Por Idálio Revez, in Público on-line
Querença, freguesia de Loulé, situada no cimo de um monte entre o barrocal e a serra, tinha jovens e perdeu-os. O mesmo aconteceu com o mercado, em frente à igreja, que não se realizava há anos. Ontem Querença voltou a ter jovens e voltou a ter mercado.
Não foi um regresso ao passado. Foi um empurrão para o futuro, dado por recém-formados da Universidade do Algarve, que há dois meses se instalaram nesta freguesia com 759 habitantes, 16 crianças no pré-escolar e 16 no ensino básico. A missão: dar nova vitalidade à freguesia. A divulgação deste projecto universitário atraiu muitos curiosos. O arranque satisfez os responsáveis deste projecto. E a própria população.
"Não podia ser melhor", comenta Carlos Faísca, agricultor: "Fui sete vezes à horta, buscar mais couves. Mal chegava aqui [à banca], elas desapareciam."
A iniciativa da universidade, em parceria com a Fundação Manuel Viegas Guerreiro, tem um nome longo: Da Teoria à Acção - Empreender o Mundo Rural. O conceito é simples: nove jovens, entre os 21 e os 28 anos, candidataram-se a viver numa aldeia rural durante nove meses. Aí têm de aplicar o que aprenderam na escola. O coordenador científico, António Covas, já recebeu convites para replicar a ideia no Norte do país, em Vila Real, e no Alentejo, em Odemira. "Está a ser um êxito", diz, adiantando que pretende testar o "método de Querença" noutros pontos do país, ameaçados com a fuga de população. Aliás, o interesse ultrapassou mesmo fronteiras. "Tivemos visitas e pedidos de colaboração de investigadores de outras universidades, desde Paris ao Canadá, passando por Israel", diz João Ministro, coordenador local do projecto. Mas o mais importante, sublinha, "é o envolvimento da comunidade".
Como é que se toca o coração de quem perdeu a esperança? "Não é fácil", diz Dulce Almeida, de 24 anos, licenciada em Biotecnologia e mestranda em Engenharia Biológica. Dulce deu ontem a conhecer novas aplicações para a alfarroba. Criou um rebuçado de chocolate de alfarroba, de fabrico artesanal, que ontem foi dado a provar pela primeira vez no mercado, que passa a realizar-se sempre no último domingo de cada mês. "Estivemos até de madrugada a fazer rebuçados."
"Nice, very nice"
Os estudantes vivem todos na mesma casa. De manhã, uns partem para o campo, outros ficam a desenvolver novas ideias - cada um nas suas áreas de competência. O turismo da natureza e a agricultura são traves mestras. Por isso, a recuperação do mercado no largo da igreja, como acontecia no século passado, foi uma das primeiras experiências práticas do projecto.
"O primeiro teste foi positivo", avalia António Covas, satisfeito ao observar o ambiente à sua volta. A missa terminou às 10h e depois foi um corrupio. "Aconteceu o clique que faltava", observa o vereador Aníbal Moreno (PSD), da Câmara de Loulé, que, juntamente com o Instituto do Emprego e Formação Profissional, patrocina as bolsas de estudantes. Recebem dois salários mínimos, durante o projecto.
Francisco Ferro, de 27 anos, licenciado em Filosofia e Engenharia Agronómica, natural de Évora, serve-se da tradicional "calma" alentejana para ouvir os agricultores - discursos a terminar quase sempre da mesma forma: "Não vale a pena, isto está morto." Porém, a juventude parece ter dado novo ânimo à aldeia. Além dos negócios, há também workshops a decorrer. João Ministro destaca: "O mercado é o primeiro resultado destes quase dois meses. E veio para ficar." Luís Caracinha, de 22 anos, licenciado em Design e Comunicação, regista a interacção com máquina fotográfica. "Nice, very nice", comenta Lore, uma alemã, ao comprar uma alcofa, de dois euros.
3.11.11
Obama e Sarkozy abrem G20 à procura de “solução abrangente” para a crise
in Público on-line
O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, instou a Europa a dar “alguns passos importantes” para chegar a uma solução abrangente para a actual crise financeira e de dívida, nas suas primeiras declarações à chegada da cimeira do G20, que reúne as potências económicas estes dois dias em Cannes.
“Mas mais é necessário”, sublinhou Obama, em conferência de imprensa conjunta com o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, a marcar o arranque da reunião, profundamente absorvida pela convulsão política na Grécia provocada pela decisão do Governo de Atenas de levar a referendo um plano de resgate e perdão de dívida oferecido pela União Europeia.
“Aqui, no G20 vamos ter que definir mais pormenores sobre como os compromissos vão ser total e decisivamente postos em prática”, sublinhou Obama.
Em resposta, Sarkozy frisou que debateu já com o homólogo norte-americano a controversa ideia da “taxa Robin dos Bosques” sobre os bancos, e avançou apenas que os dois líderes chegaram a uma conclusão comum sobre a “contribuição” das instituições financeiras na crise – sugerindo que apenas concordaram que têm perspectivas diferentes: a França é favorável a esta medida enquanto os Estados Unidos são contra.
O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, instou a Europa a dar “alguns passos importantes” para chegar a uma solução abrangente para a actual crise financeira e de dívida, nas suas primeiras declarações à chegada da cimeira do G20, que reúne as potências económicas estes dois dias em Cannes.
“Mas mais é necessário”, sublinhou Obama, em conferência de imprensa conjunta com o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, a marcar o arranque da reunião, profundamente absorvida pela convulsão política na Grécia provocada pela decisão do Governo de Atenas de levar a referendo um plano de resgate e perdão de dívida oferecido pela União Europeia.
“Aqui, no G20 vamos ter que definir mais pormenores sobre como os compromissos vão ser total e decisivamente postos em prática”, sublinhou Obama.
Em resposta, Sarkozy frisou que debateu já com o homólogo norte-americano a controversa ideia da “taxa Robin dos Bosques” sobre os bancos, e avançou apenas que os dois líderes chegaram a uma conclusão comum sobre a “contribuição” das instituições financeiras na crise – sugerindo que apenas concordaram que têm perspectivas diferentes: a França é favorável a esta medida enquanto os Estados Unidos são contra.
Festival também tem preocupações solidárias
in Destak
À semelhança dos anos anteriores, um dos objectivos do Kids Cinema Festival é o de apoiar uma causa solidária.
Em 2009, levámos a magia do cinema às pediatrias do IPO em Lisboa e no Porto, oferecendo um LCD e um sistema de Home Cinema. Foi ainda efectuado um donativo à Associação Nariz Vermelho. Em 2010, a iniciativa foi replicada em duas Aldeias SOS.
Este ano, o Kids Cinema Festival associa-se à Terra dos Sonhos e apoia a concretização do sonho de duas crianças das muitas crianças que a organização está a acompanhar. A Terra dos Sonhos é uma Organização de Solidariedade Portuguesa, sem fins lucrativos, e foi fundada no dia 1 de Junho de 2007, Dia Mundial da Criança.
A principal actividade da Terra dos Sonhos consiste na realização dos sonhos de crianças e jovens diagnosticados com doenças crónicas e/ou em estado avançado de doença, crianças e jovens carenciados e idosos, como forma de transmitir uma mensagem de esperança na possibilidade de realização dos objectivos mais inspiradores, independentemente de circunstâncias, condicionamentos e limitações.
A superação da impossibilidade através da criação da possibilidade é o resultado final pretendido.
À semelhança dos anos anteriores, um dos objectivos do Kids Cinema Festival é o de apoiar uma causa solidária.
Em 2009, levámos a magia do cinema às pediatrias do IPO em Lisboa e no Porto, oferecendo um LCD e um sistema de Home Cinema. Foi ainda efectuado um donativo à Associação Nariz Vermelho. Em 2010, a iniciativa foi replicada em duas Aldeias SOS.
Este ano, o Kids Cinema Festival associa-se à Terra dos Sonhos e apoia a concretização do sonho de duas crianças das muitas crianças que a organização está a acompanhar. A Terra dos Sonhos é uma Organização de Solidariedade Portuguesa, sem fins lucrativos, e foi fundada no dia 1 de Junho de 2007, Dia Mundial da Criança.
A principal actividade da Terra dos Sonhos consiste na realização dos sonhos de crianças e jovens diagnosticados com doenças crónicas e/ou em estado avançado de doença, crianças e jovens carenciados e idosos, como forma de transmitir uma mensagem de esperança na possibilidade de realização dos objectivos mais inspiradores, independentemente de circunstâncias, condicionamentos e limitações.
A superação da impossibilidade através da criação da possibilidade é o resultado final pretendido.
Mais de 40% dos arquitectos em risco de ficar sem trabalho
Destak/Lusa, in Destak
Mais de 40 por cento dos cerca de 20 mil arquitectos portugueses correm o risco de ficar sem trabalho devido à paralisação do investimento público e privado, disse à agência Lusa o bastonário da Ordem dos Arquitectos.
João Belo Roseira referiu que os arquitectos mais novos são os mais atingidos pela crise, mas “de toda a classe se ouvem queixas de falta de encomendas”.
“É uma situação que se vem agravando nos últimos dois/três anos. Neste momento, há muito pouco investimento por parte do Estado e também por parte dos privados”, salientou.
João Belo Roseira realçou que muitos jovens arquitectos, em número que a Ordem não dispõe, não conseguem encontrar primeiro emprego em Portugal e estão a emigrar.
“A Ordem dos Arquitectos não se pronuncia sobre a vontade de os arquitectos emigrarem. Mas serem obrigados a isso é que é negativo”, frisou.
O bastonário referiu que, “oficialmente, o número de desempregados na arquitectura não é muito diferente do de outras profissões, rondando os 10 por cento”, mas sublinhou que a percentagem real “é francamente maior”.
“Não se deve confundir desemprego com falta de trabalho. Muitos arquitectos nem sequer se podem inscrever como desempregados porque nunca tiveram emprego”, afirmou.
João Belo Roseira acrescentou que “muitos ateliers estão a ficar mais pequenos, ao verem-se forçados a prescindir dos serviços de colaboradores, sobretudo aqueles que normalmente só trabalham na área de projecto”.
“É preciso pensar o que é que vem a seguir à crise. É importante que o Governo faça planeamento e projecto para o futuro”, defendeu, lamentando que o programa do executivo seja “um pouco vago sobre o futuro do país”.
O bastonário reclamou também que as ordens profissionais, designadamente a dos arquitectos, sejam mais ouvidas pelos diferentes departamentos governamentais, nomeadamente o Ministério da Economia.
“Enviamos memorandos setoriais com agendas para diferentes ministérios e, quatro meses depois, tem sido difícil até reunir com alguns departamentos”, disse.
Mais de 40 por cento dos cerca de 20 mil arquitectos portugueses correm o risco de ficar sem trabalho devido à paralisação do investimento público e privado, disse à agência Lusa o bastonário da Ordem dos Arquitectos.
João Belo Roseira referiu que os arquitectos mais novos são os mais atingidos pela crise, mas “de toda a classe se ouvem queixas de falta de encomendas”.
“É uma situação que se vem agravando nos últimos dois/três anos. Neste momento, há muito pouco investimento por parte do Estado e também por parte dos privados”, salientou.
João Belo Roseira realçou que muitos jovens arquitectos, em número que a Ordem não dispõe, não conseguem encontrar primeiro emprego em Portugal e estão a emigrar.
“A Ordem dos Arquitectos não se pronuncia sobre a vontade de os arquitectos emigrarem. Mas serem obrigados a isso é que é negativo”, frisou.
O bastonário referiu que, “oficialmente, o número de desempregados na arquitectura não é muito diferente do de outras profissões, rondando os 10 por cento”, mas sublinhou que a percentagem real “é francamente maior”.
“Não se deve confundir desemprego com falta de trabalho. Muitos arquitectos nem sequer se podem inscrever como desempregados porque nunca tiveram emprego”, afirmou.
João Belo Roseira acrescentou que “muitos ateliers estão a ficar mais pequenos, ao verem-se forçados a prescindir dos serviços de colaboradores, sobretudo aqueles que normalmente só trabalham na área de projecto”.
“É preciso pensar o que é que vem a seguir à crise. É importante que o Governo faça planeamento e projecto para o futuro”, defendeu, lamentando que o programa do executivo seja “um pouco vago sobre o futuro do país”.
O bastonário reclamou também que as ordens profissionais, designadamente a dos arquitectos, sejam mais ouvidas pelos diferentes departamentos governamentais, nomeadamente o Ministério da Economia.
“Enviamos memorandos setoriais com agendas para diferentes ministérios e, quatro meses depois, tem sido difícil até reunir com alguns departamentos”, disse.
Todos os dias um filho agride a mãe ou o pai
in Diário de Notícias
A maioria das agressões parte de homens entre os 25 e os 35 anos e atinge mães com mais de 65 anos. Mulheres usam mais violência verbal.
Leia aqui o artigo na íntegra.
A maioria das agressões parte de homens entre os 25 e os 35 anos e atinge mães com mais de 65 anos. Mulheres usam mais violência verbal.
Leia aqui o artigo na íntegra.
Crianças usam mochilas com excesso de peso
in Diário de Notícias
Um estudo realizado numa escola de Lisboa concluiu que quase sete em cada 10 crianças entre os seis e os 13 anos usam mochilas com excesso de peso, suportando uma carga acima de 12 por cento do seu peso corporal.
A análise da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, que abrangeu 630 alunos do 1º e 2º ciclos de ensino da escola D. Filipa de Lencastre, mostra que são os alunos do 5º ano os que mais peso transportam às costas.
Neste nível de ensino, os alunos transportam em média mochilas que representam 13,5% do seu peso. "Pode ser explicado por ser um ano de transição, em que as crianças são confrontadas pela primeira vez com várias disciplinas, o que obriga a uma gestão de material a que não estão habituadas", admite o estudo, a que a Lusa teve acesso.
A nível mundial, os estudos indicam que a carga das mochilas é de 20% do peso do corpo dos estudantes.
Apesar de a relação entre o peso da mochila e o do aluno ser inferior nesta análise portuguesa, a prevalência de crianças que transportam peso em excesso é superior à de outros países.
"A prevalência global dos alunos com excesso de peso na mochila escolar foi de 68,4%. A média da relação peso da mochila/do aluno foi de 12,3%, tendo-se verificado em todos os anos escolares uma média superior a 10%, valor a partir do qual se considera excesso de peso", resume a conclusão do estudo, elaborado por E. Andrade, V. Borges, G. Cardoso, A. Henriques, M. Mira, T. Yan e coordenado pelo professor e pediatra Mário Cordeiro.
Segundo estes dados, estas crianças de seis anos estão a transportar às costas cerca de 2,5 quilos, tendo em conta que pesarão em média 20 quilos. No caso dos mais velhos, aos 12 anos podem estar a carregar mais de quatro quilos diariamente.
Dizem os autores que o excesso de peso das mochilas é um problema que requer que se estabeleçam recomendações, programas de educação ou legislação, com o objectivo de "prevenir consequências negativas para a saúde e para o desenvolvimento das crianças".
Além da pesagem individual, os investigadores também realizaram questionários às crianças e aferiram a percepção de cada uma sobre o peso que transportam. Assim, 38% afirmam que ficam cansadas e 27% relatam dores depois de as usarem.
Contudo, 38% dizem que a carga transportada é confortável e 27% referem mesmo que é leve. A esmagadora maioria dos alunos analisados usa uma mochila de levar às costas e apenas 13% opta pelas de rodinhas (ou tróleis).
A justificação desta escolha, segundo as crianças, é que as mochilas com rodas não dão jeito para subir escadas, andar ou usar transportes públicos. No entanto, os autores admitem que estas mochilas possam ser consideradas infantis e existir uma influência do grupo a que as crianças pertencem para a sua rejeição.
É ainda sublinhado o facto de este grupo de 630 crianças pertencerem a um agrupamento escolar que já tem medidas para reduzir o peso das mochilas, como a possibilidade de alugar cacifos ou de deixar o material escolar nas salas de aula.
Os investigadores recomendam que, além de medidas tomadas por parte da escola, a diminuição do peso das mochilas escolares exige uma atitude suplementar por parte dos estudantes, pais e professores e, também, dos fabricantes de materiais e manuais escolares, nomeadamente através do fabrico de livros com material mais leve.
"Consideramos útil este assunto ser debatido entre os professores e os pais", refere a análise, acrescentado que as escolas deem a conhecer aos alunos as consequências do transporte de excesso de peso.
As escolas deveriam ainda providenciar cacifos, armários ou secretárias com arrumação e incentivar o seu uso.
Um papel poderão também ter os profissionais de saúde, que nas consultas de vigilância ou nos atos de vacinação devem recordar o assunto, defendem.
Um estudo realizado numa escola de Lisboa concluiu que quase sete em cada 10 crianças entre os seis e os 13 anos usam mochilas com excesso de peso, suportando uma carga acima de 12 por cento do seu peso corporal.
A análise da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, que abrangeu 630 alunos do 1º e 2º ciclos de ensino da escola D. Filipa de Lencastre, mostra que são os alunos do 5º ano os que mais peso transportam às costas.
Neste nível de ensino, os alunos transportam em média mochilas que representam 13,5% do seu peso. "Pode ser explicado por ser um ano de transição, em que as crianças são confrontadas pela primeira vez com várias disciplinas, o que obriga a uma gestão de material a que não estão habituadas", admite o estudo, a que a Lusa teve acesso.
A nível mundial, os estudos indicam que a carga das mochilas é de 20% do peso do corpo dos estudantes.
Apesar de a relação entre o peso da mochila e o do aluno ser inferior nesta análise portuguesa, a prevalência de crianças que transportam peso em excesso é superior à de outros países.
"A prevalência global dos alunos com excesso de peso na mochila escolar foi de 68,4%. A média da relação peso da mochila/do aluno foi de 12,3%, tendo-se verificado em todos os anos escolares uma média superior a 10%, valor a partir do qual se considera excesso de peso", resume a conclusão do estudo, elaborado por E. Andrade, V. Borges, G. Cardoso, A. Henriques, M. Mira, T. Yan e coordenado pelo professor e pediatra Mário Cordeiro.
Segundo estes dados, estas crianças de seis anos estão a transportar às costas cerca de 2,5 quilos, tendo em conta que pesarão em média 20 quilos. No caso dos mais velhos, aos 12 anos podem estar a carregar mais de quatro quilos diariamente.
Dizem os autores que o excesso de peso das mochilas é um problema que requer que se estabeleçam recomendações, programas de educação ou legislação, com o objectivo de "prevenir consequências negativas para a saúde e para o desenvolvimento das crianças".
Além da pesagem individual, os investigadores também realizaram questionários às crianças e aferiram a percepção de cada uma sobre o peso que transportam. Assim, 38% afirmam que ficam cansadas e 27% relatam dores depois de as usarem.
Contudo, 38% dizem que a carga transportada é confortável e 27% referem mesmo que é leve. A esmagadora maioria dos alunos analisados usa uma mochila de levar às costas e apenas 13% opta pelas de rodinhas (ou tróleis).
A justificação desta escolha, segundo as crianças, é que as mochilas com rodas não dão jeito para subir escadas, andar ou usar transportes públicos. No entanto, os autores admitem que estas mochilas possam ser consideradas infantis e existir uma influência do grupo a que as crianças pertencem para a sua rejeição.
É ainda sublinhado o facto de este grupo de 630 crianças pertencerem a um agrupamento escolar que já tem medidas para reduzir o peso das mochilas, como a possibilidade de alugar cacifos ou de deixar o material escolar nas salas de aula.
Os investigadores recomendam que, além de medidas tomadas por parte da escola, a diminuição do peso das mochilas escolares exige uma atitude suplementar por parte dos estudantes, pais e professores e, também, dos fabricantes de materiais e manuais escolares, nomeadamente através do fabrico de livros com material mais leve.
"Consideramos útil este assunto ser debatido entre os professores e os pais", refere a análise, acrescentado que as escolas deem a conhecer aos alunos as consequências do transporte de excesso de peso.
As escolas deveriam ainda providenciar cacifos, armários ou secretárias com arrumação e incentivar o seu uso.
Um papel poderão também ter os profissionais de saúde, que nas consultas de vigilância ou nos atos de vacinação devem recordar o assunto, defendem.
Grécia: PM convoca reunião urgente com o Governo dividido
in Diário de Notícias
O primeiro-ministro grego, Georges Papandreou, convocou uma reunião urgente do Governo para hoje ao meio-dia, na sequência de críticas de ministros contra o referendo ao resgate internacional da Grécia.
O anúncio do gabinete de Georges Papandreou surge pouco depois de o ministro grego das Finanças ter-se mostrado contra a realização de um referendo sobre a moeda única no país, ao realçar que a adesão da Grécia ao euro é "uma conquista histórica do povo".
Também a deputada do Partido Socialista da Grécia (Pasok), Eva Kaili, pediu a Papandreou para reverter a sua decisão de convocar um referendo, o que fragiliza a posição do primeiro-ministro num Parlamento onde os socialistas detêm a maioria.
O Governo da Grécia encontra-se dividido quanto à realização de um referendo ao plano de resgate europeu, e o seu apoio no parlamento é cada vez mais reduzido, segundo a imprensa grega e as agências internacionais.
Na quarta-feira, George Papandreou obteve "total apoio" do seu governo para a realização do referendo, mas fontes citadas pela agência AP disseram que, durante a longa sessão do conselho de ministros, pelo menos dois dos membros do Governo mostraram estar contra o referendo.
O primeiro-ministro grego, Georges Papandreou, convocou uma reunião urgente do Governo para hoje ao meio-dia, na sequência de críticas de ministros contra o referendo ao resgate internacional da Grécia.
O anúncio do gabinete de Georges Papandreou surge pouco depois de o ministro grego das Finanças ter-se mostrado contra a realização de um referendo sobre a moeda única no país, ao realçar que a adesão da Grécia ao euro é "uma conquista histórica do povo".
Também a deputada do Partido Socialista da Grécia (Pasok), Eva Kaili, pediu a Papandreou para reverter a sua decisão de convocar um referendo, o que fragiliza a posição do primeiro-ministro num Parlamento onde os socialistas detêm a maioria.
O Governo da Grécia encontra-se dividido quanto à realização de um referendo ao plano de resgate europeu, e o seu apoio no parlamento é cada vez mais reduzido, segundo a imprensa grega e as agências internacionais.
