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8.2.22

Taxar a riqueza extrema pode retirar 2,3 mil milhões de pessoas da pobreza

in CNN Portugal

Nota do Editor: Chuck Collins dirige o Program on Inequality e coedita o Inequality.org no Institute for Policy Studies. É autor do livro "The Wealth Hoarders: How Billionaires Pay Millions to Hide Trillions", e coautor do novo relatório "Taxar a Riqueza Extrema". As opiniões expressas neste artigo são do próprio.

A pandemia veio a revelar como a desigualdade mata. As desigualdades no rendimento, na riqueza e no acesso aos cuidados de saúde dispararam, as pessoas em situações económicas mais precárias a nível mundial sofreram bastante mais do que a sua quota-parte de morte e perdas económicas.

Como salienta um novo relatório da Oxfam, a desigualdade contribui para as mortes de mais de 21 mil pessoas por dia. E não se iludam – a pandemia está a agravar a desigualdade. A Oxfam relata que 99% dos trabalhadores do mundo ganharam menos dinheiro do que teriam ganho se a pandemia não tivesse ocorrido.

Entretanto, as 500 pessoas mais ricas do mundo viram a sua riqueza aumentar em 1 bilião de dólares, no ano passado. E aqui, nos EUA, a riqueza combinada dos nossos 745 multimilionários aumentou em cerca de 2 biliões desde que começou a pandemia.


Estas desigualdades extremas são a condição pré-existente que tornou a nossa sociedade mais vulnerável a doenças e mitigou uma resposta global robusta de saúde pública.

Mas, por vezes, o remédio é encontrado ao lado da doença. Esta concentração global sem precedentes de riqueza lançou um movimento global para taxar a riqueza dos indivíduos mais ricos para financiar os cuidados de saúde.

Segundo um novo relatório publicado pela Fight Inequality Alliance (aliança para combater a desigualdade), o Institute for Policy Studies, a Oxfam e a Patriotic Millionaires, um imposto anual sobre a riqueza dos multimilionários mais ricos do mundo pode angariar mais de 2,5 biliões de dólares por ano. (Com base numa estrutura escalonada de impostos de 2% sobre a riqueza acima de 5 milhões de dólares, 3% na riqueza acima de 50 milhões e 5% na riqueza acima de mil milhões.)

É uma receita suficiente para retirar 2,3 mil milhões de pessoas da pobreza, vacinar o mundo inteiro e proporcionar cuidados de saúde universal e proteção social para todos os cidadãos de países de rendimentos médios e baixos – cerca de 3,6 mil milhões de pessoas.


Aqui, nos Estados Unidos, um imposto desses poderia angariar quase 930 mil milhões de dólares por ano. E, com uma estrutura de taxas ainda mais progressivas – por exemplo, uma taxa de 10% sobre a riqueza acima de mil milhões – poderia angariar acima de 1 bilião de dólares. Números como estes poderiam colocar-nos no caminho para os cuidados de saúde universais, uma economia descarbonizada e muito mais.

Houve algumas propostas sólidas sobre como taxar estas acumulações de riqueza e poder. Durante a campanha presidencial de 2020, os senadores Elizabeth Warren e Bernie Sanders avançaram com propostas para um imposto direto anual sobre a riqueza. Mas também houve outras ideias.

Em outubro, o senador Ron Wyden avançou com uma proposta para taxar ganhos de capital "não realizados" dos multimilionários do país e dos que têm um rendimento de pelo menos 100 milhões de dólares durante três anos consecutivos. Iria gerar cerca de 557 mil milhões ao longo de dez anos, segundo os marcadores fiscais do Congresso.

O Congresso também podia explorar formas de reforçar o imposto predial federal, a única taxa sobre a riqueza acumulada de multimilionários e bilionários.

Esse imposto é concebido para ser pago quando os indivíduos ricos morrem, mas isenta os primeiros 12 060 milhões para as pessoas. Ainda pior, tem sido dizimado por evasão e lacunas fiscais. A exposição da ProPublica revelou que mais de metade dos 100 multimilionários mais ricos dos EUA evita o imposto predial ao utilizarem fundos complexos.

Na nossa opinião, com os custos humanos e financeiros desta pandemia, os legisladores deviam trabalhar agora para reforçar o imposto predial federal, fechar lacunas e fundos que não servem qualquer objetivo que não seja a evasão fiscal e ponderar implementar um imposto sobre rendimentos dos bilionários e um imposto anual sobre a riqueza.

Estas medidas iriam ajudar-nos a capturar as recompensas desiguais que voaram para o topo durante a pandemia. Reverteriam décadas de desigualdade extrema que nos deixou tão vulneráveis à pandemia. Finalmente, iriam angariar fundos para reforçar as nossas infraestruturas de saúde pública – e preparar-nos para os desafios que aí vêm.

20.1.22

Riqueza dos dez mais ricos duplicou durante a pandemia, revela Oxfam

Emma Batha e PÚBLICO, in Público online 

Segundo o relatório da Oxfam, os rendimentos dos mais pobres do mundo baixou e para isso contribuíram também a morte de 21 mil pessoas por dia por causa da covid-19.

As dez pessoas mais ricas do mundo mais que duplicaram as suas fortunas para 1,5 biliões de dólares (1,3 biliões de euros) durante a pandemia, à medida que as taxas de pobreza dispararam, de acordo com um estudo divulgado pela Oxfam, uma instituição de caridade britânica que é uma congregação de centenas de associações que actuam em mais de 90 países. Estes dados surge nesta segunda-feira, antes de um encontro de alto nível do Fórum Económico Mundial, em Davos.


Tradicionalmente, neste encontra na estação de ski suíça, é costume reunirem-se milhares de líderes empresariais e políticos, celebridades, activistas, economistas e jornalistas para debates sobre temas da actualidade. Contudo, devido ao surgimento da variante Ómicron, esta reunião será apenas online.

Segundo o relatório da Oxfam, que costuma ser divulgado antes de Davos, os rendimentos dos mais pobres do mundo baixou e para isso contribuíram também a morte de 21 mil pessoas por dia. Já para os dez homens mais ricos do mundo, as suas fortunas colectivas mais do que duplicaram desde Março de 2020.

De acordo com dados da Forbes, citados pela Oxfam, os dez homens mais ricos do mundo são: Elon Musk, Jeff Bezos, Bernard Arnault e família, Bill Gates, Larry Ellison, Larry Page, Sergey Brin, Mark Zuckerberg, Steve Ballmer e Warren Buffet.

“Durante a pandemia, houve um novo bilionário criado quase todos os dias, enquanto 99% da população mundial está pior por causa de confinamentos, há menos comércio internacional, menos turismo internacional e, como resultado disso, mais de 160 milhões de pessoas foram empurradas para pobreza”, denuncia Danny Sriskandarajah, director-executivo da Oxfam no Reino Unido, citado pela BBC. “Algo está profundamente errado no nosso sistema económico”, lamenta.

Eis alguns números sobre a desigualdade global:
Os multimilionários viram um aumento recorde na sua riqueza durante a pandemia.
As dez pessoas mais ricas aumentaram as suas fortunas em 15.000 dólares (13 mil euros) por segundo ou 1,3 mil milhões (1,14 mil milhões de euros) por dia durante a pandemia.
Os dez mais ricos possuem mais do que os 3,1 mil milhões de pessoas mais pobres do mundo.
A cada 26 horas, desde o início da pandemia, foi criado um novo multimilionário.
Estima-se que mais de 160 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza durante a pandemia.
Pela primeira vez, numa geração, a desigualdade entre as nações deve aumentar, e também está acrescet dentro dos países.
As nações ricas estão a recuperar mais rapidamente do que as outras. A produção nos países ricos provavelmente retornará às tendências pré-pandemia até 2023, mas cairá 4% em média nos países em desenvolvimento, segundo o Banco Mundial.
Em 2023, o rendimento per capita provavelmente permanecerá abaixo dos níveis de 2019 em 40 países em desenvolvimento, diz o Banco Mundial.
A desigualdade contribui para a morte de pelo menos 21.300 pessoas por dia — uma pessoa a cada quatro segundos, de acordo com o relatório da Oxfam.
Estima-se que 5,6 milhões de pessoas em países pobres morrem a cada ano devido à falta de acesso à saúde, enquanto a fome mata mais de 2,1 milhões anualmente, segundo o relatório.
A proporção de pessoas com covid-19 que morrem da doença nos países em desenvolvimento foi estimada em aproximadamente o dobro da dos países ricos.
Pouco mais de 7% das pessoas em países pobres receberam uma dose de vacina em comparação com mais de 75% em países ricos.
O 1% mais rico do mundo emite duas vezes mais dióxido de carbono que aquece o planeta do que os 50% mais pobres.
Se não for controlada, a mudança climática pode levar até 132 milhões de pessoas à pobreza extrema até 2030, segundo estimativas do Banco Mundial.
A pandemia também atrasou o progresso global em direcção à igualdade de género. Levará quase 136 anos para que as mulheres estejam em pé de igualdade com os homens – acima dos 99 anos pré-pandemia.

Fontes: Oxfam, Banco Mundial, McKinsey Global Institute, Fórum Económico Mundial

30.6.21

Portugal com mais 19.430 milionários em ano de pandemia. Os 1% mais ricos detêm um quinto da riqueza

Beatriz Ferreira, in o Observador

Numa altura em que subiu o número de pessoas em situação de pobreza, o grupo dos mais ricos também engrossou. Os 1% mais ricos em Portugal concentram 20% da riqueza. Metade mais pobre só tem 6,5%.

