19.1.10

Pobreza em Portugal atingia 18% da população em 2008

Eduarda Ferreira, in Jornal de Notícias

Cifra foi 1% acima da média dos 27. Na UE já alargada, uma em cada cinco crianças era pobre


Em 20 dos 27 países da UE, a pobreza infantil e adolescente, há dois anos, era superior à da restante população, dizem os dados do Eurostat divulgados no começo deste Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social. Em Portugal era essa também a realidade.

Em 2008, 23% das nossas crian-ças e jovens até aos 17 anos eram pobres. O termo usado neste tipo de estatísticas refere o "risco de pobreza". Mas esse é um conceito técnico que significa que uma pessoa tem um rendimento abaixo do limite da pobreza mesmo depois dos apoios sociais do Estado. Logo, é mesmo pobre. A taxa de risco de pobreza varia na forma como é medida nos vários países, mas traduz por regra o valor de 60% do rendimento médio, sendo o cálculo feito consoante os adultos com ganha-pão de um agregado e as pessoas dependentes.

Os números sobre a realidade do ano de 2008, já com a Europa alargada a 27, indicam que 17% da população da UE vivia abaixo do limiar da pobreza. Um ano antes, com 25 parceiros, essa média era de 16% e não tem variado muito desde os primeiros anos da década..

Da comida ao carro próprio

Portugal encontrava-se nesse ano numa faixa média de países. O risco de pobreza da sua população situou-se em 18%. As taxas mais elevadas corresponderam à Letónia (26%) e Roménia (23%). Grécia, Espanha e Lituânia tinham 20% de pessoas nessa situação. Os números mais favoráveis pertenceram à República Checa (9%), Países Baixos e Eslováquia (11%). A taxa mais expressiva diz respeito à pobreza que atingiu as crianças e jovens até aos 17 anos. Aí, a média europeia passou para 20%, com a Roménia à frente (33%). A Itália não lhe ficou longe, com 25%. E Portugal ainda teve uma taxa elevada (23%), emparelhando com a Grécia, mas com um ponto a menos que Espanha.

Outro ponto sensível desta realidade é a pobreza entre os mais velhos que 65 anos. O nosso país tinha há dois anos 22% dessa faixa na pobreza, ainda assim menos que Espanha (com 28%). A pobreza entre quem trabalha é quatro pontos superior à média europeia, que é de 8%. Só a Roménia e a Grécia nos suplantaram.

O retrato por números sobre o ano de 2008 também se debruça sobre a privação de bens ou serviços tidos como essenciais para uma vida digna. A taxa estimada para a Europa é de 17%. Portugal tem 23% (Espanha tem 9%). Entre a nossa população, 64% não tiveram dinheiro para pagar uma semana do ano numas férias fora de casa. Mais do que todos, os portugueses (35%) queixam-se de não ter disponibilidade financeira para manter a temperatura dentro de casa a uma temperatura confortável. Já quanto à posse de carro, igualamos a média europeia (9% dizem não ter meios para o comprar). Estamos a par da Irlanda e muito perto da Finlândia e Dinamarca.

Os dados europeus surpreendem quando retratam o acesso a uma refeição com carne, frango ou peixe ou ainda o equivalente em vegetais e legumes num intervalo de dois dias. A UE surgia há dois anos com uma taxa de 9% da população sem essa garantia alimentar. Portugal situava-se nos 4%, acompanhando de perto países como a Holanda, o Reino Unido, a Finlândia ou a Suécia e ultrapassando a França, Itália ou a Áustria e Alemanha, que chegam a mais que duplicar essa franja com comida escassa. A Hungria, a Letónia, a Bulgária e a Eslováquia aproximam-se ou tocam mesmo os 30%.