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23.1.18

Mais de 80% da riqueza de todo o mundo nas mãos de 1% da população

in Jornal de Notícias

Relatório da ONG Oxfam fez as contas. Em 2017 aumentou o número de multimilionários no mundo

Mais de 80 por cento da riqueza criada no mundo em 2017 foi parar às mãos dos mais ricos que representam 1 por cento da população mundial, refere um relatório da organização não-governamental Oxfam hoje divulgado.
No relatório "Recompensem o trabalho, não a riqueza", a Comissão de Combate à Fome de Oxford (Oxfam, no acrónimo em inglês da confederação de 17 organizações não-governamentais) refere que metade da população mundial não ficou com qualquer parcela daquela riqueza.
Segundo a Oxfam, houve um aumento histórico no número de multimilionários no mundo: "atualmente existem 2.043 multimilionários no mundo e 9 em cada 10 são homens".

O estudo calculou que a riqueza dos multimilionários aumentou 13% ao ano em média desde 2010, seis vezes mais do que os aumentos dos salários pagos aos trabalhadores (2% ao ano).
O mesmo relatório indicou que em 2017 a riqueza desse grupo aumentou 762 mil milhões de dólares (622,8 mil milhões de euros), uma verba suficiente para acabar mais de sete vezes com a pobreza extrema no mundo.
Para a organização não-governamental, o crescimento sem precedentes do número de bilionários não é um sinal de uma economia próspera, mas um sintoma de um sistema extremamente problemático já que mais de metade da população mundial tem um rendimento diário entre 2 e 10 dólares (entre 1,6 euros e 8,1 euros).

"Enquanto o 1% mais rico ficou com 27% do crescimento do rendimento global entre 1980 e 2016, a metade mais pobre do mundo ficou com 13%", refere o relatório.

"Mantendo o mesmo nível de desigualdade, a economia global precisaria ser 175 vezes maior para permitir que todos passassem a ganhar mais de 5 dólares (4 euros) por dia", concluiu a análise.

O lançamento do relatório internacional da Oxfam é feito na véspera do Fórum Económico Mundial, que junta os principais líderes políticos e empresariais do mundo na cidade de Davos, na Suíça, entre 23 e 26 de janeiro.

14.2.17

Relatório OXFAM: uma economia para os 99%

in Observatório das Desigualdades

Apenas 8 pessoas detêm património equivalente a mais de metade da população mundial

No relatório recente publicado em Janeiro último pela OXFAM sobre a situação atual das desigualdades no mundo, conclui-se que: “novas estimativas indicam que o património de apenas oito homens é igual ao de metade mais pobre do mundo”.

O presente relatório relembra a preocupação geral em torno das desigualdades, identifica as causas para a mesma, os argumentos que sustentam as desigualdades e aponta potenciais vias para reverter a atual situação.

Em 2012, no Fórum Económico Mundial, o aumento da desigualdade económica foi apontado como uma grande ameaça à estabilidade social, mais tarde, o Banco Mundial vinculou como objetivo erradicar a pobreza e a necessidade de promover uma prosperidade partilhada. Já em 2016, Barack Obama no seu discurso de despedida na Assembleia Geral da ONU referiu que “um mundo no qual 1% da população controla a riqueza equivalente à dos restantes 99% nunca será estável”. Perante este cenário, o relatório aponta como efeito do não combate à desigualdade a possibilidade de desintegração das sociedades, o aumento da criminalidade e a falta de esperança.

Como causas para a desigualdade, foram identificadas alguns factos, como as empresas estão atualmente a trabalhar para os mais ricos, onde segundo estimativas da Oxfam, as 10 maiores empresas mundiais tiverem entre 2015 e 2016, tantos lucros como o equivalente ao PIB de 180 países. Outro fator que explica o nível de desigualdade verificado prende-se com o facto de serem sacrificados os trabalhadores e os fornecedores, onde por exemplo, na India, o diretor executivo da maior empresa de informática recebe 416 vezes mais do que a média dos funcionários. A evasão fiscal é outro fator apontado. O super-capitalismo dos acionistas também contribui para o aumento das desigualdades, onde no Reino Unido, em 1070, 10% dos lucros eram distribuídos pelos acionistas, e em 2016 essa percentagem passou para os 70%. Os lobbies, ou capitalismo de camaradagem ajuda a justificar a desigualdade, principalmente pela via da manutenção destas posições privilegiadas, mantendo influência nas regulações e políticas públicas nacionais e internacionais. O papel dos super-ricos na crise das desigualdades e ainda a competição entre países para a atração de investimento criando benefícios fiscais são ainda apontados como causas para as desigualdades existentes.

