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20.7.20

ONU alerta que 265 milhões de pessoas correm o risco de morrerem à fome

in SicNotícias

O número de pessoas no mundo que precisam de ajuda humanitária mais do que duplicou devido à pandemia.

As Nações Unidas dizem que, por causa da pandemia, para além dos milhões de mortos e doentes, 265 milhões de pessoas correm o risco de morrerem à fome, até ao final deste ano, em todo o mundo.


E que, se nada for feito, será impossível garantir o controlo das cadeias de contágio nos países mais pobres, com consequências de proporções trágicas, que acabarão por afetar o mundo inteiro.

Covid-19:

Genebra, 17 jul 2020 (Lusa) -- A ONU aumentou hoje para 10,3 mil milhões de dólares (cerca de nove mil milhões de euros) o valor do financiamento necessário para responder às consequências humanitárias, à escala global, da atual pandemia do novo coronavírus.

"O número de pessoas no mundo que precisam de ajuda humanitária mais do que duplicou devido à pandemia da (doença) covid-19 e aos efeitos do bloqueio global das economias e das sociedades", afirmou hoje em Genebra (Suíça) o porta-voz do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês), Jens Laerke.

No início deste ano, as agências humanitárias do sistema da ONU prestavam assistência a cerca de 110 milhões de pessoas, segundo referiu o representante.

Agora, e perante o atual contexto, estas agências precisam de ajudar cerca de 250 milhões de pessoas em 63 países.

Nas mesmas declarações em Genebra, Jens Laerke lembrou que a ONU pediu inicialmente, em março passado, dois mil milhões de dólares (1,75 mil milhões de euros) para responder de imediato às consequências da pandemia.

O apelo da ONU para a angariação de fundos junto da comunidade internacional seria atualizado em maio, tendo sido então aumentado para 6,7 mil milhões de dólares (5,8 mil milhões de euros).
Jens Laerke referiu que este apelo de fundos pretende cobrir o fornecimento de serviços de saúde básicos, mas, segundo precisou, a maior fatia será direcionada para carências não relacionadas com cuidados médicos, nomeadamente comida, água, saneamento e abrigos.

"Estamos a assistir a um enorme aumento do número de pessoas com fome, que poderão ser cerca de 270 milhões até ao final do ano", concluiu o representante.

Até ao momento, e do montante solicitado, a ONU recebeu 1,7 mil milhões de dólares (cerca de 1,4 mil milhões de euros).

Desde que o novo coronavírus foi detetado na China, em dezembro do ano passado, a pandemia da doença covid-19 já provocou pelo menos 590 mil mortos e mais de 13,8 milhões de infetados em todo o mundo, segundo o balanço mais recente feito pela agência France-Presse (AFP).

SCA // ANP
Lusa/Fim


9.4.15

Estado Islâmico afugenta voluntários: «É ser puramente louco»

in TVI24

Atuação dos grupos radicais está a condicionar a participação de pessoas em missões humanitárias internacionais, segundo o presidente da AMI, Fernando Nobre

Os «atos de barbaridade» do Estado Islâmico estão a afugentar os voluntários da Assistência Médica Internacional. O presidente da AMI deixa essa advertência, alertando que há menos pessoas a integrar missões humanitárias internacionais por causa disso. Fernando Nobre defende «novas estratégias» para ultrapassar o problema, uma vez que entrar agora em países como a Síria é ser «suicidário» e «puramente louco».

«Só há uma maneira de intervir para que as agências humanitárias possam fazer o seu trabalho de forma eficaz, coerente e com equidade junto das populações: é que seja imposto um ciclo de segurança», o que pressupõe a «adoção de novas estratégias» para permitir que as mesmas operem em zonas de conflito.

Fernando Nobre falava à Lusa a propósito do anúncio quarta-feira da Organização Mundial da Saúde (OMS) da criação de um novo organismo que irá integrar equipas médicas devidamente qualificadas em todo o mundo, prontas para intervir em caso de emergências graves, tais como epidemias, terremotos e tsunamis.

«Hoje, para uma agência humanitária como a AMI entrar pela Síria adentro para tentar atuar em território sob controlo do (grupo) Estado Islâmico é ser puramente suicidário, já não é ser temerário»

«A questão da segurança dos agentes humanitários está no primeiro nível das prioridades para todas as instituições».

«Hoje, o que tolhe completamente a nossa intervenção não são as epidemias e a questão dos desastres ligados às alterações climáticas que vai acontecendo cada vez mais frequentemente e com maior violência. O que está a coartar a nossa intervenção são exatamente os conflitos ditos atípicos com entidades completamente fora do controlo”, situações que, de resto, “só podem ser ultrapassadas com o controlo destes grupos».

No caso da Síria, ainda esta semana a Organização das Nações Unidas advertiu que há «mais desespero do que nunca» entre os refugiados que ali vivem em campos controlados pelos radicais, e que precisam de ajuda humanitária urgentemente.

De acordo com o presidente da AMI, «os movimentos humanitários estão totalmente impedidos de intervir porque, ao interceder em países como o Quénia, Somália, no Mali, onde os próprios grupos humanitários são alvos preferenciais, já não é ser temerário, é ser puramente louco».

«Essas instituições são vistas como parte integrante de um mundo que esses movimentos de pura barbaridade e sem o mínimo respeito pela vida humana, não aceitam», por isso, «é suicidário tentar atuar lá, porque vão ser imediatamente mortos a tiro ou degolados»

Daí que Fernando Nobre defenda que «é preciso que nestas situações a comunidade internacional, sob mandato das Nações Unidas, tenha coragem, vontade, determinação e ousadia para pôr termo a estas situações, para que não aconteça o mesmo que se passou há 20 anos no Ruanda», onde houve um genocídio, em 1994, alertou.

