11.2.11

Sarkozy rejeita "legalização maciça de sem papéis"

in Diário de Notícias

O presidente da República francês, Nicolas Sarkozy, rejeitou hoje "a legalização maciça de sem papéis" e afirmou que "há claramente um problema" com o lugar do islão em França.

"Não aceitarei a regularização maciça de sem papéis. Se aceitarmos todos [os imigrantes], o nosso sistema de integração explode", afirmou o chefe de Estado, numa edição especial do programa "Palavras de Franceses", no canal público TF1.

Nicolas Sarkozy respondeu em estúdio, durante duas horas, às questões de nove cidadãos franceses de diferentes profissões e origens sociais.

"Não podemos pronunciar a palavra imigração nas nossas democracias", afirmou o presidente da República, quando se abordou o tema da identidade nacional e do multiculturalismo.

"Se fazemos acreditar que podemos acolher todos [os imigrantes] sem lhes propor um alojamento e trabalho, construímos o gueto", acrescentou Nicolas Sarkozy.

"Preocupámo-nos demasiado com a identidade da origem e muito pouco com a identidade do país que os acolheu", declarou também, ao fazer um balanço da situação das comunidades migrantes e das novas gerações.

Nicolas Sarkozy recusou também o modelo "multicultural" no sentido dos países anglo-saxónicos. "Não queremos em França comunidades que vivem umas ao lado de outras. Em França, aceitamos fundir-nos numa comunidade nacional. Quem não aceita isso, não é bem vindo", declarou.

"O multiculturalismo reforçou os extremismos. Cada comunidade desenvolveu as suas defesas contra as outras. David Cameron e Angela Merkel têm a mesma opinião do que eu", garantiu o chefe de Estado francês, referindo-se a declarações recentes do primeiro ministro britânico e da chanceler alemã.

Sobre o islão e os "compatriotas muçulmanos", Nicolas Sarkozy afirmou: "Não falar nisso é um erro. Há claramente um problema." "Os nossos compatriotas muçulmanos devem poder praticar a sua religião, como todos os outros. Mas não queremos véus cobrindo mulheres em público. Não queremos orações ostentatórias. Somos um país laico, em que vigora a separação de religiões", declarou Nicolas Sarkozy.

"Não queremos proselitismo religioso agressivo, qualquer que ele seja. Não queremos que imãs preguem a violência. Não queremos mudar calendários. A religião é respeitável, mas é do domínio privado", acrescentou. "Há uma formidável hipocrisia de não ver um certo número de realidades", concluiu sobre o tema.