo tempo que se reduzem outros impostos, iria melhorar os incentivos para investir e promover o crescimento sustentável".
A OCDE deixou, esta segunda-feira, um aviso aos atores políticos de Portugal, alertando que "a instabilidade política pode abrandar as reformas, o que vai pesar nas perspetivas de crescimento de médio prazo".
No "Economic Outlook" divulgado esta segunda-feira, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) refere-se aos riscos que a economia portuguesa enfrenta, além dos políticos.
Para a instituição, "excluindo o declínio da atividade em Angola, os riscos são sobretudo domésticos", destacando, nomeadamente, que "o alto endividamento, privado e público, e a baixa rentabilidade dos bancos continuam a ser uma fonte importante de vulnerabilidades".
A OCDE antecipa, no relatório preparado pelo departamento de Estudos Económicos Nacionais liderado pelo ex-ministro Álvaro Santos Pereira, que "o investimento empresarial não vai ser suficientemente vigoroso para acelerar a criação de emprego e dar uma base mais forte para o crescimento do consumo assim que as empresas concluírem a recuperação do capital perdido".
Para que as exportações cresçam e para garantir uma redução sólida da dívida externa, será preciso realizar "mais reformas estruturais para aumentar a competitividade e o crescimento potencial".
A OCDE reitera também que "é necessária uma ampla avaliação dos efeitos das recentes reformas estruturais, incluindo uma avaliação ao progresso na sua implementação".
Para a OCDE, a redução da alta percentagem de desempregados de longa duração e da proporção de jovens que não estudam e que não trabalham "iria aumentar o produto e reduzir a desigualdade e a pobreza".
No setor energético, sublinhando que "Portugal tem sido líder nas energias renováveis", a OCDE adverte que o legado dos sistemas de remuneração deram "rendas significativas" às empresas energéticas e defende que, "apesar de as medidas já terem gerado uma redução considerável destas rendas, devem ser tomadas medidas adicionais para as reduzir ainda mais e para impulsionar a competitividade no setor".
Além disso, a OCDE destaca ainda que "reforçar a dependência dos impostos verdes, ao mesmo tempo que se reduzem outros impostos, iria melhorar os incentivos para investir e promover o crescimento sustentável".
8.10.15
Crescimento em Portugal limitado por queda acentuada da população
Sérgio Aníbal, in Público on-line
Até 2060, o envelhecimento da população pode custar 19 pontos percentuais ao PIB per capita, calcula o Banco de Portugal, um efeito que já se está a sentir na actualidade.
O endividamento das famílias, a obrigatoriedade de cumprimento das regras orçamentais europeias ou a baixa qualificação da mão de obra. Todas estas são limitações, muitas vezes referidas, ao crescimento da economia portuguesa. Mas há um problema, bastante menos debatido, que se está a revelar como um dos mais sérios obstáculos a uma retoma: a tendência de diminuição e envelhecimento da população que se regista desde 2010 e que promete prolongar-se ainda por mais algumas décadas.
O tema foi destacado pelo Banco de Portugal no boletim económico de Outubro publicado esta quarta-feira. A instituição liderada por Carlos Costa calculou o impacto negativo que as tendências demográficas terão durante o período de 2015 a 2060 e chegou a números preocupantes.
Nesse período, a diminuição do rácio entre a população com idade entre os 15 e os 64 anos e a população total poderá contribuir para uma perda acumulada do PIB per capita português de 19 pontos percentuais. O efeito é especialmente negativo até 2040 e já está, neste preciso momento a fazer-se sentir.
De acordo com os dados publicados pelo Banco de Portugal, o efeito demográfico já está a ter um efeito negativo no PIB per capita de 2015 de 0,2 pontos percentuais e em 2016 serão mais 0,25 pontos percentuais.
Ao longo dos anos, assinala o Banco de Portugal, espera-se que este efeito demográfico negativo seja contrabalançado quase totalmente pela crescente qualificação da força de trabalho, à medida que trabalhadores mais novos (em média mais qualificados) substituem os mais velhos (em média menos qualificados).
Depois há ainda o efeito no PIB total que é muito mais significativo do que no PIB per capita. A redução da população é responsável desde já para que, desde 2011 até 2015, se verifique uma diferença bastante significativa entre a variação do PIB e a variação do PIB per capita. Enquanto o primeiro caiu 3,8%, o segundo caiu 1,8%, mostram os números do Banco de Portugal. No primeiro semestre, o PIB per capita cresceu 2,1% e o PIB apenas 1,6%.
O fenómeno em que a evolução demográfica afecta o crescimento económico é sentido em diversos países, em especial na Europa e, num grau mais acentuado, no Japão. No entanto, Portugal é um dos países mais sensíveis a este problema. Nos últimos anos, com a combinação de uma taxa de fecundidade extremamente baixa e de uma inversão para a negativa dos fluxos migratórios, tem estado entre os países do Globo com maiores reduções da população.
Mais consumo
No boletim económico agora publicado, o Banco de Portugal reafirma a previsão de uma taxa de crescimento de 1,7% em 2015. Este valor é ligeiramente mais alto do que os 1,6% projectados pelo Governo em Maio e pelo Fundo Monetário Internacional já esta semana.
As projecções agora apresentadas, apesar do resultado total no PIB ser o mesmo, mostram algumas diferenças significativas face ao que tinha sido previsto pela autoridade monetária em Junho, no último boletim económico.
Em primeiro lugar, o consumo cresceu mais do que era estimado, passando de uma variação anual de 2,2% para 2,6%. Este resultado contribui decisivamente para que as importações também cresçam mais do que aquilo que era esperado em Junho. Agora a previsão é de 7,9%, quando antes era de 5,7%. Um crescimento mais forte das importações tem um efeito negativo no PIB.
Pela positiva, as exportações também estão a crescer mais do que o projectado inicialmente, com o Banco de Portugal a rever a sua estimativa em alta, de 4,8% para 6,1%.
Feitas as contas, o facto de o diferencial entre o ritmo de crescimento das importações e das exportações ter aumentado leva a que a previsão para o saldo comercial se tenha tornado também menos positiva. Em vez de um excedente de 2,1% do PIB na balança de bens e serviços, o banco central aponta agora para um excedente de 1,7%. O excedente total com o exterior também foi revisto de 3% do PIB para 2,3%.
O Banco de Portugal, contudo, defende que o padrão de crescimento a que neste momento se assiste na economia portuguesa é consistente com a manutenção de equilíbrios económicos fundamentais.
Até 2060, o envelhecimento da população pode custar 19 pontos percentuais ao PIB per capita, calcula o Banco de Portugal, um efeito que já se está a sentir na actualidade.
O endividamento das famílias, a obrigatoriedade de cumprimento das regras orçamentais europeias ou a baixa qualificação da mão de obra. Todas estas são limitações, muitas vezes referidas, ao crescimento da economia portuguesa. Mas há um problema, bastante menos debatido, que se está a revelar como um dos mais sérios obstáculos a uma retoma: a tendência de diminuição e envelhecimento da população que se regista desde 2010 e que promete prolongar-se ainda por mais algumas décadas.
O tema foi destacado pelo Banco de Portugal no boletim económico de Outubro publicado esta quarta-feira. A instituição liderada por Carlos Costa calculou o impacto negativo que as tendências demográficas terão durante o período de 2015 a 2060 e chegou a números preocupantes.
Nesse período, a diminuição do rácio entre a população com idade entre os 15 e os 64 anos e a população total poderá contribuir para uma perda acumulada do PIB per capita português de 19 pontos percentuais. O efeito é especialmente negativo até 2040 e já está, neste preciso momento a fazer-se sentir.
De acordo com os dados publicados pelo Banco de Portugal, o efeito demográfico já está a ter um efeito negativo no PIB per capita de 2015 de 0,2 pontos percentuais e em 2016 serão mais 0,25 pontos percentuais.
Ao longo dos anos, assinala o Banco de Portugal, espera-se que este efeito demográfico negativo seja contrabalançado quase totalmente pela crescente qualificação da força de trabalho, à medida que trabalhadores mais novos (em média mais qualificados) substituem os mais velhos (em média menos qualificados).
Depois há ainda o efeito no PIB total que é muito mais significativo do que no PIB per capita. A redução da população é responsável desde já para que, desde 2011 até 2015, se verifique uma diferença bastante significativa entre a variação do PIB e a variação do PIB per capita. Enquanto o primeiro caiu 3,8%, o segundo caiu 1,8%, mostram os números do Banco de Portugal. No primeiro semestre, o PIB per capita cresceu 2,1% e o PIB apenas 1,6%.
O fenómeno em que a evolução demográfica afecta o crescimento económico é sentido em diversos países, em especial na Europa e, num grau mais acentuado, no Japão. No entanto, Portugal é um dos países mais sensíveis a este problema. Nos últimos anos, com a combinação de uma taxa de fecundidade extremamente baixa e de uma inversão para a negativa dos fluxos migratórios, tem estado entre os países do Globo com maiores reduções da população.
Mais consumo
No boletim económico agora publicado, o Banco de Portugal reafirma a previsão de uma taxa de crescimento de 1,7% em 2015. Este valor é ligeiramente mais alto do que os 1,6% projectados pelo Governo em Maio e pelo Fundo Monetário Internacional já esta semana.
As projecções agora apresentadas, apesar do resultado total no PIB ser o mesmo, mostram algumas diferenças significativas face ao que tinha sido previsto pela autoridade monetária em Junho, no último boletim económico.
