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8.3.23

Afinal, o que nos dizem os números?

Rosália Amorim, opinião, in Dinheiro Vivo

Ora crescemos, ora estamos em crise. Ora registamos (quase) pleno emprego, ora o desemprego acelera. Afinal, o que nos dizem os números sobre a verdadeira realidade lusitana, que vai para além da narrativa política? Acima de tudo, evidenciam que a enorme incerteza continua a dominar a economia nacional e internacional e não vale a pena embandeirar em arco de cada vez que se altera uma pequena nuance num indicador macroeconómico.

Vamos aos factos: a taxa de desemprego subiu, em janeiro, para 7,1%, mais 0,3 pontos percentuais do que no mês anterior e 1,2 pontos percentuais acima da verificada em janeiro de 2022. São estimativas provisórias do Instituto Nacional de Estatística (INE) que destacam que este é o valor mais elevado desde novembro de 2020, em plena pandemia, quando era de 7,3%. Preocupante? É "um sinal de alerta", afirmou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.A boa notícia? A população ativa aumentou 0,8%.

Olhando para o Produto Interno Bruto (PIB), no conjunto do ano de 2022 registou um crescimento de 6,7% em volume, o mais elevado desde 1987, após o aumento de 5,5% em 2021 que se seguiu à diminuição histórica de 8,3% em 2020, na sequência dos efeitos adversos da pandemia na atividade económica. Outra boa notícia.

O problema é que o PIB cresce, mas o desemprego aumenta. É contraditório e isso deixa os portugueses em estado de alerta. Até porque, todos os dias, percebem que à sua volta as empresas se deparam cada vez com maiores dificuldades em fazer frente aos custos e a procura começa a dar sinais de retração devido à alta da inflação e das taxas de juro.

Por outro lado, a confiança retrai-se porque a guerra na Europa continua a ensombrar até as previsões dos mais otimistas. Do lado das famílias, estas já foram forçadas a fazer um corte no volume de comida que todos os meses adquirem. Como noticiou o Dinheiro Vivo, os agregados residentes em Portugal reduziram de forma significativa (maior corte de que há registo) os alimentos comprados no ano passado. No entanto, o valor pago em comida disparou e atingiu um recorde puxado pela inflação galopante e atingiu o maior valor, segundo o INE.

Ao mesmo tempo que tudo isto sucedeu, do lado do Estado a dívida caiu para 113,8% do PIB, o que é uma boa notícia de credibilidade para o país junto dos mercados internacionais, mas não serve para comprar pão nem manteiga. E perguntam as famílias: com a folga orçamental que possa existir nas Finanças, não seria possível fazer um pouco mais para aliviar a carga que recai sobre os ombros e as carteiras dos portugueses?

Jornalista

1.3.23

Com o dobro de mulheres em empregos tech, PIB da UE poderia aumentar até 600 mil milhões

Joana Nabais Ferreira, in ECO

O facto de (ainda) não existir igualdade de género no setor tech, continuando a ser os homens quem mais intervém no design e na construção dos produtos tecnológicos que moldam a nossa vida, pode estar não só a reforçar a desigualdade e os preconceitos como a impactar a economia europeia. Se a percentagem de mulheres em empregos tecnológicos duplicasse até 2027, o PIB da União Europeia (UE) poderia aumentar em até 600 mil milhões de euros. Esta é uma das principais conclusões do relatório “Women in tech: The best bet to solve Europe’s talent shortage” da McKinsey & Company.

“A falta de talento no setor tecnológico pode colocar a capacidade de crescimento da Europa e das suas empresas em risco, e os líderes estão conscientes desse problema: 77% dos executivos citaram o défice de competências como um obstáculo à implementação da transformação digital, e apenas 16% dos líderes afirmaram que as suas empresas estão preparadas para colmatar esta lacuna”, afirma André Osório, diretor de client capabilities da McKinsey em Portugal e em Espanha.

Atualmente, apenas 22% das mulheres europeias ocupam atualmente cargos tecnológicos em empresas, sendo o desenvolvimento e gestão de produto (46%) e a engenharia, ciência e análise de dados (30%) as áreas com maior representação feminina.

Por outro lado, os cargos com maior procura atualmente, relacionados com DevOps e Cloud, são também os que têm o menor número de trabalhadoras: apenas 8%. Seguem-se as áreas de sistemas (15%) e de engenharia core (18%).

O gap ao nível de género está diretamente relacionado com a percentagem de mulheres no ensino superior nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Segundo o relatório, a média europeia de mulheres licenciadas em cursos STEM é de 32%, sendo que, no caso de Portugal, o país fecha o top 10 europeu com valores na ordem dos 35%.

“Ao contrário do mito de que a falta de mulheres em STEM se deve a uma menor predisposição das mesmas para o tema, em termos gerais, em todos os países europeus, as alunas e os alunos pré-adolescentes não mostram diferenças nas competências científicas e matemáticas, tal como refletido no teste TMMS, realizado aos nove anos, e no teste PISA, realizado aos 15 anos”, refere a consultora.

Os quatro R’s de atuação

Para colmatar esta lacuna, a análise da McKinsey indica que a Europa deve aumentar o seu talento tecnológico feminino em mais de 1,6 milhões e alcançar um equilíbrio de 40/60 até 2027. Para que isso aconteça, é crucial atuar com base em quatro pilares chave, começando, desde logo, pela redistribuição, que significa “impulsionar a formação STEM e recrutar mulheres com potencial em papéis não tecnológicos que tenham competências indiretamente relacionadas com a tecnologia”.

Segue-se a remodelação, através da eliminação preconceitos no processo de contratação, que deve facilitar o equilíbrio entre a vida profissional e familiar.

Um terceiro pilar está relacionado com a retenção de talentos, criando oportunidades de liderança feminina, eliminando disparidades salariais e abordando as razões culturais para o abandono do talento feminino do setor.

Finalmente, o redimensionamento, aumentando a taxa de mulheres inscritas e licenciadas em cursos STEM.

“Se as empresas tiverem presentes estes pilares, poderemos ter uma presença feminina de 33% a 45% em cargos tecnológicos nos próximos anos. A atual falta de diversidade na tecnologia europeia resulta em desvantagens significativas para a Europa em toda a força de trabalho, na sociedade e mesmo ao nível da inovação. Neste sentido, é de particular importância aumentar a presença de mulheres nos cargos de topo: por exemplo, empresas em que a presença de mulheres nos conselhos de administração ultrapassa os 30% têm em média um investimento em I&D quatro vezes superior ao resto da economia”, refere André Osório.

Integrar mulheres fora do mercado de trabalho

Para além da atuação sobre estes quatro pilares, o relatório revela uma oportunidade adicional para reintegrar mulheres atualmente fora da força de trabalho. Mais de 13 milhões de mulheres europeias, com idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos, estão fora do mercado de trabalho, representando 18,5% do total da população feminina.

Quase metade (46%) deste grupo afirma que as responsabilidades familiares são a principal razão pela qual não podem trabalhar, revelando que existe espaço de atuação para as organizações, sugere o estudo da consultora.

“Assumindo que a taxa de sucesso das mulheres que reentram no mercado de trabalho tecnológico se situa entre 15% e 20%, com as empresas a oferecer políticas de conciliação e flexibilidade, tais como cuidados infantis e apoio familiar no trabalho, estamos a falar de 140.000 a 200.000 talentos tecnológicos que poderiam ser incorporados nesta indústria a nível Europeu“, conclui André Osório.

O relatório “Women in tech: The best bet to solve Europe’s talent shortage” teve por base os dados de mais de 60 milhões de trabalhadores na Europa.

17.5.22

Portugal será o país que mais crescerá na UE em 2022 (e inflação acelera)

in Notícias ao Minuto

Bruxelas está mais otimista relativamente ao PIB português. A previsão para a taxa de inflação também foi revista em alta face às anteriores projeções.

Comissão Europeia está mais otimista e vê o produto interno bruto (PIB) português a crescer 5,8% este ano, o que significa uma revisão em alta face às anteriores projeções. A taxa de inflação, também revista em alta, deverá fixar-se nos 4,4% em 2022, segundo as previsões económicas de primavera, divulgadas esta segunda-feira.

Na anterior previsão, divulgada a 10 de fevereiro, a Comissão Europeia estimava que o PIB português registasse um acréscimo de 5,5% este ano. A perspetiva para a taxa de inflação era de 2,3%.

O relatório da Comissão Europeia assinala que "as perspetivas de crescimento permanecem favoráveis, apesar dos desafios relacionados com os preços das 'commodities', das cadeias de abastecimento globais e maior incerteza na procura externa".

Com a taxa estimada para este ano, Portugal será o país que mais vai crescer em 2022, de acordo com as previsões da Comissão Europeia:

Relativamente ao próximo ano, Bruxelas vê o PIB português a crescer 2,7%, ao passo que a taxa de inflação deverá cifrar-se nos 1,9%.

A Comissão Europeia também melhorou em 1,5 pontos percentuais (p.p.) as previsões para o défice português, esperando um saldo negativo das contas públicas de 1,9% este ano, em linha com o previsto pelo Governo.

Nas previsões macroeconómicas de primavera, Bruxelas prevê um défice de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, abaixo dos 3,4% estimados no outono, revelando-se também mais otimista sobre o desempenho orçamental em 2023, ao esperar um défice de 1%, quando anteriormente previa um saldo negativo de 2,8%.

A previsão do défice dos técnicos da Comissão Europeia está, assim, em linha com a do Ministério das Finanças para este ano, subjacente à proposta do Orçamento do Estado.


26.1.22

Apoios à economia e saúde não alteram previsão de subida de 4,8% do PIB

in JN

O ministro das Finanças, João Leão, assegurou esta segunda-feira que as medidas de apoio à economia e saúde adotados em dezembro devido ao agravamento da covid-19 no país "não alteram a previsão" de crescimento económico de 4,8% em 2021.

"Portugal conseguiu resistir bastante bem a esta fase da pandemia e não tivemos de impor medidas com grande impacto na economia e, portanto, espera-se que o valor de 4,8% [de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)] previsto pelo Governo seja alcançado", declarou o ministro de Estado e das Finanças, falando aos jornalistas portugueses em Bruxelas.

Em declarações prestadas à entrada para a reunião do Eurogrupo, o governante vincou que esses apoios orçamentais adotados no final de 2021 "não alteraram a previsão porque a economia portuguesa conseguiu resistir muito bem a esta fase da pandemia".

"Tivemos de tomar algumas medidas de caráter orçamental para reforçar mais o SNS e mais despesas na área da Saúde e, em particular, em testes de covid-19 muito abrangentes em Portugal, mas em relação às perspetivas sobre crescimento económico esperamos que se chegue aos 4,8%", reforçou João Leão, lembrando também as medidas de apoio à economia.

Em concreto, "em relação à dívida pública, vamos ter uma redução histórica, de 135% para 127%, com Portugal a aproximar-se de outros países", estimou o ministro.