Mesmo apesar da pandemia, e dos seus efeitos na economia nacional e no rendimento das famílias, Portugal ganhou milionários ao longo do ano passado. Segundo o mais recente The Global Wealth Report, referente a 2020 — ano maioritariamente marcado pela Covid-19 —, Portugal tem 136.430 milionários, mais 19.430 do que no relatório de 2019.

De facto, o número de milionários — pessoas com fortunas avaliadas acima de um milhão de dólares (cerca de 840 mil euros) — em Portugal está a subir, nas contas do banco, desde 2015, ano em que foram contabilizadas 51.000 pessoas com uma riqueza superior a um milhão de dólares. Nesse ano, verificou-se uma queda face a 2014 (76.000), possivelmente devido aos efeitos da crise financeira. Já no relatório divulgado em outubro de 2019, com dados até meados desse ano, o Credit Suisse identificava 117 mil milionários no país, número que subiu para os 136.430 em 2020. O banco só começou a publicar dados para Portugal sobre o número de milionários a partir de 2014.

Em termos desagregados, os dados do Credit Suisse mostram que Portugal tinha, em 2020, 128.772 pessoas com uma fortuna avaliada entre um milhão e cinco milhões de dólares, 5.505 com entre cinco e dez milhões, 2.056 com riqueza entre 10 de 50 milhões. No grupo dos mais ricos, estão 72 com entre 50 e os 100 milhões e 24 entre os 100 e os 500 milhões. Uma pessoa tem uma fortuna acima dos 500 milhões de dólares.

Esta estimativa difere de outros rankings, como o da Forbes (que, em 2019, contabilizava pelo menos dez portugueses com fortunas acima dos 500 milhões de euros). Os cálculos da Forbes são tidos em conta pelo Credit Suisse porque, “embora possam ser criticados nalguns aspetos”, aplicam “métodos consistentes a vários países”. Mas há mais fatores a pesar nas contas do banco.

O Credit Suisse nota que há outros relatórios com números inferiores aos que o banco tem divulgado e avança explicações para as discrepâncias: diz que muitos rankings só têm em conta “ativos de investimento” (que incluem os saldos de contas bancárias, certificados de depósito, fundos mútuos, ações e títulos), que, por sua vez, “não consideram as casas ocupadas pelo proprietário”. O banco pondera, assim, tanto ativos financeiros, como não financeiros, assim como dívidas.

As estimativas são também baseadas em dados das agências nacionais de estatísticas sobre o rendimento das famílias. “O objetivo é fornecer uma cobertura abrangente dos ativos que as pessoas reconheceriam como parte de sua riqueza pessoal: moradias, terras, poupanças, investimentos, etc”, incluindo também fundos de pensões.

Segundo o relatório, foi o grupo dos 5 aos 10 milhões que, em termos percentuais, mais cresceu (uma subida de 19%, mais 885), mas em termos absolutos foi a faixa de um milhão a cinco milhões que mais ricos recebeu (foram mais 18.075, um aumento de 16%).

Estes crescimentos foram suficientes para compensar as quebras nos grupos dos mais ricos (entre os mais ricos). Por exemplo, em 2019, contabilizavam-se duas pessoas com fortunas além dos 500 milhões; em 2020, esse número reduziu-se em metade. Outro exemplo: nas fortunas avaliadas entre 100 e 500 milhões, o número de milionários desceu 14%, passando de 28 em 2019 para 24 em 2020.

Os dados contrastam fortemente com os da pobreza, que tem crescido em Portugal no último ano. Um estudo divulgado esta terça-feira, feito pela Universidade Católica, revela que mais 400 mil pessoas ficaram abaixo do limiar da pobreza devido à crise pandémica, o que agravou o fosso entre ricos e pobres em Portugal.

Além disso, cada um dos 8,3 milhões de portugueses adultos tem, em média, uma riqueza de 142.537 dólares, uma subida face aos 131.088 dólares registados em 2019. É quase três vezes mais face o início do milénio (52.357). Já quanto a dívidas, os dados do Credit Suisse apontam para que, em média, cada adulto português tenha um passivo de 20.389 dólares.

Parcela dos 1% mais ricos em Portugal concentra 20% da riqueza. Metade mais pobre só tem 6,5%

Os números permitem também ver como Portugal continua um país desigual. Em 2020, a parcela restrita dos 1% mais ricos detinha 20,1% da riqueza do país, mais uma décima do que em 2019. Já os 10% mais ricos concentram mais de metade da riqueza — 56,2%. No outro extremo da balança, metade da população apenas detém 6,5%, um valor que está a cair: em 2019, no pré-pandemia, estava nos 7,2%.

A nível global, os dados são ainda mais alarmantes: “Estimamos que os 50% mais pobres na distribuição global da riqueza representem, em conjunto, menos de 1% da riqueza global no final de 2020. Em contraste, o decil dos mais rico (os 10% mais ricos) tem 82% da riqueza global e o percentil mais alto (1% mais rico) sozinho tem quase metade (45%) de todos os ativos”, escreve o Credit Suisse.

Escreve o banco que “as repercussões da pandemia Covid-19 levaram a aumentos generalizados da desigualdades na distribuição da riqueza em 2020“. Nos países que não implementaram medidas de apoio como o layoff e outras de transferência monetárias “o impacto económico da pandemia no emprego e nos rendimento em 2020 é provável que tenha penalizados os grupos mais baixos de detenção da riqueza, forçando-os a recorrem às suas poupanças e/ou a incorrer num aumento da dívida”. Por outro lado, os mais ricos “saíram relativamente ilesos da redução nos níveis de atividade económica e, mais importante, beneficiaram do impacto das baixas taxas de juro nos preços das ações e das casas”.

Em todo o mundo, há agora mais cinco milhões de milionários para um total de 56,1 milhões de pessoas. Aliás, de forma geral, a riqueza das famílias aumentou no último ano 28,7 biliões de euros, totalizando 418,3 triliões. Como é que isso — e o facto de os países mais afetados pela pandemia Covid-19 terem sido “muitas vezes os que registaram os maiores ganhos de riqueza por adulto” — aconteceu, dado os impactos da pandemia na economia?

A resposta, diz o banco, está na ação dos governos e bancos centrais. “Muitos governos e bancos centrais nas economias mais avançadas, ansiosos por evitar os erros cometidos durante a crise financeira global, tomaram medidas preventivas de duas maneiras: primeiro, organizaram programas massivos de transferência de rendimento para apoiar os indivíduos e as empresas mais adversamente afetados pela pandemia e, segundo, reduzindo as taxas de juro — muitas vezes para níveis próximos de zero — e deixando claro que as taxas de juros vão permanecer baixas por algum tempo”, explica o Credit Suisse.

Há, assim, “poucas dúvidas” de que estas intervenções foram “altamente bem sucedidas”. Só que trouxeram com elas outros custos. “A dívida pública em percentagem do PIB aumentou em todo o mundo em 20 pontos percentuais ou mais em muitos países. No essencial, tem havido uma enorme transferência do setor público para as famílias, o que é uma das razões pelas quais a riqueza das família tem sido tão resiliente”. A isso acresce o “aumento das poupanças” devido às restrições no consumo determinadas na resposta à pandemia.
Na UE a 27, Portugal é 14.º na riqueza por adulto. Só subiu um lugar desde a última crise

Em Portugal, um adulto tem, em média, uma riqueza de 142.537 dólares, o que inclui riqueza financeira, mas também não financeira (por exemplo, imóveis, carros, etc.). Com este número, o país está, praticamente, a meio da tabela da União Europeia a 27 — em 14.º, um lugar acima do que estava em 2014, um ano ainda afetado pela crise financeira. Nesse ano, a riqueza média por adulto era de 122.423 dólares.

Desde então, Portugal ultrapassou a Grécia, que desceu três posições e até viu a riqueza média por adulto cair na comparação direta entre 2014 e 2020 (de 128.602 para 104.603 dólares).

Ainda assim, Portugal está abaixo da média da UE (184.000) e tem uma riqueza que é 77% deste valor (quando, em 2014, era de 81%).

A liderar a tabela continua o Luxemburgo (477.306 dólares em 2020 e 470.632 em 2014). No ano passado, completaram o pódio os Países Baixos (377.092) e a Dinamarca (376.069). Já no extremo oposto, os últimos três lugares continuam a ser ocupados pelos mesmos países: a Bulgária (36.443), a Roménia (50.009) e a Hungria (53.664), que, ainda assim, melhoraram face a 2014.


16.6.21

Riqueza em Portugal cresceu em plena pandemia

in MSN

O nível de riqueza em Portugal cresceu 2% em 2020 face a 2019, abaixo dos 5% da Europa Ocidental, e deverá progredir em média 3% ao ano até 2025, aquém dos 4% na região, revela um estudo da Boston Consulting Group (BCG).

De acordo com o relatório “Global Wealth 2021: When Clients Take the Lead”, divulgado nesta segunda-feira, dia 14 de junho, pela BCG, a riqueza financeira (riqueza total, excluindo os ativos reais e as dívidas) em Portugal subiu 2,7% ao ano entre 2015 e 2020, contra 4% na Europa Ocidental, atingindo os 600 mil milhões de dólares (cerca de 495 mil milhões de euros). Até 2025, prevê-se que progrida a uma taxa anual média próxima dos 3%, até aos 700 mil milhões de dólares (cerca de 578 mil milhões de euros).