Na quarta-feira, George Papandreou obteve "total apoio" do seu governo para a realização do referendo, mas fontes citadas pela agência AP disseram que, durante a longa sessão do conselho de ministros, pelo menos dois dos membros do Governo mostraram estar contra o referendo.
ONU quer criação "urgente" de imposto para financiar luta contra a pobreza
in Jornal de Notícias
As Nações Unidas defendem a criação "urgente" de um imposto sobre o comércio internacional de divisas que possa financiar o combate às alterações climáticas e à pobreza extrema, no relatório sobre desenvolvimento humano, divulgado em Copenhaga.
foto Hugo Coelho/Global Imagens
"Estima-se que a aplicação de um imposto de apenas 0,005% ao comércio internacional de divisas poderia conseguir 40 mil milhões de dólares adicionais em cada ano. Isso melhoraria significativamente o fluxo de ajuda dirigida aos países mais pobres, que ascendeu a 130 mil milhões de dólares em 2010, num momento em que o financiamento ao desenvolvimento abranda devido à crise mundial", refere o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Este imposto permitiria que os que "mais ganharam com a globalização ajudem os que menos benefício obtêm com ela", defende o PNUD, estimando que todos os anos sejam necessários 105 mil milhões de dólares para financiar a adaptação às alterações climáticas, especialmente na Ásia Meridional e na África subsaariana.
O relatório "Equidade e sustentabilidade: Um melhor futuro para todos", divulgado em Copenhaga, alerta que os avanços conseguidos pelos países mais pobres arriscam estagnar ou mesmo retroceder até meados do século se não forem tomadas "medidas audaciosas" para abrandar as alterações climáticas.
O documento aponta ainda que a expansão dos direitos reprodutivos e o acesso a contraceptivos "abrem uma nova frente" na luta contra da desigualdade de género e a pobreza.
"Os direitos reprodutivos podem contribuir para reduzir a pressão ambiental, já que abrandaria o crescimento demográfico mundial numa altura em que se espera que a população do planeta aumente de 7 mil milhões para 9300 milhões nos próximos 40 anos", refere o texto.
O relatório do PNUD é publicado anualmente desde 1990 e inclui um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que classifica os países mediante os progressos conseguidos nas áreas da saúde, educação e Rendimento Nacional Bruto (RNB) per capita.
Noruega, Austrália e Holanda ocupam os primeiros lugares na lista de países com maiores progressos na saúde, educação e rendimento, revela o IDH de 2011, que coloca RDCongo, Níger e Burundi nas últimas posições.
As Nações Unidas defendem a criação "urgente" de um imposto sobre o comércio internacional de divisas que possa financiar o combate às alterações climáticas e à pobreza extrema, no relatório sobre desenvolvimento humano, divulgado em Copenhaga.
foto Hugo Coelho/Global Imagens
"Estima-se que a aplicação de um imposto de apenas 0,005% ao comércio internacional de divisas poderia conseguir 40 mil milhões de dólares adicionais em cada ano. Isso melhoraria significativamente o fluxo de ajuda dirigida aos países mais pobres, que ascendeu a 130 mil milhões de dólares em 2010, num momento em que o financiamento ao desenvolvimento abranda devido à crise mundial", refere o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Este imposto permitiria que os que "mais ganharam com a globalização ajudem os que menos benefício obtêm com ela", defende o PNUD, estimando que todos os anos sejam necessários 105 mil milhões de dólares para financiar a adaptação às alterações climáticas, especialmente na Ásia Meridional e na África subsaariana.
O relatório "Equidade e sustentabilidade: Um melhor futuro para todos", divulgado em Copenhaga, alerta que os avanços conseguidos pelos países mais pobres arriscam estagnar ou mesmo retroceder até meados do século se não forem tomadas "medidas audaciosas" para abrandar as alterações climáticas.
O documento aponta ainda que a expansão dos direitos reprodutivos e o acesso a contraceptivos "abrem uma nova frente" na luta contra da desigualdade de género e a pobreza.
"Os direitos reprodutivos podem contribuir para reduzir a pressão ambiental, já que abrandaria o crescimento demográfico mundial numa altura em que se espera que a população do planeta aumente de 7 mil milhões para 9300 milhões nos próximos 40 anos", refere o texto.
O relatório do PNUD é publicado anualmente desde 1990 e inclui um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que classifica os países mediante os progressos conseguidos nas áreas da saúde, educação e Rendimento Nacional Bruto (RNB) per capita.
Noruega, Austrália e Holanda ocupam os primeiros lugares na lista de países com maiores progressos na saúde, educação e rendimento, revela o IDH de 2011, que coloca RDCongo, Níger e Burundi nas últimas posições.
Saúde e salários das mulheres penalizam igualdade de género em Portugal
in Jornal de Notícias
A saúde e os salários são os factores mais penalizadores para as mulheres em Portugal, que registou no ano passado um recuo na igualdade de género a nível internacional, segundo o Fórum Económico Mundial.
No relatório anual do Fórum sobre igualdade de género, divulgado terça-feira, Portugal surge na 35ª posição entre 135 países, três posições abaixo de 2010, atrás de Espanha (12º) ou Moçambique (26º), mas à frente de outras nações europeias como a França (48º).
A descida de Portugal, refere o relatório, deve-se a "pequenas deteriorações nas categorias de rendimento estimado, igualdade salarial e representação feminina no parlamento".
Islândia, Noruega, Finlândia e Suécia são os quatro primeiros em termos de igualdade de género, e o Iémen é o último da tabela.
Numa escala em que a pontuação 1 significa igualdade total entre homens e mulheres e 0 (zero) representa a desigualdade, Portugal regista 0,714 pontos.
A Política é a componente em que os resultados são mais positivos, situando-se o país na 34ª posição geral, sobretudo devido ao número de ministras (21ª posição) e deputadas (29ª posição), que compensam a 44ª posição no indicador de chefes de Estado do sexo feminino nos últimos anos.
Na Educação, o país ocupa a 55ª posição geral e na Economia cai para a 59ª, penalizado pela igualdade de salário por trabalho semelhante (109ª posição) e rendimento estimado (69ª posição).
O pior dos vários indicadores considerados pelo Fórum é a Saúde, que em Portugal surge na 71ª posição.
Para o Fórum, a eliminação de desigualdades de género é uma questão de direitos humanos e equidade, mas também de eficiência. "A mais importante condição para a competitividade de um país é o talento humano - as capacidades, educação e produtividade da sua força de trabalho - e as mulheres representam metade da reserva de talento potencial em todo o mundo", refere o relatório.
"A competitividade de um país depende, entre outras coisas, de ser educado e utilizado o seu talento feminino, e como tal é feito", adianta.
A saúde e os salários são os factores mais penalizadores para as mulheres em Portugal, que registou no ano passado um recuo na igualdade de género a nível internacional, segundo o Fórum Económico Mundial.
No relatório anual do Fórum sobre igualdade de género, divulgado terça-feira, Portugal surge na 35ª posição entre 135 países, três posições abaixo de 2010, atrás de Espanha (12º) ou Moçambique (26º), mas à frente de outras nações europeias como a França (48º).
A descida de Portugal, refere o relatório, deve-se a "pequenas deteriorações nas categorias de rendimento estimado, igualdade salarial e representação feminina no parlamento".
Islândia, Noruega, Finlândia e Suécia são os quatro primeiros em termos de igualdade de género, e o Iémen é o último da tabela.
Numa escala em que a pontuação 1 significa igualdade total entre homens e mulheres e 0 (zero) representa a desigualdade, Portugal regista 0,714 pontos.
A Política é a componente em que os resultados são mais positivos, situando-se o país na 34ª posição geral, sobretudo devido ao número de ministras (21ª posição) e deputadas (29ª posição), que compensam a 44ª posição no indicador de chefes de Estado do sexo feminino nos últimos anos.
Na Educação, o país ocupa a 55ª posição geral e na Economia cai para a 59ª, penalizado pela igualdade de salário por trabalho semelhante (109ª posição) e rendimento estimado (69ª posição).
O pior dos vários indicadores considerados pelo Fórum é a Saúde, que em Portugal surge na 71ª posição.
Para o Fórum, a eliminação de desigualdades de género é uma questão de direitos humanos e equidade, mas também de eficiência. "A mais importante condição para a competitividade de um país é o talento humano - as capacidades, educação e produtividade da sua força de trabalho - e as mulheres representam metade da reserva de talento potencial em todo o mundo", refere o relatório.
"A competitividade de um país depende, entre outras coisas, de ser educado e utilizado o seu talento feminino, e como tal é feito", adianta.
Governo quer "condições mais flexíveis para executar programa"
in Jornal de Notícias
O primeiro-ministro afirmou na quarta-feira que o Governo quer "condições mais flexíveis para executar o programa" de assistência económica e financeira a Portugal, ressalvando que isso "não tem de implicar necessariamente" mais dinheiro.
Segundo Pedro Passos Coelho, o programa de 78 mil milhões de euros acordado com a 'troika' assegura financiamento "para o Estado", mas não está "assegurado financiamento para a economia portuguesa".
Em declarações aos jornalistas, à entrada para uma reunião do Conselho Nacional do PSD, num hotel de Lisboa, o primeiro-ministro ressalvou, no entanto, que o "ajustamento" que o Governo pretende fazer ao programa "não tem de implicar necessariamente" mais dinheiro.
"O que nós precisamos é de condições mais flexíveis para executar o programa, não é de um novo programa. Ninguém em Portugal está a pedir mais dinheiro, em Portugal estamos a pedir reajustamentos que possam trazer maior flexibilidade", acrescentou Passos Coelho, remetendo para mais tarde um esclarecimento sobre que "condições mais flexíveis" são essas.
A este propósito, o primeiro-ministro começou por dizer que "o ajustamento do programa é uma coisa que tem lugar a cada três meses".
Passos Coelho disse depois que "o facto de ser necessário adequar o cenário macroeconómico à realidade económica obrigará com certeza a fazer alguns ajustamentos, que nesta altura são até importantes para garantir o financiamento às empresas e à economia portuguesa".
Questionado se isso implica mais dinheiro, respondeu: "Não, não tem de implicar necessariamente isso".
Ainda sobre um eventual reforço do 78 mil milhões de euros, Passos Coelho observou que "estar hoje a dizer que o envelope financeiro é outro é a mesma coisa que dizer que este programa está profundamente desadequado".
O primeiro-ministro frisou que nunca falou "em renegociação", mas sim "em reajustamentos" ao programa de assistência económica e financeira a Portugal.
"Portugal comprometeu-se externamente com a concretização de um programa ambicioso de reformas estruturais e de medidas de consolidação orçamental. Não podemos falhar nenhum deles e não iremos falhar nenhum deles", concluiu.
O primeiro-ministro afirmou na quarta-feira que o Governo quer "condições mais flexíveis para executar o programa" de assistência económica e financeira a Portugal, ressalvando que isso "não tem de implicar necessariamente" mais dinheiro.
Segundo Pedro Passos Coelho, o programa de 78 mil milhões de euros acordado com a 'troika' assegura financiamento "para o Estado", mas não está "assegurado financiamento para a economia portuguesa".
Em declarações aos jornalistas, à entrada para uma reunião do Conselho Nacional do PSD, num hotel de Lisboa, o primeiro-ministro ressalvou, no entanto, que o "ajustamento" que o Governo pretende fazer ao programa "não tem de implicar necessariamente" mais dinheiro.
"O que nós precisamos é de condições mais flexíveis para executar o programa, não é de um novo programa. Ninguém em Portugal está a pedir mais dinheiro, em Portugal estamos a pedir reajustamentos que possam trazer maior flexibilidade", acrescentou Passos Coelho, remetendo para mais tarde um esclarecimento sobre que "condições mais flexíveis" são essas.
A este propósito, o primeiro-ministro começou por dizer que "o ajustamento do programa é uma coisa que tem lugar a cada três meses".
Passos Coelho disse depois que "o facto de ser necessário adequar o cenário macroeconómico à realidade económica obrigará com certeza a fazer alguns ajustamentos, que nesta altura são até importantes para garantir o financiamento às empresas e à economia portuguesa".
Questionado se isso implica mais dinheiro, respondeu: "Não, não tem de implicar necessariamente isso".
Ainda sobre um eventual reforço do 78 mil milhões de euros, Passos Coelho observou que "estar hoje a dizer que o envelope financeiro é outro é a mesma coisa que dizer que este programa está profundamente desadequado".
O primeiro-ministro frisou que nunca falou "em renegociação", mas sim "em reajustamentos" ao programa de assistência económica e financeira a Portugal.
"Portugal comprometeu-se externamente com a concretização de um programa ambicioso de reformas estruturais e de medidas de consolidação orçamental. Não podemos falhar nenhum deles e não iremos falhar nenhum deles", concluiu.
2.11.11
Direcção da APPACDM apresenta demissão para "evitar extinção" da instituição
Destak/Lusa, in Destak
O presidente da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Braga, António Melo, apresentou hoje o pedido de demissão, justificando que pretende assim "evitar a extinção" da instituição.
Em carta dirigida ao presidente da assembleia-geral da APPACDM, à qual a Agência Lusa teve acesso, os membros da atual direção e do conselho fiscal "apresentam" a demissão, justificando que "pretendem dar continuidade à instituição".
Isto porque, explica a missiva, a assembleia-geral convocada para quinta-feira tem como "ponto único da ordem de trabalhos deliberar sobre a destituição dos membros dos órgãos sociais" o que, a ser aprovado, "leva à extinção da própria instituição", segundo entendem os membros da direção agora demissionários.
Além disso, entendem os agora membros demissionários, esta assembleia tem origem numa “convocatória ilegal”, uma vez que esta "se dirige contra órgão social inexistente”, pelo que pretendem, assim, "evitar o recurso à via judicial para impugnação" da referida convocatória.
A 04 de outubro, os funcionários da APPACDM acusaram a atual direção de "desvarios administrativos" e alertaram para a falta de pagamento de salários.
A denúncia foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) que, em conferência de imprensa, deu conta da "situação difícil" que APPACDM de Braga enfrenta.
"Neste momento, está em falta o pagamento do subsídio de férias e do mês de setembro", explicou então o representante do CESP, Manuel Carvalho.
Segundo o CESP, a situação em que a instituição se encontra tem como "culpados" a atual direção da AAPACDM.
"Desde que esta direção tomou posse têm sido várias as notícias que dão conta de falta de dinheiro, problemas e outras coisas. Mas, no entanto, fizeram obras no valor de um milhão e duzentos mil euros. Para os salários é que dizem não ter dinheiro", disse o CESP.
Entre os "desvarios" de que acusaram a direção da APPACDM está o facto da associação "ter que devolver o dinheiro que recebeu do Governo para formação, pois essa formação não foi dada a ninguém" e, segundo o CESP, a "perda de receitas de acordos com a Segurança Social por o senhor presidente ter faltado a uma reunião com esta entidade".
À data, Manuel Carvalho adiantou ser do "entendimento" quer dos pais dos utentes, quer dos sócios da instituição, que a situação "só se resolve com a demissão do atual presidente", António Melo, que hoje apresentou a demissão.
A 14 de outubro, os trabalhadores da instituição manifestaram-se em frente às instalações da APPACDM e aprovaram uma moção, que mais tarde entregaram na Segurança Social de Braga, na qual exigiam "o pagamento das remunerações em atraso" porque, explicavam "não podem ser os trabalhadores a ser penalizados por erros de má gestão ou por eventuais faltas de apoio do Estado".
A APPACDM de Braga emprega 185 trabalhadores, desde pessoal técnico, auxiliar e pessoal de apoio, servindo mais de 300 utentes no distrito de Braga.
O presidente da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Braga, António Melo, apresentou hoje o pedido de demissão, justificando que pretende assim "evitar a extinção" da instituição.
Em carta dirigida ao presidente da assembleia-geral da APPACDM, à qual a Agência Lusa teve acesso, os membros da atual direção e do conselho fiscal "apresentam" a demissão, justificando que "pretendem dar continuidade à instituição".
Isto porque, explica a missiva, a assembleia-geral convocada para quinta-feira tem como "ponto único da ordem de trabalhos deliberar sobre a destituição dos membros dos órgãos sociais" o que, a ser aprovado, "leva à extinção da própria instituição", segundo entendem os membros da direção agora demissionários.
Além disso, entendem os agora membros demissionários, esta assembleia tem origem numa “convocatória ilegal”, uma vez que esta "se dirige contra órgão social inexistente”, pelo que pretendem, assim, "evitar o recurso à via judicial para impugnação" da referida convocatória.
A 04 de outubro, os funcionários da APPACDM acusaram a atual direção de "desvarios administrativos" e alertaram para a falta de pagamento de salários.
A denúncia foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) que, em conferência de imprensa, deu conta da "situação difícil" que APPACDM de Braga enfrenta.
"Neste momento, está em falta o pagamento do subsídio de férias e do mês de setembro", explicou então o representante do CESP, Manuel Carvalho.
Segundo o CESP, a situação em que a instituição se encontra tem como "culpados" a atual direção da AAPACDM.
"Desde que esta direção tomou posse têm sido várias as notícias que dão conta de falta de dinheiro, problemas e outras coisas. Mas, no entanto, fizeram obras no valor de um milhão e duzentos mil euros. Para os salários é que dizem não ter dinheiro", disse o CESP.
Entre os "desvarios" de que acusaram a direção da APPACDM está o facto da associação "ter que devolver o dinheiro que recebeu do Governo para formação, pois essa formação não foi dada a ninguém" e, segundo o CESP, a "perda de receitas de acordos com a Segurança Social por o senhor presidente ter faltado a uma reunião com esta entidade".
À data, Manuel Carvalho adiantou ser do "entendimento" quer dos pais dos utentes, quer dos sócios da instituição, que a situação "só se resolve com a demissão do atual presidente", António Melo, que hoje apresentou a demissão.
A 14 de outubro, os trabalhadores da instituição manifestaram-se em frente às instalações da APPACDM e aprovaram uma moção, que mais tarde entregaram na Segurança Social de Braga, na qual exigiam "o pagamento das remunerações em atraso" porque, explicavam "não podem ser os trabalhadores a ser penalizados por erros de má gestão ou por eventuais faltas de apoio do Estado".
A APPACDM de Braga emprega 185 trabalhadores, desde pessoal técnico, auxiliar e pessoal de apoio, servindo mais de 300 utentes no distrito de Braga.
Saúde e salários penalizam igualdade de género em Portugal
Destak/Lusa, in Destak
A saúde e os salários são os fatores mais penalizadores para as mulheres em Portugal, que registou no ano passado um recuo na igualdade de género a nível internacional, segundo o Fórum Económico Mundial.
No relatório anual do Fórum sobre igualdade de género, divulgado terça feira, Portugal surge na 35ª posição entre 135 países, três posições abaixo de 2010, atrás de Espanha (12º) ou Moçambique (26º), mas à frente de outras nações europeias como a França (48º).
A descida de Portugal, refere o relatório, deve-se a "pequenas deteriorações nas categorias de rendimento estimado, igualdade salarial e representação feminina no parlamento".
Islândia, Noruega, Finlândia e Suécia são os quatro primeiros em termos de igualdade de género, e o Iémen é o último da tabela.
Numa escala em que a pontuação 1 significa igualdade total entre homens e mulheres e 0 (zero) representa a desigualdade, Portugal regista 0,714 pontos.
A Política é a componente em que os resultados são mais positivos, situando-se o país na 34ª posição geral, sobretudo devido ao número de ministras (21ª posição) e deputadas (29ª posição), que compensam a 44ª posição no indicador de chefes de Estado do sexo feminino nos últimos anos.
Na Educação, o país ocupa a 55ª posição geral e na Economia cai para a 59ª, penalizado pela igualdade de salário por trabalho semelhante (109ª posição) e rendimento estimado (69ª posição).
O pior dos vários indicadores considerados pelo Fórum é a Saúde, que em Portugal surge na 71ª posição.
Para o Fórum, a eliminação de desigualdades de género é uma questão de direitos humanos e equidade, mas também de eficiência.
"A mais importante condição para a competitividade de um país é o talento humano - as capacidades, educação e produtividade da sua força de trabalho - e as mulheres representam metade da reserva de talento potencial em todo o mundo", refere o relatório.
"A competitividade de um país depende, entre outras coisas, de ser educado e utilizado o seu talento feminino, e como tal é feito", adianta.
A saúde e os salários são os fatores mais penalizadores para as mulheres em Portugal, que registou no ano passado um recuo na igualdade de género a nível internacional, segundo o Fórum Económico Mundial.
No relatório anual do Fórum sobre igualdade de género, divulgado terça feira, Portugal surge na 35ª posição entre 135 países, três posições abaixo de 2010, atrás de Espanha (12º) ou Moçambique (26º), mas à frente de outras nações europeias como a França (48º).
A descida de Portugal, refere o relatório, deve-se a "pequenas deteriorações nas categorias de rendimento estimado, igualdade salarial e representação feminina no parlamento".
Islândia, Noruega, Finlândia e Suécia são os quatro primeiros em termos de igualdade de género, e o Iémen é o último da tabela.
Numa escala em que a pontuação 1 significa igualdade total entre homens e mulheres e 0 (zero) representa a desigualdade, Portugal regista 0,714 pontos.
A Política é a componente em que os resultados são mais positivos, situando-se o país na 34ª posição geral, sobretudo devido ao número de ministras (21ª posição) e deputadas (29ª posição), que compensam a 44ª posição no indicador de chefes de Estado do sexo feminino nos últimos anos.
Na Educação, o país ocupa a 55ª posição geral e na Economia cai para a 59ª, penalizado pela igualdade de salário por trabalho semelhante (109ª posição) e rendimento estimado (69ª posição).
O pior dos vários indicadores considerados pelo Fórum é a Saúde, que em Portugal surge na 71ª posição.
Para o Fórum, a eliminação de desigualdades de género é uma questão de direitos humanos e equidade, mas também de eficiência.
"A mais importante condição para a competitividade de um país é o talento humano - as capacidades, educação e produtividade da sua força de trabalho - e as mulheres representam metade da reserva de talento potencial em todo o mundo", refere o relatório.
"A competitividade de um país depende, entre outras coisas, de ser educado e utilizado o seu talento feminino, e como tal é feito", adianta.
