Sérgio Aníbal, in Público
Preços dos serviços de alojamento aceleraram em Agosto e são agora os que registam uma variação mais forte face ao ano passado.
Com mais uma subida de 10% só no mês de Agosto, os preços dos quartos de hotel ou do alojamento local passaram a ser, entre as diversas subclasses de bens e serviços utilizadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), os que tiveram um maior agravamento face ao ano passado, contribuindo de forma significativa para que a inflação voltasse a subir em Portugal no mês passado.
Os dados definitivos dos preços suportados pelos consumidores ontem publicados pelo INE vieram confirmar que, em Agosto, se assistiu, pela primeira vez após nove meses seguidos de recuo da inflação, a uma nova aceleração dos preços. A taxa de inflação homóloga, que tinha sido de 3,1% em Julho, subiu para 3,7%.
E no ranking das subidas de preços no último ano passou a estar um novo líder: os serviços de alojamento. Este subgrupo de serviços inclui os preços suportados por quem utiliza um hotel, uma pousada ou qualquer outro tipo de alojamento temporário, e registou, só em Agosto, uma subida de preços de 9,9%. A taxa de inflação homóloga passou de 13,7% em Julho para 18,1% em Agosto – mês em que se realizou a Jornada Mundial da Juventude em Lisboa.
A subida forte dos preços dos alojamentos ao longo do último ano ocorre numa conjuntura de crescimento forte do sector do turismo em Portugal, com taxas de ocupação elevadas, e um reforço do seu peso nas exportações nacionais muito significativo. A forte procura que se tem vindo a registar a partir do momento em que a crise pandémica deixou de afastar os turistas contribui para colocar pressão sobre os preços que são sentidos não só pelos turistas estrangeiros, como também pelos nacionais.
O contributo da subida de preços nestes serviços para o total da inflação é relevante. De acordo com o INE, o contributo do subsubgrupo “Hotéis, motéis, pousadas e serviços de alojamento similares” (que faz parte do subgrupo “Serviços de alojamento”) para a variação mensal de 0,3% registada no total dos preços em Portugal foi de 0,163 pontos percentuais.
O contributo é ainda maior para a evolução da taxa de inflação harmonizada, aquela que usa um critério uniforme ao dos outros países da União Europeia e que inclui os consumos feitos por não residentes no cálculo do peso de cada bem e serviço. É o facto de os preços dos serviços de alojamento serem dos que mais sobem que faz com que, neste momento, a taxa de inflação harmonizada em Portugal (5,3% em Agosto) seja substancialmente maior do que a taxa de inflação calculada pelo INE com os critérios apenas usados em Portugal (3,7%).
Combustíveis de novo a subir
A subida da inflação homóloga dos preços dos serviços de alojamento, no entanto, não foi o principal motivo por parte da aceleração da inflação total registada em Agosto.
O principal problema foi que, em Agosto, ao contrário do que vinha acontecendo desde a segunda metade do ano passado, os preços dos combustíveis voltaram a registar uma trajectória ascendente acentuada.
De acordo com os dados do INE, o preço do gasóleo subiu 10,5% face ao valor registado em Julho, contribuindo só por si com mais de 0,2 pontos para a variação mensal total do Índice de Preços no Consumidor (IPC) de 0,3%. Já na gasolina, a subida dos preços foi de 8,1%, com um contributo de um pouco mais de 0,1 pontos para a inflação mensal total.
Acrescentando a isto o facto de Agosto de 2022 ter sido um mês em que os preços dos combustíveis recuaram, criaram-se as condições para que se assistisse a uma retoma muito significativa da taxa de variação homóloga dos preços dos combustíveis. Se, em Julho, este indicador ainda era claramente negativo, revelando uma descida de preços face ao mesmo mês do ano passado de 18%, em Agosto a variação homóloga negativa passou a ser de apenas 2,6%.
Segundo o INE, os preços dos combustíveis “contribuíram em 0,7 pontos percentuais para o aumento da variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor”, que em Agosto foi de 0,6 pontos percentuais, de 3,1% para 3,7%.
O INE confirmou ainda, nos dados definitivos da inflação de Agosto publicados esta terça-feira, que a taxa de inflação homóloga subjacente, que exclui os preços da energia e dos bens alimentares, desceu de 4,7% em Julho para 4,5% em Agosto, tendo a inflação nos bens energéticos passado de -14,9% para 6,5% (com a ajuda decisiva dos combustíveis) e a inflação nos bens alimentares diminuído de 6,8% para 6,4%.
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12.9.23
INE confirma subida de 6,9% no valor das rendas para 2024
O Instituto Nacional de Estatística confirmou uma subida em 6,9% do valor das rendas para o próximo ano, tendo em conta a variação média dos últimos 12 meses do Índice de Preços no Consumidor (IPC).
Os dados foram apresentados esta terça-feira e confirmam que, sem uma atuação por parte do Governo, as rendas vão sofrer o maior aumento em 30 anos.
Numa renda de 500 euros, acresceriam mais quase 35 euros por mês, estima a Associação de Inquilinos Lisbonenses.