Em primeiro lugar, o consumo cresceu mais do que era estimado, passando de uma variação anual de 2,2% para 2,6%. Este resultado contribui decisivamente para que as importações também cresçam mais do que aquilo que era esperado em Junho. Agora a previsão é de 7,9%, quando antes era de 5,7%. Um crescimento mais forte das importações tem um efeito negativo no PIB.
Pela positiva, as exportações também estão a crescer mais do que o projectado inicialmente, com o Banco de Portugal a rever a sua estimativa em alta, de 4,8% para 6,1%.
Feitas as contas, o facto de o diferencial entre o ritmo de crescimento das importações e das exportações ter aumentado leva a que a previsão para o saldo comercial se tenha tornado também menos positiva. Em vez de um excedente de 2,1% do PIB na balança de bens e serviços, o banco central aponta agora para um excedente de 1,7%. O excedente total com o exterior também foi revisto de 3% do PIB para 2,3%.
O Banco de Portugal, contudo, defende que o padrão de crescimento a que neste momento se assiste na economia portuguesa é consistente com a manutenção de equilíbrios económicos fundamentais.
23.6.15
Como a pobreza afeta o crescimento do cérebro
in Expresso
DESCOBERTA. Neurocientistas de nove hospitais e universidades norte-americanas estudaram mil crianças e conseguiram provar a ligação entre o tamanho da superfície cerebral e o contexto socioeconómico
Se havia indícios nesse sentido, agora sabe-se com certeza científica: as crianças em condição de pobreza têm o cérebro 6% mais pequeno do que as restantes. Agora é preciso apurar as causas
Era conhecido que as crianças sujeitas ao chamado 'risco ambiental' — lares desestruturados, contexto socioeconómico desfavorável, fraca intervenção do adulto — podiam apresentar sinais de atraso cognitivo. Sabia-se também que as deficiências nutricionais se faziam sentir nos resultados escolares e nos comportamentos. O que não se sabia era que a pobreza tem efeitos diretos no cérebro desde a primeira infância, senão desde o útero materno.
Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
DESCOBERTA. Neurocientistas de nove hospitais e universidades norte-americanas estudaram mil crianças e conseguiram provar a ligação entre o tamanho da superfície cerebral e o contexto socioeconómico
Se havia indícios nesse sentido, agora sabe-se com certeza científica: as crianças em condição de pobreza têm o cérebro 6% mais pequeno do que as restantes. Agora é preciso apurar as causas
Era conhecido que as crianças sujeitas ao chamado 'risco ambiental' — lares desestruturados, contexto socioeconómico desfavorável, fraca intervenção do adulto — podiam apresentar sinais de atraso cognitivo. Sabia-se também que as deficiências nutricionais se faziam sentir nos resultados escolares e nos comportamentos. O que não se sabia era que a pobreza tem efeitos diretos no cérebro desde a primeira infância, senão desde o útero materno.
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11.5.15
Políticas públicas para mais crescimento e menos desigualdade
Maria de Lurdes Rodrigues, in Público on-line
A campanha eleitoral já começou, dizem muitos comentadores da política nacional. O debate público já está a ser marcado pela avaliação dos últimos anos de governação.
Governar com a troika foi o tema do Fórum das Políticas Públicas em 2014 e esperamos que o conhecimento da avaliação das políticas públicas em tempo de austeridade seja um contributo para aquele debate. Porém, é muito importante que hoje nos centremos na procura de alternativas para o futuro.
O défice de crescimento económico e as desigualdades sociais são dois dos mais difíceis problemas estruturais do país. Enfrentar o futuro passa pois por procurar soluções que permitam construir um país mais rico e menos desigual. Nos últimos anos entraram no debate público propostas para enfrentar estes dois problemas, que geraram, e continuam a gerar, controvérsia e polarização de posições, como as que a seguir se apresentam.
– O encerramento de serviços públicos em regiões de fraca densidade populacional pode trazer ganhos na redução da despesa e na racionalização dos recursos públicos, mas coloca desafios críticos às políticas de coesão e desenvolvimento territorial, bem como à capacidade operacional da administração e à qualidade dos serviços prestados.
– A introdução e generalização do princípio do utilizador pagador pode contribuir para a sustentabilidade financeira das contas públicas, mas pode também pôr em causa os princípios da universalidade dos serviços públicos e da igualdade de oportunidades.
– A proposta de alteração do equilíbrio estabelecido na TSU, entre os contributos da entidade patronal e dos trabalhadores, isentando empresas da contribuição, com o objetivo de estimular o emprego, coloca problemas de sustentabilidade da segurança social.
– O uso generalizado das deduções fiscais, sendo um instrumento para promover políticas nas mais variadas áreas, contribui para aumentar a opacidade do sistema fiscal e as desigualdades, enquanto faltam avaliações rigorosas que comprovem a sua eficácia no cumprimento dos objetivos procurados.
– Na política científica, a concentração de recursos num número reduzido de unidades, equipas ou sectores de investigação permite diminuir a despesa pública, mas aumenta o risco de regressão, de fechamento do sistema científico sobre si próprio e de afastamento da agenda dos problemas da sociedade portuguesa.
– A transferência de competências da administração central para as autarquias e as IPSS tem sido justificada pela exigência de maior eficiência na prestação dos serviços públicos de proximidade, mas coloca questões relacionadas com a distribuição de poderes, de responsabilidades e de recursos, bem como de igualdade de condições no acesso a estes serviços.
– O desenvolvimento de novas modalidades de resolução de conflitos, de natureza privada e à margem do atual sistema justiça, como os tribunais arbitrais, com o objetivo de modernizar e agilizar o funcionamento do sistema de justiça, interpela a igualdade de condições de acesso à justiça.
– A suspensão de todos os programas de investimento público e a reorientação dos fundos comunitários para financiamento das empresas pode permitir dinamizar a economia, mas retira ao Estado recursos financeiros para a promoção da modernização do país.
– As políticas ativas de emprego podem, no curto prazo, baixar a taxa de desemprego, mas revelam-se ineficazes se não forem acompanhadas de políticas de qualificação dos trabalhadores e de promoção da elevação do padrão tecnológico da economia.
– A aposta numa rede de mínimos sociais, baseada em prestações diferenciais e com condição de recursos, permitiu ter ganhos de eficiência no combate às formas mais severas de pobreza, mas tem-se traduzido numa segmentação da resposta à pobreza e coexiste com um sistema crescentemente incoerente.
O Fórum das Políticas Públicas, que se realiza nos dias 13 e 14 Maio, promove o debate de algumas destas questões, as quais, pelos desafios que colocam, estarão certamente presentes no próximo confronto eleitoral.
Políticas públicas para mais crescimento e menos desigualdade
A campanha eleitoral já começou, dizem muitos comentadores da política nacional. O debate público já está a ser marcado pela avaliação dos últimos anos de governação.
Governar com a troika foi o tema do Fórum das Políticas Públicas em 2014 e esperamos que o conhecimento da avaliação das políticas públicas em tempo de austeridade seja um contributo para aquele debate. Porém, é muito importante que hoje nos centremos na procura de alternativas para o futuro.
O défice de crescimento económico e as desigualdades sociais são dois dos mais difíceis problemas estruturais do país. Enfrentar o futuro passa pois por procurar soluções que permitam construir um país mais rico e menos desigual. Nos últimos anos entraram no debate público propostas para enfrentar estes dois problemas, que geraram, e continuam a gerar, controvérsia e polarização de posições, como as que a seguir se apresentam.
– O encerramento de serviços públicos em regiões de fraca densidade populacional pode trazer ganhos na redução da despesa e na racionalização dos recursos públicos, mas coloca desafios críticos às políticas de coesão e desenvolvimento territorial, bem como à capacidade operacional da administração e à qualidade dos serviços prestados.
– A introdução e generalização do princípio do utilizador pagador pode contribuir para a sustentabilidade financeira das contas públicas, mas pode também pôr em causa os princípios da universalidade dos serviços públicos e da igualdade de oportunidades.
– A proposta de alteração do equilíbrio estabelecido na TSU, entre os contributos da entidade patronal e dos trabalhadores, isentando empresas da contribuição, com o objetivo de estimular o emprego, coloca problemas de sustentabilidade da segurança social.
– O uso generalizado das deduções fiscais, sendo um instrumento para promover políticas nas mais variadas áreas, contribui para aumentar a opacidade do sistema fiscal e as desigualdades, enquanto faltam avaliações rigorosas que comprovem a sua eficácia no cumprimento dos objetivos procurados.
– Na política científica, a concentração de recursos num número reduzido de unidades, equipas ou sectores de investigação permite diminuir a despesa pública, mas aumenta o risco de regressão, de fechamento do sistema científico sobre si próprio e de afastamento da agenda dos problemas da sociedade portuguesa.
– A transferência de competências da administração central para as autarquias e as IPSS tem sido justificada pela exigência de maior eficiência na prestação dos serviços públicos de proximidade, mas coloca questões relacionadas com a distribuição de poderes, de responsabilidades e de recursos, bem como de igualdade de condições no acesso a estes serviços.
– O desenvolvimento de novas modalidades de resolução de conflitos, de natureza privada e à margem do atual sistema justiça, como os tribunais arbitrais, com o objetivo de modernizar e agilizar o funcionamento do sistema de justiça, interpela a igualdade de condições de acesso à justiça.