Relativamente ao défice, "também vai ficar ligeiramente abaixo do previsto e, pela sexta vez, o Governo vai cumprir as metas orçamentais previstas, o que é fundamental para a credibilidade e para as condições de financiamento do país", adiantou João Leão.

"Os indicadores que temos apontam que [Portugal] vai conseguir atingir os 4,8%, que é uma recuperação notável e que, somando ao crescimento deste ano, vamos no espaço de dois anos subir cerca de 11%", concluiu.

Na proposta do Orçamento do Estado para 2022, divulgada em outubro passado, o Governo estimou que a economia portuguesa deverá crescer 4,8% em 2021 e 5,5% em 2022, revisões em alta face ao previsto no Programa de Estabilidade divulgado em abril (4,0% para este ano e 4,9% para 2022).

Em 2020, primeiro ano fortemente marcado pela pandemia de covid-19, a economia portuguesa contraiu 8,4%.

O défice público deverá ficar nos 4,3% do PIB em 2021 e descer para 3,2% em 2022, enquanto a taxa de desemprego cairá para os 6,5% no próximo ano, "atingindo o valor mais baixo desde 2003", segundo a proposta do Orçamento do Estado para 2022.

A dívida pública, há muito considerada por analistas e agências de notação como o 'calcanhar de Aquiles' da economia portuguesa, deverá reduzir-se para 126,9% do PIB este ano e 122,8% no próximo.

31.8.21

Famílias já consomem mais do que em 2019 e o investimento também está acima do pré-crise (mas as exportações estão muito abaixo)

Sónia M. Lourenço, in Expresso

Produto Interno Bruto português no segundo trimestre ficou apenas 3,4% abaixo do mesmo período de 2019. Despesas de consumo das famílias e das Administrações Públicas já ultrapassaram o patamar pré-crise, tal como o investimento. Mas as exportações, penalizadas pelo turismo, ainda contabilizam uma quebra superior a 15%

Perto de 1750 milhões de euros. Foi essa a distância a que o Produto Interno Bruto (PIB) português no segundo trimestre deste ano ficou do valor registado no mesmo período de 2019, ou seja, antes da crise pandémica. A diferença foi de apenas 3,4%, sinalizando que a economia portuguesa está perto de regressar ao patamar pré-crise. Mas, uma análise do Expresso aos dados publicados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mostram que a recuperação está a ser assimétrica. Na frente interna, o consumo das famílias e das Administrações Públicas já ficou no segundo trimestre acima do segundo trimestre de 2019. Também o investimento ultrapassou o patamar pré-crise. Mas, na frente externa, as exportações, penalizadas pelo turismo, ainda contabilizam perdas a dois dígitos.

Um crescimento histórico de 15,5% - o mais elevado desde pelo menos 1978. Foi assim o comportamento da economia portuguesa no segundo trimestre deste ano, beneficiando tanto do efeito de base - um ano antes Portugal enfrentou o primeiro confinamento geral para travar a pandemia de covid-19 e a atividade económica caiu a pique - como do impulso dado pela reabertura do país após o segundo confinamento geral no início de 2021.

Como resultado, o PIB atingiu 48,99 mil milhões de euros, ficando a cerca de 1750 milhões de euros de distância do valor do segundo trimestre de 2019. Em termos percentuais, a quebra foi de 3,4%.

Contudo, por trás destes números, estão velocidades de recuperação diferentes entre os vários componentes do PIB. Na frente interna predominam as boas notícias, mas na frente externa os dados são mais sombrios.

Os números do INE indicam que no segundo trimestre deste ano a procura interna em Portugal - consumo privado e público, bem como investimento - ficou 1,1% acima do registado no segundo trimestre de 2019.

As despesas de consumo final ultrapassaram o patamar pré-crise, com o valor do segundo trimestre a ultrapassar em 1,5% o do mesmo período de 2019. E tanto as famílias residentes no país (mais 0,6%), como as Administrações Públicas (mais 5,6%) consumiram acima do período homólogo de 2019.

Onde é que as famílias estão a gastar mais? Comparando as despesas de consumo final no segundo trimestre de 2021 e no mesmo período de 2019, conclui-se que houve um aumento de 7,1% nos bens alimentares. Já nos bens duradouros - automóveis, mobílias e computadores, entre outros bens - as despesas de consumo final das famílias ficaram praticamente em linha com 2019, com uma quebra muito ligeira de 0,5%. Por fim, nos bens correntes não alimentares e serviços, o patamar pré-crise ainda não foi atingido, mas por uma margem pequena (redução de 1%).

Passando para o investimento, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) é o indicador mais importante na análise e regista um crescimento de 2,8% entre o segundo trimestre de 2019 e o mesmo período deste ano. Mais ainda, todas as componentes da FBCP, com exceção do equipamento de transporte, estão acima do patamar pré-crise pandémica. Os incrementos são de 0,4% nos recursos biológicos cultivados, de 2,3% nas outras máquinas e equipamentos e sistemas de armamento, de 9,8% na construção, e de 0,6% nos produtos de propriedade intelectual. Em sentido inverso, como referido, a FBCF em equipamento de transporte contabiliza uma queda acentuada, de 29,6%.

TURISMO PENALIZA EXPORTAÇÕES

O cenário é diferente quando se analisa a frente externa da economia portuguesa. No segundo trimestre deste ano as exportações ficaram 15,3% abaixo do valor alcançado no mesmo período de 2019, muitos penalizadas pela componente dos serviços, onde o turismo tem um peso decisivo. De facto, os dados do INE mostram que, em termos reais, as exportações de bens ficaram perto do patamar pré-crise (quebra de 5,6% entre o segundo trimestre de 2019 e o mesmo período de 2021), mas nos serviços ainda estão muito longe desse nível (menos 36,1%). Até porque a retoma parcial que se tem sentido no sector do turismo tem sido conseguida sobretudo com turistas nacionais. Já o turismo internacional com destino a Portugal permanece débil.

Quanto às importações, ficaram 4,7% abaixo do patamar do segundo trimestre de 2019, com reduções de 2,6% nos bens e de 15,2% nos serviços.

Uma nota importante a ter em conta na evolução de exportações e importações em termos reais foi a deterioração dos termos de troca para Portugal, penalizando o contributo da frente externa para o PIB. O INE destaca que "no segundo trimestre de 2021, em termos homólogos, registou-se uma perda nos termos de troca, tendo o comportamento do deflator das importações sido influenciado, em larga medida, pelo crescimento pronunciado dos preços dos produtos energéticos".

25.3.21

Estes sete números mostram impacto da Covid-19 na economia

in EcoOn-line

Da evolução do PIB à adesão ao lay-off simplificado, passando pela trajetória do desemprego, estes números mostram como a crise pandémica afetou a economia nacional.

O primeiro ano da pandemia de Covid-19 ficou marcado pela maior quebra de que há registo da economia nacional, levando o turismo a quase paralisar durante dois meses e ao lay-off de parte significativa da população.

Os dois primeiros casos de pessoas infetadas em Portugal com o novo coronavírus foram anunciados em 02 de março de 2020, enquanto a primeira morte foi comunicada ao país em 16 de março.

No dia 19, entrou em vigor o primeiro período de estado de emergência, que previa o confinamento obrigatório, restrições à circulação em Portugal continental e suspensão de atividade em diversas áreas.

A suspensão ou restrição de atividade em variados setores, como restauração, comércio, turismo e cultura, entre outros, elevou o número de falências em Portugal, agravou situações de precariedade e provocou o aumento do desemprego.

Eis alguns números acerca do impacto económico da pandemia de Covid-19 em Portugal:

Produto Interno Bruto

O segundo trimestre de 2020 observou a maior quebra do Produto Interno Bruto (PIB) desde que há registo em Portugal, devido à paralisação quase total da atividade económica durante a vigência do primeiro estado de emergência, entre 19 de março e 02 de maio, e às limitações impostas à maioria dos setores da sociedade.

Entre 01 de abril e 30 de junho de 2020, a economia portuguesa contraiu 16,3% face ao registado no mesmo período de 2019, e relativamente ao primeiro trimestre, o último sem pandemia de covid-19, a quebra do PIB foi de 13,9%, de acordo com números do Instituto Nacional de Estatística (INE).

No conjunto do ano, o PIB caiu 7,6% em 2020, registando a contração “mais intensa” da atual série de Contas Nacionais do INE, “refletindo o efeito negativo extraordinário da pandemia covid-19 na atividade económica”.

De acordo com o INE, “a procura interna foi particularmente afetada” em 2020, registando uma redução de 4,7% em termos reais (após ter aumentado 2,8% no ano anterior), passando de um contributo para a variação anual do PIB de +2,8 pontos percentuais em 2019 para -4,6 pontos percentuais em 2020”.

Também a procura externa líquida acentuou o contributo negativo em 2020 (-3,0 pontos percentuais, contra -0,3 pontos percentuais em 2019), “refletindo sobretudo a diminuição sem precedente das exportações de turismo”.

Atividade turística

De acordo com dados preliminares do INE, “os estabelecimentos de alojamento turístico registaram 10,5 milhões de hóspedes e 26,0 milhões de dormidas, -61,3% e -63,0%, respetivamente”, face a 2019, ano em que tinham registado subidas respetivas de 7,9% e 4,6%. As dormidas de residentes corresponderam a 13,6 milhões, o número mais baixo desde 2013, e 12,3 milhões de não residentes, o valor mais baixo desde 1984.

Em abril de 2020, segundo o INE, registou-se uma “expressão praticamente nula” da atividade turística, com variações homólogas de -97,4% e -97,0% em termos do número de hóspedes e dormidas. Registo similar ocorreu em maio, mês em que foram albergados 149,8 mil hóspedes e registadas 307,0 mil dormidas, variações de -94,2% e -95,3% face ao mesmo mês de 2019. Após uma recuperação a partir de junho, voltou a registar-se uma tendência inversa a partir de setembro até dezembro, mês em que se registou uma ligeira recuperação.

Em janeiro, segundo o INE, a contração acentuou-se, com os proveitos a registarem quebras superiores a 80% face ao mesmo mês de 2019.

Desemprego

A taxa de desemprego subiu de 6,5% em 2019 para 6,8% em 2020, de acordo com os números divulgados pelo INE.

A taxa de subutilização do trabalho para o conjunto do ano de 2020 – indicador que agrega a população desempregada, o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inativos à procura de emprego, mas não disponíveis e os inativos disponíveis, mas que não procuram emprego – foi estimada em 13,9%, ou seja, 1,2 pontos percentuais acima da do ano anterior.

A população empregada, por sua vez, foi estimada em 4.814,1 mil pessoas, o que representa a redução de 99 mil empregos em relação ao ano anterior. Já a população desempregada, 350,9 mil pessoas, aumentou 3,4% (11,4 mil) em relação àquele período.