Maior parte das demências nos idosos está por diagnosticar
Por Alexandra Campos, in Público on-line
É um cenário assustador: a população portuguesa está a envelhecer a um ritmo acelerado e, se as previsões se concretizarem, dentro de meio século, perto de um terço (32%) terá mais de 65 anos. Actualmente, Portugal já conta com 1,5 milhões de idosos e cerca de 400 mil vivem completamente sozinhos. Com o envelhecimento, aumentam as patologias, nomeadamente as demências, e a maior parte dos idosos nesta situação está actualmente por diagnosticar e sem tratamento, afirma Lia Fernandes, presidente da Associação Portuguesa de Gerontopsiquiatria (APG).
As doenças associadas ao envelhecimento vão estar em destaque no 11.º congresso da APG, que decorre de hoje até sexta-feira no Porto.
Dos 153 mil portugueses com demências, cerca de 90 mil sofrem de Alzheimer. "Quando chegam ao médico, muitos chegam já em fases intermédias das doenças", nota Lia Fernandes, para quem é importante estabelecer um diagnóstico precoce para definir intervenções terapêuticas que ajudem a melhorar a qualidade de vida dos doentes e dos seus cuidadores.
Portugal tem, desde há alguns anos, uma rede de cuidados continuados integrados que deveria dar resposta a estes casos, mas, além de o número de camas ser ainda "insuficiente", a outra rede que chegou a ser oficialmente criada - a de saúde mental - não foi regulamentada, lamenta a psiquiatra, que trabalha no Hospital de S. João, no Porto. Para onde podem ir então estes doentes? "Boa pergunta. Por vezes, põem-nos entraves [para aceitar estas pessoas na rede de cuidados continuados] porque elas têm alterações comportamentais", explica. Daí a importância de avançar com uma rede específica para a saúde mental.
Mas, para a presidente da APG, este não é, nem de longe nem de perto, o único tipo de resposta necessário. "A institucionalização deve ser o último recurso. Se não se quiser gastar muito dinheiro, é necessário apostar na assistência domiciliária, com equipas multidisciplinares", defende Lia Fernandes, que considera que, com a crise, se está a "voltar atrás". "É necessário também investir na formação específica dos profissionais de saúde", acrescenta.
Um quarto dos suicídios
O aumento do suicídio entre os idosos é outro dos temas a debater no congresso. Um quarto das pessoas que se suicidaram no ano passado em Portugal tinha mais de 60 anos e na base da decisão estiveram, sobretudo, além de doenças físicas, a solidão e as condições socioeconómicas, descreveu à agência Lusa a psiquiatra.
"Os idosos não precisam de estar muito deprimidos para se suicidar. Basicamente, o que é importante nos idosos são as doenças físicas, as condições socioeconómicas e de bem-estar geral e uma outra coisa muito importante, que tem a ver com a inexistência de uma rede social de contactos, nomeadamente o factor solidão."
De acordo com os dados oficiais, em Portugal cerca de 1500 pessoas suicidam-se em cada ano. Destas, um quarto tem mais de 60 anos. Em zonas com fraca densidade populacional e onde grande parte dos residentes está desempregada, como acontece em alguns concelhos do Alentejo, a taxa de suicídio atinge valores preocupantes.
É um cenário assustador: a população portuguesa está a envelhecer a um ritmo acelerado e, se as previsões se concretizarem, dentro de meio século, perto de um terço (32%) terá mais de 65 anos. Actualmente, Portugal já conta com 1,5 milhões de idosos e cerca de 400 mil vivem completamente sozinhos. Com o envelhecimento, aumentam as patologias, nomeadamente as demências, e a maior parte dos idosos nesta situação está actualmente por diagnosticar e sem tratamento, afirma Lia Fernandes, presidente da Associação Portuguesa de Gerontopsiquiatria (APG).
As doenças associadas ao envelhecimento vão estar em destaque no 11.º congresso da APG, que decorre de hoje até sexta-feira no Porto.
Dos 153 mil portugueses com demências, cerca de 90 mil sofrem de Alzheimer. "Quando chegam ao médico, muitos chegam já em fases intermédias das doenças", nota Lia Fernandes, para quem é importante estabelecer um diagnóstico precoce para definir intervenções terapêuticas que ajudem a melhorar a qualidade de vida dos doentes e dos seus cuidadores.
Portugal tem, desde há alguns anos, uma rede de cuidados continuados integrados que deveria dar resposta a estes casos, mas, além de o número de camas ser ainda "insuficiente", a outra rede que chegou a ser oficialmente criada - a de saúde mental - não foi regulamentada, lamenta a psiquiatra, que trabalha no Hospital de S. João, no Porto. Para onde podem ir então estes doentes? "Boa pergunta. Por vezes, põem-nos entraves [para aceitar estas pessoas na rede de cuidados continuados] porque elas têm alterações comportamentais", explica. Daí a importância de avançar com uma rede específica para a saúde mental.
Mas, para a presidente da APG, este não é, nem de longe nem de perto, o único tipo de resposta necessário. "A institucionalização deve ser o último recurso. Se não se quiser gastar muito dinheiro, é necessário apostar na assistência domiciliária, com equipas multidisciplinares", defende Lia Fernandes, que considera que, com a crise, se está a "voltar atrás". "É necessário também investir na formação específica dos profissionais de saúde", acrescenta.
Um quarto dos suicídios
O aumento do suicídio entre os idosos é outro dos temas a debater no congresso. Um quarto das pessoas que se suicidaram no ano passado em Portugal tinha mais de 60 anos e na base da decisão estiveram, sobretudo, além de doenças físicas, a solidão e as condições socioeconómicas, descreveu à agência Lusa a psiquiatra.
"Os idosos não precisam de estar muito deprimidos para se suicidar. Basicamente, o que é importante nos idosos são as doenças físicas, as condições socioeconómicas e de bem-estar geral e uma outra coisa muito importante, que tem a ver com a inexistência de uma rede social de contactos, nomeadamente o factor solidão."
De acordo com os dados oficiais, em Portugal cerca de 1500 pessoas suicidam-se em cada ano. Destas, um quarto tem mais de 60 anos. Em zonas com fraca densidade populacional e onde grande parte dos residentes está desempregada, como acontece em alguns concelhos do Alentejo, a taxa de suicídio atinge valores preocupantes.
Barroso adverte para consequências “imprevisíveis” do referendo na Grécia
por PÚBLICO, Agências, in Público on-line
Uma rejeição pelos gregos do plano de resgate europeu para o país, no referendo anunciado, teria consequências “imprevisíveis”, preveniu hoje o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, quando chegou a Cannes, para uma reunião de crise.
“A União Europeia alcançou um acordo sobre vastas medidas de apoio à Grécia. Mas para que essas medidas entre em vigor é crucial que haja estabilidade no país”, diz Barroso.
“Sem o acordo da Grécia ao programa da EU e do FMI, as condições para os gregos seriam muito mais dolorosas, em particular para os mais vulneráveis”, acrescentou Barroso.
Bancos alemães suspendem acordo para o perdão da dívida grega
Os bancos alemães incluídos no acordo para um perdão de 50% da dívida grega detida pelos privados suspenderam o plano negociado com a União Europeia para a reestruturação da dívida de Atenas. Tudo fica dependente do resultado do referendo que o Governo grego quer realizar sobre o plano de assistência externa, anunciou hoje a Confederação dos Bancos Alemães.
O presidente da confederação, Michael Kemmer, fez saber que o acordo ficará suspenso até se conhecer o desfecho da votação, embora prossigam os preparativos necessários para a respectiva implementação.
“A aplicação integral do pacote para atenuar a crise da zona euro antes do referendo na Grécia é irrealista, não devemos criar factos consumados, antes de o referendo estar concluído”, justificou, ressalvando que espera um amplo apoio dos bancos credores ao corte da dívida pública grega.
Após intensas negociações entre a União Europeia, os bancos acordaram na semana passada – através do Instituto da Finança Internacional (IIF) – abater 100 mil milhões de euros dos empréstimos concedidos a Atenas (em troca de garantias de 30 mil milhões de euros através do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF). Mas o anúncio dos bancos alemães, cuja exposição à dívida grega ronda os 17 mil milhões de euros, pode agora pôr em causa um acordo voluntário até que os privados conheçam o resultado do referendo que o Governo espera conduzir até Dezembro.
O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, disse em diferentes entrevistas à imprensa alemã que o governo de Berlim continua a apoiar os acordos firmados entre Atenas, Bruxelas e o Fundo Monetário Internacional, mas exigiu simultaneamente que a Grécia “esclareça rapidamente” o caminho que quer trilhar para sair da crise.
Fundo de resgate adia emissão de dívida
O FEEF vai adiar uma emissão de obrigações a dez anos no valor de três mil milhões de euros. O adiamento deve-se às “actuais condições de mercado”, segundo afirmou o porta-voz do fundo, Christof Roche, citado pela Bloomberg.
Com base em informações de uma fonte não identificada, a Bloomberg acrescenta que, esta manhã, no âmbito de uma reunião com investidores, um responsável do FEEF explicou que este organismo, liderado pelo alemão Klaus Regling, irá esperar pelos resultados do encontro do G20, que decorre em Cannes amanhã e sexta-feira, antes de avançar com a emissão de obrigações.
Papandreou é esta tarde recebido pelos líderes das duas maiores economias europeias, Angela Merkel (Alemanha) e Nicolas Sarkozy (França). Isto numa altura em que a imprensa francesa e espanhola noticia que a União Europeia recusa renegociar os requisitos para o segundo resgate a Atenas e poderá bloquear a sexta tranche do empréstimo à Grécia (prevista para entrar nos cofres do Estado até meados deste mês), se Atenas não aplicar as medidas de ajustamento acordadas com Bruxelas.
Entretanto, um responsável da Moody’s, uma das três grandes agências de notação financeira (rating) do mundo (todas norte-americanas), veio alertar para o risco de adiamento dos pagamentos previstos no plano de ajuda à Grécia, sem no entanto fazer menção específica à próxima parcela de oito mil milhões, cuja entrega foi decidida no mês passado.
“Os projectos da Grécia poderiam incitar a UE, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu a atrasar os futuros pagamentos do plano de ajuda grego, provocando uma crise de liquidez ao Governo”, disse Zach Witton, da Moody’s Analytics, citado pela agência AFP.
Ameaças de dissidência no Pasok
Em Atenas, o socialista Papandreou enfrenta novas divisões no interior Pasok, o partido que suporta no Parlamento – mas por uma curta margem – a maioria de Governo.
Embora o primeiro-ministro tenha conseguido, esta madrugada, luz verde do Governo para referendar o plano contra a crise (que, a realizar-se, não deverá ser votado antes de Dezembro), Papandreou tem pela frente a tarefa de manter do seu lado os deputados socialistas em número suficiente para garantir a aprovação da realização do referendo. O executivo enfrenta já na sexta-feira a votação de uma moção de confiança, que, caso os socialistas não consigam 151 votos favoráveis, pode precipitar a queda do Governo.
Com a saída da deputada Milena Apostolaki da bancada parlamentar do Pasok (passando a deputada independente), o partido do Governo viu a maioria encolher para 152 assentos (num total de 300 parlamentares). E não é certo que todos fiquem do lado do executivo na sexta-feira, nem que todos votarão a favor da realização do referendo. Eva Kaili, outra deputada socialista, deixou implícito que não votará ao lado da posição oficial do Pasok, embora diga que aguardará pelos encontros do G20 em Cannes para tomar uma decisão.
Para o líder do principal partido da oposição (Nova Democracia), Antonis Samaras, o primeiro-ministro está apenas interessado em assegurar os seus próprios interesses, contra os quais, considerou, se pode virar o próprio referendo. Samaras afastou ainda ideia de ser criado um governo de salvação nacional, como pedira a socialista Eva Kaili.
Uma rejeição pelos gregos do plano de resgate europeu para o país, no referendo anunciado, teria consequências “imprevisíveis”, preveniu hoje o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, quando chegou a Cannes, para uma reunião de crise.
“A União Europeia alcançou um acordo sobre vastas medidas de apoio à Grécia. Mas para que essas medidas entre em vigor é crucial que haja estabilidade no país”, diz Barroso.
“Sem o acordo da Grécia ao programa da EU e do FMI, as condições para os gregos seriam muito mais dolorosas, em particular para os mais vulneráveis”, acrescentou Barroso.
Bancos alemães suspendem acordo para o perdão da dívida grega
Os bancos alemães incluídos no acordo para um perdão de 50% da dívida grega detida pelos privados suspenderam o plano negociado com a União Europeia para a reestruturação da dívida de Atenas. Tudo fica dependente do resultado do referendo que o Governo grego quer realizar sobre o plano de assistência externa, anunciou hoje a Confederação dos Bancos Alemães.
O presidente da confederação, Michael Kemmer, fez saber que o acordo ficará suspenso até se conhecer o desfecho da votação, embora prossigam os preparativos necessários para a respectiva implementação.
“A aplicação integral do pacote para atenuar a crise da zona euro antes do referendo na Grécia é irrealista, não devemos criar factos consumados, antes de o referendo estar concluído”, justificou, ressalvando que espera um amplo apoio dos bancos credores ao corte da dívida pública grega.
Após intensas negociações entre a União Europeia, os bancos acordaram na semana passada – através do Instituto da Finança Internacional (IIF) – abater 100 mil milhões de euros dos empréstimos concedidos a Atenas (em troca de garantias de 30 mil milhões de euros através do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF). Mas o anúncio dos bancos alemães, cuja exposição à dívida grega ronda os 17 mil milhões de euros, pode agora pôr em causa um acordo voluntário até que os privados conheçam o resultado do referendo que o Governo espera conduzir até Dezembro.
O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, disse em diferentes entrevistas à imprensa alemã que o governo de Berlim continua a apoiar os acordos firmados entre Atenas, Bruxelas e o Fundo Monetário Internacional, mas exigiu simultaneamente que a Grécia “esclareça rapidamente” o caminho que quer trilhar para sair da crise.
Fundo de resgate adia emissão de dívida
O FEEF vai adiar uma emissão de obrigações a dez anos no valor de três mil milhões de euros. O adiamento deve-se às “actuais condições de mercado”, segundo afirmou o porta-voz do fundo, Christof Roche, citado pela Bloomberg.
Com base em informações de uma fonte não identificada, a Bloomberg acrescenta que, esta manhã, no âmbito de uma reunião com investidores, um responsável do FEEF explicou que este organismo, liderado pelo alemão Klaus Regling, irá esperar pelos resultados do encontro do G20, que decorre em Cannes amanhã e sexta-feira, antes de avançar com a emissão de obrigações.
Papandreou é esta tarde recebido pelos líderes das duas maiores economias europeias, Angela Merkel (Alemanha) e Nicolas Sarkozy (França). Isto numa altura em que a imprensa francesa e espanhola noticia que a União Europeia recusa renegociar os requisitos para o segundo resgate a Atenas e poderá bloquear a sexta tranche do empréstimo à Grécia (prevista para entrar nos cofres do Estado até meados deste mês), se Atenas não aplicar as medidas de ajustamento acordadas com Bruxelas.
Entretanto, um responsável da Moody’s, uma das três grandes agências de notação financeira (rating) do mundo (todas norte-americanas), veio alertar para o risco de adiamento dos pagamentos previstos no plano de ajuda à Grécia, sem no entanto fazer menção específica à próxima parcela de oito mil milhões, cuja entrega foi decidida no mês passado.
“Os projectos da Grécia poderiam incitar a UE, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu a atrasar os futuros pagamentos do plano de ajuda grego, provocando uma crise de liquidez ao Governo”, disse Zach Witton, da Moody’s Analytics, citado pela agência AFP.
Ameaças de dissidência no Pasok
Em Atenas, o socialista Papandreou enfrenta novas divisões no interior Pasok, o partido que suporta no Parlamento – mas por uma curta margem – a maioria de Governo.
Embora o primeiro-ministro tenha conseguido, esta madrugada, luz verde do Governo para referendar o plano contra a crise (que, a realizar-se, não deverá ser votado antes de Dezembro), Papandreou tem pela frente a tarefa de manter do seu lado os deputados socialistas em número suficiente para garantir a aprovação da realização do referendo. O executivo enfrenta já na sexta-feira a votação de uma moção de confiança, que, caso os socialistas não consigam 151 votos favoráveis, pode precipitar a queda do Governo.
Com a saída da deputada Milena Apostolaki da bancada parlamentar do Pasok (passando a deputada independente), o partido do Governo viu a maioria encolher para 152 assentos (num total de 300 parlamentares). E não é certo que todos fiquem do lado do executivo na sexta-feira, nem que todos votarão a favor da realização do referendo. Eva Kaili, outra deputada socialista, deixou implícito que não votará ao lado da posição oficial do Pasok, embora diga que aguardará pelos encontros do G20 em Cannes para tomar uma decisão.
Para o líder do principal partido da oposição (Nova Democracia), Antonis Samaras, o primeiro-ministro está apenas interessado em assegurar os seus próprios interesses, contra os quais, considerou, se pode virar o próprio referendo. Samaras afastou ainda ideia de ser criado um governo de salvação nacional, como pedira a socialista Eva Kaili.
Vendas agressivas fogem ao controlo do Estado
in Diário de Notícias
O DN viajou com um grupo de idosos que durante horas foi seduzido para comprar produtos milagrosos.
As autoridades admitem que só intervêm nas vendas agressivas depois de o consumidor ser lesado.
O DN viajou com um grupo de idosos que durante horas foi seduzido para comprar produtos milagrosos.
As autoridades admitem que só intervêm nas vendas agressivas depois de o consumidor ser lesado.
Balcão do Empreendedor disponível no Portal da Empresa
in Diário de Notícias
O Balcão do Empreendedor, que permite realizar serviços associados ao exercício de uma atividade económica, passou a estar disponível 'online' no Portal da Empresa.
Segundo informação do gabinete do secretário de Estado adjunto do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Feliciano Barreiras Duarte, é possível realizar no portal (www.portaldaempresa.pt) 130 serviços do género e conhecer as formalidades necessárias para iniciar ou expandir uma empresa. Através de um "dossier eletrónico", é possível acompanhar e gerir os vários processos do negócio tratados através da Internet. "Aqui, o empreendedor pode aceder a informação sobre a criação da empresa, sobre os atos de registo comercial e sobre o licenciamento industrial, sem ter de se preocupar em saber quais as entidades responsáveis ou memorizar vários sites", pode ler-se no portal.
Em causa está, por exemplo, a instalação de um toldo, a colocação de um contentor para resíduos, um novo mapa do horário de funcionamento ou a afixação de publicidade. De acordo com o gabinete de Feliciano Barreiras Duarte, responsável que tutela a AMA -- Agência para a Modernização Administrativa, a criação deste balcão único electrónico nacional dá cumprimento a um objectivo intercalar definido numa medida do memorando de entendimento assinado com a 'troika'.
A conclusão da implementação do Balcão do Empreendedor, prevista para o "primeiro semestre de 2012", permitirá "a qualquer cidadão, nacional ou de outro Estado-membro da União Europeia (UE), passar a ter, num ponto único e em todas as línguas da EU, informação estruturada de um modo simples e uniforme sobre as formalidades necessárias ao exercício de mais de 450 atividades económicas, desde o momento de constituição da empresa [...] até à instalação e funcionamento da atividade", refere a nota informativa.
Além da versão 'online', o Balcão do Empreendedor está acessível nas Lojas da Empresa e nos municípios que o pretendam disponibilizar, como já fez o de Lisboa.
O Balcão do Empreendedor, que permite realizar serviços associados ao exercício de uma atividade económica, passou a estar disponível 'online' no Portal da Empresa.
Segundo informação do gabinete do secretário de Estado adjunto do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Feliciano Barreiras Duarte, é possível realizar no portal (www.portaldaempresa.pt) 130 serviços do género e conhecer as formalidades necessárias para iniciar ou expandir uma empresa. Através de um "dossier eletrónico", é possível acompanhar e gerir os vários processos do negócio tratados através da Internet. "Aqui, o empreendedor pode aceder a informação sobre a criação da empresa, sobre os atos de registo comercial e sobre o licenciamento industrial, sem ter de se preocupar em saber quais as entidades responsáveis ou memorizar vários sites", pode ler-se no portal.
Em causa está, por exemplo, a instalação de um toldo, a colocação de um contentor para resíduos, um novo mapa do horário de funcionamento ou a afixação de publicidade. De acordo com o gabinete de Feliciano Barreiras Duarte, responsável que tutela a AMA -- Agência para a Modernização Administrativa, a criação deste balcão único electrónico nacional dá cumprimento a um objectivo intercalar definido numa medida do memorando de entendimento assinado com a 'troika'.
A conclusão da implementação do Balcão do Empreendedor, prevista para o "primeiro semestre de 2012", permitirá "a qualquer cidadão, nacional ou de outro Estado-membro da União Europeia (UE), passar a ter, num ponto único e em todas as línguas da EU, informação estruturada de um modo simples e uniforme sobre as formalidades necessárias ao exercício de mais de 450 atividades económicas, desde o momento de constituição da empresa [...] até à instalação e funcionamento da atividade", refere a nota informativa.
Além da versão 'online', o Balcão do Empreendedor está acessível nas Lojas da Empresa e nos municípios que o pretendam disponibilizar, como já fez o de Lisboa.
FMI reconhece erros de análise e quer preveni-los
in Diário de Notícias
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reiterou segunda-feira o seu compromisso de fortalecer as suas ferramentas analíticas para prevenir crises, entre as quais a necessidade de prestar mais atenção às interligações económicas internacionais, noticia a Efe.
"A incapacidade de identificar a acumulação de vulnerabilidades no período anterior à crise é um facto humilhante que deve ser encarado", disse ao comité executivo do FMI a diretora, Christine Lagarde, citada em comunicado.
As afirmações foram feitas por ocasião da apresentação da revisão trienal das atividades de vigilância financeira e económica feitas pelo FMI.
A análise do organismo multilateral reconhece que a sua supervisão é "demasiado fragmentária", as avaliações de risco "carecem de profundidade" e presta-se "pouca atenção aos canais de transmissão" entre as diferentes economias nacionais.
O relatório, que se apresenta de três em três anos, inclui sugestões de peritos externos, como o Prémio Nobel de Economia de 2001, Joseph Stiglitz, que sublinha a importância de uma "supervisão imparcial e desenhada especificamente para as necessidades de cada país".
