19.1.10

Empresas estão mais maduras em matéria de sustentabilidade

Por Ana Rita Faria, in Jornal Público

Um estudo sobre as três edições do Prémio Cidadania mostra que as grandes empresas estão mais sustentáveis, embora haja aspectos a melhorar


Uma estratégia de sustentabilidade definida, definição de códigos de conduta e ética e maior implementação de sistemas de gestão social. Em todos estes aspectos algumas das principais empresas portuguesas parecem estar a ganhar pontos e a tornar-se cada vez mais sustentáveis, conclui um estudo realizado pela AESE (Escola de Direcção e Negócios) e pela consultora PricewaterhouseCoopers (PwC) com base na análise das três edições do Prémio Cidadania das Empresas e Organizações.

A terceira edição do concurso, que teve como vencedores a EDP, a Portugal Telecom (PT), o Banco Espírito Santo (BES), a AXA e a Carris (ver caixa), mostrou que as 28 empresas a concurso (praticamente o mesmo número das edições anteriores) "estavam mais maduras em termos de sustentabilidade, exigindo cada vez mais responsabilidade naquilo que fazem", revela António Correia, sócio da PwC. Entre 2007 e 2009, das 29 questões que integram os inquéritos realizados às empresas, 20 registaram um acréscimo na taxa de respostas positivas. Só cinco sofreram um decréscimo, enquanto quatro permaneceram inalteradas.

Um das melhorias foi ao nível da definição de uma estratégia de sustentabilidade, com 82 por cento das empresas a dizerem ter este tipo de estratégia, contra 68 por cento em 2007 e 25 por cento em 2006. Por outro lado, "há cada vez mais empresas a comunicar a sustentabilidade e a sujeitá-la à certificação, bem como a controlar as práticas dos fornecedores", realça António Correia.

Todas as empresas que concorreram ao prémio revelaram também ter instituído um código de ética, que aponta os deveres e direitos dos seus colaboradores e fornecedores, enquanto 61 por cento dizem destinar parte do seu volume de negócios a investigação e desenvolvimento, um aumento de 11 pontos percentuais face à edição de 2007.

Outra melhoria registada foi ao nível ambiental, onde 71 por cento das empresas dizem ter implementado um sistema de gestão ambiental e 89 por cento dizem incluir requisitos a este nível na selecção de fornecedores. Ainda assim, revela o estudo, nenhuma empresa obteve pontuação máxima no pilar ambiental e a diferença entre a mais bem e a mais mal classificada continua a ser bastante grande: cerca de 70 pontos percentuais. Do mesmo modo, a eficiência ambiental (redução dos consumos de energia e água, bem como das emissões de CO2) está entre as "áreas a melhorar".

A recessão também teve os seus efeitos no comportamento das empresas. "Pela negativa, destaca-se um menor investimento em mecenato e as doações à comunidade e a programas sociais, o que pode ter a ver com a crise e consequente redução dos fluxos financeiros", revela António Correia. Ainda assim, o sócio da PwC destaca a melhoria da sustentabilidade empresarial, que tem a ver com a "maior sensibilidade em geral, por parte dos consumidores, clientes, parceiros de negócio e, consequentemente, das empresas".