Sebastian Temlett, in Euronews
As desigualdades estão a crescer na União Europeia (UE). A Covid-19 agravou - de forma diferente - os problemas já existentes e criou mais tensões no mercado laboral de vários países.A Cáritas Europa diz que são cada vez mais as pessoas que precisam de comida, de roupas e que procuram um teto.
"Os nossos sistemas de apoio social não estão muito bem e as pessoas que estão a perder os empregos ou até mesmo as pessoas com trabalho, mas que têm baixos rendimentos, que se encontram em situações em que a proteção não é adequada, não conseguem dar resposta às necessidades básicas por causa da falta de proteção social", sublinhou, em entrevista à Euronews, Maria Nyman, secretária-geral da Cáritas.
Os salários mínimos variam bastante entre os países europeus.
Na Bulgária, por exemplo, o salário mínimo é de 332 euros, enquanto no Luxemburgo atinge os 2202 euros.
Por outro lado, um em cada quatro jovens não consegue encontrar emprego.
Muitos jovens, oriundos de meios desfavorecidos, são alvo de discriminação.
"Se queremos que a sociedade volte a crescer melhor, precisamos garantir que as pessoas não ficam para trás. Por isso, queremos ver sistemas de proteção social mais fortes", ressalvou Maria Nyman.
De acordo com o Eurostat, o gabinete de estatísticas da União Europeia, uma em cada cinco pessoas está em risco de pobreza no bloco comunitário.
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13.5.20
Pandemia aumenta fosso das desigualdades sociais em Portugal
in Ecoonline
O Barómetro Covid-19 revela que os cidadãos com menos recursos financeiros e menos escolaridade são os mais afetados pela crise provocada pelo coronavírus.
As desigualdades sociais em Portugal agravaram-se por causa do novo coronavírus, segundo o Barómetro Covid-19 da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), que revela que os cidadãos com menos recursos financeiros e menos escolaridade são os mais afetados.
“Os últimos dados do Barómetro Covid-19 mostraram como a pandemia não afeta todos por igual. Agora as respostas dos portugueses ao Opinião Social vêm demonstrar como a covid-19 está a contribuir para aumentar o fosso das desigualdades”, realçou em comunicado a entidade, especificando que as respostas foram recolhidas entre os dias 21 de março e 17 de abril.
Segundo o estudo, as pessoas que ganham menos de 650 euros mensais reportam até quatro vezes mais dificuldade em adquirir máscaras por estas serem caras, e as pessoas com menor escolaridade são as que mais referem não saber, ou não se terem informado sobre como utilizar as máscaras protetoras.
O Grande Confinamento já está a agravar desigualdades
“Pessoas com baixos rendimentos e baixa escolaridade são as que mais reportam ter dificuldades em comprar máscaras e em utilizá-las adequadamente. Simultaneamente, é este o grupo que mais precisa de sair para exercer a sua atividade profissional”, realçou a ENSP, da Universidade Nova de Lisboa.
Já Sónia Dias, coordenadora científica deste estudo, sublinhou que os resultados “são ainda mais inquietantes” quando se observa que quem tem de se deslocar para o local de trabalho tem maior exposição ao risco de contrair a doença.
Ainda em relação ao conhecimento sobre como utilizar as máscaras, o estudo indicou que são duas vezes mais os homens que dizem não as saber usar, comparativamente com as mulheres. E que 43% da população usa máscara protetora somente em determinadas situações, enquanto 51% usa-a sempre que sai de casa. Dos que referem nunca usar máscara, um em cada 10 idosos assume não usar máscara protetora, e são os homens que referem nunca usar, nomeadamente duas vezes mais do que as mulheres.
Da amostra de inquiridos cujo rendimento mensal é inferior a 650 euros, dois em cada três referem tê-lo perdido durante a crise da covid-19, e um em cada dois jovens com idade entre os 16 e os 25 anos reporta ter perdido rendimento, bem como metade dos que têm até ao 9.º ano de escolaridade.
Plano europeu vai “aumentar as desigualdades na zona euro”
Por isso, a entidade destacou que “a crise da covid-19 está a afetar desproporcionadamente os mais vulneráveis”, não só financeiramente, mas também em termos de baixa escolaridade. “Os dados mostram-nos que são as pessoas menos escolarizadas que poderão estar mais expostas: 76% das pessoas com até ao 9.º ano de escolaridade tem de ir para o local de trabalho, enquanto que esta proporção desce para 26% nas pessoas com ensino superior”, salientou Sónia Dias.
