Sebastian Temlett, in Euronews
As desigualdades estão a crescer na União Europeia (UE). A Covid-19 agravou - de forma diferente - os problemas já existentes e criou mais tensões no mercado laboral de vários países.A Cáritas Europa diz que são cada vez mais as pessoas que precisam de comida, de roupas e que procuram um teto.
"Os nossos sistemas de apoio social não estão muito bem e as pessoas que estão a perder os empregos ou até mesmo as pessoas com trabalho, mas que têm baixos rendimentos, que se encontram em situações em que a proteção não é adequada, não conseguem dar resposta às necessidades básicas por causa da falta de proteção social", sublinhou, em entrevista à Euronews, Maria Nyman, secretária-geral da Cáritas.
Os salários mínimos variam bastante entre os países europeus.
Na Bulgária, por exemplo, o salário mínimo é de 332 euros, enquanto no Luxemburgo atinge os 2202 euros.
Por outro lado, um em cada quatro jovens não consegue encontrar emprego.
Muitos jovens, oriundos de meios desfavorecidos, são alvo de discriminação.
"Se queremos que a sociedade volte a crescer melhor, precisamos garantir que as pessoas não ficam para trás. Por isso, queremos ver sistemas de proteção social mais fortes", ressalvou Maria Nyman.
De acordo com o Eurostat, o gabinete de estatísticas da União Europeia, uma em cada cinco pessoas está em risco de pobreza no bloco comunitário.
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30.4.20
Caritas Europa defende renda mínima para erradicação da pobreza no continente
in Vaticano news
Outros princípios contidos no documento apresentado pela Caritas Europa e suas organizações parceiras, em vista da próxima presidência alemã do Conselho da União Europeia, são o da complementaridade, ou seja, que a contribuição monetária deve ser acompanhada por sistemas de seguridade social, como serviços de saúde, moradia, educação ou assistência à infância. Igualmente, deve ser um programa inclusivo, que também chegue às minorias étnicas e religiosas, incluídos os refugiados, que são frequentemente os mais afetados pela pobreza e exclusão.
"Uma rede de segurança para todos, com um esquema de renda mínima comum". É o que defende a Caritas Europa como forma de os membros da União Europeia (UE) conseguirem a erradicação da pobreza, conforme estabelecido nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Esses objetivos estão garantidos nos Direitos Sociais e na Carta Social do Conselho da Europa, no entanto, os relatórios de 2019 mostram que nem todos os países europeus têm um plano de renda mínima e, se existe, é inadequado.
"É crucial melhorar essa situação e estabelecer padrões europeus de renda mínima para garantir dignidade de vida e convergência social para todos", lê-se no documento apresentado pela Caritas Europa e suas organizações parceiras, em vista da próxima presidência alemã do Conselho da União Europeia, de julho a dezembro de 2020.
Os dez princípios descritos no documento definem os esquemas de renda mínima como benefícios e serviços que, em conjunto, constituem uma rede de segurança para que as pessoas, dentro ou fora do sistema de trabalho, possam ter recursos financeiros suficientes para garantir um padrão de vida digno.
A proposta da instituição caritativa católica considera que, embora as normas europeias para os sistemas de renda mínima devam ser flexíveis, para alcançar a convergência social é necessário que algumas sejam vinculantes desde o princípio e sejam endereçadas a todos os Estados-Membros da UE, enquanto outras devem aplicar-se apenas a cada Estado-Membro.
Não obstante isso, a Caritas Europa recomenda que o sistema de renda mínima seja legalmente vinculante e implementado como uma diretiva da União Europeia para garantir seu cumprimento.
Outros princípios contidos no documento são o da complementaridade, ou seja, que a contribuição monetária deve ser acompanhada por sistemas de seguridade social, como serviços de saúde, moradia, educação ou assistência à infância. Igualmente, deve ser um programa inclusivo, que também chegue às minorias étnicas e religiosas, incluídos os refugiados, que são frequentemente os mais afetados pela pobreza e a exclusão.
A proposta recorda que o comissário para o Emprego e os Direitos sociais, Nicolas Schmit, disse em sua última audiência perante o Parlamento Europeu que existe um interesse comum em garantir que cada cidadão europeu possa viver dignamente. Ele também adverte que o sistema de renda mínima é uma questão que o atual governo alemão mencionou não somente em seu Tratado de Coalizão, no início de 2018, mas será um tema principal durante a presidência alemã do Conselho da UE.