– A suspensão de todos os programas de investimento público e a reorientação dos fundos comunitários para financiamento das empresas pode permitir dinamizar a economia, mas retira ao Estado recursos financeiros para a promoção da modernização do país.
– As políticas ativas de emprego podem, no curto prazo, baixar a taxa de desemprego, mas revelam-se ineficazes se não forem acompanhadas de políticas de qualificação dos trabalhadores e de promoção da elevação do padrão tecnológico da economia.
– A aposta numa rede de mínimos sociais, baseada em prestações diferenciais e com condição de recursos, permitiu ter ganhos de eficiência no combate às formas mais severas de pobreza, mas tem-se traduzido numa segmentação da resposta à pobreza e coexiste com um sistema crescentemente incoerente.
O Fórum das Políticas Públicas, que se realiza nos dias 13 e 14 Maio, promove o debate de algumas destas questões, as quais, pelos desafios que colocam, estarão certamente presentes no próximo confronto eleitoral.
Políticas públicas para mais crescimento e menos desigualdade
12.3.15
A economia do bem e do mal: desigualdade e crescimento
in o Observador
Portugal já evoluiu muito na igualdade de oportunidades nas últimas décadas. Ainda assim, olhando para o ranking to Global Competitiveness Report, persistem grandes desafios.
A preocupação da Economia com a desigualdade e a pobreza atravessa toda a sua história.
Desde os anos 90, o enfoque da desigualdade centrou-se muito nos países emergentes, que registaram taxas de crescimento relativamente elevadas mas frequentemente sem o correspondente aumento na qualidade de vida das populações. Mais recentemente, a crise financeira que se abateu sobre o mundo, em particular sobre os países avançados, e as suas consequências em termos de aumento de pobreza, conduziram a um interesse renovado pela desigualdade nos países desenvolvidos.
As consequências da desigualdade sobre o crescimento são de um ponto de vista teórico difíceis de determinar. Por um lado, a desigualdade pode favorecer o crescimento se incentivar a inovação, o empreendedorismo e o investimento por parte da população mais abastada. Permitirá ainda, pelo menos a uma parte da população dos países em desenvolvimento, acumular riqueza suficiente para ter educação e criar novos negócios. Por outro lado, a desigualdade pode limitar o crescimento se impedir o acesso das populações menos favorecidas a cuidados de saúde e de educação não permitindo uma afetação eficiente dos recursos, se gerar instabilidade política reduzindo o investimento e se impedir a estabilidade social que assegura a capacidade de reação aos choques e sustenta o crescimento no longo prazo (Redistribution, Inequality and Growth, Jonathan D. Ostry, Andrew Berg, Charalambos G. Tsangarides, FMI, Abril 2014).
Na prática, cada país está sujeito a uma combinação destas consequências com diferente intensidade, dependendo da sua estrutura económico-social. No entanto, a maioria dos modelos testados por economistas concluem que o impacto negativo sobre o crescimento domina o impacto positivo, particularmente nos países mais avançados. Essa constatação, a par das questões de ética e de solidariedade, conduz a maioria dos Estados das economias avançadas, a combaterem essa desigualdade através de transferências e da distribuição de bens e serviços públicos.
Portugal é um dos países da Europa mais desigual em termos de rendimento. Se considerarmos o rendimento antes de prestações sociais, a chamada desigualdade de mercado, Portugal era em 2013 o terceiro país mais desigual entre 32 países europeus, com o terceiro mais elevado coeficiente de Gini (o coeficiente de Gini é um indicador de desigualdade na distribuição de rendimentos – um valor perto de 1, ou 100%, indica a desigualdade total, isto é, apenas uma pessoa acumula todo o rendimento da economia, enquanto 0 representa a igualdade total de rendimentos). Depois de contabilizarmos as prestações sociais, Portugal melhorava apenas duas posições para o quinto país mais desigual.
Ao partir de uma situação tão desfavorável de desigualdade de mercado, torna-se evidente que o esforço para a corrigir não pode passar apenas por medidas corretivas, como a redistribuição. Acresce que as políticas corretivas podem reduzir o crescimento por via de uma afetação pouco eficiente dos recursos, redução da competitividade externa ou desincentivos ao trabalho, por exemplo.
Para combater a desigualdade é preciso também preventivamente promover a igualdade de oportunidades, o que tem um efeito secundário positivo sobre o crescimento. Em particular:
•Acesso a e qualidade da educação no desenvolvimento do capital humano
•Oportunidade de participação no mercado do trabalho
•Desenvolvimento do empreendedorismo e do investimento
•Redução da corrupção e das rendas que resultam da falta de concorrência
•Existência de infraestrutura e de cuidados de saúde.
Portugal já evoluiu muito na igualdade de oportunidades nas últimas décadas. Ainda assim, olhando para o ranking to Global Competitiveness Report (World Economic Forum, Global Competitiveness Report, 2014-2015), persistem grandes desafios. Entre os vinte sub-indicadores mais desfavoráveis neste ranking para Portugal, oito contribuem diretamente para impedir a igualdade de oportunidades para todos. Apesar das reformas que foram realizadas, a maioria ainda se encontra no mercado de trabalho tais como o efeito negativo dos impostos sobre os incentivos ao trabalho, particularmente para as camadas mais pobres, e a deficiente relação entre salário e produtividade. A falta de confiança no sector financeiro, a dificuldade de obter empréstimos e o reduzido acesso a capital de risco, dificultam a possibilidade de pequenas empresas inovadoras se lançarem e se desenvolverem.
O Economista à Paisana recomenda alguns exemplos de intervenção cirúrgica em algumas destas áreas que poderão atacar ao mesmo tempo a desigualdade e o reduzido crescimento potencial: a manutenção de algumas prestações sociais para desempregados que encontram emprego com níveis salariais baixos, a criação de um regime fiscal e de segurança social mais favorável para os reformados que querem e podem continuar a trabalhar e a promoção da criação de fundos de capital de risco.
O Economista à Paisana é uma coluna quinzenal de Inês Domingos onde a autora explora temas do quotidiano vistos da perspectiva de uma economista
Portugal já evoluiu muito na igualdade de oportunidades nas últimas décadas. Ainda assim, olhando para o ranking to Global Competitiveness Report, persistem grandes desafios.
A preocupação da Economia com a desigualdade e a pobreza atravessa toda a sua história.
Desde os anos 90, o enfoque da desigualdade centrou-se muito nos países emergentes, que registaram taxas de crescimento relativamente elevadas mas frequentemente sem o correspondente aumento na qualidade de vida das populações. Mais recentemente, a crise financeira que se abateu sobre o mundo, em particular sobre os países avançados, e as suas consequências em termos de aumento de pobreza, conduziram a um interesse renovado pela desigualdade nos países desenvolvidos.
As consequências da desigualdade sobre o crescimento são de um ponto de vista teórico difíceis de determinar. Por um lado, a desigualdade pode favorecer o crescimento se incentivar a inovação, o empreendedorismo e o investimento por parte da população mais abastada. Permitirá ainda, pelo menos a uma parte da população dos países em desenvolvimento, acumular riqueza suficiente para ter educação e criar novos negócios. Por outro lado, a desigualdade pode limitar o crescimento se impedir o acesso das populações menos favorecidas a cuidados de saúde e de educação não permitindo uma afetação eficiente dos recursos, se gerar instabilidade política reduzindo o investimento e se impedir a estabilidade social que assegura a capacidade de reação aos choques e sustenta o crescimento no longo prazo (Redistribution, Inequality and Growth, Jonathan D. Ostry, Andrew Berg, Charalambos G. Tsangarides, FMI, Abril 2014).
Na prática, cada país está sujeito a uma combinação destas consequências com diferente intensidade, dependendo da sua estrutura económico-social. No entanto, a maioria dos modelos testados por economistas concluem que o impacto negativo sobre o crescimento domina o impacto positivo, particularmente nos países mais avançados. Essa constatação, a par das questões de ética e de solidariedade, conduz a maioria dos Estados das economias avançadas, a combaterem essa desigualdade através de transferências e da distribuição de bens e serviços públicos.
Portugal é um dos países da Europa mais desigual em termos de rendimento. Se considerarmos o rendimento antes de prestações sociais, a chamada desigualdade de mercado, Portugal era em 2013 o terceiro país mais desigual entre 32 países europeus, com o terceiro mais elevado coeficiente de Gini (o coeficiente de Gini é um indicador de desigualdade na distribuição de rendimentos – um valor perto de 1, ou 100%, indica a desigualdade total, isto é, apenas uma pessoa acumula todo o rendimento da economia, enquanto 0 representa a igualdade total de rendimentos). Depois de contabilizarmos as prestações sociais, Portugal melhorava apenas duas posições para o quinto país mais desigual.
Ao partir de uma situação tão desfavorável de desigualdade de mercado, torna-se evidente que o esforço para a corrigir não pode passar apenas por medidas corretivas, como a redistribuição. Acresce que as políticas corretivas podem reduzir o crescimento por via de uma afetação pouco eficiente dos recursos, redução da competitividade externa ou desincentivos ao trabalho, por exemplo.
Para combater a desigualdade é preciso também preventivamente promover a igualdade de oportunidades, o que tem um efeito secundário positivo sobre o crescimento. Em particular:
•Acesso a e qualidade da educação no desenvolvimento do capital humano
•Oportunidade de participação no mercado do trabalho
•Desenvolvimento do empreendedorismo e do investimento
•Redução da corrupção e das rendas que resultam da falta de concorrência
•Existência de infraestrutura e de cuidados de saúde.
