in TSF
Uma projecção da OCDE estabelece um quadro sombrio que não atingira tais proporções nas últimas três décadas: o número de pobres vai aumentar "de forma desproporcional". Estima-se que, já em 2020, surjam cerca de 500 milhões de novos pobres, a quinta parte dos quais ficarão em situação de pobreza extrema. O sociólogo Paulo Pedroso, professor do ISCTE e comentador residente do magazine "A Espantosa Realidade das Coisas", enquadra o cenário previsto pela OCDE à luz de uma anunciada quebra no financiamento às economias em desenvolvimento, um rude golpe para os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável.
Num comunicado divulgado há poucos dias, Jorge Moreira da Silva, director da Comunicação para o Desenvolvimento da OVDE afirma, sem rodeios, que "mesmo que não venha a ocorrer uma segunda vaga pandémica, é certo que os países em vias de desenvolvimento não escaparão a uma nova vaga de pobreza".
Entretanto uma pergunta ganhou as páginas do Guardian: "Como conseguirão os países pobres aceder à vacina contra o coronavírus??. A pergunta decorre da convicção de que a aliança entre as farmacêuticas e a filantropia pode deixar de fora os países pobres. Daí a pergunta colocada a Paulo Pedroso: Se assim for, podemos falar ainda em filantropia?
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6.7.20
16.6.20
OCDE recomenda corte nos impostos e mais apoios em Portugal se houver segunda vaga de covid-19
Margarida Peixoto, in Negócios on-line
A OCDE avisa que deixar as empresas com uma montanha de dívida vai comprometer o investimento, o que prejudica a retoma da economia portuguesa.
No caso de haver uma segunda vaga de covid-19 no final deste ano, a OCDE recomenda ao Governo português que intensifique os apoios às famílias e empresas. Em concreto, pode por exemplo ser preferível transformar os adiamentos do pagamento das obrigações fiscais em reduções efetivas de impostos, e aumentar a cobertura dos apoios, defende a organização. Os conselhos constam do Economic Outlook da OCDE, publicado esta quarta-feira.
"O Governo implementou um conjunto de medidas para apoiar a economia e anunciou um pacote de estímulos adicionais, para facilitar uma retoma rápida", começa por reconhecer a organização liderada por Ángel Gurría, no documento. "Porém, podem ser necessários estímulos adicionais", admite.
"Caso se verifique uma segunda vaga da pandemia, aumentar a taxa líquida de substituição dos mecanismos temporários de emprego pode ajudar a apoiar melhor o rendimento das famílias", defende a OCDE. A organização está a referir-se a mecanismos de emprego subsidiado, como os apoios dados aos trabalhadores que estão em lay-off. Ora, se este apoio for mais robusto, pode em contrapartida substituir outros mecanismos, como é o caso dos apoios ao pagamento das rendas, exemplifica o documento.
Do lado das empresas, e "para evitar mais falências, é crucial complementar as garantias públicas em empréstimos com outras medidas de ação política para assegurar a sua viabilidade", argumenta. E também aqui exemplifica: "parte do adiamento de impostos pode ter de ser convertida em corte de impostos para ajudar as empresas a enfrentar os riscos de bancarrota", lê-se no documento.
Outra ideia, são medidas de redução do endividamento das empresas, que "também devem ser consideradas", diz a OCDE, exemplificando que será possível "converter empréstimos em transferências a fundo perdido". Esta solução, argumenta a organização, pode evitar uma onda de falências e também evitar que as dívidas pesem de tal forma no futuro da empresa que comprometam ainda mais o investimento.
As duas medidas têm vindo a ser defendidas pelas organizações empresariais, que temem que as empresas não tenham capacidade para, no futuro, fazer face aos pagamentos adiados durante a pandemia.
As iniciativas para acelerar os processos de insolvência sem recurso aos tribunais são também recomendadas e a OCDE sugere ainda que o Governo encoraje a utilização dos transportes públicos e de outros sistemas de transportes partilhados, para reduzir a poluição do ar e os riscos de saúde associados.
A OCDE avisa que deixar as empresas com uma montanha de dívida vai comprometer o investimento, o que prejudica a retoma da economia portuguesa.
No caso de haver uma segunda vaga de covid-19 no final deste ano, a OCDE recomenda ao Governo português que intensifique os apoios às famílias e empresas. Em concreto, pode por exemplo ser preferível transformar os adiamentos do pagamento das obrigações fiscais em reduções efetivas de impostos, e aumentar a cobertura dos apoios, defende a organização. Os conselhos constam do Economic Outlook da OCDE, publicado esta quarta-feira.
"O Governo implementou um conjunto de medidas para apoiar a economia e anunciou um pacote de estímulos adicionais, para facilitar uma retoma rápida", começa por reconhecer a organização liderada por Ángel Gurría, no documento. "Porém, podem ser necessários estímulos adicionais", admite.
