Catarina Craveiro, com Isabel Teixeira da Mota, in Jornal de Notícias
Banco de Portugal prevê um crescimento da economia, mais consumo mas menos poupança.
A economia deverá crescer já este ano. As perspectivas são optimistas, mas o emprego não acompanhará. Só em 2011 é que o número de postos de trabalho deverá aumentar. Preços mais altos, mais consumo mas menos poupança é o cenário traçado para 2010.
O Banco de Portugal (BdP) está mais optimista e reviu em alta as previsões para o crescimento do PIB. De acordo com o Boletim de Inverno, a economia nacional deverá crescer 0,7% já este ano, contrariando a anterior previsão que apontava para uma contracção de 0,6%. Este ano, o crescimento será ligeiro, mas deverá acelerar para 1,4% em 2011, sustentado pelo consumo privado e pelas exportações, que deverão subir 1,7% crescendo para 3,2% em 2011.
O ministro das Finanças considerou "positivos" os dados do Banco de Portugal, vendo-os como a confirmação de que a recessão está a ser ultrapassada e que 2010 será ano de retoma. Teixeira dos Santos destacou ainda a importância de manter os estímulos à actividade económica a par da redução do défice: "É imperioso que mantenhamos um conjunto de apoios e de estímulos à economia que foram decisivos para inverter a evolução da economia, mas é igualmente imperioso que, desde já, comecemos a reduzir o défice e que intensifiquemos essa redução nos próximos anos para que a dívida pública comece a baixar".
Já o emprego, que contraiu 2,8% no ano passado, deverá continuar a cair 1,3%. O número de postos de trabalho só deverá aumentar em 2011, altura em que deverá crescer 0,4%. "A evolução projectada aponta para que no período recessivo 2007-2011 ocorra uma destruição de emprego em termos líquidos muito superior à registada nos dois episódios recessivos anteriores", lê-se no documento. A pressionar o mercado de trabalho estará ainda o baixo investimento, que em 2009 contraiu-se 11,7%.As projecções apontam para uma queda de 3,4% este ano, mas 2011 será um ano de viragem, com o investimento a subir 0,9%.
A subir estarão também os preços dos bens de consumo. O BdP considera que a queda nos preços ocorrida em 2009 terá sido temporária e espera o regresso da inflação em níveis positivos, ainda que baixos, este ano. A expectativa aponta para uma taxa de inflação a situar-se nos 0,7% e mais que duplicando para 1,6% em 2011. "A forte queda dos preços em 2009 terá sido fortemente influenciada pela descida acentuada do deflator das importações, reflectindo, em particular, a redução do preço do petróleo e das matérias-primas não energéticas". Também o consumo privado deverá subir 1%, este ano, acelerando para os 1,6% em 2011, ficando acima dos rendimentos e reduzindo, assim, a taxa de poupança.
A evolução das taxas de juro deverá levar a que a Euribor a 3 meses quase duplique o seu valor já em 2011. Em termos médios anuais, esta taxa deverá manter-se em 1,2% em 2010, aumentando para 2,2 em 2011. Quanto ao petróleo, o BdP projecta para este ano, uma subida no preço do barril para 80,5 dólares e para 86,3 dólares em 2011.