Portugal já evoluiu muito na igualdade de oportunidades nas últimas décadas. Ainda assim, olhando para o ranking to Global Competitiveness Report (World Economic Forum, Global Competitiveness Report, 2014-2015), persistem grandes desafios. Entre os vinte sub-indicadores mais desfavoráveis neste ranking para Portugal, oito contribuem diretamente para impedir a igualdade de oportunidades para todos. Apesar das reformas que foram realizadas, a maioria ainda se encontra no mercado de trabalho tais como o efeito negativo dos impostos sobre os incentivos ao trabalho, particularmente para as camadas mais pobres, e a deficiente relação entre salário e produtividade. A falta de confiança no sector financeiro, a dificuldade de obter empréstimos e o reduzido acesso a capital de risco, dificultam a possibilidade de pequenas empresas inovadoras se lançarem e se desenvolverem.
O Economista à Paisana recomenda alguns exemplos de intervenção cirúrgica em algumas destas áreas que poderão atacar ao mesmo tempo a desigualdade e o reduzido crescimento potencial: a manutenção de algumas prestações sociais para desempregados que encontram emprego com níveis salariais baixos, a criação de um regime fiscal e de segurança social mais favorável para os reformados que querem e podem continuar a trabalhar e a promoção da criação de fundos de capital de risco.
O Economista à Paisana é uma coluna quinzenal de Inês Domingos onde a autora explora temas do quotidiano vistos da perspectiva de uma economista
2.10.14
Conselho Económico e Social diz que não haverá novo ciclo no pós-troika
Por Ana Sá Lopes, in iOnline
O CES propõe que o governo avance com uma "forte ofensiva diplomática". Objectivo: chegar ao crescimento
O Conselho Económico e Social afirma que é o próprio governo, no texto das Grandes Opções do Plano, a desmentir a existência de um novo ciclo no pós-troika: "O CES constata que a expectativa de que o 'pós-troika' daria lugar a um novo ciclo virado para o crescimento económico surge claramente frustrada", afirma o parecer do Conselho sobre as GOP, invocando que "no texto das Grandes Opções para 2015, não só se insiste na manutenção das políticas contraccionistas, como se mantém um discurso em que o equilíbrio orçamental é condição para o crescimento económico".
O Conselho refere expressamente a pág. 17 do documento das GOP onde o governo declara que continua a ser necessário cortar na despesa do Estado, explicitando que 70% da despesa do Estado é com as funções sociais. Para o governo, é preciso continuar a cortar "nas despesas com pessoal e prestações sociais".
Escreve o governo: "A consolidação orçamental terá assim de prosseguir no futuro, e assentará necessariamente na redução efectiva da despesa pública. (...) Importa ter presente que aproximadamente 70% da despesa pública em 2013 correspondia a despesas com pessoal e prestações sociais, pelo que um programa de redução de despesa equilibrado e abrangente não poderá deixar de ter em consideração estas rubricas".
O Conselho presidido por Silva Peneda é muito crítico do projecto das Grandes Opções, afirmando que "a exemplo dos anos anteriores não evidenciam uma visão estratégica para o país". "É entendimento do CES que o texto das GOP é desequilibrado. É a componente financeira que domina todo o texto. É a visão de curto prazo que prevalece".
O parecer, da autoria de Adriano Pimpão, refere que "as políticas sociais previstas nas GOP limitam-se à descrição de um conjunto de medidas de emergência social, não havendo a adequada articulação com a política de rendimentos e com a política de emprego".
Ofensiva diplomática O Conselho Económico e Social deixa uma recomendação ao governo: na opinião do CES, devia-se avançar com "uma forte ofensiva diplomática junto dos responsáveis da zona euro com vista à adopção de medidas de política monetária e fiscal que permitam que, mais rápida e facilmente, o país possa atingir taxas de crescimento susceptíveis de contribuir para a resolução dos graves desequilíbrios que ainda enfrenta".
O CES decidiu chamar a atenção "para o facto da existência de algumas condicionantes que são decididas a nível externo, que irão determinar, em larga medida, muitas das possíveis opções sobre o nosso futuro colectivo", nomeadamente as reformas da União Económica e Monetária e o Acordo Transatlântico. Mas nas GOP "estes aspectos são ignorados".
O CES propõe que o governo avance com uma "forte ofensiva diplomática". Objectivo: chegar ao crescimento
O Conselho Económico e Social afirma que é o próprio governo, no texto das Grandes Opções do Plano, a desmentir a existência de um novo ciclo no pós-troika: "O CES constata que a expectativa de que o 'pós-troika' daria lugar a um novo ciclo virado para o crescimento económico surge claramente frustrada", afirma o parecer do Conselho sobre as GOP, invocando que "no texto das Grandes Opções para 2015, não só se insiste na manutenção das políticas contraccionistas, como se mantém um discurso em que o equilíbrio orçamental é condição para o crescimento económico".
O Conselho refere expressamente a pág. 17 do documento das GOP onde o governo declara que continua a ser necessário cortar na despesa do Estado, explicitando que 70% da despesa do Estado é com as funções sociais. Para o governo, é preciso continuar a cortar "nas despesas com pessoal e prestações sociais".
Escreve o governo: "A consolidação orçamental terá assim de prosseguir no futuro, e assentará necessariamente na redução efectiva da despesa pública. (...) Importa ter presente que aproximadamente 70% da despesa pública em 2013 correspondia a despesas com pessoal e prestações sociais, pelo que um programa de redução de despesa equilibrado e abrangente não poderá deixar de ter em consideração estas rubricas".
O Conselho presidido por Silva Peneda é muito crítico do projecto das Grandes Opções, afirmando que "a exemplo dos anos anteriores não evidenciam uma visão estratégica para o país". "É entendimento do CES que o texto das GOP é desequilibrado. É a componente financeira que domina todo o texto. É a visão de curto prazo que prevalece".
O parecer, da autoria de Adriano Pimpão, refere que "as políticas sociais previstas nas GOP limitam-se à descrição de um conjunto de medidas de emergência social, não havendo a adequada articulação com a política de rendimentos e com a política de emprego".
Ofensiva diplomática O Conselho Económico e Social deixa uma recomendação ao governo: na opinião do CES, devia-se avançar com "uma forte ofensiva diplomática junto dos responsáveis da zona euro com vista à adopção de medidas de política monetária e fiscal que permitam que, mais rápida e facilmente, o país possa atingir taxas de crescimento susceptíveis de contribuir para a resolução dos graves desequilíbrios que ainda enfrenta".
O CES decidiu chamar a atenção "para o facto da existência de algumas condicionantes que são decididas a nível externo, que irão determinar, em larga medida, muitas das possíveis opções sobre o nosso futuro colectivo", nomeadamente as reformas da União Económica e Monetária e o Acordo Transatlântico. Mas nas GOP "estes aspectos são ignorados".
24.7.14
Portugal mantém 41.ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano
in Jornal de Notícias
Portugal mantém a 41.ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano de 2013, num total de 187 países, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas, divulgado esta quinta-feira.
O índice é calculado com base em três dimensões do desenvolvimento humano: uma vida longa e saudável, acesso ao conhecimento e um padrão de vida decente. Para isso, são tidos em conta fatores como a esperança média de vida, os anos de escolaridade de cada cidadão e o Produto Interno Bruto (PIB) per capita.
A Noruega lidera o "ranking", seguida da Austrália, Suécia, Holanda e Estados Unidos. Os últimos lugares são ocupados pelo Níger, Congo e República Centro-Africana.
Portugal, que partilha a posição com o Chile, mantém-se no grupo dos países com desenvolvimento humano muito elevado e tem uma pontuação de 0.822. A esperança média de vida é de 79,9 anos, a média de anos de escolaridade de 8,2, os anos de escolaridade esperados 16,3 e o PIB per capita de 24,130.
Apesar de manter a posição, os dados revelam um desaceleramento no crescimento. Nos anos 1980, o índice crescia a 0,97% ao ano, na década seguinte a 0,96 e, desde o início do século, abrandou para 0,41. Em 2009, o país estava no 34.º lugar.
São poucos os países europeus com pontuações inferiores a Portugal e, entre os intervencionados pelo FMI, é o que se qualifica pior (a Irlanda está em 11.º, a Espanha em 27.º e a Grécia em 29.º)
O país tem, no entanto, bons resultados em alguns dos indicadores, como em termos de igualdade de género, em que está em 21.º lugar.
O índice faz parte do relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado em Tóquio, que pede políticas mais fortes de proteção social, um regresso ao objetivo do pleno emprego e universalidade de serviços públicos básicos.
O relatório, com o titulo "Sustentar o Progresso Humano: reduzir as vulnerabilidades e aumentar a resiliência", defende que a vulnerabilidade persistente ameaça o desenvolvimento e que esse problema precisa de ser resolvido para que o crescimento seja equitativo e sustentável.
"As recentes medidas de austeridade aumentaram a pobreza em mais de metade dos países europeus, sendo os grupos mais em risco as crianças, os imigrantes, minorias étnicas e pessoas com deficiência", alerta o relatório, acrescentando: "É tempo de reavaliar a lógica das medidas de austeridade e focar os esforços em impulsionar os investimentos para crescimento a longo-prazo."