No relatório, o FMI reconhece as críticas feitas pela sua unidade de avaliação independente, no início do ano, que apontou que no período 2004-2007 se minimizaram os riscos que conduziram à maior crise económica e financeira em décadas.
Segundo este órgão de auditoria, grande parte dos problemas decorreram de uma cultura fechada a críticas e onde impera o designado pensamento único.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reiterou segunda-feira o seu compromisso de fortalecer as suas ferramentas analíticas para prevenir crises, entre as quais a necessidade de prestar mais atenção às interligações económicas internacionais, noticia a Efe.
"A incapacidade de identificar a acumulação de vulnerabilidades no período anterior à crise é um facto humilhante que deve ser encarado", disse ao comité executivo do FMI a diretora, Christine Lagarde, citada em comunicado.
As afirmações foram feitas por ocasião da apresentação da revisão trienal das atividades de vigilância financeira e económica feitas pelo FMI.
A análise do organismo multilateral reconhece que a sua supervisão é "demasiado fragmentária", as avaliações de risco "carecem de profundidade" e presta-se "pouca atenção aos canais de transmissão" entre as diferentes economias nacionais.
O relatório, que se apresenta de três em três anos, inclui sugestões de peritos externos, como o Prémio Nobel de Economia de 2001, Joseph Stiglitz, que sublinha a importância de uma "supervisão imparcial e desenhada especificamente para as necessidades de cada país".
No relatório, o FMI reconhece as críticas feitas pela sua unidade de avaliação independente, no início do ano, que apontou que no período 2004-2007 se minimizaram os riscos que conduziram à maior crise económica e financeira em décadas.
Segundo este órgão de auditoria, grande parte dos problemas decorreram de uma cultura fechada a críticas e onde impera o designado pensamento único.
Construção só tem trabalho para oito meses
por Ana Paula Lima, in Dinheiro Vivo
O trabalho nas empresas de construção está a escassear. As empresas garantem que só têm assegurado trabalho para menos de oito meses. Como consequência o sector prevê um aumento do fecho de empresas e do desemprego.
No terceiro trimestre do ano, segundo a análise de conjuntura da FEPICOP- Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas, o pessimismo entre os empresários do sector agravou-se e a carteira de encomendas caiu 21,5% face ao mesmo trimestre de 2010, o que corresponde a "apenas 7,8 meses de produção assegurada", refere a FEPICOP.
A tendência de redução das carteiras de encomendas regista-se há vários meses e "reforçou-se" no terceiro trimestre, o que está a levar a um aumento do fecho de empresas.
Citando dados da Coface, a análise da FEPICOP salienta que nos três primeiros trimestres do ano o número de processos de insolvência foi de 832, mais 36,8%, face ao mesmo período de 2010.
O desemprego continua a crescer havendo, no mês de Agosto, mais de 69 mil desempregado inscritos nos centros de emprego oriundos do sector da construção. No primeiro semestre deste ano havia 451,2 mil pessoas a trabalhar no sector da construção, número que no mesmo semestre do ano passado rondava os 478,4 mil.
O trabalho nas empresas de construção está a escassear. As empresas garantem que só têm assegurado trabalho para menos de oito meses. Como consequência o sector prevê um aumento do fecho de empresas e do desemprego.
No terceiro trimestre do ano, segundo a análise de conjuntura da FEPICOP- Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas, o pessimismo entre os empresários do sector agravou-se e a carteira de encomendas caiu 21,5% face ao mesmo trimestre de 2010, o que corresponde a "apenas 7,8 meses de produção assegurada", refere a FEPICOP.
A tendência de redução das carteiras de encomendas regista-se há vários meses e "reforçou-se" no terceiro trimestre, o que está a levar a um aumento do fecho de empresas.
Citando dados da Coface, a análise da FEPICOP salienta que nos três primeiros trimestres do ano o número de processos de insolvência foi de 832, mais 36,8%, face ao mesmo período de 2010.
O desemprego continua a crescer havendo, no mês de Agosto, mais de 69 mil desempregado inscritos nos centros de emprego oriundos do sector da construção. No primeiro semestre deste ano havia 451,2 mil pessoas a trabalhar no sector da construção, número que no mesmo semestre do ano passado rondava os 478,4 mil.
Número de sem-abrigo é significativo e "tende a agravar"
in Diário de Notícias
O número de pessoas sem-abrigo que pedem ajuda ao centro Porta Amiga da AMI em Almada é "significativo" e "tende a agravar-se" no actual contexto de crise do país, disse à Lusa a directora do centro.
O número de pedidos de ajuda ao centro Porta Amiga da organização não governamental AMI em Almada aumentou cerca de 30 por cento em relação ao ano passado. Até setembro de 2011 foram atendidas 1.322 pessoas. A diretora técnica do centro, Maria da Luz Cachapa, disse à agência Lusa que "este aumento vai ao encontro da tendência registada em todos os centros da AMI espalhados pelo país" e considerou-o "preocupante".
"O número de sem-abrigo é muito significativo. Embora seja semelhante ao do ano passado -- pouco abaixo dos 140 -- tende a aumentar dadas as cada vez mais frequentes situações de desemprego de longa duração", afirmou. Já entre 2009 e 2010 o centro registara uma subida de 900 para 1.268 pedidos de ajuda, mais de 150 feitos por pessoas com mais de 60 anos.
Maria da Luz Cachapa põe o desemprego e as carências alimentares no topo das suas preocupações: "O que acontece neste momento é que a chave para resolver os problemas da maioria das pessoas que nos procuram -- o emprego -- está cada vez mais difícil de encontrar", disse. "A classe média está fragilizada. Não estava habituada a poupar, tinha créditos. As pessoas chegam aqui endividadas, o que quer dizer que, a médio prazo, correm risco de desalojamento", acrescentou.
Quanto à ajuda alimentar, o Programa Comunitário de Ajuda a Carenciados (PCAAC), que fornece ao centro a maior parte dos alimentos distribuídos às famílias, está em risco devido a uma minoria de sete Estados membros que entendem que o serviço deve ser competência de cada país. Se a posição da Áustria, Dinamarca, Holanda, Suécia, Reino Unido, Alemanha e República Checa não se alterar, a partir de janeiro o orçamento do PCAAC será reduzido em dois terços, de 500 milhões para 113 milhões de euros.
Maria da Luz Cachapa não fez contas a quanto vai isso encurtar o que conseguem ajudar a pôr na mesa das famílias, mas antevê um cenário duro: "Se houver um corte no PCAAC teremos muito menos géneros para distribuir e os agregados familiares vão ficar muito prejudicados", afirmou. A AMI trabalha no Monte da Caparica, em Almada, desde 1996. Presta assistência básica -- refeições, roupeiro, géneros alimentares e balneário -- e técnica -- apoio social, psicológico, médico, de enfermagem e jurídico -- aos moradores dos bairros integrados no Plano Integrado de Almada.
O número de pessoas sem-abrigo que pedem ajuda ao centro Porta Amiga da AMI em Almada é "significativo" e "tende a agravar-se" no actual contexto de crise do país, disse à Lusa a directora do centro.
O número de pedidos de ajuda ao centro Porta Amiga da organização não governamental AMI em Almada aumentou cerca de 30 por cento em relação ao ano passado. Até setembro de 2011 foram atendidas 1.322 pessoas. A diretora técnica do centro, Maria da Luz Cachapa, disse à agência Lusa que "este aumento vai ao encontro da tendência registada em todos os centros da AMI espalhados pelo país" e considerou-o "preocupante".
"O número de sem-abrigo é muito significativo. Embora seja semelhante ao do ano passado -- pouco abaixo dos 140 -- tende a aumentar dadas as cada vez mais frequentes situações de desemprego de longa duração", afirmou. Já entre 2009 e 2010 o centro registara uma subida de 900 para 1.268 pedidos de ajuda, mais de 150 feitos por pessoas com mais de 60 anos.
Maria da Luz Cachapa põe o desemprego e as carências alimentares no topo das suas preocupações: "O que acontece neste momento é que a chave para resolver os problemas da maioria das pessoas que nos procuram -- o emprego -- está cada vez mais difícil de encontrar", disse. "A classe média está fragilizada. Não estava habituada a poupar, tinha créditos. As pessoas chegam aqui endividadas, o que quer dizer que, a médio prazo, correm risco de desalojamento", acrescentou.
Quanto à ajuda alimentar, o Programa Comunitário de Ajuda a Carenciados (PCAAC), que fornece ao centro a maior parte dos alimentos distribuídos às famílias, está em risco devido a uma minoria de sete Estados membros que entendem que o serviço deve ser competência de cada país. Se a posição da Áustria, Dinamarca, Holanda, Suécia, Reino Unido, Alemanha e República Checa não se alterar, a partir de janeiro o orçamento do PCAAC será reduzido em dois terços, de 500 milhões para 113 milhões de euros.
Maria da Luz Cachapa não fez contas a quanto vai isso encurtar o que conseguem ajudar a pôr na mesa das famílias, mas antevê um cenário duro: "Se houver um corte no PCAAC teremos muito menos géneros para distribuir e os agregados familiares vão ficar muito prejudicados", afirmou. A AMI trabalha no Monte da Caparica, em Almada, desde 1996. Presta assistência básica -- refeições, roupeiro, géneros alimentares e balneário -- e técnica -- apoio social, psicológico, médico, de enfermagem e jurídico -- aos moradores dos bairros integrados no Plano Integrado de Almada.
Relatório de Desenvolvimento Humano 2011 - Sustentabilidade e equidade: Um futuro melhor para todos
in Nações Unidas
Sustentabilidade e equidade: Um Futuro Melhor para Todos
O Relatório de Desenvolvimento Humano 2011 defende que os urgentes desafios globais de sustentabilidade e equidade devem ser abordados em conjunto - e identifica as políticas a nível nacional e global que poderia estimular que se reforçam mutuamente caminhar para estes objectivos interligados. Objectivo ambicioso é necessária em ambas as frentes, o Relatório sustenta, se o progresso do desenvolvimento humano recente para a maioria de maioria pobre do mundo está a ser sustentada, para o benefício das gerações futuras, bem como para aqueles que vivem hoje. Relatórios anteriores demonstraram que os padrões de vida na maioria dos países têm vindo a aumentar - e convergentes - há várias décadas. No entanto, o Relatório de 2011 projeta uma reversão dessas tendências perturbadoras, se a deterioração ambiental e as desigualdades sociais continuam a se intensificar, com os países menos desenvolvidos divergentes para baixo a partir de padrões globais de progresso em 2050.
O relatório mostra ainda como as pessoas mais desfavorecidas do mundo mais sofrem com a degradação ambiental, inclusive em seu ambiente imediato pessoal, e desproporcionalmente a falta de poder político, tornando ainda mais difícil para a comunidade mundial para chegar a um acordo sobre a necessidade de mudanças na política global. O Relatório também apresenta grande potencial para sinergias positivas na busca de maior igualdade e sustentabilidade, especialmente a nível nacional. O relatório enfatiza ainda mais o direito humano a um ambiente saudável, a importância de integrar a igualdade social nas políticas ambientais, ea importância crucial da participação pública e prestação de contas oficial. O Relatório de 2011 termina com uma chamada para negrito novas abordagens para o financiamento do desenvolvimento global e controles ambientais, argumentando que essas medidas são essenciais e viáveis.
O Relatório de 2011 também contará com o 2011 Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e edições atualizadas dos índices complementares introduzidos no Relatório do 20 º aniversário em 2010 : o IDH Ajustado à Desigualdade , o Índice de Desigualdade de Género eo Índice de Pobreza Multidimensional .
O Relatório 2011 está disponível para download gratuito.
[Aceda aqui à síntese em português]
Sustentabilidade e equidade: Um Futuro Melhor para Todos
O Relatório de Desenvolvimento Humano 2011 defende que os urgentes desafios globais de sustentabilidade e equidade devem ser abordados em conjunto - e identifica as políticas a nível nacional e global que poderia estimular que se reforçam mutuamente caminhar para estes objectivos interligados. Objectivo ambicioso é necessária em ambas as frentes, o Relatório sustenta, se o progresso do desenvolvimento humano recente para a maioria de maioria pobre do mundo está a ser sustentada, para o benefício das gerações futuras, bem como para aqueles que vivem hoje. Relatórios anteriores demonstraram que os padrões de vida na maioria dos países têm vindo a aumentar - e convergentes - há várias décadas. No entanto, o Relatório de 2011 projeta uma reversão dessas tendências perturbadoras, se a deterioração ambiental e as desigualdades sociais continuam a se intensificar, com os países menos desenvolvidos divergentes para baixo a partir de padrões globais de progresso em 2050.
O relatório mostra ainda como as pessoas mais desfavorecidas do mundo mais sofrem com a degradação ambiental, inclusive em seu ambiente imediato pessoal, e desproporcionalmente a falta de poder político, tornando ainda mais difícil para a comunidade mundial para chegar a um acordo sobre a necessidade de mudanças na política global. O Relatório também apresenta grande potencial para sinergias positivas na busca de maior igualdade e sustentabilidade, especialmente a nível nacional. O relatório enfatiza ainda mais o direito humano a um ambiente saudável, a importância de integrar a igualdade social nas políticas ambientais, ea importância crucial da participação pública e prestação de contas oficial. O Relatório de 2011 termina com uma chamada para negrito novas abordagens para o financiamento do desenvolvimento global e controles ambientais, argumentando que essas medidas são essenciais e viáveis.
O Relatório de 2011 também contará com o 2011 Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e edições atualizadas dos índices complementares introduzidos no Relatório do 20 º aniversário em 2010 : o IDH Ajustado à Desigualdade , o Índice de Desigualdade de Género eo Índice de Pobreza Multidimensional .
O Relatório 2011 está disponível para download gratuito.
[Aceda aqui à síntese em português]
ONU: Portugal é o 41º país mais desenvolvido
in Dinheiro Vivo
Portugal ocupa este ano o 41º lugar entre os 187 países avaliados no Relatório para o Desenvolvimento Humano das Nações Unidas divulgado hoje, posição idêntica à de 2010.
Noruega, Austrália e Holanda ocupam os primeiros lugares na lista de países com maiores progressos na saúde, educação e rendimento, revela o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2011, que coloca RDCongo, Níger e Burundi nas últimas posições.
Portugal integra o grupo das 47 nações consideradas mais desenvolvidas pela ONU, de acordo com factores como a esperança de vida, a escolaridade ou o rendimento nacional bruto por pessoa.
Quando comparado com o ano passado, Portugal desce de 40.º para 41.º, mas o número de países que integram a tabela aumentou de 169 para 187, pelo que os especialistas da ONU consideram que mantém a posição no "ranking".
O documento apresenta a evolução ao longo dos últimos 30 anos, período no qual a esperança de vida à nascença em Portugal aumentou 8,2 anos, a escolaridade subiu em média 2,9 anos e o rendimento nacional bruto por pessoa cresceu 76%.
Contudo, no que toca a este último indicador, a previsão para este ano aponta para o valor mais baixo registado entre os últimos quatro referidos: em 2000 atingiu os 20.662, cinco anos depois subiu para 20.980, em 2010 baixou ligeiramente para 20.928, tendência que manterá este ano, quando decrescerá para 20.573.
Grécia e Hungria são países que os peritos da ONU consideram semelhantes a Portugal pelo número de habitantes e índice de desenvolvimento humano (HDI, na sigla em inglês) e que ocupam, respetivamente, o 29.º e o 38.º lugares.
Portugal apresenta uma esperança de vida para os nascidos este ano de 79,5 anos, ligeiramente inferior à Grécia (79,9), mas consideravelmente superior à Hungria (74,4).
A ordem mantém-se quanto ao rendimento nacional bruto - Grécia com 23.747 dólares por pessoa em 2011, Portugal com 20.573 e Hungria com 16.581 - mas altera-se na escolarização, onde os húngaros surgem na liderança dos três países com 11,1 anos de escolaridade média por habitante, seguidos dos gregos (10,1) e, à distância, dos portugueses (7,7).
Portugal assume a dianteira entre os três países e situa-se em 19.º lugar quando são ponderados os critérios do índice de desigualdade de género avaliados em 149 países. A Grécia aparece no 24.º lugar e a Hungria em 39.º.
Entre os factores que contribuem para este índice, Portugal lidera na taxa de mulheres deputadas (27,4%), à frente da Grécia (17,3%) e da Hungria (9,1%), e na percentagem de mulheres com emprego (56,2%), destacado à frente da Grécia (49,2%) e da Hungria (42,5%).
A Grécia volta a liderar quando é avaliada a taxa de mortalidade materna (mulheres que morrem devido a complicações relacionadas com a gravidez ou no parto), com duas mães a morrerem por cada 100 mil crianças que nascem anualmente, seguida de Portugal (sete) e Hungria (13).
Onde Portugal volta a liderar é na taxa de mães adolescentes, que são 16,8 em cada mil crianças que nascem, seguido da Hungria (16,5) e da Grécia (11,6).
Índice de Desenvolvimento Humano avalia indicadores de saúde, educação e rendimento
Portugal ocupa este ano o 41º lugar entre os 187 países avaliados no Relatório para o Desenvolvimento Humano das Nações Unidas divulgado hoje, posição idêntica à de 2010.
Noruega, Austrália e Holanda ocupam os primeiros lugares na lista de países com maiores progressos na saúde, educação e rendimento, revela o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2011, que coloca RDCongo, Níger e Burundi nas últimas posições.
Portugal integra o grupo das 47 nações consideradas mais desenvolvidas pela ONU, de acordo com factores como a esperança de vida, a escolaridade ou o rendimento nacional bruto por pessoa.
Quando comparado com o ano passado, Portugal desce de 40.º para 41.º, mas o número de países que integram a tabela aumentou de 169 para 187, pelo que os especialistas da ONU consideram que mantém a posição no "ranking".
O documento apresenta a evolução ao longo dos últimos 30 anos, período no qual a esperança de vida à nascença em Portugal aumentou 8,2 anos, a escolaridade subiu em média 2,9 anos e o rendimento nacional bruto por pessoa cresceu 76%.
Contudo, no que toca a este último indicador, a previsão para este ano aponta para o valor mais baixo registado entre os últimos quatro referidos: em 2000 atingiu os 20.662, cinco anos depois subiu para 20.980, em 2010 baixou ligeiramente para 20.928, tendência que manterá este ano, quando decrescerá para 20.573.
Grécia e Hungria são países que os peritos da ONU consideram semelhantes a Portugal pelo número de habitantes e índice de desenvolvimento humano (HDI, na sigla em inglês) e que ocupam, respetivamente, o 29.º e o 38.º lugares.
Portugal apresenta uma esperança de vida para os nascidos este ano de 79,5 anos, ligeiramente inferior à Grécia (79,9), mas consideravelmente superior à Hungria (74,4).
A ordem mantém-se quanto ao rendimento nacional bruto - Grécia com 23.747 dólares por pessoa em 2011, Portugal com 20.573 e Hungria com 16.581 - mas altera-se na escolarização, onde os húngaros surgem na liderança dos três países com 11,1 anos de escolaridade média por habitante, seguidos dos gregos (10,1) e, à distância, dos portugueses (7,7).
Portugal assume a dianteira entre os três países e situa-se em 19.º lugar quando são ponderados os critérios do índice de desigualdade de género avaliados em 149 países. A Grécia aparece no 24.º lugar e a Hungria em 39.º.
Entre os factores que contribuem para este índice, Portugal lidera na taxa de mulheres deputadas (27,4%), à frente da Grécia (17,3%) e da Hungria (9,1%), e na percentagem de mulheres com emprego (56,2%), destacado à frente da Grécia (49,2%) e da Hungria (42,5%).
A Grécia volta a liderar quando é avaliada a taxa de mortalidade materna (mulheres que morrem devido a complicações relacionadas com a gravidez ou no parto), com duas mães a morrerem por cada 100 mil crianças que nascem anualmente, seguida de Portugal (sete) e Hungria (13).
Onde Portugal volta a liderar é na taxa de mães adolescentes, que são 16,8 em cada mil crianças que nascem, seguido da Hungria (16,5) e da Grécia (11,6).
Índice de Desenvolvimento Humano avalia indicadores de saúde, educação e rendimento
Alunos trocam trabalho por comida e propinas
in Diário de Notícias
Mais de mil alunos fazem pequenos trabalhos nas instituições de ensino superior onde estudam para pagar as propinas ou terem acesso a senhas de refeição e transporte. Número de casos não pára de aumentar.
Leia mais no e-paper do DN.
Mais de mil alunos fazem pequenos trabalhos nas instituições de ensino superior onde estudam para pagar as propinas ou terem acesso a senhas de refeição e transporte. Número de casos não pára de aumentar.
Leia mais no e-paper do DN.
G20: Europa vai a Cannes para mostrar ao mundo que está no rumo certo para sair da crise
in Jornal de Notícias
A União Europeia (UE) chega à reunião do G20, em Cannes, poucos dias depois de uma cimeira em que procurou afastar a crise na zona euro, apelando agora os líderes europeus ao "espírito de responsabilidade" dos 20 mais ricos.
Os presidentes da Comissão Europeia, Durão Barroso, e do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, escreveram no fim-de-semana uma carta conjunta aos parceiros do G20 a pedir que juntem os seus esforços às medidas decididas recentemente pelos europeus para enfrentar a crise.
"Vamos pôr em prática estas medidas de forma rigorosa e em tempo útil, e estamos certos que contribuirão para uma resolução rápida da crise. No entanto, o fato de nós, europeus, cumprirmos o nosso papel não é suficiente para assegurar a retoma mundial e um crescimento equilibrado", refere a carta dos dois líderes europeus, revelada poucos dias antes do G20 de Cannes, no sul de França, que decorre na quinta e sexta-feira.
A União Europeia (UE) chega à reunião do G20, em Cannes, poucos dias depois de uma cimeira em que procurou afastar a crise na zona euro, apelando agora os líderes europeus ao "espírito de responsabilidade" dos 20 mais ricos.
Os presidentes da Comissão Europeia, Durão Barroso, e do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, escreveram no fim-de-semana uma carta conjunta aos parceiros do G20 a pedir que juntem os seus esforços às medidas decididas recentemente pelos europeus para enfrentar a crise.
"Vamos pôr em prática estas medidas de forma rigorosa e em tempo útil, e estamos certos que contribuirão para uma resolução rápida da crise. No entanto, o fato de nós, europeus, cumprirmos o nosso papel não é suficiente para assegurar a retoma mundial e um crescimento equilibrado", refere a carta dos dois líderes europeus, revelada poucos dias antes do G20 de Cannes, no sul de França, que decorre na quinta e sexta-feira.