A taxa de desemprego de jovens (15 a 24 anos) no conjunto do ano situou-se em 22,6%, 4,3 pontos percentuais acima do estimado para o ano anterior. O INE também informou que “a evolução do emprego ocorreu num contexto em que foi instituído o regime simplificado de lay-off, limitando o impacto no número de trabalhadores desempregados provocado pelo encerramento de empresas, total ou parcialmente, de forma temporária”.

Lay-off

De acordo com um documento do Governo entregue aos parceiros sociais na reunião da Comissão Permanente de Concertação Social (CPCS) de 17 de fevereiro, o lay-off simplificado de 2020 abrangeu 897 mil trabalhadores e 110 mil empresas.

Na mesma ocasião, foi conhecido que a Segurança Social recebeu 261 mil pedidos de apoios sociais extraordinários em janeiro e fevereiro, período durante o qual foram pedidos apoios ao emprego que abrangeram 431 mil trabalhadores e 83 mil empresas.

Segundo disse a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, em 10 de março estavam a ser atribuídos apoios a 74.000 empresas com o objetivo de assegurar a manutenção do emprego, tanto através do lay-off simplificado como do apoio à retoma da atividade.

Quanto ao lay-off tradicional, previsto no Código do Trabalho, em janeiro, o número de empresas abrangidas era de 249, correspondendo a 4.758 trabalhadores, segundo estatísticas da Segurança Social. Comparando com janeiro de 2020, ainda antes da pandemia, houve um acréscimo de 406,5% no total de processamentos de lay-off tradicional, ou seja, mais 3.818 prestações.

Falências e insolvências

De acordo com estatísticas da Direção-Geral da Política de Justiça (DGPJ) sobre insolvências, os processos especiais de revitalização e os processos especiais para acordo de pagamento diminuíram em 2020.

No segundo trimestre de 2020, em que o primeiro confinamento se fez sentir de forma mais acentuada, os processos entrados de falência, insolvência e recuperação de empresas (2.072 no total) baixaram 36% face ao mesmo período de 2019, e as insolvências (1.722) diminuíram 34,7%.

Quanto ao terceiro trimestre de 2020, último período sobre o qual estão disponíveis dados, comparativamente com o período homólogo de 2019 os processos entrados foram de 2.456, menos 9,2%, e as insolvências decretadas foram 2.042, menos 12% face à mesma altura de 2019.

Várias associações patronais dos setores mais afetados, como o turismo, hotelaria, restauração, comércio e mesmo instituições como o Conselho das Finanças Públicas ou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários alertaram para a possibilidade do aumento de falências durante e após a pandemia.

Vendas no comércio a retalho

O índice de volume de negócios no comércio a retalho, publicado pelo INE, diminuiu 4,3% no conjunto do ano de 2020, o que compara com o crescimento de 4,3% verificado em 2019. Em termos mensais, a maior quebra verificou-se em abril do ano passado, com uma descida de 21,6%, seguindo-se maio (-13,1%) e janeiro de 2021 (-10,9%).

Beneficiários de rendimento social de inserção

Em dezembro de 2020, existiam em Portugal 98.899 famílias e 211.540 beneficiários com processamento de rendimento social de inserção (RSI), de acordo com os números do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

No mesmo mês de 2019, havia 94.627 famílias e 203.273 beneficiários com processamento de RSI. Em dezembro do ano passado, 68.411 dos beneficiários tinham menos de 18 anos, número que diminuiu para 65.792 no mesmo mês de 2020.



26.2.21

https://www.publico.pt/2021/02/26/p3/noticia/tribunal-direitos-humanos-mantem-prioridade-caso-jovens-portugueses-33-paises-1952121

in RR

INE agrava prestação da economia portuguesa no último semestre do ano passado. Procura interna caiu quase 5% em 2020 e exportações mais de 18%.

O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 7,6% em 2020, registando a contração "mais intensa" da atual série de Contas Nacionais do INE, e recuou 6,1% no quarto trimestre, divulgou esta sexta-feira o instituto estatístico.

Nas Contas Nacionais Trimestrais agora reveladas, o INE manteve a variação anual em volume do PIB publicada na estimativa rápida do passado dia 2, mas reviu em baixa, de -5,9% para -6,1%, a taxa de variação homóloga do PIB do quarto trimestre de 2020.

Também revistos foram os resultados provisórios de 2019, tendo o INE efetuado uma revisão em alta de 0,3 pontos percentuais das taxas de variação em volume e em valor do PIB, para 2,5% e 4,3%, respetivamente, em relação às estimativas que tinham sido publicas em 23 de setembro passado, e revisto em +0,3 pontos percentuais as taxas de variação homóloga no terceiro e quarto trimestres de 2019.

Segundo o INE, "em 2020 o PIB registou uma taxa de variação de -7,6% em volume, após um aumento de 2,5% em 2019", sendo esta contração "a mais intensa na atual série de Contas Nacionais, refletindo o efeito negativo extraordinário da pandemia covid-19 na atividade económica".

O Governo apontava para uma contração económica ainda mais acentuada, de 8,5%, enquanto a Comissão Europeia e o Conselho das Finanças Públicas esperavam uma queda de 9,3% do PIB, estando o Fundo Monetário Internacional mais pessimista (-10,0%).

Já o Banco de Portugal (BdP) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) apontavam para uma queda do PIB de 8,1% e 8,4%, respetivamente.
Procura interna cai quase 5%, exportações mais de 18%

De acordo com o INE, "a procura interna foi particularmente afetada" em 2020, registando uma redução de 4,7% em termos reais (após ter aumentado 2,8% no ano anterior), passando de um contributo para a variação anual do PIB de +2,8 pontos percentuais em 2019 para -4,6 pontos percentuais em 2020".

Já o consumo privado (Despesas de Consumo Final das Famílias Residentes e das Instituições Sem Fim Lucrativo ao Serviço das Famílias) registou uma variação de -5,9%, em termos reais, e o Investimento diminuiu 4,9% (variações de 2,6% e 5,4%, respetivamente, em 2019).

Também a procura externa líquida acentuou o contributo negativo em 2020 (-3,0 pontos percentuais, contra -0,3 pontos percentuais em 2019), "refletindo sobretudo a diminuição sem precedente das exportações de turismo".

"As exportações de bens e serviços em volume registaram uma redução de 18,6% em 2020 (crescimento de 3,9% em 2019), destacando-se o impacto da forte redução das exportações de serviços (-34,0%), associada, em grande parte, à quebra sem precedente no turismo", refere o INE, acrescentando que "a componente de bens apresentou uma diminuição de 11,4% em 2020, após o aumento de 3,3% no ano anterior".

Menor foi a contração das importações de bens e serviços, que recuaram 12,0% (aumento de 4,7% em 2019), com as importações de bens a diminuírem 10,3% e a componente de serviços a recuar 20,3% (+4,0% e +8,4% em 2019, respetivamente).

Em 2020, o Valor Acrescentado Bruto (VAB) a preços base registou uma taxa de variação de -6,4% em volume, após ter aumentado 2,4% em 2019, com o VAB dos ramos "comércio e reparação de veículos" e "alojamento e restauração" a diminuir "de forma expressiva" (-12,7%) e a apresentar o contributo mais negativo (-2,2 pontos percentuais) para a variação do VAB total (incluindo impostos líquidos de subsídios).

O emprego (medido em número de indivíduos), para o conjunto dos ramos de atividade, diminuiu 1,7% em 2020, após ter aumentado 0,8% no ano anterior.

Em termos nominais, o PIB diminuiu 5,3% em 2020 (aumento de 4,3% em 2019), situando-se em cerca de 202.700 milhões de euros.

No que diz respeito ao quarto trimestre de 2020, o PIB registou uma contração homóloga de 6,1%, uma taxa inferior em 0,4 pontos percentuais aos -5,7% do trimestre anterior. .

Em termos nominais, o PIB diminuiu 4,1% no quarto trimestre de 2020 face ao mesmo período de 2019 (-4,0% no trimestre precedente).

O INE refere que o contributo da procura interna para a variação homóloga do PIB foi menos negativo no quarto trimestre, passando de -3,5 pontos percentuais no terceiro trimestre para -2,7 pontos percentuais.

"Esta evolução foi determinada em larga medida, pela contração menos pronunciada do investimento, que se situou em -0,3% em volume no quarto trimestre (-7,2% no trimestre anterior), enquanto o consumo privado diminuiu de forma mais intensa, registando uma variação de -4,8% (-4,1% no terceiro trimestre)", explica.

O consumo público registou um crescimento homólogo de 3,1% em termos reais no último trimestre de 2020, acelerando ligeiramente face ao observado no trimestre anterior (variação de 2,8%), e a procura externa líquida apresentou um contributo de -3,5 pontos percentuais para a variação homóloga do PIB (-2,1 pontos percentuais no trimestre anterior).

As exportações de bens e serviços passaram de uma variação homóloga de -15,9% em termos reais no terceiro trimestre para -14,1%, enquanto as importações recuaram 6,5% no quarto trimestre, após uma variação de -11,0% no trimestre anterior.

No quarto trimestre de 2020, em termos reais, o VAB a preços base registou uma variação homóloga de -4,0% (-4,6% no trimestre anterior) e o emprego (medido em número de indivíduos e ajustado de sazonalidade) diminuiu 0,6%, após uma redução de 2,5% no trimestre anterior.

Na comparação em cadeia, com o trimestre anterior, o PIB aumentou 0,2% em termos reais, "após o expressivo crescimento registado no terceiro trimestre (+13,3%), que se seguiu à contração sem precedente da atividade económica no segundo trimestre (-13,9%) causada pelos efeitos da pandemia covid-19".

O INE atribui este crescimento em cadeia do PIB no último trimestre do ano ao "contributo positivo da procura interna, uma vez que o contributo da procura externa foi aproximadamente nulo".

Quando comparado com o terceiro trimestre de 2020, o investimento total aumentou 2,2% (variação em cadeia de 6,2% no trimestre anterior), verificando-se um contributo da variação de existências para a variação em cadeia do PIB de 0,5 pontos percentuais no quarto trimestre (-0,6 pontos percentuais no período anterior) e um decréscimo da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) de 0,2% (+9,7% no terceiro trimestre).

Comparativamente com o trimestre anterior, as exportações totais aumentaram 6,2% em termos reais, após o crescimento de 39,8% registado no terceiro trimestre, verificando-se uma variação em cadeia de 4,0% na componente de bens e de 13,6% na de serviços.

A variação em cadeia das importações totais passou de 27,2% no terceiro trimestre para 6,0%, tendo as componentes de bens e de serviços aumentado 4,0% e 18,0%, respetivamente.

12.2.21

Comissão Europeia corta previsão de 2021 para Portugal. PIB chegará ao nível pré-crise em 2022

Tiago Varzim, in EcoOnline

A Comissão Europeia divulgou esta quinta-feira as previsões de Inverno para a economia dos Estados-membros. Portugal vai crescer menos do que o esperado em 2021, mas mais no próximo ano.