Outros princípios contidos no documento apresentado pela Caritas Europa e suas organizações parceiras, em vista da próxima presidência alemã do Conselho da União Europeia, são o da complementaridade, ou seja, que a contribuição monetária deve ser acompanhada por sistemas de seguridade social, como serviços de saúde, moradia, educação ou assistência à infância. Igualmente, deve ser um programa inclusivo, que também chegue às minorias étnicas e religiosas, incluídos os refugiados, que são frequentemente os mais afetados pela pobreza e exclusão.
"Uma rede de segurança para todos, com um esquema de renda mínima comum". É o que defende a Caritas Europa como forma de os membros da União Europeia (UE) conseguirem a erradicação da pobreza, conforme estabelecido nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Esses objetivos estão garantidos nos Direitos Sociais e na Carta Social do Conselho da Europa, no entanto, os relatórios de 2019 mostram que nem todos os países europeus têm um plano de renda mínima e, se existe, é inadequado.
"É crucial melhorar essa situação e estabelecer padrões europeus de renda mínima para garantir dignidade de vida e convergência social para todos", lê-se no documento apresentado pela Caritas Europa e suas organizações parceiras, em vista da próxima presidência alemã do Conselho da União Europeia, de julho a dezembro de 2020.
Os dez princípios descritos no documento definem os esquemas de renda mínima como benefícios e serviços que, em conjunto, constituem uma rede de segurança para que as pessoas, dentro ou fora do sistema de trabalho, possam ter recursos financeiros suficientes para garantir um padrão de vida digno.
A proposta da instituição caritativa católica considera que, embora as normas europeias para os sistemas de renda mínima devam ser flexíveis, para alcançar a convergência social é necessário que algumas sejam vinculantes desde o princípio e sejam endereçadas a todos os Estados-Membros da UE, enquanto outras devem aplicar-se apenas a cada Estado-Membro.
Não obstante isso, a Caritas Europa recomenda que o sistema de renda mínima seja legalmente vinculante e implementado como uma diretiva da União Europeia para garantir seu cumprimento.
Outros princípios contidos no documento são o da complementaridade, ou seja, que a contribuição monetária deve ser acompanhada por sistemas de seguridade social, como serviços de saúde, moradia, educação ou assistência à infância. Igualmente, deve ser um programa inclusivo, que também chegue às minorias étnicas e religiosas, incluídos os refugiados, que são frequentemente os mais afetados pela pobreza e a exclusão.
A proposta recorda que o comissário para o Emprego e os Direitos sociais, Nicolas Schmit, disse em sua última audiência perante o Parlamento Europeu que existe um interesse comum em garantir que cada cidadão europeu possa viver dignamente. Ele também adverte que o sistema de renda mínima é uma questão que o atual governo alemão mencionou não somente em seu Tratado de Coalizão, no início de 2018, mas será um tema principal durante a presidência alemã do Conselho da UE.
31.5.16
Combate à pobreza reúne Cáritas da Europa
Juliana Baptista, in "Fátima Missionária"
A Conferência Regional da Cáritas Europa reúne centenas de participantes que fazem uma análise sobre o trabalho daquele organismo humanitário «nas áreas do combate à pobreza, solidariedade e inclusão social»
Uma nova edição da Conferência Regional da Cáritas Europa está a decorrer em Lourdes (França). O encontro termina quinta-feira, dia 26, reunindo mais de 300 participantes, que irão analisar o trabalho desenvolvido «nas áreas do combate à pobreza, solidariedade e inclusão social, aproveitando as experiências e histórias partilhadas para se inspirarem no trabalho e objetivos que têm para os próximos anos», informa a organização humanitária, em comunicado.
Além disso, os participantes têm ainda a possibilidade de contribuir para discussões temáticas e workshops, com base nas três etapas para as quais a Cáritas direcionam a sua atuação: «ouvir/ver, julgar e agir».
A Conferência Regional da Cáritas Europa reúne centenas de participantes que fazem uma análise sobre o trabalho daquele organismo humanitário «nas áreas do combate à pobreza, solidariedade e inclusão social»
Uma nova edição da Conferência Regional da Cáritas Europa está a decorrer em Lourdes (França). O encontro termina quinta-feira, dia 26, reunindo mais de 300 participantes, que irão analisar o trabalho desenvolvido «nas áreas do combate à pobreza, solidariedade e inclusão social, aproveitando as experiências e histórias partilhadas para se inspirarem no trabalho e objetivos que têm para os próximos anos», informa a organização humanitária, em comunicado.
Além disso, os participantes têm ainda a possibilidade de contribuir para discussões temáticas e workshops, com base nas três etapas para as quais a Cáritas direcionam a sua atuação: «ouvir/ver, julgar e agir».