A nível global, a riqueza atingiu um máximo histórico em 2020, contrariando as expectativas pouco otimistas do relatório de 2020 da BCG, divulgado após os primeiros impactos da pandemia na economia, e crescendo 8% face a 2019. Até 2025 deverá continuar a aumentar, em média, 5% ao ano.

De acordo com o relatório, em 2020 Portugal representou 1,1% da riqueza e 0,8% dos ativos tangíveis da Europa Ocidental. Apesar de em 2020 ter registado um crescimento da riqueza (2%) abaixo dos 5% verificados na Europa Ocidental, Portugal evidenciou melhores resultados em relação aos ativos tangíveis, com um aumento de 6% face aos 4% da região. Até 2025, é expectável que Portugal cresça a uma taxa média anual de 4% neste indicador, acima dos 2% da Europa Ocidental.

Segundo aponta o estudo, “o aumento da poupança das famílias e a resiliência dos mercados à pandemia foram os principais contributos para que a riqueza global tenha atingido os 250 biliões de dólares (cerca de 206 biliões de euros)".

À semelhança do ano anterior, no ano passado, em Portugal, a moeda e os depósitos foram a classe de ativos predominante, perfazendo 46% do total de riqueza, acima do verificado na Europa Ocidental (30%) e no mundo (28%).

“Espera-se, contudo, que o investimento em ações e fundos de investimento, o segundo ativo na escala (30%), cresça mais rapidamente, a 3,2% ao ano, nos próximos cinco anos, e que os seguro de vida e pensões se mantenham a terceira maior classe de ativos no futuro”, aponta o relatório.
Fortunas de mais de 100 milhões representam 12% da riqueza

O trabalho demonstra ainda que a maioria da riqueza em Portugal continua a ser detida pelos que possuem menos de 250 mil euros (51%), tal como em 2019, segmento cujo peso se espera que caia dois pontos percentuais até 2025. Os detentores de fortunas de mais de 100 milhões de euros representam 12% da riqueza, prevendo-se que este segmento cresça um ponto percentual até 2025.

“O conservadorismo do investidor português tem-no protegido dos impactos das crises nos mercados financeiros. Contudo, com o crescimento do segmento com fortunas acima dos 100 milhões de euros, é expectável que cresça também o apetite por outras classes de ativos de maior risco e, consequentemente, sejam possíveis maiores retornos”, afirma Pedro Pereira, sócio da BCG em Portugal, citado num comunicado.

A nível global, no ano passado, verificou-se “uma maior procura por investimentos alternativos para obter maiores rendimentos, afastando os títulos de dívida de baixo rendimento”. “Como parte desta tendência, os ativos tangíveis, liderados principalmente pelo património imobiliário, atingiram um máximo histórico de 235 biliões de dólares (cerca de 194 biliões de euros), refere.

Entre as novas tendências, a BCG identifica dois mercados atrativos para os gestores de património: os indivíduos com necessidades de investimento simples e um nível de riqueza entre 100 mil e três milhões de dólares (82,5 mil e 2,5 milhões de euros, segmento que representa cerca de 331 milhões de indivíduos em todo o mundo que detêm 59 biliões de dólares (48,7 biliões de euros) disponíveis para investir); e os reformados (acima dos 65 anos), “um dos segmentos demográficos de mais rápido crescimento”, que possuem 29,3 biliões de dólares (24 biliões de euros) em ativos financeiros prontos para investir, devendo valor crescer 7% nos próximos cinco anos. “Em 2050, 1.500 milhões de pessoas a nível mundial chegarão à faixa etária dos maiores de 65, representando uma enorme fonte de riqueza”, nota a consultora.

Outra categoria destacada pela BCG devido à sua “rápida evolução no mercado” é o grupo de indivíduos cuja riqueza pessoal excede os 100 milhões de dólares (82,5 milhões de euros). “Esta categoria tem registado um crescimento anual de 9%, desde 2015, e, atualmente, detém um total combinado de 22 biliões de dólares (18,1 biliões de euros) em riqueza disponível para investir, o que representa 15% do total mundial, num ‘ranking’ liderado pelos EUA, seguidos muito de perto pela China”, refere.

Segundo a consultora, “o perfil deste segmento está a mudar”, sendo agora “pessoas entre os 20 e os 50 anos de idade, com horizontes de investimento mais longos, uma maior apetência pelo risco e, muitas vezes, um desejo de utilizar a sua riqueza para criar um impacto social positivo, para além de assegurar retornos sólidos”.

26.1.21

Homens mais ricos do mundo já recuperaram da crise. Os mais pobres vão demorar mais de uma década

in SicNotícias

Enquanto milhões de pessoas entram na pobreza, os maiores multimilionários regressam aos níveis de riqueza pré-crise em nove meses.
Especial Coronavírus

A pandemia fez aumentar a desigualdade económica em quase todos os países. A conclusão é do estudo "Vírus da Desigualdade", publicado pela ONG Oxfam, uma confederação que procura soluções para a pobreza, desigualdade e injustiça.

O estudo adianta que a população mais pobre pode demorar mais de uma década a recuperar da crise económica, 14 anos para ser mais preciso.

Enquanto milhões de pessoas entram na pobreza, os maiores multimilionários regressam aos níveis de riqueza pré-crise em nove meses.

Gabriela Bucher, diretora executiva da Oxfam, aponta para 10 bilionários que arrecadaram meio bilião de dólares entre março e finais de dezembro.


25.7.19

Trabalho: a matemática das desigualdades

João Fraga de Oliveira, in Público on-line


Numa economia que tantos economistas e políticos garantem estar “em franco crescimento”, o que esta tendência de agravamento das desigualdades sociais indicia é que, afinal, a “crise” é-lhes mais instrumento do que causa das desigualdades sociais.

“E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infância, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?”
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De barco afundado a escritório flutuante: aqui embarca-se todos os dias para trabalhar
Apesar de não se ser “economista político” nem “moralista”, há poucos dias, aquando de uma das viagens na minha biblioteca, veio-me à memória esta pergunta de matemática (e não só) que, há muitos anos, fixei ao reler um dos meus livros preferidos.

Nunca consegui acertar com a resposta a esta pergunta. Se bem que tivesse perdido dias e noites às voltas com aritmética, álgebra, logaritmos, probabilidades, funções, equações e conjuntos, errei sempre. Por defeito.
Ora, tal complexa pergunta veio-me agora à memória ao ler um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado há poucos dias (em 4/7/2019), sobre a “distribuição e partilha do rendimento global do trabalho” [1].

Este estudo, abrangendo 189 países e o período de 2004 a 2017, mostra como, nestes 14 anos, veio a ser partilhada e distribuída aos trabalhadores a riqueza produzida. Ou melhor, dito de forma mais concreta, como veio a ser feita a partilha e distribuição da riqueza entre os representantes e interessados (directos ou indirectos) da detenção do capital e quem o trabalho consubstancia, isto é, as pessoas que o realizam, os trabalhadores propriamente ditos.

No que respeita a Portugal, este relatório da OIT demonstra uma situação especialmente negativa. Em 2004, a porção de riqueza produzida que cabia aos trabalhadores portugueses era de 65,8%. Em 2017, foi de 54,5% [2]. Mesmo com o aumento do “salário mínimo”, a partir de 2016, esta quebra relativa de rendimento dos trabalhadores portugueses foi a maior da União Europeia. Aliás, este estudo da OIT vem, no que respeita a Portugal, confirmar dados ainda mais recentes do Ministério do Trabalho e da Segurança Social (também referentes a 2017 mas divulgados em 10/7/2019 [3]).
Segundo estes dados oficiais, as remunerações dos quase dois terços (1.300.000) dos cerca de 2.100.000 trabalhadores portugueses por conta de outrem não chegavam aos mil euros por mês, mesmo quando somados salário-base, prémios, subsídios e outros complementos. A grande maioria dos portugueses recebe salários entre os 600 e os 750 euros mensais. A exiguidade dos salários cresce no interior (por exemplo, nos distritos de Bragança, Viseu e Guarda), relativamente ao litoral.

No trabalho, do ponto de vista do que este contribui para a produção de riqueza, cada vez mais desigualdade(s). Importa relevar que resumir a concepção de desigualdade do rendimento dos trabalhadores (só) à ponderação do salário nominal, é escamotear o que de mais real e substantivamente desigual encerra essa abstracção numérica. E que decorre do quanto, com a tendência de privatizações e de objectivo retrocesso (porque não acompanhando proporcionalmente as inerentes necessidades financeiras, técnicas, organizacionais) de investimento nos serviços públicos (e, no caso do interior, mesmo de encerramento de alguns destes), tendencialmente (quase) só o salário garante saúde, educação, justiça, habitação, transportes. Enfim, (quase) só o salário é meio de “ganhar (a) vida”.

Não é que este estudo da OIT surpreenda. O agravamento das desigualdades na distribuição da riqueza, aumentando o património (e, daí, o poder) dos detentores (ou seus representantes) de(o) capital e reduzindo os rendimentos (e, daí, o poder de reivindicação, ainda que “só” da concretização dos direitos legais já existentes) dos apenas detentores da sua capacidade de trabalho, dos trabalhadores propriamente ditos, é uma tendência das últimas dezenas de anos. Como o têm comprovado insuspeitas organizações nacionais e internacionais [4] e especialistas insuspeitos e reconhecidos [5].