Com o agravamento da pandemia e a falta de produção de vacinas, a Comissão Europeia decidiu rever em baixa a recuperação da economia portuguesa para este ano. Em vez do crescimento do PIB de 5,4% projetado em novembro, Portugal vai crescer 4,1%. A consequência disso é que em 2022 a economia deverá acelerar para um crescimento de 4,3% (em vez dos 3,5% estimados anteriormente), atingindo no final desse ano o nível pré-crise.

A Comissão Europeia divulgou esta quinta-feira as previsões económicas de inverno numa altura em que a pandemia condiciona significativamente a atividade económica na União Europeia. No documento, os peritos assumem que as perspetivas de curto prazo para a economia europeia “parecem ser piores do que o esperado no outono uma vez que a pandemia se agravou”. No entanto, “há uma luz ao fundo do túnel” com a vacinação das populações mais frágeis, o que deverá aliviar a pressão sobre os serviços de saúde e permitir um relaxamento das restrições.

Em Portugal a degradação das previsões no arranque de 2021 é visível logo na expectativa de que terá, entre os Estados-membros, a maior queda em cadeia do PIB no primeiro trimestre (-2,1%) por causa do novo confinamento. De acordo com a Comissão Europeia, o arranque do ano será para esquecer, mas a recuperação começará no segundo trimestre e é esperada uma “retoma significativa” nos meses de verão. Os peritos estão a contar com uma forte recuperação do turismo, principalmente nas viagens intra-UE, mas avisam que a atividade do setor continuará abaixo do nível pré-crise pelo menos até ao final de 2022.

Assim, a economia portuguesa deverá crescer 4,1% em 2021, o que fica abaixo dos 5,4% esperados pelo Governo em outubro, tendo o ministro das Finanças já anunciado que haverá uma revisão significativa das previsões no Programa de Estabilidade em abril. É também de ter em conta que a recessão (-7,6%) foi menor em 2020 do que o esperado, o que influencia a base com que é calculada a variação percentual no ano seguinte.

Nos países europeus com maiores quedas em 2020 regista-se agora as recuperações mais fortes em percentagem, mas tal não significa que o PIB vá ficar mais perto do nível pré-crise. É o exemplo de Portugal — o quinto país da Zona Euro que mais cresce em 2021 — em que a Comissão Europeia espera que esse nível seja atingido apenas no final de 2022 enquanto noutros países será já no final de 2021 ou no início de 2022.

E mesmo a perspetiva de chegar ao final de 2022 com a economia portuguesa recuperada não é imune a percalços. “Os riscos mantêm-se significativos devido à grande dependência do país face ao turismo estrangeiro, o qual continua a enfrentar incertezas relacionadas com a evolução da pandemia“. Na conferência de imprensa, o comissário europeu para a economia, Paolo Gentiloni, reconheceu que Portugal foi “substancialmente” afetado pelo impacto da pandemia no turismo, “especialmente no turismo estrangeiro, que representa 8% do PIB português”.

Porém, também há fatores positivos que podem dar uma ajuda: estas previsões já contam com a verba inicial (13% do total de cada país) do fundo de recuperação europeu para 2021, mas não com as tranches que deverão seguir-se.

A Comissão Europeia espera que o aumento da procura dos consumidores e a melhoria da confiança dos empresários promovam a recuperação económica. “O consumo privado deverá beneficiar de um mercado de trabalho relativamente resiliente, dado que a queda do emprego compara favoravelmente com a do PIB e as transferências sociais do Estado darão mais ajudas ao rendimento”, assinala o executivo comunitário.

Na Zona Euro, o PIB vai crescer 3,8% tanto em 2021 como em 2022, o que compara com 4,2% e 3%, respetivamente, previstos em novembro. No conjunto da União Europeia, o PIB vai crescer 3,7% em 2021 e 3,9% em 2022, o que compara com 4,1% e 3%, respetivamente, previstos em novembro. Ou seja, tal como em Portugal, a expectativa é que o ritmo de recuperação seja mais lento este ano, mas que seja mais elevado em 2022 (face ao esperado anteriormente).



É de notar, dada a velocidade dos acontecimentos neste momento, que estas previsões da Comissão Europeia foram fechadas a 2 de fevereiro.
Riscos das previsões continuam elevados

A Comissão Europeia avisa na introdução destas projeções que este exercício continua a ter uma “incerteza significativa e riscos elevados”, principalmente por causa da evolução da pandemia e do “sucesso” das campanhas de vacinação.

Pelo lado positivo, o processo de vacinação poderá levar a um aligeirar as restrições e, assim, possibilitar uma recuperação mais forte da economia. Há também um fator psicológico: os peritos antecipam uma “surpresa” na retoma com um “otimismo pós-crise” que acelere o consumo e os “projetos de investimento inovadores”, graças a poupanças “historicamente elevadas” dos cidadãos, custos de financiamento baixos e políticas económicas expansionistas.

Pelo lado negativo, a pandemia poderá ser mais persistente ou mais severa do que o esperado no curto prazo, adiando ainda mais a esperada recuperação económica. Há também o risco de que a crise pandémica deixe “cicatrizes mais profundas” no tecido empresarial europeu e na sociedade, através de falências, desemprego de longo prazo e mais desigualdades.

Em último lugar, a incerteza relativamente à execução do fundo de recuperação europeu, mais de meio ano após o primeiro entendimento entre os Estados-membros, também não ajuda tanto quanto poderia.

8.2.21

A quinta maior crise em 150 anos foi pior do que os anos da troika

Jorge Nascimento Rodrigues, in Expresso

A economia não registava uma queda perto de 8% desde a crise de 1928, quando Salazar se sentou na cadeira das Finanças

A economia acabou por se afundar menos do que se esperava no ano passado, mas não deixa de ficar na história da democracia como a maior de sempre nestes últimos 46 anos. A quebra de 7,6% em 2020 é mais grave do que a crise de 1975, em plena ebulição política pós-revolução e com aumentos de 20% no preço do petróleo. E, em apenas 12 meses, é mais profunda do que a crise vivida entre 2011 e 2013, durante o programa da troika na sequência da crise da dívida.

2020 fica também na história como o ano em que Portugal sofreu a segunda grande pandemia dos últimos 120 anos. Mas esta crise foi mais dura, apesar de registar até agora muito menos mortes. Em 1918, com a vaga da gripe espanhola, que dizimou um mínimo de 59 mil portugueses (números oficiais), e com as sequelas do último ano da I Guerra Mun­dial a economia contraiu-se 6,5%. Agora foi pior e apenas com uma frente de ‘guerra’.

É preciso recuarmos 92 anos para registarmos uma tragédia económica da envergadura da que se passou no ano passado. A última vez que o produto interno bruto (PIB) caiu na ordem dos 8% foi em 1928. O traço mais dramático foi uma quebra no consumo privado de quase 12%. Foi o ano em que Oliveira Salazar se entronou, definitivamente, como ministro das Finanças, obtendo logo nesse ano um excedente orçamental com um conjunto de políticas de austeridade.

A MÃE DE TODAS AS CRISES

Mas nem 1928 nem 2020 estão no topo dos desastres económicos nos últimos 150 anos, para os quais dispomos de dados anuais. A ‘mãe’ de todas as crises foi a recessão de 1873, enquadrada numa crise financeira mundial que começou com o colapso da Bolsa de Vie­na e terminou em Wall Street. O trambolhão da economia portuguesa foi então de 19%, o maior de sempre. A dívida pública subiu num só ano 11%.

No filme das crises em século e meio contam-se 41 anos com contrações do PIB. Mais ou menos, uma crise de quatro em quatro anos. Este balanço baseia-se nas séries publicadas, para períodos diferentes, pelos economistas Nuno Valério, Maria Eugénia Mata e Abel Mateus. Para o período de 1961 em diante, os dados são os publicados pelo Instituto Nacio­nal de Estatística.

Em número absoluto de crises, os últimos 50 anos da monarquia bateram todos os recordes. Registaram-se 16 anos de quedas do PIB, destacando-se cinco grandes recessões, abarcando sobretudo os reinados de D. Luís e D. Carlos. Houve cinco depressões, a ­maior de sempre iniciada em 1876 com uma corrida aos bancos, sobretudo em Lisboa, que se viram obrigados a suspender pagamentos no meio de um clima de pânico.

Mas as crises não pararam com o fim dos reis. Durante a república parlamentar, a economia caiu seis vezes. Há um período de depressão de 1915 a 1918, durante a I Guerra Mundial, que é o terceiro maior do último século e meio.

A democracia cairia com o golpe militar de 1926. A partir daí, o país viveu em ditadura, primeiro militar e depois chefia­da por Oliveira Salazar. Registaram-se 10 recessões e houve duas grandes depressões. Mas Portugal escapou à Grande Depressão mundial entre 1929 e 1932 — a economia portuguesa, bem pelo contrário, cresceu 18%.

A primeira grande depressão viria depois, em 1935 e 1936. A ‘culpa’ foi do início da crise geopolítica na Europa, que três anos depois levaria à II Guerra Mundial. Tudo começou com a invasão da Etiópia pela Itália, liderada por Mussolini, e depois com a guerra civil espanhola. Depois da II Guerra Mundial, há uma crise acentuada na balança externa, com um pico de um défice de quase 9% do PIB em 1948 e uma redução drástica das reservas na ordem de quase 4,5 mil milhões de contos entre 1947 e 1949.

Depois, de 1953 a 1973 não se registou nenhum ano de recessão. São duas décadas de crescimento contínuo. O PIB multiplicou-se três vezes e meia nas contas feitas pelo economista Abel Mateus.

APÓS ABRIL, UMA DEPRESSÃO

No período pós-25 de Abril já ocorreram nove recessões, a começar logo pela de 1975. Em média, de cinco em cinco anos entramos em contração.

Mas entre as mais graves apenas há a registar as de 1975, 2012, no pior ano do impacto da troika, e agora de 2020, provocada por uma pandemia, interrompendo um crescimento médio anual superior a 2% desde 2014. Só se registou uma depressão, com uma quebra acumulada de quase 7%, entre 2011 e 2013, na regência da troika.

21.12.20

OCDE. Portugueses têm de trabalhar até aos 72 anos para a população produtiva ser equilibrada

Luís Reis Ribeiro, in DN

Portugal perdeu 134 mil ativos em menos de uma década, as perspetivas de crescimento económico são fraquíssimas. Em 2050, os portugueses deviam estar a trabalhar mais oito anos além dos 64 anos para o sistema funcionar.

Portugal é dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) onde os trabalhadores terão de trabalhar mais tempo além dos 64 ou 65 anos de modo a manter o peso da população em idade produtiva face à população total.

De acordo com um estudo da OCDE, dentro de 30 anos, se nada mudar na estrutura produtiva e demográfica, os portugueses terão de trabalhar, em média, mais oito anos além daquela idade de referência, o que significa que o peso da população capaz de trabalhar só se mantém estável, nos níveis atuais, se essas pessoas em condições ativas se reformarem aos 72 anos ou mais tarde.

