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18.11.15

Desemprego reduz atracção do ensino superior em Portugal

Clara Viana, in Público on-line

Comissão Europeia quer que as instituições do superior olhem mais para o mercado de trabalho. No geral considera que a qualidade dos professores é indispensável para garantir uma melhor educação.

A taxa de desemprego entre os licenciados está a contribuir para que o ensino superior seja menos atractivo para os jovens em Portugal do que noutros países da Europa, alerta a Comissão Europeia (CE) no seu último relatório sobre educação divulgado nesta sexta-feira.

No estudo Education and Training Monitor 2015, a Comissão Europeia lembra que a percentagem de emprego em 2014 de jovens licenciados, entre os 20 e os 34 anos, estava em Portugal nos 73,6% quando a média europeia era então de 80,5%. Segundo o relatório, esta poderá ser uma das razões para que o país não só continue longe da meta estabelecida pela UE para 2020 (40% da população entre os 30 e os 34 anos com o ensino superior), como para o facto de a percentagem de conclusão deste nível de ensino ter sofrido uma queda acentuada.

“A percentagem da população entre os 30 e os 34 anos com ensino superior aumentou muito nos últimos 10 anos, mas, com 31,3% em 2014, continua significativamente abaixo da média europeia (37,9%), e da meta de 40% estabelecida para 2020”, frisa-se no relatório da CE. Em 2005, neste grupo etário a percentagem dos que completaram o ensino superior era inferior a 20%.

Em contraponto a este aumento, Portugal foi contudo o país europeu onde se registou uma maior quebra na taxa de conclusão do ensino superior, frisa-se no relatório da CE, que remete a propósito para um estudo recente sobre a implementação do processo de Bolonha, onde se dá conta que esta diminuição foi de 19 pontos percentuais entre 2008 (86%) e 2011 (67%). Por outro lado, constata a CE, as entradas no ensino superior “têm registado flutuações nos últimos três anos, apesar do aumento do número de estudantes que completam o ensino secundário”. É mais um dos exemplos apontados para sustentar a relação entre desemprego e a redução do poder de atracção do ensino superior em Portugal. O número de candidatos ao ensino superior esteve em queda desde 2010, uma tendência que se interrompeu este ano, com a entrada de mais de 50 mil estudantes no superior.

No geral, a taxa de emprego entre os licenciados na Europa (80,5%) continuava em 2014 a ser superior aos que tinham completado cursos profissionais de nível secundário (70,8%). Mas esta, segundo a CE, é apenas uma parte da questão. A outra tem a ver com esta realidade: as oportunidades de emprego "têm vindo a crescer lentamente para os jovens com o secundário completo, enquanto se regista uma estagnação no que respeita aos que concluíram o ensino superior". Por outro lado, acrescenta-se no relatório, na Europa cerca de 25% de jovens licenciados têm empregos que requerem qualificações inferiores.

Por estas razões, a CE considera que o desafio actual para os Estados-membros é o de “convencer as instituições do ensino superior a estar atentas às necessidades do mercado de trabalho”. E “porque as qualificações e competências adquiridas não são relevantes para sempre”, sobretudo num mundo em acelerada mudança, a CE considera também que os Estados-membros têm de “repensar” as estratégias com vista a garantir a participação da população adulta em acções de formação ao longo da sua vida activa. Actualmente, apenas 10,7% dos europeus entre os 25 e os 64 anos participam nestas, uma percentagem que desce para 4,4% entre os que têm níveis de escolaridades mais baixos.

Na estratégia para 2020, a UE acordou em que esta percentagem deveria situar-se no mínimo nos 15%. Em Portugal, a participação dos adultos em acções de formação desceu de 11,5% em 2011 para 9,6% em 2014.

Qualidade dos professores
No geral, este último relatório da UE confirma que Portugal reduziu significativamente a percentagem dos que abandonam precocemente o sistema de ensino, que passou de 23% em 2011 para 17,4% em 2014. Apesar deste feito, o país continua longe da meta estabelecida para 2020 (10%), frisa-se. Por outro lado, os resultados dos testes PISA de 2012 mostram que ”há um abrandamento dos progressos registados entre 2000 e 2009”, alerta a CE.

Estes testes, promovidos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), destinam-se a avaliar as competências dos jovens de 15 anos em Leitura, Matemática e Ciências. A CE lembra que, em Portugal, “a proporção dos estudantes com desempenhos fracos a Matemática manteve-se nos 24,9%, acima da média europeia (22,1%), enquanto os resultados em Leitura e Ciências mostram uma pequena deterioração entre 2009 e 2012”. Em leitura, os alunos que mostraram não ter as competências básicas passou de 17,6% para 18,8% e em Ciências de 16,5% para 19%.

Entre os problemas que se mantêm em Portugal a CE aponta para o elevado número de alunos que chumbam, uma situação já identificada pelo Conselho Nacional de Educação como a mais grave do sistema educativo português. E também para o peso que a origem socioeconómica continua a ter nos resultados alcançados pelos alunos portugueses.

Para a CE, um dos desafios actuais para promover uma efectiva educação inclusiva passa por garantir a qualidade das ofertas educativas. A qualidade da educação deve começar a ser assegurada logo a partir da pré-escolar, passar pelo reforço do ensino de línguas estrangeiras e sobretudo pela qualificação dos professores. “Todos os esforços para elevar a qualidade dos sistemas educativos na Europa depende em grande medida das competências dos professores e no estabelecimento de elevados padrões de exigência na sua formação inicial”, defende a CE.