Cortejo da Latada marcado por forte crítica social
in Jornal de Notícias
Duas dezenas de activistas da Acampada de Coimbra integraram-se, esta terça-feira, no Cortejo da Latada dos estudantes para reforçar a crítica social num evento académico este ano muito marcado pelas mensagens de protesto.
O grupo da Acampada incorporou-se no cortejo a meio, entrando não na tradicional Praça D. Dinis, mas na Praça da República. Com a faixa na fronte do grupo onde se podia ler "Ensino Superior público e gratuito", vários membros empunhavam cartazes de cor parda, contrastando com os garridos dos restantes, ilustrativos das faculdades da universidade.
"Um escravo feliz é o pior inimigo da liberdade", "Da indignação à acção" e "Respeitem as pessoas, os bancos não" eram algumas das mensagens que ostentavam.
O grupo da Acampada, que desfilava silenciosamente, em contraste com os restantes colegas, ia chamando a atenção a quem nas bermas das ruas assistia ao cortejo.
Uma "doutora dizia" para um acompanhante: "isto não é tradição". Um jovem, parafraseando a mensagem de um cartaz comentava: "Propinas zero? Então vou para a faculdade".
Contrariamente ao que anunciaram, o grupo da Acampada não desmobilizou na Praça 8 de Maio, onde habitualmente realizam as assembleias populares, tendo optado por seguir o cortejo, já muito compacto, pelas ruas da Baixa.
O cortejo, que começou cerca de duas horas depois das 15:00 previstas, foi aberto pela Associação Académica de Coimbra (AAC), com o presidente da Direcção Geral Eduardo Melo a empunhar um cartaz com uma foto do ministro da Educação, Nuno Crato.
Logo a seguir, uma grande faixa negra referia "864 milhões de cortes na Educação". " volta, seguiam alguns estudantes com uma caixa de "esmolas" ao pescoço.
Embora o ambiente fosse de festa, e os protagonistas os "caloiros" vestidos de forma grotesca e arrastando latas, o cortejo deste ano assumiu um forte pendor crítico, visível, quer em faixas, quer em dizeres inscritos nas próprias vestes.
"Quem quer casar com a carochinha nesta sociedade que se afunda na crise", perguntavam uma estudante, enquanto outras ostentavam: "Prisioneiras da crise" e "Pipi das propinas altas".
Num "veículo" da Faculdade de Economia, movido à força motriz de caloiros, formado pela junção de vários carrinhos de compras, e adornado de latas de cerveja e garrafões de vinho, e com vários "doutores" em cima, podia ler-se "Escudo volta, estás perdoado".
As 'latadas' remontam ao século XIX quando os estudantes em maio exprimiam ruidosamente a sua alegria pelo termo do ano lectivo. Desde os anos 50 passaram a ser realizadas no início do ano lectivo, para festejar a chegada dos "caloiros" à universidade, sendo utilizadas também para alguma crítica social e académica.
Duas dezenas de activistas da Acampada de Coimbra integraram-se, esta terça-feira, no Cortejo da Latada dos estudantes para reforçar a crítica social num evento académico este ano muito marcado pelas mensagens de protesto.
O grupo da Acampada incorporou-se no cortejo a meio, entrando não na tradicional Praça D. Dinis, mas na Praça da República. Com a faixa na fronte do grupo onde se podia ler "Ensino Superior público e gratuito", vários membros empunhavam cartazes de cor parda, contrastando com os garridos dos restantes, ilustrativos das faculdades da universidade.
"Um escravo feliz é o pior inimigo da liberdade", "Da indignação à acção" e "Respeitem as pessoas, os bancos não" eram algumas das mensagens que ostentavam.
O grupo da Acampada, que desfilava silenciosamente, em contraste com os restantes colegas, ia chamando a atenção a quem nas bermas das ruas assistia ao cortejo.
Uma "doutora dizia" para um acompanhante: "isto não é tradição". Um jovem, parafraseando a mensagem de um cartaz comentava: "Propinas zero? Então vou para a faculdade".
Contrariamente ao que anunciaram, o grupo da Acampada não desmobilizou na Praça 8 de Maio, onde habitualmente realizam as assembleias populares, tendo optado por seguir o cortejo, já muito compacto, pelas ruas da Baixa.
O cortejo, que começou cerca de duas horas depois das 15:00 previstas, foi aberto pela Associação Académica de Coimbra (AAC), com o presidente da Direcção Geral Eduardo Melo a empunhar um cartaz com uma foto do ministro da Educação, Nuno Crato.
Logo a seguir, uma grande faixa negra referia "864 milhões de cortes na Educação". " volta, seguiam alguns estudantes com uma caixa de "esmolas" ao pescoço.
Embora o ambiente fosse de festa, e os protagonistas os "caloiros" vestidos de forma grotesca e arrastando latas, o cortejo deste ano assumiu um forte pendor crítico, visível, quer em faixas, quer em dizeres inscritos nas próprias vestes.
"Quem quer casar com a carochinha nesta sociedade que se afunda na crise", perguntavam uma estudante, enquanto outras ostentavam: "Prisioneiras da crise" e "Pipi das propinas altas".
Num "veículo" da Faculdade de Economia, movido à força motriz de caloiros, formado pela junção de vários carrinhos de compras, e adornado de latas de cerveja e garrafões de vinho, e com vários "doutores" em cima, podia ler-se "Escudo volta, estás perdoado".
As 'latadas' remontam ao século XIX quando os estudantes em maio exprimiam ruidosamente a sua alegria pelo termo do ano lectivo. Desde os anos 50 passaram a ser realizadas no início do ano lectivo, para festejar a chegada dos "caloiros" à universidade, sendo utilizadas também para alguma crítica social e académica.
Os feriados que terminam em 2012
Nuno Aguiar, in Dinheiro Vivo
Sob o lema da produtividade, o Governo vai mesmo avançar com a eliminação de alguns feriados nacionais e também colar outros ao fim-de-semana, evitando a oportunidade de pontes. A Igreja já avançou os dois dias que aceitará que deixem de ser de descanso: 8 de Dezembro (dia de Nossa Senhora) e Corpo de Deus (feriado móvel que no próximo ano se celebra a 7 de Junho, quinta-feira)
Para o Executivo, os portugueses gozam de feriados a mais em comparação com o resto da Europa. Aliás, o programa de Governo PSD/CDS já antecipava a revisão das datas dos feriados. No documento estava prevista a “regulamentação do Código de Trabalho para garantir a possibilidade de alteração das datas de alguns feriados, de modo a diminuir as pontes demasiado longas e aumentar a produtividade”. Agora a medida é mesmo para avançar.
A argumentação do Governo apoia-se na comparação com a média dos países da União Europeia (UE). No entanto, segundo os dados Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho (Eurofound), sem contar com feriados regionais, em 2010, os portugueses gozaram 11 feriados.
Na prática, apenas um feriado acima da média de 9,6 dos 27 Estados-membros. Espanha, por exemplo, tem 14 feriados. Apesar de faltar contabilizar as tolerâncias de ponto, elas nem sempre têm réplica no privado.
Para o próximo ano em Portugal, sem o Carnaval, estariam previstos 13 feriados, quatro dos quais calham ao fim-de-semana (Ano Novo, 10 de Junho Dia de Portugal, 1 Dezembro Restauração da Independência e 8 de Dezembro).
Quatro dos 13 feriados terão lugar a uma terça ou quinta-feira. Destes, são os principais candidatos à extinção ou aproximação ao fim-de-semana o Dia de Todos os Santos (1 de Novembro), que calha a uma quinta-feira, bem como o feriado de Corpo de Deus (7 de Junho), também a uma quinta. O Dia do Trabalhador e o Natal, ambos à terça-feira, deverão estar a salvo de alterações.
Recorde-se que, em Junho do ano passado, o Partido Socialista já tinha apresentado uma proposta para eliminar quatro feriados (Corpo de Deus e Todos os Santos, 5 de Outubro e 1 de Dezembro) e para acabar com as pontes.
A iniciativa partiu das deputadas Teresa Venda e Rosário Carneiro, e teve a aprovação da bancada socialista. Para as independentes, apenas o 25 de Dezembro e o 1 de Janeiro não deveriam poder mudar de dia.
A extinção de quatro feriados deverá ser o ponto de partida do Governo PSD/CDS, embora o Executivo possa ir mais longe. O custo financeiro dos feriados e das pontes tem sido discutido nos últimos anos.
Luís Bento, professor de Recursos Humanos na Universidade Autónoma de Lisboa, explicava no ano passado que cada dia de inactividade tem um custo directo de 37 milhões de euros, embora, indirectamente e contabilizando o impacto das pontes no privado, esse valor possa ascender a 74 milhões.
A próxima reunião de Concertação Social ficou marcada para dia 31, estando previstas mais duas, a 7 e 9 de Novembro.
Sob o lema da produtividade, o Governo vai mesmo avançar com a eliminação de alguns feriados nacionais e também colar outros ao fim-de-semana, evitando a oportunidade de pontes. A Igreja já avançou os dois dias que aceitará que deixem de ser de descanso: 8 de Dezembro (dia de Nossa Senhora) e Corpo de Deus (feriado móvel que no próximo ano se celebra a 7 de Junho, quinta-feira)
Para o Executivo, os portugueses gozam de feriados a mais em comparação com o resto da Europa. Aliás, o programa de Governo PSD/CDS já antecipava a revisão das datas dos feriados. No documento estava prevista a “regulamentação do Código de Trabalho para garantir a possibilidade de alteração das datas de alguns feriados, de modo a diminuir as pontes demasiado longas e aumentar a produtividade”. Agora a medida é mesmo para avançar.
A argumentação do Governo apoia-se na comparação com a média dos países da União Europeia (UE). No entanto, segundo os dados Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho (Eurofound), sem contar com feriados regionais, em 2010, os portugueses gozaram 11 feriados.
Na prática, apenas um feriado acima da média de 9,6 dos 27 Estados-membros. Espanha, por exemplo, tem 14 feriados. Apesar de faltar contabilizar as tolerâncias de ponto, elas nem sempre têm réplica no privado.
Para o próximo ano em Portugal, sem o Carnaval, estariam previstos 13 feriados, quatro dos quais calham ao fim-de-semana (Ano Novo, 10 de Junho Dia de Portugal, 1 Dezembro Restauração da Independência e 8 de Dezembro).
Quatro dos 13 feriados terão lugar a uma terça ou quinta-feira. Destes, são os principais candidatos à extinção ou aproximação ao fim-de-semana o Dia de Todos os Santos (1 de Novembro), que calha a uma quinta-feira, bem como o feriado de Corpo de Deus (7 de Junho), também a uma quinta. O Dia do Trabalhador e o Natal, ambos à terça-feira, deverão estar a salvo de alterações.
Recorde-se que, em Junho do ano passado, o Partido Socialista já tinha apresentado uma proposta para eliminar quatro feriados (Corpo de Deus e Todos os Santos, 5 de Outubro e 1 de Dezembro) e para acabar com as pontes.
A iniciativa partiu das deputadas Teresa Venda e Rosário Carneiro, e teve a aprovação da bancada socialista. Para as independentes, apenas o 25 de Dezembro e o 1 de Janeiro não deveriam poder mudar de dia.
A extinção de quatro feriados deverá ser o ponto de partida do Governo PSD/CDS, embora o Executivo possa ir mais longe. O custo financeiro dos feriados e das pontes tem sido discutido nos últimos anos.
Luís Bento, professor de Recursos Humanos na Universidade Autónoma de Lisboa, explicava no ano passado que cada dia de inactividade tem um custo directo de 37 milhões de euros, embora, indirectamente e contabilizando o impacto das pontes no privado, esse valor possa ascender a 74 milhões.
A próxima reunião de Concertação Social ficou marcada para dia 31, estando previstas mais duas, a 7 e 9 de Novembro.
Um terço das falências decretadas em 2010 é de pessoas singulares
in Jornal de Notícias
Uma análise estatística da Direcção-Geral da Política de Justiça indica que uma em cada três falências decretadas em 2010 pelos juízes de primeira instância visou pessoas singulares. Entre 2007 e 2010 o número de insolvência decretadas subiu 138,4%.
O Boletim de Informação Estatística n.º 9 da Direcção-Geral da Política de Justiça (DGPJ) refere que o número de insolvências decretadas nas comarcas subiu 138,4%, entre 2007 e 2010. Acrescenta que o peso das pessoas singulares no total deste tipo de processos quase duplicou, de 18,7 para 36,2%.
A insolvência de pessoas singulares tornou-se possível por lei de Setembro de 2004.
Numa alusão ao número global de processos de processos que em 31 de Dezembro do ano passado esperavam decisão judicial, o boletim assinala um crescimento de 3,9% face a dia homólogo de 2009.
Excluindo os dados dos tribunais de execução, havia, no final do ano passado, 1.666.348 processos pendentes nos tribunais judiciais de 1.ª instância.
O boletim, divulgado segunda-feira na página electrónica do Ministério da Justiça, refere que na Justiça Cível a duração média dos processos findos entre 2007 e 2010 caiu de 33 para 29 meses.
Já na área Penal, a duração média dos processos findos em 2010 era de nove meses, o que representa também um valor inferior a 2007, e o total de processos-crime com julgamento terminado diminuiu cerca de 11,3% ao longo do triénio.
A Justiça Laboral manteve, no triénio, a duração média dos processos findos em 12 meses, enquanto que na Justiça Tutelar a duração média dos processos findos aumentou em 30 dias, fixando-se nos 13 meses.
Uma análise estatística da Direcção-Geral da Política de Justiça indica que uma em cada três falências decretadas em 2010 pelos juízes de primeira instância visou pessoas singulares. Entre 2007 e 2010 o número de insolvência decretadas subiu 138,4%.
O Boletim de Informação Estatística n.º 9 da Direcção-Geral da Política de Justiça (DGPJ) refere que o número de insolvências decretadas nas comarcas subiu 138,4%, entre 2007 e 2010. Acrescenta que o peso das pessoas singulares no total deste tipo de processos quase duplicou, de 18,7 para 36,2%.
A insolvência de pessoas singulares tornou-se possível por lei de Setembro de 2004.
Numa alusão ao número global de processos de processos que em 31 de Dezembro do ano passado esperavam decisão judicial, o boletim assinala um crescimento de 3,9% face a dia homólogo de 2009.
Excluindo os dados dos tribunais de execução, havia, no final do ano passado, 1.666.348 processos pendentes nos tribunais judiciais de 1.ª instância.
O boletim, divulgado segunda-feira na página electrónica do Ministério da Justiça, refere que na Justiça Cível a duração média dos processos findos entre 2007 e 2010 caiu de 33 para 29 meses.
Já na área Penal, a duração média dos processos findos em 2010 era de nove meses, o que representa também um valor inferior a 2007, e o total de processos-crime com julgamento terminado diminuiu cerca de 11,3% ao longo do triénio.
A Justiça Laboral manteve, no triénio, a duração média dos processos findos em 12 meses, enquanto que na Justiça Tutelar a duração média dos processos findos aumentou em 30 dias, fixando-se nos 13 meses.
Venezuela e Portugal assinam contratos de mil milhões em negócios
in Jornal de Notícias
O potencial de negócios assinados hoje entre Portugal e a Venezuela é de 1000 milhões de euros para os próximos três anos, revelou, esta quarta-feira, em Caracas o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas.
"Temos ao nosso alcance um potencial de negócios que se aproxima dos mil milhões de euros nos próximos três anos", disse.
Paulo Portas falava durante em Caracas durante a cerimónia de assinatura de 13 novos acordos de cooperação bilateral, ato que presidiu com o seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro.
Para o ministro português essa verba "está ao nosso alcance desde que as empresas sejam dinâmicas, o que está na sua natureza, e que as autoridades façam o trabalho de casa".
"Uma parte muito significativa desta verba representa um impulso extraordinário às exportações e à internacionalização de empresas, marcas e produtos portugueses na Venezuela e esse é o melhor serviço que podemos fazer à economia portuguesa", frisou.
Por outro lado explicou que, no essencial, só se contraria uma situação de endividamento "aumentando as exportações, aumentando as quotas de mercado das nossas empresas, facilitando as oportunidades de negócio para que as nossas empresas invistam, arrisquem, cheguem, ganhem parcerias, fiquem com contratos e possam crescer".
"Cada vez que uma empresa portuguesa investe na Venezuela está a aguentar a crise em Portugal e a proteger postos de trabalho em Portugal", sublinhou.
O potencial de negócios assinados hoje entre Portugal e a Venezuela é de 1000 milhões de euros para os próximos três anos, revelou, esta quarta-feira, em Caracas o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas.
"Temos ao nosso alcance um potencial de negócios que se aproxima dos mil milhões de euros nos próximos três anos", disse.
Paulo Portas falava durante em Caracas durante a cerimónia de assinatura de 13 novos acordos de cooperação bilateral, ato que presidiu com o seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro.
Para o ministro português essa verba "está ao nosso alcance desde que as empresas sejam dinâmicas, o que está na sua natureza, e que as autoridades façam o trabalho de casa".
"Uma parte muito significativa desta verba representa um impulso extraordinário às exportações e à internacionalização de empresas, marcas e produtos portugueses na Venezuela e esse é o melhor serviço que podemos fazer à economia portuguesa", frisou.
Por outro lado explicou que, no essencial, só se contraria uma situação de endividamento "aumentando as exportações, aumentando as quotas de mercado das nossas empresas, facilitando as oportunidades de negócio para que as nossas empresas invistam, arrisquem, cheguem, ganhem parcerias, fiquem com contratos e possam crescer".
"Cada vez que uma empresa portuguesa investe na Venezuela está a aguentar a crise em Portugal e a proteger postos de trabalho em Portugal", sublinhou.
Portugal vê com "apreensão" referendo grego
in Jornal de Notícias
O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, manifestou, esta terça-feira, a sua "apreensão" perante o anúncio do primeiro-ministro grego de fazer um referendo sobre o plano de resgate europeu, considerando que cria "um fator de insegurança e imprevisibilidade".
"É uma situação que evidentemente vejo com apreensão. No preciso momento em que a Europa mais precisa de sinais de confiança, obviamente este é um factor de insegurança e de imprevisibilidade", declarou, esta terça-feira, o chefe da diplomacia portuguesa, em Caracas, onde se encontra a cumprir uma visita oficial de três dias à Venezuela.
Em declarações aos jornalistas, o governante aproveitou para endereçar um recado aos portugueses para valorizarem a "estabilidade e o consenso" que existem em Portugal relativamente às medidas para combater a crise e as metas estabelecidas pela "troika".
"Permitam-me que diga aos nossos compatriotas que, quanto mais virem noutros países sinais de instabilidade e de divisão, mais os portugueses devem valorizar a estabilidade e o consenso em Portugal, porque é isso que faz de Portugal um país diferente, um caso singular, sermos vistos como um país estável e cumpridor", declarou.
O anúncio de referendo feito segunda-feira pelo primeiro-ministro grego de referendar as medidas da União Europeia para reduzir a dívida helénica está a agitar os meios políticos e financeiros europeus, tendo já o governo alemão manifestado a sua surpresa com a decisão e anunciando esperar "informações oficiais" de Atenas para tomar posição.
O primeiro-ministro, George Papandreou, anunciou segunda-feira no parlamento que o voto "será vinculativo" e que se o povo grego disser "não" ao acordo feito com os parceiros europeus, este não será promulgado.
Se o 'não' vencer, isso poderá levar à queda da moeda europeia e à impossibilidade da Grécia em pagar a sua dívida, o que deixará o sistema bancário europeu e as economias regionais em risco de uma nova crise, de acordo com opiniões publicadas na Imprensa estrangeira.
O anúncio de um referendo caiu como um balde de água fria nos parceiros da eurozona, que temem agora um quebra incontrolada dos compromissos por parte da Grécia, com consequências nefastas para outros países da UE.
Desde Bruxelas, Paris e Berlim sucederam-se os apelos insistentes a Atenas para manter o plano de aplicação do resgate europeu.
Os receios de que o referendo na Grécia afunde o plano contra a crise na Europa abalou também hoje os mercados, com o índice Dow Jones a cair mais de 175 pontos e os índices bolsistas europeus a seguirem a mesma tendência.
Entretanto, a Alemanha e a França mostraram-se decididas a aplicar inteiramente" as decisões da cimeira europeia da semana passada, em Bruxelas, considerando-as "mais necessárias do que nunca" perante a situação na Grécia.
O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, manifestou, esta terça-feira, a sua "apreensão" perante o anúncio do primeiro-ministro grego de fazer um referendo sobre o plano de resgate europeu, considerando que cria "um fator de insegurança e imprevisibilidade".
"É uma situação que evidentemente vejo com apreensão. No preciso momento em que a Europa mais precisa de sinais de confiança, obviamente este é um factor de insegurança e de imprevisibilidade", declarou, esta terça-feira, o chefe da diplomacia portuguesa, em Caracas, onde se encontra a cumprir uma visita oficial de três dias à Venezuela.
Em declarações aos jornalistas, o governante aproveitou para endereçar um recado aos portugueses para valorizarem a "estabilidade e o consenso" que existem em Portugal relativamente às medidas para combater a crise e as metas estabelecidas pela "troika".
"Permitam-me que diga aos nossos compatriotas que, quanto mais virem noutros países sinais de instabilidade e de divisão, mais os portugueses devem valorizar a estabilidade e o consenso em Portugal, porque é isso que faz de Portugal um país diferente, um caso singular, sermos vistos como um país estável e cumpridor", declarou.
O anúncio de referendo feito segunda-feira pelo primeiro-ministro grego de referendar as medidas da União Europeia para reduzir a dívida helénica está a agitar os meios políticos e financeiros europeus, tendo já o governo alemão manifestado a sua surpresa com a decisão e anunciando esperar "informações oficiais" de Atenas para tomar posição.
O primeiro-ministro, George Papandreou, anunciou segunda-feira no parlamento que o voto "será vinculativo" e que se o povo grego disser "não" ao acordo feito com os parceiros europeus, este não será promulgado.