Acresce que a fragilização da posição dos trabalhadores nas relações de trabalho por esta via económica, das remunerações (tudo “aceitando” nos locais de trabalho para “compor” o salário ou, pelo menos, para não comprometer com ele o diário único “ganho da vida”, ainda que insuficiente...) não pode ser dissociada, porque a potencia, da fragilização induzida pela desregulamentação de direitos dos trabalhadores implicada pelas sucessivas alterações à legislação laboral (e, especialmente, as promovidas pelo anterior Governo de 2011 a 2014 – mormente em 2012 [6] – e que este Governo não reverteu [7]), nomeadamente no domínio da crescente precarização e individualização das relações de trabalho, facilitação objectiva dos despedimentos, bloqueamento da contratação colectiva e, mesmo, redução real e até literal das remunerações [8].

Dir-se-á que é ainda um efeito da “crise”, da real e da que para tudo é pretexto. Contudo, numa economia que tantos economistas e políticos garantem estar “em franco crescimento”, o que esta tendência de agravamento das desigualdades sociais indicia é que, afinal, a “crise”, se bem que também das desigualdades seja consequência para muitos (99%), para alguns, poucos (1%), é-lhes mais instrumento do que causa das desigualdades sociais. Que, objectivamente, como este relatório evidencia, lhes convêm.

Nada surpreendente. Afinal, “os pobres são pobres porque os ricos são ricos”, como dizia o professor Alfredo Bruto da Costa [9].

Dir-se-á também que é um “efeito colateral”, um defeito, uma imperfeição do funcionamento do mercado, que este resvalou pontualmente para a promoção de desigualdades sociais crescentes, porque, como escreveu Adam Smith [10], foi “levado como que por mão invisível a promover um objetivo que não fazia parte de suas intenções”.

Contudo, esta hipótese não colhe, porque numa economia de mercado cada vez mais liberalizada (portanto, mais “perfeita”), é de supor, ter a certeza, de que este objectivo de promoção das desigualdades não se deve a qualquer imperfeição do mercado, a qualquer empurrãozinho malandro e fortuito da (tal) “mão invisível”, mas, antes, faz mesmo parte das intenções estruturais, da estratégia do mercado. Mais concretamente, de quem do capital do mercado é detentor (ou representante deste) e dele mais se aproveita.

Porventura, alguém também virá pôr em causa este estudo duvidando da credibilidade da OIT, apesar de esta ser uma entidade centenária [11] e mundialmente reconhecida do ponto de vista humano e social [12].
É certo que, sob certo ponto de vista, há razões para duvidar da credibilidade da OIT. Mas não no de pôr em causa a fiabilidade deste e de outros estudos idênticos. O que há razões para duvidar, sim – muito mais importante do que isso – é de que a OIT consiga (não o tem conseguido devidamente) ter efectiva aceitação, com efectiva possibilidade de nelas ter uma intervenção consequente, nas decisões das organizações regionais, internacionais e globais do mercado e da finança (por exemplo, a Comissão Europeia, a Organização Mundial do Comércio, o FMI, o G7, o G20 e outras). No sentido de estas integrarem nas suas decisões, procedimentos e práticas as posições (nomeadamente, convenções e recomendações) da OIT em coerência com este e outros estudos, bem como com outras referências fundamentais da Constituição, missão e acção da OIT, como são, por exemplo, a de que “o trabalho não é uma mercadoria” [13] e a promoção do “trabalho digno” [14].

De resto, este estudo é fiabilíssimo, não apenas por ser da autoria da OIT mas, também – muito importante –, porque já foi validado pelos accionistas e CEO da Jerónimo Martins, da EDP, da GALP, do BCP e de todas as empresas do PSI-20, nas quais, como se sabe [15], os rendimentos destes têm sido cada vez mais desproporcionadamente desiguais (na ordem das muitas dezenas e, nalguns casos, até mais de uma centena e meia de vezes) em relação aos salários médios dos trabalhadores das empresas de que são proprietários, gestores ou administradores de topo.

De qualquer modo, para os “economistas políticos” e para os “moralistas” portugueses, há uma vantagem matemática no prosseguimento deste caminho de desigualdades no trabalho. É que, assim, já podem responder à tal pergunta expressa por Almeida Garrett em Viagens na Minha Terra (1846) sobre “o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização... à penúria absoluta para produzir um rico”.

Sim, com este estudo, os “economistas políticos” e os “moralistas” já podem fazer melhor os seus cálculos e responder com convicção ao nosso grande escritor sobre (parafraseando-o) quantos trabalhadores é preciso condenar (pelo menos) à penúria e ao trabalho desproporcionado durante muitos anos para produzir certos accionistas e CEO, desproporcionadamente remunerados, das empresas onde eles próprios, trabalhadores, trabalham.
Pelos vistos, a resposta, matematicamente segura, é: cada vez mais.

[1] The global labour income share and distribuition https://www.ilo.org/global/about-the-ilo/newsroom/news/WCMS_712261/lang--es/index.htm
[2] Dados recolhidos no mapa Excel que faz parte do relatório e a que este dá acesso, por link.
[3] https://observador.pt/2019/07/08/maioria-dos-trabalhadores-por-conta-de-outrem-ganha-menos-de-mil-euros/
[4] OCDE, Oxfam e outras
[5] Por exemplo, Joseph Stiglitz, Amartya Sem, Thomas Piketty e outros
[6] Lei 23/2012, de 25 de Junho
[7] Bem pelo contrário, manteve – vai manter – no essencial, como resultou da inerente votação na generalidade em 19/7/2019, na Assembleia da República.
[8] “Futuro do trabalho e qualidade do emprego: trabalhar mais para ganhar menos e ganhar menos para trabalhar mais?” – PÚBLICO, 15/6/2019 - https://www.publico.pt/2019/06/15/economia/opiniao/futuro-trabalho-qualidade-emprego-trabalhar-ganhar-menos-ganhar-menos-trabalhar-1876519
[9] Entrevista ao DN Madeira em 30/10/2010 (https://www.dnoticias.pt/multimedia/videos/233541-entrevista-a-bruto-da-costa-DLDN233541#). Alfredo Bruto da Costa (Goa, ex-Índia portuguesa, 5/8/1938 – Lisboa, 11/11/2016), engenheiro, professor universitário, foi ministro dos Assuntos Sociais (V Governo Constitucional), conselheiro de Estado, presidente da Comissão Nacional de Justiça e Paz e um dos maiores especialistas e interventor cívico e político em pobreza, desigualdades e exclusões sociais
[10] Adam Smith (Escócia, actual Reino Unido, 5/7/1723-17/71790), em A Riqueza das Nações (1776)
[11] A Organização Internacional do Trabalho foi fundada em 1919, em Genebra (Suíça), no âmbito da Liga das Nações (hoje ONU), na sequência do Tratado de Versalhes que pôs fim à I Guerra Mundial.
[12] É cinquentenária da atribuição do Prémio Nobel da Paz, em 1969
[13] Primeiro princípio da Constituição da OIT, introduzido pela Declaração de Filadélfia, em 10/5/1944
[14] “Trabalho digno” (formulação portuguesa da versão original – decent work) é um conceito adoptado há 20 anos (1999) pela OIT e que mais tem balizado a sua missão e acção internacional no mundo do trabalho. A definição assenta, essencialmente, em quatro componentes: oportunidades de emprego, efectivação de direitos a condições de trabalho e salário dignos, protecção social e diálogo e participação social
[15] “Desejo de menos desigualdade é generalizado, também entre os portugueses” – PÚBLICO, 25/9/2018. https://www.publico.pt/2018/09/25/economia/noticia/desejo-de-menos-desigualdade-e-generalizado-e-tambem-existe-entre-os-portugueses-1845122

21.1.19

Ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres

in JN

Metade mais pobre da população mundial corresponde a 3800 milhões de pessoas

A fortuna dos multimilionários cresceu 12% em 2018, a um ritmo de 2200 milhões de euros por dia, enquanto a riqueza da metade mais pobre da população mundial reduziu 11%, revela um relatório publicado pela Oxfam.
A metade mais pobre da população mundial, segundo o documento, corresponde a cerca de 3800 milhões de pessoas.

O relatório da organização não-governamental (ONG), intitulado "Bem-estar público ou lucro privado", mostra como esta lacuna coloca em perigo a luta contra a pobreza, como prejudica as economias e alimenta a indignação em todo o mundo.

O documento foi apresentado um dia antes do início do Fórum Económico Mundial, em Davos (Suíça).

Os governos, segundo a Oxfam, exacerbam a desigualdade "ao não fornecer aos serviços públicos, como educação e saúde, o financiamento necessário, ao conceder benefícios fiscais às grandes corporações e aos ricos e ao não coibir a evasão fiscal".

Além disso, "a crescente desigualdade económica afeta especialmente mulheres e raparigas", acrescenta a ONG num comunicado.

O relatório explica que "se 1% dos mais ricos pagasse apenas 0,5% a mais de impostos sobre a sua riqueza, poderia ser angariado mais dinheiro do que o necessário para escolarizar 262 milhões de crianças que agora não têm acesso à educação e fornecer assistência médica para salvar a vida de 3,3 milhões de pessoas".

"Em alguns países, como o Brasil, os 10% mais pobres da população pagam uma percentagem maior de impostos sobre os seus rendimentos do que os 10% mais ricos", revela a Oxfam.

Na América Latina e nas Caraíbas, enquanto a riqueza dos multimilionários aumentou, a pobreza extrema continuou a crescer, alcançando o seu nível mais alto desde 2008 e afetando 62 milhões de pessoas, representando 10,2% da população.