São expostos no relatório 6 argumentos/premissas teóricas que alimentam e impulsionam a economia pensada para os 1% mais ricos. A lista das seis falsas premissas é a seguinte:

O mercado está sempre certo e o papel dos Governos deve ser minimizado;
As empresas precisam de maximizar os seus lucros e retornos para os acionistas a todo o custo;
A riqueza individual extrema é benéfica e um sinal de sucesso, e a desigualdade não é relevante;
O crescimento do PIB deve ser o principal objetivo da formulação de políticas;
O nosso modelo económico é neutro em relação ao género;
Os recursos do nosso planeta são ilimitados;

Para sustentar esta lista de argumentos, a Oxfam no relatório destaca três intervenções, Robert Kennedy, em 1968 afirmou que “O PIB mede tudo, exceto o que faz a vida valer a pena”, já a declaração da responsabilidade do FMI – Fundo Monetário Internacional diz que “Em vez de gerar crescimentos, algumas políticas neoliberais aumentam a desigualdade, colocando em risco uma expansão duradoura”, por fim Charlotte Perkin Gillman afirma que “É impossível melhorar o mundo com tantas pessoas mantidas no fundo”.

Ainda no relatório, são apontados oito bases sólidas de construção de uma economia humana:

Os Governos trabalharem para os 99%;
Os Governos cooperarem, ao invés de competirem;
As empresas trabalharem em beneficio de todos;
A extrema riqueza será eliminada para que a extrema pobreza possa ser erradicada;
A economia funcionar a favor de homens e mulheres igualmente;
A tecnologia ser colocada ao serviço dos 99%;
A economia ser movida por energias renováveis sustentáveis;
O que realmente importa ser valorizado e mensurado.

É ainda, nesta matéria, deixado um aviso pelo relatório, que devemos e podemos construir uma economia humana antes que seja tarde demais.

23.1.17

Oito homens são tão ricos como a metade mais pobre da população mundial

in Público on-line

Os oito mais ricos acumulam entre eles 426 mil milhões de dólares, um valor que equivale à riqueza total de cerca de 3,6 mil milhões de pessoas.

As oito pessoas mais ricas do mundo controlam uma riqueza equivalente àquela que se concentra na metade mais pobre da população mundial, facto que a Oxfam – organização não-governamental internacional – considera “para lá de grotesco”. A organização divulgou estes dados que constam no relatório Uma economia para 99%, acerca da desigual distribuição da riqueza no mundo, que vai ser apresentado no Fórum Económico Mundial, em Davos, Suíça.
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O fosso entre ricos e pobres não é uma novidade, ainda assim revela-se preocupante, diz a Oxfam, que a distância entre estes dois grupos continue a aumentar consideravelmente. Em 2016, era necessária a fortuna dos 62 mais ricos para equivaler à riqueza de metade da população mais pobre do mundo. Em 2017, são precisas apenas as oito pessoas mais ricas. A diferença abismal deve-se a novos dados sobre a pobreza na China e na Índia que se revelaram mais graves do que o esperado, nota o Guardian.

O grupo dos oito mais ricos concentra entre eles cerca de 426 mil milhões de dólares (aproximadamente 400 mil milhões de euros), um valor que equivale à riqueza total da metade mais pobre da população, cerca de 3,6 mil milhões de pessoas.

“O cenário de desigualdes deste ano é bastante claro, mais preciso e mais chocante que nunca. É para lá de grotesco que um grupo de homens que facilmente cabem num carro de golfe possam possuir mais que a metade mais pobre da população mundial”, afirmou o director executivo da Oxfam, Mark Goldring, citado pelo Guardian.

