Fátima Mariano, in Jornal de Notícias
O primeiro-ministro considerou ontem, domingo, ser "verdadeiramente escandaloso" que, durante 25 anos, a região Pinhal Interior tenha sido "menosprezada" em termos de investimento público. Uma "injustiça" agora reparada com a adjudicação da subconcessão rodoviária.
José Sócrates falava ontem de manhã em Ansião, em mais uma sessão da iniciativa "Governo Presente" no distrito de Leiria, dedicada à adjudicação da subconcessão Pinhal Interior ao consórcio liderado pelo Grupo Mota-Engil (cujo presidente-executivo é o socialista Jorge Coelho).
A este propósito e da polémica gerada em torno daquilo a que vários actores políticos classificam de "escândalo da terceira auto-estrada Lisboa-Porto", o subsecretário de Estado adjunto das Obras Públicas e Comunicações, Paulo Campo, frisou, por diversas vezes, que a obra foi adjudicada "à empresa que apresentou a melhor proposta e o preço mais baixo".
No conjunto, a subconcessão Pinhal Interior abarca 567 quilómetros de rodovias de 22 concelhos, sendo que apenas 172 quilómetros são de construção nova. O custo estimado é de 1,2 mil milhões de euros, menos 29% do que o inicialmente previsto. Esta subconcessão está prevista desde 1985, ano que foi votado por unanimidade o Plano Rodoviário Nacional, mas, de acordo com o Governo, só 31% do plano para esta região está executado.
À semelhança do que já tinha referido no dia anterior, José Sócrates voltou a frisar que "este é o momento de realizar investimento público para dinamizar a economia do país e criar mais postos de trabalho". "Muitas empresas dependem da acção do Estado para decidir se abrem ou não falência", afirmou.
Como exemplos, o primeiro-ministro apresentou a subconcessão Pinhal Interior - que vai envolver cerca de 200 pequenas e médias empresas e induzir a criação de 44 mil postos de trabalho na região - e o Programa de Modernização das Escolas do Ensino Secundário, cujos concursos de empreitada a serem lançados este mês criarão à volta de 25 mil postos de trabalho (ler texto ao lado).
Acompanhado do ministro das Obras Públicas e da ministra da Educação, Sócrates visitou, durante a tarde, as escolas secundárias Domingos Sequeira e Francisco Rodrigues Lobo, em Leiria, que estão já a ser intervencionadas no âmbito do referido programa.
Aprovado em Janeiro de 2007, este programa desenvolve-se por várias fases até 2015, altura em que 330 escolas secundárias de todo o país deverão já ter sido intervencionadas. O investimento total é de 2,5 mil milhões de euros.