Nesta zona do mundo, a fortuna dos multimilionários aumentou em 10% em 2018 (31600 milhões de euros) e ascendeu a 364100 milhões de euros, uma quantia maior do que o produto Interno Bruto (PIB) da maioria dos países da região, com a exceção do Brasil, México e Argentina.

"Os 10% dos mais ricos pagam apenas 4,8% dos impostos sobre o seu rendimento, e deveriam pagar em média 28%", diz Oxfam ainda sobre esta região.

A ONG acrescenta que "com o dinheiro que as empresas deixam de pagar de impostos a cada ano devido aos benefícios fiscais, seria possível contratar 93 mil médicos na Guatemala e 349 mil no Brasil, construir 120 mil casas na República Dominicana e 70 mil no Paraguai e contratar 94 mil professores na Bolívia ou 41 mil em El Salvador".

Além disso, "os serviços públicos sofrem de um défice de financiamento crónico ou são subcontratadas empresas privadas que excluem as pessoas mais pobres".

"Todos os dias 10 mil pessoas morrem por não poderem pagar os cuidados de saúde, enquanto nos países em desenvolvimento, uma criança de uma família pobre tem duas vezes mais probabilidade de morrer antes de atingir os 5 anos do que uma criança de uma família rica", adverte a Oxfam.

Além disso, a redução de impostos beneficia especialmente os homens, que "detêm 50% mais riqueza do que as mulheres no mundo e controlam mais de 86% das grandes empresas".

"Entretanto, quando os serviços públicos são negligenciados, são as mulheres e meninas que vivem na pobreza que sofrem mais com as consequências", segundo a Oxfam.

23.1.18

Mais de 80% da riqueza de todo o mundo nas mãos de 1% da população

in Jornal de Notícias

Relatório da ONG Oxfam fez as contas. Em 2017 aumentou o número de multimilionários no mundo

Mais de 80 por cento da riqueza criada no mundo em 2017 foi parar às mãos dos mais ricos que representam 1 por cento da população mundial, refere um relatório da organização não-governamental Oxfam hoje divulgado.
No relatório "Recompensem o trabalho, não a riqueza", a Comissão de Combate à Fome de Oxford (Oxfam, no acrónimo em inglês da confederação de 17 organizações não-governamentais) refere que metade da população mundial não ficou com qualquer parcela daquela riqueza.
Segundo a Oxfam, houve um aumento histórico no número de multimilionários no mundo: "atualmente existem 2.043 multimilionários no mundo e 9 em cada 10 são homens".

O estudo calculou que a riqueza dos multimilionários aumentou 13% ao ano em média desde 2010, seis vezes mais do que os aumentos dos salários pagos aos trabalhadores (2% ao ano).
O mesmo relatório indicou que em 2017 a riqueza desse grupo aumentou 762 mil milhões de dólares (622,8 mil milhões de euros), uma verba suficiente para acabar mais de sete vezes com a pobreza extrema no mundo.
Para a organização não-governamental, o crescimento sem precedentes do número de bilionários não é um sinal de uma economia próspera, mas um sintoma de um sistema extremamente problemático já que mais de metade da população mundial tem um rendimento diário entre 2 e 10 dólares (entre 1,6 euros e 8,1 euros).

"Enquanto o 1% mais rico ficou com 27% do crescimento do rendimento global entre 1980 e 2016, a metade mais pobre do mundo ficou com 13%", refere o relatório.

"Mantendo o mesmo nível de desigualdade, a economia global precisaria ser 175 vezes maior para permitir que todos passassem a ganhar mais de 5 dólares (4 euros) por dia", concluiu a análise.

O lançamento do relatório internacional da Oxfam é feito na véspera do Fórum Económico Mundial, que junta os principais líderes políticos e empresariais do mundo na cidade de Davos, na Suíça, entre 23 e 26 de janeiro.

22.1.18

Estes 9 multimilionários têm mais dinheiro que metade da população mundial junta

in Notícias Magazine

Estes números tornam por de mais evidentes as desigualdades e a injustiça que persistem (e crescem) no planeta.

Um relatório recente da Oxfam, organização não governamental internacional que luta contra a pobreza, citada pela Business Insider, revela que os 1 por cento mais ricos do mundo acumulam mais riqueza do que todo o resto da população mundial.

Atente nos números: uma elite que representa 1 por cento da população tem mais recursos do que os 99 por cento da restante população mundial junta.

E mais: se as fortunas destes nove homens fossem somadas, a riqueza daí resultante suplantaria a da soma dos proventos dos 4 mil milhões de pessoas mais pobres.

Segundo a mesma Business Insider, atualmente existem 1500 multimilionários no mundo, 560 deles nos Estados Unidos. A China, a Alemanha e a Índia têm cem ou mais, cada uma. Os restantes estão espalhados um pouco por todo o mundo, incluindo os países mais pobres, onde o fosso das desigualdades é assustadoramente maior.
Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

4.10.17

"A China vai dos pobres mais pobres aos bilionários da Forbes"

Helena Tecedeiro, in Diário de Notícias

Em Lisboa para participar na conferência Em Que Pé Está a Igualdade?, organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, no Teatro Nacional de São Carlos, Branko Milanovic falou da China e da Índia. O economista sérvio-americano desvalorizou impacto de Donald Trump no sistema americano e explicou que Emmanuel Macron está a tentar combater o populismo causado pelo neoliberalismo com mais neoliberalismo.

A China está a abrandar. Podemos esperar que continue a ser a locomotiva da economia mundial?

A taxa de crescimento da China costumava andar nos dois dígitos, depois passou para 8% e agora anda nos 6,5%. Mesmo assim é um nível de crescimento muito elevado. Sobretudo quando os países ricos baixam as expectativas, considerando taxas de crescimento de 1,5% ou 2% satisfatórias. A longo prazo, à medida que se aproxima da fronteira tecnológica, a China vai deixar de crescer ao ritmo a que cresce agora. Mas não estou preocupado. E mesmo que a China já não seja uma locomotiva tão boa, temos países como Índia, Indonésia, Vietname, até a Birmânia mais recentemente, e países em África, como a Etiópia, que estão a crescer muito rapidamente.

A China é uma sociedade capitalista com um regime comunista. Esta contradição pode ser um problema?

Devíamos esquecer a forma como os partidos se chamam. O que temos na China é uma economia capitalista com um sistema de partido único. Nesse sentido, a China representa um potencial parceiro para as sociedades ocidentais - democracias liberais e multipartidárias - por serem ambas capitalistas. E se olharmos para a percentagem do produto interno bruto (PIB) produzida pelo setor privado ou para a percentagem de empregos privados, é de 60% ou 70%.

O aprofundar das desigualdades é o maior desafio para o governo chinês?

É um desafio por várias razões. Em primeiro lugar, a China é geograficamente muito desigual. Tem as províncias costeiras com as grandes cidades, como Xangai ou Pequim, que se estão a dar muito bem. E tem as áreas rurais. Se olharmos para a distribuição de riqueza na China em termos globais, há pessoas nas zonas rurais que estão no fundo da tabela. A China, um pouco como o Brasil, cobre a totalidade da distribuição de riqueza - dos mais pobres que vivem no que o Banco Mundial define como pobreza absoluta aos bilionários na lista da Forbes. Deixando de parte chamar-se comunista, o partido no poder tem preocupações de justiça social. A campanha anticorrupção que lançaram está ligada à conclusão de que as desigualdades e a corrupção podem minar a legitimidade do partido.

Falava da Índia. Uma população mais jovem será segredo para o seu sucesso?

A Índia está a crescer em termos populacionais mais rapidamente do que a China. Irá ultrapassá-la dentro de dez anos, talvez menos. Estou bastante otimista em relação à Índia, até porque tem um número crescente de jovens educados. Também tem a vantagem da língua inglesa, que não sendo falada por todos é falada por uns 200 milhões de pessoas. E é uma democracia. Está permanentemente num alto nível de instabilidade, mas, graças à democracia, é uma instabilidade que tem sido gerida desde a sua fundação, há 70 anos. O perigo agora é que a coabitação entre hindus e muçulmanos se deteriore.

Perante os emergentes, Trump terá de lutar para tornar a América grande outra vez ou basta gerir a vantagem?

Ninguém sabe o que ele vai fazer. Acho que nem ele sabe. Além disso, temos de ver se ele e a administração chegam ao fim do mandato... pode haver um impeachment. O que é mais interessante é o tipo de sistema que permitiu a Trump chegar ao poder. Ele aparece devido a uma grande insatisfação entre os americanos - com os níveis de rendimento, a falta de emprego, a falta de oportunidades, o sentimento de que tinham sido abandonados pelos políticos de ambos os partidos. É mais interessante perceber quais as forças que o trouxeram ao poder do que o que ele vai fazer. Não acredito que ele tenha efeito a longo prazo no sistema americano.

Podemos dizer que foi um falhanço da administração anterior que trouxe Trump ao poder?

Não é só um resultado da última administração, mas sim das últimas administrações. Foram 20 e tal anos de políticas neoliberais. E enquanto a percentagem de pessoas insatisfeitas era relativamente pequena, as elites liberais não lhes prestaram atenção.

O protecionismo defendido por Trump pode prejudicar a economia americana e reforçar desigualdades?

Sim, mas não acredito que vá acontecer. O NAFTA [acordo de comércio livre entre EUA, México e Canadá] está a ser renegociado, mas o sistema construído nos últimos 70 anos não será refeito. E como se viu com a NATO, Trump diz uma coisa e faz outra. Vai ser um presidente populista que na verdade é um plutocrata.

