Ana Paula Correia, Lusa, in Jornal de Notícias
Cavaco Silva voltou a chamar a atenção para a necessidade de saber responder à crise e à anunciada retoma de "forma sustentável" e alertou para o perigo da "falta de transparência"e das "medidas voltadas exclusivamente para o intesse nacional imediato".
A audiência era o corpo diplomático acreditado em Portugal mas o destinatário do discurso de ontem do presidente da República, na apresentação de cumprimentos de Ano Novo foi também, e mais uma vez, o Governo de José Sócrates.
Depois de ter realçado que 2009 "foi muito marcado pelos efeitos da crise financeira e económica internacional, designadamente no domínio do emprego", Cavaco Silva considera que ser preciso, "agora, que a retoma que se anuncia se consolide e seja gerida de forma sustentável". "A forma como sairemos da crise será determinante para que não nos voltemos a encontrar em situação semelhante à que vivemos e com custos ainda mais elevados. Para tanto, é importante que os primeiros sinais de crescimento não façam esquecer a necessidade de dar continuidade à reforma das instituições e dos procedimentos.
Os alertas do presidente foram ainda mais longe, ao assinalar ser preciso "evitar o recurso a medidas proteccionistas ou a adopção de políticas voltadas exclusivamente para um suposto interesse nacional imediato". E explicou: "Umas alimentam as outras e apenas contribuem para agravar os problemas, comprometer o crescimento e para semear cenários de confrontação". Por isso, concluiu, "precisamos de reforçar os nossos mecanismos de coordenação e de cooperação".
Ao falar perante o ministro dos Negócios Estrangeiros, o Núncio Apostólico e 194 chefes de missão acreditados em Portugal, Cavaco confessou, a propósito, partilhar do "sentimento de frustração" de muitos quanto à "timidez" dos resultados alcançados na Cimeira de Copenhaga.
O chefe de Estado não esqueceu de salientar a importância da reforma das instituições internacionais, entre as quais a OTAN e a ONU, lembrando a candidatura de Portugal a membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para o biénio 2011-2012.
"Não nos candidatamos contra ninguém, mas em favor do papel reforçado das Nações Unidas", acentuou, ao mesmo tempo que deixava ainda uma nota sobre a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), lembrando que Portugal sempre se tem batido pelo reforço dos laços entre a Europa e África.


