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3.10.14

Suicídio de jovens alarma médicos

Rita Carvalho, in Sol

Suicídio de jovens alarma médicos

Dia sim, dia não, há uma criança ou um jovem que entra no Hospital Dona Estefânia (HDE) porque tentou suicidar-se. Muitos outros são levados à urgência por terem tomado comprimidos ou feito cortes nos braços – comportamentos auto-lesivos não destinados a pôr fim à vida, mas reveladores de um grande sofrimento interior. Os médicos ouvidos pelo SOL estão alarmados porque os casos dispararam nos últimos anos e, principalmente, porque os serviços de saúde mental infantil e da adolescência são escassos e incapazes de responder aos problemas que estão a surgir.

Tentativas de suicídio e auto-mutilações chegam diariamente às urgências

Os dados constam de dois estudos realizados por médicos internos doHDE, que analisaram a afluência às urgências. Em 2013, a equipa de pedopsiquiatria foi chamada 1.641 vezes ao serviço de urgência para atender menores que tinham agredido o próprio corpo, sofrido crises de agressividade, humor, ansiedade, surtos psicóticos e perturbações alimentares. Em 2001, os pedopsiquiatras foram accionados em 311 casos, cinco vezes menos.

21.4.13

Suicídio subiu 54% no norte do país

Dina Margato, in Jornal de Notícias

83 pessoas puseram termo à vida neste trimestre no Norte, 29 mortos a mais do que em 2012. Desemprego cria desesperança e pode estar a alterar perfil das vítimas, alertam os especialistas.

Os registos do Instituto Nacional de Medicina Legal dão conta de 235 suicídios no primeiro trimestre deste ano. Só no Norte, a soma chega às 83 vítimas. No Sul e Centro perderam-se 80 e 72 vidas.

O número de vítimas no Norte surpreende por ser a mais elevada do país em termos absolutos e traduzir um aumento acentuado face ao ano anterior. Em período idêntico, no ano passado, houve 54. Este ano são mais 29 suicídios, mais 53,7%. No resto do território diminuíram. Comparando trimestres, houve mais dois.

25.2.13

Suicídios e depressões estão a aumentar com a crise económica

in Jornal de Notícias

Os casos de suicídios, de intenções de suicídios ou de depressões estão a aumentar em Portugal e Espanha com a crise económica, afirmou este sábado na Ericeira o psiquiatra espanhol José Luís Ayuso Mateos.

"Há uma clara relação entre a crise económica e o aumento dos suicídios", disse o especialista durante o encontro "Avanços e controvérsias em Psiquiatria", que termina hoje na Ericeira (Mafra).

Dados divulgados pelo especialista apontam para que 90% dos mortos por suicídio tiveram previamente distúrbios mentais: 30% a 87% apresentaram um quadro depressivo e 42% tiveram antecedentes que motivaram uma intervenção psiquiátrica.

José Luís Ayuso Mateos explicou que o desemprego e o stress estão entre os fatores sociais associados à crise económica que ajudam a explicar os casos de depressão ou de condutas suicidas.

Baseando-se em dados de 2000 a 2011, o psiquiatra demonstrou que, tanto em Espanha como em Portugal, os suicídios têm vindo a aumentar à medida que aumenta a taxa de desemprego.

Ainda assim, frisou, "Portugal e Espanha têm taxas de suicídios das mais baixas da Europa", o que pode ser explicado pelo facto de "não haver uma relação direta" entre o desemprego e o suicídio.

"Apenas temos um aumento da incidência de suicídios, porque durante o período da recessão económica há um retardar do suicídio", justificou, à semelhança da adoção de medidas de suporte social.

O especialista, ligado a uma unidade hospitalar da cidade de Madrid, alertou que, perante os dados existentes, "está a assistir-se em Espanha a um aumento das necessidades de assistência aos problemas de saúde mental".

O psiquiatra António Reis Marques, da Universidade de Coimbra, adiantou que está a assistir-se, naquela zona do país, à diminuição da procura por cuidados de saúde mental, apontando a falta de dinheiro para as consultas, para os transportes e para os medicamentos como motivos.

Questionado pelo colega português, José Luís Ayuoso Mateos disse que em Espanha "se vive o oposto", com o aumento da procura pelas consultas nos cuidados primários de saúde, que são gratuitas.

7.1.13

Tentativas de suicídio aumentam com a crise

in Público on-line

Número de tentativas de suicídio aumentaram nos últimos anos. As mortes autoinflingidas também. A crise económica pode ser a razão para que algumas pessoas ponham termo à vida.