A insatisfação, as desigualdades também existem na Europa e estão a alimentar movimentos populistas. Os líderes europeus têm de lidar com isto?

Na Europa a perceção desse fenómeno é bastante forte. Primeiro foi o brexit, depois [Marine] Le Pen e agora a AfD na Alemanha. Se olharmos para a alternativa proposta por Macron, tem logo problemas a nível interno em França - há uma enorme oposição às suas políticas, de facto, neoliberais. É interessante que este problema tenha sido originado pelo neoliberalismo e que agora Macron se proponha salvar a França do populismo com mais neoliberalismo. Esse neoliberalismo seria equilibrado por uma UE mais forte. Mas isso parece pouco provável depois das eleições alemãs. Todos sabem que é um problema, não sei se há muito a fazer. Olhemos para os grandes países: a Alemanha tem a extrema-direita pela primeira vez no Parlamento na história recente; a França tem um problema com a mudança das leis laborais; o Reino Unido está ocupado com o brexit; a Polónia tem um governo nacionalista/populista e a Espanha está ocupada com a Catalunha. Não vamos resolver os problemas da UE quando os países têm os seus próprios problemas.

Portugal sofreu muito com a crise financeira. O que acha da opção da Europa pela austeridade?

Não sou macroeconomista, mas quando olhamos para a Grécia, era uma questão de matemática. O rácio de dívida em relação ao PIB é mais alto do que no início da crise e vai ficar ainda mais alto. É claro que, a menos que a dívida fosse perdoada ou tornada mais leve através de uma restruturação extravagante, a Grécia não ia conseguir sair do buraco onde estava. E de onde ainda não saiu. Para a Grécia, estas políticas foram claramente erradas. Mas para outros países funcionou. Portugal é muitas vezes dado como bom exemplo por ter aplicado medidas de austeridade e agora estar a sair dela. A Espanha também. Em certos casos, estas políticas de austeridade funcionaram. Mas há casos extremos, como o da Grécia, em que é difícil ver como poderiam ter resultado.

23.2.17

Quatro indonésios são mais ricos que os 100 milhões mais pobres do país

in Notícias ao Minuto

Os quatro homens mais ricos da Indonésia acumulam mais riqueza que os 100 milhões de pessoas mais pobres do país, de acordo com um relatório da Oxfam sobre desigualdade.

Segundo o relatório, a Indonésia, com uma população de mais de 250 milhões, é o 6.º país mais desigual do mundo.

A organização aponta o dedo ao "fundamentalismo de mercado" que permitiu aos ricos captarem a maioria dos benefícios durante quase duas décadas de forte crescimento económico e generalizada desigualdade de género.

O relatório indica que a pobreza extrema diminuiu acentuadamente desde 2000, mas que 93 milhões de indonésios ainda vivem com menos de 3,10 dólares por dia, o que o Banco Mundial define como uma linha moderada de pobreza.

A Oxfam alerta que a instabilidade social pode aumentar se o Governo não mitigar o fosso entre ricos e pobres.

26.1.17

E se os oito mais ricos deixassem de ser tão ricos o que ganhavam os pobres com isso?

Helena Matos, in o Observador

Se os oito mais ricos deixassem de ser tão ricos ou até se eles nunca tivessem sido ricos não só os pobres não ganhariam nada com isso como seríamos todos mais pobres.

É um clássico: todos os anos temos aqueles dois a três dias em que somos informados de que o dinheiro de meia dúzia de ricos é idêntico ao de vários milhões de pobres.

Este ano a aritmética da riqueza versus pobreza informou-nos que as “Oito pessoas mais ricas do mundo detêm a mesma riqueza que os 50% mais pobres”. E logo começou o arrazoado da indignação, não tanto com o facto de haver pobres mas sobretudo com o facto de haver ricos. Muito particularmente parecia evidente que os pobres são pobres porque existem ricos e, ainda mais ilusório, que o desaparecimento dos ricos tornaria os pobres menos pobres. Nada mais falso.

Comecemos por ver quem são esses ricos: Bill Gates, fundador da Microsoft; Amancio Ortega, fundador e dono da Inditex (Zara); Warren Buffett investidor e chefe executivo da Berkshire Hathaway; Carlos Slim, empresário mexicano das telecomunicações; Jeff Bezos, fundador da Amazon; Mark Zuckerberg, fundador do Facebook; Larry Ellison, diretor-executivo da Oracle; Michael Bloomberg, ex-autarca de Nova Iorque e fundador da agência de notícias financeiras Bloomberg. Ou seja muitos destes homens são imensamente ricos não porque tenham herdado as suas fortunas mas sim porque tiveram uma abordagem nova do seu negócio ou em alguns casos até porque inventaram o seu negócio. Mais ainda, muitos deles são importantes financiadores de projectos de investigação e solidariedade. Por fim, a sua actividade empresarial gerou empregos e produtos que mudaram para melhor a vida de milhões de pessoas.

Era melhor que eles não tivessem enriquecido? Ficariam os pobres menos pobres caso eles deixassem de ser ricos? Certamente que não. Mas nada disso interessa nestas contas do vamos fazer de conta que acabamos com os pobres dividindo o dinheiro dos ricos.

O que está em causa para muitas das organizações que se especializaram na divulgação destas aritméticas, como é o caso da Oxfam, é que subjacente a tudo isto está uma perspectiva política (legítima mas política) que não pode ser ignorada ou escamoteada: estas organizações não só têm grandes reservas à iniciativa privada como, pelo contrário, defendem um grande intervencionismo estatal e associam quase automaticamente gasto público e estatismo a combate à desigualdade.

A essa presença do Estado na economia chama, por exemplo, a Oxfam “economia humana”. Infelizmente o resultado dessa economia dita humana é quase invariavelmente apenas mais pobreza e mais desigualdade entre os humanos, como aconteceu na Venezuela, país até há pouco muito bem situado nestes relatórios e dado como exemplo de sucesso no campo das políticas de combate à pobreza e à desigualdade.

Dado o pouco escrutínio a tudo o que vem das ONG’s e muito particularmente aos relatórios onde ONG’s e agências das Nações Unidas se cruzam, nunca os produtores deste tipo de dados são confrontados quer com a falácia das suas análises quer com as consequências das propostas que fazem. Por cá, ainda há pouco tempo tivemos a visita de uma senhora apresentada como relatora da ONU sobre “o direito a uma habitação condigna” para quem, nesta área, tudo se resumia à construção de mais habitação social.

Na verdade, estas aritméticas dos ricos versus pobres replicam no seu ódio às sociedades ocidentais e muito particularmente à iniciativa privada aquelas pretéritas contas das despesas militares nos anos 70 em que todos os dias éramos informados sobre o número de crianças que deixariam de morrer com fome e doenças caso triunfasse o pacifismo e o dinheiro das armas fosse transformado em vacinas e leite em pó. O único senão de todo esse magnífico pensamento é que o desarmamento começaria invariavelmente pela NATO já que os países do então Leste precisavam desse sinal de apaziguamento para em seguida o repetirem! Como felizmente a experiência nunca foi feita nunca se chegou a saber como reagiriam os países do bloco comunista a esse ímpeto pacifista do decadente capitalismo. Mas a convicção da inferioridade moral das economias livres manteve-se e com ele um discurso sobre a pobreza como um problema em crescimento. Nada interessa que o número de pobres esteja a diminuir: hoje contabilizam-se em situação de pobreza extrema 800 milhões de pessoas, ou seja 10,7 % da população mundial. Em 1990 essa percentagem era de 35%. E muito menos se tem em conta que ser pobre no século XXI não é de modo algum o mesmo que ser pobre no início do século XX.

De facto, se os oito mais ricos deixassem de ser tão ricos ou até se eles nunca tivessem sido ricos não só os pobres não ganhariam nada com isso como seríamos todos mais pobres.

23.1.17

Oito homens são tão ricos como a metade mais pobre da população mundial

in Público on-line

Os oito mais ricos acumulam entre eles 426 mil milhões de dólares, um valor que equivale à riqueza total de cerca de 3,6 mil milhões de pessoas.

As oito pessoas mais ricas do mundo controlam uma riqueza equivalente àquela que se concentra na metade mais pobre da população mundial, facto que a Oxfam – organização não-governamental internacional – considera “para lá de grotesco”. A organização divulgou estes dados que constam no relatório Uma economia para 99%, acerca da desigual distribuição da riqueza no mundo, que vai ser apresentado no Fórum Económico Mundial, em Davos, Suíça.
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O fosso entre ricos e pobres não é uma novidade, ainda assim revela-se preocupante, diz a Oxfam, que a distância entre estes dois grupos continue a aumentar consideravelmente. Em 2016, era necessária a fortuna dos 62 mais ricos para equivaler à riqueza de metade da população mais pobre do mundo. Em 2017, são precisas apenas as oito pessoas mais ricas. A diferença abismal deve-se a novos dados sobre a pobreza na China e na Índia que se revelaram mais graves do que o esperado, nota o Guardian.

O grupo dos oito mais ricos concentra entre eles cerca de 426 mil milhões de dólares (aproximadamente 400 mil milhões de euros), um valor que equivale à riqueza total da metade mais pobre da população, cerca de 3,6 mil milhões de pessoas.