Dos países de expressão portuguesa, Cabo Verde desce duas posições, para 123.º, São Tomé e Príncipe desce para 142.º, Angola está em 149.º. No último grupo, encontra-se Moçambique, em 178.º, um lugar a frente da Guiné-Bissau, que mantém a sua posição.
A Guine Equatorial, que se tornou na quarta-feira membro de pleno direito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, desce três posições, para 144.º.
Portugal mantém a 41.ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano de 2013, num total de 187 países, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas, divulgado esta quinta-feira.
O índice é calculado com base em três dimensões do desenvolvimento humano: uma vida longa e saudável, acesso ao conhecimento e um padrão de vida decente. Para isso, são tidos em conta fatores como a esperança média de vida, os anos de escolaridade de cada cidadão e o Produto Interno Bruto (PIB) per capita.
A Noruega lidera o "ranking", seguida da Austrália, Suécia, Holanda e Estados Unidos. Os últimos lugares são ocupados pelo Níger, Congo e República Centro-Africana.
Portugal, que partilha a posição com o Chile, mantém-se no grupo dos países com desenvolvimento humano muito elevado e tem uma pontuação de 0.822. A esperança média de vida é de 79,9 anos, a média de anos de escolaridade de 8,2, os anos de escolaridade esperados 16,3 e o PIB per capita de 24,130.
Apesar de manter a posição, os dados revelam um desaceleramento no crescimento. Nos anos 1980, o índice crescia a 0,97% ao ano, na década seguinte a 0,96 e, desde o início do século, abrandou para 0,41. Em 2009, o país estava no 34.º lugar.
São poucos os países europeus com pontuações inferiores a Portugal e, entre os intervencionados pelo FMI, é o que se qualifica pior (a Irlanda está em 11.º, a Espanha em 27.º e a Grécia em 29.º)
O país tem, no entanto, bons resultados em alguns dos indicadores, como em termos de igualdade de género, em que está em 21.º lugar.
O índice faz parte do relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado em Tóquio, que pede políticas mais fortes de proteção social, um regresso ao objetivo do pleno emprego e universalidade de serviços públicos básicos.
O relatório, com o titulo "Sustentar o Progresso Humano: reduzir as vulnerabilidades e aumentar a resiliência", defende que a vulnerabilidade persistente ameaça o desenvolvimento e que esse problema precisa de ser resolvido para que o crescimento seja equitativo e sustentável.
"As recentes medidas de austeridade aumentaram a pobreza em mais de metade dos países europeus, sendo os grupos mais em risco as crianças, os imigrantes, minorias étnicas e pessoas com deficiência", alerta o relatório, acrescentando: "É tempo de reavaliar a lógica das medidas de austeridade e focar os esforços em impulsionar os investimentos para crescimento a longo-prazo."
Dos países de expressão portuguesa, Cabo Verde desce duas posições, para 123.º, São Tomé e Príncipe desce para 142.º, Angola está em 149.º. No último grupo, encontra-se Moçambique, em 178.º, um lugar a frente da Guiné-Bissau, que mantém a sua posição.
A Guine Equatorial, que se tornou na quarta-feira membro de pleno direito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, desce três posições, para 144.º.
6.3.14
Juncker. Consolidação tem de existir em equilíbrio com crescimento e emprego
in iOnline
Sobre as divisões na Europa, Juncker defendeu que os países mais pobres precisam de ser "sólidos" na sua condução política, mas os mais ricos devem ser "solidários"
O ex-presidente do Eurogrupo e um dos candidatos do Partido Popular Europeu a presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, defendeu hoje que a Europa tem de se concentrar no emprego e criticou a "ideia estúpida" de dividir o continente.
As posições do também antigo primeiro-ministro do Luxemburgo foram assumidas em declarações à agência Lusa e à rádio TSF, em Dublin, à margem dos trabalhos do congresso do Partido Popular Europeu (PPE).
Juncker confessou estar confiante na corrida a candidato do PPE para a Comissão Europeia, que disputa com o comissário Michel Barnier (francês), essencialmente devido à sua experiência na política luxemburguesa e europeia.
"Uma eleição é uma eleição, nunca se sabe, mas fui solicitado por muitos antigos colegas, primeiros-ministros e líderes partidários, para assumir esta candidatura (...) Acho que tenho bastante experiência como primeiro-ministro, dirigi o Conselho de Negócios Estrangeiros da União Europeia várias vezes, assim como o de Finanças, no Tratado de Maastricht, fui presidente do Eurogrupo, presidente do meu partido e do PPE também", referiu.
Jean-Claude Juncker considerou ainda que a União Europeia "não está a aproveitar todo o seu potencial" e precisa de mudar o foco da sua agenda para o combate ao desemprego.
"Acho que precisamos de consolidação fiscal e orçamental, não há outra opção, mas na mesma proporção precisamos de políticas de crescimento, a austeridade não pode ser a única mensagem para os cidadãos", disse.
O luxemburguês advogou que os 28 não podem "ter uma geração perdida que criaram e educaram: "Na verdade não temos 28 Estados-membros, mas sim 29 Estados-membros, que são os 20 milhões de desempregados. Temos de levar esse país tão a sério como os outros todos".
Sobre as divisões na Europa, Juncker defendeu que os países mais pobres precisam de ser "sólidos" na sua condução política, mas os mais ricos devem ser "solidários".
"É uma ideia estúpida a de dividirmos os pecadores do sul e os ricos do norte, não é assim que vejo a Europa e rejeito essa ideia na minha candidatura a presidente da Comissão Europeia, os mais ricos não têm o direito de criticar e insultar quem passa por dificuldades", acrescentou.
Sobre as divisões na Europa, Juncker defendeu que os países mais pobres precisam de ser "sólidos" na sua condução política, mas os mais ricos devem ser "solidários"
O ex-presidente do Eurogrupo e um dos candidatos do Partido Popular Europeu a presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, defendeu hoje que a Europa tem de se concentrar no emprego e criticou a "ideia estúpida" de dividir o continente.
As posições do também antigo primeiro-ministro do Luxemburgo foram assumidas em declarações à agência Lusa e à rádio TSF, em Dublin, à margem dos trabalhos do congresso do Partido Popular Europeu (PPE).
Juncker confessou estar confiante na corrida a candidato do PPE para a Comissão Europeia, que disputa com o comissário Michel Barnier (francês), essencialmente devido à sua experiência na política luxemburguesa e europeia.
"Uma eleição é uma eleição, nunca se sabe, mas fui solicitado por muitos antigos colegas, primeiros-ministros e líderes partidários, para assumir esta candidatura (...) Acho que tenho bastante experiência como primeiro-ministro, dirigi o Conselho de Negócios Estrangeiros da União Europeia várias vezes, assim como o de Finanças, no Tratado de Maastricht, fui presidente do Eurogrupo, presidente do meu partido e do PPE também", referiu.
Jean-Claude Juncker considerou ainda que a União Europeia "não está a aproveitar todo o seu potencial" e precisa de mudar o foco da sua agenda para o combate ao desemprego.
"Acho que precisamos de consolidação fiscal e orçamental, não há outra opção, mas na mesma proporção precisamos de políticas de crescimento, a austeridade não pode ser a única mensagem para os cidadãos", disse.
O luxemburguês advogou que os 28 não podem "ter uma geração perdida que criaram e educaram: "Na verdade não temos 28 Estados-membros, mas sim 29 Estados-membros, que são os 20 milhões de desempregados. Temos de levar esse país tão a sério como os outros todos".
Sobre as divisões na Europa, Juncker defendeu que os países mais pobres precisam de ser "sólidos" na sua condução política, mas os mais ricos devem ser "solidários".
"É uma ideia estúpida a de dividirmos os pecadores do sul e os ricos do norte, não é assim que vejo a Europa e rejeito essa ideia na minha candidatura a presidente da Comissão Europeia, os mais ricos não têm o direito de criticar e insultar quem passa por dificuldades", acrescentou.
21.11.13
"Europa está num ponto de viragem económico"
por Lusa, publicado por Luís Manuel Cabral, in Diário de Notícias
O comissário europeu dos Assuntos Económicos defendeu hoje, perante o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que a Europa já está em condições de abrandar o ritmo da consolidação das finanças públicas e focar-se em medidas para o crescimento e emprego.
Na apresentação, perante a comissão parlamentar de Assuntos Económicos, da "Análise Anual do Crescimento" publicada pela Comissão na semana passada -- o documento que aponta as prioridades económicas de Bruxelas -, Olli Rehn afirmou que é necessário "prosseguir uma consolidação consistente das finanças públicas", mas admitiu haver espaço para um abrandamento da mesma.
"Reduzimos para metade os nossos défices nos últimos dois, três anos, e podemos agora permitirmo-nos abrandar o ritmo da consolidação", disse.
Segundo Rehn, o "balão de oxigénio" que esse abrandamento da consolidação proporciona permitirá à Europa focar-se "na qualidade das medidas amigas do crescimento", sobretudo ao nível fiscal e de reformas que impulsionem um crescimento que, observou, já está a regressar à economia europeia.
O comissário do euro disse que as previsões económicas de outono divulgadas na semana passada pelo executivo comunitário "mostram que a Europa está num ponto de viragem económico", com o crescimento a regressar, a Europa a entrar numa fase de retoma "e os Estados-membros gradualmente a corrigir os desequilíbrios que se acumularam antes da crise", apontando a propósito o exemplo de Portugal.