“Uma em cada nove pessoas no planeta vai para a cama com fome, enquanto uma mão-cheia de bilionários têm tanto que precisariam de várias vidas para conseguirem gastar tudo”, acrescentou Goldring, que quer ver implementada uma mudança na economia mundial que funcione para todos e não só para “uma elite privilegiada”.
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Este relatório antecipa o Fórum Económico Mundial, que decorre entre terça e sexta-feira, e que reúne as elites políticas e empresariais. Em Davos, a Oxfam pretende apelar à implementação de um novo modelo económico que torne possível reverter esta tendência de disparidade entre ricos e pobres. Para este ano, prevê-se que a desigualdade económica e a polarização social sejam das ameaças mais salientes no que diz respeito à economia global.

A restrição salarial é uma das razões apresentadas pela organização como causa deste aumento da desigualdade na distribuição da riqueza, que acresce ao facto de as empresas se focarem cada vez mais em premiar os altos funcionários e os mais ricos, tornando-os ainda mais abastados. A evasão fiscal e o comportamento hegemónico das grandes empresas para com os produtores são também apontados pela Oxfam como aspectos que não contribuem para reverter esta tendência.

Bill Gates encabeça os oito mais ricos, um grupo onde consta também a fortuna do dono da Zara, Amancio Ortega; de Warren Buffett, o investidor e chefe executivo da Berkshire Hathaway; de Jeff Bezos, fundador da Amazon; de Carlos Slim, dono do conglomerado Grupo Carso; de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook; de Larry Ellsion, proprietário da norte-americana Oracle; e de Michael Bloomberg, fundador da agência de informação económica e financeira Bloomberg.

19.1.16

Riqueza de 1% da população superou a dos restantes 99% em 2015

in Negócios on-line

A riqueza acumulada por 1% da população mundial, os mais ricos, superou a dos 99% restantes, em 2015, um ano mais cedo do que se previa, segundo a organização não governamental Oxfam, a dois dias do Fórum Económico Mundial de Davos "O fosso entre a franja dos mais ricos e o resto da população (o planeta) aumentou de forma dramática nos últimos doze meses", segundo um relatório da organização não-governamental (ONG) britânica Oxfam , intitulado "Uma economia a serviço de 1%". "No ano passado, a Oxfam estimava que isso acontecesse em 2016. No entanto, aconteceu em 2015: um ano antes", sublinha. Para ilustrar o agravamento das desigualdades durante os últimos anos, a ONG calcula que "62 pessoas possuem tanto capital como a metade mais pobre da população mundial", quando, há cinco anos, era a riqueza de 388 pessoas que estava equiparada a essa metade. A dois dias do Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, onde se vão encontrar os líderes políticos e responsáveis das empresas mais influentes do mundo, a Oxfam apela aos participantes do influente encontro a agir. "Não podemos continuar a deixar que centenas de milhões de pessoas tenham fome, quando os recursos para os ajudar estão concentrados, ao mais alto nível, em tão poucas pessoas", afirma Manon Aubry, directora dos assuntos de justiça fiscal e desigualdades da Oxfam, em França, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP). Segundo a ONG, "desde o início do século XXI que a metade mais pobre da humanidade beneficia de menos de 1% do aumento total da riqueza mundial, enquanto os 1% mais ricos partilharam metade desse mesmo aumento". Para combater o crescimento destas desigualdades, a Oxfam apela ao fim da "era dos paraísos fiscais", sublinhando que nove em dez empresas que figuram entre "os sócios estratégicos" do Fórum Económico Mundial de Davos "estão presentes em pelo menos um paraíso fiscal". "Devemos abordar os Governos, as empresas e as elites económicas presentes em Davos a empenharem-se para acabar com esta era de paraísos fiscais, que alimenta as desigualdades globais, e impedir que centenas de milhões de pessoas da pobreza", diz Winnie Byanyima, diretor-geral da Oxfam International, que estará presente em Davos. No ano passado, vários economistas contestaram a metodologia utilizada pela Oxfam, com a ONG a defender o método utilizado no estudo de forma simples: o cálculo do património líquido, ou seja, os activos detidos menos dívida. A pequena localidade suíça de Davos vai acolher, a partir da próxima quarta-feira, os líderes políticos e responsáveis das empresas mais influentes do mundo para debater a "4.ª revolução industrial", no âmbito do Fórum Económico Internacional Mundial (WEF). Esta 46.ª edição do WEF, que termina a 23 de Janeiro, ocorre numa altura em que o medo da ameaça terrorista e a falta de respostas coerentes para a crise de refugiados na Europa se juntam às dificuldades que a economia mundial encontra para voltar a crescer e à forte desaceleração das economias emergentes. Segundo o presidente do WEF, Klaus Schwab, a "'4.ª revolução industrial' refere-se à fusão das tecnologias", nomeadamente no mundo digital, que "tem efeitos muito importantes nos sistemas político, económico e social".