Segundo o barómetro, a nível nacional, é no Algarve que se verifica a maior proporção de pessoas que perderam rendimentos (57%), e de pessoas que suspenderam a atividade profissional (30%). Em Portugal, morreram 1.163 pessoas das 27.913 confirmadas como infetadas, e há 3.013 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.
O Barómetro Covid-19 revela que os cidadãos com menos recursos financeiros e menos escolaridade são os mais afetados pela crise provocada pelo coronavírus.
As desigualdades sociais em Portugal agravaram-se por causa do novo coronavírus, segundo o Barómetro Covid-19 da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), que revela que os cidadãos com menos recursos financeiros e menos escolaridade são os mais afetados.
“Os últimos dados do Barómetro Covid-19 mostraram como a pandemia não afeta todos por igual. Agora as respostas dos portugueses ao Opinião Social vêm demonstrar como a covid-19 está a contribuir para aumentar o fosso das desigualdades”, realçou em comunicado a entidade, especificando que as respostas foram recolhidas entre os dias 21 de março e 17 de abril.
Segundo o estudo, as pessoas que ganham menos de 650 euros mensais reportam até quatro vezes mais dificuldade em adquirir máscaras por estas serem caras, e as pessoas com menor escolaridade são as que mais referem não saber, ou não se terem informado sobre como utilizar as máscaras protetoras.
O Grande Confinamento já está a agravar desigualdades
“Pessoas com baixos rendimentos e baixa escolaridade são as que mais reportam ter dificuldades em comprar máscaras e em utilizá-las adequadamente. Simultaneamente, é este o grupo que mais precisa de sair para exercer a sua atividade profissional”, realçou a ENSP, da Universidade Nova de Lisboa.
Já Sónia Dias, coordenadora científica deste estudo, sublinhou que os resultados “são ainda mais inquietantes” quando se observa que quem tem de se deslocar para o local de trabalho tem maior exposição ao risco de contrair a doença.
Ainda em relação ao conhecimento sobre como utilizar as máscaras, o estudo indicou que são duas vezes mais os homens que dizem não as saber usar, comparativamente com as mulheres. E que 43% da população usa máscara protetora somente em determinadas situações, enquanto 51% usa-a sempre que sai de casa. Dos que referem nunca usar máscara, um em cada 10 idosos assume não usar máscara protetora, e são os homens que referem nunca usar, nomeadamente duas vezes mais do que as mulheres.
Da amostra de inquiridos cujo rendimento mensal é inferior a 650 euros, dois em cada três referem tê-lo perdido durante a crise da covid-19, e um em cada dois jovens com idade entre os 16 e os 25 anos reporta ter perdido rendimento, bem como metade dos que têm até ao 9.º ano de escolaridade.
Plano europeu vai “aumentar as desigualdades na zona euro”
Por isso, a entidade destacou que “a crise da covid-19 está a afetar desproporcionadamente os mais vulneráveis”, não só financeiramente, mas também em termos de baixa escolaridade. “Os dados mostram-nos que são as pessoas menos escolarizadas que poderão estar mais expostas: 76% das pessoas com até ao 9.º ano de escolaridade tem de ir para o local de trabalho, enquanto que esta proporção desce para 26% nas pessoas com ensino superior”, salientou Sónia Dias.
Segundo o barómetro, a nível nacional, é no Algarve que se verifica a maior proporção de pessoas que perderam rendimentos (57%), e de pessoas que suspenderam a atividade profissional (30%). Em Portugal, morreram 1.163 pessoas das 27.913 confirmadas como infetadas, e há 3.013 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.
23.1.17
Oito homens são tão ricos como a metade mais pobre da população mundial
in Público on-line
Os oito mais ricos acumulam entre eles 426 mil milhões de dólares, um valor que equivale à riqueza total de cerca de 3,6 mil milhões de pessoas.
As oito pessoas mais ricas do mundo controlam uma riqueza equivalente àquela que se concentra na metade mais pobre da população mundial, facto que a Oxfam – organização não-governamental internacional – considera “para lá de grotesco”. A organização divulgou estes dados que constam no relatório Uma economia para 99%, acerca da desigual distribuição da riqueza no mundo, que vai ser apresentado no Fórum Económico Mundial, em Davos, Suíça.