Questionado pela Lusa se a atuação de grupos armados de cariz religioso, e não só, como o Estado Islâmico, no Médio, Oriente, bem como o Boko Haram e al-Shebab, em África, está a retrair os voluntários para as agências humanitárias, Fernando Nobre respondeu: «Absolutamente, sim».

«Está a retrair, porque somos temerários. Ninguém avança para uma intervenção se sabe que tem 100% de hipóteses de ser degolado, só sendo mesmo louco. Eles (grupos armados) veem-nos como parte de uma sociedade que as odeiam, as hostilizam e que as querem destruir. E nós somos apenas uma parte desta sociedade que eles não toleram»

De acordo com o assistente humanitário, atualmente há zonas em que as intervenções diretas das agências são «complementadas vedadas», por isso, a sua intervenção deve ser feita clandestinamente, por intermédio de instituições locais, como, de resto, já aconteceu no passado.

«Eu sou daqueles que na minha vida humanitária já entrou clandestinamente para desenvolver missões humanitárias – no Chade, em 1981, em Beirute (1982), no fim da guerra do Irão-Iraque (1981), mas nós não éramos procurados para sermos assassinados. Hoje, somos alvo preferenciais para sermos capturados e executados, e ai há que ter a máxima prudência, evidentemente», concluiu Fernando Nobre.

Menos voluntários devido barbárie de grupos como Estado Islâmico, diz presidente da AMI

in o Observador

O presidente da AMI, Fernando Nobre, admitiu que "os atos de barbaridade" praticados por grupos como o Estado Islâmico estão a condicionar os voluntários que desejam trabalhar em missões humanitárias

O responsável da Assistência Médica Internacional (AMI) falava à Lusa a propósito do anúncio quarta-feira da Organização Mundial da Saúde (OMS) da criação de um novo organismo que irá integrar equipas médicas devidamente qualificadas em todo o mundo prontas para intervir em caso de emergências graves, tais como epidemias, terremotos e tsunamis.

Em declarações à Lusa, Fernando Nobre considerou que “só há uma maneira de intervir para que as agências humanitárias possam fazer o seu trabalho de forma eficaz, coerente e com equidade junto das populações: é que seja imposto um ciclo de segurança”, o que pressupõe a “adoção de novas estratégias” para permitir que as mesmas operem em zonas de conflito.

“Hoje, para uma agência humanitária como a AMI entrar pela Síria adentro para tentar atuar em território sob controlo do (grupo) Estado Islâmico é ser puramente suicidário, já não é ser temerário”, afirmou o médico, assinalando que atualmente “a questão da segurança dos agentes humanitários está no primeiro nível das prioridades para todas as instituições”.

“Hoje, o que tolhe completamente a nossa intervenção não são as epidemias e a questão dos desastres ligados às alterações climáticas que vai acontecendo cada vez mais frequentemente e com maior violência. O que está a coartar a nossa intervenção são exatamente os conflitos ditos atípicos com entidades completamente fora do controlo”, situações que, de resto, “só podem ser ultrapassadas com o controlo destes grupos”, acrescentou.

De acordo com o presidente da AMI, “os movimentos humanitários estão totalmente impedidos de intervir porque, ao interceder em países como o Quénia, Somália, no Mali, onde os próprios grupos humanitários são alvos preferenciais, já não é ser temerário, é ser puramente louco”.

“Essas instituições são vistas como parte integrante de um mundo que esses movimentos de pura barbaridade e sem o mínimo respeito pela vida humana, não aceitam”, por isso, “é suicidário tentar atuar lá, porque vão ser imediatamente mortos a tiro ou degolados”, disse.

“É preciso que nestas situações a comunidade internacional, sob mandato das Nações Unidas, tenha coragem, vontade, determinação e ousadia para pôr termo a estas situações, para que não aconteça o mesmo que se passou há 20 anos no Ruanda”, onde houve um genocídio, em 1994, alertou.

Questionado pela Lusa se a atuação de grupos armados de cariz religioso, e não só, como o Estado Islâmico, no Médio, Oriente, bem como o Boko Haram e al-Shebab, em África, está a retrair os voluntários para as agências humanitárias, Fernando Nobre respondeu: “absolutamente, sim”.

“Está a retrair, porque somos temerários. Ninguém avança para uma intervenção se sabe que tem 100% de hipóteses de ser degolado, só sendo mesmo louco. Eles (grupos armados) veem-nos como parte de uma sociedade que as odeiam, as hostilizam e que as querem destruir. E nós somos apenas uma parte desta sociedade que eles não toleram”, frisou.

De acordo com o assistente humanitário, atualmente há zonas em que as intervenções diretas das agências são “complementadas vedadas”, por isso, a sua intervenção deve ser feita clandestinamente, por intermédio de instituições locais, como, de resto, já aconteceu no passado.

“Eu sou daqueles que na minha vida humanitária já entrou clandestinamente para desenvolver missões humanitárias — no Chade, em 1981, em Beirute (1982), no fim da guerra do Irão-Iraque (1981), mas nós não éramos procurados para sermos assassinados. Hoje, somos alvo preferenciais para sermos capturados e executados, e ai há que ter a máxima prudência, evidentemente”, concluiu Fernando Nobre.