A solidão e a falta de apoio podem potenciar o suicídio Miguel Madeira .

Durante o ano passado, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) recebeu 1672 pedidos de ajuda para evitar casos de suicídio, mais 489 do que em 2011. O suicídio passou a ser a principal causa de morte autoinflingida, seguida dos acidentes de viação. Apenas a morte por doença ultrapassa esta causa para o óbito. A crise pode ser a razão para este aumento.

Números avançados na edição desta segunda-feira do Diário de Notícias indicam que no final da década de 1990 foram registados 500 suicídios que mais que duplicaram em 2011, quando foram confirmados acima dos 1200 casos. Dados do INEM revelam que nos primeiros sete meses de 2012 foram recebidos 904 alertas de pessoas que tentaram pôr termo à vida, mais 27% que em 2011.

O número de pessoas que se suicidaram no ano passado não é ainda conhecido e as entidades que têm registos destes casos para 2010 e 2011 apresentam dados distintos. Por exemplo, o Instituto de Medicina Legal (IML) contabilizou 1141 suicídios em 2010, mais 40 que o INEM para o mesmo ano. Em 2011, a diferença volta a verificar-se: o IML aponta 1251 mortes autoinflingidas, mais que as 1012 indicadas pelo INEM. Estas divergências foram explicadas ao DN por José Carlos Santos, presidente da Sociedade Portuguesa de Suicidologia, com a existência de “taxas muito elevadas de morte por causas desconhecidas”. Em causa estão mortes que até podem ter ocorrido por suicídio mas que são camufladas por causa de seguros ou questões religiosas ou porque é difícil confirmar que um acidente de viação ou uma sobredose de medicamentos podem ter tido como objectivo a morte deliberada.

A crise económica e o reforço das medidas de austeridade podem potenciar o suicídio. Em Espanha, por exemplo, registaram-se casos de pessoas que se suicidaram pouco antes de serem despejadas das suas casas por falta de pagamento do empréstimo ao banco. Na Grécia, houve mesmo casos de suicídio em plena praça pública após o anúncio de mais restrições económicas.

Márcio Pereira, responsável nacional pelo Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise do INEM, considera que “a crise económica afigura-se como um grande problema nos tempos mais próximos”. Citado pelo DN, Márcio Pereira acrescenta que o desemprego leva a casos de depressão e falta de dinheiro a que não se compre a medicação necessária. “Sentem falta de apoio e solidão, sobretudo sabem como terminar com o sofrimento e perspectivam a morte como uma saída”.

Quem mais tenta o suicídio são as mulheres (a maioria com idades entre os 40 e 49 anos), “por utilizarem métodos menos letais do que os homens e por terem mais facilidade em pedir ajuda”, escreve o jornal. Os homens (a maioria a partir dos 50 anos) matam-se três a quatro vezes mais do que as mulheres. Os jovens há mais um “comportamento prassuicidário, sendo as intoxicações por via medicamentosa o método mais utilizado”.

29.11.12

Suicídios podem crescer com mais desemprego e menos apoios sociais

in iOnline

O aumento do desemprego e das desigualdades e a diminuição dos apoios sociais criam “as condições para a ocorrência de um maior número de suicídios”, alertou hoje um especialista.

“O suicídio é um fenómeno complexo e multifacetado e por isso é difícil fazer uma relação entre o que quer que seja e o suicídio”. Contudo, “é expectável que haja um aumento do número de casos” face à atual situação económica e social que o país atravessa, afirmou o presidente da Sociedade Portuguesa de Suicidiologia (SPS), José Carlos Santos.

Participando no VIII Congresso Nacional de Psiquiatria 2012, a decorrer no Porto até sábado, o responsável considerou que é preciso ter em conta o que aconteceu na Grécia e na Irlanda, em que, de acordo com estudos feitos em 2009, “houve um aumento dos suicídios que foi paralelo à crise económica”.

Nos anos 1990, “na Dinamarca, isso não aconteceu”, salientou, explicando que, apesar de ter registado um aumento da taxa de desemprego, a Segurança Social reforçou os apoios a dar às pessoas em crise.

“A taxa de desemprego aumentou muito e é um fator determinante para as questões do suicídio e, ao mesmo tempo, assistimos a uma diminuição nos apoios da Segurança Social. Se estamos a limitar as pessoas que estão já em situações difíceis do ponto de vista económico e social não estamos a protegê-las para os comportamentos do foro suicidário, estamos sim a fragilizar ainda mais para este tipo de comportamentos”, sublinhou José Carlos Santos.