"Um reequilíbrio significativo está a ter lugar na economia europeia, com uma mudança para um crescimento mais assente nas exportações, como vemos por exemplo na Irlanda, Espanha e Portugal", afirmou.
O comissário europeu dos Assuntos Económicos defendeu hoje, perante o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que a Europa já está em condições de abrandar o ritmo da consolidação das finanças públicas e focar-se em medidas para o crescimento e emprego.
Na apresentação, perante a comissão parlamentar de Assuntos Económicos, da "Análise Anual do Crescimento" publicada pela Comissão na semana passada -- o documento que aponta as prioridades económicas de Bruxelas -, Olli Rehn afirmou que é necessário "prosseguir uma consolidação consistente das finanças públicas", mas admitiu haver espaço para um abrandamento da mesma.
"Reduzimos para metade os nossos défices nos últimos dois, três anos, e podemos agora permitirmo-nos abrandar o ritmo da consolidação", disse.
Segundo Rehn, o "balão de oxigénio" que esse abrandamento da consolidação proporciona permitirá à Europa focar-se "na qualidade das medidas amigas do crescimento", sobretudo ao nível fiscal e de reformas que impulsionem um crescimento que, observou, já está a regressar à economia europeia.
O comissário do euro disse que as previsões económicas de outono divulgadas na semana passada pelo executivo comunitário "mostram que a Europa está num ponto de viragem económico", com o crescimento a regressar, a Europa a entrar numa fase de retoma "e os Estados-membros gradualmente a corrigir os desequilíbrios que se acumularam antes da crise", apontando a propósito o exemplo de Portugal.
"Um reequilíbrio significativo está a ter lugar na economia europeia, com uma mudança para um crescimento mais assente nas exportações, como vemos por exemplo na Irlanda, Espanha e Portugal", afirmou.
União Europeia admite abrandar austeridade para apostar no crescimento
in Jornal de Notícias
O comissário europeu dos Assuntos Económicos defendeu, esta quinta-feira, perante o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que a Europa já está em condições de abrandar o ritmo da consolidação das finanças públicas e focar-se em medidas para o crescimento e emprego.
Na apresentação, perante a comissão parlamentar de Assuntos Económicos, da "Análise Anual do Crescimento" publicada pela Comissão na semana passada - o documento que aponta as prioridades económicas de Bruxelas -, Olli Rehn afirmou que é necessário "prosseguir uma consolidação consistente das finanças públicas", mas admitiu haver espaço para um abrandamento da mesma.
"Reduzimos para metade os nossos défices nos últimos dois, três anos, e podemos agora permitirmo-nos abrandar o ritmo da consolidação", disse.
Segundo Rehn, o "balão de oxigénio" que esse abrandamento da consolidação proporciona permitirá à Europa focar-se "na qualidade das medidas amigas do crescimento", sobretudo ao nível fiscal e de reformas que impulsionem um crescimento que, observou, já está a regressar à economia europeia.
O comissário do euro disse que as previsões económicas de outono divulgadas na semana passada pelo executivo comunitário "mostram que a Europa está num ponto de viragem económico", com o crescimento a regressar, a Europa a entrar numa fase de retoma "e os Estados-membros gradualmente a corrigir os desequilíbrios que se acumularam antes da crise", apontando a propósito o exemplo de Portugal.
"Um reequilíbrio significativo está a ter lugar na economia europeia, com uma mudança para um crescimento mais assente nas exportações, como vemos por exemplo na Irlanda, Espanha e Portugal", afirmou.
O comissário europeu dos Assuntos Económicos defendeu, esta quinta-feira, perante o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que a Europa já está em condições de abrandar o ritmo da consolidação das finanças públicas e focar-se em medidas para o crescimento e emprego.
Na apresentação, perante a comissão parlamentar de Assuntos Económicos, da "Análise Anual do Crescimento" publicada pela Comissão na semana passada - o documento que aponta as prioridades económicas de Bruxelas -, Olli Rehn afirmou que é necessário "prosseguir uma consolidação consistente das finanças públicas", mas admitiu haver espaço para um abrandamento da mesma.
"Reduzimos para metade os nossos défices nos últimos dois, três anos, e podemos agora permitirmo-nos abrandar o ritmo da consolidação", disse.
Segundo Rehn, o "balão de oxigénio" que esse abrandamento da consolidação proporciona permitirá à Europa focar-se "na qualidade das medidas amigas do crescimento", sobretudo ao nível fiscal e de reformas que impulsionem um crescimento que, observou, já está a regressar à economia europeia.
O comissário do euro disse que as previsões económicas de outono divulgadas na semana passada pelo executivo comunitário "mostram que a Europa está num ponto de viragem económico", com o crescimento a regressar, a Europa a entrar numa fase de retoma "e os Estados-membros gradualmente a corrigir os desequilíbrios que se acumularam antes da crise", apontando a propósito o exemplo de Portugal.
"Um reequilíbrio significativo está a ter lugar na economia europeia, com uma mudança para um crescimento mais assente nas exportações, como vemos por exemplo na Irlanda, Espanha e Portugal", afirmou.
19.11.13
Economia mundial cresce menos do que o previsto e não passa os 2,7%
in Jornal de Notícias
A OCDE reviu em baixa as previsões para a economia mundial e espera agora um crescimento de 2,7% este ano e de 3,6% em 2014, alertando que a recuperação "continua modesta e desigual".
"A recuperação global continua modesta e desigual, com divergências persistentes na atividade [económica] tanto entre como dentro das economias avançadas e emergentes", de acordo com o 'Economic Outlook', divulgado, esta terça-feira, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE),
A revisão em baixa em 0,4 pontos face às previsões de maio (a OCDE antecipava um crescimento de 3,1% em 2013 e de 4% em 2014) deve-se sobretudo ao abrandamento do crescimento nas grandes economias emergentes, mas também às fragilidades do setor bancário da zona euro, à situação orçamental do Japão e às dificuldades políticas nos Estados Unidos quanto ao limite da dívida pública.
Assumindo que estes riscos negativos não se materializam, a OCDE considera que a atividade económica mundial e o comércio global vão retomar gradualmente ao longo de 2014 e de 2015.
No entanto, alertam os técnicos da OCDE, "é provável que o ritmo da recuperação permaneça modesto", com a taxa de desemprego a cair apenas 0,5 pontos percentuais em dois anos, para os 7,4% no final de 2015.
A OCDE defende que os países devem "apoiar a procura, ter em conta os riscos negativos consideráveis e corrigir os desequilíbrios passados", considerando que a política monetária terá de continuar a fixar taxas de juro baixas na maioria dos países da Organização nos próximos dois anos.
"No entanto, em algumas economias, vão ser precisas decisões sobre o tempo e a velocidade a que os estímulos monetários serão reduzidos", lê-se no documento que, considerando que os riscos negativos não se concretizam, recomenda que os Estados Unidos devem aumentar gradualmente as taxas de juro no início de 2015 e que o Reino Unido deverá fazer o mesmo mais tarde nesse ano.
Para a zona euro, a recomendação da OCDE é que, "nos próximos dois anos, a política monetária deve permanecer inalterada".
Em novembro, o Banco Central Europeu (BCE) baixou a taxa de juro de referência para os 0,25%. A taxa já estava em mínimos históricos de 0,5%, desde maio.
A OCDE reviu em baixa as previsões para a economia mundial e espera agora um crescimento de 2,7% este ano e de 3,6% em 2014, alertando que a recuperação "continua modesta e desigual".
"A recuperação global continua modesta e desigual, com divergências persistentes na atividade [económica] tanto entre como dentro das economias avançadas e emergentes", de acordo com o 'Economic Outlook', divulgado, esta terça-feira, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE),
A revisão em baixa em 0,4 pontos face às previsões de maio (a OCDE antecipava um crescimento de 3,1% em 2013 e de 4% em 2014) deve-se sobretudo ao abrandamento do crescimento nas grandes economias emergentes, mas também às fragilidades do setor bancário da zona euro, à situação orçamental do Japão e às dificuldades políticas nos Estados Unidos quanto ao limite da dívida pública.
Assumindo que estes riscos negativos não se materializam, a OCDE considera que a atividade económica mundial e o comércio global vão retomar gradualmente ao longo de 2014 e de 2015.
No entanto, alertam os técnicos da OCDE, "é provável que o ritmo da recuperação permaneça modesto", com a taxa de desemprego a cair apenas 0,5 pontos percentuais em dois anos, para os 7,4% no final de 2015.
A OCDE defende que os países devem "apoiar a procura, ter em conta os riscos negativos consideráveis e corrigir os desequilíbrios passados", considerando que a política monetária terá de continuar a fixar taxas de juro baixas na maioria dos países da Organização nos próximos dois anos.
"No entanto, em algumas economias, vão ser precisas decisões sobre o tempo e a velocidade a que os estímulos monetários serão reduzidos", lê-se no documento que, considerando que os riscos negativos não se concretizam, recomenda que os Estados Unidos devem aumentar gradualmente as taxas de juro no início de 2015 e que o Reino Unido deverá fazer o mesmo mais tarde nesse ano.
Para a zona euro, a recomendação da OCDE é que, "nos próximos dois anos, a política monetária deve permanecer inalterada".