PUB
O fosso entre ricos e pobres não é uma novidade, ainda assim revela-se preocupante, diz a Oxfam, que a distância entre estes dois grupos continue a aumentar consideravelmente. Em 2016, era necessária a fortuna dos 62 mais ricos para equivaler à riqueza de metade da população mais pobre do mundo. Em 2017, são precisas apenas as oito pessoas mais ricas. A diferença abismal deve-se a novos dados sobre a pobreza na China e na Índia que se revelaram mais graves do que o esperado, nota o Guardian.
O grupo dos oito mais ricos concentra entre eles cerca de 426 mil milhões de dólares (aproximadamente 400 mil milhões de euros), um valor que equivale à riqueza total da metade mais pobre da população, cerca de 3,6 mil milhões de pessoas.
“O cenário de desigualdes deste ano é bastante claro, mais preciso e mais chocante que nunca. É para lá de grotesco que um grupo de homens que facilmente cabem num carro de golfe possam possuir mais que a metade mais pobre da população mundial”, afirmou o director executivo da Oxfam, Mark Goldring, citado pelo Guardian.
“Uma em cada nove pessoas no planeta vai para a cama com fome, enquanto uma mão-cheia de bilionários têm tanto que precisariam de várias vidas para conseguirem gastar tudo”, acrescentou Goldring, que quer ver implementada uma mudança na economia mundial que funcione para todos e não só para “uma elite privilegiada”.
O melhor do Público no email
Este relatório antecipa o Fórum Económico Mundial, que decorre entre terça e sexta-feira, e que reúne as elites políticas e empresariais. Em Davos, a Oxfam pretende apelar à implementação de um novo modelo económico que torne possível reverter esta tendência de disparidade entre ricos e pobres. Para este ano, prevê-se que a desigualdade económica e a polarização social sejam das ameaças mais salientes no que diz respeito à economia global.
A restrição salarial é uma das razões apresentadas pela organização como causa deste aumento da desigualdade na distribuição da riqueza, que acresce ao facto de as empresas se focarem cada vez mais em premiar os altos funcionários e os mais ricos, tornando-os ainda mais abastados. A evasão fiscal e o comportamento hegemónico das grandes empresas para com os produtores são também apontados pela Oxfam como aspectos que não contribuem para reverter esta tendência.
Bill Gates encabeça os oito mais ricos, um grupo onde consta também a fortuna do dono da Zara, Amancio Ortega; de Warren Buffett, o investidor e chefe executivo da Berkshire Hathaway; de Jeff Bezos, fundador da Amazon; de Carlos Slim, dono do conglomerado Grupo Carso; de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook; de Larry Ellsion, proprietário da norte-americana Oracle; e de Michael Bloomberg, fundador da agência de informação económica e financeira Bloomberg.
Os oito mais ricos acumulam entre eles 426 mil milhões de dólares, um valor que equivale à riqueza total de cerca de 3,6 mil milhões de pessoas.
As oito pessoas mais ricas do mundo controlam uma riqueza equivalente àquela que se concentra na metade mais pobre da população mundial, facto que a Oxfam – organização não-governamental internacional – considera “para lá de grotesco”. A organização divulgou estes dados que constam no relatório Uma economia para 99%, acerca da desigual distribuição da riqueza no mundo, que vai ser apresentado no Fórum Económico Mundial, em Davos, Suíça.
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O fosso entre ricos e pobres não é uma novidade, ainda assim revela-se preocupante, diz a Oxfam, que a distância entre estes dois grupos continue a aumentar consideravelmente. Em 2016, era necessária a fortuna dos 62 mais ricos para equivaler à riqueza de metade da população mais pobre do mundo. Em 2017, são precisas apenas as oito pessoas mais ricas. A diferença abismal deve-se a novos dados sobre a pobreza na China e na Índia que se revelaram mais graves do que o esperado, nota o Guardian.
O grupo dos oito mais ricos concentra entre eles cerca de 426 mil milhões de dólares (aproximadamente 400 mil milhões de euros), um valor que equivale à riqueza total da metade mais pobre da população, cerca de 3,6 mil milhões de pessoas.