Adiantando que “há discrepâncias” entre os números oficiais que existem sobre suicídios no ano passado, que não permitem concluir que houve um aumento do número de casos, o responsável afirmou, contudo, que “tem havido uma maior procura de consultas” para casos de suicídio.

“É preciso estarmos muito atento. Temos condições para que aumente [a incidência], tendo em conta a crise social e, concomitantemente, a acessibilidade [a cuidados primários de saúde] é fundamental”, explicou.

Falando no congresso sobre “Comportamentos suicidários: da prevenção à pósvenção”, a médica Inês Rothes apresentou um estudo que indica que 75 % de idosos contactaram com o seu médico de família no mês anterior ao suicídio.

“Ninguém lhes pergunta qual foi o impacto da reforma na sua vida, ninguém lhes pede para dizer como é o seu dia-a-dia”, alertou José Carlos Santos, considerando “ser necessário olhar para o grito de alerta” das pessoas, que muitas vezes recorrem ao médico de família com queixas, como uma dor de barriga ou de uma perna, para as quais não há um diagnóstico médico.

No âmbito desse estudo, a investigadora conclui que também os profissionais de saúde sofrem com o suicídio de um paciente e que estes “não tendem a pedir ajuda” nestas situações.

Através de um inquérito realizado a 242 profissionais, entre psiquiatras, psicólogos e médicos de clínica geral, foi possível concluir que “o sofrimento emocional é o sentimento mais frequente (47 %)” em caso de suicídio de um paciente.

Além da aposta na prevenção nos cuidados primários de saúde, José Carlos Santos apontou também “a colocação de barreiras” nas pontes como outra medida de prevenção deste fenómeno.

8.10.12

Álcool mais caro e apoio ao desemprego diminui suicídio

por Lusa, texto publicado por Paula Mourato, in Diário de Notícias

O aumento do preço das bebidas alcoólicas e o reforço dos apoios sociais, sobretudo na área do desemprego, são algumas das medidas defendidas como eficazes na prevenção da depressão e suicídio pelo coordenador do plano nacional.

A ligação entre a crise e a depressão é já uma evidência científica, nota Álvaro Carvalho, que defende que este é o momento certo para se investir na área da saúde mental, onde o retorno a curto ou médio prazo é "muito significativo".

"Mas o setor da saúde não pode alcançar uma boa saúde mental sozinho. Tem de haver um programa transversal que envolva vários ministérios", defende, em entrevista à agência Lusa, o coordenador do Plano de Prevenção da Depressão e do Suicídio.

A própria Organização Mundial da Saúde já veio alertar para um possível aumento do suicídio entre os jovens adultos, precisamente devido ao desemprego.

A falta de trabalho é um potencial desencadeador de crise emocional, ansiedade e depressão e "quanto menos tempo uma pessoa estiver desempregada menos risco tem de entrar em crise".

Reforçar os apoios da Segurança Social aos desempregados e criar programas de formação profissional são medidas eficazes e com "evidência científica".

Segundo Álvaro de Carvalho, por cada 100 euros investidos num projeto de formação profissional de uma pessoa consegue-se uma redução na taxa de suicídio de 0,2%.

Outro ponto-chave é prevenir o aumento do consumo de álcool, até porque Portugal é um dos maiores consumidores de bebidas.

"Pelo seu efeito tranquilizante e desinibidor, o álcool é muito usado como recurso, sobretudo por homens e jovens, em situações de crise, ansiedade ou desânimo", lembrou o psiquiatra, diretor do Programa Nacional de Saúde Mental, sublinhando que o álcool tem, só por si, um efeito indutor de depressão.

O aumento do preço das bebidas e a definição de um preço mínimo são duas medidas de "altíssima eficácia", já com provas dadas a nível internacional.

"São as medidas mais eficazes, tal como os radares a nível dos acidentes rodoviários", compara Álvaro de Carvalho

Em concreto na área da saúde, a proposta passa por melhorar o diagnóstico e terapêutica das situações de depressão, desenvolvendo os cuidados de proximidade.

Estudos internacionais que refletem autópsias psicológicas feitas após os suicídios mostram que 90% dos suicidas consultou o seu médico assistente no ano anterior e que cerca de 60% voltou a procurar a mesma ajuda um mês antes.

