Cristina Pombo, in Expresso
Sem dó nem piedade, as milícias do Al-Shabaab expulsas da capital da Somália por forças governamentais há sete anos continuam a matar e a impor a sua lei islâmica sobre as populações rurais mais pobres. O “Guardian” investigou e contou as atrocidades terríveis que este grupo terrorista com ligações à Al-Qaeda continua a cometer naquele país do Corno de África
O grupo terrorista islâmico Al-Shabaab está a extorquir avultadas quantias de dinheiro a comunidades pobres nas zonas que controla na Somália. Das táticas criminosas desta milícia faz também parte o recrutamento forçado de milhares de crianças-soldado e bombistas suicidas, assim dá conta uma investigação levada a cabo por jornalistas do britânico “The Guardian”.
A informação foi conseguida a partir de documentos dos serviços secretos, transcrições de interrogatórios com desertores e entrevistas realizadas pelo jornal britânico a habitantes das áreas controladas pelo Al-Shabaab.
As populações queixam-se de ataques sistemáticos aos Direitos Humanos, o que passa ao lado das preocupações da maior parte dos analistas que não veem o grupo como uma ameaça à Europa, ao Reino Unido ou aos EUA, diz o “Guardian”.
O grupo é acusado de matar e maltratar homossexuais, de realizar casamentos forçados e usar civis como escudos humanos.
O “Guardian” descobriu vários exemplos do terror infligido a estas populações: em 2017, um homem foi apedrejado até à morte por adultério e outros cinco, entre os quais um jovem de 16 anos, foram fuzilados por alegadamente serem espiões ao serviço das autoridades somalis.
Noutro caso, ainda, um jovem de 20 anos e outro de 15 foram mortos em praça pública depois de serem considerados homossexuais por um tribunal religioso.
Sistema judicial próprio
No decurso de 2017, pelo menos mais cinco pessoas foram açoitadas por “comportamento imoral ou impróprio”. Representantes das Nações Unidas dizem ter sido alertados por várias vezes para apedrejamentos relacionados com adultério naquela região.
O Al-Shabaab chegou a controlar grande parte do centro e sul da Somália, incluindo a capital Mogadíscio, mas ataques das forças do governo obrigaram-no a retirar-se para as zonas rurais há sete anos.
Sanguinário e implacável, o Al-Shabaab tem-se debatido com constrangimentos financeiros, voltando-se agora para a extorsão de dinheiro às populações. Segundo vários relatos, “os muçulmanos são obrigados a pagar por quase tudo exceto pela entrada na mesquita”.
O grupo tem um sistema judicial próprio que muitas pessoas preferem “porque o juiz obedece à lei islâmica [sharia] e não existe nepotismo e corrupção”, disse ao “Guardian” o familiar de uma vítima de violação, cujo violador foi julgado e morto por apedrejamento. “Se tivéssemos recorrido a um tribunal do governo, não teria sido feita justiça porque o violador poderia ter pago algum dinheiro ao tribunal que o libertaria.”
Crianças-suicidas salvas do Al-Shabaab
Um membro arrependido do Al-Shabaab contou que as crianças são colocadas em internatos desde os oito anos, onde são treinadas para combater e integrar unidades de combate a meio da sua adolescência.
“Nessa altura já estão totalmente doutrinadas e fora da influência dos seus pais”, explicou Mohamed Mubarak, diretor de pesquisas do think tank Horn Institute for Security and Strategic Policy.
Segundo as autoridades do país, 32 crianças foram salvas das mãos do Al-Shabaab, em janeiro passado. Tinham sido recrutadas para serem usadas como bombistas suicidas. É também bastante comum usarem as populações como escudos humanos, relatou ao “Guardian” um membro do governo somali, responsável por fiscalizar a ajuda humanitária no centro-sul da Somália. Impedem-nas de se movimentarem porque temem os ataques aéreos se os civis saírem, mas também impõem restrições ao que podem ler ou escutar. A maior parte das pessoas só escutam as estações de rádio do Al-Shabaab e acedem a notícias através de palestras que duram várias horas, essencialmente sobre temas religiosos, nas quais todos são obrigados a participar.
“A vida é muito difícil nas áreas controladas pelo Al-Shabaab. Não há comida, não há ajuda e as crianças estão a ser levadas”, lamentou Mubarak, o diretor do Horn Institute for Security and Strategic Policy.