“O cenário de desigualdes deste ano é bastante claro, mais preciso e mais chocante que nunca. É para lá de grotesco que um grupo de homens que facilmente cabem num carro de golfe possam possuir mais que a metade mais pobre da população mundial”, afirmou o director executivo da Oxfam, Mark Goldring, citado pelo Guardian.
“Uma em cada nove pessoas no planeta vai para a cama com fome, enquanto uma mão-cheia de bilionários têm tanto que precisariam de várias vidas para conseguirem gastar tudo”, acrescentou Goldring, que quer ver implementada uma mudança na economia mundial que funcione para todos e não só para “uma elite privilegiada”.
O melhor do Público no email
Este relatório antecipa o Fórum Económico Mundial, que decorre entre terça e sexta-feira, e que reúne as elites políticas e empresariais. Em Davos, a Oxfam pretende apelar à implementação de um novo modelo económico que torne possível reverter esta tendência de disparidade entre ricos e pobres. Para este ano, prevê-se que a desigualdade económica e a polarização social sejam das ameaças mais salientes no que diz respeito à economia global.
A restrição salarial é uma das razões apresentadas pela organização como causa deste aumento da desigualdade na distribuição da riqueza, que acresce ao facto de as empresas se focarem cada vez mais em premiar os altos funcionários e os mais ricos, tornando-os ainda mais abastados. A evasão fiscal e o comportamento hegemónico das grandes empresas para com os produtores são também apontados pela Oxfam como aspectos que não contribuem para reverter esta tendência.
Bill Gates encabeça os oito mais ricos, um grupo onde consta também a fortuna do dono da Zara, Amancio Ortega; de Warren Buffett, o investidor e chefe executivo da Berkshire Hathaway; de Jeff Bezos, fundador da Amazon; de Carlos Slim, dono do conglomerado Grupo Carso; de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook; de Larry Ellsion, proprietário da norte-americana Oracle; e de Michael Bloomberg, fundador da agência de informação económica e financeira Bloomberg.
19.9.16
Portugueses perderam 116 euros/mês com a crise, pobres foram os mais afetados
in Impala.pt
Os portugueses perderam entre 2009 e 2014 em média 116 euros mensais, uma quebra que afetou especialmente os mais pobres, com quase um terço dos trabalhadores por conta de outrem a ganhar menos de 700 euros mensais.
Os dados fazem parte do último projeto da Fundação Francisco Manuel dos Santos, chamado "Portugal Desigual" e que faz "um retrato das desigualdades dos rendimentos e da pobreza no país".
A Fundação pretende, com dados estatísticos, mostrar quem perdeu mais nos últimos anos de crise, se a classe média ou os mais ricos ou pobres. E mostra que foram os mais pobres.
Os números indicam que de 2009 a 2014 os rendimentos dos portugueses tiveram uma quebra de 12% (116 euros por mês), mas mostram também que o 10% mais pobres perderam 25% por cento do rendimento enquanto os 10% mais ricos apenas perderam 13%.
E a crise afetou sobretudo os mais jovens, segundos os números da Fundação: "os jovens com menos de 25 anos sentiram uma perda de 29% nos seus rendimentos, acima da perda média de rendimentos para o conjunto de todos os portugueses".
Nos anos da crise foram também os que têm mais alta formação académica quem mais perdeu. Especificam os dados que a perda de rendimento para quem tem formação superior foi de 20%, enquanto para quem tem o 6.º ano ou menos foi de 13%. Mas os primeiros têm por norma um rendimento duas vezes acima dos que só fizeram o 6.º ano.
Outros números divulgados demonstram ainda de que forma a crise afetou o mercado de trabalho em Portugal, desde logo na baixa da remuneração média, especialmente nas mulheres, mas também na redução dos vínculos laborais.
Os trabalhadores que entraram em 2012 viram a sua remuneração baixar 11% em relação aos que saíram em 2011. Em 2009 um em cada cinco trabalhadores por conta de outrem recebia por mês menos de 700 euros, em 2014 já era quase um em cada três.
Com tudo isto, dizem os números, 08% dos trabalhadores por conta de outrem vivia há dois anos abaixo do limiar da pobreza, os mais jovens perderam quase um terço dos rendimentos e em termos gerais os salários dos homens caíram 1,5% entre 2009 e 2014 e o das mulheres 10,5%.