24.5.16
Solidariedade: Cáritas Europa promove conferência regional com participação de utentes e sem-abrigo
In "Agência Ecclesia"
Lisboa, 23 mai 2016 (Ecclesia) - A Cáritas Europa promove entre hoje e sexta-feira a sua conferência regional, que este ano conta com a participação de utentes da organização católica e sem-abrigo de vários países, incluindo Portugal.
A iniciativa decorre em Lurdes, França, para refletir sobre as políticas de luta contra a pobreza, solidariedade e inclusão no continente europeu.
A Cáritas Europa está a definir o seu Plano Estratégico 2020 e a conferência regional vai ter como principais temas de reflexão “família e pobreza infantil”, “exclusão e vulnerabilidade extrema”, “participação na economia”, “migração e asilo”.
A delegação portuguesa é liderada por João Pereira, responsável pelas relações internacionais.
Lisboa, 23 mai 2016 (Ecclesia) - A Cáritas Europa promove entre hoje e sexta-feira a sua conferência regional, que este ano conta com a participação de utentes da organização católica e sem-abrigo de vários países, incluindo Portugal.
A iniciativa decorre em Lurdes, França, para refletir sobre as políticas de luta contra a pobreza, solidariedade e inclusão no continente europeu.
A Cáritas Europa está a definir o seu Plano Estratégico 2020 e a conferência regional vai ter como principais temas de reflexão “família e pobreza infantil”, “exclusão e vulnerabilidade extrema”, “participação na economia”, “migração e asilo”.
A delegação portuguesa é liderada por João Pereira, responsável pelas relações internacionais.
3.3.16
A pobreza é uma armadilha mesmo para quem trabalha
Ana Dias Cordeiro, in "Público"
Cáritas Europa identifica novas formas de pobreza – trabalho precário, baixos salários e desemprego de longa duração – e desmonta o discurso político em Portugal de que a situação das pessoas melhora porque o desemprego diminui.
Pessoas da classe média desempregadas há mais de cinco anos; pessoas com trabalho mas a ganhar menos do que precisam; jovens com muita pouca ou nenhuma perspectiva de futuro nas zonas rurais. Nestes casos, mesmo passado o pior da crise, é fácil resvalar para a “armadilha da pobreza”, como lhe chama o secretário-geral da Cáritas Europa, Jorge Nuño Mayer. E dela é difícil sair.
Estes fenómenos já existiam mas a crise económica agravou-os. No relatório de 2015 relativo a Portugal, que será apresentado esta quinta-feira em Lisboa, na presença de Jorge Mayer, a Cáritas Europa centra-se nas novas formas de pobreza. São facilmente esquecidas perante a descida da taxa de desemprego e os discursos sobre a retoma da economia, mas não são menos graves, diz Jorge Mayer, que fala antecipadamente ao PÚBLICO a partir de Bruxelas.
“Quando falamos de novas formas de pobreza, estamos a falar de fenómenos que já antes existiam, mas estão a aumentar muito rapidamente”, explica o secretário-geral da organização, presente em mais de 40 países e com sede em Bruxelas. Em Abril será lançado o documento europeu que retrata a situação nos sete países europeus mais afectados pela crise e pelas políticas de austeridade The Crisis Report – Portugal, Irlanda, Grécia, Itália, Chipre, Roménia e Espanha – e que junta, pela primeira vez, uma análise em 22 países sobre pobreza e respectivas políticas sociais.
“Os líderes políticos dizem-nos que mais pessoas voltaram a trabalhar. Mas é preciso ver em que condições o fizeram. Estão a trabalhar, mas não ganham o suficiente para terem uma vida dignificante. Ganham muito menos do que ganhavam há uns anos. Uma pessoa que recebe 400 euros vive na pobreza. Talvez consiga pagar a renda da casa, mas não lhe sobra dinheiro para pagar os livros escolares dos filhos, por exemplo, ou o custo para uma visita de estudo organizada pela escola”, explica. E isso acontece cada vez mais, realça o responsável espanhol. Situações como esta, criadas pela falta de rendimento, empurram as famílias e as crianças para “uma situação de exclusão”.
Também o desemprego de longa duração, que já existia, atinge agora mais gente e de uma forma mais profunda. O tempo passa e é cada vez mais difícil para pessoas com mais de 45 anos e mais de cinco anos no desemprego encontrarem trabalho. Este fenómeno está a colocar as famílias de classe média numa situação mais frágil, argumenta. “Há 10 anos, uma pessoa podia estar desempregada durante um tempo, mas voltava a trabalhar. Hoje, é mais fácil para essa pessoa cair na armadilha da pobreza. A precariedade da classe média é hoje muito maior do que era há seis ou sete anos.”