Se o 'não' vencer, isso poderá levar à queda da moeda europeia e à impossibilidade da Grécia em pagar a sua dívida, o que deixará o sistema bancário europeu e as economias regionais em risco de uma nova crise, de acordo com opiniões publicadas na Imprensa estrangeira.
O anúncio de um referendo caiu como um balde de água fria nos parceiros da eurozona, que temem agora um quebra incontrolada dos compromissos por parte da Grécia, com consequências nefastas para outros países da UE.
Desde Bruxelas, Paris e Berlim sucederam-se os apelos insistentes a Atenas para manter o plano de aplicação do resgate europeu.
Os receios de que o referendo na Grécia afunde o plano contra a crise na Europa abalou também hoje os mercados, com o índice Dow Jones a cair mais de 175 pontos e os índices bolsistas europeus a seguirem a mesma tendência.
Entretanto, a Alemanha e a França mostraram-se decididas a aplicar inteiramente" as decisões da cimeira europeia da semana passada, em Bruxelas, considerando-as "mais necessárias do que nunca" perante a situação na Grécia.
União Europeia suspende ajuda urgente à Grécia até que cumpra acordo
in Jornal de Notícias
Os líderes europeus recusam renegociar os requisitos para o segundo resgate da Grécia e bloquearão a ajuda urgente de 8 mil milhões de euros ao país, caso Atenas não aplique os ajustes exigidos, segundo a imprensa espanhola e francesa.
Segundo a agência Europa Press, que cita o jornal "Le Monde", essa é a mensagem que o presidente francês, Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã, Angela Merkel, transmitirão ao presidente grego, George Papandreou hoje à tarde.
Os três responsáveis reúnem-se em Cannes antes do início da cimeira do G-20, e depois de Papandreou ter anunciado a realização de um referendo sobre as condições do resgate europeu.
Nesse encontro participarão também a directora geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, e os representantes das instituições da União Europeu.
Recorde-se que a ajuda de 8 mil milhões de euros, que corresponde à sexta tranche do primeiro resgate à Grécia, foi aprovada a 21 de Outubro depois de vários atrasos da Grécia na aplicação de medidas de austeridade acordadas.
O Le Monde refere que tanto a UE como o FMI consideram "inimaginável" entregar esse pacote de 8 mil milhões de euros depois do anúncio do referendo.
Os cálculos em Paris sugerem que a Grécia ficará sem dinheiro o mais tardar em Dezembro, factor que tencionam usar como pressão para que se cancele o referendo ou que, a avançar, acelere a sua realização.
Segundo o jornal os líderes europeus pedirão também ao governante grego que questione directamente os cidadãos do seu país sobre se desejam ou não sair da moeda única.
"Não podemos impedir que os gregos se suicidem", refere um diplomata francês citado pelo jornal.
Os líderes europeus recusam renegociar os requisitos para o segundo resgate da Grécia e bloquearão a ajuda urgente de 8 mil milhões de euros ao país, caso Atenas não aplique os ajustes exigidos, segundo a imprensa espanhola e francesa.
Segundo a agência Europa Press, que cita o jornal "Le Monde", essa é a mensagem que o presidente francês, Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã, Angela Merkel, transmitirão ao presidente grego, George Papandreou hoje à tarde.
Os três responsáveis reúnem-se em Cannes antes do início da cimeira do G-20, e depois de Papandreou ter anunciado a realização de um referendo sobre as condições do resgate europeu.
Nesse encontro participarão também a directora geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, e os representantes das instituições da União Europeu.
Recorde-se que a ajuda de 8 mil milhões de euros, que corresponde à sexta tranche do primeiro resgate à Grécia, foi aprovada a 21 de Outubro depois de vários atrasos da Grécia na aplicação de medidas de austeridade acordadas.
O Le Monde refere que tanto a UE como o FMI consideram "inimaginável" entregar esse pacote de 8 mil milhões de euros depois do anúncio do referendo.
Os cálculos em Paris sugerem que a Grécia ficará sem dinheiro o mais tardar em Dezembro, factor que tencionam usar como pressão para que se cancele o referendo ou que, a avançar, acelere a sua realização.
Segundo o jornal os líderes europeus pedirão também ao governante grego que questione directamente os cidadãos do seu país sobre se desejam ou não sair da moeda única.
"Não podemos impedir que os gregos se suicidem", refere um diplomata francês citado pelo jornal.
Igreja detecta casos de fome
in Página 1
O Centro Paroquial do Feijó, em Almada, tem assistido a um crescimento de pedidos de ajuda e detectado, sobretudo, novos casos de pobreza envergonhada.
“Já no ano passado, a partir de Novembro, começámos a notar este aumento, mas com maior afluência a partir de Maio deste ano. Há muita gente que vive tentando manter as aparências, mas que passa aí nas horas mais mortas para vir buscar um ou dois quilos de arroz”, explica o Padre Francisco Mendes.
São já 40 as famílias a pedir ajuda. A voluntária Carlota Martins não tem dúvidas de que a fome chegou àquela zona: “Já tive pessoas a abeirarem-se de mim que estavam a passar fome. É muito complicado e o esforço que fazemos perante esta situação. Não são situações fáceis”.
Dulceline Tavares é um exemplo de necessidade. Desempregada e mãe de quatro fi lhos, explica que, por vezes, passa fome para que os filhos possam comer: “Mãe é para isso. Às vezes tenho coisas para comer, mas se não chega dou a eles e fico sem nada. Já começo a sentir que a fome entra em casa”, explica.
O Centro Paroquial do Feijó, em Almada, tem assistido a um crescimento de pedidos de ajuda e detectado, sobretudo, novos casos de pobreza envergonhada.
“Já no ano passado, a partir de Novembro, começámos a notar este aumento, mas com maior afluência a partir de Maio deste ano. Há muita gente que vive tentando manter as aparências, mas que passa aí nas horas mais mortas para vir buscar um ou dois quilos de arroz”, explica o Padre Francisco Mendes.
São já 40 as famílias a pedir ajuda. A voluntária Carlota Martins não tem dúvidas de que a fome chegou àquela zona: “Já tive pessoas a abeirarem-se de mim que estavam a passar fome. É muito complicado e o esforço que fazemos perante esta situação. Não são situações fáceis”.
Dulceline Tavares é um exemplo de necessidade. Desempregada e mãe de quatro fi lhos, explica que, por vezes, passa fome para que os filhos possam comer: “Mãe é para isso. Às vezes tenho coisas para comer, mas se não chega dou a eles e fico sem nada. Já começo a sentir que a fome entra em casa”, explica.
“Estamos a criar sabichões em vez de sábios”, avisa Eduardo Sá
in Página 1
DR
Cerca de 300 pessoas, incluindo três dezenas de crianças, participaram, durante o fim-de-semana, em Fátima, nas XXIII Jornadas Nacionais da Pastoral Familiar, centradas no tema “Compromisso na Verdade”.
O psicanalista Eduardo Sá dirigiu-se à audiência para desmistificar algumas ideias erradas quanto à forma como as pessoas e as famílias se relacionam actualmente, apontando alguns caminhos. Depois de afirmar que, hoje, somos melhores pais e mais acolhedores, e que temos melhores condições do que os nossos antepassados para educarmos os filhos, o especialista criticou a tendência actual para valorizarmos o saber, esquecendo que aprendemos errando.
“Acho que estamos a criar um mundo de sabichões e confundimos sabichões com sábios. Sabichões parecem crescer numa linha de montagem de jovens tecnocratas de sucesso que dominam o inglês e dominam as novas tecnologias, mas às vezes pactuamos com isto de uma forma inquietante porque nos esquecemos que na vida errar é aprender. Tenho medo que muitos de vós digam aos vossos fi lhos que estão obrigados a ser felizes, mas, acima de tudo, se preocupem com as notas unicamente na escola e não com as nnotas que têm como fi lhos, netos, cúmplices, como companheiros e tudo o mais que faz a diferença”, afirmou o psicanalista.
Por outro lado, Eduardo Sá salientou a importância da demonstração dos afectos para manter saudável a vida psíquica das pessoas e manter viva a chama do amor: “Sempre que namoramos um bocadinho, casamo-nos todos os dias. Cada vez que deixamos de namorar divorciamo-nos em suaves prestações”.
Além dos adultos participaram, nas jornadas, três dezenas de crianças e jovens que, num programa paralelo, aprenderam a despertar para os valores essenciais da vida.
DR
Cerca de 300 pessoas, incluindo três dezenas de crianças, participaram, durante o fim-de-semana, em Fátima, nas XXIII Jornadas Nacionais da Pastoral Familiar, centradas no tema “Compromisso na Verdade”.
O psicanalista Eduardo Sá dirigiu-se à audiência para desmistificar algumas ideias erradas quanto à forma como as pessoas e as famílias se relacionam actualmente, apontando alguns caminhos. Depois de afirmar que, hoje, somos melhores pais e mais acolhedores, e que temos melhores condições do que os nossos antepassados para educarmos os filhos, o especialista criticou a tendência actual para valorizarmos o saber, esquecendo que aprendemos errando.
“Acho que estamos a criar um mundo de sabichões e confundimos sabichões com sábios. Sabichões parecem crescer numa linha de montagem de jovens tecnocratas de sucesso que dominam o inglês e dominam as novas tecnologias, mas às vezes pactuamos com isto de uma forma inquietante porque nos esquecemos que na vida errar é aprender. Tenho medo que muitos de vós digam aos vossos fi lhos que estão obrigados a ser felizes, mas, acima de tudo, se preocupem com as notas unicamente na escola e não com as nnotas que têm como fi lhos, netos, cúmplices, como companheiros e tudo o mais que faz a diferença”, afirmou o psicanalista.
Por outro lado, Eduardo Sá salientou a importância da demonstração dos afectos para manter saudável a vida psíquica das pessoas e manter viva a chama do amor: “Sempre que namoramos um bocadinho, casamo-nos todos os dias. Cada vez que deixamos de namorar divorciamo-nos em suaves prestações”.
Além dos adultos participaram, nas jornadas, três dezenas de crianças e jovens que, num programa paralelo, aprenderam a despertar para os valores essenciais da vida.
Dia Mundial da Poupança - A família Ferreira é a prova de que poupar é possível
in Página 1
Hoje celebra-se o Dia Mundial da Poupança. A família Ferreira, que tem trabalhado em articulação com a Deco, dá a cara pela poupança.O presidente do Tribunal de Contas é peremptório: sem poupar a actual crise não é ultrapassável.
O presidente do Tribunal de Contas deixa um alerta no Dia Mundial da Poupança, que hoje se assinala: sem poupar não vai ser possível ultrapassar a actual crise. “É indispensável compreendermos que a crise financeira, sobre cujos os efeitos ainda nos encontramos, só poderá ser ultrapassada se houver uma criação de recursos que permitam a recuperação e a criação de riqueza”, diz Guilherme d’Oliveira Martins à Renascença.
Até que ponto os portugueses conseguem poupar? A Renascença foi ouvir as pessoas: há quem tenha tirado os fi lhos do colégio particular; passe a levar almoço para o trabalho; vá ao supermercado de lista na mão e compre marcas brancas; passe a fazer férias em casa de familiares e amigos; corte nas despesas supérfl uas, como nas idas ao cabeleireiro e ao cinema; e acabe com créditos para evitar os juros altos.
Os truques da família Ferreira A família Ferreira é uma das muitas famílias que teve que poupar para responder às exigências da crise. Atacar o desperdício, ter um estilo de vida racional e sustentável não é tão difícil quanto parece. A família decidiu há um ano associar-se à Deco e revelou à Renascença pequenos truques, que ao final do mês, fazem diferença na carteira.
“Trocámos a lâmpadas incandescentes” por “lâmpadas economizadoras. Com menos potência e a mesma luminosidade. Logo aí, tivemos uma poupança considerável”, conta Nuno Ferreira. Colocar blocos de tomadas com botão para desligar o LCD e a caixa de televisão por cabo foi outro truque utilizado, bem como optar pela tarifa bi-horária na electricidade. “Aproveitamos o ciclo onde a hora é vazia para lavar a roupa ou a loiça”, conta Nuno.
Aprenderam “também a abrir o frigorífico apenas e só quando necessário”. Ao nível do consumo do gás, o problema resolve-se com painéis solares. Na água, os truques são simples. “Colocámos redutores de caudal nas torneiras da casa de banho, da cozinha e nos chuveiros, que nos permitem, com um caudal inferior, ter a mesma quantidade de água”, explica. E até os pequenos gémeos, Rodrigo e Santiago, de quatro anos, ganharam consciência do que significa poupar.
“Já começam a ter percepção, por exemplo que não podem - e eles gostam - de tomar banho de banheira cheia. Começam a perceber que não é uma boa prática não só pela água que gastamos, pela questão monetária, como para o meio ambiente”, diz o pai Nuno.
“Na energia, conseguimos mais ou menos 15 a 18 euros mês. Na água também consegui reduzir bastante. No consumo de combustíveis, foi quase na ordem dos 70 euros”, diz. Ao fi m de um ano, Nuno Ferreira diz que vale a pena. “Ter consciência de pequenas coisas que depois se traduzem em bastante ao fi nal do mês não nos custa nada”, conclui.
Hoje celebra-se o Dia Mundial da Poupança. A família Ferreira, que tem trabalhado em articulação com a Deco, dá a cara pela poupança.O presidente do Tribunal de Contas é peremptório: sem poupar a actual crise não é ultrapassável.
O presidente do Tribunal de Contas deixa um alerta no Dia Mundial da Poupança, que hoje se assinala: sem poupar não vai ser possível ultrapassar a actual crise. “É indispensável compreendermos que a crise financeira, sobre cujos os efeitos ainda nos encontramos, só poderá ser ultrapassada se houver uma criação de recursos que permitam a recuperação e a criação de riqueza”, diz Guilherme d’Oliveira Martins à Renascença.
Até que ponto os portugueses conseguem poupar? A Renascença foi ouvir as pessoas: há quem tenha tirado os fi lhos do colégio particular; passe a levar almoço para o trabalho; vá ao supermercado de lista na mão e compre marcas brancas; passe a fazer férias em casa de familiares e amigos; corte nas despesas supérfl uas, como nas idas ao cabeleireiro e ao cinema; e acabe com créditos para evitar os juros altos.
Os truques da família Ferreira A família Ferreira é uma das muitas famílias que teve que poupar para responder às exigências da crise. Atacar o desperdício, ter um estilo de vida racional e sustentável não é tão difícil quanto parece. A família decidiu há um ano associar-se à Deco e revelou à Renascença pequenos truques, que ao final do mês, fazem diferença na carteira.
“Trocámos a lâmpadas incandescentes” por “lâmpadas economizadoras. Com menos potência e a mesma luminosidade. Logo aí, tivemos uma poupança considerável”, conta Nuno Ferreira. Colocar blocos de tomadas com botão para desligar o LCD e a caixa de televisão por cabo foi outro truque utilizado, bem como optar pela tarifa bi-horária na electricidade. “Aproveitamos o ciclo onde a hora é vazia para lavar a roupa ou a loiça”, conta Nuno.
Aprenderam “também a abrir o frigorífico apenas e só quando necessário”. Ao nível do consumo do gás, o problema resolve-se com painéis solares. Na água, os truques são simples. “Colocámos redutores de caudal nas torneiras da casa de banho, da cozinha e nos chuveiros, que nos permitem, com um caudal inferior, ter a mesma quantidade de água”, explica. E até os pequenos gémeos, Rodrigo e Santiago, de quatro anos, ganharam consciência do que significa poupar.
“Já começam a ter percepção, por exemplo que não podem - e eles gostam - de tomar banho de banheira cheia. Começam a perceber que não é uma boa prática não só pela água que gastamos, pela questão monetária, como para o meio ambiente”, diz o pai Nuno.
“Na energia, conseguimos mais ou menos 15 a 18 euros mês. Na água também consegui reduzir bastante. No consumo de combustíveis, foi quase na ordem dos 70 euros”, diz. Ao fi m de um ano, Nuno Ferreira diz que vale a pena. “Ter consciência de pequenas coisas que depois se traduzem em bastante ao fi nal do mês não nos custa nada”, conclui.
Ponto de vista - Baixar o nível de vida
Francisco Sarsfield Cabral, in Página 1
Pode parecer estranho falar de poupança numa altura em que tanta gente se vê afl ita para chegar com dinheiro ao fi m do mês. Mas o fundo do actual problema económico e fi nanceiro de Portugal é falta de poupança. Ou poupança negativa, isto é, gastamos mais do que produzimos, endividando-nos no exterior para cobrir a diferença.
Não foi só o Estado – e a despesa pública vai sobretudo para pagar aos funcionários e para as pensões dos reformados. As empresas portuguesas estão muito endividadas, em particular as empresas públicas, mas também muitas privadas. Incapazes de gerarem auto-fi nanciamento, vivem a crédito. E inúmeras famílias endividaram-se, por vezes de forma louca.
Agora, boa parte da chamada classe média tem de travar o consumismo. É penoso renunciar a certos bens e serviços de que muitos só há pouco tempo passaram a desfrutar. Mas aos pobres mesmo não se pode pedir para pouparem, porque eles não têm sequer para comer. E os ricos dispõem de mil maneiras de dar a volta à austeridade. Não vale a pena ignorar a realidade: a classe média tem de baixar o seu nível de vida.
Pode parecer estranho falar de poupança numa altura em que tanta gente se vê afl ita para chegar com dinheiro ao fi m do mês. Mas o fundo do actual problema económico e fi nanceiro de Portugal é falta de poupança. Ou poupança negativa, isto é, gastamos mais do que produzimos, endividando-nos no exterior para cobrir a diferença.
Não foi só o Estado – e a despesa pública vai sobretudo para pagar aos funcionários e para as pensões dos reformados. As empresas portuguesas estão muito endividadas, em particular as empresas públicas, mas também muitas privadas. Incapazes de gerarem auto-fi nanciamento, vivem a crédito. E inúmeras famílias endividaram-se, por vezes de forma louca.
Agora, boa parte da chamada classe média tem de travar o consumismo. É penoso renunciar a certos bens e serviços de que muitos só há pouco tempo passaram a desfrutar. Mas aos pobres mesmo não se pode pedir para pouparem, porque eles não têm sequer para comer. E os ricos dispõem de mil maneiras de dar a volta à austeridade. Não vale a pena ignorar a realidade: a classe média tem de baixar o seu nível de vida.
Três feridos em rixa na cadeia de Coimbra
Nelson Morais, in Jornal de Notícias
A cadeia de Coimbra foi palco, na segunda-feira, de uma rixa entre uma dezena de ciganos e outro grupo de reclusos, que obrigou aqueles a pedirem socorro. Houve murros, pontapés e cadeiras a voar, e três ficaram feridos. Mas o director-geral Rui Sá Gomes desdramatizou o episódio.
O caso começou cerca das 18 horas, quando um recluso protestou com outro do clã Monteiro, de Coimbra, por ele se demorar numa cabine telefónica da maior ala do Estabelecimento Prisional de Coimbra (EPC).
Juntaram-se logo vários indivíduos da mesma família cigana, que atingiram outro com um murro no nariz. Aí, surgiram reclusos em auxílio do esmurrado, alguns deles conhecidos por frequentarem o ginásio da cadeia, e "a coisa ficou bastante feia", contou Jorge Ramos, do Sindicato da Guarda Prisional, convencido de que a verdadeira origem do problema está na luta pelo controlo de negócios no interior do EPC.
Segundo Jorge Ramos, àquela hora, só estavam na cadeia dez guardas e um sub-chefe, por causa da greve de cinco dias, que termina na segunda-feira e recomeça no sábado, para mais cinco dias.
O EPC tem 455 reclusos e, naquela ala, estariam mais de 200. Os guardas fecharam a ala e os membros do Clã Monteiro, presos por tráfico de droga, foram violentamente atacados. E foram recuando, até suplicarem aos guardas que os deixassem sair da ala, que entretanto tinham encerrado, por segurança.
A cadeia de Coimbra foi palco, na segunda-feira, de uma rixa entre uma dezena de ciganos e outro grupo de reclusos, que obrigou aqueles a pedirem socorro. Houve murros, pontapés e cadeiras a voar, e três ficaram feridos. Mas o director-geral Rui Sá Gomes desdramatizou o episódio.
O caso começou cerca das 18 horas, quando um recluso protestou com outro do clã Monteiro, de Coimbra, por ele se demorar numa cabine telefónica da maior ala do Estabelecimento Prisional de Coimbra (EPC).
Juntaram-se logo vários indivíduos da mesma família cigana, que atingiram outro com um murro no nariz. Aí, surgiram reclusos em auxílio do esmurrado, alguns deles conhecidos por frequentarem o ginásio da cadeia, e "a coisa ficou bastante feia", contou Jorge Ramos, do Sindicato da Guarda Prisional, convencido de que a verdadeira origem do problema está na luta pelo controlo de negócios no interior do EPC.
Segundo Jorge Ramos, àquela hora, só estavam na cadeia dez guardas e um sub-chefe, por causa da greve de cinco dias, que termina na segunda-feira e recomeça no sábado, para mais cinco dias.
O EPC tem 455 reclusos e, naquela ala, estariam mais de 200. Os guardas fecharam a ala e os membros do Clã Monteiro, presos por tráfico de droga, foram violentamente atacados. E foram recuando, até suplicarem aos guardas que os deixassem sair da ala, que entretanto tinham encerrado, por segurança.
“A solução para a Europa nunca andará longe de uma dimensão federal”
in Beiras on-line
Antigo estudante de Coimbra, magistrado com um percurso a merecer um reconhecimento amplo, incansável ativista cívico, Álvaro Laborinho Lúcio é hoje uma voz lúcida na análise que importa fazer à situação de grave crise em que vivemos. Senhor de ideias e convicções, defende-as em entrevista ao DIÁRIO AS BEIRAS.
A situação do país é, provavelmente, das mais graves desde a instauração da democracia. Que comentário lhe merecem, nomeadamente, as manifestações recentes?
