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7.5.20

Cascais instala 400 máquinas de venda de máscaras no concelho

Por Notícias ao Minuto

A Câmara de Cascais vai instalar 400 máquinas de venda com pacotes de quatro máscaras a um euro, medida que visa ajudar a população no acesso ao material de proteção, anunciou hoje o presidente da autarquia.

Em declarações à agência Lusa, após o lançamento oficial do programa "Máscaras Gratuitas em Transportes Públicos", que ocorreu hoje de manhã, na estação de comboios de Carcavelos, Carlos Carreiras (PSD) disse que o município tem nesta altura capacidade de fazer chegar máscaras à população.

Esta é, segundo o autarca, mais uma das muitas medidas que a autarquia do distrito de Lisboa tem vindo a implementar para fazer face aos efeitos da covid-19, que inicialmente tinha um investimento de cinco milhões de euros, mas que atualmente já ultrapassa os 10 milhões de euros.

"A câmara ter uma situação económica e financeira robusta foi o que permitiu fazer face a uma necessidade de emergência (...). Numa primeira fase, constituiu-se um fundo de emergência na ordem dos cinco milhões de euros. Neste momento, estará próximo dos 10 milhões e perspetivamos que, com todos os programas que estamos a implementar em Cascais e que são onerosos, até ao final do ano podemos estar com um investimento na ordem dos 20 milhões de euros", disse.

Além da distribuição das máscaras gratuitas aos utentes dos transportes públicos em todas as estações e principais interfaces rodoviários do concelho, enquanto o seu uso for obrigatório, a autarquia decidiu também instalar 400 máquinas de venda automática com este material de proteção.

"Fizemos umas primeiras encomendas que nos trouxeram uma quantidade razoável de máscaras, cerca de três milhões, e estamos neste momento com capacidade de produção própria de cinco milhões de máscaras por mês. Isto deixa-nos com alguma capacidade para podermos abastecer a população, que são mais de 200 mil habitantes", disse.

Cascais antecipou a encomenda de grandes volumes de EPI (equipamentos de proteção individual), ao mesmo tempo que adquiriu máquinas de produção de máscaras que garantiram, segundo Carlos Carreiras, uma produção de cinco milhões de unidades por mês.

"Logo no início disponibilizámos máscaras a um valor mais baixo do que aquele que estava a ser praticado pelo mercado, que eram preços especulativos. Estivemos a disponibilizar máscaras a 70 cêntimos enquanto estivemos a viver o estado de emergência, de forma a que os cidadãos de Cascais tivessem, pelo menos, em cada agregado um familiar que pudesse sair de casa e em segurança", disse.

Quando o país saiu do estado de emergência, indicou Carlos Carreiras, as máscaras disponibilizadas tinham um custo de 25 cêntimos.

"Além disso, vamos instalar 400 dispensadores de máscaras, máquinas de 'vending' que estarão espalhadas por todo o território do município e teremos a acompanhar todo o voluntariado jovem", disse.

O autarca lembrou que Cascais tem por norma campanhas de voluntariado com cerca de dois mil jovens.

"Este ano, todos os programas não serão implementados, mas estão a ser canalizados para questões que se prendem com a situação que estamos a viver. Neste momento, temos 150 jovens que estão a fazer distribuição gratuita de máscaras no concelho", disse.

De acordo com Carlos Carreiras, estas equipas estão também nos terminais ferroviários e rodoviários e nas principais paragens a distribuir máscaras.

Desde segunda-feira, os transportes públicos começaram a ter de circular com lotação máxima de dois terços da sua capacidade e os utentes têm de usar obrigatoriamente máscaras ou viseiras, devido à pandemia da covid-19, prevendo-se coimas entre 120 e 350 euros.

"Além disso, disponibilizamos desde o início a linha +65, com os voluntários a levar máscaras de forma gratuita a casa dos mais velhos e dos que estão em fragilidade económica e social", acrescentou Carlos Carreiras.

Portugal regista hoje 1.105 mortes relacionadas com a covid-19, mais 16 do que na quarta-feira, e 26.715 infetados (mais 533), segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde.

Portugal entrou domingo em situação de calamidade, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta nova fase de combate à covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

7.4.20

Se a pandemia é uma guerra, a máquina de costura é uma arma

Vera Moutinho, in Público on-line

Por estes dias, na fábrica de Natália Guerreiro, no Barreiro, as rotinas são muito diferentes: o chão tem de ser lavado com lixívia de 3 em 3 horas e as máquinas de costura desinfectadas de meia em meia hora, assim com as mãos dos trabalhadores. Há mais de uma semana que as trabalhadoras de uma fábrica de malas, carteiras e cintos de cortiça estão a fazer, voluntariamente, material de protecção para os hospitais Garcia de Orta, em Almada, e para o Centro Hospitalar do Barreiro. "Temos feito cógulas (protecção para a cabeça e pescoço), perneiras e batas. As cógulas podem ter uma segunda utilização, mas as perneiras e batas apenas uma".

Quando Natália Guerreiro se cruzou nas redes sociais com um pedido de costureiras para ajudar a produzir materiais de protecção para centros hospitalares perguntou às trabalhadoras se se queriam juntar a ela. Trabalhadoras que tinha sido obrigada a mandar para casa dias antes. “Infelizmente tivemos de dispensar quem estava a terminar contrato e entrar em lay-off”, explica Natália Guerreiro. A Corkor empregava 16 pessoas e exportava quase 100% da sua produção. De um dia para o outro, as encomendas pararam.

As trabalhadoras responderam positivamente ao apelo de voluntariado. Numa semana apenas, produziram 62 batas, 500 cógulas e 200 perneiras. Todos os dias, cerca de sete costureiras trabalham nas suas máquinas de costura, “às vezes com menos intervalos do que se fosse no trabalho normal”, conta Natália. A fábrica serve ainda de apoio a costureiras do concelho que, a partir das suas casas, estão também a produzir os materiais de protecção.

Ana Pimpista é uma delas. A modista de 31 anos, que juntamente com Inês Batista gerem o atelier Oficina, nos Anjos, em Lisboa, tem costurado cógulas a partir da sua sala de estar. O tecido - que está a ser fornecido quer pelo próprio Hospital Garcia de Orta, quer pela Câmara Municipal do Barreiro - é cortado na fábrica de Natália, que disponibilizou a máquina de corte industrial das suas instalações. Também o atelier de Ana fechou portas e as aulas de costura que dão e muitas encomendas - roupa feita por medida para casamentos ou bailes de finalistas - estão paradas.

Da Câmara Municipal do Barreiro, Natália Guerreiro já recebeu 1250 metros do tecido necessário para o fabrico destes artigos - o TNT, tecido não tecido - que vai sendo cada vez mais difícil de encontrar. “Estamos a tentar adquirir mais para continuarmos a ter stock”, avança Frederico Rosa, presidente da Câmara Municipal do Barreiro. Para além de entregarem os artigos produzidos no Centro Hospitalar, estão também a distribuí-los em lares e quartéis de bombeiros.

“Neste momento a pergunta é: qual é a cor do tecido?”, diz-nos Natália. Têm trabalhado com tecido branco e cinza, mas em caso de necessidade vão utilizar o que houver no mercado. “Venha o vermelho, o preto, o roxo. Qual é a cor da sobrevivência?".