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21.2.18
Mais bombardeamentos em Ghouta Oriental: "Isto é um massacre", diz médico
in Diário de Notícias
Já morreram 200 civis desde domingo, incluindo dezenas de crianças. ONU diz que a situação "está fora de controle" e exige um cessar-fogo imediato
O regime sírio prosseguiu hoje os bombardeamentos contra o bastião rebelde de Ghouta Oriental matando pelo menos 50 civis, 13 dos quais crianças, elevando a quase 200 os mortos em três dias. "Estamos perante o massacre do século XXI", disse um médico que está na região.
Os números são da organização não-governamental Observatório Sírio dos Direitos Humanos e referem-se apenas às vítimas civis registadas desde domingo naquele enclave da oposição a leste de Damasco, alvo de uma ofensiva do regime desde 05 de fevereiro.
Segundo o Observatório, os bombardeamentos das forças sírias em Ghouta Oriental fizeram 17 mortos no domingo, 127 na segunda-feira e 50 hoje.
No mesmo período, cerca de 850 pessoas foram feridas.
Com 127 mortos e 450 feridos, segunda-feira foi, segundo o Observatório, o dia com mais perdas civis naquela região desde o princípio de 2015.
O intenso bombardeamento da zona visa aparentemente abrir caminho a uma ofensiva terrestre que permita ao regime recuperar o controlo da zona, nas mãos dos rebeldes desde 2012.
Cinco hospitais também foram bombardeados na segunda-feira no leste de Ghouta e dois hospitais foram obrigados a suspender as operações e um outro ficou fora de serviço.
"Estamos perante o massacre do século XXI", disse um médico a operar no leste de Ghouta. "Se o massacre da década de 1990 fosse Srebrenica e os massacres da década de 1980 fossem Halabja e Sabra e Shatila, então o leste de Ghouta é o massacre deste século", afirmou, citado pelo The Guardian.
"Existe terrorismo maior do que matar civis com todo o tipo de armas? Isto é uma guerra? Não, a isto chama-se massacre ", disse o médico, que referiu estar em choque com o que está assistir, como crianças "de apenas um ano" com os pulmões cheios de areia, e dezenas de outras mortas nos últimos ataques.
A ONU disse que a situação está "a ficar fora de controlo" e exigiu o cessar-fogo imediato para permitir que a ajuda humanitária seja entregue e que centenas de civis gravemente doentes e feridos sejam evacuados, de acordo com a BBC.
Já morreram 200 civis desde domingo, incluindo dezenas de crianças. ONU diz que a situação "está fora de controle" e exige um cessar-fogo imediato
O regime sírio prosseguiu hoje os bombardeamentos contra o bastião rebelde de Ghouta Oriental matando pelo menos 50 civis, 13 dos quais crianças, elevando a quase 200 os mortos em três dias. "Estamos perante o massacre do século XXI", disse um médico que está na região.
Os números são da organização não-governamental Observatório Sírio dos Direitos Humanos e referem-se apenas às vítimas civis registadas desde domingo naquele enclave da oposição a leste de Damasco, alvo de uma ofensiva do regime desde 05 de fevereiro.
Segundo o Observatório, os bombardeamentos das forças sírias em Ghouta Oriental fizeram 17 mortos no domingo, 127 na segunda-feira e 50 hoje.
No mesmo período, cerca de 850 pessoas foram feridas.
Com 127 mortos e 450 feridos, segunda-feira foi, segundo o Observatório, o dia com mais perdas civis naquela região desde o princípio de 2015.
O intenso bombardeamento da zona visa aparentemente abrir caminho a uma ofensiva terrestre que permita ao regime recuperar o controlo da zona, nas mãos dos rebeldes desde 2012.
Cinco hospitais também foram bombardeados na segunda-feira no leste de Ghouta e dois hospitais foram obrigados a suspender as operações e um outro ficou fora de serviço.
"Estamos perante o massacre do século XXI", disse um médico a operar no leste de Ghouta. "Se o massacre da década de 1990 fosse Srebrenica e os massacres da década de 1980 fossem Halabja e Sabra e Shatila, então o leste de Ghouta é o massacre deste século", afirmou, citado pelo The Guardian.