Antes de mais nada, vieram reforçar o sentimento de gravidade que qualifica a situação em que o país se encontra. Mas julgo ser útil analisar o que se vive hoje numa perspetiva mais alargada. Já muito se disse sobre a situação em si e julgo que não há uma particular importância naquilo que eu possa acrescentar ao muito que tem sido dito. Sendo certo que, muitas vezes, o acrescentar muito ao que se vai dizendo não tem outro efeito se não o de aumentar o ruído à volta dos problemas em vez de sugerir caminhos possíveis para os superar. Tenho muito a ideia de que precisamos de avaliar os problemas que estamos a viver numa perspetiva a três dimensões: numa estritamente conjuntural; numa outra de procura em termos estruturais de enquadramento do país num contexto em que se retome o direito à palavra e ao reconhecimento da importância da intervenção cívica e cidadã; e numa última dimensão ainda muito mais alargada do que esta e que nos leve, necessariamente, a discutir globalmente o modelo social e económico em que estamos a viver. Aparentemente, são três perspetivas que tendem a ser tratadas sucessivamente. Na minha opinião, porém, deveriam ser tratadas cumulativamente.
Sobretudo num momento como este?
Exatamente. É certo que este momento nos chama muito à dimensão conjuntural do problema, mas essa dimensão, até por se revelar de longa duração e muito penosa nos seus efeitos, não pode ser avaliada sem termos um olhar de perspetiva, de curto, médio e longo prazo. Um olhar que procure ser modificador das circunstâncias que nos conduziram à situação que agora, do ponto de vista conjuntural, temos de abordar numa perspetiva mais fechada. Por exemplo, hoje é muito recorrente o discurso de que não importa responsabilizar o passado e de que o que é necessário é encontrar soluções para o futuro. Numa certa medida, compreendo isto. Julgo que não vale muito a pena perdermos demasiado tempo a encontrar culpados. E aí aceito que não nos detenhamos excessivo tempo a olhar para o passado.
Mas importa detetar erros e corrigi-los?
É preciso sobretudo identificar as causas. Porque as culpas são individuais e, normalmente, acabam por não ser elas próprias motivadoras de mudança. Normalmente, nós, perante uma culpa, satisfazemo-nos com a punição do culpado. E, de alguma forma, estamos de fora. Colocamo-nos na posição de julgador. Ora nós temos de nos colocar na posição de corresponsáveis, de coparticipantes num processo que na sua globalidade conduziu a esta situação e o que temos é que identificar as causas, para tentar agir sobre as elas e para poder assumir intervenções modificadoras. Nesta medida, julgo que deixar de olhar o passado, esquecendo a identificação das causas é mau, é meio caminho para não conseguirmos recuperar o presente e lançar o futuro.
É fundamental identificar as causas?
Esta questão é hoje essencial. No domínio das causas, mais uma vez, temos causas próximas, mediatas e longínquas. Temos questões de natureza mais técnica, quando é feita a avaliação crítica de soluções encontradas ao longo do tempo. Mas temos também a necessidade do retorno do debate político e de alguma dimensão do debate ideológico. Não estou a falar do retorno das grandes ideologias, mas do retorno do debate ideológico e político.
Esse posicionamento ideológico exige-se hoje?
Nós não podemos continuar a ser meros robôs, meros autómatos, num mundo que gerido de longe, de forma distante e difusa, por entidades que se não conhecem, que não são responsabilizáveis e que acabam por nos fazer sentir impotentes perante a afirmação da inevitabilidade das coisas. A democracia é o contrário da inevitabilidade e nós temos de reativar o debate político no sentido de procurar alternativas ao que nos é apresentado como inevitável.
A Europa tem um papel central que não está a cumprir
Que alternativas?
Ao contrário do que se foi estabelecendo, entendo que devemos reequacionar o modelo económico e social, devemos recolocar a questão política no centro do debate, justamente para que ela assuma ou reassuma a liderança de todo o processo à escala global. E, depois, às escalas nacionais, evidentemente, ainda dentro da limitação do que resta dos Estados-nação na era da globalização. Mas, fazê-lo na convicção de que ainda é uma política de cidadãos que tem necessariamente de prevalecer sobre uma política de organizações, sejam elas de mercado ou de outra natureza.
E a Europa tem neste processo um papel central que não está a cumprir?
Evidentemente que tem um papel central e evidentemente que não está a cumprir esse papel central. Felizmente que hoje começa a compreender-se, nomeadamente ao nível da Comissão Europeia, finalmente. E que agora, pelas últimas notícias, se vai dando conta de que alguns sinais de alarme estão a fazer-se ouvir e que, embora com muito atraso, medidas importantes foram adotadas.
Houve essa afirmação por parte de Durão Barroso?
Houve essa afirmação. O problema é saber agora onde se situa o poder no quadro institucional atual da União Europeia e na sequência daquilo que surge como um poder afirmado já por um claro diretório inorgânico, mas que apesar de tudo tem conduzido os destinos da Europa nos últimos tempos.
Com os resultados desastrosos que se conhecem?
Com os resultados que se conhecem e sobretudo com uma falta de comparência preocupante. Hoje, uma das questões essenciais da política está na sua comparência ou na sua falta de comparência. E a Europa tem pautado a sua intervenção, ultimamente, em termos de União Europeia, por uma evidente falta de capacidade de intervir de maneira simultaneamente coesa e afirmativa. O que faz com que nós, de alguma forma, estejamos entalados entre especulações exteriores que incidem sobre nós próprios enquanto Estado membro e, ao mesmo tempo, perante uma ausência de suporte solidário, que não assente numa solidariedade acrítica, numa solidariedade de irresponsabilização, mas que se volte para a defesa de um projecto comum de grande dimensão, como é o projecto europeu. Evidentemente, que temos uma noção da profundidade da nossa responsabilidade enquanto Estado-membro e essa responsabilidade tem de ser assumida e deve ser-nos assacada, mas num quadro de união, num quadro de solidariedade enquanto união política, que permita que a Europa se afirme de dentro do seu todo para fora, e não continuando a dar uma imagem contraditória de si mesma.
O que é que falta à Europa? Falta uma liderança? Falta gente que pense a Europa de uma forma ampla e não apenas circunstancial como está a acontecer?
Claro que essa liderança tem-se mostrado débil. Aliás, vê-se que hoje as instituições da União Europeia acabam por se olhar umas às outras e por encontrar nos espaços da sua intervenção por vezes mais dissonância do que convergência e união. Na minha perspetiva, falta sobretudo, e esta é uma posição contestada por uns e afirmada por outros, falta o caminho claro para a afirmação inequívoca de uma verdadeira união política. Não apenas do governo económico de que agora volta a falar-se, mas evidentemente de um governo político que faça da União Europeia uma verdadeira união, que permita afirmar-se como tal no contexto global.
Governo económico sem governo político…
Muito dificilmente se conseguirá.
A Europa deve caminhar para o federalismo?
Admito que haja hoje soluções criativas que sejam um pouco diferentes da configuração clássica institucional, mas de qualquer forma nunca andará longe de uma dimensão federal.
Nessa dimensão federal seria possível resolver parte dos problemas que afetam hoje os países periféricos, entre os quais Portugal, mas que vão acabar por atingir todos?
Esse não é um caminho que gera efeitos automáticos, nem é apenas esse caminho que permite resolver esses problemas. Até porque não estamos a falar de problemas especificamente europeus, estamos a falar de problemas à escala global, relativamente aos quais a Europa não tem encontrado ela própria uma capacidade e um espaço de afirmação.
Mas, pelo menos, com uma voz que já teve, que já foi a sua?
Sim, sim. E com uma dimensão paritária relativamente aquilo que são, por um lado, os países emergentes e, por outro lado, os Estados Unidos, nomeadamente. E, sobretudo, perante esta dimensão global, muito marcada pela dimensão económica, onde no fundo nos debatemos com essa estrutura abstrata na conceção, mas demasiado concreta nas consequências, que são os mercados. Como é que podemos intervir politicamente aí?É claro que um retorno da política só pode ser feito com o retorno do poder à política. Isto é, é necessário que a política ela própria se assuma como espaço definidor do poder e do poder decisório, para, a partir dai, se poder exercer uma função reguladora, nomeadamente, dos mercados que hoje, obviamente, falha claramente do ponto de vista político.
Foi a política que falhou? Foi a política que se absteve dessa intervenção reguladora sobre os mercados?
Aí voltamos ao domínio da procura das causas. Tenho para mim que aquilo que foi progressivamente acontecendo foi justamente uma perda do poder, ou melhor, uma descentração do poder, que abandonou o espaço político que lhe era próprio para se deslocar para o espaço da economia e para o espaço dos próprios mercados. E com isto não está sequer a pôr-se em causa, uma dimensão liberal do mercado, porque não é isso que está em questão, não estamos a falar de um núcleo central clássico do combate ideológico, não estamos sequer a colocar em causa a validade e a importância dos mercados. O que estamos, muito simplesmente, é a recusar uma teologia de mercado. Isto é, não podemos endeusar o mercado. Pelo contrário, sem afrontar uma ideologia de mercado, importa que esta se enquadre numa perspetiva democrática global, em que os valores essenciais não são os que são ditados pelos mercados, mas sim os que são ditados pela política. E aí é que a política tem de retomar o poder, sobretudo para, mantendo a liberdade dos mercados, saber sobre eles intervir em termos reguladores, nos mesmos termos em que ao longo da história sempre interveio sobre a liberdade individual. Afirmada esta como princípio fundamental, nunca ela deixou de ser fortemente regulada, em nome da garantia do bem comum.
Uma sociedade heterárquica é mais sociedade de cidadãos
Como é se recentra o poder na política?
Julgo que, antes de mais, é necessário que tenhamos a consciência de que há hoje um campo novo para a política e para o exercício da política. Porventura, isso deve levar-nos a modificar a própria essência das doutrinas que levaram à construção do Estado moderno, que têm necessariamente de ser reavaliadas sobretudo na linha de pensamento daqueles que vêm defender uma progressiva convivência de uma conceção hierárquica do Estado, com uma conceção heterárquica, em que muito do poder efetivamente se tornou difuso, em que muitas das regulações são também autorregulações, mas em que, nesta sociedade heterárquica, muito mais deliberativa no seu todo, muito mais sociedade de cidadãos, há uma reserva última dos Estados e da dimensão política que cabe aos Estados desempenhar, que guardará esse núcleo duro e que permite a regulação necessária para evitar os imensos desequilíbrios do ponto de vista económico, e social. Temos hoje questões que se prendem com clivagens na estrutura social que é fundamental que não levem a rompimentos absolutos.
Mas estamos cada vez mais próximos desses rompimentos absolutos. Um deles diz respeito à pobreza.
Podemos estar muito próximos disso. E um deles é a pobreza. Nós temos de ultrapassar esta dimensão quase abstrata ou quase categorial dos fenómenos. Precisamos de saber que quando falamos de pobreza não estamos a falar numa categoria formal, abstrata. Estamos a falar de pessoas, de gente. E de gente que, na perspetiva de uns, é cada vez mais, mas que na perspetiva de outros, mesmo que se entenda que a pobreza diminuiu quantitativamente, ela se tornou, apesar de tudo, absolutamente insuportável. Nós criámos um padrão de vida que já não nos permite conviver com a pobreza nos mesmos termos em que se vivia ainda há poucas décadas. Sobretudo, não podemos continuar a assistir a uma realidade que cada vez é mais preocupante e se traduz no facto de nos grandes estratos sociais termos cada vez menos quem represente as pessoas em situação de pobreza. Nós estereotipamos o discurso, criamos um conjunto de elementos identificadores do discurso que nos permitem debitar considerações, as mais profundas sobre as realidades, mas sem nos empenharmos diretamente nessas realidades e sem representarmos as pessoas pobres. É por isso que hoje, quando falamos de determinados movimentos sociais que emergem, nós vamos dizendo que se trata de movimentos sociais inorgânicos, mas eles são inorgânicos porque a organicidade dos movimentos sociais se encontra hoje razoavelmente limitada, capturada por um discurso demasiado abstrato sobre a realidade.
Parece-lhe possível que esses movimentos se transformem em realidades orgânicas, capazes de atuar?
Eu julgo que é essencial que isso aconteça porque, não sou eu que o digo, há pensadores que há muito vêm anunciando que o desequilíbrio entre a massa cada vez maior dos pobres e as estruturas de representação, de reconhecimento dos seus direitos, da possibilidade de introduzir empowerment nessa situação, podem conduzir a situações claras de violência. Diz-se que a pobreza e a violência daí resultante vêm substituir hoje o tradicional discurso da luta de classes, com uma diferença, enquanto a luta de classes propunha a revolução, hoje o que podemos ter é o perigo da convulsão. Isto é, de movimentos sociais não controláveis, que podem conduzir a uma situação de convulsão que temos de evitar, em defesa de todos, mas, necessariamente, em nome do respeito pelos direitos dos pobres. Aliás, há hoje uma tese, que me parece vencedora e que é necessário trazer à colação como tese a relevar, segundo a qual a pobreza é uma violação de direitos. Portanto, a pobreza não é apenas um estadio social e económico-social, é uma violação de direitos e, desde logo, a violação do primeiro de todos eles que é o direito ao respeito pela dignidade da pessoa humana. É uma negação da própria condição de cidadão.
Sendo uma violação dos direitos humanos, a pobreza é ilegal
Há também quem defenda que, por isso mesmo, a pobreza devia ser ilegalizada.
Sendo ela uma violação de direitos humanos, a pobreza é uma ilegalidade. Não podemos, porém, ilegalizar a pobreza, criando a convicção de que a partir daí resolvemos o problema dos pobres. Nós precisamos é de interiorizar, do ponto de vista ético, do ponto de vista ético-político, a ideia de que a pobreza é uma violação de direitos humanos. E então, o grande projeto, o grande objetivo político tem de ser o da erradicação da pobreza, a começar pela pobreza extrema.
A pobreza é uma inevitabilidade, como muitas vezes se assume?
Não, a pobreza não é uma inevitabilidade. Aliás, está estudado que bastaria que um por cento do rendimento mundial fosse transferido dos países ricos para os países mais pobres para com isso se erradicar a pobreza severa. E isto não se trata de demagogia.
Aquela pobreza de que se conheceu recentemente um relatório com números verdadeiramente alarmantes?
Verdadeiramente alarmantes. E eu diria mais, números que nos devem colocar perante uma questão de identidade humana. No fundo, quem somos nós perante este problema, o que é que se nos exige perante esta situação? É aqui que entendo que, havendo todo o espaço para o debate ideológico, seja qual for a sua dimensão, não podemos deixar de compreender que há hoje limites éticos que se impõe ao pensamento político. Há hoje uma obrigação ética de gerar pensamento político que tenha como objetivo intervir neste domínio. Nesta medida, nós temos um espaço imenso de reflexão, mas não temos um tempo correspondente para a ação. Precisamos de agir mais depressa, embora acompanhados de reflexão e de reflexão tão consensual quanto possível. Tenho muita dificuldade em entender que, sobre essa matéria, não seja possível gerar um consenso alargado. Que nos eleve a todos, enquanto cidadãos.
Laborinho Lúcio assume-se um homem da geração de 60. A geração que quis transformar o mundo.
Eu pertenço, pelas coincidências históricas, à geração de 60. Não sou um “amigo de Alex”, não fico a olhar de uma forma saudosista para os anos 60. Entendo que a geração de 60 teve um papel importante no seu tempo. Quando hoje se debita um conjunto de críticas sobre a geração de 60, sinto que há aí alguma injustiça. A geração de 60 teve um papel a cumprir e cumpriu-o. Foi particularmente importante, inclusivamente, nas mudanças políticas que aconteceram em Portugal. Fê-lo com um profundo empenhamento e, em muitas circunstâncias, com um sério risco.
Foi uma geração generosa?
Foi uma geração generosa. E é importante ter a consciência de que a geração de 60 não constitui uma espécie de campo de apreciação etnográfica, constitui muito mais do que isso. Porque não foi apenas a geração que lutou pela mudança política, foi também uma geração que se autonomizou enquanto geração. Foi, talvez, a primeira a procurar a emancipação por si própria. Isto é, deixou de ser uma geração induzida, nomeadamente pelos pais, e procurou outros caminhos para se afirmar a si mesma.
As gerações atuais têm elas próprias de construir um outro futuro
E tinha um mundo fértil para essa afirmação?
Tinha. Mas também tinha as dificuldades, de liberdade e afirmação política, no que respeita a Portugal, e as dificuldades da própria clivagem interna que se viveu muito intensamente. O que tinha também era a ideia de que havia muito mais mundo para lá do modelo chave de normas. A complexidade social de que hoje falamos muito nasceu nessa altura e a geração de 60 em vez de fugir dessa complexidade, incorporou-a claramente. E quis ser ela própria autora do sentido dessa complexidade. Mas, dir-se-á, não foi suficientemente reguladora, não criou projetos de futuro. Mas eu não sei se cabe a uma só geração ser as duas coisas.
Em contraponto, que futuro vê hoje para as novas gerações?
Sem querer fazer uma comparação linear, que seria sempre abusiva, enquanto a geração de 60 tinha diante de si a necessidade de um rompimento interno, porque havia um mundo lá fora que já tinha outro caminho. O romper internamente, era um romper que permitia navegar à vista, porque havia um futuro que já estava a ser construído noutras zonas e esse podia ser o nosso próprio futuro. As gerações atuais têm a mesma barreira enquanto limitação, mas têm elas próprias que construir esse outro futuro. E não só isso é mais difícil como, até há pouco tempo, não se percebia que isso fizesse parte dos projetos da geração atual.
Esta geração tem de tomar o seu futuro nas mãos?
Eu não tenho dúvida que sim. E, mais uma vez, é sobretudo nesta geração que nós podemos encontrar caminhos para espaços de mudança que permitam mais uma vez recentrar o poder. Nós criamos um mundo que, de alguma forma, já nos chega com instruções. Talvez valha a pena nós assumirmos a possibilidade de começar a questionar essas instruções.
Foi em Coimbra que viveu os anos 60. E foi em Coimbra que encontrou uma matriz e uma formação, não só académica, mas também humana, cultural, cívica, que fez de si o homem que é hoje?
Sim. Em grande parte sim. E esta aparente hesitação não é porque queira negar isso que me está a dizer, mas porque ao ter estado em Coimbra durante toda a geração de 60 – primeiro a fazer a licenciatura, depois num curso complementar a corresponder ao mestrado –, foi verdadeiramente aqui que eu cresci, que amadureci para as coisas, que aprendi, quer do ponto de vista cognitivo, quer do ponto de vista da sensibilidade, quer do ponto de vista das escolhas, das opções. Foi aqui que eu firmei aquilo que, no essencial, constitui o que é a minha personalidade. Mas aprendi também em Coimbra a importância decisiva, não apenas da liberdade, mas também da preservação do direito à liberdade. Não sou um antigo estudante de Coimbra fechado sobre o seu tempo, sou um antigo estudante de Coimbra – e tenho nisso muito gosto, sou muito influenciado por esse facto –, com a convicção de que uma das coisas que Coimbra me deu foi ter-me aberto para o mundo e não obrigar o mundo a fechar-se a Coimbra.
E viveu Coimbra muito para lá da dimensão académica, nomeadamente numa outra vivência, a cultural, que encontrou na Associação Académica de Coimbra?
Sem dúvida, não só na Associação Académica de Coimbra, mas na própria pujança cultural que se vivia nesses anos e a vários níveis. E aí houve claramente uma dimensão de oferta e de proposta, porque nós fomos claramente beneficiários da proposta cultural da cidade e da academia e, ao mesmo tempo, agentes dessa proposta. Nesse caminho de alargamento do conhecimento e do pensamento crítico, nós adquirimos não apenas o que nos era dado por fora, mas também a experiência que resultava da participação direta e da discussão interna das opções a fazer e da própria promoção das opções culturais que aconteciam em Coimbra. E isso foi extraordinariamente importante e enriquecedor.
Antigo estudante de Coimbra, magistrado com um percurso a merecer um reconhecimento amplo, incansável ativista cívico, Álvaro Laborinho Lúcio é hoje uma voz lúcida na análise que importa fazer à situação de grave crise em que vivemos. Senhor de ideias e convicções, defende-as em entrevista ao DIÁRIO AS BEIRAS.
A situação do país é, provavelmente, das mais graves desde a instauração da democracia. Que comentário lhe merecem, nomeadamente, as manifestações recentes?
Antes de mais nada, vieram reforçar o sentimento de gravidade que qualifica a situação em que o país se encontra. Mas julgo ser útil analisar o que se vive hoje numa perspetiva mais alargada. Já muito se disse sobre a situação em si e julgo que não há uma particular importância naquilo que eu possa acrescentar ao muito que tem sido dito. Sendo certo que, muitas vezes, o acrescentar muito ao que se vai dizendo não tem outro efeito se não o de aumentar o ruído à volta dos problemas em vez de sugerir caminhos possíveis para os superar. Tenho muito a ideia de que precisamos de avaliar os problemas que estamos a viver numa perspetiva a três dimensões: numa estritamente conjuntural; numa outra de procura em termos estruturais de enquadramento do país num contexto em que se retome o direito à palavra e ao reconhecimento da importância da intervenção cívica e cidadã; e numa última dimensão ainda muito mais alargada do que esta e que nos leve, necessariamente, a discutir globalmente o modelo social e económico em que estamos a viver. Aparentemente, são três perspetivas que tendem a ser tratadas sucessivamente. Na minha opinião, porém, deveriam ser tratadas cumulativamente.
Sobretudo num momento como este?
Exatamente. É certo que este momento nos chama muito à dimensão conjuntural do problema, mas essa dimensão, até por se revelar de longa duração e muito penosa nos seus efeitos, não pode ser avaliada sem termos um olhar de perspetiva, de curto, médio e longo prazo. Um olhar que procure ser modificador das circunstâncias que nos conduziram à situação que agora, do ponto de vista conjuntural, temos de abordar numa perspetiva mais fechada. Por exemplo, hoje é muito recorrente o discurso de que não importa responsabilizar o passado e de que o que é necessário é encontrar soluções para o futuro. Numa certa medida, compreendo isto. Julgo que não vale muito a pena perdermos demasiado tempo a encontrar culpados. E aí aceito que não nos detenhamos excessivo tempo a olhar para o passado.
Mas importa detetar erros e corrigi-los?
É preciso sobretudo identificar as causas. Porque as culpas são individuais e, normalmente, acabam por não ser elas próprias motivadoras de mudança. Normalmente, nós, perante uma culpa, satisfazemo-nos com a punição do culpado. E, de alguma forma, estamos de fora. Colocamo-nos na posição de julgador. Ora nós temos de nos colocar na posição de corresponsáveis, de coparticipantes num processo que na sua globalidade conduziu a esta situação e o que temos é que identificar as causas, para tentar agir sobre as elas e para poder assumir intervenções modificadoras. Nesta medida, julgo que deixar de olhar o passado, esquecendo a identificação das causas é mau, é meio caminho para não conseguirmos recuperar o presente e lançar o futuro.