O caso de Portugal é especialmente grave, pois a OCDE assume nos seus cálculos que a idade de reforma até é das que mais têm subido no grupo das mais de 40 economias estudadas. Portugal conseguiu prolongar o tempo de vida profissional ou produtiva em cinco anos, já. É um dos maiores avanços da OCDE, mas, mesmo assim, não chega para estabilizar o sistema produtivo nas próximas duas ou três décadas.

Segundo a OCDE, olhar só para a demografia não chega. É preciso ver o que nos diz o outlook de longo prazo para a economia, olha para o potencial produtivo. Neste caso, diz a organização sediada em Paris, o produto interno bruto (PIB) per capita português deve cair 4,9% até 2030, mas se alargarmos o horizonte até 2040 ou 2050, o empobrecimento individual médio é ainda mais grave. Num cenário-base, o PIB por habitante cai 11% até 2040 ou 15% até 2050.

Para muitos países (a OCDE fala de Portugal, mas também de outros casos problemáticos, como Espanha e Coreia), a pressão para trabalhar mais anos já na chamada "terceira idade" é grande porque a "fertilidade é baixa", o envelhecimento é um fenómeno cada vez mais forte (associado a maior esperança de vida) e as perspetivas de crescimento da economia a prazo são francamente pobres aos olhos destes economistas.

Portugal conseguiu prolongar o tempo de vida profissional ou produtiva em cinco anos, já. Mas, mesmo assim, não chega

Há formas de atenuar esta pressão sobre os mais velhos que, segundo a receita da OCDE, é tornar a economia muito mais produtiva ou aumentar a participação das mulheres no mercado de trabalho. Mas mesmo isso pode não chegar.

A OCDE explica no novo estudo titulado "Promover uma força de trabalho inclusiva em termos de idade" que "o limite máximo para a idade da vida profissional - usando 65 anos como referência - terá que aumentar substancialmente para evitar o declínio no tamanho relativo da força de trabalho" nos vários países em análise.

Portugal perdeu 134 mil ativos em menos de uma década

No caso de Portugal, apesar da ligeira recuperação dos últimos anos (foram de algum crescimento económico), percebe-se que a crise anterior (a do ajustamento da troika e do governo PSD-CDS) fez afundar de forma dramática o número de pessoas em condições ativas (capazes de trabalhar, numa idade que a OCDE define como de 20 a 64 anos) até um mínimo de 4,883 milhões de indivíduos.

De acordo com um levantamento feito pelo DN/Dinheiro Vivo a partir da base de dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), mesmo com a recuperação dos últimos anos, Portugal perdeu 134 mil pessoas em condições produtivas (ativos) desde 2011. Ou seja, nunca recuperou do embate da crise anterior. E em 2020 apareceu outra crise ainda mais agressiva, a da pandemia, que fez aumentar brutalmente a inatividade.

Segundo a OCDE, "hoje, a idade para trabalhar é geralmente definida como dos 20 aos 64 anos (ou dos 15 aos 64 anos)", mas "devido à baixa fertilidade e à medida que as populações vão envelhecendo, a proporção dessa população com idades entre 20 e 64 anos diminuirá, enquanto o grupo dos que têm 65 anos ou mais crescerá, pressionando os sistemas de pensões e os níveis de vida".
A solução, segundo a OCDE

Solução? "Um prolongamento no que se define como a faixa etária de trabalhadores principais em cerca de seis anos até 2050." Isto é a média do conjunto da OCDE. No caso de Portugal, como referido, os anos de trabalho a mais (além dos 64 anos) para estabilizar a população produtiva são oito anos. No caso de Espanha, a fasquia sobe para dez anos ou mais em cima da antiga idade de reforma.

Para os peritos da OCDE, este prolongamento da idade produtiva "capturaria as verdadeiras contribuições laborais dos adultos mais velhos".

A organização admite que os governos não têm estado impávidos a olhar para o inverno demográfico. "O prolongamento das vidas laborais já está a acontecer. As idades efetivas de saída do mercado de trabalho na OCDE aumentaram cerca de 2 anos e meio no caso dos homens e 3 anos no caso das mulheres entre 2000 e 2019." E aqui Portugal destaca-se: "Mulheres e homens em países como Estónia, Holanda, Nova Zelândia e Portugal prolongaram a sua vida profissional em mais de cinco anos" naqueles 19 anos em análise, refere o novo estudo.

A OCDE defende que este "prolongamento da idade ativa em seis anos nas próximas três décadas ultrapassaria claramente os ganhos de esperança de vida no mesmo período", mas admite que há problemas que devem ser acautelados.

"Vão ser necessários grandes esforços por via das políticas públicas e privadas de modo a incentivar os trabalhadores a estenderem a sua vida profissional enquanto podem, querem e precisam."

A OCDE avisa que é preciso mais "investimentos na segurança financeira e na saúde dos trabalhadores ao longo da vida, bem como nas qualificações e na aprendizagem ao longo da vida". Só assim é que "estes trabalhadores vão ser resilientes até idades avançadas", remata a organização chefiada por Angel Gurría, o já histórico secretário-geral, que deverá ser substituído no cargo a partir de 1 de junho do próximo ano.

16.12.20

PIB vai crescer 3,9% em 2021. Banco de Portugal vê desemprego a subir para os 8,8%

Tiago Varzim, in EcoOnline

O Banco de Portugal prevê que a economia vá contrair 8,1% este ano, recuperando 3,9% em 2021. A taxa de desemprego ficará nos 7,2%, deteriorando-se em 2021 para 8,8%.

O Banco de Portugal atualizou esta segunda-feira as previsões económicas para Portugal nos próximos três anos. Este ano a economia deverá cair 8,1%, a mesma previsão realizada em outubro, recuperando 3,9% em 2021. Já a taxa de desemprego ficará nos 7,2%, deteriorando-se em 2021 para 8,8%. O banco central faz questão de dizer que “a retoma projetada beneficia das decisões de política monetária e orçamental de resposta à crise”.

O boletim económico de dezembro do banco central mantém a mesma previsão para 2020 (-8,1%), mas revê em baixa o crescimento do PIB em 2021 (5,2% em junho). Além disso, a taxa de crescimento de 3,9% fica abaixo dos 5,4% previstos pelo Governo, um número que é a base das previsões do Orçamento do Estado para 2021 (OE 2021). As projeções do BdP “assumem que as restrições são gradualmente retiradas a partir do primeiro trimestre de 2021, embora a atividade permaneça condicionada até ao início de 2022, altura em que uma solução médica eficaz estará plenamente implementada”.

Nos anos seguintes, o Banco de Portugal até antevê uma aceleração em 2022 com um crescimento da economia de 4,5%, o que compara com os 3,8% estimados no boletim económico de junho. Em 2023, o último ano deste exercício de previsões, a economia deverá recuperar 2,4%. “A atividade económica deverá retomar o nível anterior à pandemia no final de 2022“, prevê, em linha com as previsões de outras instituições.

Em relação a 2020, o banco central concorda com a maior parte dos economistas: a recuperação foi mais forte no terceiro trimestre face ao antecipado, “mas a evolução da pandemia e das medidas de contenção levaram à revisão em baixa da atividade no quarto trimestre“. O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, esclareceu na conferência de imprensa que prevê uma contração do PIB (em cadeia) no quarto trimestre, o que terá um “efeito [negativo] de arrastamento” para o primeiro trimestre de 2021.Boletim económico de dezembro do Banco de Portugal.

Contudo, apesar do crescimento da economia portuguesa no próximo ano, o mercado de trabalho vai deteriorar-se. O Banco de Portugal prevê uma subida da taxa de desemprego de 6,5% em 2019 para 7,2% em 2020 (acima dos 7,5% estimados em outubro), voltando a subir em 2021 para os 8,8%. Só em 2022 é que o desemprego volta a descer para os 8,1% e depois para 7,4% em 2023, ainda acima do pré-crise.

“A recuperação lenta do emprego decorre da evolução perspetivada para os setores mais expostos aos contactos pessoais, ligados ao alojamento, restauração, viagens e serviços recreativos“, explica o Banco de Portugal, antecipando que o emprego comece a crescer “em meados” do próximo ano, com os efeitos a sentirem-se apenas mais tarde.

Como é habitual nas previsões desde que começou a pandemia, o banco central avisa que “as perspetivas económicas permanecem rodeadas de elevada incerteza, estando dependentes da evolução da pandemia e da rapidez da vacinação em larga escala”. O Banco de Portugal deixa também os habituais avisos sobre “o aumento do endividamento público e privado e do risco de crédito”, aos quais se junta o “impacto da crise sobre a capacidade produtiva e pela necessária reafetação de recursos entre empresas e entre setores“.

“As políticas nacionais e supranacionais vão continuar a ter um papel fundamental na recuperação e resiliência da economia nacional, devendo promover a retoma do investimento e a correta afetação de recursos”, assinala ainda a instituição liderada por Mário Centeno, que foi presidente do Eurogrupo e esteve envolvido na resposta europeia à crise pandémica.
No cenário severo, a economia encolhe 8,2% e só recupera 1,3%

Este é o cenário mais provável das previsões, mas os economistas do banco central também traçaram um cenário mais severo e um mais otimista. Ambos têm pressupostos diferentes face aqueles que estão na base da projeção central.

No cenário mais severo, o Banco de Portugal “assume uma maior dificuldade em controlar o crescimento dos novos casos no final de 2020 e um aumento de novas infeções no primeiro trimestre de 2021“. “Este contexto obriga a um reforço das medidas de contenção, incluindo a possibilidade de introdução de confinamentos mais rigorosos e prolongados”, refere, assumindo que a vacinação será mais lenta. Assim, o PIB encolhe 8,2% em 2020 e só recupera 1,3% em 2021, com crescimentos mais acentuados em 2022 (+3,1%) e em 2023 (2,4%).

No cenário otimista, “o enquadramento é mais favorável do que o assumido no cenário base, com um maior crescimento da atividade mundial e dos fluxos de comércio internacional, em particular na área do euro onde se concentram os principais parceiros comerciais de Portugal”. Assim, o PIB encolhe 8% em 2020, recuperando 5,9% em 2021 (em linha com a projeção do Governo), 4,8% em 2022 e 2% em 2023.

16.11.20

PIB português ainda a 6,4% do nível pré-crise, o quarto valor mais alto da UE

Sérgio Aníbal, in Público on-line

O crescimento em cadeia do PIB de 13,3% no terceiro trimestre deste ano ficou ainda longe de compensar as perdas recorde registadas na primeira metade do ano

Feitas as contas à queda a pique registada a partir de Maio e à recuperação de parte da actividade durante o terceiro trimestre, a economia portuguesa é uma das que na União Europeia está neste momento mais longe de regressar aos níveis anteriores à pandemia.