Em novembro, o Banco Central Europeu (BCE) baixou a taxa de juro de referência para os 0,25%. A taxa já estava em mínimos históricos de 0,5%, desde maio.
8.10.13
Cavaco adverte que é "urgente" conciliar austeridade com crescimento e emprego
in Jornal de Notícias
O chefe de Estado exortou ainda os líderes europeus a adotarem rapidamente o mecanismo único de supervisão e o mecanismo único de resolução de crises bancárias
O Presidente da República defendeu esta terça-feira que "é urgente conciliar a consolidação orçamental com crescimento económico e combate ao desemprego" na Europa e que os países com "margem de manobra" deviam "compensar e fazer políticas mais expansionistas".
O chefe de Estado falava aos jornalistas à margem da reunião do Grupo de Arraiolos, que decorre em Cracóvia, na Polónia, e onde vários presidentes europeus sem poderes executivos debateram em duas sessões sobre a crise europeia e as relações transatlânticas.
Aníbal Cavaco Silva, que participou nas duas sessões plenárias com os restantes chefes de Estado e teve duas reuniões bilaterais com os presidentes da Alemanha e da Finlândia, considerou que "o grande falhanço da União Europeia" reside "na incapacidade de promover o crescimento económico e combater o desemprego".
O presidente português advertiu ainda para um potencial crescimento das forças políticas eurocéticas nas próximas eleições europeias, em maio de 2014.
"A crise europeia não é apenas uma crise económica e financeira, é também uma crise de confiança, existem indicações de que os cidadãos europeus cada vez confiam menos nos seus líderes e está a ser cada vez mais difícil mobilizá-los para apoiar o projeto europeu", referiu.
"Se os líderes europeus, nos meses que restam até às eleições europeias, não conseguirem convencer os cidadãos de que há boas razões para confiar nas instituições europeias e que há pelo menos sinais de esperança, então há o receio de que muitos eurocéticos possam ser eleitos para o Parlamento Europeu, os cidadãos querem mais respostas concretas e menos retórica", acrescentou Cavaco Silva.
O chefe de Estado exortou ainda os líderes europeus a adotarem rapidamente o mecanismo único de supervisão e o mecanismo único de resolução de crises bancárias e pediu eficiência "na implementação do quadro financeiro plurianual".
"Há que trabalhar mais, colocar mais no centro das preocupações da Europa, crescimento económico e combate ao desemprego, não olhar só para a consolidação orçamental e só para as políticas de austeridade que alguns têm de implementar, mas que outros atuem de forma compensadora, porque se há uns que têm de aplicar políticas restritivas para corrigir situações de desequilíbrio, os outros, que têm margem de manobra, deviam compensar e fazer políticas mais expansionistas", advogou.
Sobre o encontro bilateral com o presidente alemão, Joachim Gauck, o Presidente da República disse ter sido "uma reunião muito frutuosa", adiantando terem discutido o ajustamento português e as mais recentes avaliações da ?troika'.
" [Disse] ao presidente da Alemanha que é fundamental e urgente conciliar a consolidação orçamental com o crescimento económico e o combate ao desemprego, para isso é fundamental aumentar o investimento, que tem estado em níveis bastante baixos, falámos sobre o investimento alemão e sobre a possibilidade de uma instituição bancária pública alemã, a KFW, poder ajudar ao relançamento do investimento no nosso país", afirmou.
Cavaco, que adiantou que o seu homólogo aceitou o convite para visitar Portugal, considerou ser "muito importante que a Alemanha esteja bem informada sobre a situação portuguesa": "Dessa forma com certeza que nos poderá ajudar melhor do que se estiver mal informada sobre o que se está a passar no nosso país".
O chefe de Estado exortou ainda os líderes europeus a adotarem rapidamente o mecanismo único de supervisão e o mecanismo único de resolução de crises bancárias
O Presidente da República defendeu esta terça-feira que "é urgente conciliar a consolidação orçamental com crescimento económico e combate ao desemprego" na Europa e que os países com "margem de manobra" deviam "compensar e fazer políticas mais expansionistas".
O chefe de Estado falava aos jornalistas à margem da reunião do Grupo de Arraiolos, que decorre em Cracóvia, na Polónia, e onde vários presidentes europeus sem poderes executivos debateram em duas sessões sobre a crise europeia e as relações transatlânticas.
Aníbal Cavaco Silva, que participou nas duas sessões plenárias com os restantes chefes de Estado e teve duas reuniões bilaterais com os presidentes da Alemanha e da Finlândia, considerou que "o grande falhanço da União Europeia" reside "na incapacidade de promover o crescimento económico e combater o desemprego".
O presidente português advertiu ainda para um potencial crescimento das forças políticas eurocéticas nas próximas eleições europeias, em maio de 2014.
"A crise europeia não é apenas uma crise económica e financeira, é também uma crise de confiança, existem indicações de que os cidadãos europeus cada vez confiam menos nos seus líderes e está a ser cada vez mais difícil mobilizá-los para apoiar o projeto europeu", referiu.
"Se os líderes europeus, nos meses que restam até às eleições europeias, não conseguirem convencer os cidadãos de que há boas razões para confiar nas instituições europeias e que há pelo menos sinais de esperança, então há o receio de que muitos eurocéticos possam ser eleitos para o Parlamento Europeu, os cidadãos querem mais respostas concretas e menos retórica", acrescentou Cavaco Silva.
O chefe de Estado exortou ainda os líderes europeus a adotarem rapidamente o mecanismo único de supervisão e o mecanismo único de resolução de crises bancárias e pediu eficiência "na implementação do quadro financeiro plurianual".
"Há que trabalhar mais, colocar mais no centro das preocupações da Europa, crescimento económico e combate ao desemprego, não olhar só para a consolidação orçamental e só para as políticas de austeridade que alguns têm de implementar, mas que outros atuem de forma compensadora, porque se há uns que têm de aplicar políticas restritivas para corrigir situações de desequilíbrio, os outros, que têm margem de manobra, deviam compensar e fazer políticas mais expansionistas", advogou.
Sobre o encontro bilateral com o presidente alemão, Joachim Gauck, o Presidente da República disse ter sido "uma reunião muito frutuosa", adiantando terem discutido o ajustamento português e as mais recentes avaliações da ?troika'.
" [Disse] ao presidente da Alemanha que é fundamental e urgente conciliar a consolidação orçamental com o crescimento económico e o combate ao desemprego, para isso é fundamental aumentar o investimento, que tem estado em níveis bastante baixos, falámos sobre o investimento alemão e sobre a possibilidade de uma instituição bancária pública alemã, a KFW, poder ajudar ao relançamento do investimento no nosso país", afirmou.
Cavaco, que adiantou que o seu homólogo aceitou o convite para visitar Portugal, considerou ser "muito importante que a Alemanha esteja bem informada sobre a situação portuguesa": "Dessa forma com certeza que nos poderá ajudar melhor do que se estiver mal informada sobre o que se está a passar no nosso país".
6.9.13
Zona euro cresce menos em 2014 e Draghi insiste na redução dos défices
Por António Ribeiro Ferreira, in iOnline
Banco Central Europeu mantém taxa de juro directora nos 0,5%. Economia da zona euro cai 0,4% este ano e sobe 1% em 2014
Água na fervura que grassa em certos sectores sobre a evolução da economia europeia a curto e médio prazo. Foi este o tom da intervenção de Mario Draghi, presidente do BCE, no final do conselho de governadores de ontem, que decidiu manter a taxa de juro directora nos 0,5%. Os dados relativos ao segundo trimestre, em que a zona euro e a generalidade dos seus membros, como Portugal, registaram crescimentos em cadeia, geraram uma onda de optimismo em muitas capitais, com alguns responsáveis a decretarem o fim da crise. Em Espanha, por exemplo, o facto de o desemprego ter descido 31 pessoas em Agosto, levou o ministro da Economia, Luis de Guindos, a lançar foguetes sobre a retoma económica e o fim da crise.
Acontece que ontem Mario Draghi admitiu que a economia da zona euro vai cair menos este ano, 0,4% de contracção em vez dos 0,6% da previsão anterior, mas reviu em baixa o crescimento para 2014 de 1,1% para 1%. O presidente do BCE alertou para os factores negativos que podem afectar a economia europeia, mas também mundial, nomeadamente a subida de matérias-primas como o petróleo, se a intervenção militar dos EUA na Síria provocar um conflito regional.
Reduzir défices Na mesma linha de pôr água na fervura nos optimismos gerados pelos resultados do segundo trimestre, o presidente do BCE insistiu na necessidade de os países manterem políticas de redução dos défices e não entrarem outra vez pelos caminhos que levaram à presente crise económica e financeira, com dívidas públicas acima do razoável: "Apesar de o banco central garantir taxas de juro baixas por quanto tempo for necessário, isso não deve ser interpretado pelos governos como algo que permita baixar os esforços de consolidação orçamental."
Juros acima dos 7% Os avisos à navegação de Mario Draghi aconteceram num dia marcado pela subida dos juros da dívida da maior parte dos países europeus, com destaque para a Alemanha, que ultrapassaram os 2%, um máximo de 17 meses. Este facto, que pode estar associado à quebra inesperada de 2,7% das encomendas à indústria alemã, teve um efeito em cadeia e atingiu fortemente a dívida portuguesa.