É fundamental identificar as causas?
Esta questão é hoje essencial. No domínio das causas, mais uma vez, temos causas próximas, mediatas e longínquas. Temos questões de natureza mais técnica, quando é feita a avaliação crítica de soluções encontradas ao longo do tempo. Mas temos também a necessidade do retorno do debate político e de alguma dimensão do debate ideológico. Não estou a falar do retorno das grandes ideologias, mas do retorno do debate ideológico e político.
Esse posicionamento ideológico exige-se hoje?
Nós não podemos continuar a ser meros robôs, meros autómatos, num mundo que gerido de longe, de forma distante e difusa, por entidades que se não conhecem, que não são responsabilizáveis e que acabam por nos fazer sentir impotentes perante a afirmação da inevitabilidade das coisas. A democracia é o contrário da inevitabilidade e nós temos de reativar o debate político no sentido de procurar alternativas ao que nos é apresentado como inevitável.
A Europa tem um papel central que não está a cumprir
Que alternativas?
Ao contrário do que se foi estabelecendo, entendo que devemos reequacionar o modelo económico e social, devemos recolocar a questão política no centro do debate, justamente para que ela assuma ou reassuma a liderança de todo o processo à escala global. E, depois, às escalas nacionais, evidentemente, ainda dentro da limitação do que resta dos Estados-nação na era da globalização. Mas, fazê-lo na convicção de que ainda é uma política de cidadãos que tem necessariamente de prevalecer sobre uma política de organizações, sejam elas de mercado ou de outra natureza.
E a Europa tem neste processo um papel central que não está a cumprir?
Evidentemente que tem um papel central e evidentemente que não está a cumprir esse papel central. Felizmente que hoje começa a compreender-se, nomeadamente ao nível da Comissão Europeia, finalmente. E que agora, pelas últimas notícias, se vai dando conta de que alguns sinais de alarme estão a fazer-se ouvir e que, embora com muito atraso, medidas importantes foram adotadas.
Houve essa afirmação por parte de Durão Barroso?
Houve essa afirmação. O problema é saber agora onde se situa o poder no quadro institucional atual da União Europeia e na sequência daquilo que surge como um poder afirmado já por um claro diretório inorgânico, mas que apesar de tudo tem conduzido os destinos da Europa nos últimos tempos.
Com os resultados desastrosos que se conhecem?
Com os resultados que se conhecem e sobretudo com uma falta de comparência preocupante. Hoje, uma das questões essenciais da política está na sua comparência ou na sua falta de comparência. E a Europa tem pautado a sua intervenção, ultimamente, em termos de União Europeia, por uma evidente falta de capacidade de intervir de maneira simultaneamente coesa e afirmativa. O que faz com que nós, de alguma forma, estejamos entalados entre especulações exteriores que incidem sobre nós próprios enquanto Estado membro e, ao mesmo tempo, perante uma ausência de suporte solidário, que não assente numa solidariedade acrítica, numa solidariedade de irresponsabilização, mas que se volte para a defesa de um projecto comum de grande dimensão, como é o projecto europeu. Evidentemente, que temos uma noção da profundidade da nossa responsabilidade enquanto Estado-membro e essa responsabilidade tem de ser assumida e deve ser-nos assacada, mas num quadro de união, num quadro de solidariedade enquanto união política, que permita que a Europa se afirme de dentro do seu todo para fora, e não continuando a dar uma imagem contraditória de si mesma.
O que é que falta à Europa? Falta uma liderança? Falta gente que pense a Europa de uma forma ampla e não apenas circunstancial como está a acontecer?
Claro que essa liderança tem-se mostrado débil. Aliás, vê-se que hoje as instituições da União Europeia acabam por se olhar umas às outras e por encontrar nos espaços da sua intervenção por vezes mais dissonância do que convergência e união. Na minha perspetiva, falta sobretudo, e esta é uma posição contestada por uns e afirmada por outros, falta o caminho claro para a afirmação inequívoca de uma verdadeira união política. Não apenas do governo económico de que agora volta a falar-se, mas evidentemente de um governo político que faça da União Europeia uma verdadeira união, que permita afirmar-se como tal no contexto global.
Governo económico sem governo político…
Muito dificilmente se conseguirá.
A Europa deve caminhar para o federalismo?
Admito que haja hoje soluções criativas que sejam um pouco diferentes da configuração clássica institucional, mas de qualquer forma nunca andará longe de uma dimensão federal.
Nessa dimensão federal seria possível resolver parte dos problemas que afetam hoje os países periféricos, entre os quais Portugal, mas que vão acabar por atingir todos?
Esse não é um caminho que gera efeitos automáticos, nem é apenas esse caminho que permite resolver esses problemas. Até porque não estamos a falar de problemas especificamente europeus, estamos a falar de problemas à escala global, relativamente aos quais a Europa não tem encontrado ela própria uma capacidade e um espaço de afirmação.
Mas, pelo menos, com uma voz que já teve, que já foi a sua?
Sim, sim. E com uma dimensão paritária relativamente aquilo que são, por um lado, os países emergentes e, por outro lado, os Estados Unidos, nomeadamente. E, sobretudo, perante esta dimensão global, muito marcada pela dimensão económica, onde no fundo nos debatemos com essa estrutura abstrata na conceção, mas demasiado concreta nas consequências, que são os mercados. Como é que podemos intervir politicamente aí?É claro que um retorno da política só pode ser feito com o retorno do poder à política. Isto é, é necessário que a política ela própria se assuma como espaço definidor do poder e do poder decisório, para, a partir dai, se poder exercer uma função reguladora, nomeadamente, dos mercados que hoje, obviamente, falha claramente do ponto de vista político.
Foi a política que falhou? Foi a política que se absteve dessa intervenção reguladora sobre os mercados?
Aí voltamos ao domínio da procura das causas. Tenho para mim que aquilo que foi progressivamente acontecendo foi justamente uma perda do poder, ou melhor, uma descentração do poder, que abandonou o espaço político que lhe era próprio para se deslocar para o espaço da economia e para o espaço dos próprios mercados. E com isto não está sequer a pôr-se em causa, uma dimensão liberal do mercado, porque não é isso que está em questão, não estamos a falar de um núcleo central clássico do combate ideológico, não estamos sequer a colocar em causa a validade e a importância dos mercados. O que estamos, muito simplesmente, é a recusar uma teologia de mercado. Isto é, não podemos endeusar o mercado. Pelo contrário, sem afrontar uma ideologia de mercado, importa que esta se enquadre numa perspetiva democrática global, em que os valores essenciais não são os que são ditados pelos mercados, mas sim os que são ditados pela política. E aí é que a política tem de retomar o poder, sobretudo para, mantendo a liberdade dos mercados, saber sobre eles intervir em termos reguladores, nos mesmos termos em que ao longo da história sempre interveio sobre a liberdade individual. Afirmada esta como princípio fundamental, nunca ela deixou de ser fortemente regulada, em nome da garantia do bem comum.
Uma sociedade heterárquica é mais sociedade de cidadãos
Como é se recentra o poder na política?
Julgo que, antes de mais, é necessário que tenhamos a consciência de que há hoje um campo novo para a política e para o exercício da política. Porventura, isso deve levar-nos a modificar a própria essência das doutrinas que levaram à construção do Estado moderno, que têm necessariamente de ser reavaliadas sobretudo na linha de pensamento daqueles que vêm defender uma progressiva convivência de uma conceção hierárquica do Estado, com uma conceção heterárquica, em que muito do poder efetivamente se tornou difuso, em que muitas das regulações são também autorregulações, mas em que, nesta sociedade heterárquica, muito mais deliberativa no seu todo, muito mais sociedade de cidadãos, há uma reserva última dos Estados e da dimensão política que cabe aos Estados desempenhar, que guardará esse núcleo duro e que permite a regulação necessária para evitar os imensos desequilíbrios do ponto de vista económico, e social. Temos hoje questões que se prendem com clivagens na estrutura social que é fundamental que não levem a rompimentos absolutos.
Mas estamos cada vez mais próximos desses rompimentos absolutos. Um deles diz respeito à pobreza.
Podemos estar muito próximos disso. E um deles é a pobreza. Nós temos de ultrapassar esta dimensão quase abstrata ou quase categorial dos fenómenos. Precisamos de saber que quando falamos de pobreza não estamos a falar numa categoria formal, abstrata. Estamos a falar de pessoas, de gente. E de gente que, na perspetiva de uns, é cada vez mais, mas que na perspetiva de outros, mesmo que se entenda que a pobreza diminuiu quantitativamente, ela se tornou, apesar de tudo, absolutamente insuportável. Nós criámos um padrão de vida que já não nos permite conviver com a pobreza nos mesmos termos em que se vivia ainda há poucas décadas. Sobretudo, não podemos continuar a assistir a uma realidade que cada vez é mais preocupante e se traduz no facto de nos grandes estratos sociais termos cada vez menos quem represente as pessoas em situação de pobreza. Nós estereotipamos o discurso, criamos um conjunto de elementos identificadores do discurso que nos permitem debitar considerações, as mais profundas sobre as realidades, mas sem nos empenharmos diretamente nessas realidades e sem representarmos as pessoas pobres. É por isso que hoje, quando falamos de determinados movimentos sociais que emergem, nós vamos dizendo que se trata de movimentos sociais inorgânicos, mas eles são inorgânicos porque a organicidade dos movimentos sociais se encontra hoje razoavelmente limitada, capturada por um discurso demasiado abstrato sobre a realidade.
Parece-lhe possível que esses movimentos se transformem em realidades orgânicas, capazes de atuar?
Eu julgo que é essencial que isso aconteça porque, não sou eu que o digo, há pensadores que há muito vêm anunciando que o desequilíbrio entre a massa cada vez maior dos pobres e as estruturas de representação, de reconhecimento dos seus direitos, da possibilidade de introduzir empowerment nessa situação, podem conduzir a situações claras de violência. Diz-se que a pobreza e a violência daí resultante vêm substituir hoje o tradicional discurso da luta de classes, com uma diferença, enquanto a luta de classes propunha a revolução, hoje o que podemos ter é o perigo da convulsão. Isto é, de movimentos sociais não controláveis, que podem conduzir a uma situação de convulsão que temos de evitar, em defesa de todos, mas, necessariamente, em nome do respeito pelos direitos dos pobres. Aliás, há hoje uma tese, que me parece vencedora e que é necessário trazer à colação como tese a relevar, segundo a qual a pobreza é uma violação de direitos. Portanto, a pobreza não é apenas um estadio social e económico-social, é uma violação de direitos e, desde logo, a violação do primeiro de todos eles que é o direito ao respeito pela dignidade da pessoa humana. É uma negação da própria condição de cidadão.
Sendo uma violação dos direitos humanos, a pobreza é ilegal
Há também quem defenda que, por isso mesmo, a pobreza devia ser ilegalizada.
Sendo ela uma violação de direitos humanos, a pobreza é uma ilegalidade. Não podemos, porém, ilegalizar a pobreza, criando a convicção de que a partir daí resolvemos o problema dos pobres. Nós precisamos é de interiorizar, do ponto de vista ético, do ponto de vista ético-político, a ideia de que a pobreza é uma violação de direitos humanos. E então, o grande projeto, o grande objetivo político tem de ser o da erradicação da pobreza, a começar pela pobreza extrema.
A pobreza é uma inevitabilidade, como muitas vezes se assume?
Não, a pobreza não é uma inevitabilidade. Aliás, está estudado que bastaria que um por cento do rendimento mundial fosse transferido dos países ricos para os países mais pobres para com isso se erradicar a pobreza severa. E isto não se trata de demagogia.
Aquela pobreza de que se conheceu recentemente um relatório com números verdadeiramente alarmantes?
Verdadeiramente alarmantes. E eu diria mais, números que nos devem colocar perante uma questão de identidade humana. No fundo, quem somos nós perante este problema, o que é que se nos exige perante esta situação? É aqui que entendo que, havendo todo o espaço para o debate ideológico, seja qual for a sua dimensão, não podemos deixar de compreender que há hoje limites éticos que se impõe ao pensamento político. Há hoje uma obrigação ética de gerar pensamento político que tenha como objetivo intervir neste domínio. Nesta medida, nós temos um espaço imenso de reflexão, mas não temos um tempo correspondente para a ação. Precisamos de agir mais depressa, embora acompanhados de reflexão e de reflexão tão consensual quanto possível. Tenho muita dificuldade em entender que, sobre essa matéria, não seja possível gerar um consenso alargado. Que nos eleve a todos, enquanto cidadãos.
Laborinho Lúcio assume-se um homem da geração de 60. A geração que quis transformar o mundo.
Eu pertenço, pelas coincidências históricas, à geração de 60. Não sou um “amigo de Alex”, não fico a olhar de uma forma saudosista para os anos 60. Entendo que a geração de 60 teve um papel importante no seu tempo. Quando hoje se debita um conjunto de críticas sobre a geração de 60, sinto que há aí alguma injustiça. A geração de 60 teve um papel a cumprir e cumpriu-o. Foi particularmente importante, inclusivamente, nas mudanças políticas que aconteceram em Portugal. Fê-lo com um profundo empenhamento e, em muitas circunstâncias, com um sério risco.
Foi uma geração generosa?
Foi uma geração generosa. E é importante ter a consciência de que a geração de 60 não constitui uma espécie de campo de apreciação etnográfica, constitui muito mais do que isso. Porque não foi apenas a geração que lutou pela mudança política, foi também uma geração que se autonomizou enquanto geração. Foi, talvez, a primeira a procurar a emancipação por si própria. Isto é, deixou de ser uma geração induzida, nomeadamente pelos pais, e procurou outros caminhos para se afirmar a si mesma.
As gerações atuais têm elas próprias de construir um outro futuro
E tinha um mundo fértil para essa afirmação?
Tinha. Mas também tinha as dificuldades, de liberdade e afirmação política, no que respeita a Portugal, e as dificuldades da própria clivagem interna que se viveu muito intensamente. O que tinha também era a ideia de que havia muito mais mundo para lá do modelo chave de normas. A complexidade social de que hoje falamos muito nasceu nessa altura e a geração de 60 em vez de fugir dessa complexidade, incorporou-a claramente. E quis ser ela própria autora do sentido dessa complexidade. Mas, dir-se-á, não foi suficientemente reguladora, não criou projetos de futuro. Mas eu não sei se cabe a uma só geração ser as duas coisas.
Em contraponto, que futuro vê hoje para as novas gerações?
Sem querer fazer uma comparação linear, que seria sempre abusiva, enquanto a geração de 60 tinha diante de si a necessidade de um rompimento interno, porque havia um mundo lá fora que já tinha outro caminho. O romper internamente, era um romper que permitia navegar à vista, porque havia um futuro que já estava a ser construído noutras zonas e esse podia ser o nosso próprio futuro. As gerações atuais têm a mesma barreira enquanto limitação, mas têm elas próprias que construir esse outro futuro. E não só isso é mais difícil como, até há pouco tempo, não se percebia que isso fizesse parte dos projetos da geração atual.
Esta geração tem de tomar o seu futuro nas mãos?
Eu não tenho dúvida que sim. E, mais uma vez, é sobretudo nesta geração que nós podemos encontrar caminhos para espaços de mudança que permitam mais uma vez recentrar o poder. Nós criamos um mundo que, de alguma forma, já nos chega com instruções. Talvez valha a pena nós assumirmos a possibilidade de começar a questionar essas instruções.
Foi em Coimbra que viveu os anos 60. E foi em Coimbra que encontrou uma matriz e uma formação, não só académica, mas também humana, cultural, cívica, que fez de si o homem que é hoje?
Sim. Em grande parte sim. E esta aparente hesitação não é porque queira negar isso que me está a dizer, mas porque ao ter estado em Coimbra durante toda a geração de 60 – primeiro a fazer a licenciatura, depois num curso complementar a corresponder ao mestrado –, foi verdadeiramente aqui que eu cresci, que amadureci para as coisas, que aprendi, quer do ponto de vista cognitivo, quer do ponto de vista da sensibilidade, quer do ponto de vista das escolhas, das opções. Foi aqui que eu firmei aquilo que, no essencial, constitui o que é a minha personalidade. Mas aprendi também em Coimbra a importância decisiva, não apenas da liberdade, mas também da preservação do direito à liberdade. Não sou um antigo estudante de Coimbra fechado sobre o seu tempo, sou um antigo estudante de Coimbra – e tenho nisso muito gosto, sou muito influenciado por esse facto –, com a convicção de que uma das coisas que Coimbra me deu foi ter-me aberto para o mundo e não obrigar o mundo a fechar-se a Coimbra.
E viveu Coimbra muito para lá da dimensão académica, nomeadamente numa outra vivência, a cultural, que encontrou na Associação Académica de Coimbra?
Sem dúvida, não só na Associação Académica de Coimbra, mas na própria pujança cultural que se vivia nesses anos e a vários níveis. E aí houve claramente uma dimensão de oferta e de proposta, porque nós fomos claramente beneficiários da proposta cultural da cidade e da academia e, ao mesmo tempo, agentes dessa proposta. Nesse caminho de alargamento do conhecimento e do pensamento crítico, nós adquirimos não apenas o que nos era dado por fora, mas também a experiência que resultava da participação direta e da discussão interna das opções a fazer e da própria promoção das opções culturais que aconteciam em Coimbra. E isso foi extraordinariamente importante e enriquecedor.
A crise na Grécia vista por um jornalista grego
in Expresso
A crise na Grécia vista por um jornalista grego (vídeo)
Makis Delipetros foi director do diário Apogevmatini, até este jornal histórico fechar e ele e mais 130 trabalhadores terem ficado sequer sem subsídio de desemprego. Numa entrevista de vídeo ao Expresso, o jornalista faz o relato do que mudou no seu país e do que pode vir ainda a acontecer no futuro. A história de Makis faz parte de uma grande reportagem publicada este fim de semana na Revista Única.
Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/a-crise-na-grecia-vista-por-um-jornalista-grego-video=f657687#ixzz1cXanaU00
A crise na Grécia vista por um jornalista grego (vídeo)
Makis Delipetros foi director do diário Apogevmatini, até este jornal histórico fechar e ele e mais 130 trabalhadores terem ficado sequer sem subsídio de desemprego. Numa entrevista de vídeo ao Expresso, o jornalista faz o relato do que mudou no seu país e do que pode vir ainda a acontecer no futuro. A história de Makis faz parte de uma grande reportagem publicada este fim de semana na Revista Única.
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G20: Rede das agências católicas pede imposto sobre as transações financeiras
in Expresso
A rede internacional de agências católicas de desenvolvimento CIDSE considera que as medidas que o G20 vai discutir podem ser demasiado 'leves' para terem impacto sobre os mais pobres e pede um imposto global sobre as transações financeiras.
"Um imposto global sobre as transações financeiras poderia fazer parte de um longo caminho para estabilizar o sistema financeiro e financiar a luta contra a pobreza e as mudanças climáticas. Os líderes europeus devem continuar a promover o imposto no G20 e esperamos que os líderes que até agora se recusaram a perceber o seu potencial e urgência também o apoiem", afirmou hoje em comunicado o presidente da CIDSE, Chris Bain.
A CIDSE gostaria de ver os líderes das 20 economias mais desenvolvidas do mundo reformarem o sistema financeiro global e direcionarem as economias para uma saída da crise que conduza a um mundo mais justo.
Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/g20-rede-das-agencias-catolicas-pede-imposto-sobre-as-transacoes-financeiras=f684515#ixzz1cXaFIkuQ
A rede internacional de agências católicas de desenvolvimento CIDSE considera que as medidas que o G20 vai discutir podem ser demasiado 'leves' para terem impacto sobre os mais pobres e pede um imposto global sobre as transações financeiras.
"Um imposto global sobre as transações financeiras poderia fazer parte de um longo caminho para estabilizar o sistema financeiro e financiar a luta contra a pobreza e as mudanças climáticas. Os líderes europeus devem continuar a promover o imposto no G20 e esperamos que os líderes que até agora se recusaram a perceber o seu potencial e urgência também o apoiem", afirmou hoje em comunicado o presidente da CIDSE, Chris Bain.
A CIDSE gostaria de ver os líderes das 20 economias mais desenvolvidas do mundo reformarem o sistema financeiro global e direcionarem as economias para uma saída da crise que conduza a um mundo mais justo.
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1.11.11
Indemnizações por despedimento passam hoje de 30 para 20 dias
in Jornal de Notícias
A partir desta terça-feira os novos contratos de trabalho reduzem a indemnização por despedimento de 30 para 20 dias de retribuição-base e diuturnidades por ano de antiguidade e um tecto máximo de 12 salários.
As novas regras aplicam-se apenas aos novos contratos de trabalho, segundo o artigo 3 da lei (53/2011) publicada a 14 de Outubro, que altera o Código de Trabalho de 2009, mas a intenção do Governo é aplicar as novas regras a todos os contratos, segundo a proposta apresentada aos parceiros em sede de concertação social.
Até agora, os trabalhadores despedidos tinham direito a uma compensação de 30 dias por cada ano de antiguidade e sem qualquer limite de valor.
A proposta apresentada aos parceiros sociais para alargar este regime aos contratos antigos foi rejeitada pela CGTP, classificada como um mal menor pela UGT e aceite pela Confederação do Comércio e Serviços.
A partir desta terça-feira os novos contratos de trabalho reduzem a indemnização por despedimento de 30 para 20 dias de retribuição-base e diuturnidades por ano de antiguidade e um tecto máximo de 12 salários.
As novas regras aplicam-se apenas aos novos contratos de trabalho, segundo o artigo 3 da lei (53/2011) publicada a 14 de Outubro, que altera o Código de Trabalho de 2009, mas a intenção do Governo é aplicar as novas regras a todos os contratos, segundo a proposta apresentada aos parceiros em sede de concertação social.
Até agora, os trabalhadores despedidos tinham direito a uma compensação de 30 dias por cada ano de antiguidade e sem qualquer limite de valor.
A proposta apresentada aos parceiros sociais para alargar este regime aos contratos antigos foi rejeitada pela CGTP, classificada como um mal menor pela UGT e aceite pela Confederação do Comércio e Serviços.
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