"Caso se verifique uma segunda vaga da pandemia, aumentar a taxa líquida de substituição dos mecanismos temporários de emprego pode ajudar a apoiar melhor o rendimento das famílias", defende a OCDE. A organização está a referir-se a mecanismos de emprego subsidiado, como os apoios dados aos trabalhadores que estão em lay-off. Ora, se este apoio for mais robusto, pode em contrapartida substituir outros mecanismos, como é o caso dos apoios ao pagamento das rendas, exemplifica o documento.
Do lado das empresas, e "para evitar mais falências, é crucial complementar as garantias públicas em empréstimos com outras medidas de ação política para assegurar a sua viabilidade", argumenta. E também aqui exemplifica: "parte do adiamento de impostos pode ter de ser convertida em corte de impostos para ajudar as empresas a enfrentar os riscos de bancarrota", lê-se no documento.
Outra ideia, são medidas de redução do endividamento das empresas, que "também devem ser consideradas", diz a OCDE, exemplificando que será possível "converter empréstimos em transferências a fundo perdido". Esta solução, argumenta a organização, pode evitar uma onda de falências e também evitar que as dívidas pesem de tal forma no futuro da empresa que comprometam ainda mais o investimento.
As duas medidas têm vindo a ser defendidas pelas organizações empresariais, que temem que as empresas não tenham capacidade para, no futuro, fazer face aos pagamentos adiados durante a pandemia.
As iniciativas para acelerar os processos de insolvência sem recurso aos tribunais são também recomendadas e a OCDE sugere ainda que o Governo encoraje a utilização dos transportes públicos e de outros sistemas de transportes partilhados, para reduzir a poluição do ar e os riscos de saúde associados.
27.5.20
OMS alerta para segunda vaga em áreas que estão a recuperar. Há mais 90 mil casos de infecção em todo o mundo
Claudia Carvalho Silva, Hélio Carvalho , Sofia Correia Baptista, Rita Robalo Rosa e Miguel Dantas, in Público on-line
Há mais 14 mortes e 165 novos casos em Portugal. Duas crianças internadas na Estefânia nos cuidados intensivos – em “doenças crónicas graves”.
Lobby farmacêutico bloqueou Bruxelas na investigação aos coronavírus em 2018, acusam ONG. Itália regista menor número de contágios dos últimos dias.
Os EUA anunciaram que vão proibir a entrada de cidadãos estrangeiros que tenham estado no Brasil nos últimos 14 dias. O estado de Nova Iorque tem mais mortes do que Espanha. Pelo mundo, há 5,4 milhões de infectados desde o início da pandemia, havendo 345 mil mortes e 2,1 milhões de recuperados.
Há mais 14 mortes e 165 novos casos em Portugal. Duas crianças internadas na Estefânia nos cuidados intensivos – em “doenças crónicas graves”.
Lobby farmacêutico bloqueou Bruxelas na investigação aos coronavírus em 2018, acusam ONG. Itália regista menor número de contágios dos últimos dias.
Os EUA anunciaram que vão proibir a entrada de cidadãos estrangeiros que tenham estado no Brasil nos últimos 14 dias. O estado de Nova Iorque tem mais mortes do que Espanha. Pelo mundo, há 5,4 milhões de infectados desde o início da pandemia, havendo 345 mil mortes e 2,1 milhões de recuperados.
19.5.20
OMS avisa que a Europa pode enfrentar uma segunda vaga letal de covid-19 a partir do Outono
José Volta e Pinto, in Público on-line
O director regional da Organização Mundial da Saúde para a Europa, Hans Kluge, avisa que o abrandamento da pandemia nos países europeus não “é o momento para celebrações, mas sim um momento para preparativos”.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) avisou que os países europeus devem preparar-se para uma segunda vaga letal de infecções da pandemia. O alerta foi feito pelo director regional para a Europa, Hans Kluge, em declarações ao jornal britânico The Telegraph.
Hans Kluge recomendou que os países europeus que estão a começar a levantar as restrições de circulação e actividade económica olhem para os exemplos de Singapura e do Japão, que “entenderam desde cedo que este não é o momento para celebrações, mas sim um momento para preparativos”.
Ainda que alguns países estejam a verificar um abrandamento do número de novos casos – como Portugal, por exemplo –, tal não significa que a pandemia já terminou. Quando muito, é apenas uma alteração do epicentro do surto na Europa, que começou por ser na região da Lombardia, em Itália, estando agora no Este do continente, onde a Rússia tem detectado consecutivamente mais de 10 mil casos por dia.
O responsável da OMS confessou estar “muito preocupado” com uma segunda vaga da pandemia, que a chegar algures durante o Outono iria coincidir com surtos de outras doenças infecciosas.