"Se conseguirmos melhorar a capacidade diagnóstica dos clínicos gerais e de outros elementos das equipas dos cuidados de saúde primários, é suposto que muitos casos que habitualmente escapam passem a ser mais precocemente diagnosticados e melhor tratados. Podemos conseguir que muitas das pessoas melhorem significativamente", justificou o coordenador do plano.

Os estudos mais recentes apontam para uma prevalência global das doenças mentais em Portugal de 22%. Em cada ano, 7% da população sofre de depressão e o suicídio será responsável anualmente por cerca de 10 mortes em cada 100 mil pessoas.

Contudo, os números do suicídio em Portugal não são ainda fiáveis e só no próximo ano deverão começar a ser recolhidos dados mais firmes, com a entrada em funcionamento do sistema informático dos certificados de óbito.

A par de outros especialistas, Álvaro de Carvalho estima que, com o novo sistema, a taxa de suicídios suba, ao mesmo tempo que desce a taxa de morte por causa não identificada.

Defendida subida do preço do álcool para prevenir suicídio

in TVI24

Coordenador do Plano de Prevenção da Depressão e do Suicídio diz que tem também de ser reforçado apoio no desemprego


O aumento do preço das bebidas alcoólicas e o reforço dos apoios sociais, sobretudo na área do desemprego, são algumas das medidas defendidas como eficazes na prevenção da depressão e suicídio pelo coordenador do plano nacional.

A ligação entre a crise e a depressão é já uma evidência científica, nota Álvaro Carvalho, que defende que este é o momento certo para se investir na área da saúde mental, onde o retorno a curto ou médio prazo é «muito significativo».

«Mas o setor da saúde não pode alcançar uma boa saúde mental sozinho. Tem de haver um programa transversal que envolva vários ministérios», defende, em entrevista à agência Lusa, o cordenador do Plano de Prevenção da Depressão e do Suicídio.

A própria Organização Mundial da Saúde já veio alertar para um possível aumento do suicídio entre os jovens adultos, precisamente devido ao desemprego.

A falta de trabalho é um potencial desencadeador de crise emocional, ansiedade e depressão e «quanto menos tempo uma pessoa estiver desempregada menos risco tem de entrar em crise».

Reforçar os apoios da Segurança Social aos desempregados e criar programas de formação profissional são medidas eficazes e com «evidência científica».

Segundo Álvaro de Carvalho, por cada 100 euros investidos num projeto de formação profissional de uma pessoa consegue-se uma redução na taxa de suicídio de 0,2%.

Outro ponto-chave é prevenir o aumento do consumo de álcool, até porque Portugal é um dos maiores consumidores de bebidas.

«Pelo seu efeito tranquilizante e desinibidor, o álcool é muito usado como recursos, sobretudo por homens e jovens, em situações de crise, ansiedade ou desânimo», lembrou o psiquiatra, diretor do Programa Nacional de Saúde Mental, sublinhando que o álcool tem, só por si, um efeito indutor de depressão.

O aumento do preço das bebidas e a definição de um preço mínimo são duas medidas de «altíssima eficácia», já com provas dadas a nível internacional.

«São as medidas mais eficazes, tal como os radares a nível dos acidentes rodoviários», compara Álvaro de Carvalho

Em concreto na área da saúde, a proposta passa por melhorar o diagnóstico e terapêutica das situações de depressão, desenvolvendo os cuidados de proximidade.

Estudos internacionais que refletem autópsias psicológicas feitas após os suicídios mostram que 90% dos suicidas consultou o seu médico assistente no ano anterior e que cerca de 60% voltou a procurar a mesma ajuda um mês antes.

«Se conseguirmos melhorar a capacidade diagnóstica dos clínicos gerais e de outros elementos das equipas dos cuidados de saúde primários, é suposto que muitos casos que habitualmente escapam passem a ser mais precocemente diagnosticados e melhor tratados. Podemos conseguir que muitas das pessoas melhorem significativamente», justificou o coordenador do plano.

Os estudos mais recentes apontam para uma prevalência global das doenças mentais em Portugal de 22%. Em cada ano, 7% da população sofre de depressão e o suicídio será responsável anualmente por cerca de 10 mortes em cada 100 mil pessoas.

Contudo, os números do suicídio em Portugal não são ainda fiáveis e só no próximo ano deverão começar a ser recolhidos dados mais firmes, com a entrada em funcionamento do sistema informático dos certificados de óbito.

A par de outros especialistas, Álvaro de Carvalho estima que, com o novo sistema, a taxa de suicídios suba, ao mesmo tempo que desce a taxa de morte por causa não identificada.