in Jornal de Notícias
Portugal está aquém das licenças de emissão de dióxido de carbono atribuídas, uma situação que a Quercus atribui à crise económica e que diz contrariar a expectativa apresentada pela indústria no início do processo.
"Portugal, também um pouco à custa da crise económica, está em vários sectores muito aquém da utilização das licenças que foram atribuídas, por agora, gratuitamente", explicou à agência Lusa o vice-presidente da Quercus, Francisco Ferreira.
Para o ambientalista, "é curioso que a indústria, aquando desta atribuição, disse que teria custos enormes e teria de ir comprar ao mercado muitas licenças, para além das atribuídas. Na prática foi exactamente o oposto".
Os países estão a tentar reduzir as quantidades excessivas de dióxido de carbono emitido, principalmente pelas indústrias, transportes e sector energético, já que contribuem para as alterações climáticas, como ficou definido no protocolo de Quioto.
Actualmente, cada indústria recebe um número de licenças de emissão gratuitas e se necessitar de mais tem de comprar no mercado. O comércio europeu de licenças de emissão abrange cerca de 200 instalações em Portugal.
Na terceira fase do processo, de 2013 a 2020, o sector eléctrico, centrais térmicas a gás natural ou carvão passam a ter de comprar todas as licenças de emissão de dióxido de carbono e a restante indústria começa por ter de adquirir 20% do total emitido.
"À escala europeia, os preços do dióxido de carbono (CO2) "estão relativamente baixos em relação ao que era expectável, a crise teve um impacto muito grande", mas os investimentos que têm sido feitos em áreas da eficiência da própria indústria e nas energias renováveis também contribuíram para a situação, considerou Francisco Ferreira.
Este ano Portugal "está a recorrer muito mais ao carvão do que em 2010 para produção de electricidade", exemplificou.
Apesar da subida de preços da gasolina e do gasóleo, o sector dos transportes, em particular o rodoviário, é o que está com maior peso no conjunto das emissões de CO2
Para a Quercus, apoiar a promoção dos transportes públicos a partir do leilão de licenças de emissões, através de um fundo de eficiência energética, por exemplo, "é algo perfeitamente viável e que tem todo o sentido".