Passar do tempo
O passar do tempo também acentua clivagens quando o fenómeno é a pobreza rural. Como o desemprego de longa duração ou o trabalho precário, a pobreza rural não surgiu agora, diz Jorge Nuño Mayer. Apenas se acentuou. “Temos de a ver no contexto de uma crise económica que dura há mais de oito anos, em que há uma concentração do investimento económico nas cidades. As zonas rurais são mais deixadas ao abandono do que antes.” No relatório relativo a Portugal, a Cáritas Europa constata que entre as pessoas residentes nas zonas rurais “começam a desenvolver-se problemas mais graves entre os jovens desempregados, como o alcoolismo e o abuso de drogas”. Por "falta de perspectivas", acrescenta Jorge Mayer.
O documento sobre Portugal, hoje apresentado, retoma os dados da Comissão Europeia (Eurostat) e do Instituto Nacional de Estatística (INE), já publicados. Lembra por exemplo que a pobreza dos trabalhadores aumentou de 9,7% para 10,5% entre 2010 e 2013; que mais de 42% das pessoas desempregadas não conseguiam, em 2013, assegurar o pagamento imediato de bens necessários; ou ainda que o risco de pobreza subiu entre 2012 e 2013, porque o número de casais desempregados aumentou exponencialmente, ao passar de 1530 para 12.065 em apenas três anos (entre 2010 e 2013), expondo assim muito mais crianças ao risco de pobreza.
O documento não revela dados novos. “O valor deste relatório é a informação que as equipas da Cáritas recolhem diariamente no terreno”, esclarece Jorge Nuño Mayer. “Todos os dias vemos como as políticas sociais afectam as pessoas nas suas vidas. Por exemplo, quando o Governo espanhol decidiu retirar apoios aos mais idosos para a compra de medicamentos, a Cáritas Espanha constatou, em pouco tempo, um aumento considerável dos pedidos de ajuda dos idosos. Os idosos são, em muitas famílias de pais desempregados, quem sustenta três gerações [de filhos e netos]. E esse aumento dos pedidos de apoio foi muito visível, nesse caso, como o é noutros.”
Os números relativos a 2015 ainda não são conhecidos. Mas em 2014, 160.608 pessoas recorreram a apoios da Cáritas em Portugal – o equivalente a 63.059 famílias. Em 2013, tinham sido 139.059 pessoas – ou seja 52.967 famílias. Os motivos mais comuns apontados para o pedido de ajuda são o rendimento nulo ou insuficiente (dívidas com água, gás ou alimentação) e a falta de trabalho (desemprego ou emprego clandestino, precário ou mal pago, salários baixos ou em atraso).
Pobreza no trabalho
São esses sinais que o relatório descreve, e onde se pode ler, sobre Portugal, que “as novas formas de pobreza afectam agora as antigas famílias de classe média e as famílias de classe baixa”. São casos que emergem de “situações de desemprego e cortes salariais (principalmente na função pública), de aumento de impostos e de situações de pobreza no trabalho com baixas remunerações, de aumento do trabalho temporário e de trabalhadores que não estão cobertos pelas redes normais de segurança social”, adianta ainda o relatório, que realça que em Portugal, “os trabalhadores são mal pagos e os contratos temporários aumentam, sobretudo nas grandes empresas.”
A Cáritas Europa considera, neste documento, ser “importante enfatizar que a pobreza no trabalho se tornou um problema transversal às pessoas das mais variadas habilitações e idades”. E embora reconheça a importância no apoio ao rendimento do RSI – Rendimento Social de Inserção – e do CSI – Complemento Solidário para Idosos, a organização constata que “a alteração dos critérios” de acesso aos esquemas mínimos sociais, no último ano, nomeadamente no RSI, “reduziu o número de beneficiários elegíveis nestas prestações sociais”. E conclui: “As quantias atribuídas não cobrem as necessidades básicas das pessoas que as usufruem, não conseguindo que a pessoa saia da sua situação de pobreza.”
“Isto acontece independentemente do tipo de Governo”, considera nesta entrevista Jorge Mayer a propósito do novo ciclo de governação em Portugal, deixando entender que é cedo antecipar para cenários. “O importante é entender as políticas sociais como um investimento, e não apenas um encargo, uma despesa." E conclui: "Se houver boas políticas económicas, haverá boas políticas sociais."
Cáritas Europa identifica novas formas de pobreza – trabalho precário, baixos salários e desemprego de longa duração – e desmonta o discurso político em Portugal de que a situação das pessoas melhora porque o desemprego diminui.