"Existe terrorismo maior do que matar civis com todo o tipo de armas? Isto é uma guerra? Não, a isto chama-se massacre ", disse o médico, que referiu estar em choque com o que está assistir, como crianças "de apenas um ano" com os pulmões cheios de areia, e dezenas de outras mortas nos últimos ataques.
A ONU disse que a situação está "a ficar fora de controlo" e exigiu o cessar-fogo imediato para permitir que a ajuda humanitária seja entregue e que centenas de civis gravemente doentes e feridos sejam evacuados, de acordo com a BBC.
20.2.18
Unicef publica nota em branco após novos ataques na Síria
in SicNotícias
A Unicef publicou hoje um comunicado em branco porque está "sem palavras" depois dos ataques de segunda-feira em Ghouta Oriental, perto de Damasco. Cem pessoas morreram, entre as quais 20 crianças e adolescentes.
O documento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, intitulado "A Guerra contra os menores na Síria", só contém uma frase do diretor do Unicef para o Médio Oriente e Norte da África, Geert Cappelaere:
"Nenhuma palavra fará justiça aos menores assassinados, às suas mães, aos pais e aos entes queridos".
O resto da nota permanece em branco e no rodapé da página a Unicef questiona:
"Já não temos palavras para descrever o sofrimento dos menores e a nossa indignação. Aqueles que infligem o sofrimento ainda têm palavras para justificar esses atos bárbaros?"
Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), pelo menos cem pessoas, entre as quais 20 menores e 15 mulheres, perderam a vida, na segunda-feira, devido aos ataques aéreos e de artilharia do Governo sírio contra Guta Oriental, o principal bastião opositor ao regime do Presidente Bashar al-Assad nos arredores de Damasco. Este é o maior número de mortos num dia nessa área desde 2015, afirmou o OSDH.
O Observatório considera que os bombardeamentos das últimas horas equivalem a "uma guerra de extermínio" e acusa o "silêncio internacional" face aos "crimes de Assad" no conflito da Síria que se prolonga há quase sete anos.
Os bombardeamentos contra os civis devem "terminar" imediatamente disse por seu lado o coordenador das Nações Unidas para a Ajuda Humanitária, Panos Moumtzis. "É imperativo por fim, de imediato, ao sofrimento humano", acrescenta Moumtzis, através de um comunicado.
"A recente escalada de violência está a agravar a situação humanitária que já era precária dos 393 mil habitantes de Ghouta oriental, onde se encontram muitos deslocados internos", frisa o responsável das Nações Unidas.
Com Lusa
A Unicef publicou hoje um comunicado em branco porque está "sem palavras" depois dos ataques de segunda-feira em Ghouta Oriental, perto de Damasco. Cem pessoas morreram, entre as quais 20 crianças e adolescentes.
O documento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, intitulado "A Guerra contra os menores na Síria", só contém uma frase do diretor do Unicef para o Médio Oriente e Norte da África, Geert Cappelaere:
"Nenhuma palavra fará justiça aos menores assassinados, às suas mães, aos pais e aos entes queridos".
O resto da nota permanece em branco e no rodapé da página a Unicef questiona:
"Já não temos palavras para descrever o sofrimento dos menores e a nossa indignação. Aqueles que infligem o sofrimento ainda têm palavras para justificar esses atos bárbaros?"
Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), pelo menos cem pessoas, entre as quais 20 menores e 15 mulheres, perderam a vida, na segunda-feira, devido aos ataques aéreos e de artilharia do Governo sírio contra Guta Oriental, o principal bastião opositor ao regime do Presidente Bashar al-Assad nos arredores de Damasco. Este é o maior número de mortos num dia nessa área desde 2015, afirmou o OSDH.
O Observatório considera que os bombardeamentos das últimas horas equivalem a "uma guerra de extermínio" e acusa o "silêncio internacional" face aos "crimes de Assad" no conflito da Síria que se prolonga há quase sete anos.
Os bombardeamentos contra os civis devem "terminar" imediatamente disse por seu lado o coordenador das Nações Unidas para a Ajuda Humanitária, Panos Moumtzis. "É imperativo por fim, de imediato, ao sofrimento humano", acrescenta Moumtzis, através de um comunicado.
"A recente escalada de violência está a agravar a situação humanitária que já era precária dos 393 mil habitantes de Ghouta oriental, onde se encontram muitos deslocados internos", frisa o responsável das Nações Unidas.
Com Lusa
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