18.1.16

Há 62 pessoas no mundo tão ricas quanto a metade mais pobre da população

in RR

Aumentou o fosso entre ricos e pobres, revela um estudo da ONG Oxfam. Na quarta-feira, começa o Fórum Económico Mundial de Davos, onde líderes mundiais discutem os temas mais urgentes da actualidade.

O 1% da população mundial que representa os mais ricos do mundo está ainda mais rico e superou, no ano passado, a riqueza dos restantes 99% da população. A informação consta de um relatório divulgado pela organização não-governamental Oxfam, a dois dias do Fórum Económico Mundial de Davos.

Para ilustrar o aumento dramático do fosso entre ricos e pobres, a Oxfam calcula que 62 pessoas possuem hoje tanto capital como a metade mais pobre da população mundial. Há cinco anos, eram precisas 388 pessoas para equiparar essa metade.

A organização acrescenta que a riqueza destas 62 pessoas aumentou 44% desde 2010, enquanto o capital dos 3,5 mil milhões de pobres caiu 41%.

Quase metade dos indivíduos mais ricos são dos Estados Unidos, enquanto 17 pertencem a países europeus e o resto se distribui por países como China, Brasil, México, Japão e Arábia Saudita.

“A preocupação dos líderes mundiais sobre a escalada da desigualdade ainda não teve efeitos práticos. O mundo continua a ser um lugar desigual e a tendência é que esta situação se agrave”, refere o director executivo da Oxfam, Winnie Byanima, em comunicado.

“Não podemos continuar a permitir que centenas de milhões de pessoas passem fome enquanto os recursos que podem ser utilizados para os ajudar são sugados pelos que tudo têm”, acrescenta.

Para combater as desigualdades, a Oxfam apela ao fim da era dos paraísos fiscais, uma vez que, diz, cerca de 30% de toda a riqueza do continente africano estão em paraísos fiscais, que representam perto de 14 mil milhões de dólares em receitas fiscais perdidas todos os anos – o suficiente para assegurar cuidados de saúde a quatro milhões de crianças em risco todos os anos e empregar professores suficientes para dar educação a todas as crianças em África, refere o relatório da ONG.

“As empresas multinacionais e as elites mais ricas estão a jogar com regras diferentes do resto da população, recusando pagar os impostos que a sociedade necessita para funcionar. O facto de 188 das 201 principais empresas estar presente em, pelo menos, um paraíso fiscal m ostra que é tempo de agir”, afirma Byanima.

A Oxfam pede, por isso, acção aos participantes do Fórum Económico Mundial, lembrando que nove em cada dez empresas que figuram entre os sócios estratégicos do Fórum estão presentes em, pelo menos, um paraíso fiscal.

O Fórum Económico Mundial de Davos é uma organização sem fins lucrativos sediada na cidade suíça de Genebra que reúne todos os anos líderes mundiais, empresários e representantes da sociedade civil para debater as questões mais urgentes de actualidade. Tem estatuto de observador no Conselho Económico e Social das Nações Unidas.

A sua próxima reunião acontece entre dos dias 20 e 23 de Janeiro e vai contar com uma intervenção do vice-presidente norte-americano, Joe Biden, sobre o cancro.