Pessoas da classe média desempregadas há mais de cinco anos; pessoas com trabalho mas a ganhar menos do que precisam; jovens com muita pouca ou nenhuma perspectiva de futuro nas zonas rurais. Nestes casos, mesmo passado o pior da crise, é fácil resvalar para a “armadilha da pobreza”, como lhe chama o secretário-geral da Cáritas Europa, Jorge Nuño Mayer. E dela é difícil sair.
Estes fenómenos já existiam mas a crise económica agravou-os. No relatório de 2015 relativo a Portugal, que será apresentado esta quinta-feira em Lisboa, na presença de Jorge Mayer, a Cáritas Europa centra-se nas novas formas de pobreza. São facilmente esquecidas perante a descida da taxa de desemprego e os discursos sobre a retoma da economia, mas não são menos graves, diz Jorge Mayer, que fala antecipadamente ao PÚBLICO a partir de Bruxelas.
“Quando falamos de novas formas de pobreza, estamos a falar de fenómenos que já antes existiam, mas estão a aumentar muito rapidamente”, explica o secretário-geral da organização, presente em mais de 40 países e com sede em Bruxelas. Em Abril será lançado o documento europeu que retrata a situação nos sete países europeus mais afectados pela crise e pelas políticas de austeridade The Crisis Report – Portugal, Irlanda, Grécia, Itália, Chipre, Roménia e Espanha – e que junta, pela primeira vez, uma análise em 22 países sobre pobreza e respectivas políticas sociais.
“Os líderes políticos dizem-nos que mais pessoas voltaram a trabalhar. Mas é preciso ver em que condições o fizeram. Estão a trabalhar, mas não ganham o suficiente para terem uma vida dignificante. Ganham muito menos do que ganhavam há uns anos. Uma pessoa que recebe 400 euros vive na pobreza. Talvez consiga pagar a renda da casa, mas não lhe sobra dinheiro para pagar os livros escolares dos filhos, por exemplo, ou o custo para uma visita de estudo organizada pela escola”, explica. E isso acontece cada vez mais, realça o responsável espanhol. Situações como esta, criadas pela falta de rendimento, empurram as famílias e as crianças para “uma situação de exclusão”.
Também o desemprego de longa duração, que já existia, atinge agora mais gente e de uma forma mais profunda. O tempo passa e é cada vez mais difícil para pessoas com mais de 45 anos e mais de cinco anos no desemprego encontrarem trabalho. Este fenómeno está a colocar as famílias de classe média numa situação mais frágil, argumenta. “Há 10 anos, uma pessoa podia estar desempregada durante um tempo, mas voltava a trabalhar. Hoje, é mais fácil para essa pessoa cair na armadilha da pobreza. A precariedade da classe média é hoje muito maior do que era há seis ou sete anos.”
Passar do tempo
O passar do tempo também acentua clivagens quando o fenómeno é a pobreza rural. Como o desemprego de longa duração ou o trabalho precário, a pobreza rural não surgiu agora, diz Jorge Nuño Mayer. Apenas se acentuou. “Temos de a ver no contexto de uma crise económica que dura há mais de oito anos, em que há uma concentração do investimento económico nas cidades. As zonas rurais são mais deixadas ao abandono do que antes.” No relatório relativo a Portugal, a Cáritas Europa constata que entre as pessoas residentes nas zonas rurais “começam a desenvolver-se problemas mais graves entre os jovens desempregados, como o alcoolismo e o abuso de drogas”. Por "falta de perspectivas", acrescenta Jorge Mayer.
O documento sobre Portugal, hoje apresentado, retoma os dados da Comissão Europeia (Eurostat) e do Instituto Nacional de Estatística (INE), já publicados. Lembra por exemplo que a pobreza dos trabalhadores aumentou de 9,7% para 10,5% entre 2010 e 2013; que mais de 42% das pessoas desempregadas não conseguiam, em 2013, assegurar o pagamento imediato de bens necessários; ou ainda que o risco de pobreza subiu entre 2012 e 2013, porque o número de casais desempregados aumentou exponencialmente, ao passar de 1530 para 12.065 em apenas três anos (entre 2010 e 2013), expondo assim muito mais crianças ao risco de pobreza.