A segunda estimativa para os valores do PIB do terceiro trimestre de 2020 publicada esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística e pela maior parte das outras autoridades estatísticas europeias veio confirmar para todos os países da UE aquilo que já tinha sido avançado há 15 dias: depois de fortes quedas no primeiro e segundo trimestres do ano, as economias começaram a recuperar no terceiro trimestre, mas não com a força suficiente para regressar imediatamente aos níveis em que se encontravam antes da pandemia.

E, neste capítulo, mostram os números agora revelados, Portugal é para já um dos que mais deixou por recuperar. De acordo com os dados do INE, depois de uma diminuição do PIB de 4% logo no primeiro trimestre e de uma queda recorde de 13,9% no segundo, a economia portuguesa cresceu 13,3% no período entre Julho e Setembro.

Isto significa que, no terceiro trimestre deste ano, o valor do PIB português ainda foi 6,4% menor do que no quarto trimestre de 2019, o último em que não se sentiu qualquer efeito da pandemia na actividade económica (os efeitos começaram a ser sentidos a partir de Março de 2020).

Este diferencial de 6,4% que ainda há por superar é, entre os 20 países da União Europeia para os quais já há informações do PIB para o terceiro trimestre, o terceiro maior. Apenas em Espanha, com uma perda de 9,1%, e na Roménia, de 7,3%, o impacto negativo da pandemia na actividade económica foi maior.

Esse facto também é visível na variação homóloga do PIB (terceiro trimestre de 2020 face ao terceiro trimestre de 2019), que em Portugal foi de -5,7%, o quarto valor mais negativo, apenas melhor que a Espanha, Roménia e República Checa.

No total da zona euro, que no terceiro trimestre cresceu 12,6%, o PIB encontra-se agora 4,4% abaixo do nível anterior à pandemia. E os países que se encontram mais próximos do PIB pré-crise são a Polónia, Lituânia Eslováquia Holanda, todos com diferenças situadas entre 2% e 3%.

Isto significa que Portugal, apesar de até ter sido o quarto país da UE com um crescimento em cadeia mais alto no terceiro trimestre (atrás de Espanha, Itália e França), está a revelar especiais dificuldades em compensar uma parte significativa das perdas acumuladas na primeira metade do ano.

O peso que o sector do turismo tem na economia e o espaço de manobra relativamente reduzido para aplicar uma política orçamental mais expansionista são explicações possíveis para este resultado, tendo sido já avançadas pela Comissão Europeia quando, na semana passada, Portugal no grupo de nove países da zona euro que “não vão conseguir regressar em 2022 ao nível em que se encontravam em 2019”.
Exportações mais de 15% abaixo

Na segunda estimativa rápida das contas nacionais publicada esta sexta-feira pelo INE, são ainda apresentados mais detalhes sobre o comportamento das diversas componentes do PIB. Tanto ao nível da procura externa (exportações menos importações) como da procura interna (consumo e investimento privados e públicos), a tendência foi a mesma: depois da queda abrupta dos meses anteriores, registou-se uma recuperação no terceiro trimestre à medida que as medidas do confinamento foram sendo aliviadas, mas a retoma não foi o suficiente para se regressar aos níveis do passado.


No caso das exportações, aquilo que aconteceu foi que, depois de quedas de 6,7% e de 37% nos primeiros e segundo trimestres, registou-se no terceiro trimestre um crescimento de 38,8%. Isso não chega no entanto para ficar perto dos níveis pré-pandemia. Comparando com o valor das exportações no período homólogo, a queda das exportações é ainda de 15,2% e relativamente ao quarto trimestre de 2019 (o último sem os efeitos da pandemia) a perda registada é de 18,4%.

Esta dificuldade das exportações regressarem ao nível do passado sente-se sobretudo ao nível dos serviços, sinaliza o INE, que diz que a recuperação do terceiro trimestre acontece “devido em grande medida à evolução das exportações de bens, uma vez que as de serviços mantiveram reduções expressivas”. Entre as exportações de serviços encontram-se as relacionadas com o sector do turismo para não residentes, um dos mais persistentemente afectados durante a presente crise.

A evolução das exportações tem sido mais negativa que a das importações, onde a variação homóloga se situa agora em -11,6%, o que significa que o contributo da procura externa para a evolução do PIB está a ser negativo.

Do lado da procura interna, depois de quedas de 1,8% e de 10,8% nos primeiro e segundo trimestres, registou-se no terceiro trimestre um crescimento de 10,1%, o que significa que se continua a um nível 4,1% abaixo do registado em igual período do ano anterior. O INE não divulga ainda dados relativos à evolução do consumo privado, investimento e consumo público, algo que apenas acontecerá no próximo dia 30 de Novembro.

30.10.20

Economia recupera 13,2% no terceiro trimestre

Ana Brito e Sérgio Aníbal, in Público on-line

Parte da actividade económica desaparecida nos meses de confinamento ressurgiu entre Junho e Setembro. Ainda assim, o PIB é 5,8% mais baixo do que era no mesmo período do ano passado.

Depois da quebra recorde durante o segundo trimestre do ano, a economia portuguesa registou nos três meses seguintes uma forte recuperação, apoiada no aliviamento das medidas de confinamento operado a partir de Junho. Ainda assim, a retoma está longe de ser completa e o valor do Produto Interno Bruto (PIB) continua bem abaixo do verificado antes da pandemia.

De acordo com a estimativa rápida das contas nacionais publicada esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística, o PIB do terceiro trimestre deste ano registou uma variação face ao segundo trimestre de 13,2%%. O resultado representa uma recuperação de parte da queda de 13,9% que se tinha verificado no trimestre anterior.

A variação do PIB face ao período homólogo do ano anterior manteve-se, por sua vez, em terreno negativo. Durante o terceiro trimestre, a economia caiu 5,8% face ao mesmo trimestre do ano passado, ainda assim um resultado menos negativo do que a variação homóloga de -16,4% registada no segundo trimestre.

A redução menos intensa do PIB no terceiro trimestre “ocorreu no contexto de reabertura progressiva da actividade económica, que se seguiu à aplicação de medidas de contenção à propagação da covid-19 com forte impacto económico nos primeiros dois meses do segundo trimestre”, destaca o INE.

Este tipo de recuperação da economia durante o terceiro trimestre já era largamente antecipado. Afinal de contas, foi durante este período que se assistiu em larga medida, com o final do estado de emergência, a uma reabertura de portas nas lojas e nos restaurantes e a um regresso ao trabalho em diversas empresas e a algum regresso da ocupação turística.

Ainda assim, a actividade turística continua a ser débil. Na quinta-feira, o INE revelou que, depois de alguma recuperação em Agosto, as perdas da actividade turística voltaram a agravar-se e cerca de 25% do alojamento esteve sem operação em Setembro.

Do lado da procura externa, também se assistiu, depois da travagem brusca no comércio internacional, a um retomar progressivo da actividade, à medida que o consumo e o investimento também recuperaram nos países cujas economias mais se relacionam com a portuguesa.

Segundo os dados do INE desta sexta-feira, “o contributo da procura externa líquida passou de muito negativo no trimestre anterior para positivo, verificando-se um crescimento acentuado das exportações de bens”.

Por fim, algumas das medidas de apoio colocadas em prática pelo Governo também fizeram sentir os seus efeitos precisamente neste período, contribuindo para minimizar os danos na actividade económica.

Maior pessimismo

Para o total do ano, o Governo antecipa, na proposta de Orçamento do Estado que está em discussão no parlamento, que a economia se contraia 8,5% no total deste ano. Outras entidades são mais pessimistas, como a Comissão Europeia, que prevê uma redução de 9,8% do PIB, ou o Fundo Monetário Internacional, que antecipa uma queda da economia de 10%.

O resultado final irá depender da forma como a economia continuará a evoluir no decorrer do quarto trimestre. E depois da retoma do terceiro trimestre têm vindo a surgir, tanto em Portugal como no resto da Europa, alguns sinais de deterioração da conjuntura relacionados com um maior pessimismo em relação à evolução da pandemia.

O PIB da zona euro subiu 12,7% no terceiro trimestre deste ano, face ao trimestre imediatamente anterior, de acordo com a estimativa rápida do Eurostat, divulgada esta sexta-feira. No conjunto da União Europeia (UE), o crescimento trimestral em cadeia foi de 12,1%.

31.7.20

PIB da zona euro afunda 15% no 2.º trimestre. Portugal com quarto maior recuo

in TSF

Espanha foi o país europeu com maior declínio na variação homóloga.

A economia da zona euro teve uma contração homóloga de 15% no segundo trimestre de 2020, altura de grandes restrições devido à pandemia de Covid-19, com Portugal a registar o quarto maior declínio, divulgou o Eurostat esta sexta-feira.

Segundo a estimativa rápida preliminar divulgada pelo Eurostat, no segundo trimestre deste ano, quando as medidas de contenção para a Covid-19 adotadas pelos Estados-membros tiveram maior impacto na economia, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 15% na zona euro e 14,4% no conjunto da União Europeia (UE) em comparação com o mesmo período de 2019.

De acordo com estes dados do gabinete de estatísticas comunitário, Portugal teve, neste período, a quarta queda mais acentuada, ao afundar 16,5%, como divulgado hoje pelo Instituto Nacional de Estatística.

Por seu lado, na variação em cadeia, o PIB português caiu 14,1%.

Ainda na comparação com o trimestre anterior, entre abril e junho, o PIB caiu 12,1% na zona euro e 11,9% na UE.

O serviço de estatística comunitário observa que esta redução trimestral representa, "de longe, os declínios mais acentuados observados desde o início das séries cronológicas em 1995", que comparam com quedas mais contidas do PIB de 3,6% na zona euro e 3,2% na UE no primeiro trimestre de 2020.

O Eurostat ressalva, ainda assim, que estas são estimativas preliminares e ainda incompletas, que serão atualizadas em meados de agosto.


Economia portuguesa com contracção recorde de 14,1% no segundo trimestre

Sérgio Aníbal, in Público on-line

O INE confirma queda acentuada do PIB durante os meses de Abril, Maio e Junho, aqueles em que as medidas de confinamento foram mais apertadas. Redução da actividade económica foi a mais brusca desde pelo menos 1977.

O choque provocado pela pandemia trouxe um novo recorde negativo para a economia. O PIB português registou, durante o segundo trimestre deste ano, uma contracção face ao trimestre imediatamente anterior de 14,1%, a maior de que há registo. Quando a comparação é feita com o mesmo trimestre do ano anterior, a diminuição do PIB foi de 16,5%, também um novo máximo.

O anúncio foi feito esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) na sua estimativa rápida da evolução das contas nacionais durante o período de Abril a Junho deste ano. Os dados confirmam o impacto severo que a pandemia do novo coronavírus e as medidas de confinamento aplicadas para a combater tiveram na economia portuguesa durante esse período.

