18.1.10

Durão Barroso enfrenta prova de fogo esta semana

por Alexandra Carreira, Bruxelas, in Diário de Notícias

Presidente da Comissão pode ser forçado a alterar a sua equipa, o que atrasará inevitavelmente a entrada em funções do novo Executivo.

Hoje e amanhã decorrem as últimas audições aos comissários indigitados a assumir pastas na segunda Comissão Europeia (CE) sob a presidência de Durão Barroso. A votação da equipa está marcada para dia 26, mas caso Barroso seja forçado a alterar o alinhamento de candidatos, a decisão do Parlamento Europeu (PE) pode ser adiada.

No centro do problema está Rumiana Jeleva, a candidata búlga- ra que, além de não ter impres- sionado a Comissão Parlamentar do Desenvolvimento com o conhecimento sobre cooperação internacional e ajuda humanitária, a pasta que Durão lhe destinou, se encontra sob um fogo de especulação quanto à sua declaração de interesses financeiros. Falta de transparência foi a nota dominante nas críticas dos deputados, na terça-feira passada, durante a audição, o que acabou por levar ao pedido da sua substituição por parte dos Socialistas & Democratas e dos Liberais.

A Comissão do Desenvolvimento finaliza hoje o relatório sobre a audição de Jeleva, do qual constarão as recomendações dos deputados sobre a actual ministra dos Negócios Estrangeiros da Bulgária e as suas capacidades para assumir um lugar no colégio. Barroso saiu em defesa da candidata ao dizer, na sexta-feira, em carta enviada ao presidente do PE, que Jeleva tem a "competência geral necessária" para ser comissária europeia. Ainda assim, o presidente do Executivo assumiu, na missiva, que a CE não tem mecanismos para verificar se os candidatos dizem a verdade nas suas declarações de interesses financeiros, que põem a descoberto eventuais conflitos de interesses com a actividade para que estão nomeados, mas assegurou que Jeleva lhe terá confirmado, após a audição no PE, a conformidade com as regras.

Mas Barroso está sob pressão para pedir a Sófia a substituição da candidata. O Partido Popular Europeu (PPE), que apoia Barroso e Jeleva, acusou o grupo socialista de "caça às bruxas" e promete, em retaliação, apertar o cerco aos comissários das outras famílias políticas. O foco vira-se hoje para Maros Sefcovic, o comissário eslovaco, com a pasta dos Assuntos Interinstitucionais e Administração e que assumirá também uma das vice-presidências da CE. Da frente socialista, Sefcovic terá, diz a direita europeia, proferido declarações discriminatórias sobre os roma - etnia cigana -, mas o próprio já o veio desmentir.

O PPE soma 265 lugares no PE, ao passo que Socialistas e Liberais, juntos, chegam aos 268. A matemática, a julgar pela tomada de posições na semana passada, deixa antever o perigo de a Comissão Barroso II não passar o crivo do PE de amanhã a uma semana. O presidente poderá ser mesmo forçado a fazer alterações na equipa, o que atrasará ainda mais a entrada em funções do novo Executivo.

Uma fonte comunitária admitiu que a carta de Barroso ao PE, enviada ao fim da tarde de sexta- -feira, não passou de uma manobra para ganhar algum tempo, já que, de acordo com a mesma fonte, "nesta fase, não tinha outra hipótese senão apoiar Jeleva".

A recta final de audições pode trazer novidades a respeito da composição do novo colégio de comissários.