O documento não revela dados novos. “O valor deste relatório é a informação que as equipas da Cáritas recolhem diariamente no terreno”, esclarece Jorge Nuño Mayer. “Todos os dias vemos como as políticas sociais afectam as pessoas nas suas vidas. Por exemplo, quando o Governo espanhol decidiu retirar apoios aos mais idosos para a compra de medicamentos, a Cáritas Espanha constatou, em pouco tempo, um aumento considerável dos pedidos de ajuda dos idosos. Os idosos são, em muitas famílias de pais desempregados, quem sustenta três gerações [de filhos e netos]. E esse aumento dos pedidos de apoio foi muito visível, nesse caso, como o é noutros.”
Os números relativos a 2015 ainda não são conhecidos. Mas em 2014, 160.608 pessoas recorreram a apoios da Cáritas em Portugal – o equivalente a 63.059 famílias. Em 2013, tinham sido 139.059 pessoas – ou seja 52.967 famílias. Os motivos mais comuns apontados para o pedido de ajuda são o rendimento nulo ou insuficiente (dívidas com água, gás ou alimentação) e a falta de trabalho (desemprego ou emprego clandestino, precário ou mal pago, salários baixos ou em atraso).
Pobreza no trabalho
São esses sinais que o relatório descreve, e onde se pode ler, sobre Portugal, que “as novas formas de pobreza afectam agora as antigas famílias de classe média e as famílias de classe baixa”. São casos que emergem de “situações de desemprego e cortes salariais (principalmente na função pública), de aumento de impostos e de situações de pobreza no trabalho com baixas remunerações, de aumento do trabalho temporário e de trabalhadores que não estão cobertos pelas redes normais de segurança social”, adianta ainda o relatório, que realça que em Portugal, “os trabalhadores são mal pagos e os contratos temporários aumentam, sobretudo nas grandes empresas.”
A Cáritas Europa considera, neste documento, ser “importante enfatizar que a pobreza no trabalho se tornou um problema transversal às pessoas das mais variadas habilitações e idades”. E embora reconheça a importância no apoio ao rendimento do RSI – Rendimento Social de Inserção – e do CSI – Complemento Solidário para Idosos, a organização constata que “a alteração dos critérios” de acesso aos esquemas mínimos sociais, no último ano, nomeadamente no RSI, “reduziu o número de beneficiários elegíveis nestas prestações sociais”. E conclui: “As quantias atribuídas não cobrem as necessidades básicas das pessoas que as usufruem, não conseguindo que a pessoa saia da sua situação de pobreza.”
“Isto acontece independentemente do tipo de Governo”, considera nesta entrevista Jorge Mayer a propósito do novo ciclo de governação em Portugal, deixando entender que é cedo antecipar para cenários. “O importante é entender as políticas sociais como um investimento, e não apenas um encargo, uma despesa." E conclui: "Se houver boas políticas económicas, haverá boas políticas sociais."
22.4.15
Crise deixou 120 milhões de europeus em risco de pobreza
in TVI24
Relatório da Cáritas Europa alerta para o aumento das desigualdades na Europa e para o desemprego que atinge 25 milhões de europeus
Seis anos depois do início da crise de 2008, o crescimento é muito reduzido, as dívidas estão em níveis considerados enormes e há 25 milhões de desempregados e mais de 120 milhões em risco de pobreza na Europa.
É este o diagnóstico feito pela Cáritas Europa, que esta quarta-feira apresenta em Lisboa o terceiro relatório de acompanhamento da situação nos sete países da União Europeia mais atingidos pela crise - Portugal, Chipre, Grécia, Irlanda, Itália, Roménia e Espanha - onde alerta para o aumento das desigualdades na Europa.
O relatório analisa as taxas de desemprego, os níveis de pobreza e exclusão social, o estado dos serviços públicos, a confiança nas instituições e a coesão social nestes países, cruzando dados oficiais com informações recolhidas no terreno.
Os dados, apresentados já no ínicio do ano em Itália, revelam que a taxa de risco de pobreza ou de exclusão social aumentou de 2008 para 2013 na maior parte dos estados-membros da UE-28 e atinge 122,5 milhões de pessoas ou 24,5 por cento da população(ou seja, quase 1 em cada 4 pessoas).
«As crianças e as famílias foram afetadas de forma desproporcionada pela crise e pelas medidas de austeridade e demasiadas vezes o impacto dessas medidas não foi tido em conta, com serviços frequentemente cortados quando são precisamente necessários, algo que é sobretudo evidente nos países sujeitos a programas» de ajustamento, adianta o relatório.
O documento assinala ainda que o desemprego se mantém «historicamente elevado», afetando mais de 25 milhões de pessoas em abril de 2014, o que representa um aumento de quase 8,4 milhões entre 2008 e dezembro de 2013.