Tanto a variação em cadeia de -14,1% registada no PIB como a variação homóloga de -16,5% são, de longe, os valores mais baixos de que há registo nas séries históricas do PIB trimestral publicadas pelo INE e pelo Banco de Portugal que vão até ao ano de 1977.

No primeiro trimestre do ano, apesar da aplicação de medidas de confinamento apenas ter começado a partir de meados de Março, a variação negativa do PIB já tinha sido de 3,8% face ao trimestre anterior (o que constituiu logo um novo recorde histórico) e de 2,3% face ao período homólogo.

O resultado agora registado no segundo trimestre está em linha com aquilo que era previsto pela Comissão Europeia. Quando anunciou as suas previsões de Verão, que incluíam uma variação anual do PIB português em 2020 de -9,8%, a Comissão Europeia apontou precisamente para uma contracção em cadeia da economia nacional durante o segundo trimestre de 14,1%.

O Governo não fez projecções para o PIB trimestral, mas a sua previsão de queda da economia para o total do ano é consideravelmente mais optimista que o da Comissão Europeia: 6,9%. E pode, com o número agora anunciado pelo INE, ficar ainda mais em causa.

20.5.20

Economia portuguesa registou a maior queda face ao trimestre anterior desde 1977

in o Observador

O PIB português caiu 2,4% no primeiro trimestre face ao mesmo período de 2019. Mas a queda face ao trimestre anterior, de 3,9%, é a maior verificada desde 1977, diz a Universidade Católica.

A contração da atividade económica reflete o impacto da pandemia Covid-19 que já se fez sentir significativamente no último mês do trimestre", pode ler-se numa estimativa rápida

O Produto Interno Bruto (PIB) português caiu 2,4% no primeiro trimestre do ano face ao mesmo período de 2019, devido aos efeitos económicos da pandemia de Covid-19, divulgou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

“O Produto Interno Bruto (PIB), em termos homólogos, diminuiu 2,4% em volume no 1.º trimestre de 2020, após o aumento de 2,2% no trimestre anterior. A contração da atividade económica reflete o impacto da pandemia Covid-19 que já se fez sentir significativamente no último mês do trimestre”, pode ler-se numa estimativa rápida esta sexta-feira divulgada pelo INE.

Já relativamente ao último trimestre de 2019, a recessão foi de 3,9%, depois de um aumento de 0,7% em cadeia face ao terceiro trimestre de 2019. De acordo com uma nota da Universidade Católica, esta é a maior queda em cadeia verificada desde 1977. “É um resultado sem precedentes, apesar do confinamento só ter influenciado negativamente a atividade económica durante parte do mês de março”, assinala o NECEP, núcleo de previsões económicas da Universidade Católica.

De acordo com o núcleo, a contração das exportações de 7,3% em cadeia representa “um registo próximo do observado aquando o colapso do comércio internacional na transição de 2008 para 2009”.

“Mas, desta vez, a desaceleração em cadeia de 11,4 pontos percentuais, relembrando que as exportações tinham crescido 4,1% no 4.º trimestre de 2019, é totalmente extraordinária e muito superior ao observado no final de 2008”, notam os economistas da Universidade Católica.

Observando que “a procura interna recuou apenas 1,9%”, o NECEP conclui que “o choque inicial da pandemia da covid-19 foi assimétrico na sua propagação aos vários agregados, penalizando mais as exportações do que o consumo privado ou mesmo o investimento”.

“Aliás, as importações recuaram bem menos (2,9%) do que as exportações. Em todo o caso, o destaque do INE refere que, quer o consumo privado, quer o investimento, recuaram no 1.º trimestre”, assinala o NECEP. O núcleo indica ainda que “tudo indica que as contrações de atividade económica serão ainda mais fortes no 2.º trimestre na generalidade das economias e, em particular, em Portugal e na zona euro como um todo”.
Finanças destacam queda abaixo da verificada na zona euro

Já o Ministério das Finanças sublinha que esta queda aconteceu depois de 23 trimestres consecutivos de crescimento e que é mais baixa do que a registada na Zona Euro que foi de 3,2%, destacando as performances mais negativas de Espanha (-4,1%), França (-5.4%) e Itália (-4,8%). Ora estes países são grandes clientes das exportações nacionais cuja quebra, de 12% em março, muito contribuiu para esta performance.

As Finanças assinalam que esta inversão acontece exclusivamente por causa do impacto da pandemia na atividade económica de março, porque “os dados até fevereiro indicavam a continuação do bom desempenho que se verificou no final de 2019”.

Em comunicado, o Ministério das Finanças diz ainda que evolução do PIB no primeiro trimestre está totalmente alinhada com as estimativas para a atividade setorial apresentadas no Programa de Estabilidade. A severidade da quebra da economia está bem espelhada no impacto que as três últimas semanas de março tiveram na evolução do PIB no primeiro trimestre.

Segundo o INE, o diferencial entre exportações e importações “é sobretudo consequência da contração da atividade turística na evolução das exportações de serviços”. Já a procura interna diminuiu 1,0 pontos percentuais, algo que acontece “pela primeira vez desde o 3.º trimestre de 2013, associada à diminuição do consumo privado e do investimento”.

Quanto à quebra de 3,9% relativamente ao último trimestre de 2019 (em cadeia), o INE assinala que os números se devem à quebra da procura externa líquida, que foi de -2 pontos percentuais, após ter sido positiva no trimestre anterior, e da procura interna (-1,9 pontos percentuais) que foi mais negativa que no trimestre anterior (-0,7 pontos percentuais).

Comparativamente com o trimestre anterior, as exportações totais diminuíram 7,3% em termos reais (taxa de 4,1% no trimestre anterior), enquanto a variação em cadeia das importações totais foi -2,9% em volume no 1º trimestre (taxa de 0,7% no 4º trimestre)”, assinala o INE.

O instituto recorda que “com a passagem a uma fase de pandemia, foram tomadas em Portugal diversas medidas de contenção à propagação da Covid-19, tendo sido anunciado o encerramento das escolas e universidades no dia 11 de março (com efeitos a partir do dia 16 de março) e decretado o estado de emergência no dia 18 de março, que ditou o encerramento temporário de várias atividades económicas e restrições à livre circulação de pessoas”, lembra o INE.
No entanto, o instituto de estatística nota que “ainda antes desta medida existiam já perturbações no funcionamento normal de algumas atividades e na procura dirigida aos seus produtos, nomeadamente na restauração e hotelaria, afetando a atividade económica desde praticamente o início do mês”.

A estimativa “incorpora revisões na informação de base utilizada nas estimativas trimestrais anteriores, nomeadamente no que se refere ao comércio internacional de bens e aos indicadores de curto prazo, que não implicaram revisões nas taxas de variação homóloga e em cadeia do PIB em volume”.

INE admite revisões mais acentuadas dos números por causa da pandemia
O INE divulga os números definitivos do PIB do primeiro trimestre dia 29 de maio, e alerta que “é possível que ocorram revisões de magnitude superior ao habitual em divulgações futuras atendendo a perturbações no processo de obtenção dos dados”, devido à pandemia de Covid-19. Também atendendo ao contexto pandémico, segundo o INE “foram utilizadas novas fontes de informação complementar”, como “a informação no âmbito do sistema eletrónico de emissão de faturas e comunicação à Autoridade Tributária (e-fatura)” e ainda “operações na rede multibanco”.

O “Grande Confinamento” levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 3% em 2020, arrastada por uma contração de 5,9% nos Estados Unidos, de 7,5% na zona euro e de 5,2% no Japão.

Para Portugal, o FMI prevê uma recessão de 8% e uma taxa de desemprego de 13,9% em 2020.

Já a Comissão Europeia estima que a economia da zona euro conheça este ano uma contração recorde de 7,7% do PIB, como resultado da pandemia da Covid-19, recuperando apenas parcialmente em 2021, com um crescimento de 6,3%.
Para Portugal, Bruxelas estima uma contração da economia de 6,8%, menos grave do que a média europeia, mas projeta uma retoma em 2021 de 5,8% do PIB, abaixo da média da UE (6,1%) e da zona euro (6,3%).

15.5.20

PIB cai 2,4% no 1.º trimestre em termos homólogos e 3,9% em cadeia, diz Instituto Nacional de Estatística

in o Observador

O PIB português caiu 2,4% no primeiro trimestre do ano face período homólogo de 2019, devido ao impacto da pandemia. Já relativamente ao último trimestre de 2019, a recessão foi de 3,9%.

“O contributo da procura externa líquida para a variação homóloga do PIB foi negativo no 1.º trimestre (-1,4 pontos percentuais), após ter sido positivo no trimestre anterior, traduzindo a diminuição mais intensa das Exportações de Bens e Serviços [-5,1%] que a observada nas Importações de Bens e Serviços [-1,8%]”, de acordo com a nota hoje divulgada pelo instituto de estatística.

Segundo o INE, o diferencial entre exportações e importações “é sobretudo consequência da contração da atividade turística na evolução das exportações de serviços”.

Já a procura interna diminuiu 1,0 pontos percentuais, algo que acontece “pela primeira vez desde o 3.º trimestre de 2013, associada à diminuição do consumo privado e do investimento”.

Quanto à quebra de 3,9% relativamente ao último trimestre de 2019 (em cadeia), o INE assinala que os números se devem à quebra da procura externa líquida, que foi de -2,0 pontos percentuais, após ter sido positiva no trimestre anterior, e da procura interna (-1,9 pontos percentuais) que foi mais negativa que no trimestre anterior (-0,7 pontos percentuais).

Comparativamente com o trimestre anterior, as exportações totais diminuíram 7,3% em termos reais (taxa de 4,1% no trimestre anterior), enquanto a variação em cadeia das importações totais foi -2,9% em volume no 1º trimestre (taxa de 0,7% no 4º trimestre)”, assinala o INE.

O instituto recorda que “com a passagem a uma fase de pandemia, foram tomadas em Portugal diversas medidas de contenção à propagação da Covid-19, tendo sido anunciado o encerramento das escolas e universidades no dia 11 de março (com efeitos a partir do dia 16 de março) e decretado o estado de emergência no dia 18 de março, que ditou o encerramento temporário de várias atividades económicas e restrições à livre circulação de pessoas”, lembra o INE.
No entanto, o instituto de estatística nota que “ainda antes desta medida existiam já perturbações no funcionamento normal de algumas atividades e na procura dirigida aos seus produtos, nomeadamente na restauração e hotelaria, afetando a atividade económica desde praticamente o início do mês”.

A estimativa hoje divulgada “incorpora revisões na informação de base utilizada nas estimativas trimestrais anteriores, nomeadamente no que se refere ao comércio internacional de bens e aos indicadores de curto prazo, que não implicaram revisões nas taxas de variação homóloga e em cadeia do PIB em volume”.

O INE divulga os números definitivos do PIB do primeiro trimestre dia 29 de maio, e alerta que “é possível que ocorram revisões de magnitude superior ao habitual em divulgações futuras atendendo a perturbações no processo de obtenção dos dados”, devido à pandemia de Covid-19.