No mesmo período o número de pobres aumentou em 116 mil (para 2,02 milhões), com um quarto das crianças e 10,7 por cento dos trabalhadores a viverem abaixo do limiar da pobreza (6,3 % em privação material severa). E hoje um em cada cinco portugueses vive com um rendimento mensal abaixo de 422 euros.
A crise fez aumentar a desigualdade em Portugal (na nona posição em termos de desigualdade) mas também em mais 18 países da União Europeia, especialmente na Grécia e em Espanha.
Dizem os números da Fundação Francisco Manuel dos Santos que em Portugal, em 2009, os 05% mais pobres recebiam 15 vezes menos do que os 05% mais ricos. Em 2014 os 05% mais pobres recebiam 19 vezes menos do que os mais ricos.
O projeto "Portugal Desigual", que é apresentado na segunda-feira, é uma uma iniciativa da Fundação, em parceria com a SIC e o Expresso, que hoje divulga os resultados.
FP // CC.
Lusa/fim
Os portugueses perderam entre 2009 e 2014 em média 116 euros mensais, uma quebra que afetou especialmente os mais pobres, com quase um terço dos trabalhadores por conta de outrem a ganhar menos de 700 euros mensais.
Os dados fazem parte do último projeto da Fundação Francisco Manuel dos Santos, chamado "Portugal Desigual" e que faz "um retrato das desigualdades dos rendimentos e da pobreza no país".
A Fundação pretende, com dados estatísticos, mostrar quem perdeu mais nos últimos anos de crise, se a classe média ou os mais ricos ou pobres. E mostra que foram os mais pobres.
Os números indicam que de 2009 a 2014 os rendimentos dos portugueses tiveram uma quebra de 12% (116 euros por mês), mas mostram também que o 10% mais pobres perderam 25% por cento do rendimento enquanto os 10% mais ricos apenas perderam 13%.
E a crise afetou sobretudo os mais jovens, segundos os números da Fundação: "os jovens com menos de 25 anos sentiram uma perda de 29% nos seus rendimentos, acima da perda média de rendimentos para o conjunto de todos os portugueses".
Nos anos da crise foram também os que têm mais alta formação académica quem mais perdeu. Especificam os dados que a perda de rendimento para quem tem formação superior foi de 20%, enquanto para quem tem o 6.º ano ou menos foi de 13%. Mas os primeiros têm por norma um rendimento duas vezes acima dos que só fizeram o 6.º ano.
Outros números divulgados demonstram ainda de que forma a crise afetou o mercado de trabalho em Portugal, desde logo na baixa da remuneração média, especialmente nas mulheres, mas também na redução dos vínculos laborais.
Os trabalhadores que entraram em 2012 viram a sua remuneração baixar 11% em relação aos que saíram em 2011. Em 2009 um em cada cinco trabalhadores por conta de outrem recebia por mês menos de 700 euros, em 2014 já era quase um em cada três.
Com tudo isto, dizem os números, 08% dos trabalhadores por conta de outrem vivia há dois anos abaixo do limiar da pobreza, os mais jovens perderam quase um terço dos rendimentos e em termos gerais os salários dos homens caíram 1,5% entre 2009 e 2014 e o das mulheres 10,5%.
No mesmo período o número de pobres aumentou em 116 mil (para 2,02 milhões), com um quarto das crianças e 10,7 por cento dos trabalhadores a viverem abaixo do limiar da pobreza (6,3 % em privação material severa). E hoje um em cada cinco portugueses vive com um rendimento mensal abaixo de 422 euros.
A crise fez aumentar a desigualdade em Portugal (na nona posição em termos de desigualdade) mas também em mais 18 países da União Europeia, especialmente na Grécia e em Espanha.
Dizem os números da Fundação Francisco Manuel dos Santos que em Portugal, em 2009, os 05% mais pobres recebiam 15 vezes menos do que os 05% mais ricos. Em 2014 os 05% mais pobres recebiam 19 vezes menos do que os mais ricos.
O projeto "Portugal Desigual", que é apresentado na segunda-feira, é uma uma iniciativa da Fundação, em parceria com a SIC e o Expresso, que hoje divulga os resultados.
FP // CC.
Lusa/fim
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