A Cáritas adianta que apesar da existênca de sinais de crescimento na Europa, «ainda não se verificou um aumento significativo de empregos», considerando que «o problema dos desempregados de longa duração constitui um enorme desafio».
O relatório daquela instituição da Igreja Católica aponta ainda como «pouco provável que uma redução gradual do desemprego seja suficiente para inverter a tendência crescente dos níveis de pobreza».
Questiona também a qualidade dos empregos disponíveis, cada vez menos seguros, com o emprego temporário a aumentar.
Paralelamente, sublinha o relatório, os sistemas de proteção social estão sob pressão e há falhas que estão a deixar muitas pessoas «em situação miserável», enquanto os cortes nos serviços públicos afetam «de forma desproporcionada» quem tem rendimentos mais baixos.
«As pessoas que pagam atualmente o preço mais elevado são as que não participaram nas decisões que conduziram à crise e os países mais afetados são os que têm maiores carências nos seus sistemas de proteção social», acrescenta.
A Cáritas sustenta ainda que «a política de dar prioridade à austeridade não está a funcionar» e apela para que «sejam adotadas alternativas».
«Os líderes europeus devem reconhecer que, por si só, a atual orientação [...] está a falhar tanto em termos económicos como sociais e que é urgentemente necessária uma nova estratégia».
O relatório refere que falta ainda encontrar uma solução para a crise das dívidas, considerando «injusto» e «insustentável» transformar a dívida bancária em dívida soberana.
Relatório da Cáritas Europa alerta para o aumento das desigualdades na Europa e para o desemprego que atinge 25 milhões de europeus
Seis anos depois do início da crise de 2008, o crescimento é muito reduzido, as dívidas estão em níveis considerados enormes e há 25 milhões de desempregados e mais de 120 milhões em risco de pobreza na Europa.
É este o diagnóstico feito pela Cáritas Europa, que esta quarta-feira apresenta em Lisboa o terceiro relatório de acompanhamento da situação nos sete países da União Europeia mais atingidos pela crise - Portugal, Chipre, Grécia, Irlanda, Itália, Roménia e Espanha - onde alerta para o aumento das desigualdades na Europa.
O relatório analisa as taxas de desemprego, os níveis de pobreza e exclusão social, o estado dos serviços públicos, a confiança nas instituições e a coesão social nestes países, cruzando dados oficiais com informações recolhidas no terreno.
Os dados, apresentados já no ínicio do ano em Itália, revelam que a taxa de risco de pobreza ou de exclusão social aumentou de 2008 para 2013 na maior parte dos estados-membros da UE-28 e atinge 122,5 milhões de pessoas ou 24,5 por cento da população(ou seja, quase 1 em cada 4 pessoas).
«As crianças e as famílias foram afetadas de forma desproporcionada pela crise e pelas medidas de austeridade e demasiadas vezes o impacto dessas medidas não foi tido em conta, com serviços frequentemente cortados quando são precisamente necessários, algo que é sobretudo evidente nos países sujeitos a programas» de ajustamento, adianta o relatório.
O documento assinala ainda que o desemprego se mantém «historicamente elevado», afetando mais de 25 milhões de pessoas em abril de 2014, o que representa um aumento de quase 8,4 milhões entre 2008 e dezembro de 2013.
A Cáritas adianta que apesar da existênca de sinais de crescimento na Europa, «ainda não se verificou um aumento significativo de empregos», considerando que «o problema dos desempregados de longa duração constitui um enorme desafio».
O relatório daquela instituição da Igreja Católica aponta ainda como «pouco provável que uma redução gradual do desemprego seja suficiente para inverter a tendência crescente dos níveis de pobreza».
Questiona também a qualidade dos empregos disponíveis, cada vez menos seguros, com o emprego temporário a aumentar.
Paralelamente, sublinha o relatório, os sistemas de proteção social estão sob pressão e há falhas que estão a deixar muitas pessoas «em situação miserável», enquanto os cortes nos serviços públicos afetam «de forma desproporcionada» quem tem rendimentos mais baixos.
«As pessoas que pagam atualmente o preço mais elevado são as que não participaram nas decisões que conduziram à crise e os países mais afetados são os que têm maiores carências nos seus sistemas de proteção social», acrescenta.
A Cáritas sustenta ainda que «a política de dar prioridade à austeridade não está a funcionar» e apela para que «sejam adotadas alternativas».
«Os líderes europeus devem reconhecer que, por si só, a atual orientação [...] está a falhar tanto em termos económicos como sociais e que é urgentemente necessária uma nova estratégia».
O relatório refere que falta ainda encontrar uma solução para a crise das dívidas, considerando «injusto» e «insustentável» transformar a dívida bancária em dívida soberana.