Também atendendo ao contexto pandémico, segundo o INE “foram utilizadas novas fontes de informação complementar”, como “a informação no âmbito do sistema eletrónico de emissão de faturas e comunicação à Autoridade Tributária (e-fatura)” e ainda “operações na rede multibanco”.

O “Grande Confinamento” levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 3% em 2020, arrastada por uma contração de 5,9% nos Estados Unidos, de 7,5% na zona euro e de 5,2% no Japão.

Para Portugal, o FMI prevê uma recessão de 8% e uma taxa de desemprego de 13,9% em 2020.

Já a Comissão Europeia estima que a economia da zona euro conheça este ano uma contração recorde de 7,7% do PIB, como resultado da pandemia da Covid-19, recuperando apenas parcialmente em 2021, com um crescimento de 6,3%.
Para Portugal, Bruxelas estima uma contração da economia de 6,8%, menos grave do que a média europeia, mas projeta uma retoma em 2021 de 5,8% do PIB, abaixo da média da UE (6,1%) e da zona euro (6,3%).

9.4.20

Como vários sectores parados podem levar a queda recorde do PIB

Sérgio Aníbal, in Público on-line

O registo de perdas apenas no sector do turismo, um dos mais importantes para o país, seria o suficiente para conduzir a economia portuguesa a uma contracção este ano, um cenário que é visto já como inevitável.

Uma perda de 25% nas vendas dos restaurantes durante este ano custaria 0,9% do seu valor ao PIB português, uma quebra idêntica em todo o sector do turismo penalizaria a economia em 2,9% e um cenário semelhante na construção faria a actividade económica contrair-se 1%.

A situação única com que se depara a economia portuguesa neste momento levou o Instituto Nacional de Estatística a republicar na sua página de internet a informação que permite calcular como é que as variações na actividade de cada sector influenciam o PIB português. Os resultados, embora sujeitos a pressupostos ainda incertos, dão a ideia clara de que, com vários sectores quase parados, é praticamente inevitável que a economia portuguesa esteja a caminho de uma das contracções anuais mais fortes da sua história, talvez mesmo a mais forte.

Numa tentativa de disponibilizar mais informação que permita analisar os efeitos da pandemia do novo coronavírus, o INE publicou a Matriz Input/Output que utiliza nas contas nacionais, um instrumento que, diz, permite simular o impacto de choques na economia portuguesa.

A autoridade estatística apresenta desde logo um exemplo que ilustra aquilo que pode acontecer ao PIB durante este ano: utilizando dados relativos a 2017, uma redução anual de 25% nas despesas com turismo no território nacional conduziria a uma redução de 2,9% do PIB.

Assumir uma queda de 25% no turismo este ano está longe de ser pessimista. Basta que o actual cenário de quase estagnação do sector se prolongue durante um trimestre para que a redução de 25% se concretize, e se a paragem for mais prolongada, ou se o regresso aos valores anteriores for mais demorado, este cenário pode pecar até por ser demasiado optimista. Por exemplo, se assumirem perdas no turismo na casa dos 50%, o efeito negativo no PIB já ascenderá a 5,8%.

Noutros sectores, de acordo com os cálculos realizados pelo PÚBLICO com base nos dados disponibilizados pelo INE, é possível verificar, por exemplo, que uma perda de 25% na actividade da restauração levaria a perdas anuais do PIB de 0,9%. Nos serviços imobiliários, pelo seu elevado peso no PIB e pelo facto de terem uma reduzida componente de importação, uma diminuição da actividade de 25% provocaria só por si uma descida de 1,9% no PIB.

Sempre usando o cenário de redução de 25% na actividade, o sector da construção penalizaria o PIB em 1%, o transporte aéreo em 0,2% e as vendas de automóveis 0,4%. No caso dos automóveis, a redução das exportações em 25% provocaria uma perda do PIB da ordem dos 0,3%. O valor não é mais alto devido à elevada componente importada da produção de automóveis em Portugal.


Se é verdade que pode haver alguns sectores beneficiados neste cenário generalizado de crise, o que estes números mostram é que a soma das perdas avultadas em várias áreas de actividade vai conduzir necessariamente a uma contracção do PIB acentuada. Os números também tornam claro que as estimativas podem variar grandemente de acordo com o tempo de paragem da actividade que se está a assumir.

É por isso que se tem assistido, nas últimas semanas, à divulgação das mais variadas projecções para a economia portuguesa (e para a generalidade das economias mundiais). Não só os valores variam entre as diversas entidades a apresentarem previsões, como a maioria das projecções são feitas recorrendo a diversos cenários. Foi isso que fez, por exemplo, o Banco de Portugal, apresentando uma previsão de contracção do PIB de 3,7% num cenário base e de 5,7% num cenário adverso.

E foi isso que fez também, o Católica Lisbon Forecasting Lab - NECEP que vai de uma previsão de contracção da economia em 2020 de 4% no cenário mais optimista, até um colapso de 20% num cenário mais pessimista, que assume um prolongamento grande da crise sanitária.

António Afonso, professor do ISEG, também avança com as suas próprias previsões, que neste caso, apontam para uma diminuição do PIB em 2020 que vai dos 3,9% até aos 5,8%. Os seus cálculos não foram feitos através de uma análise sectorial, mas sim desenhando cenários para o que poderá estar a acontecer a indicadores como o consumo ou o investimento. Mesmo assim, o problema é o mesmo.

“O que distingue os cenários que são traçados é a duração da paragem que é assumida na actividade. Quando mais longa a paragem, maior será a diminuição do consumo e do investimento”, explica o economista, em declarações ao PÚBLICO.

E embora utilize a anterior crise vivida em Portugal como referência para os seus cálculo, assinala que, desta vez, “está a desenvolver-se um choque do lado da oferta”, assumindo que, “deste ponto de vista, esta crise não é comparável com a anterior”. “Provavelmente nesta situação a quebra será maior”, antecipa.

30.11.18

PIB desacelera e cresce 2,1% no 3º trimestre, avança o INE

in Sicnoticias

O Produto Interno Bruto (PIB) registou, no terceiro trimestre deste ano, uma taxa de variação homóloga de 2,1%, inferior em 0,3 pontos percentuais ao valor do trimestre anterior, avançou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

"A procura interna registou um contributo menos positivo, em resultado da desaceleração do consumo privado. A procura externa líquida apresentou um contributo negativo ligeiramente menos intenso que o observado nos dois trimestres anteriores, tendo as exportações e importações de bens e serviços desacelerado", referiu o Instituto Nacional de Estatística (INE), numa nota sobre as contas nacionais trimestrais.

Assim, revelou a mesma nota, o consumo privado desacelerou em volume, passando de um crescimento homólogo de 2,7%, no segundo trimestre, para 2,3%.

"O contributo da procura interna para a variação homóloga do PIB diminuiu para 2,4 pontos percentuais (2,7 pontos percentuais no trimestre anterior), em resultado do comportamento das despesas de consumo final", revelou o INE.

Já a procura externa líquida registou um contributo de -0,3 pontos percentuais "para a variação homóloga do PIB, ligeiramente menos negativo que o observado nos dois trimestres anteriores (-0,4 pontos percentuais)", garantiu o organismo.

Do lado do investimento, no terceiro trimestre, o INE contabilizou um crescimento homólogo de 4,4% em volume, semelhante ao trimestre anterior.

Por outro lado, as exportações de bens e serviços em volume registaram um crescimento menos intenso "passando de uma variação homóloga de 7,1%, no segundo trimestre, para 3,1%", de acordo com a mesma nota.

"Assistiu-se, igualmente, a uma desaceleração significativa das importações de bens e serviços, com uma variação homóloga de 3,5% em volume, após um aumento de 7,5% no segundo trimestre", referiu o INE.

A mesma nota deu conta de que, comparativamente com o trimestre anterior, "as exportações totais diminuíram 3,6% em volume (crescimento de 2,3% no segundo trimestre)".

Por sua vez, "as importações totais registaram uma variação em cadeia de -1,9% no terceiro trimestre (2,3% no trimestre anterior), verificando-se uma diminuição de 2,5% na componente de bens e um crescimento de 2,3% na de serviços", salientou o INE.

Assim, o saldo externo de bens e serviços fixou-se em 0,1% do PIB, o que compara com 0,6% no trimestre anterior e 0,7% no período homólogo, revelou o INE.

No mesmo período, o emprego registou um crescimento homólogo de 2,1%, 0,1 pontos percentuais abaixo da taxa observada no trimestre anterior.



16.8.17

Mário Centeno. “Crescimentos entre 2% e 2,5% são possíveis e desejáveis”

in RR

A economia portuguesa voltou a crescer 2,8% no segundo trimestre de 2017 face ao mesmo período do ano passado.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, afirma que Portugal deve apontar para crescimentos entre 2% e 2,5% nos próximos anos e assim acabar com os crescimentos anémicos das últimas décadas.

“Crescimentos entre 2% e 2,5% são possíveis e desejáveis”, disse Centeno na conferência de imprensa, esta segunda-feira, em que analisava as contas do país no primeiro semestre deste ano.

Mário Centeno disse que o crescimento em Portugal será duradouro e é sustentável. Enalteceu o trabalho orçamental de Portugal na comparação com outros países da União Europeia. “Não há outro caso em que o défice tenha diminuído e o crescimento aumentado como em Portugal”, afirmou o governante. "A nossa economia cresce pelo 15.º trimestre consecutivo", acrscentou.

A economia portuguesa voltou a crescer 2,8% no segundo trimestre de 2017 face ao mesmo período do ano passado e, comparando com o trimestre anterior, cresceu 0,2%.

O crescimento em cadeia teve uma redução em relação ao trimestre anterior. Uma das razões mais fortes foi a redução das exportações no segundo trimestre. O ministro das Finanças contextualizou a quebra. “As exportações cresceram acima de 10% no primeiro trimestre e no segundo houve uma desaceleração, mas isso advém de um crescimento muito grande nos primeiros três meses do ano", disse.

Questionado se estes números possibilitariam a um maior desafogo na preparação do Orçamento do Estado de 2018, Centeno deu a entender que isso não se verificará.

“Estamos a preparar o cenário macroeconómico para 2018, as projecções têm sido feito de forma muito prudente. O próximo ano vai ser preparado no mesmo contexto. Há medidas que são muito relevantes e que estão previstas desde o início, como devolução de rendimentos aos trabalhadores com rendimentos mais baixos”, avançou Centeno, acrescentando que, no caso das pensões, vai ser cumprida a lei de bases que prevê um aumento indexado à inflação e crescimento.

Em relação ao desemprego, Centeno disse que Portugal tem mais 160 mil empregos e menos 90 mil desempregados, e que a taxa de desemprego está agora nos 9%.

O Governo estima que o peso da dívida se reduza para 127% do PIB no final do ano.