No ano passado e perante a perspetiva de uma atualização das rendas de 5,43%, o Executivo socialista avançou com uma norma travão que limitou a subida a um máximo de 2%. Em 2022, o aumento foi de 0,43%, depois de, em 2021, não ter havido qualquer atualizção dado que a inflação foi negativa.
Porém, ainda não é conhecida qualquer posição do Executivo liderado por António Costa nesta matéria, desconhecendo-se se será ou não imposto um travão aos novos valores das rendas.
Os dados foram apresentados esta terça-feira e confirmam que, sem uma atuação por parte do Governo, as rendas vão sofrer o maior aumento em 30 anos.
Numa renda de 500 euros, acresceriam mais quase 35 euros por mês, estima a Associação de Inquilinos Lisbonenses.
No ano passado e perante a perspetiva de uma atualização das rendas de 5,43%, o Executivo socialista avançou com uma norma travão que limitou a subida a um máximo de 2%. Em 2022, o aumento foi de 0,43%, depois de, em 2021, não ter havido qualquer atualizção dado que a inflação foi negativa.
Porém, ainda não é conhecida qualquer posição do Executivo liderado por António Costa nesta matéria, desconhecendo-se se será ou não imposto um travão aos novos valores das rendas.
O INE já tinha divulgado uma estimativa para estes valores, tendo-os confirmado hoje.
12.7.23
Inflação recua para 3,4% em Junho
Ana Brito, in Público
Queda dos combustíveis contribui para a evolução do índice de preços.
A taxa de inflação homóloga recuou em Junho para os 3,4%.
Os dados finais da inflação divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) atestam os dados da primeira estimativa rápida, apresentada há duas semanas, confirmando que a evolução dos preços dos produtos energéticos e dos alimentos contribuiu para uma descida de 0,6 pontos percentuais face aos 4% de Maio.
Quanto ao indicador de inflação subjacente, ou seja, o índice total sem os produtos alimentares não transformados e os produtos energéticos, registou uma variação de 5,3%, que compara com os 5,4% em Maio.
A desaceleração do índice de preço no consumidor (IPC) “é em parte explicada pelo efeito de base resultante do aumento de preços dos combustíveis verificado em Junho de 2022”, salientou o INE. O instituto recorda que o índice registou "aumentos significativos de preços durante 2022" na maioria dos produtos incluídos na amostra, sendo os produtos energéticos dos que mais subiram.
Assim, qualquer análise do comportamento dos preços este ano "deve ter em conta" os impactos quer das variações homólogas de produtos que encareceram muito em 2022, quer do efeito da eliminação do IVA em diversos bens alimentares essenciais (medida que entrou em vigor em meados de Abril), frisa a autoridade estatística.
[...]
Produtos energéticos continuam a descer
[...]
Na próxima semana, dia 19 de Julho, o Eurostat deverá divulgar os dados do IHPC de Junho para os países da zona euro, mas as contas divulgadas há duas semanas apontavam para uma descida dos 6,1% de Maio para 5,5%, um nível muito distante da meta do BCE e um argumento válido para que a instituição liderada por Christine Lagarde continue a subir as taxas de juro de referência para controlar aquilo a que já chamou “um processo inflacionista mais persistente”.
A próxima reunião do conselho de governadores do BCE, em Frankfurt, está agendada para o próximo dia 27 de Julho.
A taxa de inflação homóloga recuou em Junho para os 3,4%.
Os dados finais da inflação divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) atestam os dados da primeira estimativa rápida, apresentada há duas semanas, confirmando que a evolução dos preços dos produtos energéticos e dos alimentos contribuiu para uma descida de 0,6 pontos percentuais face aos 4% de Maio.
Quanto ao indicador de inflação subjacente, ou seja, o índice total sem os produtos alimentares não transformados e os produtos energéticos, registou uma variação de 5,3%, que compara com os 5,4% em Maio.
A desaceleração do índice de preço no consumidor (IPC) “é em parte explicada pelo efeito de base resultante do aumento de preços dos combustíveis verificado em Junho de 2022”, salientou o INE. O instituto recorda que o índice registou "aumentos significativos de preços durante 2022" na maioria dos produtos incluídos na amostra, sendo os produtos energéticos dos que mais subiram.
Assim, qualquer análise do comportamento dos preços este ano "deve ter em conta" os impactos quer das variações homólogas de produtos que encareceram muito em 2022, quer do efeito da eliminação do IVA em diversos bens alimentares essenciais (medida que entrou em vigor em meados de Abril), frisa a autoridade estatística.
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Produtos energéticos continuam a descer
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Na próxima semana, dia 19 de Julho, o Eurostat deverá divulgar os dados do IHPC de Junho para os países da zona euro, mas as contas divulgadas há duas semanas apontavam para uma descida dos 6,1% de Maio para 5,5%, um nível muito distante da meta do BCE e um argumento válido para que a instituição liderada por Christine Lagarde continue a subir as taxas de juro de referência para controlar aquilo a que já chamou “um processo inflacionista mais persistente”.
A próxima reunião do conselho de governadores do BCE, em Frankfurt, está agendada para o próximo dia 27 de Julho.
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