23.2.15
Cáritas Europa preocupada com níveis de pobreza
Texto Francisco Pedro, in Fátima Missionária
O terceiro relatório da organização sobre o impacto da crise económica entre as países da União Europeia revela que as políticas de austeridade «não estão a funcionar» e que os níveis de pobreza continuam «preocupantes»
«Os pobres continuam a pagar por uma crise que não causaram». Esta é a principal conclusão do terceiro relatório da Cáritas Europa sobre o impacto das medidas de austeridade aplicadas nos países da União Europeia (UE), após seis anos de crise económica na Europa. Segundo a organização, as políticas implementadas «não estão a funcionar» e os níveis de pobreza e de privações continuam «preocupantes», sobretudo nos sete países mais afetados: Chipre, Espanha, Grécia, Irlanda, Itália, Portugal, Roménia.
Para os responsáveis da instituição, a UE e os seus Estados membros «continuam a abordar a crise centrado-se, principalmente, nas políticas económicas e nos gastos das políticas sociais». Em consequência, as medidas adotadas «estão a ter um impacto devastador na população europeia, em particular nos sete países mais afetados». E o executivo comunitário acaba por não conseguir «prestar apoio concreto às pessoas com dificuldades, proteger os serviços públicos essenciais e criar emprego, o que contribuirá para o prolongamento da crise».
Com este documento, a Cáritas Europa critica também o discurso oficial, que sugere que o pior da crise económica já passou. «O mundo que documenta este relatório não é justo. E constata, além do mais, que o facto de se ter dado prioridade às medidas de austeridade não solucionou a crise, mas causou problemas sociais que terão um efeito duradouro», refere Jorge Nuno, secretário-geral da organização.
O documento assinala que a crise europeia tem sido especialmente grave para as crianças, pela insuficiência de benefícios, pelos cortes e outras restrições que causaram um efeito negativo nos países que já tinham um alto ou muito alto nível de pobreza infantil e exclusão social. Neste particular, Portugal ocupa o sétimo lugar na lista de países com as taxas mais altas.
A Cáritas Europa defende, por isso, que a luta contra a pobreza familiar e infantil seja considerada uma prioridade para a UE, através de medidas fiscais favoráveis às famílias, de respostas concretas às necessidades especiais das famílias migrantes e de garantias de cuidados familiares adequados.
O terceiro relatório da organização sobre o impacto da crise económica entre as países da União Europeia revela que as políticas de austeridade «não estão a funcionar» e que os níveis de pobreza continuam «preocupantes»
«Os pobres continuam a pagar por uma crise que não causaram». Esta é a principal conclusão do terceiro relatório da Cáritas Europa sobre o impacto das medidas de austeridade aplicadas nos países da União Europeia (UE), após seis anos de crise económica na Europa. Segundo a organização, as políticas implementadas «não estão a funcionar» e os níveis de pobreza e de privações continuam «preocupantes», sobretudo nos sete países mais afetados: Chipre, Espanha, Grécia, Irlanda, Itália, Portugal, Roménia.
Para os responsáveis da instituição, a UE e os seus Estados membros «continuam a abordar a crise centrado-se, principalmente, nas políticas económicas e nos gastos das políticas sociais». Em consequência, as medidas adotadas «estão a ter um impacto devastador na população europeia, em particular nos sete países mais afetados». E o executivo comunitário acaba por não conseguir «prestar apoio concreto às pessoas com dificuldades, proteger os serviços públicos essenciais e criar emprego, o que contribuirá para o prolongamento da crise».
Com este documento, a Cáritas Europa critica também o discurso oficial, que sugere que o pior da crise económica já passou. «O mundo que documenta este relatório não é justo. E constata, além do mais, que o facto de se ter dado prioridade às medidas de austeridade não solucionou a crise, mas causou problemas sociais que terão um efeito duradouro», refere Jorge Nuno, secretário-geral da organização.
O documento assinala que a crise europeia tem sido especialmente grave para as crianças, pela insuficiência de benefícios, pelos cortes e outras restrições que causaram um efeito negativo nos países que já tinham um alto ou muito alto nível de pobreza infantil e exclusão social. Neste particular, Portugal ocupa o sétimo lugar na lista de países com as taxas mais altas.
A Cáritas Europa defende, por isso, que a luta contra a pobreza familiar e infantil seja considerada uma prioridade para a UE, através de medidas fiscais favoráveis às famílias, de respostas concretas às necessidades especiais das famílias migrantes e de garantias de cuidados familiares adequados.
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