“O cenário de desigualdes deste ano é bastante claro, mais preciso e mais chocante que nunca. É para lá de grotesco que um grupo de homens que facilmente cabem num carro de golfe possam possuir mais que a metade mais pobre da população mundial”, afirmou o director executivo da Oxfam, Mark Goldring, citado pelo Guardian.

“Uma em cada nove pessoas no planeta vai para a cama com fome, enquanto uma mão-cheia de bilionários têm tanto que precisariam de várias vidas para conseguirem gastar tudo”, acrescentou Goldring, que quer ver implementada uma mudança na economia mundial que funcione para todos e não só para “uma elite privilegiada”.
O melhor do Público no email

Este relatório antecipa o Fórum Económico Mundial, que decorre entre terça e sexta-feira, e que reúne as elites políticas e empresariais. Em Davos, a Oxfam pretende apelar à implementação de um novo modelo económico que torne possível reverter esta tendência de disparidade entre ricos e pobres. Para este ano, prevê-se que a desigualdade económica e a polarização social sejam das ameaças mais salientes no que diz respeito à economia global.

A restrição salarial é uma das razões apresentadas pela organização como causa deste aumento da desigualdade na distribuição da riqueza, que acresce ao facto de as empresas se focarem cada vez mais em premiar os altos funcionários e os mais ricos, tornando-os ainda mais abastados. A evasão fiscal e o comportamento hegemónico das grandes empresas para com os produtores são também apontados pela Oxfam como aspectos que não contribuem para reverter esta tendência.

Bill Gates encabeça os oito mais ricos, um grupo onde consta também a fortuna do dono da Zara, Amancio Ortega; de Warren Buffett, o investidor e chefe executivo da Berkshire Hathaway; de Jeff Bezos, fundador da Amazon; de Carlos Slim, dono do conglomerado Grupo Carso; de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook; de Larry Ellsion, proprietário da norte-americana Oracle; e de Michael Bloomberg, fundador da agência de informação económica e financeira Bloomberg.

17.1.17

Cimeira de Davos: cada vez maior o fosso entre ricos e pobres

in RTP

Os oito homens mais ricos do mundo têm mais dinheiro que a metade mais pobre. Ou seja: mais do que 4.000 milhões de pessoas. Esta realidade impressionante é revelada num relatório da ONG britânica, Oxfam.

À frente da lista dos oito maiores multi-milionários está Bill Gates, o patrão da Microsoft, com uma fortuna avaliada em 70 mil milhões de euros.

Amancio Ortega, do grupo Inditex (dono da Zara) está em segundo com 63 mil milhões.

Em terceiro lugar surge o investidor Warren Buffett, com 57 mil milhões de euros.

O mexicano Carlos Slim é o quarto mais rico do mundo com 47 mil milhões.

Jeff Bezos, da Amazon, está em quinto lugar com uma fortuna de 42 mil milhões de euros- praticamente o mesmo que o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg.

O sétimo homem mais rico do mundo é Larry Ellison, da Oracle. Tem uma riqueza acumulada de quase 38 mil milhões de euros.

Em oitavo lugar está Michael Bloomberg com o mesmo valor. Este relatório conclui ainda que é cada vez maior o fosso entre os mais ricos e os mais pobres do mundo.

O documento foi apresentado no dia em que na suíça, começa mais uma edição do Fórum Económico Mundial em Davos.


Mínimos de dignidade

Júlia Caré, in Dnotícias

Um salário de 557 ou 570 euros chegará para a tal vida digna de que a Constituição Portuguesa fala?

O salário mínimo foi introduzido na vida económica portuguesa logo no dealbar da revolução de abril e consagrado posteriormente na Constituição, cabendo ao Estado assegurar o seu estabelecimento e atualização, “tendo em conta, entre outros factores, as necessidades dos trabalhadores, o aumento do custo de vida, (...) as exigências da estabilidade económica e financeira (...)” (artigo 59º). Além disto, aumentar o salário mínimo é discutir condições laborais, jornada de trabalho, férias e folgas, “de forma a facultar a realização pessoal e a permitir a conciliação da atividade profissional com a vida familiar” (idem). E também falar de decência e dignidade básicas, no país europeu com maior desigualdade salarial e onde, segundo fontes governamentais, mais de um em cada dez trabalhadores está em risco de pobreza. E sobretudo, por uma questão de ética cidadã, intervir ativamente na chaga do desemprego, evitando que empregadores sem escrúpulos se possam aproveitar da elevada precariedade laboral para explorar de forma desumana e inaceitável. É defender a democracia.

Nos últimos anos, ainda antes da crise, e agravada em consequência dela, procedeu-se à desregulação paulatina das relações laborais, à desvalorização generalizada das remunerações com congelamentos, reduções e cortes de salários. Seja pelo contexto da globalização, por convicções ideológicas, por imperativos financeiros, ou por incompetência política, a distribuição percecionada do rendimento no nosso país fez-se mais em favor do capital, em detrimento dos salários. Sabe-se como o anterior congelamento do salário mínimo se fez acompanhar por uma brutal destruição de emprego e aumento da pobreza. O que sentimos como resultado foi o crescente empobrecimento de quem vive dos rendimentos do seu trabalho e o agravamento das desigualdades na distribuição da riqueza produzida. E ainda não esquecemos a simultânea eliminação dos benefícios sociais. A era do Estado mínimo. Estranha conceção de coesão social...

O salário mínimo foi agora fixado em 557 euros a nível nacional (570 euros a nível regional). Um acordo difícil porque, pagar mais, alegam os patrões e alguns gurus da economia e da política, cá e em Bruxelas, significará mais desemprego e afastará os investidores... Ainda que outras estatísticas provem exatamente o contrário: aqueles gráficos do aumento de lucros dos mais ricos da revista Forbes, - os que patrioticamente pagam impostos fora do país -, das exportações, das ténues auroras de sucesso na economia portuguesa, segundo o britânico Financial Times e blá, blá, blá... Pouco provável é que os milhões das compras e dos movimentos multibanco da época natalícia de que tanto se fala tenham vindo de detentores de salário mínimo!

O que os números também dizem é que são cada vez mais os trabalhadores – alguns com formação universitária - a auferir este rendimento laboral. E que aquela discutível cedência negocial do governo à volta da TSU das empresas poderá retirar contribuições necessárias e devidas à Segurança Social e contribuir, isso sim, para mais desvalorização salarial por parte de empresas cujo sucesso financeiro até permitiria pagar um pouco mais aos seus trabalhadores... Conceções de responsabilidade social de certo universo empresarial...

Um salário de 557 ou 570 euros chegará para a tal vida digna de que a Constituição Portuguesa fala? Para pagar os custos com habitação, alimentação, cuidados de saúde, educação, transportes, vestuário, acesso à cultura? Para constituir família e equilibrar a demografia? Para um país desenvolvido, coeso, democrático e uma economia socialmente justa e sustentável? E quem se preocupa com isso, neste ano de muita apreensão que agora se inicia?

9.5.16

Salários valem um terço da riqueza produzida!!!

António Ferraz, in Correio do Minho

A política de austeridade excessiva adoptada pelo governo anterior trouxe sobretudo recessão económica seguido de muito baixo crescimento económico, elevado desemprego, aumento de impostos, corte ou congelamento de salários e pensões, empobrecimento, etc. Reportando-nos agora a dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre os efeitos negativos resultantes dessa austeridade e em termos de justiça social, o seguinte: houve uma redução contínua do peso dos rendimentos do trabalho “Ordenados e salários” em relação aos rendimentos do capital “Rendas, juros e lucros”, na riqueza produzida no País (PIB). Assim, enquanto em 2009, os “Ordenados e salários” representavam 37,4% do valor do PIB, em 2010 esse valor era de apenas 36,8% do PIB e, desde então, essa tendência de descida manteve-se.

Mais recentemente, em 2015, o peso dos “Ordenados e salários” (valores brutos) na riqueza produzida (PIB) atingiu 33,7%, o seu nível mais baixo dos últimos 55 anos (refira-se, a propósito, que o maior valor do peso dos rendimentos do trabalho no PIB deu-se em 1975, com 63,5%). Esta situação, porém, é ainda mais gravosa se atendermos que os trabalhadores representavam em 2015 81,6% da população empregada que é aquela que cria a totalidade da riqueza; verificou-se um agravamento constante do empobrecimento e da desigualdade social.

Essa evolução da repartição primária da riqueza produzida altamente desfavorável ao trabalho torna-se ainda pior se tivermos em conta não os “Ordenados e salários brutos”, mas sim os “Ordenados e salários líquidos“ ou rendimento disponível dos trabalhadores, isto é, o rendimento dos trabalhadores após dedução dos impostos devidos pelos rendimentos do trabalho, nomeadamente o IRS e os descontos para a Segurança Social (a repartição secundária dos rendimentos).

Ora, a factura maior do aumento de impostos até aqui tem sido paga exactamente pelos trabalhadores. Essa tendência de redução dos rendimentos do trabalho é também explicável tendo em atenção que 66,7% (em 2015) dos trabalhadores por conta de outrem auferiam menos de mil euros mensais (valores brutos). Ou pior ainda, se considerarmos que cerca de 5,3% dos assalariados auferem menos do que o salário mínimo nacional (530 euros).

Desta forma, a evolução recente da repartição da riqueza produzida em Portugal além de ser socialmente injusta, aumentos da desigualdade e da pobreza, não deixa de ser também uma questão económica dado que ao baixar relativamente os rendimentos dos trabalhadores, a maioria da população e com uma maior propensão ao consumo, isto não deixará de afectar negativamente a actividade produtiva em geral. Contraí o mercado interno e, portanto, cria entraves ao crescimento económico sustentado e ao desenvolvimento.