A yield da dívida com maturidade a 10 anos atingiu mesmo os 7,001%, de acordo com as taxas genéricas da Bloomberg, superando a fasquia dos 7% pela primeira vez desde 18 de Julho, quando o país estava em plena crise política. A subida é de 21 pontos-base só na sessão de hoje nos títulos a 10 anos, sendo um pouco inferior nos prazos mais curtos. O juro da dívida a cinco anos avança 17 pontos-base, para 6,35%. Em todas as maturidades acima de 4 anos a "yield" é superior a 6%. No prazo a dois anos o juro está em 5,25%.
Isto acontece em Setembro de 2013, o mês em que Portugal deveria, de acordo com o Memorando de entendimento e os desejos do governo, regressar aos mercados. E também acontece num mês em que a troika chega a Portugal para a oitava e a nona avaliações e o executivo prepara um Orçamento do Estado para 2014 com mais dúvidas do que certezas, interna e externamente.
Banco Central Europeu mantém taxa de juro directora nos 0,5%. Economia da zona euro cai 0,4% este ano e sobe 1% em 2014
Água na fervura que grassa em certos sectores sobre a evolução da economia europeia a curto e médio prazo. Foi este o tom da intervenção de Mario Draghi, presidente do BCE, no final do conselho de governadores de ontem, que decidiu manter a taxa de juro directora nos 0,5%. Os dados relativos ao segundo trimestre, em que a zona euro e a generalidade dos seus membros, como Portugal, registaram crescimentos em cadeia, geraram uma onda de optimismo em muitas capitais, com alguns responsáveis a decretarem o fim da crise. Em Espanha, por exemplo, o facto de o desemprego ter descido 31 pessoas em Agosto, levou o ministro da Economia, Luis de Guindos, a lançar foguetes sobre a retoma económica e o fim da crise.
Acontece que ontem Mario Draghi admitiu que a economia da zona euro vai cair menos este ano, 0,4% de contracção em vez dos 0,6% da previsão anterior, mas reviu em baixa o crescimento para 2014 de 1,1% para 1%. O presidente do BCE alertou para os factores negativos que podem afectar a economia europeia, mas também mundial, nomeadamente a subida de matérias-primas como o petróleo, se a intervenção militar dos EUA na Síria provocar um conflito regional.
Reduzir défices Na mesma linha de pôr água na fervura nos optimismos gerados pelos resultados do segundo trimestre, o presidente do BCE insistiu na necessidade de os países manterem políticas de redução dos défices e não entrarem outra vez pelos caminhos que levaram à presente crise económica e financeira, com dívidas públicas acima do razoável: "Apesar de o banco central garantir taxas de juro baixas por quanto tempo for necessário, isso não deve ser interpretado pelos governos como algo que permita baixar os esforços de consolidação orçamental."
Juros acima dos 7% Os avisos à navegação de Mario Draghi aconteceram num dia marcado pela subida dos juros da dívida da maior parte dos países europeus, com destaque para a Alemanha, que ultrapassaram os 2%, um máximo de 17 meses. Este facto, que pode estar associado à quebra inesperada de 2,7% das encomendas à indústria alemã, teve um efeito em cadeia e atingiu fortemente a dívida portuguesa.
A yield da dívida com maturidade a 10 anos atingiu mesmo os 7,001%, de acordo com as taxas genéricas da Bloomberg, superando a fasquia dos 7% pela primeira vez desde 18 de Julho, quando o país estava em plena crise política. A subida é de 21 pontos-base só na sessão de hoje nos títulos a 10 anos, sendo um pouco inferior nos prazos mais curtos. O juro da dívida a cinco anos avança 17 pontos-base, para 6,35%. Em todas as maturidades acima de 4 anos a "yield" é superior a 6%. No prazo a dois anos o juro está em 5,25%.
Isto acontece em Setembro de 2013, o mês em que Portugal deveria, de acordo com o Memorando de entendimento e os desejos do governo, regressar aos mercados. E também acontece num mês em que a troika chega a Portugal para a oitava e a nona avaliações e o executivo prepara um Orçamento do Estado para 2014 com mais dúvidas do que certezas, interna e externamente.
25.7.13
Empobrecimento não traz crescimento nem consolidação
in Público on-line
Manuel Caldeira Cabral escreve sobre o legado de Vítor Gaspar, ex-ministro das Finanças.
O PÚBLICO desafiou economistas portugueses a escreverem sobre o legado de Vítor Gaspar. A série começa esta quinta-feira com Manuel Caldeira Cabral. Diz o autor: "Não podemos repetir o erro de não dar espaço à economia para crescer"
Nos últimos dois anos, Vítor Gaspar dominou o Governo e centrou a discussão pública. O ex-ministro das Finanças entrou com uma visão clara da crise e das soluções que esta exigia, e saiu reconhecendo que as falhas sucessivas em acertar previsões tinham minado a sua credibilidade e capacidade para continuar no Governo.
É injusto atribuir-lhe todas as falhas do Governo. Temos de reconhecer o difícil contexto em que teve de trabalhar. Mas é também importante reconhecer que os resultados ficaram muito aquém do esperado e que o país em muitos aspectos está hoje pior do que estava há dois anos. O défice em 2013 será demasiado parecido com o de 2011, mesmo com taxas de imposto mais elevadas. A economia está a cair mais. A taxa de desemprego deu um salto brutal de 12% para mais de 18%. O consenso que existia perdeu-se.
Manuel Caldeira Cabral escreve sobre o legado de Vítor Gaspar, ex-ministro das Finanças.
O PÚBLICO desafiou economistas portugueses a escreverem sobre o legado de Vítor Gaspar. A série começa esta quinta-feira com Manuel Caldeira Cabral. Diz o autor: "Não podemos repetir o erro de não dar espaço à economia para crescer"
Nos últimos dois anos, Vítor Gaspar dominou o Governo e centrou a discussão pública. O ex-ministro das Finanças entrou com uma visão clara da crise e das soluções que esta exigia, e saiu reconhecendo que as falhas sucessivas em acertar previsões tinham minado a sua credibilidade e capacidade para continuar no Governo.
É injusto atribuir-lhe todas as falhas do Governo. Temos de reconhecer o difícil contexto em que teve de trabalhar. Mas é também importante reconhecer que os resultados ficaram muito aquém do esperado e que o país em muitos aspectos está hoje pior do que estava há dois anos. O défice em 2013 será demasiado parecido com o de 2011, mesmo com taxas de imposto mais elevadas. A economia está a cair mais. A taxa de desemprego deu um salto brutal de 12% para mais de 18%. O consenso que existia perdeu-se.
22.7.13
G20 quer mais crescimento e criação de emprego a nível mundial
in Jornal de Notícias
Os países mais ricos do mundo e as potências emergentes do G20 concordaram, este sábado, em impulsionar, no curto prazo, o crescimento e o emprego a nível mundial, tendo realçado que as alterações aos pacotes de estímulo monetário das nações devem ser claramente comunicadas.
Os ministros das Finanças do G20 também apoiaram um plano de ação elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) para impedir e reprimir a evasão fiscal por parte das multinacionais e ajudar a equilibrar os orçamentos fragilizados.
"Nós concordamos que a prioridade a curto prazo é impulsionar o crescimento e o emprego", lê-se no comunicado final da reunião realizada em Moscovo.
O G20 defende ainda que as "futuras alterações de política monetária" devem continuar a ser "devidamente calibradas e claramente comunicadas".
Os países mais ricos e as potências emergentes do G20 dão como exemplo as medidas seguidas pela Reserva Federal norte-americana (Fed) de estímulo da política económica da maior economia do mundo, os Estados Unidos, como um elemento a ter em conta para que haja um maior crescimento e uma redução do desemprego, a nível mundial.
Os países mais ricos do mundo e as potências emergentes do G20 concordaram, este sábado, em impulsionar, no curto prazo, o crescimento e o emprego a nível mundial, tendo realçado que as alterações aos pacotes de estímulo monetário das nações devem ser claramente comunicadas.
Os ministros das Finanças do G20 também apoiaram um plano de ação elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) para impedir e reprimir a evasão fiscal por parte das multinacionais e ajudar a equilibrar os orçamentos fragilizados.
"Nós concordamos que a prioridade a curto prazo é impulsionar o crescimento e o emprego", lê-se no comunicado final da reunião realizada em Moscovo.
O G20 defende ainda que as "futuras alterações de política monetária" devem continuar a ser "devidamente calibradas e claramente comunicadas".
Os países mais ricos e as potências emergentes do G20 dão como exemplo as medidas seguidas pela Reserva Federal norte-americana (Fed) de estímulo da política económica da maior economia do mundo, os Estados Unidos, como um elemento a ter em conta para que haja um maior crescimento e uma redução do desemprego, a nível mundial.
28.6.13
Crescimento em Trás-os-Montes à espera de melhores políticas
in Jornal de Notícias
Uma região subdesenvolvida transformou-se nas últimas décadas num território com melhores infraestruturas mas pouco crescimento. Melhores políticas de desenvolvimento económico e social é o que pedem alguns dos protagonistas da região, reunidos, esta quinta-feira, no Instituto Politécnico de Bragança, na conferência 125 anos do JN.
Uma região subdesenvolvida transformou-se nas últimas décadas num território com melhores infraestruturas mas pouco crescimento. Melhores políticas de desenvolvimento económico e social é o que pedem alguns dos protagonistas da região, reunidos, esta quinta-feira, no Instituto Politécnico de Bragança, na conferência 125 anos do JN.
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