“No Outono, podemos vir a ter uma segunda vaga de covid-19 e outra de gripe sazonal ou sarampo. Há dois anos tínhamos 500 mil crianças que ainda não tinham tido a sua primeira vacina contra o sarampo”, exemplificou.
Hans Kluge lembrou o que se verifica nas pandemias que existiram ao longo da história, como a gripe espanhola, que surgiu em Março de 1918 e voltou mais agressiva e letal na segunda vaga, durante o Outono do mesmo ano.
“Sabemos pela história que, em pandemias, os países que não foram atingidos numa fase inicial podem ser atingidos numa segunda vaga. O que vamos ver em África e na Europa do Leste? Estão atrás da curva. Alguns países dizem “Não somos como a Itália” e depois, duas semanas volvidas, boom! Infelizmente, podem ser atingidos por uma segunda vaga, por isso temos de ser muito cuidadosos”, avisou Kluge.
O director referiu que a falta de um tratamento eficaz ou de uma vacina obriga a que quaisquer medidas de isolamento sejam acompanhadas de medidas rigorosas de saúde pública, tais como o rastreio de contactos e uma grande aposta nos testes de despistagem.
Além disso, a ausência de uma cura ou tratamento faz com que qualquer alívio nas restrições tenha de ser feito de forma “gradual”. Porém, a retoma da actividade não significa um regresso à normalidade. “As pessoas pensam que o confinamento terminou. Nada mudou. As medidas de controlo da doença têm de estar em vigor. Essa é a mensagem chave.”
Na entrevista ao jornal britânico, Hans Kluge afirmou esperar que a pandemia possa mostrar aos governos que a saúde deve estar no topo da agenda política. “Onde não há saúde, não há economia. É uma lição que não pode ser esquecida.”
O director regional da Organização Mundial da Saúde para a Europa, Hans Kluge, avisa que o abrandamento da pandemia nos países europeus não “é o momento para celebrações, mas sim um momento para preparativos”.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) avisou que os países europeus devem preparar-se para uma segunda vaga letal de infecções da pandemia. O alerta foi feito pelo director regional para a Europa, Hans Kluge, em declarações ao jornal britânico The Telegraph.
Hans Kluge recomendou que os países europeus que estão a começar a levantar as restrições de circulação e actividade económica olhem para os exemplos de Singapura e do Japão, que “entenderam desde cedo que este não é o momento para celebrações, mas sim um momento para preparativos”.
Ainda que alguns países estejam a verificar um abrandamento do número de novos casos – como Portugal, por exemplo –, tal não significa que a pandemia já terminou. Quando muito, é apenas uma alteração do epicentro do surto na Europa, que começou por ser na região da Lombardia, em Itália, estando agora no Este do continente, onde a Rússia tem detectado consecutivamente mais de 10 mil casos por dia.
O responsável da OMS confessou estar “muito preocupado” com uma segunda vaga da pandemia, que a chegar algures durante o Outono iria coincidir com surtos de outras doenças infecciosas.
“No Outono, podemos vir a ter uma segunda vaga de covid-19 e outra de gripe sazonal ou sarampo. Há dois anos tínhamos 500 mil crianças que ainda não tinham tido a sua primeira vacina contra o sarampo”, exemplificou.
Hans Kluge lembrou o que se verifica nas pandemias que existiram ao longo da história, como a gripe espanhola, que surgiu em Março de 1918 e voltou mais agressiva e letal na segunda vaga, durante o Outono do mesmo ano.
“Sabemos pela história que, em pandemias, os países que não foram atingidos numa fase inicial podem ser atingidos numa segunda vaga. O que vamos ver em África e na Europa do Leste? Estão atrás da curva. Alguns países dizem “Não somos como a Itália” e depois, duas semanas volvidas, boom! Infelizmente, podem ser atingidos por uma segunda vaga, por isso temos de ser muito cuidadosos”, avisou Kluge.
O director referiu que a falta de um tratamento eficaz ou de uma vacina obriga a que quaisquer medidas de isolamento sejam acompanhadas de medidas rigorosas de saúde pública, tais como o rastreio de contactos e uma grande aposta nos testes de despistagem.
Além disso, a ausência de uma cura ou tratamento faz com que qualquer alívio nas restrições tenha de ser feito de forma “gradual”. Porém, a retoma da actividade não significa um regresso à normalidade. “As pessoas pensam que o confinamento terminou. Nada mudou. As medidas de controlo da doença têm de estar em vigor. Essa é a mensagem chave.”
Na entrevista ao jornal britânico, Hans Kluge afirmou esperar que a pandemia possa mostrar aos governos que a saúde deve estar no topo da agenda política. “Onde não há saúde, não há economia. É uma lição que não pode ser esquecida.”
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