Em boa verdade, essa tendência de redução do peso dos rendimentos dos trabalhadores na riqueza produzida tem sido mundial. Portugal, contudo, é o Estado-membro da Zona Euro onde o peso dos salários no PIB mais baixou nos últimos anos. Porquê isso tem vindo a acontecer? Porque verificamos, entre outros factores: globalização e facilidade de deslocalização dos investimentos permitindo ao capital explorar o recurso mão-de-obra onde for mais barata; avanços tecnológicos, potenciando em alguns sectores a obtenção de grandes retornos (lucros) com baixo investimento em capital humano, isto é, menos empregados, porém, mais lucros; domínio financeiro da economia com o crescendo de serviços financeiros acarretando menos investimento produtivo e potenciais crises financeiras sistémicas.

Concluindo, assiste-se a uma centralização da riqueza produzida em rendimentos do capital. Urge, desta forma, que a actual governação actue no sentido de uma maior valorização dos rendimentos do trabalho, de forma controlada embora, para garantir os equilíbrios macroeconómicos, porque para além de injusta é um travão ao crescimento sustentado e ao desenvolvimento. Entre outras medidas a tomar, elencamos: aumento do salário mínimo nacional; maior número de escalões do IRS, tornando-o assim mais progressivo; criação de um imposto significativo sobre as grandes heranças; subida do abono de família e do abono pré-natal; ajustamento adequado das classes de rendimento de acesso ao abono de família, importante no combate a pobreza infantil, em particular, a pobreza extrema.

2.12.15

Riqueza e miséria lado-a-lado é uma “vergonha”, diz o Papa

in RR

Francisco recordou a sua viagem a África e sublinhou que a República Centro-Africana era mesmo o principal alvo da sua visita ao continente, explicando porque razão abriu lá uma porta santa.

O Papa considera “uma vergonha” que riqueza e miséria continuem a conviver em tantos locais, sem que se acabe de vez com a pobreza no mundo.

Francisco falava na audiência-geral desta quarta-feira, no Vaticano, onde recordou a recente viagem que fez a África, e deu como exemplo precisamente o que encontrou em Nairobi, uma das paragens da visita.

“Em Nairobi, a maior cidade da Africa Oriental, convivem riqueza e miséria, mas isto é um escândalo. Em todo o lado, não só em África, mas aqui também, a convivência entre riqueza e miséria é um escândalo, é uma vergonha para a humanidade”, afirmou.

O Papa referiu-se a cada uma das etapas da viagem, que o levou ainda ao Uganda e à República Centro-Africana, salientando mesmo que este foi o primeiro país que quis visitar e foi por isso que ali quis abrir a primeira Porta Santa do Jubileu da Misericórdia.

“Esta visita era na realidade a primeira que tencionava fazer, porque este país está a tentar sair de um período muito difícil, de conflitos violentos e de tanto sofrimento para a população. Por isso quis abrir lá, em Bangui, com uma semana de antecipação, a primeira porta santa do Jubileu da Misericórdia, num país que sofre tanto. E isto como sinal de fé e esperança para aquele povo e para todos os povos africanos”

Em entrevista à revista oficial do Jubileu, divulgada esta quarta-feira pelo Vaticano, Francisco diz esperar que o novo Ano Santo provoque uma “revolução da ternura” aos mais diversos níveis.

O Papa promete ter um “gesto” simbólico durante cada mês do Jubileu, que abrirá oficialmente na próxima semana, dia 8 de Dezembro.

28.7.15

Mais vale rico que inteligente. Estudo mostra que família rica é fator mais importante para sucesso

in Diário de Notícias

Um estudo que acompanhou as vidas de 17 mil pessoas mostrou que as crianças ricas tinham maior probabilidade de sucesso do que as pobres mesmo que fossem menos inteligentes.

As crianças que nascem e crescem em famílias ricas têm maior probabilidade de serem bem-sucedidas do que as crianças de famílias pobres, mesmo que as crianças desfavorecidas sejam mais inteligentes. A conclusão é de um estudo realizado no Reino Unido pela Comissão para a Mobilidade Social e Pobreza Infantil, revelado esta segunda-feira.

O estudo analisou as vidas de 17 mil pessoas que tinham nascido na mesma semana em 1970, comparando o que essas pessoas tinham conseguido aos 42 anos. Concluíram que mesmo quando as crianças, aos 5 anos, se tinham saído mal em testes cognitivos, tinham maior probabilidade de ser bem-sucedidas se fossem ricas do que crianças de famílias desfavorecidas que tinham bons resultados nesses testes.

As crianças de famílias ricas tinham 35 por cento maior probabilidade de virem a ganhar bem na sua vida adulta do que crianças mais inteligentes nascidas em famílias pobres. "Existe uma vantagem clara para as crianças que estudam em escolas privadas", lê-se no estudo, que também encontrou uma correlação entre o nível de educação dos pais e o futuro sucesso das crianças nas suas carreiras.

"Se os políticos estão a falar a sério acerca do seu desejo de aumentar a mobilidade social no Reino Unido, precisam de lidar com as barreiras que impedem as crianças de atingir o seu potencial total, e de remover as barreiras que bloqueiam a mobilidade social para baixo", acrescentam os investigadores da Comissão que realizou o relatório.

Com o termo "mobilidade social para baixo", os investigadores referem-se à dificuldade que existe em mudar de classe social para uma menos favorecida quando se pertence a famílias muito ricas. Tal como é difícil para as crianças pobres alcançarem estatutos socioeconómicos superiores ao longo da vida, existe aquilo a que chamam um "chão de vidro" que impede que as crianças de famílias ricas sejam significativamente menos bem sucedidas que as famílias, mesmo que sejam menos inteligentes que as restantes.

20.11.14

“É a ganância e o desperdício que não permitem acabar com a fome do mundo”

in RR

Papa lamenta que os alimentos cheguem a ser alvo de especulação financeira, pedindo que se conceda dignidade a quem não tem o que comer.

O Papa lamenta que a luta contra a fome seja prejudicada pela lógica de mercado a que o sector da alimentação também está sujeito.

A mensagem foi deixada por Francisco que esteve esta quinta-feira na sede da organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma.

“Hoje em dia fala-se muito em direitos, esquecendo com frequência os deveres; talvez nos preocupemos pouco com os que passam fome. Além disso, dói constatar que a luta contra a fome e a desnutrição é dificultada pela ‘prioridade do mercado’ e pela ‘preeminência da ganância’, que reduziram os alimentos a uma mercadoria qualquer, sujeita à especulação, inclusive financeira”, afirmou.

Francisco acrescentou que “enquanto se fala de novos direitos, o faminto está aí, na esquina da rua, e pede um documento de identidade, pede para que seja reconhecida a sua condição, quer receber uma alimentação de base saudável. Pede-nos dignidade, não esmola”, rematou.

Perante altos responsáveis da FAO, da Organização Mundial de Saúde, representantes de Estados, instituições e organizações da sociedade civil, Francisco sublinhou que “existe comida para todos, mas nem todos podem comer, enquanto o desperdício, o consumo excessivo e o uso de alimentos para outros fins ocorrem estão sob os nossos olhos”.

“Infelizmente, este ‘paradoxo’ continua actual. Poucos temas apresentam tantos sofismas como os que se relacionam com fome; e poucos assuntos são tão susceptíveis de ser manipulados por dados, estatísticas, exigências de segurança nacional, a corrupção ou lamentos melancólicos sobre a crise económica”, concluiu.

10.4.14

Riqueza média de Portugal será inferior à de Timor ou do Gabão

in Notícias ao Minuto

Segundo o relatório do FMI divulgado ontem, a retoma irá existir, mas, por enquanto, será insuficiente para colocar a taxa de desemprego de Portugal abaixo dos 12% daqui a cinco anos. Segundo o Jornal de Notícias, isso significa que Portugal irá manter-se no top 15 global do desemprego até 2019, e que poderá ser ultrapassado por países como Timor e Gabão em termos de riqueza média por habitante.

Em 2013, o país arrancou no 12.º lugar, com 16,2% da população ativa sem trabalho, e chegará a 2019 exatamente na mesma posição, apesar de conseguir reduzir a taxa para os estimados 12,9%.

Os dados estão de acordo com a base de dados atualizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e divulgada pelo Jornal de Notícias, e concluem que os altos níveis de desemprego irão persistir, bem como as medidas que levarão o país a cumprir o acordo que fez com a troika.

Segundo o relatório ‘Perspetivas Económicas Globais’, divulgado ontem pelo FMI, este ano a economia portuguesa deverá crescer 1,2%, em termos reais. Irá continuar a crescer 1,5% até 2015 mas, a partir daí, nunca ultrapassará o ritmo de 1,8%.

O relatório também analisou o ranking da riqueza média por habitante e pode concluir-se que, no grupo das 185 economias analisadas, Portugal encontrava-se na 46.ª posição, em 2013. Deverá subir um lugar em 2014, mas acabará por voltar a perder posições. Até 2019, será ultrapassado por países como Timor-Leste, Gabão, Estónia e Lituânia.

Por estas razões, o FMI continua a afirmar que Portugal irá violar o pacto a partir de 2016. Segundo Blanchard, “o caso de Portugal está difícil: as exportações estão genericamente fortes mas a procura interna continua fraca”.