5.2.14

Há cerca de 81 mil licenciados sem emprego há mais de um ano

in Público on-line

Mais de metade dos 146 mil desempregados com curso superior são de longa duração. Excesso de qualificações passou a ser um obstáculo

Existem cerca de 81,1 mil licenciados desempregados há mais de um ano, noticia o "Jornal de Notícias", citando dados do INE divulgados pelo Ministério da Economia.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados pelo Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério de Economia, referem-se ao terceiro trimestre do ano passado e apontam para um aumento de 11 mil pessoas face ao mesmo período de 2012 e mais cinco mil pessoas face ao segundo trimestre.

O "Jornal de Notícias" refere que os dados do boletim do emprego do Ministério da Economia mostram “uma realidade bastante adversa para os diplomados no terceiro de trimestre de 2013”.

Neste período o desemprego de longa duração total parecia “estar a dar a volta”. No entanto, escreve o diário, “o grupo dos licenciados não acompanhou a tendência geral, juntamente com os desempregados com o 3.º ciclo do ensino básico concluído”.

Verificou-se uma melhoria no segundo trimestre, mas depois a situação começou a piorar, tendo-se atingido a “segunda marca mais elevada de que há registo”.

O "Jornal de Notícias" cita ainda o estudo Employment and Social Developments in Europe 2013, elaborado por peritos da Direcção-Geral do Emprego da Comissão Europeia que refere que “Portugal é dos países europeus com maior índice de sobrequalificação no emprego”.

O INE deverá divulgar esta quarta-feira os dados do desemprego relativos a 2013.

20.9.12

Desemprego entre licenciados duplicou em quatro anos

in Público on-line (P3)

Em Agosto já eram mais de 80 mil os profissionais com curso superior inscritos no IEFP, uma subida de 54,5% face ao período homólogo de 2011

O desemprego entre os licenciados mais do que duplicou em quatro anos, afectando no final de Agosto mais de 80 mil profissionais com curso superior, segundo os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Em Agosto de 2008, os desempregados inscritos nos centros de emprego totalizavam os 40.850 indivíduos. Quatro anos depois, de acordo com os dados mais recentes disponibilizados pelo IEFP, o número de desempregados com licenciatura alcançou os 83.497 profissionais, uma subida de 54,5 por cento, face ao mesmo mês de 2011.

Num ano, são mais 29.462 os desempregados licenciados a constarem nos ficheiros do IEFP, num total de 83.497. Face a Julho, o número de pessoas inscritas com curso superior aumentou em 9.081 trabalhadores. De acordo com o IEFP, este aumento afectou da mesma forma os homens e as mulheres, embora o grupo das mulheres seja substancialmente maior, com 56.753 licenciadas em situação de desemprego (contra os 26.744 homens na mesma situação).

Apesar da subida do desemprego estar a afectar todos níveis de escolaridade, as maiores subidas verificam-se assim nos profissionais mais qualificados, com os inscritos com o ensino secundário completo a aumentarem também em termos homólogos 36,4 por cento.

O número total de desempregados inscritos nos centros de emprego subiu 26,3 por cento, para 673.421 pessoas, em Agosto, face ao período homólogo, tendo crescido também 2,8 por cento face a Julho, tendo o desemprego subido em todas as regiões do país.

19.9.12

Número de licenciados inscritos nos centros de emprego disparou 54,5% em Agosto para mais de 83 mil

in Público online

Número de licenciados inscritos nos centros de emprego em agosto disparou 54,5 por cento, com o desemprego a afectar já mais de 80 mil profissionais com curso superior, segundo o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Num ano, são mais 29.462 os desempregados licenciados a constarem nos ficheiros do IEFP, num total de 83.497.

Face a Julho, o número de pessoas inscritas com curso superior aumentou em 9.081 trabalhadores.

De acordo com o IEFP, este aumento afectou da mesma forma os homens e as mulheres, embora o grupo das mulheres seja substancialmente maior, com 56.753 licenciadas em situação de desemprego (contra os 26.744 homens na mesma situação).

Apesar da subida do desemprego estar a afectar todos níveis de escolaridade, as maiores subidas verificam-se assim nos profissionais mais qualificados, com os inscritos com o ensino secundário completo a aumentarem também em termos homólogos 36,4 por cento.

O número total de desempregados inscritos nos centros de emprego subiu 26,3 por cento, para 673.421 pessoas, em Agosto, face ao período homólogo, tendo crescido também 2,8 por cento face a Julho, tendo o desemprego subido em todas as regiões do país.

O desemprego de curta duração (inscritos a menos de um ano) aumentou 35 por cento em termos homólogos, enquanto os de longa duração assinalaram uma subida equivalente de 14,4 por cento.

O desemprego jovem (com idade inferior a 25 anos de idade), por sua vez, subiu 34,5 por cento em relação a Agosto de 2012, para 87.768 desempregados.

A subida do número de desempregados inscritos nos centros de emprego aconteceu em todas as regiões de Portugal, afirma o IEFP.

“O aumento foi extensível a todas as regiões do País”, lê-se no documento, que especifica que, olhando para Agosto de 2011, “o Alentejo distinguiu-se com um crescimento de 41,8 por cento, seguindo-se o Algarve (+37,6 por cento) e a Região Autónoma dos Açores (+37,3 por cento)”, lê-se no documento.